segunda-feira, abril 25, 2016

Pensar Ponte de Lima - Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva a22/04/2016



Areal

Todos sabem que uma das vantagens competitivas de Ponte de Lima na captação de visitantes é a possibilidade do estacionamento gratuito possibilitado pelo areal. Várias vezes foram feitas propostas para revitalização desse espaço, umas propondo o encerramento do areal ao estacionamento, outras propondo estudar com os parceiros e agentes da comunidade (como a proposta do PSD, aprovada pela Assembleia Municipal e colocada na gaveta por Vitor Mendes e Gaspar Martins), outras ainda a limitar o acesso e estacionamento em alguns locais do areal, como junto à ponte medieval, (eu próprio sugeri isso em reunião da Assembleia Municipal, propondo ainda o encerramento do areal às autocaravanas e autocarros). Vitor Mendes, como sempre, recorreu ao seu argumento favorito, acusando-nos, a todos, de demagogia, de  estarmos contra o comércio, contra a vitalidade do centro histórico. 
Com a constante subida e descida do leito do rio, o areal passou a ser uma alternativa arriscada para o estacionamento. Por momentos, cheguei a pensar que tinha sido essa a verdadeira intenção de Vitor Mendes com a construção do açude da forma como o fez

Polémica, que polémica?

Não sei se o leitor ficou surpreendido, eu não fiquei. Vitor Mendes, em mais uma entrevista/intervenção ao programa da Rádio Ondas do Lima, Manhãs de Sábado, dirigido por Sá Lima, tentou menorizar a polémica da constante inundação da totalidade do areal. Para o presidente da câmara, não passa de uma polémica virtualpromovida pelos de sempre, demagogos, que apenas querem fazer aproveitamento político sobre algo que é normal. 
Diz Vitor Mendes que a memória é curta, que é normal a existência de variações do leito do rio e que, seste agora passa grande parte do tempo a ocupar o areal, deve-se ao facto de estarmos a viver um ano de chuva atípico, mas nada de anormal. Claro que a barragem de Touvedo como já não tem mais capacidade de armazenamento de águas também tem a sua cota de culpabilidade. E o açude? Aí já é outra história. O açude nada tem que ver com o problema, diz Mendes, aliás, este até tem a mesma cota do açude construído anteriormente...
É no mínimo interessante a argumentação/justificação do edil. Para eleos outros têm memoria curta em relação ao rio, mas foi ele quem decidiu fazer um açude como se o rio Lima tivesse perdido a força de outrora. Se a memória de Vitor Mendes não é curtapor que não se preveniram os “anos atípicos”? Por que será que apesar de gastar, em trabalhos extra mais 38% do que o previsto inicialmente na obra do açude, não conseguiu que a inundação do areal deixasse de ser uma realidade quotidiana…?
Talvez as respostas estejam também nas palavras ditas pelo presidente só quem não é de Ponte de Lima é que não sabe destas variantes…

Propaganda

A Câmara Municipal, ou melhor Mendes e Martins, sentindo a mudança que chega, tem investido, como nunca, em propaganda. No meu último artigo, partilhei com os leitores o ridículo de se fazer uma cerimónia com direito a fotografia devido ao "Alargamento da Atual Rede de Esgotos - Saneamento de Refoios - 1.ª fase”Ridículo por serem obras com um atraso de 20 a 30 anos… Presentemente, podemos ler e ver um vídeo onde o presidente da Câmara, muito orgulhoso, se passeia por um investimento que emprega 20 pessoas. Não, caro leitor, não é mau. Aliás, para a situação que se vive em Ponte de Lima, é muito bom. O problema é que, enquanto em Ponte de LimaVitor Mendes, o responsável máximo pela falta de capacidade de captação de emprego para o concelhose promovia à custa de uma empresa com 20 postos de trabalho, o concelho vizinho de Viana do Castelo anunciava a fixação de 2 empresas num investimento de cerca de 30 milhões de euros, que criarão 200 postos.
Esta inércia para captar investimentos que tragam mais emprego para o concelho já tinha sido visível aquando da visita do Primeiro-ministro. Nos Arcos de ValdevezAntónio Costa inaugurou uma empresa que, com um investimento de cerca de 25 milhões, irá criar trabalho para 100 pessoas, em Ponte de Lima inaugurou um museu 

segunda-feira, março 28, 2016

Pensar Ponte de Lima - Artigo no jornal Cardeal Saraiva de 17 de Março de 2016

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 17 de Março de 2016)

O amor social expressa-se na actividade política para o bem comum” – Papa Francisco

Podíamos até olhar para os exemplos fora das nossas fronteiras, mas basta olhar para Marcelo Rebelo de Sousa, ou para os exemplos de presidentes de Junta que a SIC deu a conhecer numa série de reportagens. A política, os políticos, a forma de exercer os cargos mudou. Hoje são necessários políticos de proximidade, que não tenham barreiras, que saibam partilhar e envolver as pessoas na sua actuação. Hoje, mais que nunca, é necessário apostar na abertura e transparência. São necessários líderes que o sejam pelos seus actos, pelo seu exemplo.
Olhemos para o nosso microcosmo, para o nosso concelho de Ponte de Lima. O que vemos?
Precisamos de representantes autárquicos que percebam que estão ao serviço das suas populações. Que pensem o concelho como um todo. Que mantenham a boa saúde financeira mas que a ponham ao serviço das necessidades dos seus munícipes. Que actuem para lá do imediato, da conveniência comunicacional. Que saibam trabalhar/dialogar com os outros agentes políticos, sociais, económicos.

Nem acredito…

Vi, incrédulo, a mais recente acção de marketing da maioria na Câmara Municipal de Ponte de Lima, a assinatura do auto de consignação da empreitada de "Alargamento da Atual Rede de Esgotos - Saneamento de Refoios - 1.ª fase”, que teve até direito a fotografia, com crianças e tudo… Será que não percebem que isso só seria normal se ainda estivéssemos nos anos 80 ou 90? Estamos em 2016, em pleno século XXI, o melhor era fazer a obra rapidinho e de forma a esconder a vergonha de serem os responsáveis pelo facto da rede de esgotos de Ponte de Lima ser das mais ridiculamente baixas, com uma cobertura na ordem dos 46% da população.

