segunda-feira, dezembro 28, 2015

Sim, isto é apoiar o emprego

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 18 de dezembro de 2015)


A próxima Assembleia Municipal de Ponte de Lima será uma maratona com uma ordem do dia com 31 pontos. A maioria destes são propostas de reconhecimento do interesse público municipal na regularização de instalação industrial ou pecuária. Uma medida do governo PSD/CDS que permitiu, durante uma ano, de forma excepcional, quer a regularização de estabelecimentos e explorações quer a sua alteração ou ampliação.

Passamos o tempo a dizer que há pouco emprego no nosso concelho, dizemos que é necessário apoiar os empresários, apoiar a iniciativa privada. Passamos o tempo a dizê-lo porque, de facto, continuamos a viver num concelho pobre, com fraco tecido empresarial e industrial, com um dos poderes de compra mais baixos da europa. Como o que se fala deve coincidir com o que se pensa, estes pontos, de reconhecimento do interesse público municipal, que agora vão a discussão no próximo sábado, dia 19, deverão ser aprovados.

O que a Assembleia irá “decidir”, como a Câmara Municipal já o fez, é se considera que a actividade do proponente é “importante” para o concelho ou não. No fundo, se os postos de trabalho devem ser mantidos e a legislação respeitada.

Não se pense, porem, que é um cheque em branco, ou que se está a encobrir alguma ilegalidade existente, não. Se querem a legalização, esses empresários, essas explorações terão que cumprir com toda a legislação inerente à sua actividade, o que, decerto, irá contribuir para melhorar a qualidade de vida dos trabalhadores, o desempenho ambiental e a competitividade. As entidades competentes, que de seguida tomarão conta do processo, serão exigentes no estrito cumprimento de um conjunto de requisitos legais. Só assim estes processos chegarão a bom porto.

Infelizmente esta “porta” que se abriu, pelo menos aqui por Ponte de Lima, apenas peca por ter sido pouco divulgada. O Decreto-Lei nº 165/2014 estipulou um ano de aplicação desta possibilidade excepcional. Esta é a última Assembleia Municipal ordinária em que se poderá aprovar o Interesse Público Municipal para estre tipo de processos. Nesta reunião serão discutidos e votados apenas 14 casos, ao longo do ano não terão sido apresentados meia dúzia.

Todos nós conhecemos a realidade do concelho, ou pelo menos deveríamos conhecer, e é sobejamente pouco, muito pouco. Poder-se-ia ter feito mais, o município deveria ter olhado para este processo de outra forma, deveria ter sido mais activo no incentivo à adesão. Não o fez, e até nem seria nada de extraordinário, bastaria, por exemplo, ter feito parceria com a Associação Empresarial de Ponte de Lima.

Sinceramente não consigo pensar neste assunto de forma negativa, muito menos consigo imaginar o que levará alguém a votar contra com argumentos de falta de hábitos democráticos... Não acredita que isso aconteça? Então sugiro, caro leitor, que leia a acta da reunião de Câmara do passado dia 7 de Dezembro e verifique o sentido de voto e respectiva declaração do vereador do Movimento 51.


Estamos a falar da vida das pessoas, estamos a falar na vontade dos empresários em cumprir a legislação, em se legalizarem, em manterem os postos de trabalho que criaram. Vamos dizer que não?

segunda-feira, novembro 23, 2015

O estranho caso da toponímia

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 19 de Novembro de 2015)

Se visitar a página web do município de Ponte de Lima (http://www.cm-pontedelima.pt/ver.php?cod=0T0H0E) descobre que a mais populosa freguesia do concelho de Ponte de Lima, Arcozelo, ainda não consta na “Toponímia das Freguesias”. Algumas pessoas envolvidas no processo de Arcozelo queixam-se das "forças de bloqueio" existentes dentro da estrutura responsável pela toponímia da Câmara Municipal.

O leitor sabe quem são essas pessoas ou de que estrutura estamos a falar? Alguns falam numa Comissão de Toponímia, mas se o leitor, tal como eu, procurar na página do município, nada vai encontra sobre esta suposta comissão. Se ainda existe, nada sabemos sobre ela, quem dela faz parte, as suas competências. Outros falam de parecer de técnicos da autarquia. Quais técnicos? Ainda temos presente as críticas que o falecido Padre Dias fez aos “invejosos”, numa entrevista em 2012, ao jornal Novo Panorama, a propósito da sua passagem pela Comissão de Toponímia.

A importância da toponímia na vida de todos nós é inegável, imaginem só o que significa, neste mundo de interoperabilidade de base de dados, não ter, por exemplo, a morada correcta no cartão de cidadão. Confusões devem ser evitadas a todo o custo. É por isso que vou partilhar com o leitor o seguinte caso que se passa num dos mais icónicos e históricos arrabaldes de Ponte de Lima, a Além da Ponte.

A Além da Ponte está (tradicionalmente e auxiliando-me apenas da memória) dividida entre o Largo Alexandre Herculano, Trás-os-Palheiros, Avenida Conde da Barca, Largo da Freiria, Caminho das Regadas, Rua Manuel Lima Bezerra, Largo da Alegria, Rua Francisco Maia e Castro. O caso centra-se entre os largos da Alegria e o Alexandre Herculano.

Até há bem pouco tempo, e se perguntar a qualquer um dos antigos habitantes d’Além da Ponte é essa a resposta que vai obter, o largo Alexandre Herculano era o largo onde desemboca a ponte romana, o largo da Alegria era o largo imediatamente a seguir, se o leitor virar à esquerda vindo da ponte. Na página do município, se o leitor procurar o Albergue dos Peregrinos, logo verifica que a morada do mesmo é no largo Alexandre Herculano (http://www.cm-pontedelima.pt/alojamento.php?id=71). No entanto, se, na mesma página, procurar o Museu do Brinquedo Português (http://www.cm-pontedelima.pt/ver.php?cod=0M1B) logo fica a saber que este se encontra no largo da Alegria. E qual é o problema? Bem, o problema é que estas duas valências funcionam no mesmo edifício, numa antiga casa comprada e reformulada pelo município.

Esta confusão adensou-se quando o município resolveu comprar mais dois edifícios no mesmo largo (Alexandre Herculano) reformulando-os e disponibilizando-os para exploração hoteleira. Aquando da inauguração desse novo hotel ficou a saber-se que este, fronteiro ao Albergue dos Peregrinos, ficava no largo da Alegria. A isto acresce-se o facto, no mínimo estranho, da inexistência de placas de toponímia exactamente nos locais que despertaram esta confusão, quando existem nas outras artérias e largos (excepção feita à rua Manuel Lima Bezerra).

