terça-feira, janeiro 30, 2007

Alto Minho artigo 30-01-2007

As "guerras" centristas

O limiano Abel Baptista volta a candidatar-se à distrital de Viana do Castelo do CDS-PP. As eleições, que, ao que parece, já se deveriam ter realizado, serão muito em breve. Baptista é da linha de Nuno Melo, ou seja, do grupo afecto a Paulo Portas, crítico da liderança de Ribeiro e Castro. Daniel Campelo foi afastado do partido por Paulo Portas, ainda nos lembramos da sua candidatura à Câmara Municipal de Ponte de Lima como independente, sendo actualmente afecto a Ribeiro e Castro.

A luta pela liderança distrital do CDS-PP poderá ser bastante interessante e talvez indicativa do futuro político destes dois protagonistas em Ponte de Lima.

Deixará Ribeiro e Castro que a única distrital detentora de uma câmara municipal esteja posicionada com a sua oposição interna? Será Campelo "obrigado" a tomar a iniciativa de candidatar-se para segurar a distrital alto-minhota para Ribeiro e Castro? Talvez o aceno com um lugar de deputado europeu seja motivador. É que o actual mandato não está a correr de feição. O cansaço é cada vez mais visível e o rumo há muito que foi perdido, a economia limiana bateu no fundo, os comerciantes definham, os jovens não têm emprego, o centro histórico é cada vez mais um cadáver, as novas taxas e tarifas penalizam essencialmente aqueles que mais precisam, e uma saída airosa era sempre bem vinda.

Já para Abel Baptista manter a distrital é essencial aos seus objectivos políticos. É um tiro no escuro, mas tudo aponta que a actual liderança nacional não irá aquecer o lugar por muito mais tempo. Mas se esse não for o caso e ficar mais algum tempo, rapidamente poderá inverter a posição inicialmente tomada, até porque a liderança de Ribeiro e Castro precisa de apoios como de pão para a boca.

On-line

Na reunião do executivo municipal de há quinze dias a oposição, no período antes da ordem do dia, abordou dois assuntos já algumas vezes tratados neste espaço. O vereador do PS, Jorge Silva, questionou o executivo sobre a aplicação de acesso wireless à Internet no centro histórico; o vereador do PSD, Manuel Trigueiro, pediu que as actas das reuniões do executivo estejam disponibilizadas on-line.

Esperemos que o executivo esteja receptivo a estas propostas, a primeira das quais já começa a ser uma realidade em várias localidades e é uma forma de chamar gente ao centro histórico e aos jardins, porque não. A segunda proposta é básica numa democracia participativa e numa altura em que as possibilidades tecnológicas o permitem.

Infelizmente, a Câmara limiana parece arredada do pelotão das que já abraçaram as potencialidades das novas tecnologias, pondo-as ao serviço do cidadão. Mas esse é só o início do problema, os nossos representantes não parecem querer reagir. O executivo municipal parece cansado, funciona de forma lenta, não reage, perdeu o folgo de outros tempos.

Já agora, seria bom que a juntar às actas das reuniões do Executivo Municipal se actualizassem as que se encontram no espaço da Assembleia Municipal, é que as que estão lá, apenas duas, são de 2002... Cinco anos depois lá continuam como marco daquilo que poderia ter sido mas não foi. Que dizer?

terça-feira, janeiro 23, 2007

Alto Minho artigo 23-01-2007

Um Domingo de passeio

Já várias vezes tinha ouvido falar nas papas de sarrabulho de Ponte de Lima. O Vieira, que é de lá, é que diz que não são papas de sarrabulho, essas são de Braga, de Ponte de Lima é o Arroz de Sarrabulho. Para mim era tudo igual, mas, como um dia li no JN que haviam criado uma confraria, o referido arroz deveria ser coisa boa!

No domingo, logo a seguir aos anos da minha sogra, utilizando esse pretexto, levei a família ao “arroz”. Preferi apanhar a A28, aproveitando ainda não se pagar portagens, e, uma horita depois, estava a estacionar junto da "ponte romana". Os miúdos pareciam ter combinado com a minha sogra e queixavam-se de que já não aguentavam mais, que tinham que ir à casa de banho. A minha sorte é que a ponte estava mesmo ali e, por baixo daquelas pedras milenares, a família lá se aliviou. Satisfeito, olhei em redor e verifiquei que perto se encontrava um magote de gente, mesmo em frente a um restaurante. Que sorte! Se havia assim tanta gente é porque seria bom. Três horas depois estávamos a sentar-nos. Já ninguém aturava os miúdos e a minha sogra bocejava algo imperceptível, mas que certamente teria a ver com o falecido, o meu sogro. Encomendado o repasto e respectivo acompanhamento líquido, esperámos um pouco. Aproveitámos para fazer planos para o resto do dia, mas eis que chegam as travessas. Tantos rojões e tanto arroz - vou pagar e já sei que não vou comer!

