segunda-feira, novembro 06, 2006

Alto Minho artigo de 06-11-2006

Pedreiras

Quando se fala da problemática da extracção e transformação de pedra, em Ponte de Lima, geralmente fala-se das condições desumanas da actividade e também em alguns atentados ambientais. Na realidade, desde a década de 90 que se vem assistindo a alguns casos de verdadeiros atentados ao património de todos nós perpetuados por alguns exploradores da pedra com menos escrúpulos. Felizmente não é a maioria. Mas uma minoria que muito "dá nas vistas".

Não estão em causa as pessoas que vemos geralmente nas bermas da estrada das "pedras finas" e que exercem um dos trabalhos mais pesados do nosso concelho, em condições paupérrimas. O que está em causa é exploração selvagem de um recurso natural pertença de todos.

Este sector está dividido em duas partes, por um lado a da extracção, por outro a da transformação da pedra. O problema começa na extracção. Quantos são os que cumprem as licenças de extracção, os limites, as obrigações pós exploração, etc? Podem alguns tapar o sol com a peneira querendo limitar o debate à arte que sai do cinzel dos artistas, mas o que se vem a observar na Serra d'Antelas (para quem não sabe é aquele monte com aspecto de ter sido bombardeado junto ao monte de Santo Ovidio em Arcozelo) é a destruição do diamante que há anos tem alimentado várias famílias de Ponte de Lima. Por isto mesmo esta atitude não pode ficar impune, algo tem que ser feito.

Não é apenas a questão estética, como alguns gostam de alcunhar este assunto, que está em causa, é, acima de tudo, o património ambiental que todos temos, a responsabilidade de manter e preservar para os nossos descendentes o que está em causa. A exploração tem que ser regrada, aliás como manda a lei. O lucro fácil e ilícito de alguns não deve, não pode sobrepor-se ao interesse colectivo. Da mesma forma que os direitos laborais deverão ser respeitados (basta falar com alguns dos trabalhadores e não só com os patrões, para se encontrar uma realidade por vezes pouco clara), também as questões ambientais deverão estar sempre presentes.

O meu avô, Manuel Ferreira de Barros, foi um dos primeiros industriais da extracção de pedra (designação oficial da altura que em quase nada se coadunava com a realidade) e sei como a actividade era bastante regrada e inspeccionada. Várias eram as licenças, difíceis de obter, que tinham que ser cumpridas à risca. Infelizmente, hoje não parece ser assim e qualquer penedo que apareça no monte é logo bafejado com a sorte de levar com o martelo pneumático.

IKEA vrs. Jardins Temáticos

Comparar o investimento em Portugal da IKEA aos Jardins Temáticos de Ponte de Lima e ao seu possível impacto na economia limiana é pura fantasia retórica. Primeiro porque o IKEA não veio para Ponte de Lima, segundo porque é comparar o incomparável. Mas porque alguns incautos poderão pensar que os Jardins limianos trazem mais receitas para Ponte de Lima que o IKEA, talvez não seja mau escrever o seguinte.

Para os defensores da tese anterior, a boa imagem que os Jardins dão de Ponte de Lima são um pólo de atracção traduzindo-se numa mais valia tal para os comerciantes limianos que o investimento IKEA não conseguiria, certamente, ultrapassar.

Ora, na semana passada, o "Jornal de Negócios" trazia uma notícia onde se podia ler que o IKEA iria implementar três unidades de produção de mobiliário. O investimento, segundo o mesmo jornal, irá ascender aos 135 milhões de euros e irá criar 1.500 postos de trabalho directos e indirectos. A matéria-prima será 60% portuguesa.

Bom, o que são 1500 postos de trabalho comparados com a mais valia inerente à visita de um qualquer presidente de um clube de jardineiros da baixa Saxónia? Mais 1500 pessoas com um rendimento fixo de/a "fazerem" a sua vida em Ponte de Lima?

Realmente não se compara com os rendimentos que os visitantes dos nossos Jardins deixam no concelho limiano.

Serei eu um milhafre?

segunda-feira, outubro 30, 2006

Alto Minho artigo de 30-10-2006

Agora que se fala do TechValley

Segundo o Jornal de Notícias, o Instituto Ibérico de Investigação e Desenvolvimento (IIID) deverá instalar-se num espaço, embora ainda não definido, equivalente a sete estádios de futebol na cidade de Braga. Uma boa notícia para a região.