Questionei o senhor presidente da Câmara, Vitor Mendes, em reunião de Abril de 2014 (http://nunodematos.blogspot.pt/2014/04/intervencao-na-reuniao-da-assembleia.html) sobre esta confusão, e da razão da falta de placas de toponímia. Afirmou não ter conhecimento do problema, mas que iria questionar os serviços. Passado mais de um ano, o problema subsiste, a toponímia de Arcozelo continua num impasse e casos como o descrito anteriormente mantêm-se.


Os anos vão passando, este tipo de situações vão-se mantendo até que alguém, independentemente dos grupos, das reuniões, num obscuro gabinete, irá, sozinho, decidir. De quem é a culpa? Nossa, quando nos calamos e não exigimos mais dos que escolhemos para exercer o poder político. 

terça-feira, outubro 20, 2015

Ainda se lembram de Daniel Campelo?

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 16 de Outubro de 2015)

Numa altura em que por todo o lado se ouvem discussões sobre governos de maioria, governos minoritários, estabilidade, instabilidade são vários os artigos que lembram aquele que ficou para a história como o "orçamento limiano". Limiano por causa do deputado Daniel Campelo, o presidente da Câmara de Ponte de Lima que soube, como ninguém, fazer o jogo do marketing político. Conseguiu, com isso, catapultar-se para a política nacional, aprofundando, ao mesmo tempo, a sua penetração no eleitorado local. 
Daniel Campelo soube sair pelo seu pé da presidência da Câmara limiana. Depois de uma breve passagem pelo governo, como secretário de Estado das Florestas, passou à "vida civil" e há muito que não se deixa ver pela vida política. 
É verdade que, muitas das vezes, o silêncio diz mais que um discurso. Pelo que se pode ler em vários jornais, Daniel Campelo tem escolhido, sistematicamente, o silêncio para responder a quem o interpela sobre a política local e nacional. 
Nunca, como nos últimos dois anos, se assistiu a tantas polémicas envolvendo a maioria no executivo municipal de Ponte de Lima. Desde a polémica da rede de muito alta tensão, passando pela construção dos novos paços do concelho, até à cisão do até aqui inabalável CDS limiano. Neste momento, a maioria dividiu-se entre a concelhia do CDS liderada pelo deputado (reeleito) Abel Baptista, e os vereadores e uma minoria dos eleitos CDS na Assembleia Municipal liderados, bicefalamente, por Vitor Mendes (presidente da Câmara) e Gaspar Martins (vice-presidente da Câmara que já assumiu a ruptura com o CDS). Tudo isto tem passado sem qualquer comentário, pelo menos público, de Daniel Campelo, o icónico ex-presidente da Câmara do CDS.
Com o silêncio, Campelo vai passando incólume entre as gotas da polémica. Alguns dizem que é tudo calculado, que está a preparar o seu regresso, outros, que simplesmente deixou de se interessar pela política, outros ainda defendem que não lhe interessa voltar… agora.
A verdade é que, nos últimos tempos, os holofotes se voltaram para Daniel Campelo, não só pelo já exposto, mas também por ter recebido a comenda da Ordem de Mérito das mãos do Presidente da República e, recentemente, pelo prémio Intermarché Produção Nacional, na categoria Prémio ‘Produtos Biológicos’, que a empresa “Aromáticas Vivas”, gerida por Campelo, venceu. 

Até quando Campelo se dedicará apenas às ervas aromáticas? A resposta só ele a pode dar, mas que há muitos centristas, ditos centristas e ex-centristas limianos que esperam que se mantenha por lá por muitos anos, lá isso há. 

sexta-feira, julho 24, 2015

Na vida todos nós temos os nossos faróis…

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 16 de Julho de 2015)

Saiu cedo de Ponte de Lima. Ainda mal as borbulhas da puberdade invadiam o seu rosto, já seguia viagem, cruzando o equador, em direcção às terras de Vera Cruz. Desembarcou no Rio de Janeiro chamado por familiares, tios. Desde o início do sec. XIX que o Brasil, essa terra longínqua, era a escolha familiar para “fazerem” a sua vida.

Os mergulhos no Lima, os jogos do Triunfo e do Vitória, no areal, no Arnado, ficavam definitivamente para trás.

Tal como outros “patrícios” limianos enfrentou tempos, condições difíceis. Mas aquela cidade grande, enorme (e pensar que Lisboa lhe tinha parecido grande) era um mundo totalmente novo. Um mundo cheio de novidades com um turbilhão de atracções e tentações, um mundo onde era tão fácil perder o enfoque, o objectivo que o levara para lá.

Manteve sempre presente esse objectivo e sabia que só o conseguiria atingir trabalhando e não cedendo às tentações.

Alguns anos depois, tornava-se dono do local onde trabalhava, uma grande superfície comercial dedicada ao calçado. Desenvolveu-a e vendeu-a, angariando, assim, capital suficiente para investir noutras áreas florescentes. Casou e constituiu família e teve na sua mulher Isabel uma companheira para a vida.

O empreendedorismo, como hoje lhe chamamos, estava-lhe no sangue. Os ramos de negócio foram aumentando com especial enfoque na hotelaria, na restauração e no ramo automóvel. Neste último, conseguiu, entre outras representações, ser um dos primeiros representantes oficiais da FIAT, no mercado de milhões que é o Rio de Janeiro. Uma representação várias vezes premiada pela própria FIAT e que é proprietária do primeiro FIAT, modelo 147, produzido no Brasil.

Nunca esqueceu Portugal e a terra que o viu nascer. Todos os anos passava longas temporadas por cá. Ficava orgulhoso quando via a evolução da sua terra, a construção de infra-estruturas.  Nunca percebeu, no entanto, como é que Ponte de Lima não conseguia captar indústrias que considerava ponto essencial  para a criação de emprego e fixação dos jovens e das famílias.

Desde pequeno que me lembro de esperar por ele. Recordo-me da alegria sentida ao ver surgir, no início do Verão, o seu automóvel na curva de S. Gonçalo.

Os anos foram passando e felizmente já não era preciso esperar pelo Verão, os passeios passaram a ser tradição de sábado à tarde. Os longos passeios que dávamos começavam sempre pela pergunta “Nuno, onde queres ir?”. A minha resposta, sendo piada familiar, era sempre igual “A Paredes de Coura” (não me perguntem porquê, era muito pequeno…). Passeios que serviam, sobretudo, para conversar, para partilhar a sua experiência de vida, mas também para me ouvir, saber a minha visão sobre este ou aquele assunto da política ou a minha opinião sobre este ou aquele projecto que tinha em mente. E eram tantos, um verdadeiro exemplo de como a idade não tem de ser impedimento para os projectos que queremos realizar.  

Ainda há pouco tempo, por telefone, me falava da vontade de voltar a Portugal. Talvez este fosse o seu último projecto, voltar de vez, finalmente realizar o sonho, sempre adiado, de comprar uma casa em Ponte de Lima, voltar a morar na sua terra de sempre.