Sinceramente não encontrei nenhuma diferença relativamente às papas de Braga, ai se o Vieira me ouve… Duas horas depois já me custava levantar, agora sei qual a sensação dos crocodilos, que vejo na televisão aos domingos de manhã, depois de comerem. Propus ainda uma visita aos tão afamados jardins. Atravessámos a ponte, afinal a romana é só depois da igreja junto a um bairro com as casas a cair (não é só lá na terra que as há), e voltámos a perguntar onde ficavam os ditos jardins. Que tínhamos que descer pela escada de ferro e andar aí uns quinhentos metros. Depois de mais uns comentários da sogra, decidimos dividir o grupo. O mais velho ia comigo aos jardins e a mulher, a sogra e a pequenina iam indo para o carro. O passeio junto ao rio é bom, mas não se compara com o cais de Gaia onde geralmente passámos as tardes de domingo, quando não vamos para o shopping. Confesso que me custou percorrer os tais quatrocentos ou quinhentos metros, mas os jardins são interessantes. Foi pena a mulher não os ter visto, talvez pudesse tirar alguma ideia para a marquise...

Chegados de novo à ponte, comprámos umas castanhas e algodão doce. O frio já se fazia sentir e o sol era já uma miragem que se ponha por detrás de umas bombas de gasolina. Antes de partir, avisei logo que tínhamos que chegar a tempo de ver o Benfica pelo que iríamos pela auto-estrada. Nunca pensei que numa cidadezinha como esta custasse tanto chegar à portagem, eram só autocarros, muitos de lá da terra, a fazer com que o trânsito engarrafasse.

O passeio valeu a pena. Não pela qualidade do arroz, que, ao contrário do que diz o Vieira, não me pareceu muito diferente das papas de sarrabulho, mas pela quantidade. É que nos fartámos de comer e ainda sobrou tanto… Bem sei que esperámos, mas ao que comemos não pagámos muito.

Não me parece que voltaremos lá tão cedo. A sogra fartou-se de criticar (que se esperou, que é longe, que...) e os miúdos dizem que mais vale ir para Gaia, sempre têm o McDonalds.

(Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência)

terça-feira, janeiro 16, 2007

Alto Minho artigo 16-01-2007

Só vemos o que queremos
Realmente há uma tendência em algumas pessoas para apenas quererem ver até ao seu umbigo. Perguntei neste espaço, na sequência da mensagem natalícia do Presidente da Câmara, se a Autarquia limiana tinha comparticipado na recuperação do Lar Dona Maria Pia, isto por achar natural, dada a natureza e finalidade daquele edifício, que o tivesse feito.

A resposta, como sempre, não chegou, mas as reacções, essas sim, fizeram-se ouvir. Infelizmente, alguns ainda se regem por algum complexo nada coerente com a idade que aparentam. Parece-me que há a obrigação do Estado (Administração central e, mais ainda, a local por se dizer mais próxima dos cidadãos) proteger os mais desfavorecidos dos seus cidadãos e, quando não o poder fazer directamente, promover as iniciativas de quem lhe toma o lugar nessa tarefa. É aqui que o assunto parece incomodar alguns. Estes dizem que o Estado só deve apoiar aqueles que o necessitem (certo), pelo que entendem que a Autarquia, no caso do Lar Dona Maria Pia, procedeu bem em não ajudar a Santa da Misericórdia de Ponte de Lima por esta ser detentora de muitos bens, isto é, por ser, digamos, “rica” (errado).

Chegamos à fase de explicar, face ao que parece ser o pouco alcance da visão de alguns, uns pontozinhos. O Lar não é para os "irmãos" da Santa Casa passarem lá temporadas, não é nenhum spa, hotel de charme ou sequer pensão explorada pela "instituição de solidariedade social". O Lar Dona Maria Pia destina-se a utentes femininos que, e não é por acaso, são entregues pelo próprio Estado ao cuidado da "instituição".

