segunda-feira, abril 24, 2006

Alto Minho artigo 24-04-2006

Ecos da Páscoa

No fim de uma das missas na vila de Ponte de Lima, uma das muitas senhoras bem que acham chique vir à província passar a Páscoa perguntava a outra "Então por cá? Quando veio?" ao que a outra respondeu "No outro fim de semana". Pergunta estupefacta a primeira "E como aguentou tanto tempo?"...


Governo Rosa

O governo PS é pródigo em marketing, em reformulações inócuas e espante-se em anúncios de encerramentos. As esquadras da PSP, os Centros de Saúde, as Urgências dos Hospitais, as Escolas, as Maternidades as Regiões de Turismo... Os encerramentos parecem não ter fim. Os porquês? Esses não interessam. Diz-se que é para melhorar os serviços prestados às populações, e baixinho, quase que em segredo, que é para conter os custos públicos. A economia nacional assim o exige - dizem.
Ponte de Lima parece não ficar de fora destes, digamos, ajustes. A esquadra da PSP tem a corda no pescoço e agora tem vindo a público a intenção de encerrar o serviço de urgências do Hospital Conde de Bertiandos.
Será que a economia de custos justifica tudo? Esperemos que seja apenas mais um laivo do profícuo marketing político do governo PS.


Centros Escolares, diferentes metodologias

Ao decidir criar um centro escolar, a Câmara Municipal de Alfândega da Fé usou a seguinte metodologia. Envolveu todos os agentes educativos encetando reuniões de planeamento estratégico com a finalidade de criação de um Centro Escolar.
Preocupada em esclarecer os pais e encarregados de educação, realizou duas acções de formação dirigidas especialmente para estes, disponibilizando um gabinete de atendimento e, espante-se, uma linha telefónica Nº Azul Easy para o acompanhamento personalizado destes. Publicou, ainda, um desdobrável onde eram descritos os objectivos, áreas pedagógicas, serviços prestados e contactos úteis. Em todas as fases do processo de planeamento de reordenamento da rede escolar foi sempre salvaguardada a intervenção com e junto dos Encarregados de Educação das crianças das freguesias a deslocar para o Centro Escolar.
Comparemos, agora, com a forma trapalhona com que a Câmara de Ponte de Lima tratou o assunto dos Centros Escolares e tirem-se as devidas ilações...
Razão tem quem diz que a Câmara Municipal trata dos assuntos de trás para a frente. Os Centros escolares, infelizmente, não fugiram à regra.

25 de Abril

Passou mais um ano sobre a data da revolução designada dos cravos. 32 anos. Os jovens cada vez mais se distanciam das comemorações e esta data começa a ser vista, como já o é o 5 de Outubro, como mais um feriado. No entanto, ainda há os que vibram só de pronunciar 25 de Abril.
Nas comemorações parece cada vez mais evidente que não bastam os foguetes e as musicas, é preciso mais alguma coisa. Reflexão, por exemplo.
Talvez seja da poeira dos tempos ou da história, mas, muito em breve, o 25 de Abril será encarado por quase a totalidade dos portugueses como apenas mais um feriado e, se pensarmos bem, talvez aí encontremos a grande vitória da revolução de Abril.

quinta-feira, abril 20, 2006

Alto Minho artigo 20-04-2006

O rio e o Areal

Todos ainda se lembram de uma publicidade onde pessoas já com alguma idade diziam “ainda sou do tempo…”, pois bem, não tendo sequer metade da idade das pessoas retratadas, apetece-me dizer o mesmo em relação ao areal.
Ainda sou do tempo de ver roupa a secar no areal. Ainda sou do tempo de ver lavar a roupa no rio. Ainda sou do tempo em que dois dos três meses de férias de Verão eram passados no areal e, consequentemente, no rio Lima. Ainda sou do tempo em que poucos eram os que estacionavam no areal, até porque, se se distraíssem, corriam o risco de ficarem com as viaturas atoladas na areia. Ainda sou do tempo da inexistência de açudes. Ainda sou do tempo da existência de bandeira azul...
Agora fala-se de zonas de protecção à ponte, de retirar a feira quinzenal desse espaço, de reorganizar o espaço, de projectos de universidades estrangeiras para a zona, ilhas artificiais, etc, etc.
Necessário era ouvir o que realmente os limianos esperam desse espaço, que, em tempos, caracterizou de forma única a nossa sede de concelho. Seja lá o que for que esteja a passar na cabeça dos responsáveis, a verdade é que o areal e o rio que eu ainda conheci, nunca mais voltarão.


