sexta-feira, abril 18, 2008

Alto Minho artigo de 18-04-2008

Chutar para canto

É inegável que a vila de Ponte de Lima tem assistido, nos últimos tempos, a uma vaga de assaltos. Com ela veio a moda de apontar o dedo sempre na mesma direcção, a da Santa Casa da Misericórdia.

Infelizmente essa moda parece ter chegado ao nosso mais alto representante autárquico. Daniel Campelo, presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, na última Assembleia Municipal não se coibiu de fazer acusações generalistas sobre os responsáveis da vaga de assaltos. Afirmações no mínimo lamentáveis.

E por quê lamentáveis? Primeiro porque generalizar a responsabilidade da vaga de assaltos, imputando-a aos “rapazes da Santa Casa”, é carimbar de forma genérica crianças com um passado familiar e pessoal desfavorecido, sendo que em nada essa simplificação argumentativa ajudará na melhoria da sua situação. Antes pelo contrário, apenas contribui para aumentar a estigmatização social. Em segundo lugar, porque essa generalização é injusta também para as pessoas e a instituição envolvidas e que diariamente contribuem para que essas crianças tenham a melhor integração social possível.

Por vezes esquecem-se as várias crianças que por lá passaram, que hoje são detentoras de formação pessoal, de formação académica, sendo adultos completamente integrados na sociedade.

É lamentável quando o poder político, quando a escola, quando a sociedade não ajudam na missão de integração, tornando-a até mais complicada. A guetização, como a história nos mostra, nunca produziu bons resultados.

Será que o presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima ao generalizar, como fez na Assembleia Municipal, pensou realmente nas implicações que as suas afirmações teriam para as crianças visadas? Ainda bem que o presidente da Assembleia Municipal, Abel Baptista, teve o discernimento da gravidade de tamanhas afirmações demarcando-se das mesmas.

Ah, já agora, não considero esta atitude de Abel Baptista como mais uma demarcação da gestão de Daniel Campelo, esta seria aliás uma análise simplória e enviesada da situação. Esta atitude apenas demonstrou que Abel Baptista teve bom senso e Daniel Campelo não.

sexta-feira, abril 11, 2008

Alto Minho artigo de 11-04-2008

Finalmente

O Município de Ponte de Lima finalmente concluiu a necessidade da promoção de emprego, da criação do próprio emprego. Assim, vai prestar apoio à criação de empresas inovadoras através do Projecto Terra.

O primeiro objectivo, segundo o presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, é começar a receber ideias até ao Verão.

Este tipo de projecto, inovador em Ponte de Lima, não o é no resto do país, nem mesmo no distrito, Paredes de Coura, por exemplo, anunciou em Fevereiro a sua adesão ao FINICIA criando o COURAFINICIA. Ambos projectos resultantes de protocolos entre o IAPMEI e as Câmaras Municipais.

Mas isto não retira o que de bom representa este novo rumo. O presidente da Câmara diz que este financiamento visa o desenvolvimento de áreas como o turismo activo, o artesanato, a cultura, o design gráfico e industrial, as agro-indústrias, a agro-florestal e as novas tecnologias. Ora a diversidade de áreas parecem indicar a vontade de promover e apoiar um grande número de projectos, assim eles apareçam. No entanto, esta diversidade indica também uma falta de planeamento específico para o nosso concelho. Não se privilegiam áreas que, após um estudo e elaboração de um plano estratégico, de desenvolvimento, sejam consideradas como as chaves para o concelho.

Ponte de Lima com esta louvável, embora recente, vontade de inflectir o rumo na área económica poderá dar os primeiros passos para um desenvolvimento económico que se deseja sustentável. Só se lamenta a falta de liderança na região. A região precisa de Ponte de Lima pujante e liderando, assim o prova a história. Felizmente, esta gestão camarária parece finalmente acordar para a sua grande falha, o seu pecado mortal, que foi ignorar, negar e escamotear o problema económico do concelho.

Memória

Fez esta quarta-feira, dia 9, 90 anos sobre a batalha da Primeira Grande Guerra de La Lys. Uma batalha marcada pela participação de Portugal e onde alguns limianos e alto-minhotos combateram. Parece longínqua e já perdida da memória, mas a actualidade, por incrível que pareça, volta a colocar esta e outras batalhas da Primeira Grande Guerra na berlinda. A questão da independência do Kosovo em relação à Servia é a causa, é que não se pode esquecer onde e porquê começou a guerra que levou à batalha de La Lys.

Seria bom lembrar aos jovens, e não só, que muitos deles tiveram os seus antepassados nessas e outras batalhas e que muitos outros deram a sua vida em prol da nossa.

sexta-feira, abril 04, 2008

Alto Minho artigo de 04-04-2008

Investimento

Finalmente uma boa notícia para a economia regional, em particular para a de Ponte de Lima. O Governo central aprovou a instalação de uma indústria de componentes de segurança automóvel em Ponte de Lima, o que significa 207 novos postos de trabalho. O ramo de produção será o mesmo de uma das unidade fabril ainda existentes na zona industrial da Gemieira, os airbags.

Sendo uma notícia animadora para todos os limianos, foi interessante ouvir o presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, dizer que este investimento "é a prova de que a estratégia empresarial levada a cabo pela autarquia começa agora a surtir efeito no concelho". Tendo em conta que Campelo governa os destinos de Ponte de Lima há mais de uma década a estratégia parece, no mínimo, demasiado lenta a dar frutos. Ou será que só ultimamente a Câmara Municipal se preocupou com a estratégia económica do concelho? É que se existe uma estratégia empresarial para o concelho limiano e que está a dar frutos, certamente que existirá um plano estratégico, mas este parece estar classificado como “documento secreto”, só alguns o conhecerão, ou talvez esses se resumam a um…

Campelo aludiu, e bem, para a necessidade do Governo central canalizar os investimentos para o interior. Talvez a estratégia empresarial da autarquia seja essa, a de ficar à espera dos investimentos que o Governo central se digne a enviar-nos. De preferência sem nos usar para campanhas publicitárias ou eleitoralistas, que sejam investimentos reais, que tragam postos de trabalho para Ponte de Lima e para a região, que tragam condições de fixação da população, nomeadamente da população jovem.

Mas por falar em captação de investimentos, não há um vereador com esse pelouro? Ainda alguém se lembra? Os nossos concelhos vizinhos tem industria, tem investimento, tem zonas industriais completas, talvez não com a dimensão do investimento apresentado mas que no conjunto não ficará muito longe. Não será isto porque por lá existe realmente uma estratégia que até pode nem ser a melhor mas que tem obtido resultados. E por Ponte de Lima? Bastará dizer que existe uma estratégia empresarial, que temos um plano para realmente o ter?