segunda-feira, junho 26, 2006

Alto Minho artigo 26-06-2006

Zonas verdes limianas

Para as pessoas que nos visitam, e que são quase "despejadas" junto ao areal, os jardins feitos em Arcozelo, em antigos terrenos de cultivo e propensos a serem invadidos pelo Lima, são atractivos. Mas, onde estão os espaços verdes nas zonas construídas nos últimos 10, 15 anos? Que tipo de planeamento foi levado a cabo para contemplar estas zonas com espaços verdes, agradáveis, onde os pais possam brincar com os filhos? Todos os limianos, infelizmente, sabem a resposta.

Nos anos oitenta, foi construído o bairro onde se encontra o Pavilhão Municipal, bairro este constituído essencialmente por moradias todas elas com um jardim maior ou menor. Nos actuais bairros, apenas de blocos de apartamentos, onde se pretende emparedar os jovens casais, restam as varandas, quase sempre condenadas a marquises, como espaços abertos.

O verdadeiro jardim que se está a criar em Ponte de Lima é o mesmo que se tem criado por tantas terras em Portugal, o do florescimento de prédios sem olhar à qualidade de vida das pessoas que os irão ocupar.

Quase se pode pensar que os jardins no centro histórico só existem porque os terrenos onde estão implementados não são edificáveis.

É bom ter jardins, mesmo pecando pelos seus elevados custos de manutenção e por serem jardins fechados à moda do século XIX, mas a zona urbana de Ponte de Lima não é apenas o centro histórico. É preciso ter em atenção os bairros que se têm construído e onde a maioria das pessoas da freguesia de Ponte de Lima vive.

Também em Arcozelo

A Câmara Municipal construiu em Arcozelo um bairro social. Até aqui nada a assinalar. Mas basta passar por lá para se verificar o abandono a que a edificação foi votada. Não basta o esforço dos moradores, é preciso acabar o que se começou. Onde estão os espaços verdes? É este o exemplo que a Câmara quer dá aos construtores? Ou é já a Câmara a seguir o exemplo?

Não se compreende como se pode ter uma zona como a da Poça Grande, agora com a dignidade merecida, e, junto a esta, um terreno onde a base das velhas casas pré-fabricadas dão um ar de zona degradada, de gueto. Aquele espaço é apenas e simplesmente um dos lugares de maior densidade populacional da vila de Arcozelo. Merecia um olhar mais cuidado por parte da Câmara Municipal.

Mudam-se os tempos…

Mudam-se os métodos de protesto. Confesso que, após a resolução da IKEA de não se instalar no concelho limiano, receei que Ponte de Lima reproduzisse na vida política e social do país um novo episódio do Queijo limiano. O Presidente da Câmara ainda apareceu com o velho argumento do abandono do mundo rural, aludindo a falta de respeito das multinacionais, da IKEA, para com esse mundo que todos querem destruir e do qual ele é o ultimo auto-proclamado defensor. Confesso que ao ouvir isto temi pelos meus candeeiros… Mas não. Daniel Campelo já não faz boicotes. Ressuscitou uma velha promessa de fundos do Governo Guterres e de José Sócrates, (lembram-se do orçamento do queijo?), que ainda não foi cumprida e anunciou penhorar bens do Ministério da Cultura. Eis, talvez, um bom exemplo a seguir pelas freguesias do concelho.

terça-feira, junho 20, 2006

Alto Minho artigo 20-06-2006

Que caminho?

Acarinhar o investidor limiano é um dos caminhos para a economia limiana. Não se podem relegar para terceiro plano os limianos que querem investir na sua terra, sejam eles pequenos ou médios investidores, independentemente de se tratarem de 4, 10 ou 15 postos de trabalho. É urgente a renovação e reactivação da economia limiana e a Associação Empresarial de Ponte de Lima tem um papel fundamental neste processo. É esta que deverá incentivar a criação, por exemplo, de uma incubadora de empresas. A AEPL não pode ser apenas um centro de formação profissional. É urgente promover um estudo, por sectores de actividade, à actual situação económica do concelho. Assim, haveria uma visão real dos desafios que se apresentam. A escola profissional de Ponte de Lima, essa sim vocacionada para o ensino profissional, deveria ser totalmente remodelada, ajustando os seus cursos aos resultados desse estudo. O mundo rural, tão apregoado por alguns, cada vez mais, no nosso concelho, apenas existe no folclore.

Reinvestir na comunidade

Por vezes algumas associações desabafam o seu descontentamento pelos empresários da terra não ajudarem mais. Realmente, desde sempre são os empresários e as empresas, sejam elas pequenas ou médias (não existem grandes empresas na nossa região), a ajudar e a acarinhar as instituições de interesse público. Muitos foram, aliás, os comerciantes, industriais e empresários que estiveram no início de muitas delas. Mas nos últimos anos a ajuda começou a falhar, começou a ser cada vez mais diminuta e em alguns casos deixou mesmo de existir.

