sexta-feira, novembro 30, 2007

Alto Minho artigo de 30-11-2007

Zonas de reabilitação urbana

Foi uma notícia que parece ter passado despercebida a muitos. Segundo o Diário Económico as Câmaras Municipais que não definirem as zonas de reabilitação urbana perderão o direito aos benefícios fiscais previstos no Orçamento do Estado para 2008. Com essa possível omissão, o que fica em causa são benefícios como a redução do IVA de 21% para 5% para as obras de reparação e requalificação do prédio e a cobrança de menos de 10% de IRC ou de IRS, consoante o caso, ao senhorio, isenção de IMI durante cinco anos para quem recuperar prédios naquelas zonas ou o aumento em 10% no subsídio mensal de apoio ao arrendamento jovem para aqueles que concorram a casas situadas nas tais zonas de reabilitação urbana.

Em Ponte de Lima já foram definidas essas zonas? Quais são? Os limianos também terão direito aos benefícios fiscais?

Entrevista

Um dos mais conhecidos comerciantes de Ponte de Lima, Aníbal Amorim, deu uma entrevista ao jornal Alto Minho no mínimo polémica. A Associação Empresarial de Ponte de Lima (AEPL) e a sua direcção foram as visadas. Para este comerciante o comércio tradicional não pode contar com a associação que supostamente os representa e propõe a criação de um condomínio do centro histórico. Algumas acusações foram feitas, às quais o presidente da AEPL respondeu no último número deste semanário. Mas a sua posição parece cada vez menos defensável como se podia ler pelos comentários de outros comerciantes do centro histórico.

O comércio tradicional sente-se abandonado pelo poder político e pela associação que supostamente os representa. Só não percebo uma coisa, para que servem as eleições?

Ausência

Desde o inicio da década de noventa que a Biblioteca Municipal tem sido dirigida por Isabel Costa. Esta tem sido um exemplo na área da biblioteconomia, ou, se quiserem, da ciência da informação, no distrito. Esteve envolvida em vários projectos como o da rede de bibliotecas escolares e mesmo na implementação de bibliotecas municipais no Alto Minho. Teve, também, um papel importante no que concerne à formação de profissionais da área quer na EPRAMI quer na Universidade Católica em Braga.

Em Ponte de Lima, para além da biblioteca inovou ao introduzir outro tipo de actividades culturais. A feira do livro de Ponte de Lima é um exemplo que marcou o panorama cultural limiano, funcionando, inclusive, como exemplo para outros concelhos.

Por estes e muitos outros motivos surpreende-me que a Biblioteca Municipal deixe de a ter como directora. Lamentamos esta notícia, agradecemos-lhe todo o empenho que dedicou a Ponte de Lima nestas quase duas décadas.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Alto Minho artigo de 23-11-2007

Passagem silenciosa

A semana que passou foi rica em visitas e eventos. O Primeiro Ministro passou pelo distrito para anunciar um novo e primordial investimento. Aproveitou também para fazer politica partidária em mais um momento de “spin” político já tão habitual neste governo. Já na véspera do fim-de-semana, o líder do principal partido da oposição, Luís Filipe Menezes, passou por Viana do Castelo vindo de Braga. Mantendo a tradição partidária, chegou com horas de atraso. No mesmo dia, mas em Ponte de Lima, o responsável autárquico do CDS-PP, Hélder Amaral, reunia-se com os autarcas do partido. Abel Baptista uma vez mais em operação charme para com os Presidentes de Junta. As eleições não se preparam em dois dias… Já no sábado, os socialistas alto-minhotos reuniram-se em Ponte de Lima para discutir o Orçamento de Estado para 2008. Embora aberto a simpatizantes, pela actual situação que parece viver-se dentro do Partido Socialista, não deve ter suscitado grande debate.