Ponte de Lima deverá encarar esta notícia como um desafio para o futuro. A criação ou reformulação das zonas industriais existentes em Parques de Ciência e Tecnologia deveria merecer a maior das atenções do executivo municipal. Ocupar grande parte do espaço dos parques com unidades empresariais ligadas à área da tecnologia, com produtos de elevado peso tecnológico e inovadores, seria o objectivo. Estes locais poder-se-iam tornar em espaços de intercâmbio entre a área do conhecimento e a área da indústria. Locais propícios à inovação, à criação de empresas, às start-up's. Num local ideal para a tão esperada incubadora de empresas. No fundo, num local de criação de emprego.

A Universidade do Minho está demasiado perto para não ser encarada como um parceiro fundamental num projecto como este e estou certo de que o Politécnico de Viana do Castelo não viraria as costas a esta oportunidade. Ponte de Lima tem muitas das condições, o espaço disponível e os acessos são um exemplo, para vir a tornar-se numa referência nesta área, posicionando-se na geoliderança neste sector.

Mesmo sem a COBRA, é prioritário pensar seriamente nesta hipótese.

Portagens

É com agradável surpresa que se constata uma voz consensual no Alto Minho, de todos os quadrantes políticos, contra a introdução de portagens. Realmente, este assunto só pode ser consensual. Quem vive nesta região, por experiência própria e sem grande esforço, verifica que a aplicação de portagens é a castração económica da mesma. Uma região que, ironicamente, sendo do litoral tem indicadores de profunda interioridade. Uma região que não tem alternativas, dignas desse nome, de ligação ao resto do país.

No partido que sustenta o governo, o PS, várias têm sido as vozes que, de uma forma ou de outra, se têm associado ao descontentamento geral. Estas vozes têm outra sonoridade no seio do governo. Digamos que têm outro “peso”. Espera-se, pois, que, com o aproximar do congresso nacional do PS, as estruturas deste partido no Alto Minho, sozinhas ou acompanhadas pelas de Braga, por exemplo, elaborem uma moção, intervenção (chamem o que quiserem), para dar conta ao Secretário-geral do PS e Primeiro-ministro do erro que está a incorrer em levar avante a implementação cega de portagens e das consequências nefastas para uma região já tão marginalizada como a do Minho.

Chuvas e inundações

Nesta última semana, por todo o Portugal, tem-se visto cheias e inundações. Ponte de Lima não fugiu à regra e viu constantemente algumas vias cortadas devido a inundações. A fúria das águas serviu para, de novo, destapar uma questão antiga, mas sempre pertinente, a do licenciamento de construção em linhas de água.

Ninguém respeita estas linhas, geralmente passam-se anos sem que ninguém dê por elas até que… Aí já é tarde e a culpa, quase como sempre, morre solteira.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Alto Minho artigo de 23-10-2006

PIDDAC

"Esses montantes irrisórios para um distrito com tão grandes carências vêm adiar sine die a concretização de inúmeros projectos indispensáveis ao progresso das suas comunidades, potenciando a promoção das assimetrias e constituindo uma severa desconsideração por parte do Governo para com as populações."

Estas palavras poderiam ser sobre o PIDDAC para 2007, pois aplicam-se na integra, mas não, são excertos de um comunicado feito pela Secção do Partido Socialista de Arcos de Valdevez, em 2004, acerca do PIDDAC de 2005 de autoria do último do governo PSD. Estamos em 2006, este é o segundo Orçamento de Estado elaborado pelo governo Sócrates. Pelo segundo ano consecutivo o distrito de Viana do Castelo volta a figurar em último lugar no Plano de Investimento e Desenvolvimento da Administração Central. Pelo distrito ser governado na sua maioria por executivos municipais socialistas, esperávamos outra realidade. Será que iremos ter por parte destes uma posição consistente como a que vimos no passado? Ou a situação orçamental do país serve de desculpa também para este caso?

Mas as más notícias não se ficaram por aí. No dia seguinte, o Ministro das Obras Públicas anunciava a colocação de portagens na A28, entre Viana do Castelo e o Porto. Sem alternativas pois a N13 de nacional apenas tem o nome. Os alto-minhotos vêem-se, assim, na contingência de ou optarem pelas portagens ou voltarem às estradas construídas no tempo de Salazar. Realmente, com o acesso até Vigo sem portagens é caso para perguntar, como o fez este jornal no último número, será que somos espanhóis?

