sábado, março 25, 2006

Alto Minho artigo de 25-03-3006

Os partidos com representação na Câmara municipal

CDS-PP - Este partido sempre liderou a Câmara Municipal de Ponte de Lima, mesmo no tempo da AD. Mas o CDS-PP dos anos 70 e 80 desapareceu com a década de 90. Daniel Campelo, desde o tempo em que era vereador, moldou o partido à sua “persona”. Apostou claramente no controlo, na fidelidade e na falta de contestação para se impor dentro da estrutura. Mesmo quando não era o seu líder formal, ele é que ditava o rumo. O presidente do CDS-PP limiano não é Campelo. Alguém que não esteja particularmente atento saberá quem é? O CDS-PP limiano não é um partido de massas. Não tem muitos militantes. No entanto, tem muitos simpatizantes claramente fruto dos 30 anos de detenção do poder local. Este é o seu fiel eleitorado.

Pese embora não assumirem as divergências, para quem observa a política concelhia, é clara a divisão entre os seguidores de Campelo. Nas últimas eleições, estas divergências foram peremptórias e públicas. A reacção impetuosa de uma estrutura como a JP, que tem uma intervenção pública manifestamente inexistente, contra o seu cabeça de lista à Assembleia Municipal foi prova disso mesmo. Abel Baptista conquistou a distrital, mas parece ser visto como uma ameaça dentro da sua concelhia. O posicionamento no xadrez político no seu estado mais puro. Peão ameaça bispo…

Desde os anos 90 que a aposta é no populismo e no mediatismo, aliás, seguindo a política do então líder Manuel Monteiro. Infelizmente continuou assim até aos dias de hoje.

Campelo afirmou que esta candidatura seria a sua última. A ser verdade, abre a possibilidade de renovação interna e, pelo que se passou nas últimas eleições, de uma possível guerra intestina.

Falta saber se é o CDS-PP que realmente existe em Ponte de Lima ou se é o fenómeno mediático Campelo.

PSD - O PSD é o eterno número dois do concelho. Esteve perto da vitória com Gaspar Castro, mas já no final da campanha sucumbiu, vindo a perder por quatro ou cinco centenas de votos.

Este partido é um caso único no panorama político local. Consegue constantemente vitórias nas eleições nacionais, vitórias estrondosas, ao mesmo tempo que vai perdendo eleitorado de uma forma quase violenta nas eleições locais. A explicação só pode ser uma: a liderança.

Os líderes do PSD local têm sido os mesmos nos últimos 10 anos. Primeiro com Manuel Trigueiro depois com Pedro Ligeiro e agora mais uma vez com Manuel Trigueiro. Estes líderes demonstraram não conseguirem fazer frente ao fenómeno Campelo. Nunca o PSD perdeu tantos votos e mandatos como nos últimos anos.

Ligeiro liderou a JSD concelhia com sucesso, mas não o fez na liderança do partido. Um líder não pode ser refém de ninguém. Trigueiro parece não conseguir que o partido lhe perdoe algumas posições do passado. A sua liderança não surte sinergias, mas antes repulsas mesmo naqueles que antes lhe eram próximos.

A aposta destes dois líderes, que têm conjuntamente traçado os destinos do PSD local, em aumentar desmesuradamente o número de militantes apenas surte efeito internamente. Em eleições, essas filiações não se têm traduzido em mais votos. A militância tem que ser um meio e não um fim.

PS – Este partido não era, localmente, tido muito a sério. Esta situação mudou com o surgimento de Montenegro Fiúza. O actual líder conseguiu entrar no meio, não ser encarado como uma ameaça aos então lideres e paulatinamente conquistou o poder interno. A verdade é que renovou o PS limiano, dando-lhe uma dinâmica que nunca antes se tinha visto neste partido em Ponte de Lima. Falta saber se estas mudanças são para ficar ou apenas passageiras.

A ascensão de alguns dos actuais membros do seu staff e o afastamento de outros, chamados históricos, causou algum embaraço na estrutura. Estes estiveram calados durante o período de eleições, que correu melhor do que alguns vaticinavam, mas o actual período é de eleições internas e a contestação já começou.

Falta saber se a quase ausência do líder nos últimos tempos associada à contestação já referida conseguirá reunir apoios numa estrutura cada vez mais moldada à imagem do seu actual líder.

Nota

A CDU não faz parte deste leque, mas não poderia deixar de a referir. É notório que a retirada abrupta do seu deputado municipal António Matos fez mossa. O eleitorado diminuiu e dispersou-se. A contestação desapareceu e o partido parece não encontrar o rumo anterior. Não estão em causa vedetas, mas sim a capacidade de intervenção, de oposição, de mostrar uma alternativa. A CDU parece ter perdido todas.

sábado, março 18, 2006

Alto Minho artigo de 18-03-2006

Dia da Mulher

Algumas amigas minhas interpelaram-me sobre o porquê de não ter abordado no último artigo este dia "tão importante". Uma falha imperdoável, diziam. A resposta é simples. A comemoração deste dia faz tanto sentido como a introdução, tão proclamada pelo Partido Socialista, de cotas para mulheres na intervenção política. Nenhum! Porquê? Porque a igualdade entre sexos é tão natural que só o facto de se forçar a participação com cotas ou a existência de comemorações bacocas produzem sempre o efeito contrário ao pretendido. A desigualdade entre sexos.

Mas o dia serve para chamar a atenção para as desigualdades, dizem. Pois poderá ser, e surte algum efeito? Eis um exemplo de como não há realmente necessidade das pretensas chamadas de atenção ou imposições de cotas: é um facto que a maioria dos estudantes do ensino universitário são mulheres, alguém introduziu algum tipo de cotas para que este se verificasse? Obviamente que não. O mérito associado ao querer, tal como o azeite, vem sempre ao de cima, independentemente de se ser homem ou mulher.

União do distrito de Viana do Castelo

Finalmente aparecem os primeiros sinais de luz no fim do túnel. Francisco Araújo reuniu com Rui Solheiro com a finalidade de discutir a união do Alto Minho numa só comunidade. Depois de alguns responsáveis da VALIMAR, nomeadamente a Vice-Presidente da Câmara de Viana do Castelo, Maria Flora Silva, e o Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, minimizarem e quase menosprezarem o apelo da Intermunicipal do Vale do Minho para a unificação, a importância para a região do Alto Minho do próximo Quadro Comunitário de Apoio parece ter-se imposto, revelando maior importância que algumas pretensas vaidades pessoais. Ainda bem que assim é. O Alto Minho anseia esta união.


Não deveria ser sempre assim?

O Partido Socialista do distrito elegerá as concelhias no próximo dia 31. Pois a este propósito, o líder dos socialistas de Caminha, Jorge Fão, afirmou estar disponível para se recandidatar, mas, vejam bem, apenas se recolher o apoio das bases do partido. Muito bem, uma afirmação muito, digamos, bonita. Uma pergunta apenas. Não é suposto, numa eleição democrática, ser eleito quem os eleitores, neste caso as bases, escolherem, logo apoiarem? Normalmente é assim que funciona. Normalmente, pois claro.

Para terminar, é de referir que Jorge Fão, para quem não sabe, é deputado do PS na Assembleia da Republica Portuguesa. "Muito bem… Apoiado..."

Arte e desporto

É imperativa uma visita à exposição de pintura e artes plásticas de Fátima Meireles na Torre da Cadeia Velha. Uma exposição onde se poderá encontrar um trabalho de mais de 10 anos.

O clube náutico de Ponte de Lima está, mais uma vez, de parabéns. O seu atleta, Nuno Barros, além de ter sido chamado para a selecção nacional sagrou-se, este fim-de-semana, campeão nacional de maratonas.

Assim fica provado que com meios o desporto limiano pode dar cartas.

sábado, março 11, 2006

Alto Minho artigo 11-03-2006

Alento

O porta-voz do PS limiano ganhou um novo alento, vai a todas. Escreve, escreve, pecando apenas por se esquecer, por vezes, de ler o que escreve. Percebemos porquê.

Se alguém refere o seu partido, logo a resposta da clarividência dispara. Se a critica é aos outros, estamos perante democracia, se a critica é para eles, estamos perante pessoas que não estudam seriamente os assuntos. Se o fizessem, não criticavam as posições do PS que são tomadas após profundo estudo, claro. Ou então, como é óbvio, são pessoas que não conseguem encaixar a opinião dos outros. Ora aí está!

Outra preocupação, demonstrada pelo dito porta-voz, assenta sobre o que se passa internamente noutros partidos. Lamenta-se de não saber quem representa a vontade de determinada formação política. Pois a resposta parece obvia a 99% dos inquiridos, segundo os quais as Comissões Políticas são eleitas para isso mesmo e ninguém lhes rouba essa incumbência. Agora, os militantes da tal formação política são livres de exprimirem a sua opinião, sem constrangimentos ou directivas de reuniões de “staff”.

Será que o PS limiano tem tiques do antigo leste europeu? O indivíduo não terá autonomia intelectual?

Bom, pelo menos o porta-voz do PS vai ganhando algum alento.

