sexta-feira, março 28, 2008

Alto Minho artigo de 28-03-2008

Páscoa

A Páscoa está associada a vários aspectos: vitória sobre a morte, sobre o pecado, renascimento, vida, dádiva, luz, etc.

Na celebração desta “passagem”, o Alto Minho tem como tradição uma festa que é também comunitária. As pessoas limpam, preparam a casa ainda com mais afinco para a visita pascal. O compasso, a cruz que visita as casas da paróquia, existe pela dádiva dos que, prescindindo do dia com a sua família, o dedicam a uma estirada, levando a cruz a todas as casas que a queiram receber. As casas abrem-se para os vizinhos que retribuem a visita. Petisco aqui, pão-de-ló acolá, a comunidade une-se para celebrar a ressurreição de Cristo.

Felizmente, no Alto Minho, a tradição ainda se mantém. É verdade que muitos se têm rendido à tentação de aproveitar estes dias para umas mini férias, mas cada vez são mais os que de fora vêm propositadamente à nossa região para viverem a Páscoa. Espanhóis eram aos milhares, mas portugueses também, de Lisboa, Coimbra, Porto, vários foram os que, respondendo ou ao apelo da tradição familiar, da fé, ou dos amigos por cá partilharam do espírito comunitário de viver uma festa que celebra a mudança, a passagem das trevas para a luz, a suprema entrega que foi a de Jesus.

Ampliação

Tem-se ouvido que será intenção da Câmara Municipal de Ponte de Lima ampliar o Pavilhão Municipal. Realmente este parece cada vez mais desfasado das actuais necessidades desportivas existentes no concelho. No entanto, a ser verdade a ampliação, prevê-se que os sacrificados serão os courts de ténis. Penso que será um erro. É verdade que estes nunca foram muito aproveitados, os clubes não se renderam à modalidade e os praticantes deverão ser actualmente residuais. Mas porquê? Porque nunca se soube promover a modalidade. É uma modalidade que a par com outras no desporto, futebol, automobilismo, golfe, movimentam muito dinheiro, muitas pessoas.

Acabar com os únicos courts de ténis públicos existentes no concelho é simplesmente apagar a modalidade do concelho ao invés do que se deveria fazer, promove-la.

Como os campeões nacionais da EDL e do Clube Náutico de Ponte de Lima nos mostram, com investimento, económico e humano, e com formação é possível colocar Ponte de Lima e os seus desportistas ao mais alto nível. Também no ténis poderíamos dar cartas. Amplie-se o Pavilhão, ou construam um outro, como já foi proposto penso que pelo vereador do PS, mas não acabem com uma modalidade que ainda não foi verdadeiramente promovida no concelho.

sexta-feira, março 21, 2008

Alto Minho artigo de 21-03-2008

Críticas

O detentor do poder deve estar atento às necessidades das pessoas que o elegem. Ouvir o sentimento das pessoas, as suas necessidades, as suas opiniões e ter a sensatez de reformular opções, modificar e adaptar os projectos, aprimorando-os. Não quero com isto dizer que os governantes devem governar conforme soprar o “vento” popular. Não, o governante deve governar consoante aquilo que propôs aquando da sua eleição, mas isso não quer dizer que não cometa erros, que aqui e ali não deva corrigir trajectos, corrigir políticas, iniciar novas políticas. É nesse pressuposto que os eleitos devem estar atentos.

As propostas, as ideias, as críticas devem ser encaradas nesse sentido. A própria oposição serve para isso mesmo, para propor, para criticar e para dar alternativas às políticas do governo da “cidade” ou do país, tentando influenciar a actuação deste.

Em Ponte de Lima, ao fazer-se crítica a uma política, ou à falta dela, alguns dizem logo que se está a “dizer mal” de alguém. Mas, é precisamente o contrário. Veja-se o caso do pelouro da cultura, alvo de várias criticas, eu próprio as tenho feito. O vereador ouviu serenamente e vejam o resultado. A política cultural em Ponte de Lima tem mudado, lentamente para alguns, em demasia para outros, mas basta ver os eventos programados para este ano, os concertos, as actividades, etc. e comparar com outros anos para logo se verificar que há uma franca evolução no sentido correcto. Estou certo, mesmo que não o confessem, que um dos motivos é o aproveitamento que o pelouro soube fazer de algumas críticas.

Mas o estar atento não é só “coisa” para os políticos no “poder”. Também os da oposição o devem fazer. E há políticos na oposição que sabem estar atentos. Por exemplo, na oposição limiana, vejam-se na Assembleia Municipal os casos de Manuel Barros, do PSD, Pires Trigo, do PS, ou Acácio Pimenta, da CDU, ou no executivo Municipal Jorge Silva, do PS.

Hoje em dia, a participação dos cidadãos não se esgota nas sedes partidárias. A comunicação social, as novas tecnologias vieram trazer outra realidade que os políticos do passado têm dificuldade em compreender, mas que, se quiserem continuar a ser os representantes dos cidadãos, têm que se esforçar por perceber.

Informação

Várias vezes o tinha escrito aqui e por isso foi com satisfação que encontrei as actas das reuniões do executivo da Câmara Municipal de Ponte de Lima na página web da autarquia. É um sinónimo de abertura muito bem-vindo.

