sexta-feira, dezembro 30, 2005

Alto Minho artigo 30-12-2005

Desnorte II

Manuel Trigueiro no seguimento da polémica gerada nas últimas semana deu uma entrevista ao jornal Alto Minho.

O presidente da concelhia do PSD de Ponte de Lima perdeu mais uma oportunidade de demonstrar outra abordagem à política. Revela a sua fraqueza de posição, por exemplo, ao sacudir a responsabilidade que tem na liderança dos últimos quatro anos do PSD local. Não pertencia ele à comissão política anterior como vogal mas agindo quase sempre como se fosse o presidente? Um dos seus vice-presidentes não é o anterior presidente? Não fazem parte da sua comissão política basicamente os mesmos membros da anterior? A resposta é positiva em todas as questões.

Assumiu a responsabilidade dos desastrosos resultados eleitorais, mas apenas no campo teórico, na prática procura avidamente responsáveis nem que para isso tenha que percorrer os bosques das redondezas. É lamentável a tentativa de se amarrar desesperadamente a uma desculpa.

O PSD, por todos os que lhe deram parte da sua vida ao longo das últimas 3 décadas no intuito de construir um partido sólido, com uma base de apoio que perpassasse todo o concelho, merece mais, muito mais. Aliás, Ponte de Lima merece mais. Só com um PSD forte, sem receio de fazer uma oposição firme e construtiva, com um projecto sólido e bem definido, com uma liderança virada para a sociedade e não para o seu umbigo, poderá reagir a esta letargia a que tem sido votada nos últimos anos.

“Ser ou não ser, eis a questão:
Se é mais nobre no espírito sofrer
As fundas e flechas da fortuna ultrajante
Ou brandir armas contra um mar de agravos,
E, opondo-os, fazê-los cessar.”

In Hamlet de William Shakespeare


Centro de reabilitação para cidadãos portadores de deficiência

A câmara de Ponte de Lima quer construir durante este mandato um centro de reabilitação para os cidadãos portadores de deficiência. O terreno foi adquirido, o projecto está feito e por declarações do Presidente da Câmara Municipal poderá avançar mesmo sem financiamento do governo. É uma boa notícia, no entanto, é pena não se especificar quem vai gerir este Centro, será a Câmara Municipal?

Festival de Jardins

O seu director, Francisco Calheiros, fez saber que para o próximo ano há já 19 inscrições. Para a organização este é um factor de sucesso. Algumas delas são inclusive de países com tradição neste tipo de festivais e que foram, aliás, inspirações para o de Ponte de Lima. Nada a comentar, aliás, depois do investimento, todos esperamos que o festival tenha o maior dos sucessos. Talvez assim possa contribuir para ajudar a actual parca economia limiana.

Tudo ia bem até que o director, que é também o responsável pela TURIHAB, refere que outro dos objectivos será o de alargar este festival aos jardins das casas ditas tradicionais, ou seja as de turismo de habitação, ou seja as dos membros da TURIHAB. Estranho o facto. Não existirá aqui algum tipo incompatibilidade? Em todo o caso, se o festival realmente se estender às tais casas ditas tradicionais, o custo deste alargamento certamente ficará a cargo dos donos das casas e não dos contribuintes, certo? O senhor director, por lapso certamente, não especificou este pormenor.

Crónicas de um outro tempo

Este é o título de uma obra, para já com dois volumes, de José Ernesto Costa. O primeiro volume foi apresentado no ano passado o segundo no dia 17 deste mês. A temática tratada não poderia ser melhor. Aliás, era uma lacuna de que a memória limiana carecia de preencher. Pequenas grandes peripécias de muitos “nomes sonantes” para todos os limianos são contadas, retratando, no fundo, a vida colectiva de Ponte de Lima.

Uma visão da história que cativa não só aqueles que a viveram mas também aqueles que são filhos dos protagonistas. A não perder.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Alto Minho artigo 16-12-2005

Mercado Municipal alguns anos depois

A remodelação do Mercado Municipal levantou algumas críticas e alertas. Na altura a Câmara Municipal rejeitou-as, alegando que o tempo lhe daria razão. Dos antigos arrendatários poucos foram os que por lá continuaram. Lamentaram-se na altura da especulação dos valores das rendas. Rapidamente se encontrou uma explicação, nada mais que a da lei da oferta e da procura. Infelizmente hoje quem passar pelo Mercado Municipal verificará uma estrutura em nada funcional, degradada e quase votada ao abandono. Mesmo as lojas inauguradas com toda a pompa e circunstância, como exemplos do sucesso alcançado pela estrutura, fecharam sem que ninguém o tivesse sabido.
Hoje o Mercado é uma sombra do passado. O erro é óbvio, infelizmente somos todos nós a pagá-lo.