Futuro? Só com criação de emprego

O leitor não precisa de ler as estatísticas que nos dão um lugar vergonhoso no que respeita ao poder de compra. Não precisa porque sente no seu dia-a-dia, porque fala com os amigos que vivem fora e percebe, por exemplo, que embora a Câmara Municipal prescinda da taxa de IRS dos seus residentes e que esta nos seja devolvida sob a forma de dedução à colecta, esta boa medida, não compensa os baixos rendimentos ou o facto de estes ficarem na estrada ou nos transportes públicos que usamos para podermos trabalhar.
Alguém percebe como um concelho como o de Ponte de Lima, com todas as suas potencialidades, estruturas viárias, proximidades, mantenha como maior empregador a Câmara Municipal? Como podemos nós viver sem um tecido empresarial forte? Que incentivo/atractividade tem um jovem limiano para se fixar em Ponte de Lima? Onde estão as políticas de captação de emprego?
Este é o tempo de outras políticas, outros protagonistas, é o tempo das pessoas.  Precisamos de alterar o paradigma, romper com este tipo de governação anacrónica que continua amarrada basicamente ao conceito do concelho rural, do concelho que tenta viver do turismo agarrado em exclusivo aos produtos endógenos. São pontos importantes, sem dúvida, mas não podemos ficar por aí, é tão redutor. No fundo parece que Ponte de Lima é um concelho que não consegue abraçar o futuro de tão amarrado a um idealizado, mas nem sempre verdadeiro, passado.

Não vale a pena começarem a protestar, o que escrevi é blasfémia? Não, não é, temos orgulho do nosso passado mas este deve servir de carburante para o futuro. 

sexta-feira, março 04, 2016

Intervenção na reunião de 20 de Fevereiro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima

Nesta reunião assumi a coordenação do grupo do PSD na Assembleia Municipal de Ponte de Lima

Venho falar de um assunto que deixa muito nervosa a maioria na Câmara Municipal, principalmente o seu vice-presidente, a poluição no rio Lima. Mas não é por provocar essa reacção que o faço. É sim porque infelizmente os anos passam e tudo, apesar dos alertas, comunicados, intervenções, continua na mesma. Com isto há já uma geração que não pôde "saborear" o rio que corre junto aos seus pés.

Durante anos o PSD de Ponte de Lima fez colóquios, vários alertas, vários comunicados, várias intervenções alertando para a constante poluição do rio Lima. Este é um tema, pela sua importância ambiental, social e económica, que está sempre presente na acção dos eleitos do PSD, na Câmara Municipal, na Assembleia Municipal.

Nos últimos anos, sempre que o PSD denunciou ou alertou para esta problemática, o presidente da Câmara, Vitor Mendes ou o seu vice, Gaspar Martins, deram três tipos de resposta, ou que não passam de calúnias e mentiras, ou que o PSD está contra a economia local, ou que a culpa é da tutela.

Ainda esta semana, na reunião de Câmara, tivemos mais uma sessão de insinuações por parte do vice-presidente, Gaspar Martins, vejam só, porque o vereador Manuel Barros teve a desfaçatez de fazer um requerimento, com uma fotografia a ilustrar, perguntando sobre o que tinha sido feito face a mais uma descarga poluente, solicitando a intervenção da Câmara Municipal de Ponte de Lima, no sentido de apurar responsabilidades no lançamento de efluentes no Rio Lima, na sua margem direita, proveniente do Rio Labruja, ocorrido no dia 8 de Fevereiro de 2016.

Desdobram-se os testemunhos, as fotografias que vão circulando abertamente nas redes socias e mesmo na comunicação social. Será que, na visão turva dos responsáveis máximos da nossa Câmara não passarão, também, de calúnias ou mentiras? A livre circulação de informação, para alguns, deve ser uma chatice. Fica também a pergunta, porque foi desclassificada, em 2009, a praia fluvial do Arnado, que até foi a primeira a ter bandeira azul?

Depois há sempre a velha resposta de que o PSD está contra a economia local. Mas já falaram com os empresários? É que há vários empresários que investiram muitos euros para ir ao encontro da legislação e quem faz avultados investimentos para cumprir não deve gostar, certamente, de ver o vizinho a prevaricar e a passar incólume.

Se enfrentassem o problema, certamente que, a maioria na Câmara Municipal poderia ajudar os empresários que por vários factores ainda não cumprem o legislado. Existem exemplos de sucesso que podem ser replicados, existem fundos europeus que apoiam a criação de condições para o tratamento de resíduos. O que tem feito a maioria na Câmara Municipal de Ponte de Lima para que os empresários tenham acesso a esses fundos, a esses exemplos? A resposta é simples, nada!

Preferem fazer de conta que o problema não existe, e com isso criam desigualdades, sentimentos de injustiça. Isso sim é prejudicar a economia local.

Chegamos, finalmente à última desculpa. A tutela. Mas a tutela tem nome. O organismo que tem funções de Autoridade Nacional da Água é a Agência Portuguesa do Ambiente (a APA). O director regional da Administração da Região Hidrográfica do Norte da Agência Portuguesa do Ambiente chama-se Pimenta Machado. Sim, é o mesmo que ainda há pouco foi convidado para estar presente na inauguração do açude.

Se, como diz o presidente da Câmara, a culpa é da tutela, então a Câmara Municipal não deve esperar mais. Tem que exigir responsabilidades a quem gere um organismo que tem como missão “… um elevado nível de protecção e de valorização do ambiente e a prestação de serviços de elevada qualidade aos cidadãos”.

Se a culpa é da inercia da tutela, ou seja da APA, como essa inercia já se prolonga por vários e longos anos, então a Câmara Municipal deve assumir, publicamente e rapidamente, que o senhor director Regional da Administração da Região Hidrográfica do Norte da Agência Portuguesa do Ambiente deixou de ter condições para se manter a exercer as funções que exerce.

Para o PSD basta! Basta de desculpas, basta de inercia, basta de empurrar as responsabilidades. É chagada a hora dos responsáveis serem, simplesmente, responsabilizados. É chegada a hora de encetar esforços para enfrentar e resolver este problema. A Câmara Municipal de Ponte de Lima tem aqui um papel fundamental. Infelizmente temos dúvidas se esta maioria tem coragem para o desempenhar.

