Nuno Matos bate com a porta da CPD da JSD de Viana
Diz que sai desiludido e frustrado da comissão politica distrital da JSD de Viana do Castelo.
Nuno Matos bateu com a porta e disse esta manhã à Rádio Alto Minho que espera que das próximas eleições para a liderança da estrutura, que vão decorrer antes do final do ano, saia uma direcção activa e voltada para os militantes do distrito.
sexta-feira, julho 14, 2006
"errar é humano, persistir no erro é diabólico", Séneca
Alto Minho artigo 14-07-2006
Ponte de Lima, que no último meio ano tem vindo a discutir mais publicamente este assunto, viu a sua carta aprovada na última Assembleia Municipal. Aprovada por maioria e não unanimidade. Infelizmente os votos contra, na sua maioria se não na totalidade, não foram, como deveriam ser, contra a carta educativa em si, mas sim como forma de protesto contra algum interesse bairrista sonegado pela mesma.
Infelizmente, alguns Presidentes da Junta ainda são levados por um espírito, digamos, bairrista. O mesmo espírito que lhes suscitou dúvidas no momento de votar uma moção contra a retirada total ou parcial de efectivos da PSP de Ponte de Lima. Mas, não se concordando, percebe-se a sua reacção. Não foram eles eleitos pelos habitantes de uma freguesia para defender essa mesma freguesia? O que deve mudar quanto antes é mesmo o sistema...
Por outro lado, já não se pode concordar ou perceber que alguém que foi eleito para defender os interesses do concelho se esqueça disso e vote pensando nos interesses únicos da sua freguesia. Não tendo sido eleito para o cargo que ocupa apenas pelos seus vizinhos, deveria pensar primeiro na globalidade do concelho e depois nos interesses bairristas. A Carta Educativa tem muitos aspectos criticáveis e discutíveis que poderiam motivar um voto contra: o números de centros escolares, o numero de crianças divididas pelos mesmos, o quase abandono do ensino profissional, etc, agora, evocar motivos particulares de uma freguesia é incompreensível e é um erro para quem tem responsabilidades para com o concelho.
Foi notória a ausência das juventudes partidárias neste debate, que muito lhes deveria dizer, o que, realmente, custa a perceber.
O que quis dizer Daniel Campelo, Presidente da Câmara de Ponte de Lima, ao afirmar que já há alguns Presidentes da Junta que pensam pela sua cabeça? Não pensaram eles sempre pela sua cabeça?
Acusações sem fundamento, insinuações, etc, são situações que o Presidente da Assembleia Municipal não pode tolerar durante a sessão ou no período antes da ordem do dia. Estas atitudes apenas contribuem para diminuir um órgão que deveria ser o centro do debate político do concelho.
O espaço, no S. João, chamado Expolima, irá finalmente ter uso. A Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento e a Escola Superior Agrária de Ponte de Lima realizam, durante os dias 10, 14, 15 e 16 deste mês, a 16ª Festa do Vinho Verde e dos Produtos Regionais. Uma feira/festa com um forte historial no nosso concelho, que antigamente se realizava no "pavilhão multiusos do concelho", a Avenida dos Plátanos, e que este ano se realiza para os lados do S. João. Também esta a não perder.
segunda-feira, julho 03, 2006
Alto Minho artigo 03-07-2006
Precisamente há um ano discutia-se em ponte de Lima o edifício que nascera junto ao Arquivo Municipal. Discutia-se a sua forma, a sua utilidade a sua pertinência. Os apelidos foram surgindo e no imaginário limiano logo ficou conhecido como "micro-ondas". Aquando da sua inauguração, feita ao mais alto nível pelo Presidente da Republica, o Presidente da Câmara deu conhecimento público que o edifício não seria o domicílio do posto de Turismo, que funcionaria, afinal de contas, no Paço do Marquês. O novo edifício seria o rosto de um novo conceito de interacção com o turista, proporcionar-lhe-ia um espaço para que este não se desligasse dos seus negócios.
Daniel Campelo justificava a obra, que custou 862 mil euros e que era o resultado de um estudo urbanístico da área, com o facto de, no passado, a ligação entre o antigo Largo da Regeneração e o Largo da Lapa ser feita por uma escadaria com 12 cruzes denominada Calvário, e que entretanto fora demolida. Isto é, um dos principais objectivos do projecto era permitir criar novos espaços pedonais. 862 mil euros para criar um novo espaço pedonal de 70 metros… Realmente é obra.
Passado um ano chega a altura de perguntar o que é afinal aquele edifício? Quantos turistas o utilizaram para se manterem "ligados aos seus negócios"? Já agora, não sairia mais barato e agradável a reconstrução de uma nova escadaria, de preferência sem o edifício? Finalmente, alguém pode explicar para o que realmente serve aquele edifício?
400 jovens do distrito de Viana do Castelo, ao abrigo do programa Voluntariado Jovem para as Florestas, vão vigiar as florestas para prevenir e detectar focos de incêndio. 400 jovens e nenhum deles de Ponte de Lima. Porquê? Porque a Câmara de Ponte de Lima não se candidatou ao projecto, sendo a única que o não o fez dentre as autarquias dos 10 concelhos do distrito de Viana.
Ora aí está mais um tema em que as juventudes partidárias do concelho deveriam tomar uma posição. Todos os outros concelhos do distrito de Viana do Castelo incentivam a participação cívica dos jovens, especialmente numa tarefa tão importante como a prevenção dos fogos florestais.
O concelho limiano foi, nos últimos anos, um dos mais massacrados pelos fogos florestais o que torna ainda mais incompreensível Ponte de Lima ficar de fora deste programa. Será que para a Câmara Municipal de Ponte de Lima quanto menos os jovens participarem na vida comunitária melhor ? Talvez não acredite na juventude do concelho. Achará, o Pelouro da Juventude, que os jovens limianos são de tão maneira egoístas ao ponto de não aderirem a esta iniciativa?
A oposição mudou. Desde as ultimas eleições autárquicas que acordaram para a necessidade de informar os limianos das suas actividades. Já não era sem tempo. Mas subsiste um problema. É que não basta dizer que se fizeram várias perguntas, que se pediram determinadas explicações, que se tomou certa posição sobre aquele assunto. É preciso que a oposição saiba apontar caminhos alternativos. Um exemplo. Na última semana um vereador da oposição afirmou, na comunicação social, ter pedido explicações ao Presidente da Câmara sobre vários assuntos, (penhora de bens do Ministério da Cultura, margens do rio Lima, antenas de transmissão de rede de telemóveis, etc), o que demonstra ter certas preocupações. Só foi pena não ter referido se concorda ou não com as respostas que supostamente o Edil lhe deu.
A oposição não deve esquecer que é seu dever apontar alternativas. Seria bom que o fizesse em áreas como o desenvolvimento urbano ou o caminho que o concelho limiano deve traçar economicamente.
É um erro a oposição seguir a agenda ao invés de a marcar.
segunda-feira, junho 26, 2006
Alto Minho artigo 26-06-2006
Nos anos oitenta, foi construído o bairro onde se encontra o Pavilhão Municipal, bairro este constituído essencialmente por moradias todas elas com um jardim maior ou menor. Nos actuais bairros, apenas de blocos de apartamentos, onde se pretende emparedar os jovens casais, restam as varandas, quase sempre condenadas a marquises, como espaços abertos.
O verdadeiro jardim que se está a criar em Ponte de Lima é o mesmo que se tem criado por tantas terras em Portugal, o do florescimento de prédios sem olhar à qualidade de vida das pessoas que os irão ocupar.
Quase se pode pensar que os jardins no centro histórico só existem porque os terrenos onde estão implementados não são edificáveis.
É bom ter jardins, mesmo pecando pelos seus elevados custos de manutenção e por serem jardins fechados à moda do século XIX, mas a zona urbana de Ponte de Lima não é apenas o centro histórico. É preciso ter em atenção os bairros que se têm construído e onde a maioria das pessoas da freguesia de Ponte de Lima vive.