Já agora, se o Estado deve ajudar alguém não deverá ser àqueles que ao gerir bem o seu património provaram que saberão gerir o de todos nós (Estado)? É por isso estranho que, no caso concreto da Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, a Câmara Municipal só se lembre desta para putativas localizações para outra não menos putativa deslocação da Adega Cooperativa de Ponte de Lima.


É cultura...
As questões culturais e a sua programação são sempre tema para discussão. O gosto de uns não é o de outros, como se sabe. Cabe, no entanto, aos responsáveis pelas agendas culturais "dar" ao público o que este quer e não o que ele, enquanto responsável, considera que o público deveria querer. Nesta altura já alguns dizem, "cabe ao Estado educar os seus cidadãos...", isto, claro, seguido de uns vitupérios a mim dirigidos.

Pois bem, Nuno Soares, director da Casa das Artes do vizinho concelho de Arcos de Valdevez, é um exemplo reconhecido no campo da programação cultural no Alto Minho. Numa vila do interior do distrito, este responsável foi capaz de criar público em áreas culturais que pareciam quase aberrações para a região. O festival de cinema "Fantas" é um exemplo disso mesmo. Mas a actividade cultural de excelência neste concelho não se fica por aí, já se deixou há muito de se poder contar pelos dedos das mãos as exposições, actuações, etc, que, a juntar às grandes cidades do país, Lisboa, Porto, Coimbra, escolheram também a vila alto-minhota dos Arcos de Valdevez como palco.

Em Ponte de Lima podemos continuar a dizer, como o Presidente da Câmara recorrentemente o faz, que a programação cultural é das melhores, o público é que não percebe, que adere apenas pontualmente a algumas iniciativas, mantendo o nosso autismo cultural, ou então seguimos exemplos como o citado, apostando na qualidade, certamente, mas sempre de encontro ao próprio público.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Alto Minho artigo 12-01-2007

Navio Almirante

Nas grandes armadas antigas a liderança das mesmas estava a cargo do chamado Navio Almirante. Era ele o impulsionador de toda a frota, desde o rumo, até à liderança, todo o processo estratégico passava por ele.

No nosso distrito, o Navio Almirante está ferido. Viana do Castelo parece definhar, sem um rumo, sem liderança, sem estratégia e até parece querer que a restante armada siga o seu rumo suicidário. Ao invés de marcar um rumo, teima na política do orgulhosamente só. O resto do distrito, pelo contrário, vai caminhando. É certo que sem uma estratégia de unidade, mas com algum sentido. Braga começa a ser um forte atractivo e para concelhos como Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Ponte de Lima é cada vez mais evidente a vantagem de uma associação a um pólo que emana real atractividade em sectores como o emprego, formação e qualidade de vida. O Eixo Braga-Guimarães-Barcelos é cada vez mais uma referência na nova economia das tecnologias da informação. E o nosso distrito? Parece que se satisfaz em fazer parte das zonas economicamente deprimidas, onde quem devia liderar se omite de o fazer. Todos os seis meses se fala na urgência da unificação do distrito e todos os seis meses se encontram novas desculpas para o não fazer. Urgências, postos das forças de segurança, etc, vão fechando um pouco por todo o distrito e mais uma vez não se ouve a voz deste, antes a voz isolada de alguns autarcas. Viana do Castelo já não tem visão para além do umbigo, que é o mesmo que dizer para além da Polis. Nós, os do Pagos, já não somos merecedores da sua atenção, assim resta-nos ser indiferentes aos seus problemas (já se ouve, “a ponte Eiffel continua fechada? Azar a dos vianenses…”) e encontrar outra liderança. Ponte de Lima tem um papel fundamental em não deixar o distrito afundar. Se Viana do Castelo não reassumir a sua obrigação, há que pensar seriamente em reformular prioridades nem que para isso seja necessário alterar o paradigma vigente. A verdade é que a falta de uma liderança no distrito tem sido causadora da inexistência de políticas comuns e de estratégicas em áreas fundamentais como a captação de investimentos ou a criação de valências.