Cartões municipais

O Presidente da Câmara de Ponte de Lima anunciou a criação de um "cartão família". Uma boa iniciativa que proporcionará às famílias limianas, especialmente às mais carenciadas, descontos e bónus em vários serviços municipais. Numa época em que as famílias são tão mal tratadas, esta medida tem, também, uma simbologia contra corrente. Um indicador bastante positivo.

Sensibilizado o edil, espera-se que o concelho de Ponte de Lima veja esta iniciativa alargada, por exemplo, aos jovens com a criação do tão esperado "cartão municipal da juventude". Esperemos que o facto de ter sido uma proposta feita por uma juventude partidária doutro partido, a JSD, não inviabilize a existência de tal cartão.

Cinema

O cinema do Centro Comercial Rio Lima marcou uma geração. Foi lá que pudemos assistir a muitos filmes que marcaram as nossas vidas. Infelizmente, já assim não é. Agora ninguém quer esperar e as novidades cinematográficas estão à distância de 15/20 minutos em Braga ou Viana.

Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA, realizou um filme sobre as transformações climatéricas a que todos nós temos assistido. Com o título Uma verdade inconveniente este é, sem dúvida, um filme a não perder. Se descontarmos alguns, poucos, pontos sobre a política interna americana, estamos perante um filme que nos faz pensar na realidade ambiental e a nossa responsabilidade no equilíbrio ecológico do planeta.

Uma proposta: porque não o pelouro do ambiente da Câmara Municipal aproveitar a sala do cinema Rio Lima e organizar uma sessão para os alunos das escolas limianas? Digamos que poderia ser encarada como uma acção pedagógica com o intuito de lançar as bases para uma nova atitude ambiental nos jovens limianos.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Alto Minho artigo de 16-10-2006

Desemprego não pára de crescer em Ponte de Lima

A taxa de variação mensal do desemprego registada entre Julho e Agosto, tornada pública pelo Observatório do Desemprego no Minho, volta a crescer em Ponte de Lima.

Embora com tendência a abrandar, o concelho limiano é o único no Minho em que se verifica um constante crescimento, desde Abril deste ano, da taxa de variação mensal do desemprego. Este é o resultado da má política económica que o município tem desenvolvido, na última década, em Ponte de Lima.

O senhor Presidente da Câmara, nas últimas semanas, aproveitando a onda de contestação dos municípios portugueses contra o governo, gabou-se da saúde financeira da Câmara limiana. Infelizmente, muitos limianos não podem fazer o mesmo relativamente à sua situação financeira por enfrentarem a dificuldade do desemprego. Estando a situação financeira do município, e bem, em tão bom estado, seria previsível um desafogar das contribuições dos munícipes. Baixou, é certo, o Imposto Municipal sobre Imóveis, mas será suficiente? Estará em curso a introdução/aumento de outras taxas e impostos? O futuro o dirá.

O autismo, por parte do executivo, em apostar em soluções milagrosas não produziu os melhores resultados na economia limiana. Infelizmente, os parques industriais, já com alguns anos, continuam praticamente vazios, apesar da sua localização favorável. As parcerias com pólos tecnológicos e de educação são quase nulas. E a Universidade do Minho aqui tão perto… Ponte de Lima tem tudo para se tornar numa referência económica na região. Mas, então, o que falta para o ser? Talvez o arrojo que o executivo Campelo perdeu há muito.

40 Km/h

Gaspar Martins, o vereador do Trânsito, dizia, em Maio, à Rádio Renascença, que a medida de redução do limite de velocidade nas estradas municipais limianas para 40 Km/h visava refrear o ímpeto dos aceleras. A entrada em vigor deveria ser antes da chegada dos emigrantes, porque, segundo o vereador, é na altura em que estes visitam a sua terra natal que normalmente se registam mais acidentes. Estamos em Outubro. Há muito que os emigrantes voltaram para os países de acolhimento. A medida está em vigor há dois meses. É tempo de divulgar os resultados.

Os limianos gostariam de saber qual o impacto dessa medida na sinistralidade rodoviária do concelho. Não abstractamente, mas objectivamente, que significado teve na prevenção rodoviária baixar em 10 Km/h o limite de velocidade?