Não se compreende como se pode ter uma zona como a da Poça Grande, agora com a dignidade merecida, e, junto a esta, um terreno onde a base das velhas casas pré-fabricadas dão um ar de zona degradada, de gueto. Aquele espaço é apenas e simplesmente um dos lugares de maior densidade populacional da vila de Arcozelo. Merecia um olhar mais cuidado por parte da Câmara Municipal.
terça-feira, junho 20, 2006
Alto Minho artigo 20-06-2006
Acarinhar o investidor limiano é um dos caminhos para a economia limiana. Não se podem relegar para terceiro plano os limianos que querem investir na sua terra, sejam eles pequenos ou médios investidores, independentemente de se tratarem de 4, 10 ou 15 postos de trabalho. É urgente a renovação e reactivação da economia limiana e a Associação Empresarial de Ponte de Lima tem um papel fundamental neste processo. É esta que deverá incentivar a criação, por exemplo, de uma incubadora de empresas. A AEPL não pode ser apenas um centro de formação profissional. É urgente promover um estudo, por sectores de actividade, à actual situação económica do concelho. Assim, haveria uma visão real dos desafios que se apresentam. A escola profissional de Ponte de Lima, essa sim vocacionada para o ensino profissional, deveria ser totalmente remodelada, ajustando os seus cursos aos resultados desse estudo. O mundo rural, tão apregoado por alguns, cada vez mais, no nosso concelho, apenas existe no folclore.
Por vezes algumas associações desabafam o seu descontentamento pelos empresários da terra não ajudarem mais. Realmente, desde sempre são os empresários e as empresas, sejam elas pequenas ou médias (não existem grandes empresas na nossa região), a ajudar e a acarinhar as instituições de interesse público. Muitos foram, aliás, os comerciantes, industriais e empresários que estiveram no início de muitas delas. Mas nos últimos anos a ajuda começou a falhar, começou a ser cada vez mais diminuta e em alguns casos deixou mesmo de existir.
Este é um sintoma da degradação da economia limiana. Alguns limianos gostariam de investir na sua terra, mas não encontram condições para isso, pelo que ou não investem ou então investem noutro concelho. Os que cá já andavam têm que se preocupar em manter os seus negócios. Muitos deles laboram em sectores moribundos, outros com graves entraves ao desenvolvimento dos seus empreendimentos. Como disse Jack Welch, na sua recente visita a Portugal, as empresas e os trabalhadores, quando têm que lutar permanentemente pela sua sobrevivência, pelo seu emprego, não têm tempo para pensar em retribuir.
A Câmara Municipal criou um fórum on-line. Esta é uma boa iniciativa, da qual se espera uma maior aproximação do poder ao cidadão. Mas a Câmara Municipal não pode ficar por aí. O verdadeiro passo será o da criação de um portal de Ponte de Lima na Internet. Neste seriam proporcionados serviços gratuitos como o alojamento de páginas e correio electrónico a todas as empresas, entidades e organizações do nosso concelho aumentando, assim, as suas vantagens competitivas. Aumentando, aliás, a vantagem competitiva do concelho. A criação de locais no centro histórico com cobertura wireless gratuita de Internet é outro passo a dar.
Ponte de Lima para além de usufruir da sua boa localização geográfica deverá imperativamente tomar a vanguarda da utilização das Tecnologias da Informação. A VALIMAR está a levar a cabo a cobertura em banda larga dos concelhos que a constituem. Os sítios na Internet dos Municípios, pelo que se tornou público, irão sofrer grandes benefícios, mas o concelho limiano não pode ficar por aí. A diferenciação, a atractividade do concelho para além de festivais passa também por tomar a iniciativa e liderar a região nesta área de futuro.
terça-feira, junho 13, 2006
Alto Minho Artigo de 13-06-2006
Mas Campelo tem razão em se sentir enganado. É deveras estranho que no memorando se tenham anunciado cerca de 450 postos de trabalho directos e agora se verifique que serão apenas perto de 300. Já a área de terreno necessária, ao invés, parece ter duplicado.
O vereador da oposição, Manuel Trigueiro, afirmou, numa reunião do executivo camarário, ter conhecimento de que algumas pessoas bem colocadas estariam a fazer tudo para que o investimento do IKEA não viesse para Ponte de Lima. O investimento não veio. Campelo fez insinuações sobre o líder do partido que Trigueiro lidera localmente. Depois disto tudo, Trigueiro deverá revelar publicamente a quem se referia nas suas afirmações. Estes não são, certamente, tempos de hesitações e dúvidas.
Entretanto foi construído o açude junto à ponte de Nossa Senhora da Guia. As águas começaram a ser mais paradas. O lodo, e não só o lodo, começou a acumular-se tomando o lugar da areia. A bandeira assim como apareceu também desapareceu dando lugar, há cerca de dois anos, a um aviso, de material bastante perecível, onde se alertava para as más condições da água e respectivo encerramento da praia fluvial.
As margens do rio já foram tomadas por banhistas, muitos deles crianças. Qual é a qualidade da água onde se banham? E da areia?
Não basta fazer uma piscina de apoio à discoteca (não deveria ser um bar de apoio à piscina?) no recinto do Festival de Jardins. É preciso garantir que os limianos e os visitantes de Ponte de Lima tenham segurança quando se banham nas praias do concelho.
Imagino que as análises sejam feitas todos os anos e, se assim é, porque não tornar os seus resultados públicos?
Parecem longe os tempos onde se dizia que o Lima era o Lethes, o rio do esquecimento…
Ficou provado que a Assembleia, quando quer, tem um papel fundamental nas escolhas para o concelho, tem uma palavra a dizer que merece ser ouvida. As comissões, como a da saúde provou, são um bom caminho para um desempenho mais activo da Assembleia.
Já Manuel Barros alertava para a necessidade de criar comissões e fomentar o seu funcionamento em meados dos anos noventa. Pelo que se viu agora, tinha razão. O presidente da Assembleia Municipal, Abel Baptista, pode e deve assumir um papel mais activo. O desenvolvimento de comissões e grupos de trabalho, que funcionem e reúnam, poderá ser o caminho para a revitalização necessária de um órgão que por vezes parece preso.
segunda-feira, junho 05, 2006
Alto Minho Artigo 06-06-2006
Com pompa e circunstância foi inaugurada a extensão limiana da APPACDM. O antigo Matadouro Municipal, posteriormente reconvertido em Centro de Arte e Cultura, é actualmente o local de acolhimento. Se por um lado é de saudar a presença da APPACDM em Ponte de Lima, por outro é lamentável que a tenham “empurrado” para um edifício que não foi pensado para esta finalidade. A decisão de ceder o Centro de Arte e Cultura em vez de se construir um novo edifício nos terrenos disponibilizados para o efeito junto às Piscinas Municipais é o reconhecer, por parte da Câmara, do fracasso do Centro de Arte e Cultura, que nunca chegou a ser nada.
Não se pode, no entanto, minimizar o facto positivo da APPACDM ser agora uma realidade num dos concelhos do distrito de Viana do Castelo com o maior número de pessoas portadoras de deficiência. Esperemos é que o investimento não pare por aqui. Continuemos a pensar num edifício novo, detentor de melhores condições para os cidadãos portadores de deficiência. Esse terá que ser o objectivo.
Afinal o Presidente da Câmara parece não ter chegado a ir ao Brasil. Esta deslocação chegou a ser anunciada como clarificadora do processo de instalação do investimento brasileiro, mas o silêncio sobre o assunto parece sintoma de más notícias. A Câmara tudo fez para que este investimento fosse uma realidade, no entanto Campelo tem que explicar aos limianos as expectativas que agora se frustram por ter anunciado o investimento como uma realidade, quando ainda não o era. Que dizer às centenas de pessoas que enviaram os seus currículos?
A Agência Financeira anunciou, na semana passada, que o IKEA estava a estudar três possibilidades, Paços de Ferreira, Paredes e Estarreja para a localização da sua fábrica em Portugal. A Câmara Municipal de Ponte de Lima tratou este processo de outra forma, não criou falsas expectativas e tudo fez para que a fabrica fosse uma realidade em Ponte de Lima.