Infelizmente, já não conseguiu levar avante esse projecto. Luiz Amorim, meu tio-avô, faleceu no passado dia 6 de Julho, na cidade do Rio de Janeiro. 

quinta-feira, julho 09, 2015

Intervenção na reunião de 27 de Junho da Assembleia Municipal de Ponte de Lima

Há muitos anos que o PSD vem reivindicando a construção de mais parques infantis no concelho, já questionamos e sugerimos várias vezes isso mesmo. Por isto ou por aquilo a resposta da maioria é sempre negativa. Mais recentemente questionados, remeteram a construção de um parque infantil para o futuro parque da vila e devem ter pensado “já não nos chateiam mais com este assunto...”. 

É preciso perceber os silêncios, a verdade é que para construir espaços para as nossas crianças não há simplesmente vontade, vai-se adiando, empurrando para a frente, olhando e assobiando para o lado.

A Assembleia Municipal é o fórum representativo de todos os limianos e, em quanto tal, pergunto-lhes o seguinte, quantos, dos que aqui estão a representar os limianos, têm filhos, netos ou sobrinhos pequenos? E quantos dos senhores membros desta Assembleia têm cavalos, burros... mulas...? 

Isto vem a propósito de, uma vez mais, esta maioria na Câmara Municipal demonstrar que está de costas voltadas para com os limianos. De surpresa, sem discussão ou apresentação de qualquer projecto ou concurso, eis que é edificado, em pleno areal, junto à igreja de S. João, um espaço dito para "Equitação Espontânea". Não sabemos se será ou não definitivo. Esperamos que não. 

É interessante o spin informacional desta maioria. Com a "Equitação Espontânea" quer passar a ideia de que este é um investimento para os limianos. Mas pelas reações anteriores percebe-se a quantidade de limianos que “espontaneamente” não o vão usar… 

Senhor presidente, senhor vice-presidente, escusam de vir com a historieta de que o PSD é sempre contra tudo e que faz queixa por tudo e por nada. Assumimos que somos contra tudo o que não for feito para melhorar a vida dos nossos concidadãos, dos limianos que nos elegeram. Somos assim porque assumimos a intervenção política como serviço aos nossos concidadãos, até porque, se assim não fôssemos, neste momento teríamos, por exemplo, um muro a atravessar a ponte medieval. 

Se este espaço é assim tão estratégico e indispensável, por que não discutiram a ideia, o projecto, o espaço? Acham mesmo que o local escolhido é o mais indicado? Esta maioria já não representa ninguém. Já se afastou do partido que a apresentou aos eleitores, já se afastou do presidente desta Assembleia, com o qual partilhou cartazes, e, mais grave, já se afastou dos seus eleitores. São vários os exemplos deste desfasamento. 

Alguém consegue ficar indiferente, fim-de-semana após fim-de-semana, ao “muro” que é “construído” pelas autocaravanas a metros do rio Lima, a centímetros da velhinha ponte medieval, separando a vila do seu rio? Há, este presidente, esta maioria, que já afirmou que não vê nada de errado nisso... 

Senhor presidente, não tenha medo de recuar, de corrigir as más decisões. Veja como deixar cair a “vaca às postas” foi a decisão acertada. Há um ano, toda a gente o criticou, em resposta afirmou nesta Assembleia que gostaria que a “vaca às postas” se tornasse uma tradição. Já repararam como este ano ninguém se lembrou que a prometida futura tradição não se realizou? Dizia Cícero que “errar é humano”, mas completou-o Santo Agostinho “preservar no erro é diabólico”. 

O PSD, o principal partido da oposição, continuará a lutar na Assembleia Municipal, na Câmara Municipal, nas Juntas e Assembleias de Freguesia por políticas sociais, de emprego e de preservação do património humano e edificado, basicamente por políticas onde no centro estejam os limianos.

Não tenham dúvidas, já o dissemos anteriormente, não nos calamos. Assumimos o nosso papel de tocar as trombetas para que todos juntos, os limianos, gritem, bem alto, para precipitar a queda destas muralhas de Jericó que tem vindo a limitar o futuro de Ponte de Lima.

quarta-feira, maio 20, 2015

Porque a informação também é património

 (Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 12 de Maio de 2015)
Ponte de Lima é um concelho com forte apetência para o associativismo, com várias associações, colectividades, clubes, dedicados ao desporto, à religião, à cultura… Uma praxis de séculos. Algumas instituições são mesmo centenárias e vão passando pelo tempo com o voluntariado dos seus membros.
A informação produzida por estas associações (perdoem-me a generalização) é de importância extrema não só para a sua história e dos seus membros, mas para a história do concelho.
Os documentos produzidos pelas associações e a informação lá contida devem ser assumidos como património a preservar. Quem já passou por associações sabe que nem sempre foi assim. Por vezes, alguns caem na tentação e, ou por pensarem que dessa forma preservam a informação ou, simplesmente, porque a querem esconder, confundem os lugares que desempenham e tomam como sua a documentação produzida. São vários os exemplos, em várias instituições, de casos de documentação “desviada”. Felizmente, essa é uma prática cada vez mais em desuso. A preocupação com a memória futura começa a dar alguns passos. O problema é encontrar recursos para implementar uma política de preservação e quando se trata de instituições centenárias, normalmente possuidoras de um vasto património informacional, com peças por vezes frágeis, mais complexa se torna a preservação.
Esta foi uma das minhas preocupações enquanto dirigente da Irmandade de Santo António da Torre Velha. Felizmente, quer a minha equipa quer os próprios irmãos, em assembleia geral, perceberam a importância deste património, pertença da Irmandade. Uma vez que esta não possuía meios para, sozinha, executar uma política de preservação documental, procuramos parceiros.
O vereador da cultura de então, Franclim Sousa, procurando a reaproximação institucional entre o Município de Ponte de Lima e a Irmandade de Santo António da Torre Velha, percebeu a importância da preservação das espécies documentais e aceitou a proposta feita pela Irmandade para protocolar a colaboração entre esta e o Arquivo Municipal. O objectivo era claro, a digitalização dos documentos históricos da Irmandade de Santo António da Torre Velha, a sua preservação e disponibilização à comunidade limiana. Infelizmente, por diversos factores, como o afastamento do vereador da cultura após as eleições autárquicas de 2013, nunca nenhum documento chegou a sair dos arquivos da Irmandade. Ficou, no entanto, provado que, quando existe uma política de colaboração entre o município e as instituições ou associações, poder-se-á preservar parte importante da história do concelho. Para isso basta conjugar 3 factores, o desejo mútuo de preservação informacional, o respeito pela propriedade e, evidentemente, os recursos técnicos e humanos que a Camara Municipal pode disponibilizar através do Arquivo Municipal.      

sexta-feira, maio 01, 2015

Intervenção na Assembleia Municipal de 24 de Abril de 2015

Por vezes pode parecer que o ponto que agora debatemos, a apreciação da Informação do Presidente da Câmara bem como a situação Financeira do Município, não  passa da apresentação de um género de listagem. Mas, de facto, para além desta, o que vemos? Vemos a actuação de uma maioria desgastada, que vive para duas coisas, o imediato e o mediático.

