segunda-feira, outubro 30, 2006

Alto Minho artigo de 30-10-2006

Agora que se fala do TechValley

Segundo o Jornal de Notícias, o Instituto Ibérico de Investigação e Desenvolvimento (IIID) deverá instalar-se num espaço, embora ainda não definido, equivalente a sete estádios de futebol na cidade de Braga. Uma boa notícia para a região.

Ponte de Lima deverá encarar esta notícia como um desafio para o futuro. A criação ou reformulação das zonas industriais existentes em Parques de Ciência e Tecnologia deveria merecer a maior das atenções do executivo municipal. Ocupar grande parte do espaço dos parques com unidades empresariais ligadas à área da tecnologia, com produtos de elevado peso tecnológico e inovadores, seria o objectivo. Estes locais poder-se-iam tornar em espaços de intercâmbio entre a área do conhecimento e a área da indústria. Locais propícios à inovação, à criação de empresas, às start-up's. Num local ideal para a tão esperada incubadora de empresas. No fundo, num local de criação de emprego.

A Universidade do Minho está demasiado perto para não ser encarada como um parceiro fundamental num projecto como este e estou certo de que o Politécnico de Viana do Castelo não viraria as costas a esta oportunidade. Ponte de Lima tem muitas das condições, o espaço disponível e os acessos são um exemplo, para vir a tornar-se numa referência nesta área, posicionando-se na geoliderança neste sector.

Mesmo sem a COBRA, é prioritário pensar seriamente nesta hipótese.

Portagens

É com agradável surpresa que se constata uma voz consensual no Alto Minho, de todos os quadrantes políticos, contra a introdução de portagens. Realmente, este assunto só pode ser consensual. Quem vive nesta região, por experiência própria e sem grande esforço, verifica que a aplicação de portagens é a castração económica da mesma. Uma região que, ironicamente, sendo do litoral tem indicadores de profunda interioridade. Uma região que não tem alternativas, dignas desse nome, de ligação ao resto do país.

No partido que sustenta o governo, o PS, várias têm sido as vozes que, de uma forma ou de outra, se têm associado ao descontentamento geral. Estas vozes têm outra sonoridade no seio do governo. Digamos que têm outro “peso”. Espera-se, pois, que, com o aproximar do congresso nacional do PS, as estruturas deste partido no Alto Minho, sozinhas ou acompanhadas pelas de Braga, por exemplo, elaborem uma moção, intervenção (chamem o que quiserem), para dar conta ao Secretário-geral do PS e Primeiro-ministro do erro que está a incorrer em levar avante a implementação cega de portagens e das consequências nefastas para uma região já tão marginalizada como a do Minho.

Chuvas e inundações

Nesta última semana, por todo o Portugal, tem-se visto cheias e inundações. Ponte de Lima não fugiu à regra e viu constantemente algumas vias cortadas devido a inundações. A fúria das águas serviu para, de novo, destapar uma questão antiga, mas sempre pertinente, a do licenciamento de construção em linhas de água.

Ninguém respeita estas linhas, geralmente passam-se anos sem que ninguém dê por elas até que… Aí já é tarde e a culpa, quase como sempre, morre solteira.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Alto Minho artigo de 23-10-2006

PIDDAC

"Esses montantes irrisórios para um distrito com tão grandes carências vêm adiar sine die a concretização de inúmeros projectos indispensáveis ao progresso das suas comunidades, potenciando a promoção das assimetrias e constituindo uma severa desconsideração por parte do Governo para com as populações."

Estas palavras poderiam ser sobre o PIDDAC para 2007, pois aplicam-se na integra, mas não, são excertos de um comunicado feito pela Secção do Partido Socialista de Arcos de Valdevez, em 2004, acerca do PIDDAC de 2005 de autoria do último do governo PSD. Estamos em 2006, este é o segundo Orçamento de Estado elaborado pelo governo Sócrates. Pelo segundo ano consecutivo o distrito de Viana do Castelo volta a figurar em último lugar no Plano de Investimento e Desenvolvimento da Administração Central. Pelo distrito ser governado na sua maioria por executivos municipais socialistas, esperávamos outra realidade. Será que iremos ter por parte destes uma posição consistente como a que vimos no passado? Ou a situação orçamental do país serve de desculpa também para este caso?