Actividades extracurriculares

O vereador do PSD, Manuel Trigueiro, pediu um esclarecimento ao executivo municipal sobre as actividades extracurriculares no primeiro ciclo do ensino básico. Bastante pertinente esta interpelação, porque, em alguns estabelecimentos de ensino, por motivos ainda desconhecidos, essas actividades aparecem primeiro que as actividades lectivas. É o caso das actividades de Educação Física que dão origem, em algumas escolas, a que as crianças permaneçam durante as actividades lectivas sem a possibilidade de tomarem um banho ou mudarem de roupa. Os pais e os professores estão preocupados e com razão. Com que disposição estarão as crianças para aprender após essas actividades? Realmente não parece que haja muita.

Por vezes, esquece-se a real componente da escola. Será que quem formulou esses horários pretendia colocar as actividades lectivas nos intervalos das extracurriculares? Se não foi assim, parece.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Alto Minho artigo de 09-10-2006

Novo desafio

Gueto tem uma conotação de segregação, marginalização, isolamento. Imagino que o vereador da cultura ao afirmar, em entrevista à rádio “Ondas do Lima”, que sempre existiram guetos nas Feiras Novas, “…o dos feirantes, o das farturas, o dos divertimentos…”, não queria realmente dizer o que disse, pois não? As Feiras Novas querem-se amplas, integradoras, abertas, onde as bandas de música convivem com as concertinas, onde os mais velhos se divertem com os mais novos.

Aproveitando a referência ao vereador da cultura, agora que o seu mandato faz um ano, talvez não fosse má ideia dizer o seguinte. Este verão, no tocante à animação, foi realmente diferente dos anteriores. O pelouro responsável parece ter continuado o longo despertar que iniciou no ano passado. É certo que em 2005 a aposta de verão foi bem melhor, Xutos são Xutos, mas este ano houve realmente um esforço para que existisse uma programação de animação. Não foi a melhor e pecou pela falta de originalidade, na minha opinião não obteve os resultados esperados, mas fez-se algo. Foi um pouco precipitado realizar quase todas as actividades no espaço rebaptizado de EXPOLIMA. Este espaço ainda não reunia/reúne as condições necessárias. O festival de verão foi disso exemplo. A falta de protecção acústica, por exemplo, é uma falha condenável, já para não falar das paupérrimas instalações sanitárias ou do espaço envolvente. Mas há aqui algo que me parece positivo, que poderá ser aproveitado num futuro bastante próximo. Talvez esteja aqui a gene para transformar a EXPOLIMA num autêntico espaço de divertimento com algumas semelhanças com as Docas de Lisboa, o Cais de Gaia ou o conceito da Marina de Viana do Castelo.

Haja coragem política e a zona de S. João poderá transformar-se numa referência que dispensa festivais de verão “enlatados”. Aí sim, as Feiras Novas, Ponte de Lima e o norte de Portugal ganharão um novo espaço de diversão de qualidade.

Pano de Boca

O Teatro Diogo Bernardes comemorou os 110 anos da sua fundação. Nessa comemoração inaugurou-se o novo Pano de Boca. Parecido com o anterior, de autoria de Eduardo Reis (obrigado José Sousa Vieira), tem um pormenor interessante, a roupa a secar no areal. Um pormenor da vida limiana ao qual eu ainda assisti, mas que a geração agora com dezoito anos dificilmente lembrará. Fruto do desenvolvimento, máquinas de lavar e água canalizada, eco da melhoria das condições de vida.

Mas a pintura do novo Pano de Boca reflecte também como tem sido mal tratado o nosso areal. O automóvel tomou conta de todo o espaço e o areal de areia já quase não existe.

Sem ilhas, sem grandes gastos, é tempo de olhar para este espaço de outra maneira. Sendo que é um importante e estratégico local de estacionamento, não pode, no entanto, ser ocupado na íntegra por este. A limitação da lotação com a divisão do areal em dois parece ser sensata. Num dos lados continuar-se-ia a permitir o estacionamento gratuito dos automóveis, de fora ficariam os pesados, no outro criar-se-ia um local aprazível de ligação da vila com o rio. Propostas de leigos como eu há muitas, eu sei, o importante é encontrar soluções de técnicos que optem por uma que não deixe morrer o areal limiano. O importante é que o poder político tenha a sensibilidade necessária para devolver o areal às pessoas.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Alto Minho artigo de 29-09-2006