A Feira

De tempos a tempos, ouvimos falar da feira. Umas vezes para publicitar as reformas que a câmara lá pretende implementar, outras por causa da sua localização.
Sobre as reformas, apenas podemos dizer que, em norma, não são aplicadas por muito tempo, os retalhos resultantes dessa situação descaracterizaram para o bem e para o mal a velha feira limiana. Não há forma de parar o tempo…
Sobre a localização, as opiniões já são mais divergentes. Sei que a actual disposição e localização tendem a não durar muito mais. A feira, nos últimos anos, qual rio em dia de cheia, tem ocupado a Avenida dos Plátanos, o Passeio 25 de Abril e a antiga feira do gado (já sem gado), todos eles locais estranhos à feira tradicional.
Como a situação actual é quase anárquica, o caminho será, certamente, o da mudança. Não, inevitavelmente, de local, mas de paradigma. A adaptação aos tempos, às actuais necessidades e exigências é urgente e obrigatório.


9 de Abril

Comemoraram-se no passado domingo, dia 9, 88 anos da batalha de La Lys. Quase ninguém hoje sabe que batalha foi essa ou em que guerra ocorreu. Mas, se percorrermos a história recente da nossa família ou de famílias vizinhas, surpreender-nos-emos com a possibilidade de rapidamente encontrarmos alguém que tenha participado nessa batalha da I Grande Guerra.
Talvez não fosse mal recordar aos jovens o que os seus antepassados directos passaram ainda há menos de um século. Há quem defenda que a história se dá em círculos, pelo que é necessário não esquecer para não se cair nos mesmos erros.

Páscoa

Foguetes, sinos, movimento, casas abertas a todos… Mais importante: passagem, esperança, renovação…

segunda-feira, abril 10, 2006

Alto Minho artigo 10-04-2006

Região do Alto Minho

No artigo do dia 11 de Fevereiro escrevia o seguinte;

" (...) Não é aceitável nem razoável que se continue a perpetuar um erro como o da divisão da região em duas áreas distintas, a VALIMAR e CIVM. A altura não se compadecesse de indecisões.

A Intermunicipal veio propor uma unificação, a vereação do PSD na Câmara Municipal de Viana do Castelo, pelo seu líder, Carvalho Martins, propôs, em reunião da Câmara, esse caminho. Infelizmente, a sua vice-presidente repostou, afirmando que a VALIMAR aceita propostas de adesão. Eis a razão, precisamente, pela qual o Alto Minho continua no estado em que está. Não é o entendimento que se procura, mas a vitória de uma das partes. Daniel Campelo classificou a proposta como fora do tempo. Já não há tempo é para prolongar o erro. (...)"

Entretanto, o mês de Março trouxe outros argumentos: os fundos do próximo Quadro Comunitário de Apoio. Aí já todos foram unânimes na defesa da união. Aliás, parece que todos têm lutado, desde sempre, para que esta união seja uma realidade. Quase nos faziam esquecer que os autarcas que dividiram a região são praticamente os mesmos que agora reclamam ter sido sempre a favor da união do Alto Minho...

As declarações feitas por alguns deles, logo após a reunião que juntou os dez presidentes dos municípios do Alto Minho, vêm demonstrar, infelizmente, a fragilidade da actual proposta de união. As "capelinhas" continuam e a conveniência dos fundos parece esbarrar no preconceito bairrista e clubista de alguns autarcas. Uns, que se sentem isolados politicamente, têm medo de ficar esmagados entre os dois grandes blocos políticos existentes no distrito; outros têm medo de serem mais um num desses blocos; outros ainda têm medo que um dos blocos se imponha ao outro, vendo assim traçado o seu fim.

O "xadrez" continua a ser o jogo preferido dos autarcas alto-minhotos.