Cartões municipais

Estou certo que a intenção é boa, criar cartões municipais para os munícipes usufruírem de vantagens em serviços municipais e não só. É, no entanto, um desperdício de recursos. Geralmente estes cartões destinam-se a camadas etárias específicas, nomeadamente para jovens ou para idosos. A nível nacional, já existem cartões semelhantes, como é o caso do Cartão-Jovem destinado às camadas jovens. Assim sendo, não faz sentido criar um novo cartão, quando já existe um com uma abrangência incomparavelmente maior. O que faz sentido é ampliar, a nível concelhio, os serviços onde as vantagens inerentes a esses cartões possam ser aplicadas. Sem duplicação de custos, o resultado é o mesmo que o pretendido inicialmente.

Já agora, se o objectivo é uma descriminação positiva para os habitantes do concelho, há sempre a hipótese de acrescentar o Bilhete de Identidade na identificação para a obtenção de um desconto específico.

Sugestão de leitura

No começo deste novo ano deixo uma sugestão de leitura, "Limianas" de António Ferreira, um livro de poesias. O meu exemplar é uma 2ª edição de 1949 que contem umas notas explicativas deliciosas, onde o autor canta de uma forma magistral a Ribeira-Lima. Se não o possuem, procurem-no na Biblioteca Municipal pois vale a pena ler ou reler.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Alto Minho artigo 05-01-2007

O melhor de 2006

Uma das figuras que mais se destacou, no ano transacto, no campo da política foi Abel Batista, Presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, Deputado e líder distrital do CDS-PP. Batista conseguiu afirmar-se, saindo da sombra de Campelo, e tem sido uma das vozes mais activas da região em Lisboa. As urgências, a PSP... Está claramente, e pacientemente, a preparar a sua candidatura à Câmara Municipal nas próximas eleições autárquicas.
O PSD e o PS limiano merecem também uma menção. O PSD, ainda que mais recentemente, conseguiu ultrapassar a pesada derrota eleitoral e está, neste momento, a reestruturar-se internamente. Mudou de liderança, Barreto sucedeu a Trigueiro, e já se afirma na Assembleia Municipal. No Partido Socialista, Montenegro Fiúza saiu e a liderança passou para Jorge Silva que, num estilo muito próprio, mais "low profile" relativamente à liderança de Fiúza, tem mantido a intervenção a um nível inédito no PS limiano.
No desporto, o destaque vai para Nuno Barros. Atleta limiano de canoagem, no passado ano ganhou, consecutivamente, provas nacionais e internacionais envergando quer a camisola do clube de Ponte de Lima, quer a da selecção nacional. O outro destaque vai inevitavelmente para a Associação Desportiva "Os Limianos" que, no final da última época, venceu tudo o que havia para vencer. É aqui que entra também o seu presidente, Adelino Tito de Morais, que, liderando uma equipa coesa, conseguiu vencer o próprio destino a que os "Os Limianos" pareciam estar fadados, a sua extinção.
No campo cultural, o destaque vai para o apoio editorial do município. Realmente, se há algo em que o pelouro da cultura se tem esmerado, é no campo da edição de livros. Desde, por exemplo, Teófilo Carneiro - "Poesias e outros dispersos", até José Ernesto Costa - "Crónicas de um outro tempo", vários foram os livros que o município apoiou na sua edição. De realçar também David Peres que mantém a sua galeria de arte contra todas as expectativas negativas que não lhe auguravam muito tempo de existência. Quase só o facto de existir e de ser privado faz manter um nível cultural que por vezes parece arredado de Ponte de Lima.
No âmbito da dita sociedade civil é incontornável o relevo para a mobilização de centenas de pessoas por todo o concelho para as actividades de "Um dia pela Vida". Assim ficou provado que os limianos são solidários e activos, precisam é de causas.

Os votos de Natal

São sempre interessantes os votos de Natal dos vários responsáveis de cargos públicos, de responsáveis da dita sociedade civil e de responsáveis religiosos. A Rádio Ondas do Lima foi porta-voz de muitas dessas mensagens de líderes locais e regionais.
O Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, na sua mensagem apelou à solidariedade e ao contributo de todos para uma sociedade mais solidária. Esse apelo levou-me a pensar no lar D. Maria Pia, lar para raparigas desfavorecidas, pertença actual da Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, que presta um serviço essencial para a vida de tantas utentes e que recentemente viu o seu histórico edifício ser alvo de uma remodelação profunda. O serviço à comunidade prestado nesta casa é inegavelmente importante, um serviço que, aliás, deveria ser prestado pelo Estado. Resta uma dúvida. Qual foi a comparticipação da autarquia na recuperação do dito edifício? Não será esta merecedora da solidariedade do município?