Mas as más notícias não se ficaram por aí. No dia seguinte, o Ministro das Obras Públicas anunciava a colocação de portagens na A28, entre Viana do Castelo e o Porto. Sem alternativas pois a N13 de nacional apenas tem o nome. Os alto-minhotos vêem-se, assim, na contingência de ou optarem pelas portagens ou voltarem às estradas construídas no tempo de Salazar. Realmente, com o acesso até Vigo sem portagens é caso para perguntar, como o fez este jornal no último número, será que somos espanhóis?

Cartões municipais

O Presidente da Câmara de Ponte de Lima anunciou a criação de um "cartão família". Uma boa iniciativa que proporcionará às famílias limianas, especialmente às mais carenciadas, descontos e bónus em vários serviços municipais. Numa época em que as famílias são tão mal tratadas, esta medida tem, também, uma simbologia contra corrente. Um indicador bastante positivo.

Sensibilizado o edil, espera-se que o concelho de Ponte de Lima veja esta iniciativa alargada, por exemplo, aos jovens com a criação do tão esperado "cartão municipal da juventude". Esperemos que o facto de ter sido uma proposta feita por uma juventude partidária doutro partido, a JSD, não inviabilize a existência de tal cartão.

Cinema

O cinema do Centro Comercial Rio Lima marcou uma geração. Foi lá que pudemos assistir a muitos filmes que marcaram as nossas vidas. Infelizmente, já assim não é. Agora ninguém quer esperar e as novidades cinematográficas estão à distância de 15/20 minutos em Braga ou Viana.

Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA, realizou um filme sobre as transformações climatéricas a que todos nós temos assistido. Com o título Uma verdade inconveniente este é, sem dúvida, um filme a não perder. Se descontarmos alguns, poucos, pontos sobre a política interna americana, estamos perante um filme que nos faz pensar na realidade ambiental e a nossa responsabilidade no equilíbrio ecológico do planeta.

Uma proposta: porque não o pelouro do ambiente da Câmara Municipal aproveitar a sala do cinema Rio Lima e organizar uma sessão para os alunos das escolas limianas? Digamos que poderia ser encarada como uma acção pedagógica com o intuito de lançar as bases para uma nova atitude ambiental nos jovens limianos.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Alto Minho artigo de 16-10-2006

Desemprego não pára de crescer em Ponte de Lima

A taxa de variação mensal do desemprego registada entre Julho e Agosto, tornada pública pelo Observatório do Desemprego no Minho, volta a crescer em Ponte de Lima.

Embora com tendência a abrandar, o concelho limiano é o único no Minho em que se verifica um constante crescimento, desde Abril deste ano, da taxa de variação mensal do desemprego. Este é o resultado da má política económica que o município tem desenvolvido, na última década, em Ponte de Lima.

O senhor Presidente da Câmara, nas últimas semanas, aproveitando a onda de contestação dos municípios portugueses contra o governo, gabou-se da saúde financeira da Câmara limiana. Infelizmente, muitos limianos não podem fazer o mesmo relativamente à sua situação financeira por enfrentarem a dificuldade do desemprego. Estando a situação financeira do município, e bem, em tão bom estado, seria previsível um desafogar das contribuições dos munícipes. Baixou, é certo, o Imposto Municipal sobre Imóveis, mas será suficiente? Estará em curso a introdução/aumento de outras taxas e impostos? O futuro o dirá.

O autismo, por parte do executivo, em apostar em soluções milagrosas não produziu os melhores resultados na economia limiana. Infelizmente, os parques industriais, já com alguns anos, continuam praticamente vazios, apesar da sua localização favorável. As parcerias com pólos tecnológicos e de educação são quase nulas. E a Universidade do Minho aqui tão perto… Ponte de Lima tem tudo para se tornar numa referência económica na região. Mas, então, o que falta para o ser? Talvez o arrojo que o executivo Campelo perdeu há muito.

40 Km/h

Gaspar Martins, o vereador do Trânsito, dizia, em Maio, à Rádio Renascença, que a medida de redução do limite de velocidade nas estradas municipais limianas para 40 Km/h visava refrear o ímpeto dos aceleras. A entrada em vigor deveria ser antes da chegada dos emigrantes, porque, segundo o vereador, é na altura em que estes visitam a sua terra natal que normalmente se registam mais acidentes. Estamos em Outubro. Há muito que os emigrantes voltaram para os países de acolhimento. A medida está em vigor há dois meses. É tempo de divulgar os resultados.

Os limianos gostariam de saber qual o impacto dessa medida na sinistralidade rodoviária do concelho. Não abstractamente, mas objectivamente, que significado teve na prevenção rodoviária baixar em 10 Km/h o limite de velocidade?