Ao ler as actas das reuniões de Câmara percebe-se a tendência da maioria em escarnecer rotulando como demagógicas as propostas, nomeadamente de âmbito social, feitas pelo vereador social-democrata, Manuel Barros. E são já várias as propostas ponderadas e apresentadas no âmbito social.
Os eleitos têm a obrigação de perceber as necessidades dos seus eleitores, as verdadeiras necessidades, e trabalhar para as colmatar. Infelizmente, esta maioria está desfasada da realidade. A maioria parece preferir algo diferente, aparentemente para ela mais importante, como o aparecer nas fotografias.

Há a entrega de uma carrinha? O prioritário é que os vereadores da maioria estejam presentes para a fotografia. O vereador do PSD, Manuel Barros, propõe abrir as cantinas escolares nas férias? Ui! Que proposta descabida e demagógica.

Descabido e demagógico? Como é possível organizarem sessões públicas, convocando a comunicação social, para entregar chaves de habitação social a agregados carenciados?

O vereador Manuel Barros propõe um cartão do idoso, com um regulamento, com medidas concretas que vão ao encontro das necessidades dos idosos? Extemporâneo e demagógico. A maioria já tinha preparada uma proposta que, embora vazia, em sem qualquer utilidade para as reais necessidades sociais que os idosos enfrentam, é a que será aprovada, porque simplesmente só as propostas da maioria é que são válidas. O vereador do PSD propõe medidas de apoio aos casais desempregados? Só pode ser demagogia e despesismo, pois claro. É que gastar na organização de um qualquer festival de Verão na EXPOLIMA o mesmo que se poderia gastar na ajuda aos casais desempregados é que é prioritário.

Recentemente, prendaram os limianos com a cereja no topo do bolo bolorento que é a actuação desta maioria. O vereador Manuel Barros apresentou uma proposta de comparticipação na compra de medicamentos para os idosos que se encontrem em situação de comprovada carência económica. Uma ajuda que faria a diferença na vida destes, uma medida que não passaria, nesta primeira fase, de 30 mil euros, considerada, inclusive, por um dirigente do CDS local como uma das medidas de maior alcance social pelo impacto directo que teria e pelo que representava. Uma medida que os membros da maioria chumbaram com o argumento, surpresa das surpresas, de ser uma proposta populista e fora da competência da autarquia. Claro que gastar sensivelmente o mesmo, que os membros da maioria gastaram no ano passado em despesas com restaurantes e passeios, na ajuda aos nossos concidadãos mais velhos e necessitados só pode ser populista e demagógico, e fora das competências de uma Câmara que se arroga de ter os cofres cheios.

Esta maioria ficará para a história por estas decisões. Este presidente da Câmara será lembrado como o pior presidente da câmara dos 40 primeiros anos de democracia. Um presidente manietado, um presidente que governa de costas voltadas para os interesses e necessidades dos seus eleitos, de costas voltadas para os limianos.

Quanto a nós, membros eleitos da maior força da oposição, podem estar cientes que não desistiremos, continuaremos firmes na defesa de soluções para a nossa comunidade, na defesa de soluções para as necessidades dos limianos.

Os senhores foram eleitos por maioria absoluta, é verdade, mas tal facto, em democracia, não justifica a vossa arrogância para com a oposição e, mais importante que tudo, para com os vossos concidadãos. A verdade é que apesar de os Filisteus escarnarem de Israel durante 40 dias e de terem um gigante todo poderoso que todos receavam, acabaram derrotados por David, um pequeno, simples mas preparado e firme israelita.

quinta-feira, março 19, 2015

No dia do pai...

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 19 de Março de 2015)
Pela minha experiência, ser filho de alguém que se dedica à causa pública tem um de dois efeitos, ou faz com que os filhos sintam uma natural vontade de participar de forma activa ou faz com que sintam uma repulsa natural relativamente à participação política. O meio-termo, por norma, não existe.
Para os que, como eu, são naturalmente chamados à participação activa, por mais leituras e influências, o exemplo parental será sempre como que a “semente” da nossa actuação. É bem verdade que poderão estar em campos diferentes, ter temperamentos antagónicos, mas, por muito que se fuja, o exemplo parental, mesmo inconscientemente, estará sempre presente.
Tive a sorte de ver bem de perto a intervenção pública do meu pai. Alípio de Matos é um protagonista incontornável da participação na res publica limiana do pós 25 de Abril. Membro da Assembleia Municipal, vereador, foi várias vezes eleito para assumir responsabilidades quer dentro da estrutura do PSD local e distrital, quer em várias associações da comunidade limiana.
Indiferente aos cargos electivos que ocupou, viveu sempre do que provinha da sua vida profissional, do seu trabalho. Nunca cedeu a interesses pessoais, partidários ou de grupo, nunca teve ligações obscuras a interesses económicos ou actividades escudadas noutros (familiares ou amigos) nem tão pouco usou para seu benefício ou dos seus próximos os lugares para que foi eleito. 
Ética, serviço ao próximo, vontade de fazer algo pela comunidade estas são as heranças políticas que ainda hoje o meu pai me deixa. É por esta conduta que é visto com respeito entre os pares.
Ensinou-me que a vitória eleitoral não é o grande objectivo na política. Em democracia, mais que vitórias eleitorais, a grande vitória é lutar e fazer algo pela comunidade.
Deu-me sempre liberdade de escolha, deixou-me fazer o meu caminho nunca me impondo o seu caminho. Da minha “caminhada” resultou que o partido é o mesmo, já a escolha clubística não.
Hoje, sou eu o pai com participação activa na vida política local. Não sei a que grupo os meus filhos pertencerão. Seja qual for, tudo farei para que os valores que me foram transmitidos passem para eles.     

quinta-feira, fevereiro 05, 2015

Mas de que é que Gaspar tem medo?