As "obras de Santa Engrácia" de Ponte de Lima

A carta aberta do deputado Abel Baptista neste jornal foi bastante interessante e esclarecedora. Depois de a ler ficamos a pensar que se a um deputado, a empresa Águas do Minho e Lima, nem sequer se dá ao trabalho de redigir uma resposta, como reagirá perante um simples cidadãos. O certo é que nesta matéria a opinião pública parece unida na contestação.

A este propósito, Daniel Campelo, na Assembleia Municipal, afirmou que não existe obra sem buracos ou sem pó. É certo que sim, mas neste caso abusou-se, e muito, dos buracos e do pó, aliás da própria paciência dos contribuintes que não são obrigados a tê-la como Job. Basta ler e ouvir o presidente da distrital do CDS-PP, o deputado já mencionado, para se perceber o porquê.

Centros escolares

O presidente da Câmara de Ponte de Lima escolheu uma rádio de Viana do Castelo para, pela primeira vez, afirmar que apoia a política do governo socialista para a educação e que as negociações, quanto ao encerramento de alguns estabelecimentos de ensino, ainda decorrem. A política para as escolas do primeiro ciclo em Ponte de Lima foi finalmente tornada pública. O fecho de escolas e a concentração dos alunos em centros escolares é o caminho.

Já não era sem tempo. É salutar que a Câmara esteja aberta a negociar o encerramento das escolas. No entanto, no melhor pano cai a nódoa. No sábado passado, Daniel Campelo acrescentou a possibilidade das escolas, que venham a ser fechadas, reabrirem no futuro. Pese embora a concordância da oposição quanto aos Centros Escolares, não poderá alinhar em afirmações populistas como as de sábado, mas ser firme na posição que escolheu. Esta é uma nova perspectiva de ensino e deverá sê-la a longo prazo.

Talvez seja tempo, sem recorrer ao populismo, de esclarecer os pais daquilo que está em jogo.

Transporte oficial

Depois de ler um artigo de Adam Boulton, editor de política da Sky News, acerca dos transportes oficiais do governo britânico, lembrei-me da polémica que se instalou aquando da compra do primeiro transporte oficial para o presidente da Câmara de Ponte de Lima. Era Francisco Abreu Lima presidente da Câmara e a escolha recaiu sobre um Peugeot 405. Na altura, algumas vozes se insurgiram contra esta compra, perguntando para quê e porquê. Era um gasto supérfluo, diziam. Actualmente, além do BMW presidencial, existem os Peugeot’s de vereação. Passados quase vinte anos, é interessante verificar a evolução da maioria das vozes críticas. Pura demagogia populista, pois claro.

sábado, março 04, 2006

Alto Minho artigo de 04-03-2006

A "ilha"

Havia uma "ilha" algures na antiguidade que sucessivamente era chacota das ilhas vizinhas. Tinha por responsável um cidadão que, qual César, como os da família Júlia de Roma, se achava descendente dos deuses. Merecedor de toda a reverência, portanto. Essa ascendência concedia-lhe, certamente, o dom de ter sempre razão. Os que dele discordavam só poderiam ser maus cidadãos, com certeza uns conspiradores merecedores de eliminação.

Essa "ilha", que tinha tudo para ser um exemplo para outras, era de facto um caso único. Á medida que aumentava o exército, mais derrotas somava no confronto com os exércitos das ilhas vizinhas. Os responsáveis encontravam sempre uma desculpa para a derrota, sempre factores externos, nunca internos. Aliás, os outros cidadãos não se deveriam perturbar, pois estes tinham tudo controlado. O exército servia para isso mesmo, para o controlo interno e não para as batalhas com as outras ilhas. O que interessava era o controlo da ilha.

Mas eis que as pessoas da ilha se começaram a questionar. Seria este o rumo certo?

Alguns passaram para outras ilhas, até para ilhas desertas, mas outros optaram por ficar. O exército aumentava, apesar do acumular de derrotas, no entanto deram-se conta de que este era frágil, feito de mercenários sem qualquer afeição à ilha. Perceberam, então, que tinham um dever para com os que anteriormente tinham consolidado a ilha. Esta não poderia desaparecer.

O exército do velho responsável parecia forte, mas a confiança nas pessoas, no seu desejo de mudança, no seu desejo de devolver à ilha o poder de outrora era superior.

Não era tempo para hipócritas simulações. Era tempo de renovar a esperança. Era tempo de retomar o lugar de primazia que a ilha sempre tinha tido no arquipélago.

A vitória sempre foi possível...

Democracia

Porque mesmo aqueles que deveriam ser o garante da democracia por vezes se esquecem, o Dicionário da Língua Portuguesa diz o seguinte;

Democracia – Sistema político em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade...

Igualdade – (...) princípio de organização social segundo o qual os indivíduos devem ter os mesmos direitos, deveres, privilégios e oportunidades...

Liberdade – (...) poder ou direito de agir sem coerção ou impedimento (liberdade de execução ou de acção)

Esterilidade

Os partidos são, sem sombra de dúvida, no nosso sistema democrático, as colunas de sustentação desse mesmo sistema. Deles imanam, normalmente, os representantes dos cidadãos que governarão a coisa pública. Essa função é a mais nobre de todas. A representação dos concidadãos é a maior das responsabilidade que algum cidadão pode exercer numa sociedade democrática. É por isso mesmo que vejo nos partidos um local onde a preparação, o envolvimento dos militantes o pulsar da democracia deveriam florescer. Não se compreende como esta visão possa ser para alguns alvo de chacota. Não se compreende como se pode ficar passivo, quando o costumeiro dentro dos partidos passa a ser a procura única do poder interno. Será que não é evidente a atrofia esterilizante a que esse caminho conduz?

sábado, fevereiro 25, 2006

Alto Minho artigo de 25-02-2006

O adeus aos Ralis

O Campeonato Nacional de Ralis de 2006 parte para a estrada esta sexta-feira, dia 24 Fevereiro, com o Rali Casino da Póvoa. Depois de duas décadas a albergar provas nacionais e internacionais, desde 2003, o concelho de Ponte de Lima deixou de ser uma das “mecas” dos ralis em Portugal. Primeiro as provas internacionais, depois as nacionais, todas deixaram os percursos limianos. É pena que os responsáveis autárquicos tenham deixado de ver nestes eventos desportivos como uma boa forma de promoção de Ponte de Lima.

Fica a nostalgia do último rali que passou nas nossas florestais, precisamente o rali Casino da Póvoa, que nesse ano contou, inclusive, para o europeu da modalidade.

Aos aficionados restam os treinos que várias equipas nacionais e internacionais realizam em Ponte de Lima, atestando assim a qualidade das suas florestais para a competição.

Fica a saudade.

Novas Feiras Novas

O pelouro da Cultura, no intuito de promover o fim-de-semana Gastronómico e utilizando o pretexto dos 180 anos da autorização para a realização das Feiras Novas, irá realizar uma festa evocativa imitando as festas do concelho de 1826. A ideia é boa, mas talvez um pouco abusiva. Se por um lado casa na perfeição o que de melhor Ponte de Lima tem para dar, por outro, a tentação de banalizar as festas do concelho poderá ser muito forte. A ideia de repetir já no próximo ano não tem sentido algum, tal como no Sarrabulho, é preciso ter algum cuidado e recato. Se querem festa, muito bem, façam-na. Mas deixem de fora o nome Feiras Novas.

Assembleia Municipal

Na Assembleia Municipal limiana a maioria absolutíssima dos seus membros é afecto ao partido que detém o poder na Câmara Municipal. Este facto reduz para praticamente zero a margem de manobra dos partidos da oposição. A decisão foi dos cidadãos, mas, e bem, há membros que não se intimidam com este factor, uns isolados, outros sobre a chancela partidária vão questionando o edil. Umas vezes propondo, outras vezes observando, outras ainda questionando. A última Assembleia foi disso exemplo e assim é que deve ser.

Parece que alguns reencontraram o caminho que os eleitores lhes traçaram. Só foi pena que, depois de ultrapassadas as reticências do PS em relação à forma da moção de Abel Braga na qual rejeitava o fecho da PSP, a moção não tenha sido aprovada por unanimidade, e que o Presidente da Câmara não tenha esclarecido devidamente se a construção de Centros Educativos é indicativo do efectivo fecho de algumas escolas. Talvez o facto de ter de explicar algumas das localizações dos referidos Centros tenha pesado nessa omissão.

Intervenção cívica ou a prática da cidadania

"Os indivíduos têm direitos, e há coisas que nenhuma pessoa ou grupo pode fazer-lhes (sem violar os seus direitos)"

Robert Nozick In Anarchy, State and Utopia


Faço parte de uma geração que toda a vida viveu em democracia, não fazendo sequer sentido equacionar outro tipo de organização social. Por ter nascido nos anos em que Portugal dava os primeiros passos em democracia, nunca poderei gritar aos quatro ventos o argumento da luta antifascista, como muitos fazem, nem o de ser militante de algum partido desde os idos de 70, geralmente estatuto de superioridade sobre esses “cristãos novos” dos partidos.