Desnorte

Com o afastar das eleições autárquicas torna-se mais claro a todos a razão de determinados resultados. É de lamentar que, por exemplo, alguns dos maiores responsáveis do desaire eleitoral do PSD, arquitectos da sua estratégia, sejam os únicos a não se confrontarem com a realidade. O desnorte de alguns ficou patente na semana passada. Infelizmente, o responsável dos membros que ainda lideram o PSD local não se coíbe de lavar a roupa íntima do partido em público. Aquando da sua recusa em ocupar um lugar na lista do PSD à Assembleia da República, veio a público criticar o seu partido. Desta vez apontou o dedo a alguns que, supostamente, concorreram contra ou se recusaram fazer parte das listas do partido sendo dele membros. Na sua visão, estes, que estão metidos no mesmo saco, incorreram no incumprimento dos estatutos do PSD. Envergando a capa de justiceiro, esqueceu-se, no entanto, daqueles que, embora militantes do PSD, concorreram efectivamente contra o PSD ainda há quatro anos e que este ano, quais filhos pródigos, voltaram à protecção da capa do justiceiro, integrando as suas listas.
Infelizmente nada disto apaga o pior resultado dos anais do PSD local. Pelo contrário, acentua o descrédito desta liderança de vistas curtas.
O norte só se poderá encontrar de uma forma e todos sabem qual é. Ou não?

Fogo de vista

Depois da primeira metade da semana ter sido ocupada pelo ponto anterior, a segunda foi pela nova medida a implementar daqui a três ou quatro meses pela Câmara Municipal. A imposição da velocidade máxima de 40 Km/h nas estradas municipais. Se estivéssemos perto do primeiro de Abril, poder-se-ia pensar tratar-se de uma brincadeira, mas não, o orgulhoso pai da medida veio a público defendê-la. Ficaram foi por esclarecer alguns pontos. A começar, se será esta medida implementada por se iniciar o melhoramento de todos os caminhos municipais, porque na maioria deles só os detentores de viaturas 4x4 ou os que não prezam minimamente o seu veículo circularão às tais velocidades elevadas. Haverá algum estudo que responda a estas duas simples questões: Qual a percentagem de acidentes nos caminhos municipais que tenham tido na sua origem o excesso de velocidade? Existe algum impacto nessa percentagem com a descida de 50 para 40 Km/h?
A não existir nenhum estudo nesse sentido, poder-se-á concluir que a Câmara Municipal continua com medidas não para os limianos mas para a comunicação social, ou seja, fogo de vista.
A prevenção, a sinalização e a beneficiação das estradas deveriam ser as verdadeiras apostas da Câmara Municipal. Talvez daqui a alguns anos seja aprovada uma medida para aplicar a velocidade máxima de 5 Km/h, nesta, por ventura, encontremos uma velocidade máxima compatível com todos os interesses.

Alerta

Nunca é demais alertar para a progressiva imposição de uma laicização jacobina das nossas vidas. A democracia para além do respeito que promove entre posições, reclama a primazia da maioria. Em democracia a maioria vence. Neste pressuposto, não se entende a imposição ortodoxa dos valores laicos numa sociedade onde a maioria de facto não o é. A separação do Estado de qualquer religião é realmente um factor positivo, mas esta separação não significa que os que constituem o Estado tenham que se separar da religião que abraçam e que, por conseguinte, tenham que a viver na privacidade dos seus lares.
O caminho que se traçou nestas ultimas semanas é um caminho de imposição de valores de uma pseudo elite minoritária. Será bom que também nós, neste recanto do Alto Minho, fiquemos atentos, pois qualquer dia poderão até impor-nos a remoção da cruz do nosso símbolo heráldico.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Alto Minho artigo 9-12-2005.

Palavra de Presidente

Mais de uma década depois de ser eleito pela primeira vez, Daniel Campelo, em 20 de Maio, garantiu que no final do presente ano o concelho de Ponte de Lima iria ser servido em 95% por saneamento básico. Chegados ao último mês do ano, será que a quase totalidade dos limianos têm em casa este serviço que deveria ser básico? Então, qual é a percentagem?

Grandes Superfícies Comerciais

O auto denominado defensor do mundo rural foi das vozes que mais se manifestou contra uma grande superfície em solos limianos. Há quatro anos, nas eleições autárquicas, existiu uma quase unanimidade em relação a este tema, grandes superfícies comerciais em Ponte de Lima nunca. Este ano, o assunto, mesmo na campanha eleitoral, foi quase esquecido. É que passados alguns anos de fervorosa exclusão, eis que pairam sobre Ponte de Lima não uma, não duas, mas três grandes superfícies comerciais. O que podemos dizer de alguém que para obter algo promete que o seu comportamento será regido por determinados parâmetros, mas que, após algum tempo e depois de obter o pretendido, esquece o seu compromisso?