 (Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 6 de Fevereiro de 2015)
Gaspar Martins já afirmou publicamente que, tendo sido eleito membro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima pelo PS, saiu e filiou-se no CDS, porque, ali sim, ganharia eleições. A verdade é que, anos e anos depois, ele vai sendo sucessivamente eleito nas listas do CDS para a Câmara Municipal, gozando até de uma pensão pelos anos de serviço público enquanto vereador.
Nas suas recorrentes intervenções, por prosa ou verso, gosta de lembrar que as vitórias autárquicas do CDS são desde há muito por maiorias absolutas, menosprezando a oposição, que lhe parece não merecedora de qualquer reconhecimento.  
Apesar disso, Gaspar parece ter medo do referendo à deslocalização dos Paços do Concelho. Talvez tenha medo que o PSD, PS, CDU, Associação Empresarial e a maioria da chamada sociedade civil limiana tenham razão e a deslocalização seja chumbada em referendo. Percebe-se porquê...
No entanto, se o referendo não passar no próximo sábado, dia 7 de Fevereiro, a maioria perderá definitivamente a confiança dos seus eleitores. O resultado da votação vai pôr à prova a ligação eleito e eleitor, vai provar se o que dizem da governação de proximidade é verdade. Bem sei que para Gaspar e seus apaziguados isto é conversa de idealistas, de quem pensa que a política é feita de eleitos e eleitores, de ideias e ideais.
Mas, como explicará um presidente de Junta, no atendimento aos seus fregueses, que não confia neles. Uma desconfiança que vai ao ponto de nem sequer lhes permitir a hipótese de expressarem, pelo voto, a sua opinião, seja ela favorável ou desfavoravelmente, sobre a deslocalização dos Paços do Concelho. É que aqui nem sequer se pode colocar a questão/justificação que usaram na polémica votação da última Assembleia Municipal, se votarem a favor de que forma estão a hipotecar a freguesia que representam? É que votar favoravelmente o referendo não é assumir-se contra Gaspar e a mirabolante ideia de gastar mais de 6.5 milhões num edifício, mas antes dar a hipótese à maioria de demonstrar que a população concorda com a Câmara Municipal.
Não se enganem, caso não seja aprovado o referendo, desde já sabemos que esta maioria acabou e a prova disso é que a “maioria” já se consciencializou de que os limianos já lhe retiraram a confiança.
Não quero acreditar que Gaspar Martins tenha medo de eleições. Senhor vice-presidente, não tenha receio, vamos dar a voz à população e demonstre a sua razão.

domingo, janeiro 18, 2015

Oposição de formulário

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 16 de Janeiro de 2015)
 Por vezes pensamos que a oposição não trabalha, alguns dizem mesmo que as câmaras municipais não se ganham, perdem-se. A verdade é que a oposição tem um trabalho difícil e, quando o poder está instalado, mais difícil esse trabalho se torna. É preciso ter um projecto, definir um rumo e que todos os agentes remem num só sentido. É isso que, desde as eleições de 2013, o partido líder da oposição em Ponte de Lima, o PSD, tem feito. Pela primeira vez, faz muitos e muitos anos, o partido líder da oposição em Ponte de Lima tem uma acção política coordenada com o vereador, Manuel Barros, e com a bancada da Assembleia Municipal. É óbvio que a capacidade de olhar para além do próprio partido também tem uma forte influência. Ponte de Lima precisa de mudar, nunca tanto se sentiu essa necessidade, e a mudança começa na própria visão e forma de fazer política. Criação de consensos e não crispações eunucas, não ceder à demagogia ou populismo, pensar e ter sempre em mente os reais problemas das populações e não olhar a jogos políticos.
A oposição deve ser, e é, muito mais que um formulário generalista cheio de lugares comuns. A imagem que ilustra este artigo exemplifica essa forma passadista de oposição. Eis um exemplo de formulário usado como declaração de voto pelo vereador do movimento 51, que serve para várias reuniões de câmara, para vários pontos da ordem de trabalho, independentemente do que se esteja a debater ou decidir. Vale a pena o leitor consultar as actas das reuniões de Câmara (http://www.cm-pontedelima.pt/ver.php?cod=0T0U0B0H) para assim perceber a actuação dos nossos representantes. Poderá verificar que não, não são todos iguais. Porque quando é necessário explicar a razão de cada decisão ou posição, a explicação deve ser estudada e pensada e não resumir-se a generalidades e retóricas inócuas.
Mais que chavões, mais que fazer de conta é preciso concretizar, saber quais os problemas e encontrar soluções para os mesmos. Mais que acusar os outros de “amizades” é necessário apontar outro caminho, ter uma alternativa, saber o que se quer. Para isso é preciso saber quem somos. Infelizmente, alguns têm dificuldade em sabê-lo, vão indo conforme o vento. Um dia, militantes, outro dia, independentes, outro dia, a defender outro partido, outro dia, a defender a "revolução", outro dia, a defender sabe-se lá o quê...
Só com uma oposição forte, que sabe o que quer, que tem um projecto alternativo, mas que não tem qualquer problema em concordar com o que está bem, é que terá a capacidade de contribuir para que a maioria que governa compreenda que, por maior que seja a sua maioria, tem de respeitar os cidadãos, os eleitores.
Este primeiro ano de mandato tem sido conturbado para a maioria na Câmara Municipal de Ponte de Lima. O vereador do PSD, Manuel Barros, pediu esclarecimentos à câmara municipal sobre a linha de muito alta tensão que iria esventrar o concelho limiano e que estava oculta de todos. Foi a partir daí que se soube da concordância do vice-presidente da câmara, com a anuência do presidente, com uma das linhas, o que provocou a união da sociedade civil e a realização de várias e concorridas sessões de esclarecimento, promovendo formas de protesto. Neste momento, o projecto está parado, mas não pela acção da maioria na câmara municipal de Ponte de Lima. Recentemente, a maioria apresentou um projecto com gastos megalómanos (mais de 6.5 milhões) para a construção de um novo edifício para os paços do concelho. Foi o vereador do PSD que, desde a primeira hora, se declarou indignado, considerando no mínimo estranho que a maioria apresente agora um projecto que em 2013 não fez parte do seu programa eleitoral. Desde a primeira hora reclamou que os limianos deveriam ser ouvidos. Neste momento, corre um abaixo-assinado para que, caso não se encontre consenso dentro da Assembleia Municipal (proposta feita por Mário Ferreira, líder do PSD, e que, felizmente, parece que contará com a anuência dos grupos municipais), se venha a convocar um referendo local à deslocalização dos paços do concelho.
A oposição é isto. É fazer. É realizar, mais que protestar. É ser alternativa. É assim que se defendem as populações.

sábado, dezembro 27, 2014

Nem um só cêntimo…

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 12 de Dezembro de 2014)


Certamente o leitor já se apercebeu que Ponte de Lima mergulhou numa das maiores polémicas politicas dos últimos anos. Victor Mendes e os vereadores da maioria querem construir um edifício novo para a Câmara Municipal orçamentado em cerca de 6,5 milhões de euros.

Anunciado com grandes parangonas na comunicação social logo criou polémica quer nos agentes políticos, o vereador e o PSD insurgiram-se contra tal faraónico projecto, quer nos agentes económicos, a Associação empresarial de Ponte de Lima fez sair vários comunicados contra a deslocalização dos Paços do Concelho, quer da comunidade em geral. Recentemente, com a mudança da liderança, o novo líder do CDS de Ponte de Lima, Abel Baptista, afirmou em entrevista à ROL que este projectoseria disparate.

