sábado, março 25, 2006

Alto Minho artigo de 25-03-3006

Os partidos com representação na Câmara municipal

CDS-PP - Este partido sempre liderou a Câmara Municipal de Ponte de Lima, mesmo no tempo da AD. Mas o CDS-PP dos anos 70 e 80 desapareceu com a década de 90. Daniel Campelo, desde o tempo em que era vereador, moldou o partido à sua “persona”. Apostou claramente no controlo, na fidelidade e na falta de contestação para se impor dentro da estrutura. Mesmo quando não era o seu líder formal, ele é que ditava o rumo. O presidente do CDS-PP limiano não é Campelo. Alguém que não esteja particularmente atento saberá quem é? O CDS-PP limiano não é um partido de massas. Não tem muitos militantes. No entanto, tem muitos simpatizantes claramente fruto dos 30 anos de detenção do poder local. Este é o seu fiel eleitorado.

Pese embora não assumirem as divergências, para quem observa a política concelhia, é clara a divisão entre os seguidores de Campelo. Nas últimas eleições, estas divergências foram peremptórias e públicas. A reacção impetuosa de uma estrutura como a JP, que tem uma intervenção pública manifestamente inexistente, contra o seu cabeça de lista à Assembleia Municipal foi prova disso mesmo. Abel Baptista conquistou a distrital, mas parece ser visto como uma ameaça dentro da sua concelhia. O posicionamento no xadrez político no seu estado mais puro. Peão ameaça bispo…

Desde os anos 90 que a aposta é no populismo e no mediatismo, aliás, seguindo a política do então líder Manuel Monteiro. Infelizmente continuou assim até aos dias de hoje.

Campelo afirmou que esta candidatura seria a sua última. A ser verdade, abre a possibilidade de renovação interna e, pelo que se passou nas últimas eleições, de uma possível guerra intestina.

Falta saber se é o CDS-PP que realmente existe em Ponte de Lima ou se é o fenómeno mediático Campelo.

PSD - O PSD é o eterno número dois do concelho. Esteve perto da vitória com Gaspar Castro, mas já no final da campanha sucumbiu, vindo a perder por quatro ou cinco centenas de votos.

Este partido é um caso único no panorama político local. Consegue constantemente vitórias nas eleições nacionais, vitórias estrondosas, ao mesmo tempo que vai perdendo eleitorado de uma forma quase violenta nas eleições locais. A explicação só pode ser uma: a liderança.

Os líderes do PSD local têm sido os mesmos nos últimos 10 anos. Primeiro com Manuel Trigueiro depois com Pedro Ligeiro e agora mais uma vez com Manuel Trigueiro. Estes líderes demonstraram não conseguirem fazer frente ao fenómeno Campelo. Nunca o PSD perdeu tantos votos e mandatos como nos últimos anos.

Ligeiro liderou a JSD concelhia com sucesso, mas não o fez na liderança do partido. Um líder não pode ser refém de ninguém. Trigueiro parece não conseguir que o partido lhe perdoe algumas posições do passado. A sua liderança não surte sinergias, mas antes repulsas mesmo naqueles que antes lhe eram próximos.

A aposta destes dois líderes, que têm conjuntamente traçado os destinos do PSD local, em aumentar desmesuradamente o número de militantes apenas surte efeito internamente. Em eleições, essas filiações não se têm traduzido em mais votos. A militância tem que ser um meio e não um fim.

PS – Este partido não era, localmente, tido muito a sério. Esta situação mudou com o surgimento de Montenegro Fiúza. O actual líder conseguiu entrar no meio, não ser encarado como uma ameaça aos então lideres e paulatinamente conquistou o poder interno. A verdade é que renovou o PS limiano, dando-lhe uma dinâmica que nunca antes se tinha visto neste partido em Ponte de Lima. Falta saber se estas mudanças são para ficar ou apenas passageiras.

A ascensão de alguns dos actuais membros do seu staff e o afastamento de outros, chamados históricos, causou algum embaraço na estrutura. Estes estiveram calados durante o período de eleições, que correu melhor do que alguns vaticinavam, mas o actual período é de eleições internas e a contestação já começou.

Falta saber se a quase ausência do líder nos últimos tempos associada à contestação já referida conseguirá reunir apoios numa estrutura cada vez mais moldada à imagem do seu actual líder.

Nota

A CDU não faz parte deste leque, mas não poderia deixar de a referir. É notório que a retirada abrupta do seu deputado municipal António Matos fez mossa. O eleitorado diminuiu e dispersou-se. A contestação desapareceu e o partido parece não encontrar o rumo anterior. Não estão em causa vedetas, mas sim a capacidade de intervenção, de oposição, de mostrar uma alternativa. A CDU parece ter perdido todas.

sábado, março 18, 2006

Alto Minho artigo de 18-03-2006

Dia da Mulher

Algumas amigas minhas interpelaram-me sobre o porquê de não ter abordado no último artigo este dia "tão importante". Uma falha imperdoável, diziam. A resposta é simples. A comemoração deste dia faz tanto sentido como a introdução, tão proclamada pelo Partido Socialista, de cotas para mulheres na intervenção política. Nenhum! Porquê? Porque a igualdade entre sexos é tão natural que só o facto de se forçar a participação com cotas ou a existência de comemorações bacocas produzem sempre o efeito contrário ao pretendido. A desigualdade entre sexos.