Este é um sintoma da degradação da economia limiana. Alguns limianos gostariam de investir na sua terra, mas não encontram condições para isso, pelo que ou não investem ou então investem noutro concelho. Os que cá já andavam têm que se preocupar em manter os seus negócios. Muitos deles laboram em sectores moribundos, outros com graves entraves ao desenvolvimento dos seus empreendimentos. Como disse Jack Welch, na sua recente visita a Portugal, as empresas e os trabalhadores, quando têm que lutar permanentemente pela sua sobrevivência, pelo seu emprego, não têm tempo para pensar em retribuir.

Será o início?

A Câmara Municipal criou um fórum on-line. Esta é uma boa iniciativa, da qual se espera uma maior aproximação do poder ao cidadão. Mas a Câmara Municipal não pode ficar por aí. O verdadeiro passo será o da criação de um portal de Ponte de Lima na Internet. Neste seriam proporcionados serviços gratuitos como o alojamento de páginas e correio electrónico a todas as empresas, entidades e organizações do nosso concelho aumentando, assim, as suas vantagens competitivas. Aumentando, aliás, a vantagem competitiva do concelho. A criação de locais no centro histórico com cobertura wireless gratuita de Internet é outro passo a dar.

Ponte de Lima para além de usufruir da sua boa localização geográfica deverá imperativamente tomar a vanguarda da utilização das Tecnologias da Informação. A VALIMAR está a levar a cabo a cobertura em banda larga dos concelhos que a constituem. Os sítios na Internet dos Municípios, pelo que se tornou público, irão sofrer grandes benefícios, mas o concelho limiano não pode ficar por aí. A diferenciação, a atractividade do concelho para além de festivais passa também por tomar a iniciativa e liderar a região nesta área de futuro.

terça-feira, junho 13, 2006

Alto Minho Artigo de 13-06-2006

Evidências

O Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima acordou para uma dura realidade. O governo de Sócrates aproveitou-se de Campelo e de Ponte de Lima para as suas habituais campanhas de marketing. Bastava associar a campanha presidencial e verificar a enorme coincidência do candidato, depois derrotado, Mário Soares estar a fazer campanha no distrito de Viana do Castelo precisamente no mesmo dia onde, quase de surpresa, o governo anunciava em Ponte de Lima a vinda da fábrica da IKEA para Portugal. Só a cegueira provocada pelos holofotes das televisões puderam ocultar tamanha evidência.

Mas Campelo tem razão em se sentir enganado. É deveras estranho que no memorando se tenham anunciado cerca de 450 postos de trabalho directos e agora se verifique que serão apenas perto de 300. Já a área de terreno necessária, ao invés, parece ter duplicado.

O vereador da oposição, Manuel Trigueiro, afirmou, numa reunião do executivo camarário, ter conhecimento de que algumas pessoas bem colocadas estariam a fazer tudo para que o investimento do IKEA não viesse para Ponte de Lima. O investimento não veio. Campelo fez insinuações sobre o líder do partido que Trigueiro lidera localmente. Depois disto tudo, Trigueiro deverá revelar publicamente a quem se referia nas suas afirmações. Estes não são, certamente, tempos de hesitações e dúvidas.

Época balnear

Durante muitos anos passou-se parte do verão dentro das águas do rio lima. A praia do Arnado chegou mesmo a receber a bandeira azul. Ainda me lembro da bandeira, do nadador salvador, com os calções do ISN e tudo, das bóias, inclusive das “gaivotas”. Tudo isto desapareceu sem deixar rasto. Apenas ficou o bar do Arnado.

Entretanto foi construído o açude junto à ponte de Nossa Senhora da Guia. As águas começaram a ser mais paradas. O lodo, e não só o lodo, começou a acumular-se tomando o lugar da areia. A bandeira assim como apareceu também desapareceu dando lugar, há cerca de dois anos, a um aviso, de material bastante perecível, onde se alertava para as más condições da água e respectivo encerramento da praia fluvial.

As margens do rio já foram tomadas por banhistas, muitos deles crianças. Qual é a qualidade da água onde se banham? E da areia?

Não basta fazer uma piscina de apoio à discoteca (não deveria ser um bar de apoio à piscina?) no recinto do Festival de Jardins. É preciso garantir que os limianos e os visitantes de Ponte de Lima tenham segurança quando se banham nas praias do concelho.

Imagino que as análises sejam feitas todos os anos e, se assim é, porque não tornar os seus resultados públicos?

Parecem longe os tempos onde se dizia que o Lima era o Lethes, o rio do esquecimento…

Dinâmica

A Assembleia Municipal de Ponte de Lima demonstrou algo que há muito não fazia. Dinâmica. Liderou o processo relativo à saúde e desempenhou um papel fundamental na resolução do problema. Até o Presidente da Câmara se viu impelido por esta dinâmica a rapidamente falar com o Ministro da Saúde.

Ficou provado que a Assembleia, quando quer, tem um papel fundamental nas escolhas para o concelho, tem uma palavra a dizer que merece ser ouvida. As comissões, como a da saúde provou, são um bom caminho para um desempenho mais activo da Assembleia.