Passaram apenas dois anos da inauguração do edifício Portas de Braga, totalmente renovado para albergar partedos serviços municipais. A actual Câmara Municipal é um edifício com história, construído no seculo XV,precisamente como Paços do Concelho, que foi tambémrecentemente renovado. É óbvio que a notícia da intenção da construção de um novo edifício cause em todos repulsa e indignação. Estarão a dizer que os milhares investidos num edifício inaugurado em 2012 foram mal gastos?

O leitor já imaginou o impacto negativo no centro histórico se retirarmos os serviços municipais de lá? Pois, só não percebo por que é que a maioria na Câmara Municipal não consegue entender…  

Mesmo esquecendo o que já falamos, mesmo já contemplando a possibilidade da eventual existência de fundos comunitários para a obra, será que um único cêntimo que lá seja enterrado, dos dinheiros do município, ou seja, dos dinheiros de todos nós, é melhor investido que em tantas e tantas obras necessárias em qualquer freguesia do concelho? É este o critério rigoroso tão propagandeado pela maioria no executivo? É verdade que, de repente e ao contrário do que vinha a ser feito, o executivo alargou as bolsas em relação às juntas de freguesia, mas será que este “alargar” continuará depois de sábado?

Porquê sábado? Não sei se sabe, caro leitor, mas no próximo sábado reúne-se a Assembleia Municipal e, se os presidentes de Junta e a maioria se juntarem aos eleitos do PSD e da restante oposição, o projecto é chumbado. Esta é que é a verdade. Saibam os eleitos seguirem a vontade dos seus eleitores...

domingo, novembro 09, 2014

Areal, estacionamento?

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 06 de Novembro de 2014)

Não sei se o leitor aprecia, mas um dos meus divertimentos é “passear” pelos livros e fotografias antigas. Num desses “passeios”, encontrei uma fotografia interessante. O seu interesse passava pelo cenário retratado e por quem era retratado. Um grupo de jovens, aí na casa dos seus 20 anos, algures na década de 30 do século XX, escolhia o areal fronteiro à vila de Ponte de Lima para ser retratado. A fotografia que contemplo foi entregue com uma dedicatória de amizade.

O areal de Ponte de Lima sempre foi olhado com orgulho pelos limianos, como identitário, como elemento diferenciador de outras localidades. Usado para vários fins, desde corar e secar roupa até receber uma das maiores feiras quinzenais do país.

Com o passar dos anos e a massificação do automóvel, aquele espaço passou a ser a alternativa de estacionamento para quem não encontrava um lugar dentro do centro histórico. Paulatinamente, o areal foi sendo ocupado, em toda a sua extensão, pelo automóvel tornando-se este estacionamento, ironia das ironias, um ponto de atratividade para a vila limiana. Então, não seria de aproveitar a possibilidade de estacionar gratuitamente bem perto do centro histórico?

A verdade é que esta realidade foi sendo acentuada pela política da Câmara Municipal de proibir o estacionamento dentro do casco histórico. O núcleo do centro histórico foi passado, em exclusivo, para os peões e as ruas que o circunscrevem, foram, progressivamente, libertadas do estacionamento automóvel (marginal, largo de Camões…).

Se, por um lado, o centro histórico deixou de ter nas suas ruas o automóvel, a verdade é que a pressão passou toda para o areal. Os parques de estacionamento subterrâneos do centro histórico, que entretanto foram criados, foram pensados para estacionamentos específicos Embora tendo sido apresentados como alternativas ao estacionamento no areal, na verdade, nunca o foram. Um foi ocupado pelas viaturas de funcionários da própria câmara, o outro, no mercado municipal, manteve-se, na maioria do tempo, fechado, não atraindo público.

Com o passar dos anos, o areal deixou de o ser. A areia deu lugar à terra e à erva (com sistema de rega colocado pela Câmara Municipal). A roupa a secar desapareceu e os automóveis passaram a reinar. Nestes últimos anos, para além dos automóveis, o areal passou a receber as autocaravanas e os autocarros. As excursões começaram a parar bem junto à ponte medieval e esta passou a ser um género de sombreiro para os bancos de plástico e lancheiras.

Temos assim um problema, caro leitor. Hoje, quem escolheria o areal par tirar uma fotografia em grupo para oferecer aos amigos ou à namorada? Infelizmente, muitos ainda não veem o problema ambiental, turístico, económico e social desta ocupação selvagem. Infelizmente, muitos desses ocupam lugares de decisão.

Para resolver este problema devem ser dados pequenos, mas decisivos passos. Por exemplo, na última reunião da Assembleia Municipal foi sugerida a proibição do aparcamento dos autocarros no areal, salvaguardando-se a permissão do desembarque junto ao centro histórico. O presidente, numa primeira abordagem, e como vem sendo hábito, preferiu generalizar e defender-se, anunciando mais um ataque do PSD ao comércio tradicional por estar a propor a proibição do estacionamento no areal. Confrontado com a necessidade de responder ao que estava, de facto, a ser sugerido, o presidente da Câmara, afirmou “não vejo qualquer inconveniente no estacionamento dos autocarros no areal”.

Infelizmente, caro leitor, é com este tipo de pensamento que nos confrontamos. Infelizmente, caro leitor, os nossos responsáveis ou não encontram fotografias, como a descrita no início do texto, para ficarem sensíveis ao problema, ou nunca entenderam a beleza e importância do areal do rio Lima, ou, simplesmente, olham para o lado acreditando que, se ninguém falar, ninguém reparará no problema…  

sábado, setembro 27, 2014

Assembleia Municipal de Ponte de Lima

Fiz o seguinte repto ao senhor presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima na reunião da Assembleia Municipal, de 27 de Setembro de 2014. Infelizmente Vítor Mendes não vê nada de mal no estacionamento dos autocarros no areal:

"Alguém consegue imaginar autocarros aparcados junto à ponte vecchio em Florença, dentro das muralhas de Carcassonne, ou junto à porta da catedral de Burgos? Estas são 3 cidades, de 3 países europeus diferentes que são exemplo de gestão do fluxo turístico. Exemplo porque, apesar da visita de milhares de turistas, de receberem incontáveis “excursões”, conseguem preservar e proteger o que as fazem ser atracção turística, o seu património.

Não se consegue perceber como é que em Ponte de Lima, hoje, ainda se permite o estacionamento, ou a passagem de autocarros para o areal de Ponte de Lima. É degradante observar os autocarros aparcados no areal e os seus passageiros, carregados com as geleiras e guarda-sóis a correr à procura de um espaço de baixo da ponte velha, de baixo da fiteira na ilha junto à ponte ou no relvado plantado entre o que resta de areal e o rio.

Senhor presidente da Câmara, permitindo que os autocarros “descarreguem” os seus passageiros junto ao centro histórico, porque é que não toma a decisão de proibir o seu aparcamento no areal, ou simplesmente a sua passagem para o areal?