Mas o dia serve para chamar a atenção para as desigualdades, dizem. Pois poderá ser, e surte algum efeito? Eis um exemplo de como não há realmente necessidade das pretensas chamadas de atenção ou imposições de cotas: é um facto que a maioria dos estudantes do ensino universitário são mulheres, alguém introduziu algum tipo de cotas para que este se verificasse? Obviamente que não. O mérito associado ao querer, tal como o azeite, vem sempre ao de cima, independentemente de se ser homem ou mulher.

União do distrito de Viana do Castelo

Finalmente aparecem os primeiros sinais de luz no fim do túnel. Francisco Araújo reuniu com Rui Solheiro com a finalidade de discutir a união do Alto Minho numa só comunidade. Depois de alguns responsáveis da VALIMAR, nomeadamente a Vice-Presidente da Câmara de Viana do Castelo, Maria Flora Silva, e o Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, minimizarem e quase menosprezarem o apelo da Intermunicipal do Vale do Minho para a unificação, a importância para a região do Alto Minho do próximo Quadro Comunitário de Apoio parece ter-se imposto, revelando maior importância que algumas pretensas vaidades pessoais. Ainda bem que assim é. O Alto Minho anseia esta união.


Não deveria ser sempre assim?

O Partido Socialista do distrito elegerá as concelhias no próximo dia 31. Pois a este propósito, o líder dos socialistas de Caminha, Jorge Fão, afirmou estar disponível para se recandidatar, mas, vejam bem, apenas se recolher o apoio das bases do partido. Muito bem, uma afirmação muito, digamos, bonita. Uma pergunta apenas. Não é suposto, numa eleição democrática, ser eleito quem os eleitores, neste caso as bases, escolherem, logo apoiarem? Normalmente é assim que funciona. Normalmente, pois claro.

Para terminar, é de referir que Jorge Fão, para quem não sabe, é deputado do PS na Assembleia da Republica Portuguesa. "Muito bem… Apoiado..."

Arte e desporto

É imperativa uma visita à exposição de pintura e artes plásticas de Fátima Meireles na Torre da Cadeia Velha. Uma exposição onde se poderá encontrar um trabalho de mais de 10 anos.

O clube náutico de Ponte de Lima está, mais uma vez, de parabéns. O seu atleta, Nuno Barros, além de ter sido chamado para a selecção nacional sagrou-se, este fim-de-semana, campeão nacional de maratonas.

Assim fica provado que com meios o desporto limiano pode dar cartas.

sábado, março 11, 2006

Alto Minho artigo 11-03-2006

Alento

O porta-voz do PS limiano ganhou um novo alento, vai a todas. Escreve, escreve, pecando apenas por se esquecer, por vezes, de ler o que escreve. Percebemos porquê.

Se alguém refere o seu partido, logo a resposta da clarividência dispara. Se a critica é aos outros, estamos perante democracia, se a critica é para eles, estamos perante pessoas que não estudam seriamente os assuntos. Se o fizessem, não criticavam as posições do PS que são tomadas após profundo estudo, claro. Ou então, como é óbvio, são pessoas que não conseguem encaixar a opinião dos outros. Ora aí está!

Outra preocupação, demonstrada pelo dito porta-voz, assenta sobre o que se passa internamente noutros partidos. Lamenta-se de não saber quem representa a vontade de determinada formação política. Pois a resposta parece obvia a 99% dos inquiridos, segundo os quais as Comissões Políticas são eleitas para isso mesmo e ninguém lhes rouba essa incumbência. Agora, os militantes da tal formação política são livres de exprimirem a sua opinião, sem constrangimentos ou directivas de reuniões de “staff”.

Será que o PS limiano tem tiques do antigo leste europeu? O indivíduo não terá autonomia intelectual?

Bom, pelo menos o porta-voz do PS vai ganhando algum alento.

As "obras de Santa Engrácia" de Ponte de Lima

A carta aberta do deputado Abel Baptista neste jornal foi bastante interessante e esclarecedora. Depois de a ler ficamos a pensar que se a um deputado, a empresa Águas do Minho e Lima, nem sequer se dá ao trabalho de redigir uma resposta, como reagirá perante um simples cidadãos. O certo é que nesta matéria a opinião pública parece unida na contestação.

A este propósito, Daniel Campelo, na Assembleia Municipal, afirmou que não existe obra sem buracos ou sem pó. É certo que sim, mas neste caso abusou-se, e muito, dos buracos e do pó, aliás da própria paciência dos contribuintes que não são obrigados a tê-la como Job. Basta ler e ouvir o presidente da distrital do CDS-PP, o deputado já mencionado, para se perceber o porquê.