Já Manuel Barros alertava para a necessidade de criar comissões e fomentar o seu funcionamento em meados dos anos noventa. Pelo que se viu agora, tinha razão. O presidente da Assembleia Municipal, Abel Baptista, pode e deve assumir um papel mais activo. O desenvolvimento de comissões e grupos de trabalho, que funcionem e reúnam, poderá ser o caminho para a revitalização necessária de um órgão que por vezes parece preso.

segunda-feira, junho 05, 2006

Alto Minho Artigo 06-06-2006

APPACDM de Ponte de Lima

Com pompa e circunstância foi inaugurada a extensão limiana da APPACDM. O antigo Matadouro Municipal, posteriormente reconvertido em Centro de Arte e Cultura, é actualmente o local de acolhimento. Se por um lado é de saudar a presença da APPACDM em Ponte de Lima, por outro é lamentável que a tenham “empurrado” para um edifício que não foi pensado para esta finalidade. A decisão de ceder o Centro de Arte e Cultura em vez de se construir um novo edifício nos terrenos disponibilizados para o efeito junto às Piscinas Municipais é o reconhecer, por parte da Câmara, do fracasso do Centro de Arte e Cultura, que nunca chegou a ser nada.

Não se pode, no entanto, minimizar o facto positivo da APPACDM ser agora uma realidade num dos concelhos do distrito de Viana do Castelo com o maior número de pessoas portadoras de deficiência. Esperemos é que o investimento não pare por aqui. Continuemos a pensar num edifício novo, detentor de melhores condições para os cidadãos portadores de deficiência. Esse terá que ser o objectivo.

Investir em Ponte de Lima

Afinal o Presidente da Câmara parece não ter chegado a ir ao Brasil. Esta deslocação chegou a ser anunciada como clarificadora do processo de instalação do investimento brasileiro, mas o silêncio sobre o assunto parece sintoma de más notícias. A Câmara tudo fez para que este investimento fosse uma realidade, no entanto Campelo tem que explicar aos limianos as expectativas que agora se frustram por ter anunciado o investimento como uma realidade, quando ainda não o era. Que dizer às centenas de pessoas que enviaram os seus currículos?

A Agência Financeira anunciou, na semana passada, que o IKEA estava a estudar três possibilidades, Paços de Ferreira, Paredes e Estarreja para a localização da sua fábrica em Portugal. A Câmara Municipal de Ponte de Lima tratou este processo de outra forma, não criou falsas expectativas e tudo fez para que a fabrica fosse uma realidade em Ponte de Lima.

Aparentemente e infelizmente o concelho limiano não acolherá nenhum dos referidos investimentos. Talvez seja tempo de encarar de outra forma a nossa realidade económica. Ou nos resignamos e ficamos a aguardar que se lembrem de nós, ou apostamos, antes de mais, nos empresários locais. A Câmara Municipal pode dar-lhes condições para que desenvolvam as suas actividades. Muitos deles são inovadores no seu sector de actividade, precisando apenas de incentivos, semelhantes aos concedidos aos investidores estrangeiros, para se afirmarem a nível regional, nacional ou mesmo internacional.

Por que não apostar na fixação destes investidores nos pólos industriais limianos? Por que não criar uma incubadora de empresas como existe em Braga ou em Viana do Castelo? A fomentação do investimento limiano é um caminho a ter em conta para dinamizar a nossa parca economia.

Não basta ser o segundo maior concelho do distrito em termos de habitantes, temos que fazer tudo para ser o segundo também em termos económicos e sempre com a ambição de sermos o primeiro.

Biblioteca digital limiana, por que não?

Para quem anda atento às questões culturais do concelho tem assistido, nos últimos anos, ao lançamento de vários livros de escritores limianos, de livros sobre figuras limianas, ou sobre Ponte de Lima. Estes livros, além de serem de extrema importância para quem gosta de Ponte de Lima, são, sem sombra de dúvida, importantes para a identidade histórico-cultural de todos os limianos.

Nas suas edições/reedições uma grande fatia do mérito vai para a Câmara Municipal. Geralmente é esta que desempenha o papel fundamental para que as obras possam ver a luz do dia.

Cada vez mais o formato digital ganha extrema importância na preservação e divulgação de documentos. A própria Biblioteca Nacional tem apostado fortemente nesta área e qualquer um já pode ler livros como Os Maias de Eça de Queirós na versão da primeira edição, bastando para isso aceder à página on-line da BN. Um serviço semelhante poderia, à escala local, ser desenvolvido na Biblioteca Municipal. A digitalização de obras de limianos ou acerca de Ponte de Lima e a sua disponibilização on-line seria um passo enorme para a cultura limiana. Basta imaginar a felicidade de um limiano emigrado, ou dos seus filhos, ao poderem aceder a essas obras, quando doutra forma não o podem fazer. Bem sei que há alguns factores a ter em conta como o dos direitos de autor. A tecnologia permite, no entanto, vários tipos de situações que conseguiriam convergir num só sentido todos os interesses envolvidos.

Já que não se aposta na construção de uma nova biblioteca, aposte-se pelo menos na construção de uma Digital que mostre não só a produção intelectual e cultural de Ponte de Lima, mas também o caminho de inovação que o concelho limiano quer seguir.