A propósito da inauguração do Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde de Ponte de Lima

Hoje é inaugurado o Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde de Ponte de Lima, na quarta-feira deixei, na Rádio Ondas do Lima, o lamento, em nome do PSD de Ponte de Lima, pelos 6 anos que se perderam e pela necessidade de envolver os agentes locais para ir mais além...
 
Proposta de 2010, chumbada pela maioria na Assembleia Municipal de Ponte de Lima

quinta-feira, fevereiro 11, 2016

Artigo no jornal Cardeal Saraiva de 4 de Fevereiro de 2016

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 4 de Fevereiro de 2016)
Seria mais fácil…

Os meus amigos costumam dizer que tenho uma costela quixotesca por gostar de política e ainda para mais por me “manter” na política activa no concelho de Ponte de Lima. Vou-lhes respondendo que é algo que não consigo explicar, que é algo endémico, que não posso olhar para o lado quando vejo o meu concelho, o concelho dos meus (ascendentes e descendentes) ser conduzido como se tratasse de uma coutada.
Confesso que nem sempre é fácil, seria melhor estar calado, passaria mais despercebido, e por vezes até seria mais vantajoso. Poderia simplesmente resmungar no sofá quando lesse no Cardeal Saraiva uma qualquer notícia de como vão gastar mais 30% que o previsto no açude com trabalhos a mais, mas não consigo. É a nossa comunidade, nós vivemos aqui, não podemos deixar de participar, de ter consciência do que vai passando…
Realmente a culpa é da educação, das leituras e vivencias que tive e tenho. Penso que até será algo que vai “contaminando” os que vão estando ao meu lado. Talvez seja estranho, uma miúda de 9 anos, já ter ouvido/visto vários discursos de Martin Luther King, querer ouvir/ver no seu tablet o último discurso de Barack Obama em Selma, ou discutir com as suas colegas qual o melhor candidato às presidenciais. Para a minha filha isso é normal. Tal como para mim foi normal, com a sua idade, ter organizado uma caravana de bicicletas que, enfeitadas com bandeiras, com um rádio pendurado debitando uma cassete de slogans, percorreu o meu lugar a fazer campanha para a primeira maioria absoluta do PSD.
A democracia não é apenas para quem se diz imbuído dos valores de Abril. Os valores são valores, não são de Abril, da República ou da Monarquia. Li algures que a democracia é neste momento uma coisa de velhos. Nas eleições os votos que contam são os dos mais velhos, os mais novos, esses, preferem a abstenção. Mas o que levará as pessoas a não votarem? Talvez seja o facto de acharem que o seu voto não faz a diferença (são todos iguais, dizem), talvez porque lhes vendem, como se fosse verdade, que a política não vale a pena, que será, na melhor das hipóteses, para quem tem a tal costela quixotesca, para quem gosta de lutar contra moinhos de vento.     
Mas sabem que mais, vale a pena, e sim, o voto de cada um de nós faz a diferença. Em democracia a escolha é das pessoas, são os votos que decidem. Obama dizia que sim, nós podemos (mudar, crescer, melhorar, acreditar…), mas, caro leitor, não basta podermos, temos que querer. Está o leitor disposto a querer?

Eleições internas

O PSD Alto Minho foi a votos e o resultado foi expressivo, a liderança de Morais Vieira saiu reforçada tendo sido reeleito por um número expressivo de votos. Eduardo Teixeira, apesar de ter cerca de 186 votos de vantagem no distrito antes da contagem dos votos dos militantes dos Arcos de Valdevez, acabou por perder por 230 votos. Em Ponte de Lima os resultados foram claros, a lista de Teixeira obteve cerca de 129 votos e a de Morais Vieira 24.
Estou certo que os vencedores saberão por a sua vitória em prol da social-democracia e mais importante, ao serviço do Alto Minho e das suas populações.

Nota final

Soubemos há pouco da sua aposentação. Finalmente, depois de anos e anos ao serviço dos outros, a dona Dores vai poder ocupar o seu tempo com outras actividades. Todos os domingos os meus filhos perguntavam, “vamos comer uma natinha à dona Dores?”. Simpaticamente e pacientemente a dona Dores, da Havaneza, atendia os seus desejos de crianças. É um exemplo de trabalho e dedicação à casa que servia e em especial aos seus clientes. A história de casas como a Havaneza de Ponte de Lima faz-se assim, de pessoas que conhecem os gostos de gerações de clientes como se fossem os seus.    

segunda-feira, dezembro 28, 2015

Sim, isto é apoiar o emprego

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 18 de dezembro de 2015)


A próxima Assembleia Municipal de Ponte de Lima será uma maratona com uma ordem do dia com 31 pontos. A maioria destes são propostas de reconhecimento do interesse público municipal na regularização de instalação industrial ou pecuária. Uma medida do governo PSD/CDS que permitiu, durante uma ano, de forma excepcional, quer a regularização de estabelecimentos e explorações quer a sua alteração ou ampliação.

Passamos o tempo a dizer que há pouco emprego no nosso concelho, dizemos que é necessário apoiar os empresários, apoiar a iniciativa privada. Passamos o tempo a dizê-lo porque, de facto, continuamos a viver num concelho pobre, com fraco tecido empresarial e industrial, com um dos poderes de compra mais baixos da europa. Como o que se fala deve coincidir com o que se pensa, estes pontos, de reconhecimento do interesse público municipal, que agora vão a discussão no próximo sábado, dia 19, deverão ser aprovados.

O que a Assembleia irá “decidir”, como a Câmara Municipal já o fez, é se considera que a actividade do proponente é “importante” para o concelho ou não. No fundo, se os postos de trabalho devem ser mantidos e a legislação respeitada.

Não se pense, porem, que é um cheque em branco, ou que se está a encobrir alguma ilegalidade existente, não. Se querem a legalização, esses empresários, essas explorações terão que cumprir com toda a legislação inerente à sua actividade, o que, decerto, irá contribuir para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, o desempenho ambiental e a competitividade. As entidades competentes, que de seguida tomarão conta do processo, serão exigentes no estrito cumprimento de um conjunto de requisitos legais. Só assim estes processos chegarão a bom porto.