Sendo que a democracia é inseparável da cidadania, vejo-me na obrigação de intervir civicamente. Como gosto da minha terra, orgulho-me de ser limiano. A minha intervenção cívica passa, essencialmente, por Ponte de Lima. Desde alguma militância partidária activa, até ao uso do meu direito a ter opinião, tenho feito o possível para participar na vida cívica limiana. O meu objectivo é esse, participar activamente, seja com ideias, com opiniões ou criticas, não me prendendo a fátuas fidelidades caninas.

Tal como a democracia me dá o direito a exprimir a minha opinião também dá o direito a quem não gostar dela de, simplesmente, não a ler.

sábado, fevereiro 18, 2006

Artigo no Alto Minho 18\02\2006

Passagem de testemunho

Ao fim de 36 anos como Arcipreste de Ponte de Lima, monsenhor José Ribeiro, deixa este cargo ao padre José Sousa, pároco de Santa Maria dos Anjos. Este, com certeza, desempenhará o seu novo papel com a dedicação ao serviço que já nos habituou.
O clero limiano prestou homenagem a José Ribeiro, que durante 36 anos foi o primeiro dos seus servidores. Foram muitos os anos. Uns melhores que os outros, com conflitos, com tristezas, mas também com muitas alegrias e com encontros. Fica, no fundo, o exemplo de uma vida de serviço.


Pedreiras

A sua legalização sem pagamento de taxas foi estendida até Julho. Será importante que esta indústria basilar da parca economia limiana passe agora a cumprir as leis ambientais. Será mais um exemplo dado por Ponte de Lima. O exemplo de que as actividades industriais também têm preocupações ambientais. Os limianos agradecem, os visitantes agradecem, mas, mais importante, os nossos descendentes agradecerão.


TIR

Pelas estradas municipais e nacionais do concelho limiano, tem, nos últimos anos, proliferado, quais cogumelos, o estacionamento selvagem de camiões TIR. Para além do impacto estético das valetas e passeios ocupados e de se tornarem, em certas zonas, perigosos para a circulação normal do trânsito, são também as vítimas perfeitas para assaltos.
Depois da central de camionagem que veio terminar com uma situação análoga é imperativo pensar num local dedicado exclusivamente para o aparcamento dos camiões TIR no concelho limiano.


Interessantes afirmações

Os vereadores Gaspar Martins e Franclim Sousa fizeram algumas declarações interessantes na ROL. O primeiro justificou a sua proposta, aliás positiva, para a redução das taxas de saneamento e abastecimento de água com a carga fiscal que já pesa nos bolsos dos limianos. Ao que parece, a proposta foi aprovada por unanimidade. Só foi pena não terem verificado esse peso elevado, quando, em Novembro, a Câmara Municipal, propôs à Assembleia Municipal a taxa máxima de IMI.
O segundo, na gincana de não tomar uma posição inequívoca acerca do encerramento das escolas do primeiro ciclo, afirmou que há muito que se conheciam os parâmetros que as escolas deveriam cumprir para que não encerrassem. Ora, se já eram do seu conhecimento, impõem-se algumas questões: Porque é que a maioria das escolas que agora estão ameaçadas de encerramento foram alvo de reformulações, quase todas elas há menos de dois anos? Não poderá ter existido aqui um desperdício de recursos? Se já se sabia, a priori, que algumas escolas não iriam cumprir com os parâmetros propostos, porque se insistiu em alimentar a esperança das populações? Os centros escolares que estão a ser construídos vão servir que freguesias?
A Câmara Municipal não pode continuar a escudar-se na DREN. É tempo de assumir o caminho que quer que seja trilhado para o nosso primeiro ciclo.

sábado, fevereiro 11, 2006

Alto Minho 11/02/2006

AD “Os Limianos”

Depois de anos terríveis, de quase certa condenação à extinção, “Os Limianos” parecem ter encontrado um novo e bom caminho. A equipa liderada por Adelino Tito de Morais conseguiu reerguer o clube, dando-lhe de novo a importância de outrora na competição e na sociedade limiana. A difícil tarefa de estabilização financeira, a liderança no futebol, a secção de hóquei, a secção de basquetebol, as publicações e a presença na Internet, novas e boas novidades, são exemplos do bom trabalho que se tem vindo a realizar em prol do clube.
Os Limianos são, neste momento, um exemplo. É certo que ainda não está tudo feito, mas o futuro parece voltar a ser sorridente para os lados do campo do Cruzeiro.


Propostas

O sonho comanda a vida.
Manuel Trigueiro propôs que o convidado de honra para as Feiras Novas deste ano fosse alguém com relevância internacional na área do voluntariado para com os mais desfavorecidos, dando o exemplo de Bono Vox, vocalista dos U2, ou George Geldof, mentor do Live Aid. Pois! Eu proponha a Angelina Jolie, Embaixadora da Boa Vontade pelo Alto-Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados, é que neste caso há sempre a possibilidade de meter uma cunha a António Guterres, velho conhecido de Daniel Campelo, e, além do mais, sempre daria outra graça…
Manuel Trigueiro demonstrou, no entanto, ter sensibilidade para as necessidades do mundo. O que é bom. Talvez assim não caia em saco roto o que uma juventude partidária, aliás a do seu partido, a JSD, trouxe a público, no final do ano passado. É que a poucos quilómetros da vila de Ponte de Lima há pessoas a viverem em condições desumanas. Talvez esta sensibilidade demonstrada tenha repercussões positivas para as ditas situações.
Se não conseguirem trazer ninguém dos mencionados anteriormente, não há problema nenhum. Em Ponte de Lima há várias pessoas que muito fazem para minimizar situações de pobreza e miséria extrema. É certo que não são vedetas internacionais, mas também é verdade que, pelo que fazem voluntariamente, sem outra intenção que não a de ajudar o próximo, são merecedoras de todas as honrarias.


Alto Minho

A região do Alto Minho continua a ter índices de desenvolvimento, rendimento per capita, (etc) dos mais baixos de Portugal. Não é aceitável nem razoável que se continue a perpetuar um erro como o da divisão da região em duas áreas distintas, a VALIMAR e CIVM. A altura não se compadecesse de indecisões.
A Intermunicipal veio propor uma unificação, a vereação do PSD na Câmara Municipal de Viana do Castelo, pelo seu líder, Carvalho Martins, propôs, em reunião da Câmara, esse caminho. Infelizmente, a sua vice-presidente repostou, afirmando que a VALIMAR aceita propostas de adesão. Eis a razão, precisamente, pela qual o Alto Minho continua no estado em que está. Não é o entendimento que se procura, mas a vitória de uma das partes. Daniel Campelo classificou a proposta como fora do tempo. Já não há tempo é para prolongar o erro. Os membros de Ponte de Lima eleitos para a Assembleia da VALIMAR concordam com o vice-presidente da Comunidade? Esta Assembleia ir-se-á pronunciar sobre este assunto?
A nós, Alto Minhotos, resta-nos esperar que alguém ponha cobro a esta situação anómala e inaceitável, que é a divisão da nossa região.

sábado, fevereiro 04, 2006

Alto Minho 04\02\2006

Confraria Gastronómica do Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima

A Confraria Gastronómica do Sarrabulho à Moda de Ponte de Lima (CGSPL) foi finalmente constituída. Tem como finalidade zelar pela genuinidade do prato ex-libris de Ponte de Lima. A grande referência na confecção será a receita de Belosinda Varela, conhecida como Clara Penha. Assim os restaurantes se associem a esta iniciativa, a bem deles, a bem dos nossos visitantes, e, acima de tudo, a bem da imagem que ponte de Lima quer imprimir e vender.

Estradas

As tão ansiadas obras para o abastecimento de água estão a tornar-se uma verdadeira dor de cabeça para a população. A dificuldade de circulação começa a ser notória um pouco por todo o concelho. Nem com a intervenção do deputado do CDS, Abel Baptista, a situação melhorou.
Apesar dos apelos públicos, insiste-se em não repor o piso. Talvez esta opção seja para que este compacte melhor, mas até quando? Esta situação, que parece não ter termo, apresenta-se como uma falta de respeito para com os transeuntes.
É urgente chamar a atenção dos responsáveis da obra. As Câmaras Municipais e a Águas de Portugal, SGPS, S.A. são os titulares do Capital Social da Águas do Minho e Lima, S.A.. A Câmara de Ponte de Lima, dentro das Câmaras Municipais, é a segunda com maior participação no Capital Social, logo, terá, certamente, uma voz activa dentro desta empresa. Seria bom que a usasse o quanto antes possível.

PSP

A Câmara Municipal, em reunião, insurgiu-se contra o possível encerramento do posto da Polícia de Segurança Pública em Ponte de Lima. Outros intervenientes da vida política limiana como a Junta de Freguesia Ponte de Lima, a Junta de Freguesia de Arcozelo e o Partido Social-democrata também já se manifestaram publicamente contra essa decisão. Falta saber a posição do PS local. Porque não assumem publicamente a sua posição? Por ser resolução do seu governo?
Quanto ao problema em si, este requer meditação. Se a PSP sair, será aumentado o número de homens da GNR bem como os seus meios? Se assim for, será que a segurança dos cidadãos diminuirá? Estará a GNR vocacionada para o novo serviço?