Actividades extracurriculares

O vereador do PSD, Manuel Trigueiro, pediu um esclarecimento ao executivo municipal sobre as actividades extracurriculares no primeiro ciclo do ensino básico. Bastante pertinente esta interpelação, porque, em alguns estabelecimentos de ensino, por motivos ainda desconhecidos, essas actividades aparecem primeiro que as actividades lectivas. É o caso das actividades de Educação Física que dão origem, em algumas escolas, a que as crianças permaneçam durante as actividades lectivas sem a possibilidade de tomarem um banho ou mudarem de roupa. Os pais e os professores estão preocupados e com razão. Com que disposição estarão as crianças para aprender após essas actividades? Realmente não parece que haja muita.

Por vezes, esquece-se a real componente da escola. Será que quem formulou esses horários pretendia colocar as actividades lectivas nos intervalos das extracurriculares? Se não foi assim, parece.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Alto Minho artigo de 09-10-2006

Novo desafio

Gueto tem uma conotação de segregação, marginalização, isolamento. Imagino que o vereador da cultura ao afirmar, em entrevista à rádio “Ondas do Lima”, que sempre existiram guetos nas Feiras Novas, “…o dos feirantes, o das farturas, o dos divertimentos…”, não queria realmente dizer o que disse, pois não? As Feiras Novas querem-se amplas, integradoras, abertas, onde as bandas de música convivem com as concertinas, onde os mais velhos se divertem com os mais novos.

Aproveitando a referência ao vereador da cultura, agora que o seu mandato faz um ano, talvez não fosse má ideia dizer o seguinte. Este verão, no tocante à animação, foi realmente diferente dos anteriores. O pelouro responsável parece ter continuado o longo despertar que iniciou no ano passado. É certo que em 2005 a aposta de verão foi bem melhor, Xutos são Xutos, mas este ano houve realmente um esforço para que existisse uma programação de animação. Não foi a melhor e pecou pela falta de originalidade, na minha opinião não obteve os resultados esperados, mas fez-se algo. Foi um pouco precipitado realizar quase todas as actividades no espaço rebaptizado de EXPOLIMA. Este espaço ainda não reunia/reúne as condições necessárias. O festival de verão foi disso exemplo. A falta de protecção acústica, por exemplo, é uma falha condenável, já para não falar das paupérrimas instalações sanitárias ou do espaço envolvente. Mas há aqui algo que me parece positivo, que poderá ser aproveitado num futuro bastante próximo. Talvez esteja aqui a gene para transformar a EXPOLIMA num autêntico espaço de divertimento com algumas semelhanças com as Docas de Lisboa, o Cais de Gaia ou o conceito da Marina de Viana do Castelo.

Haja coragem política e a zona de S. João poderá transformar-se numa referência que dispensa festivais de verão “enlatados”. Aí sim, as Feiras Novas, Ponte de Lima e o norte de Portugal ganharão um novo espaço de diversão de qualidade.

Pano de Boca

O Teatro Diogo Bernardes comemorou os 110 anos da sua fundação. Nessa comemoração inaugurou-se o novo Pano de Boca. Parecido com o anterior, de autoria de Eduardo Reis (obrigado José Sousa Vieira), tem um pormenor interessante, a roupa a secar no areal. Um pormenor da vida limiana ao qual eu ainda assisti, mas que a geração agora com dezoito anos dificilmente lembrará. Fruto do desenvolvimento, máquinas de lavar e água canalizada, eco da melhoria das condições de vida.

Mas a pintura do novo Pano de Boca reflecte também como tem sido mal tratado o nosso areal. O automóvel tomou conta de todo o espaço e o areal de areia já quase não existe.

Sem ilhas, sem grandes gastos, é tempo de olhar para este espaço de outra maneira. Sendo que é um importante e estratégico local de estacionamento, não pode, no entanto, ser ocupado na íntegra por este. A limitação da lotação com a divisão do areal em dois parece ser sensata. Num dos lados continuar-se-ia a permitir o estacionamento gratuito dos automóveis, de fora ficariam os pesados, no outro criar-se-ia um local aprazível de ligação da vila com o rio. Propostas de leigos como eu há muitas, eu sei, o importante é encontrar soluções de técnicos que optem por uma que não deixe morrer o areal limiano. O importante é que o poder político tenha a sensibilidade necessária para devolver o areal às pessoas.