Infelizmente esta “porta” que se abriu, pelo menos aqui por Ponte de Lima, apenas peca por ter sido pouco divulgada. O Decreto-Lei nº 165/2014 estipulou um ano de aplicação desta possibilidade excepcional. Esta é a última Assembleia Municipal ordinária em que se poderá aprovar o Interesse Público Municipal para estre tipo de processos. Nesta reunião serão discutidos e votados apenas 14 casos, ao longo do ano não terão sido apresentados meia dúzia.

Todos nós conhecemos a realidade do concelho, ou pelo menos deveríamos conhecer, e é sobejamente pouco, muito pouco. Poder-se-ia ter feito mais, o município deveria ter olhado para este processo de outra forma, deveria ter sido mais activo no incentivo à adesão. Não o fez, e até nem seria nada de extraordinário, bastaria, por exemplo, ter feito parceria com a Associação Empresarial de Ponte de Lima.

Sinceramente não consigo pensar neste assunto de forma negativa, muito menos consigo imaginar o que levará alguém a votar contra com argumentos de falta de hábitos democráticos... Não acredita que isso aconteça? Então sugiro, caro leitor, que leia a acta da reunião de Câmara do passado dia 7 de Dezembro e verifique o sentido de voto e respectiva declaração do vereador do Movimento 51.


Estamos a falar da vida das pessoas, estamos a falar na vontade dos empresários em cumprir a legislação, em se legalizarem, em manterem os postos de trabalho que criaram. Vamos dizer que não?

segunda-feira, novembro 23, 2015

O estranho caso da toponímia

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 19 de Novembro de 2015)

Se visitar a página web do município de Ponte de Lima (http://www.cm-pontedelima.pt/ver.php?cod=0T0H0E) descobre que a mais populosa freguesia do concelho de Ponte de Lima, Arcozelo, ainda não consta na “Toponímia das Freguesias”. Algumas pessoas envolvidas no processo de Arcozelo queixam-se das "forças de bloqueio" existentes dentro da estrutura responsável pela toponímia da Câmara Municipal.

O leitor sabe quem são essas pessoas ou de que estrutura estamos a falar? Alguns falam numa Comissão de Toponímia, mas se o leitor, tal como eu, procurar na página do município, nada vai encontra sobre esta suposta comissão. Se ainda existe, nada sabemos sobre ela, quem dela faz parte, as suas competências. Outros falam de parecer de técnicos da autarquia. Quais técnicos? Ainda temos presente as críticas que o falecido Padre Dias fez aos “invejosos”, numa entrevista em 2012, ao jornal Novo Panorama, a propósito da sua passagem pela Comissão de Toponímia.

A importância da toponímia na vida de todos nós é inegável, imaginem só o que significa, neste mundo de interoperabilidade de base de dados, não ter, por exemplo, a morada correcta no cartão de cidadão. Confusões devem ser evitadas a todo o custo. É por isso que vou partilhar com o leitor o seguinte caso que se passa num dos mais icónicos e históricos arrabaldes de Ponte de Lima, a Além da Ponte.

A Além da Ponte está (tradicionalmente e auxiliando-me apenas da memória) dividida entre o Largo Alexandre Herculano, Trás-os-Palheiros, Avenida Conde da Barca, Largo da Freiria, Caminho das Regadas, Rua Manuel Lima Bezerra, Largo da Alegria, Rua Francisco Maia e Castro. O caso centra-se entre os largos da Alegria e o Alexandre Herculano.

Até há bem pouco tempo, e se perguntar a qualquer um dos antigos habitantes d’Além da Ponte é essa a resposta que vai obter, o largo Alexandre Herculano era o largo onde desemboca a ponte romana, o largo da Alegria era o largo imediatamente a seguir, se o leitor virar à esquerda vindo da ponte. Na página do município, se o leitor procurar o Albergue dos Peregrinos, logo verifica que a morada do mesmo é no largo Alexandre Herculano (http://www.cm-pontedelima.pt/alojamento.php?id=71). No entanto, se, na mesma página, procurar o Museu do Brinquedo Português (http://www.cm-pontedelima.pt/ver.php?cod=0M1B) logo fica a saber que este se encontra no largo da Alegria. E qual é o problema? Bem, o problema é que estas duas valências funcionam no mesmo edifício, numa antiga casa comprada e reformulada pelo município.

Esta confusão adensou-se quando o município resolveu comprar mais dois edifícios no mesmo largo (Alexandre Herculano) reformulando-os e disponibilizando-os para exploração hoteleira. Aquando da inauguração desse novo hotel ficou a saber-se que este, fronteiro ao Albergue dos Peregrinos, ficava no largo da Alegria. A isto acresce-se o facto, no mínimo estranho, da inexistência de placas de toponímia exactamente nos locais que despertaram esta confusão, quando existem nas outras artérias e largos (excepção feita à rua Manuel Lima Bezerra).

Questionei o senhor presidente da Câmara, Vitor Mendes, em reunião de Abril de 2014 (http://nunodematos.blogspot.pt/2014/04/intervencao-na-reuniao-da-assembleia.html) sobre esta confusão, e da razão da falta de placas de toponímia. Afirmou não ter conhecimento do problema, mas que iria questionar os serviços. Passado mais de um ano, o problema subsiste, a toponímia de Arcozelo continua num impasse e casos como o descrito anteriormente mantêm-se.


Os anos vão passando, este tipo de situações vão-se mantendo até que alguém, independentemente dos grupos, das reuniões, num obscuro gabinete, irá, sozinho, decidir. De quem é a culpa? Nossa, quando nos calamos e não exigimos mais dos que escolhemos para exercer o poder político. 

terça-feira, outubro 20, 2015

Ainda se lembram de Daniel Campelo?