Assembleia Municipal

A Assembleia Municipal deveria ser o centro da vida política local. Política sim, porque à Câmara Municipal deveria ficar reservada a vida administrativa. É pena que estes 30 anos de Assembleia Municipal em Ponte de Lima só signifiquem a perda dessa centralidade. Por um lado aumentou os que apenas servem para levantar a mão quando lhes mandam. Por outro lado, cada vez mais são os presidentes da junta que votam em determinado sentido por se acharem "reféns" de algo ou alguém. Não se errará por muito se apontarmos para 85% os membros que no último mandato não fizeram uma única intervenção, não apresentaram qualquer ideia.
Chegou um novo mandato, a Assembleia Municipal não augura nada de novo. O PS, se perdurar no caminho de intervenção sem conteúdo, acabará por produzir o efeito contrário ao do desgaste que pretende induzir no executivo camarário. A sede de protagonismo não pode cegar. O PSD voltou a mostrar descoordenação. Não se compreende a discrepância de sentido de voto. Não se percebe que alguns responsáveis continuem como os actores clássicos a mudar de "persona" em conformidade com o cenário. Os limianos estão fartos de malabarismos conforme o soprar dos ventos. Para isso existem os cata-ventos.

Discussão Pública

"Os cafés são silenciosos, tristes. Meio-deitados para cima das mesas, os homens tomam o café a pequenos golos, ou fumam calados. A conversação extinguiu-se. Ninguém possui ideias originais próprias." Isto diziam Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão nas Farpas em 1875. Alguns gostariam que esta descrição se passasse em Ponte de Lima, no entanto talvez esta seja a melhor altura para incentivar a discussão da causa pública para lá das sedes partidárias.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Alto Minho artigo de 24-11-2005

Bombeiros Voluntários

Os bombeiros Voluntários de Ponte de Lima continuam sem ter ninguém interessado em substituir os actuais órgãos. É de lamentar a falta de apoio por parte da Autarquia a esta instituição. Não bastam gestos simbólicos, hoje os bombeiros tem uma frota renovada e um pólo em Freixo que muito deve onerar os frágeis cofres da instituição. Os BV de Ponte de Lima terão que ter sempre em primeiro lugar os cidadãos que servem, a prestação de um bom e eficaz serviço nas dificuldades destes devem ser o seu primordial objectivo.
Isso têm feito ao longo dos anos, agora, cabe à Autarquia apoiar efectivamente esta instituição na persecução desse objectivo.
Terá chegado o tempo da transformação dos bombeiros voluntários em municipais? Talvez fosse tempo de realmente existir um debate sobre o assunto.

Taxa de IMI

Tudo indica que os limianos irão continuar a pagar a taxa máxima de IMI. Ao contrário de Caminha, Paredes de Coura, Ponte da Barca e Vila Nova de Cerveira a Câmara Municipal limiana irá deliberar aplicar a taxa máxima. Terá sido a quebra de receitas que se previa vir através do PIDDAC? Falta de fundos para obras estruturantes? Alguém o deveria explicar.
Ainda há poucos meses num artigo de opinião, Abel Baptista apelava para a atractividade fiscal como forma de competitividade entre concelhos. Não se percebe como o Presidente da Câmara passou a campanha eleitoral a afirmar a grande saúde financeira do município e nesta altura em que os seus munícipes, aliás como todos os portugueses, atravessam tempos de contenção, tendo condições para os desafogar, não o faça.

Nomeação Política

Depois de nos últimos anos vários limianos, Carvalho Martins como governador Civil, João Carlos Gonçalves como Delegado Regional do IPJ, entre outros, terem desempenhado papeis chave na representação do governo no distrito, eis que foi nomeado Delegado Distrital do Instituto do Desporto de Portugal, Jorge Silva.
Conhecido no meio limiano por "professor Jorge" pela sua actividade profissional. Jorge Silva está ligado quer ao desporto escolar quer ao associativo. Tendo exercido por vários anos a função de treinador de basquetebol de várias equipas limianas ao longo de vários anos, é um grande conhecedor do meio. Esperemos que venha a desempenhar bem o seu papel, tal qual como os anteriores limianos em funções semelhantes.

BaToTas

Mais uma vez os BaToTas realizaram a Descida ao Sarrabulho. Anualmente este evento reúne em terras limianas mais de 400 participantes que vindos de todo o país animam os trilhos escolhidos pela organização. Além da vertente desportiva, está presente a vertente gastronómica. Esta é certamente uma das melhores promoções da nossa terra.

sexta-feira, novembro 18, 2005

Diário do Minho 2005

O caso da Seara já foi há um ano. Iremos esperar muito para que um outro caso
aconteça?