Post Scriptum

A participação cívica é algo que se deve promover entre os cidadãos. Nos órgãos de poder e nos órgãos de comunicação, como os jornais, as rádios, os blogs a participação dos cidadãos é salutar. Todos temos o direito, o dever, de participar civicamente. É, no entanto, interessante verificar como algumas pessoas, que passam a vida a exaltar essa participação, rapidamente alteram o seu pensamento, quando aquela se desenvolve no campo oposto ao da sua posição. Alguns resquícios de militância, em tempos de juventude, na extrema-esquerda, certamente. É pena verificar que alguns, quando exercem cargos electivos, se esquecem do que escreveram e disseram antes de os exercerem. É estranha a transformação. A esta mudança de atitude, nos idos de setenta, pós revolução, os tais da militância na extrema-esquerda, chamavam de aburguesamento.
A propósito, depois de ler o artigo do senhor Manuel Pires Trigo, no Alto Minho do passado sábado, logo me ocorreram alguns versos do poeta Manuel Alegre em Trova do vento que passa:

Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
(...)
Silêncio - é tudo o que tem
quem vive na servidão.
(...)
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.

sábado, janeiro 28, 2006

Alto Minho 28/01/2006

Boa sorte… Obrigado senhor Primeiro-ministro

Ponte de Lima foi acordada, na quarta-feira da semana passada, por uma óptima notícia, a IKEA iria abrir uma fábrica em Portugal e tinha escolhido o concelho limiano para a implementar. O Primeiro-ministro deslocar-se-ia à nossa terra para assinar com a multinacional o memorando de entendimento entre a IKEA e a Agência Portuguesa de Investimento. No final do dia a notícia já era exactamente assim, afinal Ponte de Lima era uma das 20 hipóteses para o local de instalação da unidade fabril.
O governo, representado pelo Primeiro-ministro, veio a Ponte de Lima abanar com o "bife" aos limianos para depois dizer boa sorte para o receberem… No mínimo revoltante.
Já agora, foi Luís Abreu Coutinho, advogado da Rui Pena, Arnaut & Associados, que teve a seu cargo as negociações do contrato de abertura da fábrica IKEA em Portugal. Luís Coutinho foi membro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, eleito pelo PSD, até às eleições autárquicas últimas. Não foi candidato neste mandato por razões que a razão desconhece, mas que os responsáveis locais do PSD conhecerão.

Entrevista do Presidente da Câmara

Daniel Campelo foi entrevistado pela Rádio Ondas do Lima. Sobre a IKEA o Presidente afirmou que ainda nada está certo, no entanto não queria adiantar muito mais sobre o assunto. A suspeita ficou assim no ar. Se a ideia era marcar pontos internamente, a atitude é lamentável, este assunto é demasiado importante para essas situações. Se não se pode falar, não se fala! Ainda sobre as empresas, lá foi afirmando que, mesmo quando tudo indica que se irão instalar em Ponte de Lima, na realidade poderão até não o fazer. No entanto não será esse o caso da COBRA, afirmou. Esperemos bem que não, com as expectativas elevadas que têm sido incutidas na população, essa situação teria consequências desastrosas. Ficou por perguntar se também existem incentivos aos investidores limianos que queiram investir na sua terra, e por exemplo, se ao licenciar a muralha de hipermercados, que se vai erguendo, a Câmara pensou nas devidas consequências dessa decisão para o comércio tradicional.
Quanto ao futuro do areal, o Presidente lá admitiu que o estacionamento tende a acabar. Com os parques da N. S. da Guia, de S. João e os subterrâneos só em casos especiais o areal voltará a ser aberto ao estacionamento. Alguém já pensou o que esta medida significará para o centro histórico? O novo parque no S. João irá ser como o da N.S. da Guia que permanece quase sempre fechado?
Quanto à iluminação pública o entrevistado alegou o gasto supérfluo de electricidade na iluminação pública. Pois, e para quê investir em equipamentos de iluminação quando passados alguns anos estão totalmente degradados? Não será que este “desleixo” se torna também oneroso para os cofres da autarquia?
Alguém já afirmou em tempos que a politica seguida no nosso concelho na última década é a da criação de uma reserva onde os limianos não são actores mas figurantes. Esta entrevista mostra como se quer transformar Ponte de Lima num bom local de passeio e não num bom local para se viver. É pena.

Mais uma vez o IMI

Segundo o Diário Económico, as Câmaras Municipais começam a abandonar os valores máximos do Imposto Municipal sobre imóveis. Eis uma notícia que nos deveria alegrar, ou talvez não, porque, infelizmente para nós, limianos, apenas por solidariedade. Em Ponte de Lima, a Câmara Municipal, com a rectificação da Assembleia Municipal, aprovou a taxa máxima, tal e qual como nos grandes centros urbanos, que, com a excepção de Lisboa, mantiveram a taxa ao nível mais elevado.
Com o "grande" poder de compra dos limianos e com a actual situação financeira do Município era obvio que não se poderia esperar outra decisão que não a de manter a taxa máxima no nosso concelho. Haja jardins…

sábado, janeiro 21, 2006

Alto Minho artigo 21-01-2006

Será a morte do Centro Histórico?

A crescente oferta de novas habitações, inevitavelmente prédios, nas freguesias circundantes; a inexistência de oferta habitacional moderna no centro histórico; a impossibilidade de reconstruir quer pelos preços incomportáveis, quer pelos entraves burocráticos são factores que, associados a mais alguns, têm conduzido ao envelhecimento da população e consequentemente à desertificação humana. A deterioração é cada vez mais crescente no parque habitacional do Centro Histórico. Os jovens quando pensam em adquirir casa própria na vila de Ponte de Lima nunca lhes ocorre uma no Centro Histórico, seria um “luxo” para o qual eles, por norma, não estão financeiramente habilitados, nem mesmo os que sempre lá residiram. Uma grande parte das famílias ainda lá reside, porque nunca teve a oportunidade de se mudar para um dos novos blocos de apartamentos na Feitosa e na Graciosa .
Fazem falta medidas para inverter esta tendência suicida: implementação de realidades tão em voga noutros Centros Históricos como a disponibilização de postos Wireless para acesso à Internet gratuitamente, disponibilização da televisão por cabo, desburocratização de todo o processo de obras e o incentivo de cariz fiscal ou subsidiário a que estas se realizem, incentivo à habitação própria para os jovens. Todos estes aspectos são exequíveis, se existir a verdadeira consciência de que a actual situação não irá melhorar só por si.
Esperemos que a construção de um novo parque de estacionamento na área de S. João não seja sinónimo da proibição unilateral do estacionamento no areal, pois isso seria a condenação à morte do Centro Histórico. Significaria o golpe de misericórdia ao comércio tradicional que aí labuta e, que na realidade, é quem contribui para a pouca vida que o Centro Histórico tem.

Procura-se

Hoje em dia, infelizmente, o Natal é precedido pelo “bombardeamento” da personagem Pai Natal. Passado o Natal, esta personagem logo desaparece para satisfação de alguns. Também na vida política há intervenientes que, com o aproximar das eleições, se fazem notar até à exaustão para logo de seguida desaparecerem. Ainda há poucos meses se realizaram as eleições autárquicas. Destas saíram muitas surpresas, umas mais agradáveis, outras menos. Alguns, logo na mesma noite, não se coibiram de afirmar que tinham escrito uma página na história. Não seria tanto assim, mas, realmente, tinham saído bem das eleições e parecia que tudo iria ser diferente a partir de então. O ânimo da noite eleitoral parece, no entanto, ter esmorecido. Até quando irá durar o estado de graça do actual executivo? Urge a participação firme dos eleitos, uma participação que não fique pela virtualidade, já que para isso foram eleitos. É que essa participação seria, em princípio, boa para Ponte de Lima. Começa-se a temer que o embrulho não corresponda ao presente.
Será da estratégia do PS? Continuaremos à procura…

VALIMAR ComUrb

Foram eleitos os membros da Assembleia da Comunidade Urbana (Comurb) VALIMAR, conseguindo a maioria absoluta no órgão deliberativo o PSD. Num total de 19 mandatos, este partido totalizou 10, o PS 7 e o CDS-PP 2.
Este poderá ser o primeiro verdadeiro mandato e o último, pois quase todos os partidos foram unânimes, nas ultimas eleições, ao afirmarem que iriam fazer tudo para que no Alto Minho apenas existisse uma grande comunidade. Haja a coragem politica de caminhar rapidamente nesse sentido. Seria salutar que estes novos eleitos começassem por dizer aos cidadãos, que os elegeram para as respectivas Assembleias Municipais, o que irão fazer nesse sentido. Será muito mais difícil explicar, posteriormente, o porquê da região do Alto Minho continuar no fim dos indicadores económicos e sociais do país. Isto por não se ter encontrado uma plataforma de entendimento, preferindo ceder a alguns devaneios de cariz partidário. A região do Porto poder-se-á tornar num pólo ainda mais aglutinador de decisões e meios ao qual se associará a toda poderosa região de Braga, relegando o dividido Alto Minho para uma periferia que em nada, mesmo nada, favorecerá os poucos cidadãos que restarão na nossa região.
Talvez os representantes limianos nessa assembleia possam dar o exemplo do caminho a seguir.

sábado, janeiro 14, 2006

Alto Minho artigo de 14-01-2006

Feira do Livro?

