sexta-feira, junho 29, 2007

Alto Minho artigo de 29-06-2007

É recorrente ouvir o Presidente da Câmara de Ponte de Lima, bem como alguns dos seus vereadores, afirmar que as suas acções falam por eles, enquanto os outros, os que criticam, claro, são só conversa. Dando mais ênfase, diria que não têm pejo em usar o ditado “palavras leva-as o vento”. Não sei se as referidas acções serão a IKEA, a fábrica de sapatos de Fornelos, ou a COBRA? Exemplos dessa acção não faltam…

Outro dos “argumentos” é o do mau limianismo dos que criticam o Executivo Municipal. Não sei se com o leitor acontece o mesmo, mas tais acções e tais argumentos reporta-me a França. Será que o executivo se pensa o rei sol francês que dizia “je sui le état et le état c’est moi” (eu sou o estado e o estado sou eu)? Todos sabemos onde isso levou… O poder por vezes faz perder a cabeça.

Estes são os argumentos constantemente usados pelo Executivo Municipal. Ao invés de acarinhar e tirar algumas ilações, tenta desacreditar. É o que ainda hoje acontece, veja-se a sua reacção relativamente ao recente trabalho levado a cabo pela Assembleia de Freguesia de Ponte de Lima sobre a situação do comércio local. O trabalho, não sendo, nem pretendendo ser, científico, coloca o dedo na ferida e levanta alguns problemas que se ouvem um pouco por todo o comércio limiano. Mas o trabalho não fica pela observação, faz também propostas. Neste campo e, por exemplo, no que concerne às Feiras Novas, o trabalho acha desvantajoso o prolongamento dos vendedores ambulantes além do período das festas. Este é um problema com uma origem simples, a opção política de licenciar ou não estes vendedores ambulantes parte da Câmara Municipal. Já agora, parece-me que a proposta do grupo de trabalho está um pouco aquém da interpretação do vereador da cultura que anunciava, à revelia da apresentação do cartaz das Feiras Novas, que este trabalho apontava o fim das mesmas.

Percebo o nervosismo do executivo, percebo por que é partilhado pela Associação Empresarial. É já impossível esconder a verdade porque ela está cada vez mais presente na vida dos limianos. Quantos milhões já se perderam, nos últimos anos em Ponte de Lima, no comércio, na indústria na agricultura? Não se pode continuar a fechar os olhos a este facto. Por mais “circo” que promovam, chega uma altura em que este não suplanta a falta de “pão”.

sexta-feira, junho 22, 2007

Alto Minho artigo de 22-06-2007

Não percebo o medo que o executivo Municipal de Ponte de Lima tem em disponibilizar a informação aos munícipes. Não estou a falar de informação sobre festas, não, falo da informação resultante da actividade política. A Câmara Municipal é um órgão político cujas decisões se repercutirão inevitavelmente nas nossas vidas. Assim sendo, não se pode compreender, por exemplo, o porquê da não disponibilização on-line das actas das reuniões de Câmara bem como das da Assembleia Municipal.

Bem sei que já por várias vezes falei do assunto e posso afiançar ao leitor que a própria oposição já levantou o em reunião do executivo, mas o resultado é o de sempre, o silêncio. Silêncio estranho, porque, normalmente, os municípios gostam de publicitar a sua acção. Terá o executivo limiano algo a esconder dos munícipes? Não me parece. Nesta atitude apenas vejo duas coisas; desrespeito para com os eleitores e inércia. Desrespeito porque não bastam as declarações do vice-presidente da Câmara ou dos vereadores da oposição, não, os eleitores têm direito a saber, sem intermediários, o que lá se passa. Inércia porque se escudam no projecto VALIMAR Digital (pelo menos desde 2005 que ouvimos a desculpa) e nada fazem para colmatar a lacuna, enquanto a aplicação do projecto da VALIMAR não chega aos sítios web dos municípios.

O secretismo e controlo da informação, que actualmente envolve a Câmara Municipal de Ponte de Lima, chegaram ao ponto de descontinuar o próprio Boletim Municipal. Bem sei que este geralmente tem um só objectivo, digamos que é o de abrilhantar a imagem política da Câmara. Mas, não tem que ser assim, poderá ser um bom veículo de transmissão de informação entre o município e o munícipe, com notícias sobre o concelho, avisos e tantas outras informações pertinentes.

Fica o desafio ao executivo, que não tenha medo de abrir as portas da informação aos eleitores, às pessoas que nele depositaram a sua confiança ao elege-lo.

sexta-feira, junho 15, 2007

Alto Minho artigo de 15-06-2007

Imigração, eis a “nova” saída que muitos limianos encontram para a sua situação profissional. É preocupante a quantidade de limianos, que ou saíram do país para trabalharem ou semanalmente enfrentam a estrada rumo às construções na vizinha Galiza.

Os níveis de imigração aproximam-se, cada vez mais, dos dos anos 60/70. Se é verdade que a conjuntura no país não é das mais favoráveis, também não é menos certo que o concelho de Ponte de Lima não se soube preparar para a realidade actual.

A aposta única numa falsa ruralidade, num turismo de massas, improdutivo e eunuco, disfarçado de qualidade está a ter as consequências que os limianos vivem no seu dia a dia. Ainda se lembram das promessas do “queijo limiano” e do que supostamente estava em causa? Da nova fábrica abastecida pelo leite produzido em Ponte de Lima? A verdade é que nada disso se concretizou, os postos do leite desapareceram um atrás dos outros e da fábrica do queijo “genuinamente limiano” nem sinal. A situação periclitante da Adega Cooperativa agravada com os constantes avanços e recuos na construção de uma nova Adega, a compra de um terreno protegido, a inoperância da Câmara em desbloquear o problema. Que será dos pequenos produtores que tinham na produção vinícola um complemento do orçamento familiar?