Aparentemente e infelizmente o concelho limiano não acolherá nenhum dos referidos investimentos. Talvez seja tempo de encarar de outra forma a nossa realidade económica. Ou nos resignamos e ficamos a aguardar que se lembrem de nós, ou apostamos, antes de mais, nos empresários locais. A Câmara Municipal pode dar-lhes condições para que desenvolvam as suas actividades. Muitos deles são inovadores no seu sector de actividade, precisando apenas de incentivos, semelhantes aos concedidos aos investidores estrangeiros, para se afirmarem a nível regional, nacional ou mesmo internacional.
Por que não apostar na fixação destes investidores nos pólos industriais limianos? Por que não criar uma incubadora de empresas como existe em Braga ou em Viana do Castelo? A fomentação do investimento limiano é um caminho a ter em conta para dinamizar a nossa parca economia.
Não basta ser o segundo maior concelho do distrito em termos de habitantes, temos que fazer tudo para ser o segundo também em termos económicos e sempre com a ambição de sermos o primeiro.
Para quem anda atento às questões culturais do concelho tem assistido, nos últimos anos, ao lançamento de vários livros de escritores limianos, de livros sobre figuras limianas, ou sobre Ponte de Lima. Estes livros, além de serem de extrema importância para quem gosta de Ponte de Lima, são, sem sombra de dúvida, importantes para a identidade histórico-cultural de todos os limianos.
Nas suas edições/reedições uma grande fatia do mérito vai para a Câmara Municipal. Geralmente é esta que desempenha o papel fundamental para que as obras possam ver a luz do dia.
Cada vez mais o formato digital ganha extrema importância na preservação e divulgação de documentos. A própria Biblioteca Nacional tem apostado fortemente nesta área e qualquer um já pode ler livros como Os Maias de Eça de Queirós na versão da primeira edição, bastando para isso aceder à página on-line da BN. Um serviço semelhante poderia, à escala local, ser desenvolvido na Biblioteca Municipal. A digitalização de obras de limianos ou acerca de Ponte de Lima e a sua disponibilização on-line seria um passo enorme para a cultura limiana. Basta imaginar a felicidade de um limiano emigrado, ou dos seus filhos, ao poderem aceder a essas obras, quando doutra forma não o podem fazer. Bem sei que há alguns factores a ter em conta como o dos direitos de autor. A tecnologia permite, no entanto, vários tipos de situações que conseguiriam convergir num só sentido todos os interesses envolvidos.
Já que não se aposta na construção de uma nova biblioteca, aposte-se pelo menos na construção de uma Digital que mostre não só a produção intelectual e cultural de Ponte de Lima, mas também o caminho de inovação que o concelho limiano quer seguir.
segunda-feira, maio 29, 2006
Alto Minho Artigo 29-05-2006
Durante os últimos anos temos assistido, por vezes sem nos darmos conta, a uma guerra surda dentro do CDS limiano. Por um lado Gaspar Martins, por outro Abel Baptista. Durante alguns anos foram estes os homens que secundaram Daniel Campelo quer no partido, quer no executivo camarário.
Gaspar Martins foi/é sem dúvida o homem do terreno de Campelo. Foi ele que fez Campelo ao “apresenta-lo” às freguesias. Se outro ponto não houvesse em comum entre as diversas festas nas 51 freguesias do concelho pelo menos um existia, a presença de Gaspar Martins em todas elas. Apesar do peso dentro do aparelho, Martins sabe que foi precisamente este que lhe roubou qualquer hipótese de pensar chegar ao mais alto lugar do município, a presidência da Câmara.
Abel Baptista, pelo contrário, foi conquistando o seu lugar no partido paulatinamente. Como nessa conquista enfrentou várias vezes o “bulldozer” do CDS, várias foram as sequelas daí resultantes. Nas últimas eleições autárquicas, ao encabeçar a lista do CDS à Assembleia Municipal, teve a oposição pública da Juventude Popular que fez um apelo ao boicote à lista. O resultado foi o aumento dos votos também na Assembleia para o CDS… Há coisas que perpassam os interesses partidários.
Com a sua surpreendente eleição para a Assembleia da Republica, Baptista conseguiu o que não tinha conseguido ao ser eleito líder da distrital. Ganhou espaço próprio. Com esta eleição quebrou as amarras que o prendiam ao CDS limiano, logo, a Campelo.
Daniel Capelo já assumiu em várias entrevistas que este é o seu último mandato. Assim sendo, e como de longe se prepara uma candidatura autárquica, apenas duas pessoas do CDS o podem fazer: o actual vice-presidente da Câmara, Victor Mendes, e Abel Baptista. Gaspar não ficaria nada contente se viesse a ser o último. Será que Campelo terá que se candidatar mais uma vez?
Bem pode o PS limiano gritar que tem ideias, que tudo está bem, que tem um rumo e que os cidadãos são a prioridade. O PS limiano tem pelo menos três problemas sérios em mãos.
Por um lado não consegue justificar a saída do seu líder e vereador Montenegro Fiúza, de uma forma plausível, ao eleitorado. As explicações podem ser muitas, pode-se até evocar, por exemplo, o trabalho de equipa, mas o PS sabe bem que uma boa percentagem dos votos que teve nas autárquicas foi o resultando de uma imagem muito personalizada do seu cabeça de lista à Câmara Municipal. Nada justifica o defraudar das expectativas dos eleitores e, neste caso, o PS de Montenegro defraudou.
Outro problema é consequência do primeiro. O actual líder assumiu-se como sendo a prazo, disposto a sair caso o anterior queira voltar. Esta foi uma tentativa de desculpabilização, uma tentativa de demonstrar que no PS não importa a liderança, mas sim o colectivo. O pior é que, em qualquer partido, a liderança é fundamental para o colectivo. É preciso dar exemplos? O PS não se apercebe desta realidade e ao afirmar que é um líder a prazo, Jorge Silva, demonstrou que o PS não é a alternativa ao CDS na Câmara Municipal. Um líder não o pode ser nem a prazo nem apenas em época de eleições.
O terceiro problema do PS é a sua atitude um pouco, digamos, “estalinista” no que concerne à opinião contrária. Bem sei que irão dizer: quem não se sente não é filho de boa gente e coisa e tal. Mas como pode o PS querer que as suas ideias sejam tidas em conta, quando não admite sequer que estas sejam criticadas? É lamentável verificar que qualquer artigo de opinião que vise o PS seja logo acusado de todos os epítetos por parte do “staff” socialista. As acusações feitas ao director deste jornal são o reflexo disso mesmo. Mas então o PS ou os seus membros não escrevem em quase todos os números do Alto Minho? Para não ficar de fora das citações dos dizeres populares, costuma-se dizer que as atitudes ficam com quem as toma.
Já agora, que é feito da juventude socialista? Volta lá para o estio aquando das próximas eleições autárquicas. Com certeza…
segunda-feira, maio 22, 2006
Alto Minho artigo de 22-05.2006
Abel Baptista convocou uma reunião extraordinária da Assembleia Municipal de Ponte de Lima para dia 29 de Maio. A situação da saúde em Ponte de Lima, nomeadamente o caso polémico do fecho de serviços no Hospital Conde de Bertiandos, serão os temas a debater.
Pese embora o presidente da Assembleia Municipal ter dito que os partidos com representação na Assembleia partilhavam a mesma opinião sobre o assunto, as direcções partidárias deveriam tornar pública a sua posição. Com isto esclareciam os cidadãos, acabando de vez com qualquer tipo de suspeita de partidarismo.
Os representantes das freguesias têm agora a oportunidade de juntarem, também, a sua voz a esta luta. Ainda recentemente não o fizeram em relação à PSP. Esperemos que desta feita se unam a uma só voz a bem das populações que representam.
O Presidente da Assembleia afirmou a vontade de envolver as forças sociais neste combate. Esse é, certamente, o caminho, mas não pode esquecer a população. Esta deveria estar presente na reunião da Assembleia em peso, cabendo à Assembleia promover essa participação, nem que para isso tenha de alterar o local da reunião.
Será a sina limiana?
