sexta-feira, dezembro 22, 2006

Alto Minho artigo 22-12-2006

Vergonha na Assembleia

Realmente deve ter sido vergonha o que assolou a sala em determinada altura na última sessão da Assembleia Municipal de Ponte de Lima. Quando se iniciava a discussão do Plano e Orçamento, tinha começado a sua intervenção Manuel Pires Trigo, eleito do Partido Socialista, dá-se uma debandada quase geral dos membros da maioria. A retirada não parecia organizada. O ruído instalou-se e houve até quem jurasse que viu alguns membros em pânico. O motivo? Tinha começado uma das discussões mais importantes, "qui sait" a mais importante da Assembleia Municipal, e eles, provavelmente, nem tinham lido o documento em discussão... Ou então, talvez, ninguém lhes tivesse dado indicação do quanto esta era importante, apenas lhes terão dito, por ventura, que a votação é que importaria.

É lamentável a falta de respeito, a prepotência que a maioria CDS, bem como alguns representantes das Juntas de Freguesia, demonstraram nesta sessão da Assembleia Municipal. Esta auto-omissão na discussão do documento que traça o rumo do concelho no próximo ano demonstra o valor que dão ao cargo que desempenham. Será esta atitude representativa do respeito que estes eleitos nutrem pelos seus eleitores? No mínimo lamentável.

É inegável que o paradigma do poder autárquico precisa de mudar. Mas, enquanto não há coragem política a nível nacional para o mudar, seria bom que todos os eleitos fizessem por merecer a confiança que os eleitores lhes depositaram.
Mas disse-o

Campelo disse, em forma de repreensão às críticas da oposição na Assembleia Municipal, que o que se pôde ler na comunicação social sobre o seminário "Ponte de Lima, Terra Rica da Humanidade", se traduziu, no seu entender, em deturpações não contextualizadas de algumas afirmações suas. Não se pretendia um seminário virado para fora? Deturpações não contextualizadas? Rico resultado... Ah, pois... Eu também tive que trabalhar nesse dia e não pude assistir ao seminário, não posso então falar sobre isto, não é senhor Presidente...? Peço desculpa.

Só é pena o Presidente Campelo não ter tido "tempo" para explicar, na Assembleia Municipal, o que quis dizer com a comparação do sarrabulho ao IKEA. Ai... Peço desculpa, é verdade, já me esquecia que não estive lá, mais uma vez peço desculpa... Estes "perversos" jornalistas fazem-nos fazer cada figura ridícula...

Campelo continua um mestre no que concerne à retórica, às técnicas argumentativas e até à demagogia, mas isso já produziu os seus resultados noutro tempo, há muito tempo. Os tempos são outros, as necessidades dos limianos são outras. O que se quer são respostas aos muitos problemas que assolam a vida de todos nós no nosso concelho. Pensa o Executivo que Ponte de Lima poderá ter futuro se recusar a industrialização, a actual e não a do século XIX, que o Presidente Campelo referiu na Assembleia?

Observações

A noite está fria, sente-se o manto vindo do rio atingir as casas, o nevoeiro dá um ar cinematográfico à rua. Ouve-se uma gota escorregar no telhado. É o orvalho. O cookie espreguiça-se junto ao aquecedor ignorando o piar do pássaro nocturno que teima em escolher o velho carvalho vizinho como poiso. O silêncio é interrompido pelo som de passos leves, mas determinados, percorrendo a velha rua. Adolescentes em férias de Natal no regresso de uma "noite". O sino ecoa, primeiro um, depois outro e ao longe ainda outro. Há coisas que não mudam. Ainda bem.
Boas festas.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Alto Minho artigo de 19-12-2006

Decisões/Apoios

Na semana passada este jornal noticiou que foi atribuído o primeiro lugar do prémio RECRIA (Regime Especial de Comparticipação na Recuperação de Imóveis Arrendados) a um edifício recuperado no centro histórico de Viana do Castelo. A recuperação foi feita ao abrigo do projecto RECRIA, onde a câmara vianense, não pelo apoio financeiro, que existiu mas foi parco, mas sobretudo pelo apoio técnico, teve um papel fundamental.