Um ano depois, a explicação para o que aconteceu na freguesia da Seara em Ponte de Lima é a da febre escaro-nodular vulgarmente conhecida por febre da carraça. Na altura chegou a pôr-se a hipótese da contaminação das águas dos poços, não se vindo, contudo, a confirmar. No entanto, há uma probabilidade muito real de num futuro próximo ocorrer um caso derivado ao consumo de águas impróprias dos poços caseiros. Há pouco tempo, o Jornal de Notícias noticiava que das 400 análises feitas no concelho de Ponte de Lima, em 2002 e 2003, metade dos poços estavam contaminados por «bactérias de origem fecal». Depois desta revelação só a apreensão se pode instalar nas nossas mentes. Então 50% dos poços analisados pela delegação de saúde estão contaminados e isto não provoca reacção de nenhum partido, de ninguém na sociedade dita civil?
Se extrapolarmos, e podemos faze-lo, estes dados para os poços que não são analisados, e estes são a maioria, fica-se com uma situação das mais preocupantes. Esta representa uma bomba relógio prestes a explodir e seria bem melhor desarmadilhar a bomba do que minimizar à posteriori os seus danos. O que dizem os senhores candidatos autárquicos ao saberem que a maioria da população limiana que os elegerá incorre no risco de beber água contaminada por «bactérias de origem fecal»? Se pensarmos que a água é, certamente, infectada pelas fossas das casas e que uma percentagem enorme da população limiana não tem alternativa aos seus poços e fossas, surge logo uma pergunta: porque que é que o poder político não investe muito mais nesta área? Se é um facto que o investimento nesta última década foi muito escasso porque é que não houve uma oposição que o exigisse? A resposta será por ventura o desabafo que se ouve nas ruas; que em Ponte de Lima não há oposição, que esta apenas aparece de quatro em quatro anos, atabalhoadamente, e logo desaparece com a noite eleitoral?
O nosso concelho não pode querer ser o mais florido, ser património da humanidade, apregoar ser um exemplo em novas tecnologias quando o mais básico do básico não existe. Não se pode esperar que uma tragédia aconteça, é preciso recuperar o tempo e acreditem que este é escasso.
Há mais de uma década que foi construída uma ETAR. Esta fica localizada perto da igreja de N. S. da Guia. Como é que ela tem funcionado? A falta de investimento na área do tratamento de esgotos e no abastecimento de água é gritante no nosso concelho. Não se pode ficar apenas por promessas vãs. É preciso actuar. Não se pode pactuar com ligações de águas residuais à rede de escoamento das águas pluviais. Não se pode passar junto ao rio sem sentir o cheiro e verificar a coloração da água (?) que sai junto à Avenida dos Plátanos ou junto ao Centro Náutico. Os jovens limianos ainda se banham nas águas do Rio Lima e estas absorvem as anteriores. Não haverá consequências?
Porque é que no século XXI, em Ponte de Lima, a população ainda tem que recorrer à água dos poços e a fossas sépticas? Porque somos o último concelho em percentagem de cobertura da rede de água e saneamento básico (?) em todo o distrito de Viana?