Este ano não se realizará a Feira do Livro. Realmente a nossa Feira do Livro já foi, em tempos, um marco. Hoje é demonstrativa da ausência de sensibilidade do poder político. Será que o produto "Feira do Livro" está em curva descendente? Se assim consideram os responsáveis políticos, não o fazem os limianos, que todos os anos faziam questão de encher a Feira do Livro, isto, até o momento em que a transformaram em mais uma Feira bianual sem meios para se expandir. Com o surgimento de novos suportes paralelos ao livro e com a facilidade cada vez maior na obtenção de informação é imperioso uma feira do livro inovadora, onde se demonstre que as novas tecnologias casam em perfeição com o já antigo suporte que é o papel.

Iluminação de Natal

Com toda a pompa a Câmara Municipal chamou a atenção para a Iluminação de Natal. Realmente a iluminação junto ao rio presa pela sua beleza. A do chafariz é, digamos, discutível.
Mas, e depois da festa? Que iluminação vai ficar? É que a ponte velha, para além de não ter sido contemplada com a de Natal, já não vê os seus arcos iluminados há anos. A iluminação apresentada com pompa e circunstância da ponte medieval, conjugada com a da capela do Anjo da Guarda, foi-se degradando bem como a sua manutenção. De convidativa ao passeio nocturno, aquela zona de noite é hoje pouco acolhedora.
Mais uma vez, estamos perante uma obra onde se investiu dinheiro e que, passados alguns anos, se depreende ter sido, infelizmente, um desperdício.

Banda de Musica de Ponte de Lima

Encontra-se em construção a casa da Musica de Ponte de Lima. Este será por ventura o espaço de eleição para os ensaios da Banda de Musica de Ponte de Lima. Confesso que com grande pena minha. É que as noites de sexta-feira do antigo hall de entrada de Ponte de Lima, a Além da Ponte, têm sido animadas pelos ensaios da dita Banda. É um regalo ouvir os ensaios. As notas ecoam pelas velhas casas, pelo largo Alexandre Herculano, pela rua Manuel Lima Bezerra. Quase parece que o bairro encontra outra vida. Que pena a realidade mostrar a decadência que tem tomado conta deste histórico bairro.

E-mail da juventude

O pelouro da juventude voltou a apelar aos jovens para que usem um E-mail para enviarem sugestões ou propostas à Câmara Municipal. A ideia é boa, não se pode é pensar que este substitui um espaço físico dedicado a esse fim. Infelizmente, a ideia já não é nova e, pelos resultados anteriores, deixa um pouco a desejar.
Esperemos, no entanto, que a designação do E-mail não seja nenhuma indicação da importância que os responsáveis dão à juventude do concelho.

Assembleia da Juventude

Uma óptima ideia que há muito se realiza em outros concelhos. O pelouro da juventude ao assumir esta assembleia dá um passo decisivo na implementação da intervenção cívica e social dos jovens e das suas organizações. Seria, no entanto, bom explicar como se irá processar para que esta assembleia não nasça torta e ferida de morte. Seria bom que rapidamente as associações e, especialmente, as forças políticas de juventude não deixassem cair no esquecimento este projecto que já há uns anos a juventude limiana clama.

Fim de Ano

É de saudar a iniciativa de animação da passagem de ano nas ruas de Ponte de Lima. Assim se demonstra que não é preciso deixar a nossa terra para, de uma forma alegre e em comunidade, saudar o novo ano.

sexta-feira, dezembro 30, 2005

Alto Minho artigo 30-12-2005

Desnorte II

Manuel Trigueiro no seguimento da polémica gerada nas últimas semana deu uma entrevista ao jornal Alto Minho.

O presidente da concelhia do PSD de Ponte de Lima perdeu mais uma oportunidade de demonstrar outra abordagem à política. Revela a sua fraqueza de posição, por exemplo, ao sacudir a responsabilidade que tem na liderança dos últimos quatro anos do PSD local. Não pertencia ele à comissão política anterior como vogal mas agindo quase sempre como se fosse o presidente? Um dos seus vice-presidentes não é o anterior presidente? Não fazem parte da sua comissão política basicamente os mesmos membros da anterior? A resposta é positiva em todas as questões.

Assumiu a responsabilidade dos desastrosos resultados eleitorais, mas apenas no campo teórico, na prática procura avidamente responsáveis nem que para isso tenha que percorrer os bosques das redondezas. É lamentável a tentativa de se amarrar desesperadamente a uma desculpa.

O PSD, por todos os que lhe deram parte da sua vida ao longo das últimas 3 décadas no intuito de construir um partido sólido, com uma base de apoio que perpassasse todo o concelho, merece mais, muito mais. Aliás, Ponte de Lima merece mais. Só com um PSD forte, sem receio de fazer uma oposição firme e construtiva, com um projecto sólido e bem definido, com uma liderança virada para a sociedade e não para o seu umbigo, poderá reagir a esta letargia a que tem sido votada nos últimos anos.

“Ser ou não ser, eis a questão:
Se é mais nobre no espírito sofrer
As fundas e flechas da fortuna ultrajante
Ou brandir armas contra um mar de agravos,
E, opondo-os, fazê-los cessar.”

In Hamlet de William Shakespeare


Centro de reabilitação para cidadãos portadores de deficiência

A câmara de Ponte de Lima quer construir durante este mandato um centro de reabilitação para os cidadãos portadores de deficiência. O terreno foi adquirido, o projecto está feito e por declarações do Presidente da Câmara Municipal poderá avançar mesmo sem financiamento do governo. É uma boa notícia, no entanto, é pena não se especificar quem vai gerir este Centro, será a Câmara Municipal?

Festival de Jardins

O seu director, Francisco Calheiros, fez saber que para o próximo ano há já 19 inscrições. Para a organização este é um factor de sucesso. Algumas delas são inclusive de países com tradição neste tipo de festivais e que foram, aliás, inspirações para o de Ponte de Lima. Nada a comentar, aliás, depois do investimento, todos esperamos que o festival tenha o maior dos sucessos. Talvez assim possa contribuir para ajudar a actual parca economia limiana.

Tudo ia bem até que o director, que é também o responsável pela TURIHAB, refere que outro dos objectivos será o de alargar este festival aos jardins das casas ditas tradicionais, ou seja as de turismo de habitação, ou seja as dos membros da TURIHAB. Estranho o facto. Não existirá aqui algum tipo incompatibilidade? Em todo o caso, se o festival realmente se estender às tais casas ditas tradicionais, o custo deste alargamento certamente ficará a cargo dos donos das casas e não dos contribuintes, certo? O senhor director, por lapso certamente, não especificou este pormenor.

Crónicas de um outro tempo

Este é o título de uma obra, para já com dois volumes, de José Ernesto Costa. O primeiro volume foi apresentado no ano passado o segundo no dia 17 deste mês. A temática tratada não poderia ser melhor. Aliás, era uma lacuna de que a memória limiana carecia de preencher. Pequenas grandes peripécias de muitos “nomes sonantes” para todos os limianos são contadas, retratando, no fundo, a vida colectiva de Ponte de Lima.

Uma visão da história que cativa não só aqueles que a viveram mas também aqueles que são filhos dos protagonistas. A não perder.

sexta-feira, dezembro 16, 2005

Alto Minho artigo 16-12-2005

Mercado Municipal alguns anos depois

A remodelação do Mercado Municipal levantou algumas críticas e alertas. Na altura a Câmara Municipal rejeitou-as, alegando que o tempo lhe daria razão. Dos antigos arrendatários poucos foram os que por lá continuaram. Lamentaram-se na altura da especulação dos valores das rendas. Rapidamente se encontrou uma explicação, nada mais que a da lei da oferta e da procura. Infelizmente hoje quem passar pelo Mercado Municipal verificará uma estrutura em nada funcional, degradada e quase votada ao abandono. Mesmo as lojas inauguradas com toda a pompa e circunstância, como exemplos do sucesso alcançado pela estrutura, fecharam sem que ninguém o tivesse sabido.
Hoje o Mercado é uma sombra do passado. O erro é óbvio, infelizmente somos todos nós a pagá-lo.