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 16 de Outubro de 2015)

Numa altura em que por todo o lado se ouvem discussões sobre governos de maioria, governos minoritários, estabilidade, instabilidade são vários os artigos que lembram aquele que ficou para a história como o "orçamento limiano". Limiano por causa do deputado Daniel Campelo, o presidente da Câmara de Ponte de Lima que soube, como ninguém, fazer o jogo do marketing político. Conseguiu, com isso, catapultar-se para a política nacional, aprofundando, ao mesmo tempo, a sua penetração no eleitorado local. 
Daniel Campelo soube sair pelo seu pé da presidência da Câmara limiana. Depois de uma breve passagem pelo governo, como secretário de Estado das Florestas, passou à "vida civil" e há muito que não se deixa ver pela vida política. 
É verdade que, muitas das vezes, o silêncio diz mais que um discurso. Pelo que se pode ler em vários jornais, Daniel Campelo tem escolhido, sistematicamente, o silêncio para responder a quem o interpela sobre a política local e nacional. 
Nunca, como nos últimos dois anos, se assistiu a tantas polémicas envolvendo a maioria no executivo municipal de Ponte de Lima. Desde a polémica da rede de muito alta tensão, passando pela construção dos novos paços do concelho, até à cisão do até aqui inabalável CDS limiano. Neste momento, a maioria dividiu-se entre a concelhia do CDS liderada pelo deputado (reeleito) Abel Baptista, e os vereadores e uma minoria dos eleitos CDS na Assembleia Municipal liderados, bicefalamente, por Vitor Mendes (presidente da Câmara) e Gaspar Martins (vice-presidente da Câmara que já assumiu a ruptura com o CDS). Tudo isto tem passado sem qualquer comentário, pelo menos público, de Daniel Campelo, o icónico ex-presidente da Câmara do CDS.
Com o silêncio, Campelo vai passando incólume entre as gotas da polémica. Alguns dizem que é tudo calculado, que está a preparar o seu regresso, outros, que simplesmente deixou de se interessar pela política, outros ainda defendem que não lhe interessa voltar… agora.
A verdade é que, nos últimos tempos, os holofotes se voltaram para Daniel Campelo, não só pelo já exposto, mas também por ter recebido a comenda da Ordem de Mérito das mãos do Presidente da República e, recentemente, pelo prémio Intermarché Produção Nacional, na categoria Prémio ‘Produtos Biológicos’, que a empresa “Aromáticas Vivas”, gerida por Campelo, venceu. 

Até quando Campelo se dedicará apenas às ervas aromáticas? A resposta só ele a pode dar, mas que há muitos centristas, ditos centristas e ex-centristas limianos que esperam que se mantenha por lá por muitos anos, lá isso há. 

sexta-feira, julho 24, 2015

Na vida todos nós temos os nossos faróis…

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 16 de Julho de 2015)

Saiu cedo de Ponte de Lima. Ainda mal as borbulhas da puberdade invadiam o seu rosto, já seguia viagem, cruzando o equador, em direcção às terras de Vera Cruz. Desembarcou no Rio de Janeiro chamado por familiares, tios. Desde o início do sec. XIX que o Brasil, essa terra longínqua, era a escolha familiar para “fazerem” a sua vida.

Os mergulhos no Lima, os jogos do Triunfo e do Vitória, no areal, no Arnado, ficavam definitivamente para trás.

Tal como outros “patrícios” limianos enfrentou tempos, condições difíceis. Mas aquela cidade grande, enorme (e pensar que Lisboa lhe tinha parecido grande) era um mundo totalmente novo. Um mundo cheio de novidades com um turbilhão de atracções e tentações, um mundo onde era tão fácil perder o enfoque, o objectivo que o levara para lá.

Manteve sempre presente esse objectivo e sabia que só o conseguiria atingir trabalhando e não cedendo às tentações.

Alguns anos depois, tornava-se dono do local onde trabalhava, uma grande superfície comercial dedicada ao calçado. Desenvolveu-a e vendeu-a, angariando, assim, capital suficiente para investir noutras áreas florescentes. Casou e constituiu família e teve na sua mulher Isabel uma companheira para a vida.

O empreendedorismo, como hoje lhe chamamos, estava-lhe no sangue. Os ramos de negócio foram aumentando com especial enfoque na hotelaria, na restauração e no ramo automóvel. Neste último, conseguiu, entre outras representações, ser um dos primeiros representantes oficiais da FIAT, no mercado de milhões que é o Rio de Janeiro. Uma representação várias vezes premiada pela própria FIAT e que é proprietária do primeiro FIAT, modelo 147, produzido no Brasil.

Nunca esqueceu Portugal e a terra que o viu nascer. Todos os anos passava longas temporadas por cá. Ficava orgulhoso quando via a evolução da sua terra, a construção de infra-estruturas.  Nunca percebeu, no entanto, como é que Ponte de Lima não conseguia captar indústrias que considerava ponto essencial  para a criação de emprego e fixação dos jovens e das famílias.

Desde pequeno que me lembro de esperar por ele. Recordo-me da alegria sentida ao ver surgir, no início do Verão, o seu automóvel na curva de S. Gonçalo.

Os anos foram passando e felizmente já não era preciso esperar pelo Verão, os passeios passaram a ser tradição de sábado à tarde. Os longos passeios que dávamos começavam sempre pela pergunta “Nuno, onde queres ir?”. A minha resposta, sendo piada familiar, era sempre igual “A Paredes de Coura” (não me perguntem porquê, era muito pequeno…). Passeios que serviam, sobretudo, para conversar, para partilhar a sua experiência de vida, mas também para me ouvir, saber a minha visão sobre este ou aquele assunto da política ou a minha opinião sobre este ou aquele projecto que tinha em mente. E eram tantos, um verdadeiro exemplo de como a idade não tem de ser impedimento para os projectos que queremos realizar.  

Ainda há pouco tempo, por telefone, me falava da vontade de voltar a Portugal. Talvez este fosse o seu último projecto, voltar de vez, finalmente realizar o sonho, sempre adiado, de comprar uma casa em Ponte de Lima, voltar a morar na sua terra de sempre.

Infelizmente, já não conseguiu levar avante esse projecto. Luiz Amorim, meu tio-avô, faleceu no passado dia 6 de Julho, na cidade do Rio de Janeiro. 

quinta-feira, julho 09, 2015

Intervenção na reunião de 27 de Junho da Assembleia Municipal de Ponte de Lima

Há muitos anos que o PSD vem reivindicando a construção de mais parques infantis no concelho, já questionamos e sugerimos várias vezes isso mesmo. Por isto ou por aquilo a resposta da maioria é sempre negativa. Mais recentemente questionados, remeteram a construção de um parque infantil para o futuro parque da vila e devem ter pensado “já não nos chateiam mais com este assunto...”. 

É preciso perceber os silêncios, a verdade é que para construir espaços para as nossas crianças não há simplesmente vontade, vai-se adiando, empurrando para a frente, olhando e assobiando para o lado.