Pergunta

Começar o artigo com uma pergunta é talvez um pouco estranho, no entanto, não resisto a fazê-la. Aquando das primeiras notícias na comunicação social nacional sobre a má qualidade das águas do rio Lima nas praias do Arnado e dona Ana, a Câmara Municipal asseverou que esta situação se devia a esporádicas descargas poluentes, prometendo, logo de seguida, uma investigação para descobrir o poluente ou os poluentes. Ora, como no mês de Agosto a interdição da praia do Arnado se manteve, parece ter havido bastante tempo e matéria para a investigação. Assim, surge a pergunta: quais são os resultados dessa investigação? Se não têm os resultados finais, agora que já começou o Outono, deveriam divulgar pelo menos os resultados provisórios. A este assunto deve a Câmara Municipal e o seu pelouro do ambiente dar toda a importância e prioridade possíveis. Ainda alguém se lembra da lenda do Lethes?

Veritas

Aos políticos deveriam impor que de tempos a tempos olhassem para o espelho. Não para se auto-elogiarem, ou admirarem, mas para se confrontarem com a sua persona bem como com a parte referente ao passado desta.

O que se tem vindo a passar na Assembleia Municipal é deveras lamentável e criticável. Das duas uma, ou um dos deputados municipais do PS, confrontado talvez com o ambiente da Assembleia Municipal, cede a cada reunião a uma possível amnésia perturbadora da sua clarividência, fazendo-o confundir os seus desejos com a realidade confirmada, inclusivamente, judicialmente, ou então o PS limiano embarcou no caminho da sua própria descredibilização ao tentar reescrever o passado (tique da velha esquerda estalinista). Imagino que não seja este o caminho traçado pelos responsáveis concelhios do PS. Aliás, admirava-me bastante que assim fosse. Como não o é, o PS limiano só tem um caminho, a retirada da confiança política nesse seu membro da Assembleia Municipal. Se o não fizer, é porque é conivente e, portanto, demonstra que, afinal, com este tipo de comportamento não é, de todo, alternativa ao actual poder.

Vindimas

Por causa do meu avô, Arlindo Gomes de Matos, irei sempre associar o fim de Setembro às vindimas. Mal vejo um tractor com as dornas, lembro-me logo do meu avô e de como, com ele e com o seu fiel amigo Sheik, assisti durante anos, nas minhas férias escolares, à vida anual do "fazer do vinho". A poda, a sulfatação, a vindima, o engarrafar do vinho... A vindima e a poda eram as minhas preferidas. A poda juntava uns senhores simpáticos que apareciam invariavelmente em grupo, montados nas suas velhas bicicletas. Sempre me fascinou o seu bailado com os escadotes e as tesouras, cortando e atando cirurgicamente os ramos da videira. As vindimas, para além de juntarem mais gente, homens e mulheres, tinham como ponto alto o almoço servido ao ar livre numa mesa grande, onde se juntavam todos os participantes que faziam desfilar várias estórias e histórias.

Nestes últimos anos, tem-se ouvido ciclicamente que as instalações da Adega Cooperativa de Ponte de Lima poderiam vir a ser deslocadas para outro local. Promessas que não encontram financiamento, finanças que não se compadecem com promessas. Infelizmente, ou não, a importância da agricultura na economia limiana já não é a mesma de há vinte anos. Em Ponte de Lima, tão afamada terra do vinho verde, a agricultura parece ter-se tornado cada vez mais um hobbie caro de exercer.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Alto Minho artigo de 25-09-2006

Feiras Novas, o dia depois

Depois do fim-de-semana das Feiras Novas este artigo tem inevitavelmente que as abordar.

As Feiras Novas começaram com a inauguração da iluminação da zona histórica. Esta é uma das imagens características das festas limianas. Para este ano foi anunciada uma surpresa. Esta, de facto, existiu, embora pareça consensual que foi negativa. A iluminação da Ponte Medieval e da Igreja de Santo António, comparativamente com todos os anos transactos, foi uma desilusão.

O que melhorou bastante foi a circulação na Avenida dos Plátanos. A proibição de vendedores do lado do rio foi uma boa medida que devolveu este espaço aos visitantes.

Outra das mudanças foi o fim da música gravada no centro histórico. A afluência foi menor a esta zona, mas, mesmo assim, bastante para continuar a marcar as Feiras Novas. Sentiu-se, no entanto, a desilusão de muitos visitantes que já não voltaram no domingo. Azar o deles? Talvez.