Senhor presidente, não hesite, permita que os autocarros turísticos deixem os seus passageiros no centro histórico mas encaminhe-os para os parques da periferia, na Nossa senhora da Guia ou em S. João. Verá que é uma medida simples mas que a todos beneficiará."

sábado, agosto 16, 2014

Fontes

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 15 de Agosto de 2014)

Roma é das cidades que mais gosto. Por mais que se conheça, conseguimos sempre "perder-nos" e "encontrar" algo de novo. Uma das primeiras grandes surpresas foi a de podermos contar com fontanários de água potável por todo o centro histórico da cidade. Os vendedores ambulantes vendem as águas engarrafadas a preços muito próximos dos que encontramos em algumas feiras na Expolima, mas a verdade é que o visitante e o residente podem sempre dispensar essa compra e saciar a sede gratuitamente numa qualquer fonte pública. 
Também por Ponte de Lima, no centro histórico, se encontram várias fontes. Na Lapa, junto à Câmara Municipal, no Arrabalde, no largo de S. João, em Trás-os-Palheiros na Além da Ponte, junto ao Colégio Dona Maria Pia... 
Aviva-se-me na memória a sensação de descer a correr a avenida Antonio Feijó, vindo da zona das escolas, e, antes de comer um bolo no "Gerinho", beber sofregamente a água fresca, que brotava na fonte junto à Câmara Municipal. É verdade que, quando mais tarde a mesma avenida era percorrida muito mais lentamente na companhia da minha cara metade, o sabor e sensação eram os mesmos. O ritual manteve-se, a água fresca matou a sede durante muitos anos. Infelizmente, ao contrário da cidade Eterna, as fontes em Ponte de Lima ou deixaram de brotar a água propriamente dita, ou viram interdito o seu consumo. Longe vão os tempos em que as raparigas iam com os cântaros à fonte, espaços de "grandes" segredos, de grandes amores. As fontes de Ponte de Lima estão hoje quase todas abandonadas, com uma placa comum onde se lê "Não beba".
Na fonte onde tantas vezes matei a sede há um painel com um poema de António Feijó que termina assim "...Tende paciência, amigos meus! Eu sempre tive este costume de fugir com o Tempo... Adeus! Adeus!" . Infelizmente, aqui, por Ponte de Lima, muita coisa também parece ter esse costume, o de fugir com o Tempo.

quinta-feira, agosto 14, 2014

Ainda há mergulhos?

(Artigo publicado no jornal Cardeal Saraiva de 8 de Agosto de 2014)

Confesso que ao ouvir aquelas palavras tudo o resto se esvaneceu. As palavras foram "Levei os calções para a eventualidade de poder dar "O" mergulho deste ano no rio". A importância destas palavras está nelas próprias, na forma como foram ditas e em quem as disse. Apesar da pessoa ter consciência do estado do nosso rio, o mergulho anual, para aquele senhor com idade para ser meu pai, soou a uma espécie de ritual purificador ao género do Ganges. 
Essa paixão pelo rio que nos viu nascer é a mesma que ouvi da voz de um sábio idoso de Vilar do Monte que me dizia, em contexto eleitoral, que o grande problema do nosso concelho era onde tinham deixado chegar o "nosso rio". "Viraram as costas ao rio", dizia. Na altura, dei por mim a pensar que até parecia impossível a alguém com a idade do meu interlocutor, de uma freguesia que nem é banhada directamente pelo rio Lima, ter uma tal preocupação pelo mesmo... 
Talvez seja algo intrínseco no limiano. Uma paixão tal que talvez nem mesmo os seus filhos adoptivos consigam vivenciar da mesma, genuína, forma. Ouvir as respostas do presidente da Câmara ou do seu vice sobre o estado calamitoso do rio é, neste contexto, revoltante. 
Primeiro, foi a preocupação em desclassificar aquela que foi a primeira praia fluvial a ter bandeira azul, agora, quase colocam o ónus da poluição periódica naqueles que a denunciam. O vice-presidente, que durante muitos anos teve negócios dependentes do rio, que até afirmou que, há mais de 20 anos, pressentiu que mais tarde ou mais cedo o rio se iria defrontar com a praga infestante que actualmente enfrenta, que já exerce cargos autárquicos a tempo inteiro que até lhe permitiram uma reforma, o que é que fez para minimizar ou erradicar o problema? O presidente da Câmara, que até desempenhou por vários anos o pelouro do ambiente, já falou com os seus homónimos de forma a tomarem medidas conjuntas de combate às infestantes? Como podem simplesmente fechar os olhos às constantes descargas, aos saneamentos a céu aberto como o que se pode, por vezes, verificar junto ao Festival de Jardins? Até quando é que se vão esconder atrás de desculpas para não fazerem nada? 
Lamento profundamente que a geração dos meus filhos seja a primeira a não "saborear" o rio que corre junto aos seus pés. Foi por isso que as palavras descritas anteriormente, ditas de forma apaixonada, me marcaram. O rio Lima, que até nos empresta o nome, deveria ter outro trato, deveria ser motivo de outro respeito.

segunda-feira, julho 21, 2014

Já cheira às Feiras Novas

Artigo publicado originalmente no Novo Panorama (ver em http://novopanorama.com/?p=7981 )


Por formação académica tudo o que anda à volta da “informação” desperta-me curiosidade. Foi com bastante interesse que fui lendo nas notícias que as Feiras Novas deste ano teriam uma novidade tecnológica, uma aplicação que permitiria aos visitantes terem na sua palma da mão, no seusmartphone, toda a informação considerada importante para “viver a festa”. Realmente, a aplicação é interessante, bem construída e de fácil navegação. Uma ideia que promete evoluir com os anos e que, para quem vem de fora, poderá ser bastante útil.

Já o cartaz da festa provoca reacções diversas. Aliás como “manda” a tradição, é que o cartaz das festas de Ponte de Lima, ao longo dos anos, quase nunca foi consensual, até me parece que não seria o mesmo se o fosse. Confesso que gosto dos cartazes antigos, de fotos da festa, não sou muito fã dos formatados, que seguem regras à risca. Sobre o deste ano, e não resisto a contribuir para esta estéril polémica, realço duas fraquezas (lembrei-me agora da já velha analise SWOT), por um lado, a falta de rigor dos trajes, por outra,a não figuração da imagem de marca de Ponte de Lima que é o conjunto ponte medieval e igreja de Santo António da Torre Velha. Se tirarmos o texto, poucas pessoas de fora de Ponte de Lima conseguirão localizar a que terra se refere o cartaz das Feiras Novas de 2014.