O melhor de sábado foi a iniciativa do Lions Club de Ponte de Lima. Aproveitando a comemoração do nonagésimo aniversário da morte do poeta António Feijó, organizou uma homenagem para celebrar a vida e a obra deste Grande Limiano. Com a presença sábia do padre Manuel Dias e algumas explicações introdutórias e contextualizadoras de Adelino Tito de Morais os presentes puderam viajar através da vida de António Feijó e família. A filha de Feijó, já no final da sua vida, foi perdendo a visão e à sua morte deixou um legado para os invisuais. Aproveitando o mote, o Lions Club de Ponte de Lima deu conhecimento de uma iniciativa que irá levar a cabo, recolha de óculos usados para reciclagem. Por vezes desvalorizamos a acção destes clubes, os rotários são outro exemplo, por desconhecimento das suas acções. Mas desde a dádiva, localmente, dos seus dirigentes até à rede internacional de ajuda, muito trabalho é feito em prol dos que mais necessitam.

Leitura

Franklim Fernandes, não confundir com o vereador da cultura que é Sousa, publicou o seu primeiro livro. “Nos confins do tempo” é um livro despretensioso que nos traz estórias da história colectiva que o autor viveu. Outros tempos que por vezes pouco divergem dos actuais. Deixo um exemplo; “Mas o melhor da Assembleia é o pessoal das votações. É assim como a formiga obreira. A sua função é votar, tal como as antigas carpideiras era chorar nos funerais. Não sabiam porque choravam, mas tinham que chorar que era para isso que lá estavam…”.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Alto Minho artigo de 16-11-2007

Protecção civil

Há dias em que é difícil compreender certos acontecimentos. Nestes últimos tempos, o Alto Minho, mais concretamente Ponte de Lima, tem assistido a um ataque concertado, penso que podemos chamar-lhe assim. Os incêndios deflagram pelo fim da tarde, quando não já noite dentro, em vários sítios ao mesmo tempo. No passado domingo, no início da tarde, deflagraram vários incêndios em Ponte de Lima em diferentes locais e ao mesmo tempo. O que se pode retirar daqui é que o ataque é intencional e planeado.

É urgente avaliar a capacidade do material de combate a incêndios existente no concelho bem como a capacidade humana. Talvez seja o momento de pensar em bombeiros profissionais com um complemento de voluntários.

Com a recente lei que organiza os serviços municipais e que determina a criação e as competências do comandante operacional municipal, os planos municipais de emergência em vigor devem ser actualizados. Surge a oportunidade para se proceder à mudança do paradigma no nosso concelho no que concerne, por exemplo, à prevenção e resposta a incêndios. Já agora é conveniente que os munícipes sejam informados sobre o novo plano municipal de emergência. Qual é? Como funciona? Qual o papel de quem…

Humanidade

Há dias, ao passar na ponte velha, ouvi uma pessoa a reclamar, a propósito do projecto “Ponte de Lima Terra Rica da Humanidade”, que a Câmara Municipal só tem humanidade para os de fora de Ponte de Lima.

Nesse mesmo dia ouvia-se na comunicação social que a Câmara Municipal tinha lançado o repto a um conjunto de instituições do concelho para a criação da chamada “Horta Sénior”. Pretende esta ocupar o tempo livre dos seniores, ou idosos, num ambiente externo e saudável. O local escolhido para essa ocupação dos tempos livres é a inevitável Quinta de Pentieiros.

Daniel Campelo já várias vezes afirmou publicamente que gostaria, quando saísse da presidência da Câmara, ter tempo para plantar uma horta. Ora aqui está o contributo do seu pelouro do Ambiente. Vítor Mendes, um dos apontados a possível sucessor de Campelo, preocupado com o futuro do líder prepara o terreno para a sua saída criando desde já a “Horta Sénior”. Campelo poderá finalmente, sem grandes preocupações, concretizar o seu desejo. Falta saber se será já daqui a dois anos ou se pretende candidatar-se a mais quatro anos. Digam lá se não existe humanidade no executivo municipal?

sexta-feira, novembro 09, 2007

Alto Minho artigo 09-11-2007

A liderança do PSD de Ponte de Lima convocou eleições antecipadas. Com mandato até finais de 2008, prefere antecipar as eleições um ano. Alguns analistas previam, no princípio de Setembro, que a liderança de João Barreto estaria com os dias contados por causa das eleições para o líder nacional. Enganaram-se nas razões.