A Assembleia Municipal é o fórum representativo de todos os limianos e, em quanto tal, pergunto-lhes o seguinte, quantos, dos que aqui estão a representar os limianos, têm filhos, netos ou sobrinhos pequenos? E quantos dos senhores membros desta Assembleia têm cavalos, burros... mulas...? 

Isto vem a propósito de, uma vez mais, esta maioria na Câmara Municipal demonstrar que está de costas voltadas para com os limianos. De surpresa, sem discussão ou apresentação de qualquer projecto ou concurso, eis que é edificado, em pleno areal, junto à igreja de S. João, um espaço dito para "Equitação Espontânea". Não sabemos se será ou não definitivo. Esperamos que não. 

É interessante o spin informacional desta maioria. Com a "Equitação Espontânea" quer passar a ideia de que este é um investimento para os limianos. Mas pelas reações anteriores percebe-se a quantidade de limianos que “espontaneamente” não o vão usar… 

Senhor presidente, senhor vice-presidente, escusam de vir com a historieta de que o PSD é sempre contra tudo e que faz queixa por tudo e por nada. Assumimos que somos contra tudo o que não for feito para melhorar a vida dos nossos concidadãos, dos limianos que nos elegeram. Somos assim porque assumimos a intervenção política como serviço aos nossos concidadãos, até porque, se assim não fôssemos, neste momento teríamos, por exemplo, um muro a atravessar a ponte medieval. 

Se este espaço é assim tão estratégico e indispensável, por que não discutiram a ideia, o projecto, o espaço? Acham mesmo que o local escolhido é o mais indicado? Esta maioria já não representa ninguém. Já se afastou do partido que a apresentou aos eleitores, já se afastou do presidente desta Assembleia, com o qual partilhou cartazes, e, mais grave, já se afastou dos seus eleitores. São vários os exemplos deste desfasamento. 

Alguém consegue ficar indiferente, fim-de-semana após fim-de-semana, ao “muro” que é “construído” pelas autocaravanas a metros do rio Lima, a centímetros da velhinha ponte medieval, separando a vila do seu rio? Há, este presidente, esta maioria, que já afirmou que não vê nada de errado nisso... 

Senhor presidente, não tenha medo de recuar, de corrigir as más decisões. Veja como deixar cair a “vaca às postas” foi a decisão acertada. Há um ano, toda a gente o criticou, em resposta afirmou nesta Assembleia que gostaria que a “vaca às postas” se tornasse uma tradição. Já repararam como este ano ninguém se lembrou que a prometida futura tradição não se realizou? Dizia Cícero que “errar é humano”, mas completou-o Santo Agostinho “preservar no erro é diabólico”. 

O PSD, o principal partido da oposição, continuará a lutar na Assembleia Municipal, na Câmara Municipal, nas Juntas e Assembleias de Freguesia por políticas sociais, de emprego e de preservação do património humano e edificado, basicamente por políticas onde no centro estejam os limianos.

Não tenham dúvidas, já o dissemos anteriormente, não nos calamos. Assumimos o nosso papel de tocar as trombetas para que todos juntos, os limianos, gritem, bem alto, para precipitar a queda destas muralhas de Jericó que tem vindo a limitar o futuro de Ponte de Lima.

quarta-feira, maio 20, 2015

Porque a informação também é património

 (Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 12 de Maio de 2015)
Ponte de Lima é um concelho com forte apetência para o associativismo, com várias associações, colectividades, clubes, dedicados ao desporto, à religião, à cultura… Uma praxis de séculos. Algumas instituições são mesmo centenárias e vão passando pelo tempo com o voluntariado dos seus membros.
A informação produzida por estas associações (perdoem-me a generalização) é de importância extrema não só para a sua história e dos seus membros, mas para a história do concelho.
Os documentos produzidos pelas associações e a informação lá contida devem ser assumidos como património a preservar. Quem já passou por associações sabe que nem sempre foi assim. Por vezes, alguns caem na tentação e, ou por pensarem que dessa forma preservam a informação ou, simplesmente, porque a querem esconder, confundem os lugares que desempenham e tomam como sua a documentação produzida. São vários os exemplos, em várias instituições, de casos de documentação “desviada”. Felizmente, essa é uma prática cada vez mais em desuso. A preocupação com a memória futura começa a dar alguns passos. O problema é encontrar recursos para implementar uma política de preservação e quando se trata de instituições centenárias, normalmente possuidoras de um vasto património informacional, com peças por vezes frágeis, mais complexa se torna a preservação.
Esta foi uma das minhas preocupações enquanto dirigente da Irmandade de Santo António da Torre Velha. Felizmente, quer a minha equipa quer os próprios irmãos, em assembleia geral, perceberam a importância deste património, pertença da Irmandade. Uma vez que esta não possuía meios para, sozinha, executar uma política de preservação documental, procuramos parceiros.
O vereador da cultura de então, Franclim Sousa, procurando a reaproximação institucional entre o Município de Ponte de Lima e a Irmandade de Santo António da Torre Velha, percebeu a importância da preservação das espécies documentais e aceitou a proposta feita pela Irmandade para protocolar a colaboração entre esta e o Arquivo Municipal. O objectivo era claro, a digitalização dos documentos históricos da Irmandade de Santo António da Torre Velha, a sua preservação e disponibilização à comunidade limiana. Infelizmente, por diversos factores, como o afastamento do vereador da cultura após as eleições autárquicas de 2013, nunca nenhum documento chegou a sair dos arquivos da Irmandade. Ficou, no entanto, provado que, quando existe uma política de colaboração entre o município e as instituições ou associações, poder-se-á preservar parte importante da história do concelho. Para isso basta conjugar 3 factores, o desejo mútuo de preservação informacional, o respeito pela propriedade e, evidentemente, os recursos técnicos e humanos que a Camara Municipal pode disponibilizar através do Arquivo Municipal.      

sexta-feira, maio 01, 2015

Intervenção na Assembleia Municipal de 24 de Abril de 2015

Por vezes pode parecer que o ponto que agora debatemos, a apreciação da Informação do Presidente da Câmara bem como a situação Financeira do Município, não  passa da apresentação de um género de listagem. Mas, de facto, para além desta, o que vemos? Vemos a actuação de uma maioria desgastada, que vive para duas coisas, o imediato e o mediático.