Em Ponte de Lima, nada. Por vezes, os cidadãos limianos, ou limarenses como alguma elite cultural gosta de dizer, chegam a indagar-se se serão eles vistos como inimigos pela Câmara Municipal. Talvez fosse tempo de introduzir incentivos reais para os que querem recuperar património no centro histórico limiano. A começar pelo mais básico. É que só o custo de todas as licenças, arqueólogos e afins, faz com que a vontade de investimento na recuperação dos imóveis por parte dos proprietários seja muito pouca e até nenhuma ou por vezes mesmo incomportável. Entretanto, o centro histórico vai definhando. A ocupação humana é cada vez menor e não são os serviços, para que algumas, muito poucas, casas estão a ser recuperadas, que o vão salvar. Sem gente não há negócio que sobreviva. Sem pessoas não há centro histórico.

Um bom critério

Escrevo estas linhas antes da reunião da Assembleia Municipal, mas não tenho dúvidas, até porque a composição da assembleia não dá margem para elas, quanto ao desfecho das votações. É pena, porque o concelho limiano merecia mais ambição.

Além do Plano e Orçamento, entre outras coisas foi a votos a compra de uma quinta no lugar de Antepaço, na vila e freguesia de Arcozelo. É estranha a justificação dada pelo executivo para proceder a esta compra. A aquisição, segundo o vice-presidente da Câmara, vai ao encontro do Plano de Urbanização (PU) que se encontra em estudo. Ora, se se encontra em estudo... Razão tem a oposição ao afirmar que quando o PU da zona urbana de Ponte de Lima for aprovado já não terá qualquer utilidade.

Não é estranho?

O director deste jornal optou por não dar muito relevo à problemática do referendo ao Aborto. Por assim pensar, não posso deixar de concordar que esta é uma questão de consciência e formação pessoal, logo do foro íntimo de cada pessoa. Cada um deve ter a liberdade e espaço total para tomar uma decisão em consciência. Não resisto, no entanto, a afirmar a minha estranheza por ver um governo de esquerda preocupar-se tanto com a ajuda, financiada por todos nós, às mulheres e aos casais que querem abortar e a não propor nenhum incentivo, nenhuma medida de ajuda para aqueles que decidem ter filhos. Bem pelo contrário, vêem-se fechar maternidades um pouco por todo o país, vêem-se fechar urgências hospitalares, veja-se o caso concreto do nosso distrito, e tudo isto puramente por motivos economicistas. O apoio e incentivo à maternidade/paternidade não existe nem parece estar nos horizontes do governo, que, cada vez mais, prende as suas atenções a causas estéreis.

Estranho critério de investimento da esquerda moderna...

terça-feira, dezembro 12, 2006

Alto Minho artigo de 12-12-2006

Entrevistas no âmbito do projecto "Ponte de Lima, Terra Rica da Humanidade"

Percebo que no âmbito do projecto "Ponte de Lima, Terra Rica da Humanidade" se entrevistem os titulares de cargos políticos. Gostei muito mais da entrevista de Franclim Sousa, vereador com os pelouros da Juventude, Desporto, Educação e Cultura, que a do presidente Campelo, mais preocupado em se desculpar e em atacar os que não concordam com as suas políticas que em revelar o rumo que pensa para Ponte de Lima.

Já não percebo, tendo em conta que os cargos políticos em democracia são efémeros, porque não se entrevistam, no mesmo âmbito, os líderes dos partidos da oposição. Afinal de contas, também estes têm um papel importante, consagrado democraticamente, no futuro de Ponte de Lima. Tenho a certeza que os limianos gostariam de saber o que estes têm a dizer sobre o futuro de Ponte de Lima.

Algo está mal quando se quer um debate e depois só se ouve uma parte. Mesmo entrevistando pessoas da sociedade civil, que muito têm a dizer sobre Ponte de Lima e que são um prazer ouvir, não se justifica o afastamento dos partidos da oposição, que legitimamente tem representação na Assembleia Municipal e que participam activamente nos destinos do concelho.

Plano e Orçamento

É já na próxima reunião da Assembleia Municipal que se irá votar o Orçamento e Plano para o ano de 2007. Ao contrário do esperado, o Executivo Municipal apresentou um documento sem qualquer tipo de inovação, sem um rumo, sem garra.

Não basta rever os orçamentos dos anos transactos e acrescentar umas vírgulas ou uns pontos. Este documento deve reflectir aquilo que o executivo espera alcançar no próximo ano. Deve traçar um rumo onde, por exemplo, seja visível o que a Câmara quer fazer em conjunto com as Juntas de Freguesia. Que rumo quer para o concelho.