João Barreto demonstrou desapego ao poder, demonstrou que se pode fazer política sem ter como único pensamento a manutenção do poder interno. Faltando 2 anos para as eleições autárquicas, o PSD encontra nesta antecipação uma oportunidade.

Renovar ou não a liderança? Passar a página ou não? Eis o que o PSD de Ponte de Lima irá decidir em breve.

O PSD não é no nosso concelho mais um partido na oposição. No passado pré-Campelo, teve um papel inegavelmente importante na gestão do concelho. Tinha um plano, um projecto que foi conseguindo que os executivos CDS seguissem. Nunca ganhou uma eleição autárquica, é certo, mas esteve lá perto pelo que assumiu um papel importante na gestão política de Ponte de Lima. Nos últimos anos tem vindo a afastar-se desse papel. Fruto do fenómeno Campelo, é verdade, mas também das estratégias erradas que teimou seguir.

O principal erro foi o das lideranças se virarem apenas para dentro do partido. Com este autismo foi perdendo influência na sociedade dita civil, nos pequenos comerciantes, nos funcionários públicos, nos agricultores, nas profissões liberais, etc. É exactamente por aqui que o PSD de Ponte de Lima deve começar. Renovar-se e abrir-se à sociedade. Construir um projecto, com tempo, não interno, mas para o concelho. Um plano económico, de desenvolvimento concelhio que Ponte de Lima tanto precisa. Olhar para os problemas concretos dos jovens, dos comerciantes, um plano que impulsione o empreendedorismo. É disso que o PSD precisa para voltar a ganhar credibilidade na sociedade limiana.

O PSD aproxima-se de uma decisão crucial, ou renova, aplica-se e se abre ao exterior ou irá, lentamente, continuar nesta agonia onde parece ter caído.

Acreditem que de nada vale ter muitos votos internamente quando estes não se reflectem nos que contam, nos das eleições para os órgãos autárquicos, esses sim, que regem a vida dos limianos, que regem Ponte de Lima.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Alto Minho artigo 02-11-2007

O que vale o nosso distrito?

Raras são as vezes em que um governante dá a “honra” da sua visita ao nosso distrito. Depois do governo PS ter, pelo terceiro ano, colocado o distrito de Viana do Castelo no fim do PIDDAC, o mau estar deveria instalar-se nos líderes distritais. A verdade é que quase nada se ouviu a este respeito a não ser, por exemplo, um dos dois “grandes” líderes do PS local, o presidente da Câmara Municipal de Melgaço. Rui Solheiro que afirmou que o PIDDAC deveria ser extinto, que já nada valia… Será por o seu concelho não ter sido contemplado nem com um cêntimo? Rica explicação/justificação…

No entanto parece ter bastado para que os governantes se desmultiplicassem em visitas ao nosso distrito. O que já não é mau, é verdade. Eles vêm, prometem e garantem muitas obras, ainda em projecto, claro. Algumas delas, suspeito, que em projecto de projecto. Mas os nossos líderes parecem gostar.

Quando não há nada para dizer…

Por falar em esquecimento, o vereador da oposição, Manuel Trigueiro, alertou para o esquecimento a que as suas perguntas sobre as zonas industriais limianas parecem ter caído. Até ao momento ainda não obteve qualquer resposta.

Não parece que haja algo a estranhar. Que pode a Câmara dizer sobre o assunto se nada há a dizer. Bem, talvez que o mato que lá cresce poderá ser utilizado como biocombustível, quem sabe.

A verdade é que Ponte de Lima continua a “marcar passo”. Os concelhos vizinhos, Arcos de Valdevez, por exemplo, vão aumentando o número de zonas industriais à medida que as anteriores são ocupadas, em Ponte de Lima continuamos com duas zonas industriais apenas parcialmente ocupadas e aparentemente sem solução à vista.

Talvez fosse tempo de criar um verdadeiro gabinete, a tempo inteiro, de promoção e captação de investimento. Não se percebe como este assunto é apenas tratado por um vereador a meio tempo. A estratégia deveria ser outra, mas isso…