Ao ler as actas das reuniões de Câmara percebe-se a tendência da maioria em escarnecer rotulando como demagógicas as propostas, nomeadamente de âmbito social, feitas pelo vereador social-democrata, Manuel Barros. E são já várias as propostas ponderadas e apresentadas no âmbito social.
Os eleitos têm a obrigação de perceber as necessidades dos seus eleitores, as verdadeiras necessidades, e trabalhar para as colmatar. Infelizmente, esta maioria está desfasada da realidade. A maioria parece preferir algo diferente, aparentemente para ela mais importante, como o aparecer nas fotografias.

Há a entrega de uma carrinha? O prioritário é que os vereadores da maioria estejam presentes para a fotografia. O vereador do PSD, Manuel Barros, propõe abrir as cantinas escolares nas férias? Ui! Que proposta descabida e demagógica.

Descabido e demagógico? Como é possível organizarem sessões públicas, convocando a comunicação social, para entregar chaves de habitação social a agregados carenciados?

O vereador Manuel Barros propõe um cartão do idoso, com um regulamento, com medidas concretas que vão ao encontro das necessidades dos idosos? Extemporâneo e demagógico. A maioria já tinha preparada uma proposta que, embora vazia, em sem qualquer utilidade para as reais necessidades sociais que os idosos enfrentam, é a que será aprovada, porque simplesmente só as propostas da maioria é que são válidas. O vereador do PSD propõe medidas de apoio aos casais desempregados? Só pode ser demagogia e despesismo, pois claro. É que gastar na organização de um qualquer festival de Verão na EXPOLIMA o mesmo que se poderia gastar na ajuda aos casais desempregados é que é prioritário.

Recentemente, prendaram os limianos com a cereja no topo do bolo bolorento que é a actuação desta maioria. O vereador Manuel Barros apresentou uma proposta de comparticipação na compra de medicamentos para os idosos que se encontrem em situação de comprovada carência económica. Uma ajuda que faria a diferença na vida destes, uma medida que não passaria, nesta primeira fase, de 30 mil euros, considerada, inclusive, por um dirigente do CDS local como uma das medidas de maior alcance social pelo impacto directo que teria e pelo que representava. Uma medida que os membros da maioria chumbaram com o argumento, surpresa das surpresas, de ser uma proposta populista e fora da competência da autarquia. Claro que gastar sensivelmente o mesmo, que os membros da maioria gastaram no ano passado em despesas com restaurantes e passeios, na ajuda aos nossos concidadãos mais velhos e necessitados só pode ser populista e demagógico, e fora das competências de uma Câmara que se arroga de ter os cofres cheios.

Esta maioria ficará para a história por estas decisões. Este presidente da Câmara será lembrado como o pior presidente da câmara dos 40 primeiros anos de democracia. Um presidente manietado, um presidente que governa de costas voltadas para os interesses e necessidades dos seus eleitos, de costas voltadas para os limianos.

Quanto a nós, membros eleitos da maior força da oposição, podem estar cientes que não desistiremos, continuaremos firmes na defesa de soluções para a nossa comunidade, na defesa de soluções para as necessidades dos limianos.

Os senhores foram eleitos por maioria absoluta, é verdade, mas tal facto, em democracia, não justifica a vossa arrogância para com a oposição e, mais importante que tudo, para com os vossos concidadãos. A verdade é que apesar de os Filisteus escarnarem de Israel durante 40 dias e de terem um gigante todo poderoso que todos receavam, acabaram derrotados por David, um pequeno, simples mas preparado e firme israelita.

quinta-feira, março 19, 2015

No dia do pai...

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 19 de Março de 2015)
Pela minha experiência, ser filho de alguém que se dedica à causa pública tem um de dois efeitos, ou faz com que os filhos sintam uma natural vontade de participar de forma activa ou faz com que sintam uma repulsa natural relativamente à participação política. O meio-termo, por norma, não existe.
Para os que, como eu, são naturalmente chamados à participação activa, por mais leituras e influências, o exemplo parental será sempre como que a “semente” da nossa actuação. É bem verdade que poderão estar em campos diferentes, ter temperamentos antagónicos, mas, por muito que se fuja, o exemplo parental, mesmo inconscientemente, estará sempre presente.
Tive a sorte de ver bem de perto a intervenção pública do meu pai. Alípio de Matos é um protagonista incontornável da participação na res publica limiana do pós 25 de Abril. Membro da Assembleia Municipal, vereador, foi várias vezes eleito para assumir responsabilidades quer dentro da estrutura do PSD local e distrital, quer em várias associações da comunidade limiana.
Indiferente aos cargos electivos que ocupou, viveu sempre do que provinha da sua vida profissional, do seu trabalho. Nunca cedeu a interesses pessoais, partidários ou de grupo, nunca teve ligações obscuras a interesses económicos ou actividades escudadas noutros (familiares ou amigos) nem tão pouco usou para seu benefício ou dos seus próximos os lugares para que foi eleito. 
Ética, serviço ao próximo, vontade de fazer algo pela comunidade estas são as heranças políticas que ainda hoje o meu pai me deixa. É por esta conduta que é visto com respeito entre os pares.
Ensinou-me que a vitória eleitoral não é o grande objectivo na política. Em democracia, mais que vitórias eleitorais, a grande vitória é lutar e fazer algo pela comunidade.
Deu-me sempre liberdade de escolha, deixou-me fazer o meu caminho nunca me impondo o seu caminho. Da minha “caminhada” resultou que o partido é o mesmo, já a escolha clubística não.
Hoje, sou eu o pai com participação activa na vida política local. Não sei a que grupo os meus filhos pertencerão. Seja qual for, tudo farei para que os valores que me foram transmitidos passem para eles.     

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Mas de que é que Gaspar tem medo?