Diário do Minho 2005

Eleições Autárquicas - Resultados e artigos de opinião

Nestas eleições os limianos votaram pelo seguro e como não vêem alternativa credível votaram na continuidade. Daniel Campelo venceu mais uma vez. Há no entanto uma notória vontade de mudar e essa mudança poderia ser uma realidade se os partidos da oposição desempenhassem a sua função. Vejam-se os resultados que o PS obteve, não obstante o seu líder e cabeça de lista apenas ter assumido o lugar há coisa de um ano, este partido viu a sua votação aumentar em cerca de mil votos aproximando-se do PSD como nunca antes tinha acontecido. O PS é, aliás, um dos vencedores do passado domingo dia 9.
Com uma campanha bem montada, errou poucas vezes, demonstrou garra bem como uma nova forma de actuar muito mais viva do que até aqui se tinha verificado em Ponte de Lima. Nos últimos anos, para além de esporádicas incursões, o único que se comparou foi António Matos da CDU que também provocava a reacção, por vezes imponderada, por parte do Presidente da Câmara.
O peso da derrota continua na praceta Vieira de Araújo. O PSD na última década tem vindo a definhar, primeiro ficou com apenas dois vereadores depois delapidou a maioria na Assembleia Municipal na mesma medida em que foi perdendo as Juntas de Freguesia, este Domingo esta trajectória suicida culminou num resultado negativamente histórico para este partido, apenas 4 Juntas de Freguesia, 1 Vereador e 13 membros da Assembleia Municipal, perdendo eleitorado em todos os órgãos autárquicos. Terá chegado o tempo deste partido arrepiar caminho? Os responsáveis decidem...
Também a CDU se juntou ao clube dos perdedores. Depois da imagem renovada, que colheu frutos há quatro anos com António Matos, nestes quatro anos deixou-se adormecer perdendo vitalidade. O resultado foi a perda de eleitorado para o PS. Sorte o BE não estar ainda organizado em Ponte de Lima.
Após as eleições esperavam-se algumas reacções, uma delas era a de Abel Baptista. Sendo um dos vencedores a sua vitória é dupla. Por um lado a lista que encabeçava venceu, conseguindo acompanhar a lista para a Câmara Municipal no aumento do número de votos. Por outro lado venceu internamente, pois algumas facções mais "conservadoras" não se rogaram de, escamoteados na JP, apelar ao não voto naquela lista com o fim de penalizar a pessoa que a encabeçava. No seu artigo do jornal Alto Minho de 14 de Outubro, Abel Baptista, faz uma análise que, na generalidade, toca todos os pontos do sucedido. Mas há um ponto em que se engana, esse ponto é relativo ao PS. Se tem razão quando diz que o PS nada conseguiu em relação à outra eleição, também é verdade que o facto de ter conseguido manter os órgãos eleitos, com a única excepção de uma junta de freguesia, de ter aumentado a votação para a Câmara Municipal em cerca de 1000 votos, mais o de manter o numero de eleitos, 9, para a Assembleia Municipal, transforma-o num dos vencedores da noite de 9 de Outubro.
Também, Amândio S. Dantas, escreve, num artigo publicado no mesmo número do Alto Minho, a sua análise aos resultados eleitorais. No ponto 4, este colunista, faz referência ao PSD e pergunta porque é que os "tradicionais" votantes deste partido escolheram Daniel Campelo em detrimento de Manuel Trigueiro, remetendo a resposta para a tradicional divisão deste partido em facções. Não parece que este partido tenha sofrido, nestas eleições, das alegadas facções, muito mais notórias no CDS-PP e no PS. Esta candidatura, inclusive, reuniu em seu torno todas as suas estruturas, não existindo entraves a que aplicasse a sua estratégia. Não se viu ninguém deste partido a seguir os passos trilhados pela Juventude Popular, por exemplo.
Talvez o problema estivesse mesmo nas listas, na estratégia dos últimos quatro anos, na estratégia adoptada na campanha. Muitas são as hipóteses. Há um dado importante para a compreensão que o colunista se esqueceu de referir, o do historial deste partido. Aliás, como muito bem referiu o director do Alto Minho na noite de eleições, desde 1993 que o PSD tem vindo a perder eleitorado numa sucessiva má escolha de estratégias políticas. A estratégia de não fazer ondas foi penalizada e outro exemplo disso é o resultado da CDU. Quem quiser ver que veja.

Diário do Minho 2005

Eleições Autárquicas em Ponte de Lima

Aproximam-se as eleições autárquicas e, em Ponte de Lima, tal como nos outros concelhos, as movimentações políticas são muitas. Estas eleições adivinham-se as mais disputadas dos últimos tempos.
Depois de quatro anos mornos, os partidos da oposição surgem de uma forma gradual mas aparentemente forte. Os dois maiores partidos da oposição, o PSD e o PS, surgem com candidatos à Câmara Municipal que são precisamente os seus líderes locais, Manuel Trigueiro pelo PSD e Montenegro Fiúza pelo PS. Desta forma capitalizam algumas vantagens, nomeadamente a de terem o partido e as juventudes partidárias. O PS até refundou a JS local à sua imagem e em seu torno.
Os principais partidos da oposição estão notoriamente aptos a fazer frente à candidatura do CDS/PP. Na obstante de se ter que esperar pela campanha eleitoral e posteriormente pelo resultado das eleições para que se perceba até que ponto estes partidos conseguiram tornar estas circunstâncias numa verdadeira vantagem, ter um partido com um candidato que é ao mesmo tempo o seu líder, ter as juventudes partidárias, que deverão ser os pontas de lança dos partidos conferindo-lhes a irreverência e o desprendimento característicos da juventude, a reflectir a candidatura são circunstâncias que dão um empurrão objectivo no caminho certo, na mobilização das pessoas em torno de um projecto reflexo das ideias que os respectivos partidos têm para Ponte de Lima.
Há uma necessidade premente de um debate de ideias sério, um debate onde os limianos consigam aperceber-se do que significa, para a nossa terra, votar em determinado partido. Um debate onde os respectivos líderes dos diferentes projectos não se auto-excluam, no passado o actual presidente da Câmara fê-lo ao não participar num debate organizado pela nossa rádio local, a ROL. A necessidade de partidos fortes na oposição, com ideias e com vontade de intervir activamente é imperativo. Neste momento, provavelmente mais do que em qualquer outro, os ditos partidos têm todas as condições para assim procederem e a expectativa de que isso venha a acontecer é enorme. Num artigo anterior, fazia o apelo a que as juventudes partidárias voltassem a intervir publicamente, apelava à necessidade de os jovens se manifestarem sobre aquilo que querem para o seu concelho. Não se espera outra coisa das juventudes partidárias que não seja a sua convicta intervenção, livre de pressões, e, ao serem reflexo dos líderes dos seus partidos e candidatos à Câmara, têm a responsabilidade acrescida uma vez que ao apresentarem as suas ideias estas podem vir a ser incluídas nos respectivos manifestos eleitorais. Não se pense porém que isto basta, é necessário que não se deixem ficar apenas pelo papel e, acabadas as eleições, independentemente dos resultados, lutem para que essas ideias se tornem realidade.
Estou convicto de que, se existir uma optimização destes factores, haverá certamente um bom debate sobre Ponte de Lima e o seu caminho futuro. Os cabeças de lista à Câmara Municipal e líderes dos principais partidos da oposição têm tudo para melhorar os resultados dos seus partidos em relação ao passado. A candidatura de Daniel Campelo tem, aparentemente, uma boa luta pela frente.
Assim aconteça, porque só irá beneficiar o debate democrático sobre o futuro da nossa terra limiana.