No entanto há situações que, em termos de usabilidade, urgem melhorar. A escolha do sítio dentro da página web poderia ser melhor. Seria mais lógico colocar as actas junto do executivo do que numa divisão municipal, no caso a Divisão Administrativa e Financeira. Actualmente é necessário abrir o documento para saber o que lá se encontra, com a inclusão dos temas debatidos junto ao hyperlink ajudava o utilizador a encontrar o que procura de forma mais rápida e sem desperdiço de tempo…

sexta-feira, março 14, 2008

Alto Minho artigo de 14-03-2008

Confrontação?

Abel Baptista diz que não foi sua intenção confrontar Campelo, mas a verdade é que em termos autárquicos foi das poucas vezes que avançou até ao fim com uma proposta sabendo, de ante mão, que Campelo seria contra.
Ainda no final do ano passado, recuou à última hora aquando da formação de uma comissão da Assembleia Municipal para acompanhamento do comércio tradicional, não permitindo que a proposta fosse a votação. Passados poucos meses, eis que a dita é aprovada com outro nome e com ainda maior abrangência, isto sobre proposta do PCP e o voto de quase todo o hemiciclo.
Mas a curiosidade assentava numa outra votação. A da proposta de Abel Baptista para a elaboração de um plano estratégico para o concelho de Ponte de Lima. Um plano que há muito fazia falta e que várias vozes já tinham pedido e que tinha sido sempre recusado pelo poder. Mas ser o Presidente da Assembleia Municipal, membro do partido do poder, CDS-PP, e não um partido da oposição, reveste a proposta de outro “peso”.
Campelo tentou, esgrimiu argumentos, abanou com uma série de planos estratégicos genéricos para a região, tudo fez para que a mesma não fosse aprovada. Mas como os argumentos por ele usados pareciam dar ainda mais força à proposta, a VALIMAR não pode servir de “guarda-chuva” para tudo, a proposta foi aprovada.
Campelo sabe que com a elaboração deste (elementar) plano estratégico para o concelho, a sua falta de habilidade governativa estratégico-economica pode ser desmascarada. Com a situação que se vive no concelho, falta de emprego, falta de investimentos, parcos incentivos à iniciativa privada será muito difícil explicar e manter a dinâmica eleitoral do passado. Ainda para mais, quando a possibilidade de uma cisão no ceio do CDS local continua a ser uma possibilidade. O tabuleiro do xadrez político local já começou a movimentar-se...
Já agora, é difícil perceber a pouca ou nenhuma cobertura desta matéria pela ROL. Custa perceber esta decisão tendo em conta que não é esse o critério editorial que a rádio local nos habituou. A meio da semana posterior à Assembleia Municipal, na ROL ainda não havia qualquer referência. Será que não é notícia a discussão do futuro estratégico do concelho em que a ROL é a rádio local?

sexta-feira, março 07, 2008

Alto Minho artigo de 07-03-2008

Coragem de mudar

O PSD por estas bandas está em mutação. A Comissão Política Distrital apresenta novas caras, novos cargos e secretarias. Por Ponte de Lima, como já aqui escrevi, a cara de topo é nova e, apesar de associada a muito do passado, parece apostada em mudar. E mudar, nas circunstâncias em que o PSD está a nível local, é francamente positivo.

Filipe Viana, o novo rosto da Comissão Política Concelhia de Ponte de Lima, terá que ter bastante força e coragem se realmente quiser mudar. Primeiro terá que mudar o paradigma reinante no partido. Terá que reorganiza-lo, juntá-lo, criando paulatinamente uma alternativa credível, com políticas credíveis, amplas e exequíveis capazes de irem ao encontro das necessidades dos limianos.

Deve também ter coragem para mudar os protagonistas. Na última década e meia, eles têm sido os mesmos, eleições atrás de eleições. Essa eternização de protagonistas teve como resultado a péssima votação obtida pelo PSD nas últimas eleições autárquicas.

Filipe Viana deve ter coragem de apresentar novas caras, novos protagonistas. Pessoas preparadas, que sejam o novo rosto das novas políticas do PSD.

Deve começar por um dos lugares de topo da representatividade autárquica. Pelo único vereador do PSD. Ter como protagonista no executivo municipal o rosto da pior derrota do PSD numas eleições autárquicas não será o melhor caminho para demonstrar que o PSD é a alternativa. A lista que o PSD apresentou nas últimas autárquicas tem outros rostos, rostos mais novos, sem as conotações negativas que muitos anos e muitos cargos políticos geralmente acarretam. Por ventura o lugar de vereador até já foi posto à disposição, mas se não foi, o novo líder o PSD de Ponte de Lima, se quer mudar algo, deve começar por apagar a imagem perdedora e o rosto dessa imagem, substituindo Manuel Trigueiro.

Saudade

É deveras intrigante como podemos ter saudades de “coisas” que não vivemos. A freguesia de Refoios suscita em mim esse sentimento. A vida comunitária das espadeladas, das desfolhadas, do ciclo do linho… Várias vezes passeio por lá, pelos campos, junto ao rio Lima, pela Vacariça... Claro que, por mais voltas que dê, não encontro a Refoios que levo na ideia. A Refoios que a minha avó Glória me descreveu. Refoios representa o que de mais belo Ponte de Lima tem, a montanha, os campos, o rio e acima de tudo as pessoas. A minha avó foi fruto destes factores. Um fruto do qual já tenho imensas saudades.