segunda-feira, julho 31, 2006

Alto Minho artigo 01-08-2006

Férias

Eis que chega Agosto, o mês em que uma grande parte dos portugueses goza férias. Este ano, Ponte de Lima tem várias propostas para o laser, não só para os limianos mas também para os seus visitantes. O Pelouro da Cultura da Câmara Municipal, neste aspecto, melhorou bastante a oferta em relação a anos anteriores. Com a diferenciação desta, vários são os públicos contemplados com actividades de lazer.

O Festival de Música Clássica e a Feira do Vinho Verde, ambas realizadas no passado mês de Julho, abriram o ciclo dessas actividades. Neste mês, teremos folclore e um festival de música contemporânea, entre outras actividades.

A EXPOLIMA começa a assumir uma importância primordial. É preciso, no entanto, que os responsáveis tenham em conta alguns factores, a falta de sombras é um exemplo, mas há também um outro que parece ter sido esquecido, o do barulho/ruído. Pode parecer que não, mas muitos dos habitantes do concelho não estão de férias e, se por um lado é bom e de saudar as actividades propostas, é também necessário zelar pelo direito ao descanso. Não é que um concerto dos Madredeus, por exemplo, traga mal ao mundo, bem pelo contrário, mas já a presença de Dj’s até às 5 da madrugada parece ser exagerada. Como bem sabem, a localização da EXPOLIMA, junto ao leito do Rio Lima, proporciona a propagação sonora e com isto várias são as freguesias e seus habitantes que, querendo descansar, não o poderão fazer. É necessário acautelar este problema que parece bem mais prioritário que o das sombras.

Mas a época de férias em Ponte de Lima não se limita apenas a estas actividades. A paisagem envolvente, que se pode contemplar em vários caminhos florestais, perfeitamente aproveitáveis para o cicloturismo, por exemplo, são de um encanto indescritível e imperdível. Fica a sugestão.

Seria justificação?

Num número anterior deste jornal a Câmara Municipal através do Pelouro encarregue pela juventude fez publicar uma nota onde dava conta das várias actividades realizadas e a realizar. Como são muitas não irei fazer referência a nenhuma. Os resultados parecem ser bons e compensadores do esforço que a autarquia tem feito e tanto assim é que, após a leitura, fica-se com a sensação de que esse esforço vai aumentar.

Mas um pormenor realça-se. A altura em que sai esta nota. Precisamente depois de surgirem críticas pela ausência do município limiano do programa Voluntariado Jovem para as Florestas. Até poderá ser coincidência, mas que tudo indica ser uma resposta às críticas… Se era esse o objectivo, saiu gorado. O rol de actividades, que todos devem saudar por serem um sucesso, não são justificativas para a referida omissão, bem pelo contrário, o sucesso alcançado nessas actividades é indicativo de todo um envolvimento dos jovens na problemática da floresta, que poderia ter sido promovido e se perdeu.

Duas notas

A primeira, positiva para realçar a prontidão do Guarda Nacional Republicana que opera em Ponte de Lima.

A segunda, negativa pois, pese embora a existência de uma campanha concertada para avisar os cidadãos dos números de emergência, o número destinado ao aviso de focos de incêndios, o 117, nem sempre funciona e, por vezes, quem deveria atender os cidadãos desliga ou, pior ainda, tenta convencer que o cidadão se enganou no número, não o deixando, como o dever cívico manda, alertar para o local que vê a começar a arder. Um caso a rever, pois, se querem que todos nós façamos parte da prevenção de incêndios não basta fazer campanhas nem criar números específicos é preciso formar quem está do outro lado, se não o conseguem há sempre empresas especializadas na prestação desses serviços.

sexta-feira, julho 28, 2006

Alto Minho artigo 28-07-2006

Construções de edifícios públicos

Nos últimos anos, Ponte de Lima tem assistido ao crescimento de edifícios construídos ou reformulados pela Câmara Municipal a um ritmo nunca antes visto. Obras como a reformulação do Paço do Marquês, Mercado Municipal, Matadouro Municipal, Feira do Gado (agora Expolima), etc.