Diário do Minho 2005

Juventudes partidárias em Ponte de Lima

Ao longo de mais de dois anos fiz parte de uma comissão política de uma juventude partidária em Ponte de Lima. A experiência foi muito enriquecedora a todos os níveis. É fantástico participar num projecto do qual conhecemos o princípio e que vamos ajudando a construir à medida que vamos enfrentando os problemas que nos fazem frente. Nas duas equipas de que fiz parte, ambas lideradas por uma pessoa excepcional, Nelson Lima, encontrei pessoas, jovens, dispostas a dar o seu tempo em prol do bem comum. Por vezes diz-se que na política apenas estão os que querem algo para seu proveito, pois das duas equipas a que pertenci não conheci ninguém que preenchesse esses requisitos.
Lembro-me que a primeira intervenção pública por nós encetada foi para alertar para o perigo que representavam umas barras de madeira na Lapa, e que, para nosso regozijo, representou a primeira vitória política, pois pouco depois as mesmas foram substituídas. Como as ideias iam surgindo, mesmo vindas de jovens que então não pertenciam à estrutura mas que nós ouvíamos como se o fizessem, a nossa intervenção politica foi-se alargando e tomando forma, transformando-se numa intervenção periódica. Em dois anos fomos marcando de uma forma ou de outra a vida política limiana. Desde intervenções sobre o Mercado Municipal, ouvindo e fazendo pública a voz dos seus utentes, passando pela qualidade das praias fluviais ou pela luta por uma política de juventude séria e planeada, terminando na divulgação da tentativa de cobrança de parqueamento no areal por parte da Câmara Municipal. Ainda há pouco tempo o Presidente da Câmara argumentava publicamente, usando precisamente os mesmos argumentos que nós apresentamos contra a ideia que ele então defendia, que a Câmara não poderia cobrar aparcamento porque nem o areal tem as mínimas condições nem a Câmara Municipal tem jurisdição sobre o mesmo. A verdade é que até hoje a cobrança não foi adiante.
Estes foram alguns dos episódios por nós protagonizados. Muitos outros ocorreram e contribuíram para que os jovens que participaram neles, lembro-me do David do Lago por exemplo, ainda hoje, em órgãos distritais e nacionais da mesma juventude partidária ou em associações juvenis, participem activamente na sociedade.
Depois desta experiência, não posso deixar de lamentar o novo desaparecimento do nosso concelho das escolas de política que são as juventudes partidárias. Não podemos deixar morrer a vontade de participação política dos jovens limianos, mas antes fomentá-la. Não se pode cair no erro de confundir as reais funções das juventudes partidárias com as de uma associação juvenil. Seria bom que, em ano de eleições autárquicas, as juventudes partidárias aparecessem com ideias concretas para Ponte de Lima, aparecessem com vontade de as debater, de participar activamente nos programas eleitorais dos respectivos partidos. Como era essencial que nesses programas eleitorais estivesse consagrada, por exemplo, a vontade de criação de um Conselho Concelhio da Juventude, onde os jovens seriam chamados para dar o seu contributo na planificação de uma verdadeira política de juventude.
Sem juventudes partidárias fortes de ideias, que não se prendam a objectivos obscuros de filiações em massa, com vontade de participação política, Ponte de lima fica mais pobre, a política limiana fica sem dinamismo, sem o idealismo próprio da juventude.
As juventudes partidárias têm que ter a coragem de voltar a sonhar com uma melhor Ponte de Lima.

Diário do Minho 2005

Vila de Santa Marinha de Arcozelo, segunda vila do concelho de Ponte de Lima ou primeira?