Do centro histórico, a música gravada e os bares de bebidas brancas e cerveja foram para a Feira do Gado, a EXPOLIMA. Sinceramente não me parece que a pretendida segurança tenha sido alcançada neste recinto. As cercas, o próprio local, as boxes para receber o gado, onde se encontravam os bares, não têm condições para este tipo de concentração de pessoas. A vigilância policial ficava-se pelas saídas e o descampado do próprio recinto foi palco para outros voos. Vários têm sido os epítetos atribuídos a este espaço, o mais conhecido e que estava na boca de todos era o de Vietnam. O país que me surgiu imediatamente, após uma passagem por lá, foi a Colômbia… e não foi pelo café.

As bandas de música na sexta-feira, uma vez mais, marcaram positivamente as festas. Foi uma noite realmente fantástica, podendo-se ver pessoas de todas as idades a divertirem-se com as músicas e a “performance” das bandas.

Sem a visita do Bob Geldof ou da Angelina Jolie, o cortejo etnográfico deu a conhecer as tradições limianas e algumas inovações das mesmas. Este cortejo é, sem dúvida, a grande mostra das raízes culturais do nosso concelho. Sempre imperdível. No final, a manifestação dos pais da Gemieira foi bastante aplaudida.

A Alameda de S. João ainda não conseguiu que as concertinas de outros anos voltassem. Com a proibição de música gravada, é agora um espaço onde se pode encontrar muito churrasco, mas que cada vez mais é apenas uma passagem para a EXPOLIMA.

As concertinas concentram-se no Largo de S. João, no Largo de Camões e na zona da Matriz. Muito Vira, Chula, muitos tocadores, mas senti a falta das cantigas ao desafio, este ano, difíceis de encontrar.

O fogo de artifício, um dos maiores investimentos da festa, esteve à altura. Pena o vento, no Domingo, teimar em levar o fumo dos morteiros para a zona da ponte nova.

Milhares de visitantes chegam a Ponte de Lima de automóvel. As filas são inevitáveis e o estacionamento caótico, as principais entradas ficam simplesmente bloqueadas. Este ano, embora com algumas peripécias na sinalética vertical, o trânsito foi bem orientado. Claro que os principais prejudicados são os moradores, mas, para nós limianos, este fim-de-semana vale o sacrifício. Já para os visitantes… Era vê-los a desviar as barreiras para logo a seguir conseguirem estragar todo o trabalho dos responsáveis, aumentando o nível de stress dos que cumprem as regras.

As Feiras Novas parecem ter encontrado uma encruzilhada, um novo desafio. A Comissão de Festas terá que escolher o caminho a percorrer a partir de agora. Ou se aposta numas festas, com menos pessoas é certo, mas com uma componente marcadamente tradicional e popular, ou se aposta na integração das várias componentes que as Feiras Novas têm vindo nos últimos anos a reunir. A criação de guetos, uns para os que gostam de música gravada, por exemplo, e outros para os que não gostam, não é certamente a solução. A escolha tem que ser bem ponderada. A responsabilidade será posteriormente atribuída.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Alto Minho artigo de 15-09-2006

"A malta já está cansada..."

Com o fecho da escola da Gemieira ficou mais clara a falta de decisão e de coragem do município limiano. Este caso, que já se arrasta desde o princípio do ano, tem sido tratado da pior maneira pelos responsáveis municipais. O Vereador da Educação, não assumindo a responsabilidade política na decisão do Município de encerrar a escola, resolveu, em Fevereiro, dar a garantia de que a DREN, como se fosse esta a verdadeira responsável, já não iria proceder ao encerramento e de que a escola abriria de novo as suas portas no ano lectivo seguinte. Com isto, os protestos terminaram.

O ano lectivo começou e a escola fechou.

Assim, a Gemieira voltou a protestar e ameaça mesmo fazê-lo de forma mais veemente nas festas concelhias. O responsável da educação, agora secundado pelo Presidente da Câmara, voltou a não proceder da melhor maneira. Não se trata aqui de uma excepção, trata-se de se poder ou não confiar naquilo que o Vereador da Educação afirma, porque, se em Fevereiro afiança uma coisa e passados seis meses declara o contrário, futuramente a cada afirmação permanecerão sempre dúvidas. Evocar a Carta Educativa, que não pode ser o "bode expiatório", é incoerente, pois todos sabem quem é o responsável por esta. Evocar a sua votação é demonstrativo que as afirmações de Fevereiro tinham, talvez, outro objectivo.