PS limiano

Na sexta-feira da semana passada, o PS elegeu as concelhias no distrito de Viana do Castelo. Em Ponte de Lima, Montenegro Fiúza passou o testemunho. Deixou a liderança da concelhia ao seu braço direito, Jorge Silva. A inexistência de uma lista oponente resulta de um partido que rapidamente se moldou ao seu anterior líder. O PS gravitou, nos últimos dois anos, em redor de Montenegro, por isso é natural que a liderança passe para a pessoa que este apoiou sem grande ou nenhuma oposição. Não se pode, no entanto, menosprezar a eleição de Jorge Silva. Foi um dos principais obreiros dos resultados surpreendentes que o PS de Montenegro obteve nas autárquicas. No entanto, a nova liderança não trará grandes mudanças de rumo ou de protagonistas. O PS continuará no mesmo caminho que tem percorrido nos últimos meses ou não fosse Jorge Silva um dos delineadores do mesmo.


Assembleia da Juventude, Fórum de Juventude, Conselho da Juventude ou nada...

Passados alguns meses, os jovens continuam à espera que o anúncio de uma Assembleia da Juventude no concelho seja uma realidade. Começa a ser um hábito dos nossos governantes presentear a comunicação social com grandes anúncios que resultam em nada. A Assembleia da Juventude, Fórum de Juventude ou Conselho da Juventude onde os jovens, através das associações juvenis, das associações de estudantes e das juventudes partidárias, participem activamente na vida da comunidade e onde possam ter uma palavra nas escolhas de politicas de juventude é um velho anseio, que tem vindo a atravessar gerações. Desde as nascidas nos anos 70, passando pelas dos anos 80 até às que nasceram no princípio da década de 90 todas têm esperado.

Será que os jovens nascidos já no novo milénio irão engrossar o grupo referido anteriormente?

segunda-feira, abril 03, 2006

Alto Minho artigo de 03-04-2006

Hello Àfrica

O Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, Daniel Campelo, liderou uma delegação limiana numa visita à província do Huambo em Angola. A informação foi dada pelos jornais angolanos.

É nestas alturas que me pergunto para que serve o gabinete de Apoio ao Presidente e Vereadores. Não integrará, o gabinete, um profissional de relações públicas que pudesse fazer o obséquio de enviar uma nota de imprensa dando a conhecer os contornos desta viagem? Se não existe, deveria existir. É que ao encontrarmos informação apenas nos jornais angolanos ficamos com a ideia de que a viagem era um pouco, digamos, clandestina. Para ninguém saber.

A inexistência de informação sobre a viagem levanta sempre algumas questões. A viagem teve como mote, certamente, Norton de Matos, mas qual foi, realmente, a finalidade desta viagem? Quem é que fez parte da comitiva e porquê? Qual é o tipo de cooperação existente, já que se falou em estreitá-la? Há alguma estratégia económica ou cultural? Se a resposta é positiva, por que é que não é pública?

Infelizmente, as explicações do vereador da cultura, educação e juventude não foram deveras esclarecedoras. Entre outras explicações, evocava a verificação do local onde se irá reerguer a estátua do general Norton de Matos. Por mais desejável que seja reerguer a estátua do prestigiado limiano e fundador da cidade de Nova Lisboa, actual cidade do Huambo, será que este motivo é o bastante para a deslocação? Talvez seja altura de explicar bem os motivos, os projectos, as instituições envolvidas, até porque poderá dar-se o caso de algum empresário limiano querer aproveitar algum tipo de cooperação para investir nessa região africana.

Esperemos que, em futuras viagens, os limianos sejam esclarecidos antecipadamente das intenções e objectivos das mesmas.

Cluster Tecnológico de Ponte de Lima

Segundo o consultor da ABDI, Gilberto Lima Júnior, ainda não é certo que Ponte de Lima venha a ser a localização escolhida para implementar o centro de tecnologia. A escolha do local para implementar o projecto por nós conhecido como COBRA ainda não está feita. Esperemos sinceramente que este projecto e o do IKEA cheguem a bom porto e rapidamente sejam implementados em Ponte de Lima.

Bem sei que a Câmara Municipal tudo fez, tudo faz, para que o “cluster” seja uma realidade. Só não se percebe como foi possível apresentarem-no como um facto, quando sabiam que assim não era. Pelo menos, no caso IKEA, o erro não voltou a ser cometido.