Desnorte

Com o afastar das eleições autárquicas torna-se mais claro a todos a razão de determinados resultados. É de lamentar que, por exemplo, alguns dos maiores responsáveis do desaire eleitoral do PSD, arquitectos da sua estratégia, sejam os únicos a não se confrontarem com a realidade. O desnorte de alguns ficou patente na semana passada. Infelizmente, o responsável dos membros que ainda lideram o PSD local não se coíbe de lavar a roupa íntima do partido em público. Aquando da sua recusa em ocupar um lugar na lista do PSD à Assembleia da República, veio a público criticar o seu partido. Desta vez apontou o dedo a alguns que, supostamente, concorreram contra ou se recusaram fazer parte das listas do partido sendo dele membros. Na sua visão, estes, que estão metidos no mesmo saco, incorreram no incumprimento dos estatutos do PSD. Envergando a capa de justiceiro, esqueceu-se, no entanto, daqueles que, embora militantes do PSD, concorreram efectivamente contra o PSD ainda há quatro anos e que este ano, quais filhos pródigos, voltaram à protecção da capa do justiceiro, integrando as suas listas.
Infelizmente nada disto apaga o pior resultado dos anais do PSD local. Pelo contrário, acentua o descrédito desta liderança de vistas curtas.
O norte só se poderá encontrar de uma forma e todos sabem qual é. Ou não?

Fogo de vista

Depois da primeira metade da semana ter sido ocupada pelo ponto anterior, a segunda foi pela nova medida a implementar daqui a três ou quatro meses pela Câmara Municipal. A imposição da velocidade máxima de 40 Km/h nas estradas municipais. Se estivéssemos perto do primeiro de Abril, poder-se-ia pensar tratar-se de uma brincadeira, mas não, o orgulhoso pai da medida veio a público defendê-la. Ficaram foi por esclarecer alguns pontos. A começar, se será esta medida implementada por se iniciar o melhoramento de todos os caminhos municipais, porque na maioria deles só os detentores de viaturas 4x4 ou os que não prezam minimamente o seu veículo circularão às tais velocidades elevadas. Haverá algum estudo que responda a estas duas simples questões: Qual a percentagem de acidentes nos caminhos municipais que tenham tido na sua origem o excesso de velocidade? Existe algum impacto nessa percentagem com a descida de 50 para 40 Km/h?
A não existir nenhum estudo nesse sentido, poder-se-á concluir que a Câmara Municipal continua com medidas não para os limianos mas para a comunicação social, ou seja, fogo de vista.
A prevenção, a sinalização e a beneficiação das estradas deveriam ser as verdadeiras apostas da Câmara Municipal. Talvez daqui a alguns anos seja aprovada uma medida para aplicar a velocidade máxima de 5 Km/h, nesta, por ventura, encontremos uma velocidade máxima compatível com todos os interesses.

Alerta

Nunca é demais alertar para a progressiva imposição de uma laicização jacobina das nossas vidas. A democracia para além do respeito que promove entre posições, reclama a primazia da maioria. Em democracia a maioria vence. Neste pressuposto, não se entende a imposição ortodoxa dos valores laicos numa sociedade onde a maioria de facto não o é. A separação do Estado de qualquer religião é realmente um factor positivo, mas esta separação não significa que os que constituem o Estado tenham que se separar da religião que abraçam e que, por conseguinte, tenham que a viver na privacidade dos seus lares.
O caminho que se traçou nestas ultimas semanas é um caminho de imposição de valores de uma pseudo elite minoritária. Será bom que também nós, neste recanto do Alto Minho, fiquemos atentos, pois qualquer dia poderão até impor-nos a remoção da cruz do nosso símbolo heráldico.

sexta-feira, dezembro 09, 2005

Alto Minho artigo 9-12-2005.

Palavra de Presidente

Mais de uma década depois de ser eleito pela primeira vez, Daniel Campelo, em 20 de Maio, garantiu que no final do presente ano o concelho de Ponte de Lima iria ser servido em 95% por saneamento básico. Chegados ao último mês do ano, será que a quase totalidade dos limianos têm em casa este serviço que deveria ser básico? Então, qual é a percentagem?

Grandes Superfícies Comerciais

O auto denominado defensor do mundo rural foi das vozes que mais se manifestou contra uma grande superfície em solos limianos. Há quatro anos, nas eleições autárquicas, existiu uma quase unanimidade em relação a este tema, grandes superfícies comerciais em Ponte de Lima nunca. Este ano, o assunto, mesmo na campanha eleitoral, foi quase esquecido. É que passados alguns anos de fervorosa exclusão, eis que pairam sobre Ponte de Lima não uma, não duas, mas três grandes superfícies comerciais. O que podemos dizer de alguém que para obter algo promete que o seu comportamento será regido por determinados parâmetros, mas que, após algum tempo e depois de obter o pretendido, esquece o seu compromisso?

Assembleia Municipal

A Assembleia Municipal deveria ser o centro da vida política local. Política sim, porque à Câmara Municipal deveria ficar reservada a vida administrativa. É pena que estes 30 anos de Assembleia Municipal em Ponte de Lima só signifiquem a perda dessa centralidade. Por um lado aumentou os que apenas servem para levantar a mão quando lhes mandam. Por outro lado, cada vez mais são os presidentes da junta que votam em determinado sentido por se acharem "reféns" de algo ou alguém. Não se errará por muito se apontarmos para 85% os membros que no último mandato não fizeram uma única intervenção, não apresentaram qualquer ideia.
Chegou um novo mandato, a Assembleia Municipal não augura nada de novo. O PS, se perdurar no caminho de intervenção sem conteúdo, acabará por produzir o efeito contrário ao do desgaste que pretende induzir no executivo camarário. A sede de protagonismo não pode cegar. O PSD voltou a mostrar descoordenação. Não se compreende a discrepância de sentido de voto. Não se percebe que alguns responsáveis continuem como os actores clássicos a mudar de "persona" em conformidade com o cenário. Os limianos estão fartos de malabarismos conforme o soprar dos ventos. Para isso existem os cata-ventos.

Discussão Pública

"Os cafés são silenciosos, tristes. Meio-deitados para cima das mesas, os homens tomam o café a pequenos golos, ou fumam calados. A conversação extinguiu-se. Ninguém possui ideias originais próprias." Isto diziam Eça de Queiroz e Ramalho Ortigão nas Farpas em 1875. Alguns gostariam que esta descrição se passasse em Ponte de Lima, no entanto talvez esta seja a melhor altura para incentivar a discussão da causa pública para lá das sedes partidárias.

quinta-feira, novembro 24, 2005

Alto Minho artigo de 24-11-2005

Bombeiros Voluntários

Os bombeiros Voluntários de Ponte de Lima continuam sem ter ninguém interessado em substituir os actuais órgãos. É de lamentar a falta de apoio por parte da Autarquia a esta instituição. Não bastam gestos simbólicos, hoje os bombeiros tem uma frota renovada e um pólo em Freixo que muito deve onerar os frágeis cofres da instituição. Os BV de Ponte de Lima terão que ter sempre em primeiro lugar os cidadãos que servem, a prestação de um bom e eficaz serviço nas dificuldades destes devem ser o seu primordial objectivo.
Isso têm feito ao longo dos anos, agora, cabe à Autarquia apoiar efectivamente esta instituição na persecução desse objectivo.
Terá chegado o tempo da transformação dos bombeiros voluntários em municipais? Talvez fosse tempo de realmente existir um debate sobre o assunto.

Taxa de IMI

Tudo indica que os limianos irão continuar a pagar a taxa máxima de IMI. Ao contrário de Caminha, Paredes de Coura, Ponte da Barca e Vila Nova de Cerveira a Câmara Municipal limiana irá deliberar aplicar a taxa máxima. Terá sido a quebra de receitas que se previa vir através do PIDDAC? Falta de fundos para obras estruturantes? Alguém o deveria explicar.
Ainda há poucos meses num artigo de opinião, Abel Baptista apelava para a atractividade fiscal como forma de competitividade entre concelhos. Não se percebe como o Presidente da Câmara passou a campanha eleitoral a afirmar a grande saúde financeira do município e nesta altura em que os seus munícipes, aliás como todos os portugueses, atravessam tempos de contenção, tendo condições para os desafogar, não o faça.

Nomeação Política

Depois de nos últimos anos vários limianos, Carvalho Martins como governador Civil, João Carlos Gonçalves como Delegado Regional do IPJ, entre outros, terem desempenhado papeis chave na representação do governo no distrito, eis que foi nomeado Delegado Distrital do Instituto do Desporto de Portugal, Jorge Silva.
Conhecido no meio limiano por "professor Jorge" pela sua actividade profissional. Jorge Silva está ligado quer ao desporto escolar quer ao associativo. Tendo exercido por vários anos a função de treinador de basquetebol de várias equipas limianas ao longo de vários anos, é um grande conhecedor do meio. Esperemos que venha a desempenhar bem o seu papel, tal qual como os anteriores limianos em funções semelhantes.

BaToTas

Mais uma vez os BaToTas realizaram a Descida ao Sarrabulho. Anualmente este evento reúne em terras limianas mais de 400 participantes que vindos de todo o país animam os trilhos escolhidos pela organização. Além da vertente desportiva, está presente a vertente gastronómica. Esta é certamente uma das melhores promoções da nossa terra.

sexta-feira, novembro 18, 2005

Diário do Minho 2005

O caso da Seara já foi há um ano. Iremos esperar muito para que um outro caso
aconteça?