No espaço de um mês, Ponte de Lima vê três unidades fabris fecharem as suas portas. Depois das últimas noticias indicarem que o IKEA terá outro poiso que não Ponte de Lima, esperávamos que o Presidente da Câmara chegasse com boas notícias do Brasil. Continuamos à espera das notícias. No caso COBRA, a Câmara fartou-se de anunciar o negócio como fechado. Criou expectativas, pelo que, se este sair gorado, terá muitas explicações a dar.
Ponte de Lima vive dias sombrios em sectores essenciais e vitais como a saúde (o caso do fecho de valências e serviços do Hospital), a segurança (o putativo encerramento da esquadra da PSP sem o aumento dos meios e efectivos da GNR), o emprego (a onda de encerramento de unidades fabris). Até quando? Olhem, pelo menos, temos festivais de jardins...
Admirável miradouro
Há mais ou menos um ano, o vice-presidente da Câmara, o vereador Vítor Mendes, anunciou que o mais antigo jardim de Ponte de Lima ia ser alvo de revitalização. O mesmo vereador acrescentou ainda que o monte de Santa Maria Madalena não estava ao abandono. Na sua opinião o antigo orgulho limiano apenas necessitava de umas pequenas reestruturações que a Câmara Municipal iria prontamente realizar. A Madalena não estava ao abandono, no máximo talvez estivesse, esteja, relegada aos serviços mínimos...
Um ano depois continuamos à espera. Para quando o começo das obras? Para quando a recuperação do esplendor que outrora aquele espaço teve?
O monte da Madalena continua serenamente à espera. À espera da recuperação, não de ser engolido pela massa construtiva que, infelizmente, já lhe aperta as entranhas.
Navegar à bolina
Infelizmente são vários os casos de falta de rumo nas políticas camarárias na última década. Veja-se, por exemplo, as aquisições, construções e reconstruções de edifícios por parte da Câmara Municipal. Desde a aquisição de uma casa na Além da Ponte, a construção do popularmente baptizado “micro-ondas”, passando pela reconstrução do Mercado Municipal, eis alguns exemplos de edifícios que nem a Câmara nem os munícipes fazem ideia para que servem. Uns perderam a sua serventia, outros esperam ter serventia, outros ainda têm uma serventia no mínimo, digamos, virtual.
Outro caso dessa navegação é o do pelouro da cultura. Não se encontra um objectivo, um fio condutor na promoção cultural. Concelhos vizinhos, Arcos de Valdevez por exemplo, fruto da sua política cultural, vão cativando públicos em diversas áreas culturais. Ponte de Lima ainda não criou qualquer tipo de público. A vereação tem culpa desta situação e de nada vale apresentar os números “fantásticos” do costume. A realidade está à vista de todos. Talvez fosse tempo de ver e aprender com quem tem tido sucesso nesta área. Não é vergonha nenhuma.
Demagogia populista?
Outro exemplo desse navegar à bolina é a imposição dos 40 km/h de velocidade máxima nas estradas municipais limianas. Serão gastos perto de 50 mil euros, quando não existe um único estudo que indique que ao baixar dos actuais 50 km/h para os 40 km/h se irá reduzir a sinistralidade rodoviária no concelho. Para onde irá mais soprar o vento?
segunda-feira, maio 15, 2006
Alto Minho artigo de 15-05-2006
Martins Alves, presidente do Conselho de Administração do Centro Hospitalar do Alto Minho, proferiu as seguintes afirmações acerca do próprio CHAM; «se se tratasse de uma empresa privada, já estava fechada há anos», «havia 29 milhões de euros de capital social, mas a anterior administração gastou-o todo». Já Maciel Barbosa, coordenador da ARSN, acusou a anterior administração do CHAM de mentir, quando anunciou o lançamento de obras de remodelação no Serviço de Urgência do Hospital de Ponte de Lima.
Estas acusações são graves e imputam uma responsabilidade enorme na anterior administração. Por serem graves não poderão ser dúbias. A referida administração deveria dar a conhecer a sua versão dos factos. Não nos podemos esquecer de que há anteriores administradores que ocupam cargos de relevo político e que a gravidade das acusações poderá abalar a sua credibilidade junto dos seus eleitores.
Há, no entanto, um factor a ter em conta, a actual conjuntura de contestação que se vive face aos encerramentos de serviços e valências no hospital de Ponte de Lima. Como as razões são apenas de ordem económica, nada melhor que sacudir a água do capote. É por estas razões que estes cargos não deveriam ser de nomeação política, os administradores deveriam sê-lo pela sua competência técnica e não pela sua cor partidária.
Uma coisa é certa, depois destas afirmações, nada pode ficar como antes.
O vereador com o pelouro da cultura, desporto e juventude propôs um voto de louvor à Associação Desportiva “Os Limianos” não só pela sua conquista desportiva, mas também pela sua postura nos últimos anos, isto no que concerne à recuperação económica e social. Como era merecido foi aprovado, e bem, por unanimidade.
Realmente, é bom realçar os feitos da AD "Os Limianos". É bom, porque é, de facto, um exemplo para o restante associativismo limiano, não só desportivamente falando, mas também na sua gestão interna. Todos ainda se lembram como “Os limianos”, há menos de três anos, estiveram na iminência de pura e simplesmente acabar.
Não questionando a boa intenção da proposta do voto de louvor, surge a pergunta: o que é que a Câmara Municipal fez para que a actual situação se verificasse?
Não bastam palavras afáveis e bonitas. Não bastam votos de louvor. São necessários actos. Actos coerentes com as palavras.
É tempo de edificar um verdadeiro centro desportivo em Ponte de Lima, onde as diversas associações e clubes tenham o seu espaço de acordo com o seu peso social e desportivo. Se, em Milão, dois dos maiores clubes europeus coabitam no mesmo estádio, porque não aplicar o mesmo sistema em Ponte de Lima? Talvez assim se evitassem pequenos e inoportunos atritos entre associações ou clubes e se criassem condições idênticas para que todos eles prosseguirem no encalço dos seus objectivos.
O mesmo vereador que propôs o voto de louvor foi convidado a participar na Sessão Solene das comemorações do 25 de Abril do concelho de Vieira do Minho.
Nessa sessão realizou-se um colóquio subordinado ao tema "Experiência de um Centro Escolar - Reordenamento Escolar". Depois da maneira como a câmara de Ponte de Lima tratou/trata do assunto dos centos escolares, que dizer? Talvez os senhores de Vieira do Minho precisassem de alguém que lhes mostrasse como não proceder na implementação dos centros escolares. Talvez…
Alguém pode dizer quem é o responsável pela limpeza das rotundas de Santo Ovídeo em Arcozelo? É que, daqui a pouco, os condutores terão que usar os seus “super-poderes” para ver quem circula nelas, tal é a altura dos “arranjos florais”…
Não sei se são da mesma espécie dos cogumelos ou dos coelhos, mas os carros em segunda-mão, há venda nas bermas das estradas do concelho limiano, parecem ter uma capacidade reprodutiva enorme. Não bastavam os TIR’s, ainda se lhes associam carros com os mais diversificados dizeres “vende-se”, “procura novo dono”, “barato”, “como novo”, etc. Será que as bermas e rotundas das nossas estradas foram concebidas para stands de carros usados? Mais uma vez, ao que parece, talvez…
segunda-feira, maio 08, 2006
Alto Minho artigo de 08-05-2006
O governo PS parece querer encaminhar o Hospital Conde de Bertiandos para o princípio do seu fim. Com as notícias preocupantes sobre o encerramento das urgências durante o período nocturno, veio a público o que a custo se tinha tentado escamotear. Vejam-se os casos de encerramento das consultas externas de valências como Pediatria ou Cirurgia. Aos poucos foram fechando serviços, alguns exames deixaram de ser feitos em Ponte de Lima. “Agora só em Viana” - dizem. As pessoas foram-se habituando ao ritmo dos encerramentos. Habituando, mas não conformando. Note-se. Agora querem acabar com o Serviço de Atendimento Permanente durante o período nocturno. Não será esta a gota de água?