Com esta trapalhada, a Câmara e o seu Presidente ficaram mal vistos, o Vereador da Educação bastante fragilizado. Lamentável, quando todo isto poderia ter sido evitado se este assunto, de tamanha importância para as crianças e encarregados de educação, fosse tratado de outra forma.

"Quero ir às Feiras Novas..."

A luz, os sons, os cheiros... Ei-los a despertar novamente os sentidos em mais umas Feiras Novas: o convívio com os amigos, muitos de fora, mas já contagiados pela alegria limiana, vivido ao extremo durante as "nossas" festas. Os divertimentos, carrinhos de choque, carrossel e tantos outros experimentados inúmeras vezes avidamente. As barracas dos jogos de vídeo e os matraquilhos, palco de vitórias gloriosas. O pão com chouriço antes e já bem depois dos fogos de artifício. As cantigas ao desafio, a chula e o vira por todas as ruas limianas. No largo de Camões, as bandas de música pela noite fora e ao meio-dia os Zé-pereiras e os gigantones. As castanhas assadas, a anunciar o Outono. Os cortejos com a alegria das gentes das freguesias. A música pelas ruas. Bares, cafés e tascas apinhados de gente. A procissão da padroeira. A fanfarra dos Bombeiros, os cavalos da GNR, a pompa do poder civil. No final, a saudade. A Comissão de Festas respira de alívio e começa a preparar as do próximo ano.

São assim as Feiras Novas. Cada geração com o seu contributo e vivência. Acima de tudo, uma festa do povo limiano. São já este fim-de-semana.

Boas notícias

Na reunião desta semana, o Executivo Camarário de Ponte de Lima, tal como o de Valença na semana passada, resolveu baixar a taxa de IMI. Uma boa decisão, uma vez que até agora os limianos pagavam a taxa máxima. Assim, o Presidente da Câmara cumpre com uma promessa feita no ano passado à oposição. Como seria bom que houvessem mais notícias como estas.

sexta-feira, setembro 08, 2006

Alto Minho artigo de 08-09-2006

Boatos há muitos...

Faz agora um ano estávamos em plena campanha eleitoral para as eleições autárquicas. Nesse período, muitos foram os boatos postos a circular acerca de vários candidatos. Um dos métodos usados, entre vários, era o "sempre é verdade que...?", e assim os incautos iam propagando os boatos fazendo o jogo sujo dos "boateiros" do burgo.

O PS limiano numa das últimas reuniões da Câmara Municipal prestou-se ao erro da propagação de boatos. Colocar sequer a hipótese de ser a Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima o entrave à realização de obras na urgência do hospital Conde de Bertiandos é no mínimo desonesto. Logo à priori porque a Misericórdia é em última estância a grande beneficiada de todas as obras que se realizem no dito hospital, ou não fosse ela o senhorio do mesmo.

Não se percebe como se levanta esta questão numa reunião de Câmara tendo como base um simples boato, num "diz-se que disse", que a maioria dos limianos desconhecia/desconhece. O Provedor da Misericórdia foi contactado? Talvez este contacto fosse a primeira atitude e a mais sensata aquando da tomada de conhecimento do boato.

Agora pergunto: a quem interessará se não aos verdadeiros responsáveis pela não execução das obras nas urgências limiana, o governo PS e a sua administração do CHAM, que este boato passe para a opinião pública? Se assim é, o PS limiano prestou-se a um papelão.

Feiras Novas e o fim da música gravada II

O mesmo vereador, o do PS, na mesma reunião, mais tarde num artigo de opinião, veio ao encontro daquilo que muitos (parece-me que todos os limianos à excepção do vereador da cultura...) têm vindo a manifestar acerca do banimento puro e simples de música gravada da "rampinha" e das Pereiras. A solução não está em acabar, mas em complementar este espaço com outros. A proposta do vereador do PS parece ser bastante sensata e até natural.

Mas depois desta tomada de posição pública fica a dúvida. Não é a Câmara Municipal que dá as licenças de abertura/fecho, ruído e sucedâneos? É que por momentos parecia que era a Comissão de Festas, a tal que organiza as Feiras Novas, e que é liderada pelo vereador da cultura.

Em todo o caso, se foi a Câmara Municipal que anunciou que este ano os bairros históricos não terão musica gravada, não seria sensato dar a conhecer a posição de cada vereador na reunião onde isto foi discutido e aprovado? Seria interessante saber.

Ainda há tempo de reformular, não se agarrem a autismos. Ouçam os limianos.