Já menos compreensível é o cartaz da reintroduzida tourada (ou corrida de touros). Há uma tradição antiga de nas festas de Ponte de Lima, nas Feiras Novas, se realizar uma tourada. Estas fizeram parte do programa durante anos, mas este ano, depois de alguns de ausência, parece que a tourada passou a um plano quase idêntico ao das festas que integram, com um cartaz próprio, que no dia da apresentação foi colocado ao mesmo nível do das Feiras novas.

Ultimamente parece que para os responsáveis não chegam as nossas tradições, parece existir uma ânsia de fazer diferente, de deixar uma marca. Não se pode cair no erro de esquecer que é a tradição que faz o resto, é que, com tantas “inovações”, podemos um dia vir a verificar que as tradições já se perderam e que em troca ficamos apenas com alguns eventos iguais a tantos outros por essas terras fora…

Voltando ao cartaz das Feiras Novas, não seria interessante reintroduzir um concurso aberto a todos, com regras bem definidas, em que os cartazes apresentados fossem públicos, com um júri transparente que assumisse a responsabilidade da escolha?

domingo, julho 20, 2014

"Quem manda?"

Texto publicado originalmente no Novo Panorama (ver em http://novopanorama.com/?p=7751 )



Recorrentemente perguntam-me, “mas quem é que decide/manda na Câmara Municipal de Ponte de Lima?“. Recordo algumas situações desde o último mês de Janeiro.

O ano entrou com uma polémica, a nunca antes vista festa de final de ano que a Câmara organizou numa freguesia teve a actuação da mesma banda que actuou nas comemorações da vitória do CDS nas últimas autárquicas. A decisão, pelo que se leu na comunicação social, foi do vice-presidente Gaspar Martins, a banda foi contratada por ajuste directo. Apesar do pedido de explicações, estas nunca foram dadas, porque, segundo o vice-presidente Gaspar Martins, tudo se procedeu de uma forma normal, já o presidente da Câmara afirmou que nem tinha reparado…
Em Fevereiro, o vereador do PSD, Manuel Barros, solicitou informação sobre o processo de muito alta tensão que aparentemente esventraria o concelho de Ponte de Lima. Descobriu-se que o processo era do conhecimento do presidente e do vice-presidente da Câmara já pelo menos há um ano. Este último tinha participado em reuniões e por sua ordem tinha sido enviado um email onde se traçava o percurso de preferência  da “câmara” limiana. Gaspar Martins nunca colocou esse assunto a discussão do executivo municipal, nem nunca, simplesmente, se opôs à passagem da linha, isto até o assunto ser do domínio público…

No final de Maio, Gaspar Martins decide colocar um monumento ao Santiago entre as pontes medieval e romana. A população manifesta-se contra, a oposição critica em uníssono e pede para que o monumento seja colocado noutro espaço, o próprio autor do monumento reconhece que aquele não é o melhor local. Gaspar Martins, o vice-presidente da Câmara, desvaloriza as críticas afirmando que estas vêm daqueles que só criticam e que estão sempre contra tudo…

Depois disto, o vice-presidente ainda tem a confiança do presidente, não tem? Voltando à pergunta inicial, existem dúvidas?

quarta-feira, junho 25, 2014

Assembleia Municipal de Ponte de Lima de 21 De Junho 2014

Na última reunião da Assembleia Municipal de Ponte de Lima propus, em nome do grupo do PSD, um voto de louvor aos atletas limianos Nuno Barros e Rui Lacerda pelos títulos europeus que conquistaram. A proposta foi aprovada por unanimidade.
Questionei novamente o senhor presidente da Câmara sobre a questão da toponímia na Além da Ponte, na freguesia de Arcozelo, bem como em que situação estariam as prometidas obras em arruamentos de Arcozelo. Infelizmente o senhor presidente da Câmara não me soube esclarecer sobre estes assuntos.

sábado, abril 12, 2014

Artigo no jornal Novo Panorama


(Este é o primeiro artigo desde que o Novo Panorama passou exclusivamente a formato digital - http://novopanorama.com/ )

Uma verdade inconveniente 

Durante o mês passado, todas as dúvidas, se é que ainda existiam algumas, foram dissipadas. A Câmara Municipal de Ponte de Lima funciona num género de oligarquia. O vice-presidente vai a reuniões, decide e depois comunica ao presidente. Os restantes membros só existem para validar a gestão corrente, o restante está reservado à "câmara alta", para aproveitar as palavras do ex-vereador da Câmara de Ponte de Lima e presidente nacional da Juventude Popular, Miguel Pires da Silva. O caso da rede de muito alta tensão veio passar o atestado de óbito à velha tradição centrista de exercer o poder autárquico, a tradição de Abreu Lima e de Fernando Calheiros. 
Não é que o vice-presidente e o presidente de Câmara sabiam da intenção de esventrar o concelho limiano com uma linha de muito alta tensão, participaram em reuniões com os promotores, deram opiniões sobre o melhor percurso e não deram conhecimento nem aos restantes membros do executivo, nem às populações? Só vieram a público, com várias declarações contraditórias, porque o vereador do PSD levantou o assunto em reunião de Câmara. 
Mesmo com os membros da maioria CDS-PP desautorizando o seu executivo (de relembrar que o presidente da Câmara, em entrevista à comunicação social, declarou ser inconsciente opôr-se sem alternativa ao projecto) ao associar-se à oposição numa declaração de repúdio total à passagem da linha de muito alta tensão pelo concelho limiano, mesmo assim, os responsáveis autárquicos continuaram impávidos e serenos, sem assumirem a suas responsabilidades e achando, inclusive, que é assim que, numa democracia, os eleitos devem agir. Escondendo, escamoteando, negando as evidências até ao limite.

Ponte de Lima no Parlamento Europeu?
Daniel Campelo aceitou o modesto 14* lugar da lista da aliança PPD/PSD - CDS/PP. Mas será assim tão modesto? Não, não é. Fontes internas do CDS/PP já dão como certo que Daniel Campelo irá substituir a oitava, caso está seja eleita. O acordo assim o permite, esperemos pelos próximos episódios.

Obras de restauro
O leitor tem entrado ultimamente na igreja matriz de Ponte de Lima? Não? Então tem perdido as obras de restauro de um dos altares laterais que em breve voltará a ter o brilho e dourado de outrora. Estamos ansiosos por ver o resultado de tão laboriosa empreitada.

Qual o impacto?
De quinze em quinze dias temos uma feira ou feirinha no parque de estacionamento da expolima. Não será de quinze em quinze dias, mas, como afirmou um empresário de sucesso, são muitas e pouco estruturadas. Deveriam ser menos, melhor pensadas e com um claro objectivo de projectar o concelho e os seus produtos diferenciadores, não para o mercado interno, mas para o mercado externo. Para isso, o município teria que olhar para essas 2 ou 3 feiras ( não deveriam ser mais) como um produto que serve como montra para o exterior. 
Continua-se a tapar o sol com a peneira...