Um ano depois, a explicação para o que aconteceu na freguesia da Seara em Ponte de Lima é a da febre escaro-nodular vulgarmente conhecida por febre da carraça. Na altura chegou a pôr-se a hipótese da contaminação das águas dos poços, não se vindo, contudo, a confirmar. No entanto, há uma probabilidade muito real de num futuro próximo ocorrer um caso derivado ao consumo de águas impróprias dos poços caseiros. Há pouco tempo, o Jornal de Notícias noticiava que das 400 análises feitas no concelho de Ponte de Lima, em 2002 e 2003, metade dos poços estavam contaminados por «bactérias de origem fecal». Depois desta revelação só a apreensão se pode instalar nas nossas mentes. Então 50% dos poços analisados pela delegação de saúde estão contaminados e isto não provoca reacção de nenhum partido, de ninguém na sociedade dita civil?
Se extrapolarmos, e podemos faze-lo, estes dados para os poços que não são analisados, e estes são a maioria, fica-se com uma situação das mais preocupantes. Esta representa uma bomba relógio prestes a explodir e seria bem melhor desarmadilhar a bomba do que minimizar à posteriori os seus danos. O que dizem os senhores candidatos autárquicos ao saberem que a maioria da população limiana que os elegerá incorre no risco de beber água contaminada por «bactérias de origem fecal»? Se pensarmos que a água é, certamente, infectada pelas fossas das casas e que uma percentagem enorme da população limiana não tem alternativa aos seus poços e fossas, surge logo uma pergunta: porque que é que o poder político não investe muito mais nesta área? Se é um facto que o investimento nesta última década foi muito escasso porque é que não houve uma oposição que o exigisse? A resposta será por ventura o desabafo que se ouve nas ruas; que em Ponte de Lima não há oposição, que esta apenas aparece de quatro em quatro anos, atabalhoadamente, e logo desaparece com a noite eleitoral?
O nosso concelho não pode querer ser o mais florido, ser património da humanidade, apregoar ser um exemplo em novas tecnologias quando o mais básico do básico não existe. Não se pode esperar que uma tragédia aconteça, é preciso recuperar o tempo e acreditem que este é escasso.
Há mais de uma década que foi construída uma ETAR. Esta fica localizada perto da igreja de N. S. da Guia. Como é que ela tem funcionado? A falta de investimento na área do tratamento de esgotos e no abastecimento de água é gritante no nosso concelho. Não se pode ficar apenas por promessas vãs. É preciso actuar. Não se pode pactuar com ligações de águas residuais à rede de escoamento das águas pluviais. Não se pode passar junto ao rio sem sentir o cheiro e verificar a coloração da água (?) que sai junto à Avenida dos Plátanos ou junto ao Centro Náutico. Os jovens limianos ainda se banham nas águas do Rio Lima e estas absorvem as anteriores. Não haverá consequências?
Porque é que no século XXI, em Ponte de Lima, a população ainda tem que recorrer à água dos poços e a fossas sépticas? Porque somos o último concelho em percentagem de cobertura da rede de água e saneamento básico (?) em todo o distrito de Viana?

Diário do Minho 2005

Eleições Autárquicas - Resultados e artigos de opinião

Nestas eleições os limianos votaram pelo seguro e como não vêem alternativa credível votaram na continuidade. Daniel Campelo venceu mais uma vez. Há no entanto uma notória vontade de mudar e essa mudança poderia ser uma realidade se os partidos da oposição desempenhassem a sua função. Vejam-se os resultados que o PS obteve, não obstante o seu líder e cabeça de lista apenas ter assumido o lugar há coisa de um ano, este partido viu a sua votação aumentar em cerca de mil votos aproximando-se do PSD como nunca antes tinha acontecido. O PS é, aliás, um dos vencedores do passado domingo dia 9.
Com uma campanha bem montada, errou poucas vezes, demonstrou garra bem como uma nova forma de actuar muito mais viva do que até aqui se tinha verificado em Ponte de Lima. Nos últimos anos, para além de esporádicas incursões, o único que se comparou foi António Matos da CDU que também provocava a reacção, por vezes imponderada, por parte do Presidente da Câmara.
O peso da derrota continua na praceta Vieira de Araújo. O PSD na última década tem vindo a definhar, primeiro ficou com apenas dois vereadores depois delapidou a maioria na Assembleia Municipal na mesma medida em que foi perdendo as Juntas de Freguesia, este Domingo esta trajectória suicida culminou num resultado negativamente histórico para este partido, apenas 4 Juntas de Freguesia, 1 Vereador e 13 membros da Assembleia Municipal, perdendo eleitorado em todos os órgãos autárquicos. Terá chegado o tempo deste partido arrepiar caminho? Os responsáveis decidem...
Também a CDU se juntou ao clube dos perdedores. Depois da imagem renovada, que colheu frutos há quatro anos com António Matos, nestes quatro anos deixou-se adormecer perdendo vitalidade. O resultado foi a perda de eleitorado para o PS. Sorte o BE não estar ainda organizado em Ponte de Lima.
Após as eleições esperavam-se algumas reacções, uma delas era a de Abel Baptista. Sendo um dos vencedores a sua vitória é dupla. Por um lado a lista que encabeçava venceu, conseguindo acompanhar a lista para a Câmara Municipal no aumento do número de votos. Por outro lado venceu internamente, pois algumas facções mais "conservadoras" não se rogaram de, escamoteados na JP, apelar ao não voto naquela lista com o fim de penalizar a pessoa que a encabeçava. No seu artigo do jornal Alto Minho de 14 de Outubro, Abel Baptista, faz uma análise que, na generalidade, toca todos os pontos do sucedido. Mas há um ponto em que se engana, esse ponto é relativo ao PS. Se tem razão quando diz que o PS nada conseguiu em relação à outra eleição, também é verdade que o facto de ter conseguido manter os órgãos eleitos, com a única excepção de uma junta de freguesia, de ter aumentado a votação para a Câmara Municipal em cerca de 1000 votos, mais o de manter o numero de eleitos, 9, para a Assembleia Municipal, transforma-o num dos vencedores da noite de 9 de Outubro.
Também, Amândio S. Dantas, escreve, num artigo publicado no mesmo número do Alto Minho, a sua análise aos resultados eleitorais. No ponto 4, este colunista, faz referência ao PSD e pergunta porque é que os "tradicionais" votantes deste partido escolheram Daniel Campelo em detrimento de Manuel Trigueiro, remetendo a resposta para a tradicional divisão deste partido em facções. Não parece que este partido tenha sofrido, nestas eleições, das alegadas facções, muito mais notórias no CDS-PP e no PS. Esta candidatura, inclusive, reuniu em seu torno todas as suas estruturas, não existindo entraves a que aplicasse a sua estratégia. Não se viu ninguém deste partido a seguir os passos trilhados pela Juventude Popular, por exemplo.
Talvez o problema estivesse mesmo nas listas, na estratégia dos últimos quatro anos, na estratégia adoptada na campanha. Muitas são as hipóteses. Há um dado importante para a compreensão que o colunista se esqueceu de referir, o do historial deste partido. Aliás, como muito bem referiu o director do Alto Minho na noite de eleições, desde 1993 que o PSD tem vindo a perder eleitorado numa sucessiva má escolha de estratégias políticas. A estratégia de não fazer ondas foi penalizada e outro exemplo disso é o resultado da CDU. Quem quiser ver que veja.