Arcozelo é a mais populosa das freguesias do concelho de Ponte de Lima, no entanto arrasta, já há vários anos, problemas que numa freguesia com menor número de habitantes não teriam a expressão que nesta freguesia têm.
Nesta freguesia não existe um verdadeiro plano de ordenamento do território. Veja-se a indústria de transformação de pedra. Esta é, sem sombra de dúvida, a base económica da freguesia, dando de comer a muitas famílias, mas ainda não tem nenhuma regulamentação, digna desse nome, ao nível de espaço próprio para que os trabalhadores e empresários possam labutar de forma mais digna e ecológica. Infelizmente, esta classe não tem sido, realmente, acarinhada por aqueles que o deveriam fazer. Falando na indústria da pedra, não podemos esquecer as cicatrizes profundas deixadas pela extracção que parecem não terem fim, a olho nu, e basta olhar para a serra de Antelas, ressalta o exagero. Desta situação surge uma pergunta, porque não actua a Junta de Freguesia? Esta não tira dividendos da concessão das pedreiras? Se
sim, não deveria canalizar esses fundos para a reabilitação das crateras produzidas pelas pedreiras?
Outro problema, também ele relacionado com a ordenação do território, é o das vias de comunicação. Falemos apenas nas estruturantes que são as mesmas de há vinte anos e que, apesar da triplicação da população e concentração desta em determinados lugares, continuam sem melhoramentos significativos. Alguns foram repavimentados, no entanto, com a multiplicação do transporte particular e a concentração das populações em bairros/lugares como os do Senhor dos Aflitos, do Salgueirinho/Outeiro, Sabadão, Senhora da Luz/Romeira, Faldejães, não basta repavimentar é urgente alargar e criar novos caminhos de forma a que a circulação seja feita de forma fluida e segura. É de louvar a beneficiação da zona da igreja paroquial efectuada com a colaboração da Igreja, pena é que não tenha tido continuação em direcção à estrada nacional que faz a ligação Ponte de Lima - Paredes de Coura e tenha morrido ali uma oportunidade única de reformular toda aquela área.
Fala-se da reabilitação da zona de S. Gonçalo, compete à Junta de Freguesia lutar que esta zona nobre da freguesia, não se transforme em mais um dormitório da sede de concelho. Esta é, a par da zona de Sabadão, uma das salas de visita da freguesia, pelo que se torna urgente uma reabilitação de real qualidade para zonas tão importantes.
Numa freguesia que acaba de ser elevada a vila, não é justificável a falta de associações verdadeiramente criadas em Arcozelo e para Arcozelo. É urgente a dinamização de associações culturais, de jovens e para os jovens, de teatro, de desporto. Onde já lá vai o clube de futebol de Arcozelo! Não basta o presidente de uma associação residir nesta vila para a associação ser de Arcozelo, não basta uma associação ostentar no seu nome Arcozelo para esta ser verdadeiramente de Arcozelo, é preciso que estas sejam constituídas por pessoas de Arcozelo para as pessoas de Arcozelo. A criação de espaços para a prática de desportos é outra prioridade da Junta de Freguesia que sair das próximas eleições autárquicas. No entanto, não se pode ficar pela criação, é necessário a sua manutenção e promoção afim de criar hábitos saudáveis na população.
Estes são alguns dos problemas urgentes nesta nova era de Santa Marinha de Arcozelo. É urgente espelhar a sua grandeza, que não se deixe enveredar pelo caminho mais fácil escolhido por algumas das freguesias em redor da sede de concelho. É imperativo que estas eleições reflictam o rumo que todos nós, habitantes de Arcozelo, queremos para a nossa vila. Este rumo é agora escolhido e cabe aos políticos apontarem o rumo que achem mais conveniente, para que nós possamos escolher o que realmente é melhor.

Diário do Minho 2005

Afinal, somos ricos ou pobres?