Um aspecto interessante é que nenhuma das obras citadas desempenham na totalidade a função para que foram construídas ou modificadas. O Paço do Marquês continua à espera de uma utilidade, o Matadouro, que foi reconstruído para casa da cultura, alberga, espera-se que temporariamente, a delegação limiana da APPACDM.

A construção criada para albergar a feira do gado apareceu, definitivamente, este fim de semana com o nome de Expolima, adquirindo assim um estatuto de parque de exposições de Ponte de Lima.

É interessante. Primeiro escolhe-se o arquitecto, depois arranjam-se alguns argumentos justificativos para a construção do edifício em causa e depois de construído, aí sim, procura-se uma real utilidade para o investimento feito.

Nas traseiras da escola secundária de Ponte de Lima cresce um edifício que se espera vir a ser a Casa da Música de Ponte de Lima. Não se esqueçam da palavra chave que é Música e não outra coisa qualquer.

Já agora, talvez fosse bom começar a preparar alguns argumentos para a casa adquirida pelo município na Além da Ponte. Os da utilidade da compra não foram muito bem compreendidos, pode ser que os do restauro venham a ser. Quem sabe.

Desemprego

A taxa de desemprego em Ponte de Lima começa a ser preocupante. Ao contrário dos outros vizinhos, mais pequenos até, em Ponte de Lima esta continua a crescer.

Desde o inicio do ano que, mês sim, mês não, somos confrontados com o fecho de uma unidade fabril. Este factor associado à frustração da vinda, para terras limianas, de investimentos como o IKEA e a COBRA demonstram que algo não está a correr bem relativamente ás opções políticas determinadas para a economia limiana.

Bem sei que depois do mundial e da actual época de banhos, estes são tempos difíceis para a oposição alertar e apontar outro caminho. No entanto, é necessário estar atento aos indicadores que vão surgindo. E, pelo que temos vindo a assistir nestes últimos sete meses, não haverá ensino de castelhano ou de chinês que resulte. A não ser... Bem, que este sirva para nos preparar, a nós limianos, para os tempos de imigração que aí vem. É que embora a aposta turística limiana por vezes pareça ter semelhanças com as reservas de índios das “américas” nós não podemos propriamente sentarmo-nos todos junto à tenda do chefe a manufacturar algum tipo de genuína recordação “certificada”, esperando que daí advenha o sustento dos nossos filhos.

Apatia

Um dos lamentos que se costuma ouvir da boca de alguns políticos depois das eleições é que os cidadãos não participam na vida cívica. É bem verdade. São cada vez mais os cidadãos, cuja única participação cívica é em algum inquérito, ou entrevista de rua, ou conversa de café principalmente de for para criticar os políticos. A verdade é que todos temos um pouco de políticos, logo somos todos culpados. Os políticos que fazem política activa são culpados por serem os primeiros a caírem na tentação da apatia, veja-se o caso dos partidos políticos, o cidadão comum, porque, tendo a responsabilidade de entrevir na vida da comunidade, prefere a auto-desculpa de culpar os outros.

Há um passo inicial e importante a dar a começar por dentro dos partidos. Estes não podem ficar reféns de pequenos interesses, de pequenos lobbies. A apatia dentro dos próprios partidos, no sentido de envolver os seus militantes na construção de políticas, é cada vez mais uma realidade generalizada. Os militantes que outrora “vestiam a camisola” e apareciam não só nas campanhas eleitorais mas também nas reuniões partidárias, desapareceram, são agora um número, um número apático, uma massa anónima que se quer controlada e pouco participativa.