O documento em votação é um conjunto de generalidades muito parecido com o que os partidos costumam fazer nos seus manifestos eleitorais. E este documento deve ser muito mais que um manifesto generalista. Onde estão os casos concretos? Darei a título de exemplo um caso sobre o qual já escrevi no passado, o do parque para Pesados. Não foi comprada uma quinta, junto à saída da auto-estrada da Ribeira, anunciada para a construção deste? Onde é que está no Orçamento e Plano prevista a sua construção?

Ponte de Lima precisa de muito mais para além de generalidades.

Casa do Turismo/Centro de Negócios, onde está?

Na última visita do Presidente da Republica, Jorge Sampaio, a Ponte de Lima foi inaugurada a Casa do Turismo. Estimada em 900 mil euros, iria, segundo a autarquia limiana, complementar a oferta turística da região. Ali seria oferecido aos empresários, principalmente para os que operam em Turismo, um Centro de Negócios.

Pois bem, o Presidente da Republica já é outro há quase um ano e do tal Centro de Negócios, nada. Apenas um edifício vazio e fechado, popularmente conhecido por "micro-ondas".

Isto é ter um rumo para o concelho?

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Alto Minho artigo de 08-12-2006

Incongruência?

Algo não se enquadra nas declarações proferidas pelo Presidente da Câmara no seminário Ponte de Lima Terra Rica da Humanidade. Então afirma que gostava do projecto de instalação da IKEA em Ponte de Lima e o achava interessante, e, simultaneamente, afirma que este nada iria resolver? Então por que era interessante? Porque é que o Presidente da Câmara gostava de ver esse investimento em Ponte de Lima, se não iria resolver nada?

Claro que comparar a importância de um projecto como o IKEA ao valor da gastronomia não faz qualquer sentido. Cada um tem o seu valor e nenhum pode ser menosprezado, antes acarinhado. Mas há que reconhecer que o investimento industrial é deveras importante para qualquer região, tenha esta ou não uma gastronomia própria e característica. O tecido empresarial, industrial limiano tem que se expandir e variar nas áreas de investimento.

Campelo parece resignado ao não investimento em Ponte de Lima. A sua aposta em mega-investimentos não resultou e isso é visível nos parques industriais que ao fim de alguns anos continuam vazios e ultrapassados pelos dos concelhos vizinhos.

Existir uma tentativa de resposta a esta situação é salutar, mas dizer que esta é melhor que a anterior apenas porque não a conseguimos atingir assemelha-se à reacção de um menino mimado. Além do mais, parece que voltamos ao erro de apostar tudo numa só vertente. E se não resulta?

Tem que haver respostas

O pelouro das Feiras já não é tutelado por Gaspar Martins. Não se sabe se foi o vereador que devolveu o pelouro ou se foi o presidente que o retirou. O facto é que o presidente da Câmara volta a tutelar directamente este pelouro.

O vereador em causa não é um qualquer na nomenclatura governativa do CDS. Gaspar Martins tem secundado Campelo desde o início, é o vereador mais antigo sendo o homem forte do aparelho do CDS em Ponte de Lima. Esta mexida não pode ficar sem explicações. Os limianos merecem saber o porquê desta retirada/entrega de pelouro. É o vereador que perdeu a confiança no presidente ou o presidente que perdeu a confiança no vereador? Quem sabe nenhuma das anteriores...

Passeios e bons exemplos

Muitas vezes dou por mim a percorrer alguns recantos magníficos do concelho de Ponte de Lima. Espaços como o Cerquido, onde se vislumbra uma panorâmica fantástica sobre o concelho, mas, que, durante o verão, viu a mata que embutia os seus acessos ser destruída pelos incêndios. Parece ser triste a sina destes espaços que tudo têm para serem marcos obrigatórios no turismo em terras limianas. Pena ninguém parecer interessado em lá intervir.

O pelouro da cultura, no passado mês de Novembro, demonstrou que sabe e pode fazer. Desde apresentações de livros com uma qualidade acima da média, homenagens a figuras marcantes com exposições anexas em locais bem escolhidos, até a colóquios de temáticas bastante interessantes, várias foram as actividades. Assim deveria ser durante o resto do ano. Parece ser longo, mas, se é este o caminho, é o certo.