Que fique claro, principalmente para alguns, que não está em causa qualquer tipo de concurso para ver quem intervêm primeiro, mas a Assembleia de Freguesia de Ponte de Lima foi, realmente, a primeira Assembleia no concelho a insurgir-se contra o que se está a passar no hospital. A Assembleia Municipal, no dia 29, também o fez, a Câmara Municipal parece, também, associar-se. As restantes freguesias também o virão, certamente, a fazer.
O presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima reúne-se hoje, segunda-feira, com representantes da ARS Norte, da Sub-Região de Saúde de Viana e da administração do Centro Hospitalar do Alto Minho. Esta reunião não poderá ter como objectivo único conhecer as orientações do Ministério da Saúde. É preciso vincar que as populações já se ressentem com a deslocação de serviços. É preciso que saibam que os cidadãos alto-minhotos não percebem como foi possível gastar tantos milhares de euros na requalificação do hospital para que, de repente, ao invés de apostar em novos serviços, lhe sejam retirados, aos poucos, os que nele actuavam.
A diminuição dos gastos parecem justificar tudo para este governo. Haverá alguma outra justificação além das questões económicas para a retirada de serviços do Hospital Conde de Bertiandos? Infelizmente a resposta parece ser não.
Na semana passada, podia-se ouvir em algumas rádios locais que Monção lutava pela manutenção das urgências 24 horas por dia. Desde o envio de uma moção, aprovada por unanimidade na assembleia Municipal local, ao primeiro-ministro José Sócrates até a um abaixo-assinado que estava a circular por todas as freguesias do concelho, eis algumas das acções de contestação que a Câmara Municipal tem liderado. Um, dentre os argumentos que se podiam ouvir, era o de Monção ser o quarto concelho mais populoso do distrito de Viana do Castelo.
Ponte de Lima é o segundo mais populoso. O seu hospital serve habitantes do próprio concelho, de Paredes de Coura, Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e inclusive de Barcelos.
Talvez seja tempo dos cidadãos não ficarem impávidos e serenos. Talvez seja tempo dos cidadãos cerrarem fileiras com os seus representantes e lutarem para não assistirmos a mais um encerramento.
Os cidadãos que são servidos pelo hospital de Ponte de Lima merecem ver esses serviços melhorados e não retirados.
terça-feira, maio 02, 2006
Alto Minho artigo 02-05-2006
Os Limianos sagraram-se campeões distritais depois de terem dominado, do início ao fim, a 1ª Divisão de honra. É o regresso à Terceira Divisão Nacional. Depois do Correlhã, infelizmente tudo indica que não se manterá lá no próximo ano, eis que Ponte de Lima continua a dar cartas neste desporto de massas.
Este é o resultado de um trabalho árduo que Tito de Morais tem liderado. Quando todos pensavam que a Associação Desportiva "Os Limianos" tinha encontrado o seu fim, a equipa que preside acreditou, dedicou-se e os resultados apareceram.
A equipa técnica, liderada sabiamente por Carlos Cunha, soube conduzir os craques, quase todos eles limianos, e fazer jus ao esforço da direcção.
Agora, não entrando em euforias, esperemos que o próximo ano seja o ano da consolidação financeira e desportiva. Parabéns.
O vereador do PSD, Manuel Trigueiro, na sua declaração de voto sobre o Relatório de Gestão e Contas referiu-se ao PU da vila de Ponte de Lima afirmando que este, quando vier a ser aprovado, será apenas um levantamento do que entretanto foi construído. De facto, tem toda a razão. Quando o PU estiver pronto a ser executado já não será necessário. A pressão urbana é cada vez maior e os resultados, como se pode verificar na parte nova da vila, deixam muito a desejar em termos de ordenamento.
Ponte de Lima com um centro histórico bem preservado, onde todos os presidentes da Câmara, desde os irmãos Abreu Lima, passando por Fernando Calheiros e por fim Daniel Campelo isto só para falar dos do tempos pós 25 de Abril, têm apostado merecia que a parte nova lhe fizesse, no mínimo, jus.
Olhem para o exemplo da Avenida António Feijó. Numa altura em que existiam meia dúzia de carros em Ponte de Lima houve a audácia e visão de a construir. Pelos modelos que podemos encontrar, se esta avenida tivesse que ser rasgada actualmente, era quase certo que nunca veria a luz do dia. Tantos metros desperdiçados…
Perdido o motivo económico, ainda existirá vontade nos nossos políticos de unir o Alto Minho num só?
O presidente da autarquia de Viana, devido a razões de peso político dentro do seu partido, não se absteve de fazer declarações inqualificáveis ao classificar alguns concelhos do Alto Minho como irrelevantes. O presidente da câmara de Ponte de Lima põe, também, algumas reticências à união. O único motivo que, aparentemente, os fazia ultrapassar algumas quezílias políticas era mesmo o dos fundos comunitários.
O Secretário de Estado do Desenvolvimento Regional afirmou, numa reunião, ao que parece secreta, com os presidentes das Câmaras constituintes da VALIMAR, que não era necessária a união dos municípios do Alto Minho para aceder aos fundos comunitários. Ora, assim, tudo parece indicar que, uma vez mais, a união será adiada. Quem perde são os Alto Minhotos.
Enquanto em Valença o tema de discussão é a elevação da vila a cidade, a transformação do concelho valenciano no segundo maior pólo de atracão industrial, económico e social do distrito, em Ponte de Lima discute-se o encerramento de serviços essenciais. Serviços que desempenham um papel proveitoso e fundamental para a população não só limiana, mas também dos concelhos vizinhos.
Já agora, qual é a posição da estrutura local do partido do governo sobre estes encerramentos?
segunda-feira, abril 24, 2006
Alto Minho artigo 24-04-2006
No fim de uma das missas na vila de Ponte de Lima, uma das muitas senhoras bem que acham chique vir à província passar a Páscoa perguntava a outra "Então por cá? Quando veio?" ao que a outra respondeu "No outro fim de semana". Pergunta estupefacta a primeira "E como aguentou tanto tempo?"...
O governo PS é pródigo em marketing, em reformulações inócuas e espante-se em anúncios de encerramentos. As esquadras da PSP, os Centros de Saúde, as Urgências dos Hospitais, as Escolas, as Maternidades as Regiões de Turismo... Os encerramentos parecem não ter fim. Os porquês? Esses não interessam. Diz-se que é para melhorar os serviços prestados às populações, e baixinho, quase que em segredo, que é para conter os custos públicos. A economia nacional assim o exige - dizem.
Ponte de Lima parece não ficar de fora destes, digamos, ajustes. A esquadra da PSP tem a corda no pescoço e agora tem vindo a público a intenção de encerrar o serviço de urgências do Hospital Conde de Bertiandos.
Será que a economia de custos justifica tudo? Esperemos que seja apenas mais um laivo do profícuo marketing político do governo PS.
Ao decidir criar um centro escolar, a Câmara Municipal de Alfândega da Fé usou a seguinte metodologia. Envolveu todos os agentes educativos encetando reuniões de planeamento estratégico com a finalidade de criação de um Centro Escolar.
Preocupada em esclarecer os pais e encarregados de educação, realizou duas acções de formação dirigidas especialmente para estes, disponibilizando um gabinete de atendimento e, espante-se, uma linha telefónica Nº Azul Easy para o acompanhamento personalizado destes. Publicou, ainda, um desdobrável onde eram descritos os objectivos, áreas pedagógicas, serviços prestados e contactos úteis. Em todas as fases do processo de planeamento de reordenamento da rede escolar foi sempre salvaguardada a intervenção com e junto dos Encarregados de Educação das crianças das freguesias a deslocar para o Centro Escolar.
Comparemos, agora, com a forma trapalhona com que a Câmara de Ponte de Lima tratou o assunto dos Centros Escolares e tirem-se as devidas ilações...
Razão tem quem diz que a Câmara Municipal trata dos assuntos de trás para a frente. Os Centros escolares, infelizmente, não fugiram à regra.