A nossa democracia assenta, bem ou mal, nos partidos. Continuar na apatia reinante é pô-la em cheque. É sempre bom saber história, ainda se lembram do 28 de Maio?

sexta-feira, julho 14, 2006

"errar é humano, persistir no erro é diabólico", Séneca

Nuno Matos bate com a porta da CPD da JSD de Viana

Diz que sai desiludido e frustrado da comissão politica distrital da JSD de Viana do Castelo.
Nuno Matos bateu com a porta e disse esta manhã à Rádio Alto Minho que espera que das próximas eleições para a liderança da estrutura, que vão decorrer antes do final do ano, saia uma direcção activa e voltada para os militantes do distrito.


Alto Minho artigo 14-07-2006

Ecos da Assembleia Municipal

Durante alguns anos falou-se de uma Carta Educativa para o concelho. Ultimamente, através da VALIMAR, uma empresa levou a cabo estudos para a execução de uma Carta Educativa para os seus concelhos. Com comissões de acompanhamento em cada concelho, para proceder aos ajustes necessários, a Carta Educativa tem vindo a ser apresentada por todo o vale do Lima.

Ponte de Lima, que no último meio ano tem vindo a discutir mais publicamente este assunto, viu a sua carta aprovada na última Assembleia Municipal. Aprovada por maioria e não unanimidade. Infelizmente os votos contra, na sua maioria se não na totalidade, não foram, como deveriam ser, contra a carta educativa em si, mas sim como forma de protesto contra algum interesse bairrista sonegado pela mesma.

Infelizmente, alguns Presidentes da Junta ainda são levados por um espírito, digamos, bairrista. O mesmo espírito que lhes suscitou dúvidas no momento de votar uma moção contra a retirada total ou parcial de efectivos da PSP de Ponte de Lima. Mas, não se concordando, percebe-se a sua reacção. Não foram eles eleitos pelos habitantes de uma freguesia para defender essa mesma freguesia? O que deve mudar quanto antes é mesmo o sistema...

Por outro lado, já não se pode concordar ou perceber que alguém que foi eleito para defender os interesses do concelho se esqueça disso e vote pensando nos interesses únicos da sua freguesia. Não tendo sido eleito para o cargo que ocupa apenas pelos seus vizinhos, deveria pensar primeiro na globalidade do concelho e depois nos interesses bairristas. A Carta Educativa tem muitos aspectos criticáveis e discutíveis que poderiam motivar um voto contra: o números de centros escolares, o numero de crianças divididas pelos mesmos, o quase abandono do ensino profissional, etc, agora, evocar motivos particulares de uma freguesia é incompreensível e é um erro para quem tem responsabilidades para com o concelho.


Foi notória a ausência das juventudes partidárias neste debate, que muito lhes deveria dizer, o que, realmente, custa a perceber.


O que quis dizer Daniel Campelo, Presidente da Câmara de Ponte de Lima, ao afirmar que já há alguns Presidentes da Junta que pensam pela sua cabeça? Não pensaram eles sempre pela sua cabeça?


Acusações sem fundamento, insinuações, etc, são situações que o Presidente da Assembleia Municipal não pode tolerar durante a sessão ou no período antes da ordem do dia. Estas atitudes apenas contribuem para diminuir um órgão que deveria ser o centro do debate político do concelho.


Propostas para o mês de Julho


Desde este domingo até ao dia 24, teremos de volta o festival de Ópera e Música Clássica. A Opera Faber organiza este festival em Ponte de Lima, que já se enraizou nos hábitos culturais limianos, desde 2002. É realmente um festival a não perder.