Diário do Minho 2005

Eleições Autárquicas em Ponte de Lima

Aproximam-se as eleições autárquicas e, em Ponte de Lima, tal como nos outros concelhos, as movimentações políticas são muitas. Estas eleições adivinham-se as mais disputadas dos últimos tempos.
Depois de quatro anos mornos, os partidos da oposição surgem de uma forma gradual mas aparentemente forte. Os dois maiores partidos da oposição, o PSD e o PS, surgem com candidatos à Câmara Municipal que são precisamente os seus líderes locais, Manuel Trigueiro pelo PSD e Montenegro Fiúza pelo PS. Desta forma capitalizam algumas vantagens, nomeadamente a de terem o partido e as juventudes partidárias. O PS até refundou a JS local à sua imagem e em seu torno.
Os principais partidos da oposição estão notoriamente aptos a fazer frente à candidatura do CDS/PP. Na obstante de se ter que esperar pela campanha eleitoral e posteriormente pelo resultado das eleições para que se perceba até que ponto estes partidos conseguiram tornar estas circunstâncias numa verdadeira vantagem, ter um partido com um candidato que é ao mesmo tempo o seu líder, ter as juventudes partidárias, que deverão ser os pontas de lança dos partidos conferindo-lhes a irreverência e o desprendimento característicos da juventude, a reflectir a candidatura são circunstâncias que dão um empurrão objectivo no caminho certo, na mobilização das pessoas em torno de um projecto reflexo das ideias que os respectivos partidos têm para Ponte de Lima.
Há uma necessidade premente de um debate de ideias sério, um debate onde os limianos consigam aperceber-se do que significa, para a nossa terra, votar em determinado partido. Um debate onde os respectivos líderes dos diferentes projectos não se auto-excluam, no passado o actual presidente da Câmara fê-lo ao não participar num debate organizado pela nossa rádio local, a ROL. A necessidade de partidos fortes na oposição, com ideias e com vontade de intervir activamente é imperativo. Neste momento, provavelmente mais do que em qualquer outro, os ditos partidos têm todas as condições para assim procederem e a expectativa de que isso venha a acontecer é enorme. Num artigo anterior, fazia o apelo a que as juventudes partidárias voltassem a intervir publicamente, apelava à necessidade de os jovens se manifestarem sobre aquilo que querem para o seu concelho. Não se espera outra coisa das juventudes partidárias que não seja a sua convicta intervenção, livre de pressões, e, ao serem reflexo dos líderes dos seus partidos e candidatos à Câmara, têm a responsabilidade acrescida uma vez que ao apresentarem as suas ideias estas podem vir a ser incluídas nos respectivos manifestos eleitorais. Não se pense porém que isto basta, é necessário que não se deixem ficar apenas pelo papel e, acabadas as eleições, independentemente dos resultados, lutem para que essas ideias se tornem realidade.
Estou convicto de que, se existir uma optimização destes factores, haverá certamente um bom debate sobre Ponte de Lima e o seu caminho futuro. Os cabeças de lista à Câmara Municipal e líderes dos principais partidos da oposição têm tudo para melhorar os resultados dos seus partidos em relação ao passado. A candidatura de Daniel Campelo tem, aparentemente, uma boa luta pela frente.
Assim aconteça, porque só irá beneficiar o debate democrático sobre o futuro da nossa terra limiana.

Diário do Minho 2005

Juventudes partidárias em Ponte de Lima

Ao longo de mais de dois anos fiz parte de uma comissão política de uma juventude partidária em Ponte de Lima. A experiência foi muito enriquecedora a todos os níveis. É fantástico participar num projecto do qual conhecemos o princípio e que vamos ajudando a construir à medida que vamos enfrentando os problemas que nos fazem frente. Nas duas equipas de que fiz parte, ambas lideradas por uma pessoa excepcional, Nelson Lima, encontrei pessoas, jovens, dispostas a dar o seu tempo em prol do bem comum. Por vezes diz-se que na política apenas estão os que querem algo para seu proveito, pois das duas equipas a que pertenci não conheci ninguém que preenchesse esses requisitos.
Lembro-me que a primeira intervenção pública por nós encetada foi para alertar para o perigo que representavam umas barras de madeira na Lapa, e que, para nosso regozijo, representou a primeira vitória política, pois pouco depois as mesmas foram substituídas. Como as ideias iam surgindo, mesmo vindas de jovens que então não pertenciam à estrutura mas que nós ouvíamos como se o fizessem, a nossa intervenção politica foi-se alargando e tomando forma, transformando-se numa intervenção periódica. Em dois anos fomos marcando de uma forma ou de outra a vida política limiana. Desde intervenções sobre o Mercado Municipal, ouvindo e fazendo pública a voz dos seus utentes, passando pela qualidade das praias fluviais ou pela luta por uma política de juventude séria e planeada, terminando na divulgação da tentativa de cobrança de parqueamento no areal por parte da Câmara Municipal. Ainda há pouco tempo o Presidente da Câmara argumentava publicamente, usando precisamente os mesmos argumentos que nós apresentamos contra a ideia que ele então defendia, que a Câmara não poderia cobrar aparcamento porque nem o areal tem as mínimas condições nem a Câmara Municipal tem jurisdição sobre o mesmo. A verdade é que até hoje a cobrança não foi adiante.
Estes foram alguns dos episódios por nós protagonizados. Muitos outros ocorreram e contribuíram para que os jovens que participaram neles, lembro-me do David do Lago por exemplo, ainda hoje, em órgãos distritais e nacionais da mesma juventude partidária ou em associações juvenis, participem activamente na sociedade.
Depois desta experiência, não posso deixar de lamentar o novo desaparecimento do nosso concelho das escolas de política que são as juventudes partidárias. Não podemos deixar morrer a vontade de participação política dos jovens limianos, mas antes fomentá-la. Não se pode cair no erro de confundir as reais funções das juventudes partidárias com as de uma associação juvenil. Seria bom que, em ano de eleições autárquicas, as juventudes partidárias aparecessem com ideias concretas para Ponte de Lima, aparecessem com vontade de as debater, de participar activamente nos programas eleitorais dos respectivos partidos. Como era essencial que nesses programas eleitorais estivesse consagrada, por exemplo, a vontade de criação de um Conselho Concelhio da Juventude, onde os jovens seriam chamados para dar o seu contributo na planificação de uma verdadeira política de juventude.
Sem juventudes partidárias fortes de ideias, que não se prendam a objectivos obscuros de filiações em massa, com vontade de participação política, Ponte de lima fica mais pobre, a política limiana fica sem dinamismo, sem o idealismo próprio da juventude.
As juventudes partidárias têm que ter a coragem de voltar a sonhar com uma melhor Ponte de Lima.

Diário do Minho 2005

Vila de Santa Marinha de Arcozelo, segunda vila do concelho de Ponte de Lima ou primeira?

Arcozelo é a mais populosa das freguesias do concelho de Ponte de Lima, no entanto arrasta, já há vários anos, problemas que numa freguesia com menor número de habitantes não teriam a expressão que nesta freguesia têm.
Nesta freguesia não existe um verdadeiro plano de ordenamento do território. Veja-se a indústria de transformação de pedra. Esta é, sem sombra de dúvida, a base económica da freguesia, dando de comer a muitas famílias, mas ainda não tem nenhuma regulamentação, digna desse nome, ao nível de espaço próprio para que os trabalhadores e empresários possam labutar de forma mais digna e ecológica. Infelizmente, esta classe não tem sido, realmente, acarinhada por aqueles que o deveriam fazer. Falando na indústria da pedra, não podemos esquecer as cicatrizes profundas deixadas pela extracção que parecem não terem fim, a olho nu, e basta olhar para a serra de Antelas, ressalta o exagero. Desta situação surge uma pergunta, porque não actua a Junta de Freguesia? Esta não tira dividendos da concessão das pedreiras? Se
sim, não deveria canalizar esses fundos para a reabilitação das crateras produzidas pelas pedreiras?
Outro problema, também ele relacionado com a ordenação do território, é o das vias de comunicação. Falemos apenas nas estruturantes que são as mesmas de há vinte anos e que, apesar da triplicação da população e concentração desta em determinados lugares, continuam sem melhoramentos significativos. Alguns foram repavimentados, no entanto, com a multiplicação do transporte particular e a concentração das populações em bairros/lugares como os do Senhor dos Aflitos, do Salgueirinho/Outeiro, Sabadão, Senhora da Luz/Romeira, Faldejães, não basta repavimentar é urgente alargar e criar novos caminhos de forma a que a circulação seja feita de forma fluida e segura. É de louvar a beneficiação da zona da igreja paroquial efectuada com a colaboração da Igreja, pena é que não tenha tido continuação em direcção à estrada nacional que faz a ligação Ponte de Lima - Paredes de Coura e tenha morrido ali uma oportunidade única de reformular toda aquela área.
Fala-se da reabilitação da zona de S. Gonçalo, compete à Junta de Freguesia lutar que esta zona nobre da freguesia, não se transforme em mais um dormitório da sede de concelho. Esta é, a par da zona de Sabadão, uma das salas de visita da freguesia, pelo que se torna urgente uma reabilitação de real qualidade para zonas tão importantes.
Numa freguesia que acaba de ser elevada a vila, não é justificável a falta de associações verdadeiramente criadas em Arcozelo e para Arcozelo. É urgente a dinamização de associações culturais, de jovens e para os jovens, de teatro, de desporto. Onde já lá vai o clube de futebol de Arcozelo! Não basta o presidente de uma associação residir nesta vila para a associação ser de Arcozelo, não basta uma associação ostentar no seu nome Arcozelo para esta ser verdadeiramente de Arcozelo, é preciso que estas sejam constituídas por pessoas de Arcozelo para as pessoas de Arcozelo. A criação de espaços para a prática de desportos é outra prioridade da Junta de Freguesia que sair das próximas eleições autárquicas. No entanto, não se pode ficar pela criação, é necessário a sua manutenção e promoção afim de criar hábitos saudáveis na população.
Estes são alguns dos problemas urgentes nesta nova era de Santa Marinha de Arcozelo. É urgente espelhar a sua grandeza, que não se deixe enveredar pelo caminho mais fácil escolhido por algumas das freguesias em redor da sede de concelho. É imperativo que estas eleições reflictam o rumo que todos nós, habitantes de Arcozelo, queremos para a nossa vila. Este rumo é agora escolhido e cabe aos políticos apontarem o rumo que achem mais conveniente, para que nós possamos escolher o que realmente é melhor.