Passou mais um ano sobre a data da revolução designada dos cravos. 32 anos. Os jovens cada vez mais se distanciam das comemorações e esta data começa a ser vista, como já o é o 5 de Outubro, como mais um feriado. No entanto, ainda há os que vibram só de pronunciar 25 de Abril.
Nas comemorações parece cada vez mais evidente que não bastam os foguetes e as musicas, é preciso mais alguma coisa. Reflexão, por exemplo.
Talvez seja da poeira dos tempos ou da história, mas, muito em breve, o 25 de Abril será encarado por quase a totalidade dos portugueses como apenas mais um feriado e, se pensarmos bem, talvez aí encontremos a grande vitória da revolução de Abril.
quinta-feira, abril 20, 2006
Alto Minho artigo 20-04-2006
Todos ainda se lembram de uma publicidade onde pessoas já com alguma idade diziam “ainda sou do tempo…”, pois bem, não tendo sequer metade da idade das pessoas retratadas, apetece-me dizer o mesmo em relação ao areal.
Ainda sou do tempo de ver roupa a secar no areal. Ainda sou do tempo de ver lavar a roupa no rio. Ainda sou do tempo em que dois dos três meses de férias de Verão eram passados no areal e, consequentemente, no rio Lima. Ainda sou do tempo em que poucos eram os que estacionavam no areal, até porque, se se distraíssem, corriam o risco de ficarem com as viaturas atoladas na areia. Ainda sou do tempo da inexistência de açudes. Ainda sou do tempo da existência de bandeira azul...
Agora fala-se de zonas de protecção à ponte, de retirar a feira quinzenal desse espaço, de reorganizar o espaço, de projectos de universidades estrangeiras para a zona, ilhas artificiais, etc, etc.
Necessário era ouvir o que realmente os limianos esperam desse espaço, que, em tempos, caracterizou de forma única a nossa sede de concelho. Seja lá o que for que esteja a passar na cabeça dos responsáveis, a verdade é que o areal e o rio que eu ainda conheci, nunca mais voltarão.
De tempos a tempos, ouvimos falar da feira. Umas vezes para publicitar as reformas que a câmara lá pretende implementar, outras por causa da sua localização.
Sobre as reformas, apenas podemos dizer que, em norma, não são aplicadas por muito tempo, os retalhos resultantes dessa situação descaracterizaram para o bem e para o mal a velha feira limiana. Não há forma de parar o tempo…
Sobre a localização, as opiniões já são mais divergentes. Sei que a actual disposição e localização tendem a não durar muito mais. A feira, nos últimos anos, qual rio em dia de cheia, tem ocupado a Avenida dos Plátanos, o Passeio 25 de Abril e a antiga feira do gado (já sem gado), todos eles locais estranhos à feira tradicional.
Como a situação actual é quase anárquica, o caminho será, certamente, o da mudança. Não, inevitavelmente, de local, mas de paradigma. A adaptação aos tempos, às actuais necessidades e exigências é urgente e obrigatório.
Comemoraram-se no passado domingo, dia 9, 88 anos da batalha de La Lys. Quase ninguém hoje sabe que batalha foi essa ou em que guerra ocorreu. Mas, se percorrermos a história recente da nossa família ou de famílias vizinhas, surpreender-nos-emos com a possibilidade de rapidamente encontrarmos alguém que tenha participado nessa batalha da I Grande Guerra.
Talvez não fosse mal recordar aos jovens o que os seus antepassados directos passaram ainda há menos de um século. Há quem defenda que a história se dá em círculos, pelo que é necessário não esquecer para não se cair nos mesmos erros.
Foguetes, sinos, movimento, casas abertas a todos… Mais importante: passagem, esperança, renovação…
segunda-feira, abril 10, 2006
Alto Minho artigo 10-04-2006
No artigo do dia 11 de Fevereiro escrevia o seguinte;
" (...) Não é aceitável nem razoável que se continue a perpetuar um erro como o da divisão da região em duas áreas distintas, a VALIMAR e CIVM. A altura não se compadecesse de indecisões.
A Intermunicipal veio propor uma unificação, a vereação do PSD na Câmara Municipal de Viana do Castelo, pelo seu líder, Carvalho Martins, propôs, em reunião da Câmara, esse caminho. Infelizmente, a sua vice-presidente repostou, afirmando que a VALIMAR aceita propostas de adesão. Eis a razão, precisamente, pela qual o Alto Minho continua no estado em que está. Não é o entendimento que se procura, mas a vitória de uma das partes. Daniel Campelo classificou a proposta como fora do tempo. Já não há tempo é para prolongar o erro. (...)"
Entretanto, o mês de Março trouxe outros argumentos: os fundos do próximo Quadro Comunitário de Apoio. Aí já todos foram unânimes na defesa da união. Aliás, parece que todos têm lutado, desde sempre, para que esta união seja uma realidade. Quase nos faziam esquecer que os autarcas que dividiram a região são praticamente os mesmos que agora reclamam ter sido sempre a favor da união do Alto Minho...
As declarações feitas por alguns deles, logo após a reunião que juntou os dez presidentes dos municípios do Alto Minho, vêm demonstrar, infelizmente, a fragilidade da actual proposta de união. As "capelinhas" continuam e a conveniência dos fundos parece esbarrar no preconceito bairrista e clubista de alguns autarcas. Uns, que se sentem isolados politicamente, têm medo de ficar esmagados entre os dois grandes blocos políticos existentes no distrito; outros têm medo de serem mais um num desses blocos; outros ainda têm medo que um dos blocos se imponha ao outro, vendo assim traçado o seu fim.
O "xadrez" continua a ser o jogo preferido dos autarcas alto-minhotos.
Na sexta-feira da semana passada, o PS elegeu as concelhias no distrito de Viana do Castelo. Em Ponte de Lima, Montenegro Fiúza passou o testemunho. Deixou a liderança da concelhia ao seu braço direito, Jorge Silva. A inexistência de uma lista oponente resulta de um partido que rapidamente se moldou ao seu anterior líder. O PS gravitou, nos últimos dois anos, em redor de Montenegro, por isso é natural que a liderança passe para a pessoa que este apoiou sem grande ou nenhuma oposição. Não se pode, no entanto, menosprezar a eleição de Jorge Silva. Foi um dos principais obreiros dos resultados surpreendentes que o PS de Montenegro obteve nas autárquicas. No entanto, a nova liderança não trará grandes mudanças de rumo ou de protagonistas. O PS continuará no mesmo caminho que tem percorrido nos últimos meses ou não fosse Jorge Silva um dos delineadores do mesmo.
Passados alguns meses, os jovens continuam à espera que o anúncio de uma Assembleia da Juventude no concelho seja uma realidade. Começa a ser um hábito dos nossos governantes presentear a comunicação social com grandes anúncios que resultam em nada. A Assembleia da Juventude, Fórum de Juventude ou Conselho da Juventude onde os jovens, através das associações juvenis, das associações de estudantes e das juventudes partidárias, participem activamente na vida da comunidade e onde possam ter uma palavra nas escolhas de politicas de juventude é um velho anseio, que tem vindo a atravessar gerações. Desde as nascidas nos anos 70, passando pelas dos anos 80 até às que nasceram no princípio da década de 90 todas têm esperado.
Será que os jovens nascidos já no novo milénio irão engrossar o grupo referido anteriormente?
segunda-feira, abril 03, 2006
Alto Minho artigo de 03-04-2006
O Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, Daniel Campelo, liderou uma delegação limiana numa visita à província do Huambo em Angola. A informação foi dada pelos jornais angolanos.
É nestas alturas que me pergunto para que serve o gabinete de Apoio ao Presidente e Vereadores. Não integrará, o gabinete, um profissional de relações públicas que pudesse fazer o obséquio de enviar uma nota de imprensa dando a conhecer os contornos desta viagem? Se não existe, deveria existir. É que ao encontrarmos informação apenas nos jornais angolanos ficamos com a ideia de que a viagem era um pouco, digamos, clandestina. Para ninguém saber.