Centros escolares

O presidente da Câmara de Ponte de Lima escolheu uma rádio de Viana do Castelo para, pela primeira vez, afirmar que apoia a política do governo socialista para a educação e que as negociações, quanto ao encerramento de alguns estabelecimentos de ensino, ainda decorrem. A política para as escolas do primeiro ciclo em Ponte de Lima foi finalmente tornada pública. O fecho de escolas e a concentração dos alunos em centros escolares é o caminho.

Já não era sem tempo. É salutar que a Câmara esteja aberta a negociar o encerramento das escolas. No entanto, no melhor pano cai a nódoa. No sábado passado, Daniel Campelo acrescentou a possibilidade das escolas, que venham a ser fechadas, reabrirem no futuro. Pese embora a concordância da oposição quanto aos Centros Escolares, não poderá alinhar em afirmações populistas como as de sábado, mas ser firme na posição que escolheu. Esta é uma nova perspectiva de ensino e deverá sê-la a longo prazo.

Talvez seja tempo, sem recorrer ao populismo, de esclarecer os pais daquilo que está em jogo.

Transporte oficial

Depois de ler um artigo de Adam Boulton, editor de política da Sky News, acerca dos transportes oficiais do governo britânico, lembrei-me da polémica que se instalou aquando da compra do primeiro transporte oficial para o presidente da Câmara de Ponte de Lima. Era Francisco Abreu Lima presidente da Câmara e a escolha recaiu sobre um Peugeot 405. Na altura, algumas vozes se insurgiram contra esta compra, perguntando para quê e porquê. Era um gasto supérfluo, diziam. Actualmente, além do BMW presidencial, existem os Peugeot’s de vereação. Passados quase vinte anos, é interessante verificar a evolução da maioria das vozes críticas. Pura demagogia populista, pois claro.

sábado, março 04, 2006

Alto Minho artigo de 04-03-2006

A "ilha"

Havia uma "ilha" algures na antiguidade que sucessivamente era chacota das ilhas vizinhas. Tinha por responsável um cidadão que, qual César, como os da família Júlia de Roma, se achava descendente dos deuses. Merecedor de toda a reverência, portanto. Essa ascendência concedia-lhe, certamente, o dom de ter sempre razão. Os que dele discordavam só poderiam ser maus cidadãos, com certeza uns conspiradores merecedores de eliminação.

Essa "ilha", que tinha tudo para ser um exemplo para outras, era de facto um caso único. Á medida que aumentava o exército, mais derrotas somava no confronto com os exércitos das ilhas vizinhas. Os responsáveis encontravam sempre uma desculpa para a derrota, sempre factores externos, nunca internos. Aliás, os outros cidadãos não se deveriam perturbar, pois estes tinham tudo controlado. O exército servia para isso mesmo, para o controlo interno e não para as batalhas com as outras ilhas. O que interessava era o controlo da ilha.

Mas eis que as pessoas da ilha se começaram a questionar. Seria este o rumo certo?

Alguns passaram para outras ilhas, até para ilhas desertas, mas outros optaram por ficar. O exército aumentava, apesar do acumular de derrotas, no entanto deram-se conta de que este era frágil, feito de mercenários sem qualquer afeição à ilha. Perceberam, então, que tinham um dever para com os que anteriormente tinham consolidado a ilha. Esta não poderia desaparecer.

O exército do velho responsável parecia forte, mas a confiança nas pessoas, no seu desejo de mudança, no seu desejo de devolver à ilha o poder de outrora era superior.

Não era tempo para hipócritas simulações. Era tempo de renovar a esperança. Era tempo de retomar o lugar de primazia que a ilha sempre tinha tido no arquipélago.

A vitória sempre foi possível...

Democracia

Porque mesmo aqueles que deveriam ser o garante da democracia por vezes se esquecem, o Dicionário da Língua Portuguesa diz o seguinte;

Democracia – Sistema político em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade...

Igualdade – (...) princípio de organização social segundo o qual os indivíduos devem ter os mesmos direitos, deveres, privilégios e oportunidades...

Liberdade – (...) poder ou direito de agir sem coerção ou impedimento (liberdade de execução ou de acção)

Esterilidade

Os partidos são, sem sombra de dúvida, no nosso sistema democrático, as colunas de sustentação desse mesmo sistema. Deles imanam, normalmente, os representantes dos cidadãos que governarão a coisa pública. Essa função é a mais nobre de todas. A representação dos concidadãos é a maior das responsabilidade que algum cidadão pode exercer numa sociedade democrática. É por isso mesmo que vejo nos partidos um local onde a preparação, o envolvimento dos militantes o pulsar da democracia deveriam florescer. Não se compreende como esta visão possa ser para alguns alvo de chacota. Não se compreende como se pode ficar passivo, quando o costumeiro dentro dos partidos passa a ser a procura única do poder interno. Será que não é evidente a atrofia esterilizante a que esse caminho conduz?