O espaço, no S. João, chamado Expolima, irá finalmente ter uso. A Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento e a Escola Superior Agrária de Ponte de Lima realizam, durante os dias 10, 14, 15 e 16 deste mês, a 16ª Festa do Vinho Verde e dos Produtos Regionais. Uma feira/festa com um forte historial no nosso concelho, que antigamente se realizava no "pavilhão multiusos do concelho", a Avenida dos Plátanos, e que este ano se realiza para os lados do S. João. Também esta a não perder.

segunda-feira, julho 03, 2006

Alto Minho artigo 03-07-2006

E de "micro-ondas" não passou

Precisamente há um ano discutia-se em ponte de Lima o edifício que nascera junto ao Arquivo Municipal. Discutia-se a sua forma, a sua utilidade a sua pertinência. Os apelidos foram surgindo e no imaginário limiano logo ficou conhecido como "micro-ondas". Aquando da sua inauguração, feita ao mais alto nível pelo Presidente da Republica, o Presidente da Câmara deu conhecimento público que o edifício não seria o domicílio do posto de Turismo, que funcionaria, afinal de contas, no Paço do Marquês. O novo edifício seria o rosto de um novo conceito de interacção com o turista, proporcionar-lhe-ia um espaço para que este não se desligasse dos seus negócios.

Daniel Campelo justificava a obra, que custou 862 mil euros e que era o resultado de um estudo urbanístico da área, com o facto de, no passado, a ligação entre o antigo Largo da Regeneração e o Largo da Lapa ser feita por uma escadaria com 12 cruzes denominada Calvário, e que entretanto fora demolida. Isto é, um dos principais objectivos do projecto era permitir criar novos espaços pedonais. 862 mil euros para criar um novo espaço pedonal de 70 metros… Realmente é obra.

Passado um ano chega a altura de perguntar o que é afinal aquele edifício? Quantos turistas o utilizaram para se manterem "ligados aos seus negócios"? Já agora, não sairia mais barato e agradável a reconstrução de uma nova escadaria, de preferência sem o edifício? Finalmente, alguém pode explicar para o que realmente serve aquele edifício?

E os Jovens limianos?

400 jovens do distrito de Viana do Castelo, ao abrigo do programa Voluntariado Jovem para as Florestas, vão vigiar as florestas para prevenir e detectar focos de incêndio. 400 jovens e nenhum deles de Ponte de Lima. Porquê? Porque a Câmara de Ponte de Lima não se candidatou ao projecto, sendo a única que o não o fez dentre as autarquias dos 10 concelhos do distrito de Viana.

Ora aí está mais um tema em que as juventudes partidárias do concelho deveriam tomar uma posição. Todos os outros concelhos do distrito de Viana do Castelo incentivam a participação cívica dos jovens, especialmente numa tarefa tão importante como a prevenção dos fogos florestais.

O concelho limiano foi, nos últimos anos, um dos mais massacrados pelos fogos florestais o que torna ainda mais incompreensível Ponte de Lima ficar de fora deste programa. Será que para a Câmara Municipal de Ponte de Lima quanto menos os jovens participarem na vida comunitária melhor ? Talvez não acredite na juventude do concelho. Achará, o Pelouro da Juventude, que os jovens limianos são de tão maneira egoístas ao ponto de não aderirem a esta iniciativa?

Oposição

A oposição mudou. Desde as ultimas eleições autárquicas que acordaram para a necessidade de informar os limianos das suas actividades. Já não era sem tempo. Mas subsiste um problema. É que não basta dizer que se fizeram várias perguntas, que se pediram determinadas explicações, que se tomou certa posição sobre aquele assunto. É preciso que a oposição saiba apontar caminhos alternativos. Um exemplo. Na última semana um vereador da oposição afirmou, na comunicação social, ter pedido explicações ao Presidente da Câmara sobre vários assuntos, (penhora de bens do Ministério da Cultura, margens do rio Lima, antenas de transmissão de rede de telemóveis, etc), o que demonstra ter certas preocupações. Só foi pena não ter referido se concorda ou não com as respostas que supostamente o Edil lhe deu.

A oposição não deve esquecer que é seu dever apontar alternativas. Seria bom que o fizesse em áreas como o desenvolvimento urbano ou o caminho que o concelho limiano deve traçar economicamente.

É um erro a oposição seguir a agenda ao invés de a marcar.