A inexistência de informação sobre a viagem levanta sempre algumas questões. A viagem teve como mote, certamente, Norton de Matos, mas qual foi, realmente, a finalidade desta viagem? Quem é que fez parte da comitiva e porquê? Qual é o tipo de cooperação existente, já que se falou em estreitá-la? Há alguma estratégia económica ou cultural? Se a resposta é positiva, por que é que não é pública?
Infelizmente, as explicações do vereador da cultura, educação e juventude não foram deveras esclarecedoras. Entre outras explicações, evocava a verificação do local onde se irá reerguer a estátua do general Norton de Matos. Por mais desejável que seja reerguer a estátua do prestigiado limiano e fundador da cidade de Nova Lisboa, actual cidade do Huambo, será que este motivo é o bastante para a deslocação? Talvez seja altura de explicar bem os motivos, os projectos, as instituições envolvidas, até porque poderá dar-se o caso de algum empresário limiano querer aproveitar algum tipo de cooperação para investir nessa região africana.
Esperemos que, em futuras viagens, os limianos sejam esclarecidos antecipadamente das intenções e objectivos das mesmas.
Segundo o consultor da ABDI, Gilberto Lima Júnior, ainda não é certo que Ponte de Lima venha a ser a localização escolhida para implementar o centro de tecnologia. A escolha do local para implementar o projecto por nós conhecido como COBRA ainda não está feita. Esperemos sinceramente que este projecto e o do IKEA cheguem a bom porto e rapidamente sejam implementados em Ponte de Lima.
Bem sei que a Câmara Municipal tudo fez, tudo faz, para que o “cluster” seja uma realidade. Só não se percebe como foi possível apresentarem-no como um facto, quando sabiam que assim não era. Pelo menos, no caso IKEA, o erro não voltou a ser cometido.
sábado, março 25, 2006
Alto Minho artigo de 25-03-3006
CDS-PP - Este partido sempre liderou a Câmara Municipal de Ponte de Lima, mesmo no tempo da AD. Mas o CDS-PP dos anos 70 e 80 desapareceu com a década de 90. Daniel Campelo, desde o tempo em que era vereador, moldou o partido à sua “persona”. Apostou claramente no controlo, na fidelidade e na falta de contestação para se impor dentro da estrutura. Mesmo quando não era o seu líder formal, ele é que ditava o rumo. O presidente do CDS-PP limiano não é Campelo. Alguém que não esteja particularmente atento saberá quem é? O CDS-PP limiano não é um partido de massas. Não tem muitos militantes. No entanto, tem muitos simpatizantes claramente fruto dos 30 anos de detenção do poder local. Este é o seu fiel eleitorado.
Pese embora não assumirem as divergências, para quem observa a política concelhia, é clara a divisão entre os seguidores de Campelo. Nas últimas eleições, estas divergências foram peremptórias e públicas. A reacção impetuosa de uma estrutura como a JP, que tem uma intervenção pública manifestamente inexistente, contra o seu cabeça de lista à Assembleia Municipal foi prova disso mesmo. Abel Baptista conquistou a distrital, mas parece ser visto como uma ameaça dentro da sua concelhia. O posicionamento no xadrez político no seu estado mais puro. Peão ameaça bispo…
Desde os anos 90 que a aposta é no populismo e no mediatismo, aliás, seguindo a política do então líder Manuel Monteiro. Infelizmente continuou assim até aos dias de hoje.
Campelo afirmou que esta candidatura seria a sua última. A ser verdade, abre a possibilidade de renovação interna e, pelo que se passou nas últimas eleições, de uma possível guerra intestina.
Falta saber se é o CDS-PP que realmente existe em Ponte de Lima ou se é o fenómeno mediático Campelo.
PSD - O PSD é o eterno número dois do concelho. Esteve perto da vitória com Gaspar Castro, mas já no final da campanha sucumbiu, vindo a perder por quatro ou cinco centenas de votos.
Este partido é um caso único no panorama político local. Consegue constantemente vitórias nas eleições nacionais, vitórias estrondosas, ao mesmo tempo que vai perdendo eleitorado de uma forma quase violenta nas eleições locais. A explicação só pode ser uma: a liderança.
Os líderes do PSD local têm sido os mesmos nos últimos 10 anos. Primeiro com Manuel Trigueiro depois com Pedro Ligeiro e agora mais uma vez com Manuel Trigueiro. Estes líderes demonstraram não conseguirem fazer frente ao fenómeno Campelo. Nunca o PSD perdeu tantos votos e mandatos como nos últimos anos.
Ligeiro liderou a JSD concelhia com sucesso, mas não o fez na liderança do partido. Um líder não pode ser refém de ninguém. Trigueiro parece não conseguir que o partido lhe perdoe algumas posições do passado. A sua liderança não surte sinergias, mas antes repulsas mesmo naqueles que antes lhe eram próximos.
A aposta destes dois líderes, que têm conjuntamente traçado os destinos do PSD local, em aumentar desmesuradamente o número de militantes apenas surte efeito internamente. Em eleições, essas filiações não se têm traduzido em mais votos. A militância tem que ser um meio e não um fim.
PS – Este partido não era, localmente, tido muito a sério. Esta situação mudou com o surgimento de Montenegro Fiúza. O actual líder conseguiu entrar no meio, não ser encarado como uma ameaça aos então lideres e paulatinamente conquistou o poder interno. A verdade é que renovou o PS limiano, dando-lhe uma dinâmica que nunca antes se tinha visto neste partido em Ponte de Lima. Falta saber se estas mudanças são para ficar ou apenas passageiras.
A ascensão de alguns dos actuais membros do seu staff e o afastamento de outros, chamados históricos, causou algum embaraço na estrutura. Estes estiveram calados durante o período de eleições, que correu melhor do que alguns vaticinavam, mas o actual período é de eleições internas e a contestação já começou.
Falta saber se a quase ausência do líder nos últimos tempos associada à contestação já referida conseguirá reunir apoios numa estrutura cada vez mais moldada à imagem do seu actual líder.
A CDU não faz parte deste leque, mas não poderia deixar de a referir. É notório que a retirada abrupta do seu deputado municipal António Matos fez mossa. O eleitorado diminuiu e dispersou-se. A contestação desapareceu e o partido parece não encontrar o rumo anterior. Não estão em causa vedetas, mas sim a capacidade de intervenção, de oposição, de mostrar uma alternativa. A CDU parece ter perdido todas.
sábado, março 18, 2006
Alto Minho artigo de 18-03-2006
Algumas amigas minhas interpelaram-me sobre o porquê de não ter abordado no último artigo este dia "tão importante". Uma falha imperdoável, diziam. A resposta é simples. A comemoração deste dia faz tanto sentido como a introdução, tão proclamada pelo Partido Socialista, de cotas para mulheres na intervenção política. Nenhum! Porquê? Porque a igualdade entre sexos é tão natural que só o facto de se forçar a participação com cotas ou a existência de comemorações bacocas produzem sempre o efeito contrário ao pretendido. A desigualdade entre sexos.
Mas o dia serve para chamar a atenção para as desigualdades, dizem. Pois poderá ser, e surte algum efeito? Eis um exemplo de como não há realmente necessidade das pretensas chamadas de atenção ou imposições de cotas: é um facto que a maioria dos estudantes do ensino universitário são mulheres, alguém introduziu algum tipo de cotas para que este se verificasse? Obviamente que não. O mérito associado ao querer, tal como o azeite, vem sempre ao de cima, independentemente de se ser homem ou mulher.
Finalmente aparecem os primeiros sinais de luz no fim do túnel. Francisco Araújo reuniu com Rui Solheiro com a finalidade de discutir a união do Alto Minho numa só comunidade. Depois de alguns responsáveis da VALIMAR, nomeadamente a Vice-Presidente da Câmara de Viana do Castelo, Maria Flora Silva, e o Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, minimizarem e quase menosprezarem o apelo da Intermunicipal do Vale do Minho para a unificação, a importância para a região do Alto Minho do próximo Quadro Comunitário de Apoio parece ter-se imposto, revelando maior importância que algumas pretensas vaidades pessoais. Ainda bem que assim é. O Alto Minho anseia esta união.