Veja-se a actual dependência da economia limiana do dinâmico sector de extracção e transformação de pedra. Diz-nos a prudência que num casal é contraproducente os seus dois membros trabalharem na mesma empresa, porque, caso esta venha a fechar, ficam os dois sem emprego. Ora, nos tempos que correm, a dependência, quase total, de um sector é um erro que se pode pagar caro no futuro.

A Câmara Municipal e a Associação Empresarial deveriam unir-se, não só na produção de cartazes e realização de eventos, mas, e acima de tudo na criação de novos empregos. Por que não unirem-se na criação de uma incubadora de micro-empresas em colaboração próxima com as universidades/institutos politécnicos bem como com as escolas profissionais? Bem sei que outros concelhos já o fizeram antes, Arcos de Valdevez ou Vila Verde, por exemplo, mas penso que Ponte de Lima ainda vai a tempo de promover a iniciativa privada e a criação do próprio emprego. Muitos poderão ironicamente dizer “pois, pois”, mas o certo é que o rumo actual tem que ser mudado. Voltar a falar de imigração nos moldes do século passado não faz sentido, se não for por aqui que seja por ali, mas mude-se o rumo…

sexta-feira, junho 08, 2007

Alto Minho artigo de 08-06-2007

O Parque Florestal da Quinta de Pentieiros foi apresentado no dia mundial do ambiente como um exemplo de recuperação de uma zona destruída pelo fogo. Segundo a comunicação social, três dos cinco hectares ardidos já estão reflorestados. O projecto irá estender-se até 2008 garantindo o vereador do Ambiente, Vitor Mendes, que esta intervenção reflecte uma nova forma de olhar a floresta.

Também o Presidente da Câmara explicou este projecto na Antena 1, aproveitando a nova capacidade comunicacional do município, dando conta das parcerias com empresas privadas.

É positivo o motivo e o método. O Município deve dar exemplo na área ambiental e as parcerias com os privados são bem vindas. O Presidente da Câmara tem razão quando afirma que se deveria incentivar mais os privados a participarem em projectos análogos a este.

Mas como parece que a política ambiental é uma prioridade, não se percebe como Ponte de Lima voltou as costas ao rio Lima. Não falo das suas margens, mas do próprio rio. Longos verões de muitas gerações de limianos foram passados nos areais e nas águas do rio Lima. Agora, as novas gerações, não tem areais e as águas estão poluídas.

As praias do Arnado, esta outrora detentora de bandeira azul, e de D. Ana estão novamente interditas temporariamente pelo Delegado Regional de Saúde. No ano anterior, 2006, a praia do Arnado teve uma classificação de interdita e a de D. Ana de má. O que fez a Câmara Municipal para pôr cobro a esta situação? Uma vez que tudo continua igual, a resposta é evidente: nada.

Será que para a Câmara Municipal este assunto não faz parte das prioridades ambientais? Durante a época balnear milhares de limianos e de visitantes banham-se nas águas ao que parece sujas e poluídas do rio Lima. De quem é a responsabilidade?

sexta-feira, junho 01, 2007

Alto Minho artigo de 01-06-2007

O acto de mudar tem sempre um lado de corte, de rompimento. Por isso é que custa e o esforço inerente pode ser motivo para limitar ou mesmo aniquilar a mudança. Não, para desilusão de alguns leitores, hoje não vou escrever acerca da necessidade de mudar as políticas económicas, sociais, culturais do concelho limiano, não. Vou falar de uma que me tem assolado, nos últimos dias, o espírito, a mente e sobretudo o corpo. A mudança de casa.

É na mudança de casa que nos apercebemos da quantidade de objectos, livros, dvd’s, fotografias, revistas, etc que já lemos ou vimos ou que fizemos intenção de o vir a fazer e que vamos acumulando ao longo da nossa vida. É interessante verificar que a casa de onde saímos não é assim tão pequena como ultimamente nos parecia, apenas estava mais, digamos, recheada…

Nas minhas mudanças “encontrei” alguns livros que li, faz já algum tempo, e que se encontravam arrumados na “biblioteca” da memória. Foi com um deles que me apercebi que talvez fosse importante conhecer as memórias de algumas figuras da nossa vida pública, seriam, certamente, um bom contributo para nos ajudarem a perceber o presente. Assim estes tivessem vontade… Ao passar os olhos pelo livro “A Casa da Barca”, uma publicação apoiada pelo município de Ponte da Barca, tendo ainda como presidente Cabral de Oliveira, apercebemo-nos das vidas que constituem a nossa comunidade e que, por vezes, nem nos damos conta de quanto são importantes para a construção da identidade de todos nós.

Mas mudar de casa é também separarmo-nos de memórias. Confesso que isso me custa, talvez seja a minha costela conservadora, não sei. O que sei é que me angustia ver casas mortas, onde memórias pululam em cada uma das divisões, mas que não impedem que estas, sem vida, se transformem num amontoado de pedras quase sem significado.

Resolvi, contrariando todos os indicadores, voltar ao centro histórico, sem lugar para estacionar o automóvel, sem poder mexer uma caixilharia, mas na esperança que esta situação seja reversível e que o centro histórico volte a ter vida.