Como todos os portugueses se lembram, especialmente os limianos, há cerca de quatro anos, um deputado eleito pelo círculo de Viana do Castelo pelo CDS/PP encetou uma greve de fome que, nas palavras deste, serviria para chamar a atenção para o Portugal rural que o tinha eleito. As populações, supostamente representadas pelo deputado limiano, estavam fartas de ver os seus anseios esquecidos. A falta de condições mínimas, bem como a falta de uma “discriminação positiva” por parte dos governantes, eram no entender do ex-autarca, agora investido deputado pela capa do CDS/PP, intoleráveis. Daí até fazer um acordo mirabolante com o então governo de António Guterres foi um passo.
Desse acordo, ao Alto Minho e a Ponte de Lima em concreto, não adveio uma única vantagem, antes pelo contrário, se não vejamos o preço que iremos pagar nas nossas deslocações ao Porto pelo, até agora conhecido, IC 1. As contra partidas não se revelaram globalmente positivas e a factura demorou mas está a chegar e com juros.
Passados estes anos, a região e Ponte de Lima não evoluíram muito na resolução dos seus problemas. Basta ler-se um qualquer relatório de índices regionais para se constatar que Ponte de Lima está sempre nos lugares cimeiros, mas a contar de baixo. Saiba-se que é o concelho no Alto Minho com uma das menores percentagens na cobertura de saneamento e na rede de abastecimento de água, tem um rendimento disponível bruto das famílias per capita muito baixo da média do país e um valor médio dos prédios urbanos de propriedade horizontal maior que a média do país. Estes são os resultados de uma política de isolamento económico preconizada pela Câmara Municipal. Apostando numa agricultura arcaica e não promovendo os investidores locais, muitos deles jovens que, com um incentivo por parte das autoridades locais, criariam não só o seu próprio emprego como também para outros jovens limianos, põem, assim, termo aos seus projectos.
Ponte de Lima continua a abrir as portas de saída para os seus jovens, que, não podendo construir nas suas terras, juntos dos seus pais, onde os seus antepassados viveram e não podendo trabalhar no seu concelho, são forçados a deslocarem-se para as cidades vizinhas do Porto, Braga, Viana, Guimarães, Barcelos ou a “encaixotarem-se” nos apartamentos erguidos a pensar neles nas novas zonas periféricas da vila de Ponte de Lima.
Para estes e para os que a todo o custo conseguiram construir a sua habitação, estava preparada uma última surpresa: a taxa máxima do IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis - antiga contribuição autárquica) a vigorar no concelho.
Parece mentira mas é verdade, a Câmara Municipal de Ponte de Lima deliberou propor à apreciação da Assembleia Municipal e esta aprovou as taxas máximas de IMI, a saber: prédios urbanos - 0,8% e prédios urbanos avaliados, nos termos do CIMI: 0,5%.
Com uma avaliação que promove a desigualdade, já que os factores de localização aprovados são dos mais altos do Distrito, existindo, inclusive, situações verdadeiramente anormais, como por exemplo, algumas zonas de freguesias como Freixo, Refoios e Fontão terem índices superiores a algumas zonas de freguesias limítrofes da Vila, por exemplo Correlhã, foram-nos impostas aquelas taxas.
Com os factores de localização aplicados para o concelho, a valorização dos prédios novos (moradias e apartamentos) e a reavaliação dos antigos, tornará o valor patrimonial superior ao valor de mercado. Ora, com um valor superior dos imóveis a contribuição também será superior, já que a taxa incide sobre o valor patrimonial. Mas se tal não bastasse, a Câmara Municipal decidiu-se por fixar os valores máximos das taxas. No próximo mês de Abril as notificações para pagamento do IMI irão confirmar os factos.
Será esta uma política de fixação de população? Não o é com toda a certeza. Um casal de jovens que compre um apartamento ou que lhe seja legado pelos pais um terreno para construção ou uma moradia, terá bens cujo valor tributável é superior ao real.
Neste momento existe uma certeza, o concelho de Ponte de Lima tem taxas de IMI superiores à maioria dos outros concelhos do Distrito de Viana do Castelo e tem índices de desenvolvimento económico-social incomparavelmente inferiores.
Isto é, somos das populações mais pobres do Distrito, mas para pagarmos à Câmara Municipal somos dos mais ricos.
A Câmara Municipal apoiada pela maioria dos Presidentes de Junta de Freguesia e dos deputados da Assembleia Municipal, tem feito "tábua rasa" dos índices do INE e do Ministério da Solidariedade Social, da Família e da Criança, reveladores da verdadeira realidade de Ponte de Lima, aprovando ao longo do mandato as tarifas, taxas e licenças mais altas do Distrito.
Pergunta-se. Afinal, somos ricos ou pobres?...
Somos ricos para pagar impostos, mas somos pobres nos rendimentos que auferimos.
Este é um ano de muitas escolhas. É muito importante que os limianos tenham noção do passado recente. Também este servirá para uma melhor escolha daqueles que mais tarde serão os nossos representantes.
É caso para afirmar "...bem prega frei Tomás. Olhai para o que ele diz, não para o que ele faz"!

quinta-feira, novembro 17, 2005

O SONHO

Pelo sonho é que vamos,
Comovidos e mudos.

Chegamos? Não chegamos?
Haja ou não frutos,
Pelo Sonho é que vamos.

Basta a fé no que temos.

Basta a esperança naquilo
Que talvez não teremos.

Basta que a alma demos,
Com a mesma alegria, ao que é do dia-a-dia.

Chegamos? Não chegamos?
-Partimos. Vamos. Somos.

Sebastião da Gama, Pelo Sonho é que Vamos