O Partido Socialista do distrito elegerá as concelhias no próximo dia 31. Pois a este propósito, o líder dos socialistas de Caminha, Jorge Fão, afirmou estar disponível para se recandidatar, mas, vejam bem, apenas se recolher o apoio das bases do partido. Muito bem, uma afirmação muito, digamos, bonita. Uma pergunta apenas. Não é suposto, numa eleição democrática, ser eleito quem os eleitores, neste caso as bases, escolherem, logo apoiarem? Normalmente é assim que funciona. Normalmente, pois claro.
Para terminar, é de referir que Jorge Fão, para quem não sabe, é deputado do PS na Assembleia da Republica Portuguesa. "Muito bem… Apoiado..."
É imperativa uma visita à exposição de pintura e artes plásticas de Fátima Meireles na Torre da Cadeia Velha. Uma exposição onde se poderá encontrar um trabalho de mais de 10 anos.
O clube náutico de Ponte de Lima está, mais uma vez, de parabéns. O seu atleta, Nuno Barros, além de ter sido chamado para a selecção nacional sagrou-se, este fim-de-semana, campeão nacional de maratonas.
Assim fica provado que com meios o desporto limiano pode dar cartas.
sábado, março 11, 2006
Alto Minho artigo 11-03-2006
O porta-voz do PS limiano ganhou um novo alento, vai a todas. Escreve, escreve, pecando apenas por se esquecer, por vezes, de ler o que escreve. Percebemos porquê.
Se alguém refere o seu partido, logo a resposta da clarividência dispara. Se a critica é aos outros, estamos perante democracia, se a critica é para eles, estamos perante pessoas que não estudam seriamente os assuntos. Se o fizessem, não criticavam as posições do PS que são tomadas após profundo estudo, claro. Ou então, como é óbvio, são pessoas que não conseguem encaixar a opinião dos outros. Ora aí está!
Outra preocupação, demonstrada pelo dito porta-voz, assenta sobre o que se passa internamente noutros partidos. Lamenta-se de não saber quem representa a vontade de determinada formação política. Pois a resposta parece obvia a 99% dos inquiridos, segundo os quais as Comissões Políticas são eleitas para isso mesmo e ninguém lhes rouba essa incumbência. Agora, os militantes da tal formação política são livres de exprimirem a sua opinião, sem constrangimentos ou directivas de reuniões de “staff”.
Será que o PS limiano tem tiques do antigo leste europeu? O indivíduo não terá autonomia intelectual?
Bom, pelo menos o porta-voz do PS vai ganhando algum alento.
A carta aberta do deputado Abel Baptista neste jornal foi bastante interessante e esclarecedora. Depois de a ler ficamos a pensar que se a um deputado, a empresa Águas do Minho e Lima, nem sequer se dá ao trabalho de redigir uma resposta, como reagirá perante um simples cidadãos. O certo é que nesta matéria a opinião pública parece unida na contestação.
A este propósito, Daniel Campelo, na Assembleia Municipal, afirmou que não existe obra sem buracos ou sem pó. É certo que sim, mas neste caso abusou-se, e muito, dos buracos e do pó, aliás da própria paciência dos contribuintes que não são obrigados a tê-la como Job. Basta ler e ouvir o presidente da distrital do CDS-PP, o deputado já mencionado, para se perceber o porquê.
O presidente da Câmara de Ponte de Lima escolheu uma rádio de Viana do Castelo para, pela primeira vez, afirmar que apoia a política do governo socialista para a educação e que as negociações, quanto ao encerramento de alguns estabelecimentos de ensino, ainda decorrem. A política para as escolas do primeiro ciclo em Ponte de Lima foi finalmente tornada pública. O fecho de escolas e a concentração dos alunos em centros escolares é o caminho.
Já não era sem tempo. É salutar que a Câmara esteja aberta a negociar o encerramento das escolas. No entanto, no melhor pano cai a nódoa. No sábado passado, Daniel Campelo acrescentou a possibilidade das escolas, que venham a ser fechadas, reabrirem no futuro. Pese embora a concordância da oposição quanto aos Centros Escolares, não poderá alinhar em afirmações populistas como as de sábado, mas ser firme na posição que escolheu. Esta é uma nova perspectiva de ensino e deverá sê-la a longo prazo.
Talvez seja tempo, sem recorrer ao populismo, de esclarecer os pais daquilo que está em jogo.
Depois de ler um artigo de Adam Boulton, editor de política da Sky News, acerca dos transportes oficiais do governo britânico, lembrei-me da polémica que se instalou aquando da compra do primeiro transporte oficial para o presidente da Câmara de Ponte de Lima. Era Francisco Abreu Lima presidente da Câmara e a escolha recaiu sobre um Peugeot 405. Na altura, algumas vozes se insurgiram contra esta compra, perguntando para quê e porquê. Era um gasto supérfluo, diziam. Actualmente, além do BMW presidencial, existem os Peugeot’s de vereação. Passados quase vinte anos, é interessante verificar a evolução da maioria das vozes críticas. Pura demagogia populista, pois claro.
sábado, março 04, 2006
Alto Minho artigo de 04-03-2006
Havia uma "ilha" algures na antiguidade que sucessivamente era chacota das ilhas vizinhas. Tinha por responsável um cidadão que, qual César, como os da família Júlia de Roma, se achava descendente dos deuses. Merecedor de toda a reverência, portanto. Essa ascendência concedia-lhe, certamente, o dom de ter sempre razão. Os que dele discordavam só poderiam ser maus cidadãos, com certeza uns conspiradores merecedores de eliminação.
Essa "ilha", que tinha tudo para ser um exemplo para outras, era de facto um caso único. Á medida que aumentava o exército, mais derrotas somava no confronto com os exércitos das ilhas vizinhas. Os responsáveis encontravam sempre uma desculpa para a derrota, sempre factores externos, nunca internos. Aliás, os outros cidadãos não se deveriam perturbar, pois estes tinham tudo controlado. O exército servia para isso mesmo, para o controlo interno e não para as batalhas com as outras ilhas. O que interessava era o controlo da ilha.
Mas eis que as pessoas da ilha se começaram a questionar. Seria este o rumo certo?
Alguns passaram para outras ilhas, até para ilhas desertas, mas outros optaram por ficar. O exército aumentava, apesar do acumular de derrotas, no entanto deram-se conta de que este era frágil, feito de mercenários sem qualquer afeição à ilha. Perceberam, então, que tinham um dever para com os que anteriormente tinham consolidado a ilha. Esta não poderia desaparecer.
O exército do velho responsável parecia forte, mas a confiança nas pessoas, no seu desejo de mudança, no seu desejo de devolver à ilha o poder de outrora era superior.
Não era tempo para hipócritas simulações. Era tempo de renovar a esperança. Era tempo de retomar o lugar de primazia que a ilha sempre tinha tido no arquipélago.
A vitória sempre foi possível...
Porque mesmo aqueles que deveriam ser o garante da democracia por vezes se esquecem, o Dicionário da Língua Portuguesa diz o seguinte;
Democracia – Sistema político em que a autoridade emana do conjunto dos cidadãos, baseando-se nos princípios de igualdade e liberdade...
Igualdade – (...) princípio de organização social segundo o qual os indivíduos devem ter os mesmos direitos, deveres, privilégios e oportunidades...
Liberdade – (...) poder ou direito de agir sem coerção ou impedimento (liberdade de execução ou de acção)
Os partidos são, sem sombra de dúvida, no nosso sistema democrático, as colunas de sustentação desse mesmo sistema. Deles imanam, normalmente, os representantes dos cidadãos que governarão a coisa pública. Essa função é a mais nobre de todas. A representação dos concidadãos é a maior das responsabilidade que algum cidadão pode exercer numa sociedade democrática. É por isso mesmo que vejo nos partidos um local onde a preparação, o envolvimento dos militantes o pulsar da democracia deveriam florescer. Não se compreende como esta visão possa ser para alguns alvo de chacota. Não se compreende como se pode ficar passivo, quando o costumeiro dentro dos partidos passa a ser a procura única do poder interno. Será que não é evidente a atrofia esterilizante a que esse caminho conduz?