 (Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 6 de Fevereiro de 2015)
Gaspar Martins já afirmou publicamente que, tendo sido eleito membro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima pelo PS, saiu e filiou-se no CDS, porque, ali sim, ganharia eleições. A verdade é que, anos e anos depois, ele vai sendo sucessivamente eleito nas listas do CDS para a Câmara Municipal, gozando até de uma pensão pelos anos de serviço público enquanto vereador.
Nas suas recorrentes intervenções, por prosa ou verso, gosta de lembrar que as vitórias autárquicas do CDS são desde há muito por maiorias absolutas, menosprezando a oposição, que lhe parece não merecedora de qualquer reconhecimento.  
Apesar disso, Gaspar parece ter medo do referendo à deslocalização dos Paços do Concelho. Talvez tenha medo que o PSD, PS, CDU, Associação Empresarial e a maioria da chamada sociedade civil limiana tenham razão e a deslocalização seja chumbada em referendo. Percebe-se porquê...
No entanto, se o referendo não passar no próximo sábado, dia 7 de Fevereiro, a maioria perderá definitivamente a confiança dos seus eleitores. O resultado da votação vai pôr à prova a ligação eleito e eleitor, vai provar se o que dizem da governação de proximidade é verdade. Bem sei que para Gaspar e seus apaziguados isto é conversa de idealistas, de quem pensa que a política é feita de eleitos e eleitores, de ideias e ideais.
Mas, como explicará um presidente de Junta, no atendimento aos seus fregueses, que não confia neles. Uma desconfiança que vai ao ponto de nem sequer lhes permitir a hipótese de expressarem, pelo voto, a sua opinião, seja ela favorável ou desfavoravelmente, sobre a deslocalização dos Paços do Concelho. É que aqui nem sequer se pode colocar a questão/justificação que usaram na polémica votação da última Assembleia Municipal, se votarem a favor de que forma estão a hipotecar a freguesia que representam? É que votar favoravelmente o referendo não é assumir-se contra Gaspar e a mirabolante ideia de gastar mais de 6.5 milhões num edifício, mas antes dar a hipótese à maioria de demonstrar que a população concorda com a Câmara Municipal.
Não se enganem, caso não seja aprovado o referendo, desde já sabemos que esta maioria acabou e a prova disso é que a “maioria” já se consciencializou de que os limianos já lhe retiraram a confiança.
Não quero acreditar que Gaspar Martins tenha medo de eleições. Senhor vice-presidente, não tenha receio, vamos dar a voz à população e demonstre a sua razão.

domingo, janeiro 18, 2015

Oposição de formulário

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 16 de Janeiro de 2015)
 Por vezes pensamos que a oposição não trabalha, alguns dizem mesmo que as câmaras municipais não se ganham, perdem-se. A verdade é que a oposição tem um trabalho difícil e, quando o poder está instalado, mais difícil esse trabalho se torna. É preciso ter um projecto, definir um rumo e que todos os agentes remem num só sentido. É isso que, desde as eleições de 2013, o partido líder da oposição em Ponte de Lima, o PSD, tem feito. Pela primeira vez, faz muitos e muitos anos, o partido líder da oposição em Ponte de Lima tem uma acção política coordenada com o vereador, Manuel Barros, e com a bancada da Assembleia Municipal. É óbvio que a capacidade de olhar para além do próprio partido também tem uma forte influência. Ponte de Lima precisa de mudar, nunca tanto se sentiu essa necessidade, e a mudança começa na própria visão e forma de fazer política. Criação de consensos e não crispações eunucas, não ceder à demagogia ou populismo, pensar e ter sempre em mente os reais problemas das populações e não olhar a jogos políticos.
A oposição deve ser, e é, muito mais que um formulário generalista cheio de lugares comuns. A imagem que ilustra este artigo exemplifica essa forma passadista de oposição. Eis um exemplo de formulário usado como declaração de voto pelo vereador do movimento 51, que serve para várias reuniões de câmara, para vários pontos da ordem de trabalho, independentemente do que se esteja a debater ou decidir. Vale a pena o leitor consultar as actas das reuniões de Câmara (http://www.cm-pontedelima.pt/ver.php?cod=0T0U0B0H) para assim perceber a actuação dos nossos representantes. Poderá verificar que não, não são todos iguais. Porque quando é necessário explicar a razão de cada decisão ou posição, a explicação deve ser estudada e pensada e não resumir-se a generalidades e retóricas inócuas.
Mais que chavões, mais que fazer de conta é preciso concretizar, saber quais os problemas e encontrar soluções para os mesmos. Mais que acusar os outros de “amizades” é necessário apontar outro caminho, ter uma alternativa, saber o que se quer. Para isso é preciso saber quem somos. Infelizmente, alguns têm dificuldade em sabê-lo, vão indo conforme o vento. Um dia, militantes, outro dia, independentes, outro dia, a defender outro partido, outro dia, a defender a "revolução", outro dia, a defender sabe-se lá o quê...
Só com uma oposição forte, que sabe o que quer, que tem um projecto alternativo, mas que não tem qualquer problema em concordar com o que está bem, é que terá a capacidade de contribuir para que a maioria que governa compreenda que, por maior que seja a sua maioria, tem de respeitar os cidadãos, os eleitores.
Este primeiro ano de mandato tem sido conturbado para a maioria na Câmara Municipal de Ponte de Lima. O vereador do PSD, Manuel Barros, pediu esclarecimentos à câmara municipal sobre a linha de muito alta tensão que iria esventrar o concelho limiano e que estava oculta de todos. Foi a partir daí que se soube da concordância do vice-presidente da câmara, com a anuência do presidente, com uma das linhas, o que provocou a união da sociedade civil e a realização de várias e concorridas sessões de esclarecimento, promovendo formas de protesto. Neste momento, o projecto está parado, mas não pela acção da maioria na câmara municipal de Ponte de Lima. Recentemente, a maioria apresentou um projecto com gastos megalómanos (mais de 6.5 milhões) para a construção de um novo edifício para os paços do concelho. Foi o vereador do PSD que, desde a primeira hora, se declarou indignado, considerando no mínimo estranho que a maioria apresente agora um projecto que em 2013 não fez parte do seu programa eleitoral. Desde a primeira hora reclamou que os limianos deveriam ser ouvidos. Neste momento, corre um abaixo-assinado para que, caso não se encontre consenso dentro da Assembleia Municipal (proposta feita por Mário Ferreira, líder do PSD, e que, felizmente, parece que contará com a anuência dos grupos municipais), se venha a convocar um referendo local à deslocalização dos paços do concelho.
A oposição é isto. É fazer. É realizar, mais que protestar. É ser alternativa. É assim que se defendem as populações.