Influências

O que se está a passar em Viana do Castelo mais parece uma telenovela venezuelana. Um dia a solução é o ferry-boat, no outro uma ponte nova, no outro o comboio e no seguinte nenhuma das anteriores.

Os partidos acusam-se mutuamente de falta de influência em Lisboa. Ora, não poderiam descrever melhor os nossos líderes. A nossa região é desde sempre periférica. Sendo uma região litoral, tem índices económico-sociais do interior mais profundo. Incompreensível. Mas voltemos à influência. Um exemplo singelo: vejam como esta está espelhada no boletim meteorológico da televisão estatal com a ausência da nossa capital de distrito do mesmo. E nós também pagamos esta televisão, olhe se não o fizéssemos. A "telenovela" apresenta ter ainda muitos episódios...

sexta-feira, setembro 01, 2006

Alto Minho artigo de 01-09-2006

A água de todos nós

Um sindicado da função pública tem vindo a chamar a atenção para os perigos que advêm da "privatização da água" no Alto Minho. Realmente o negócio que se está a fazer com as águas suscita muitas suspeitas e questões. Seria conveniente uma discussão pública daquilo que está realmente em causa. No final deste negócio já não se poderá voltar atrás, por isso seria bom prevenir o futuro dando conhecimento de todo o processo, os comos e os porquês, bem como as reais consequências para os cidadãos.

Será que os eleitores, quando votaram no ano passado, estavam conscientes deste negócio? Talvez não. É que embora sabendo que os serviços prestados por privados têm, geralmente, vantagens, este sector é de tal maneira vital para ser transformado numa máquina que pense apenas no lucro.

Sem se ter discutido esta temática em lado algum, como poderão estar os autarcas cientes da vontade de quem os mandatou, os eleitores, para decidirem sobre um bem essencial, pertença de todos nós? Este é um assunto a ter em conta, de uma importância tal que não pode ser tratado com leviandade. O silêncio por parte dos partidos políticos começa a parecer comprometedor. Porque não levantar este assunto em todas as Assembleias Municipais do distrito? Isto para começar, claro.

O desemprego alastra no concelho limiano

As más notícias para os trabalhadores limianos continuam. A taxa de variação mensal do desemprego registada entre Junho e Julho, tornada pública pelo Observatório do Desemprego do Minho, voltou a crescer em Ponte de Lima. O nosso concelho é, aliás, o único a manter esta tendência, no Minho, desde Abril. Embora o seu crescimento tenha abrandado nos últimos dois meses, em Abril/Maio o desemprego cresceu 3.84 e em Junho/Julho 1.1, o caminho do desemprego continua, infelizmente, ascendente.

Estes dados associados às notícias, vindas a público durante este ano, de que os investimentos, tantas vezes anunciados como troféus pelo Presidente da Câmara, caíram em saco roto, tornam cada vez mais claro que o caminho traçado por esta administração é errado. Os jovens não encontram emprego, quando vão para a Universidade raramente voltam à terra que os viu nascer. Muitos outros, em finais do século vinte e já mesmo no século XXI, tiveram que imigrar como, aliás, fizeram os seus pais e avós. Algo está mal quando assim é. Não é difícil descobrir o quê e o porquê.

Feiras Novas e o fim da música gravada

A Câmara Municipal achou, e bem, que o que se passava nas Feiras Novas em zonas como a da "rampinha" ou a das Pereiras não poderiam continuar como estavam. No entanto, a resolução encontrada originou outro problema. A proibição total de música gravada na zona histórica é condenar parte dos bares limianos a perderem o fim-de-semana "gordo". Desde o Porto, Coimbra e até Lisboa que as Feiras Novas são como que a última grande festa de Verão para milhares de jovens. É obvio que o que se vinha a verificar era a "selva", mas a concentração num só lugar, que no máximo poderia ser complementar mas nunca principal, deste tipo de diversão é devolver zonas como as Pereiras à marginalidade. É retroceder. Paralelamente dá-se a galinha dos ovos de ouro aos barzinhos de empresários que apenas querem de Ponte de Lima a possibilidade de sugarem o nosso tutano.

A melhor e mais sensata solução seria a uniformização da música em toda a extensão da zona dos bares limianos. Um só DJ, uma só música terminariam com a rivalidade entre estes pela capitalização de mais clientes através da música. Isto possibilitaria uma significativa redução nos decibéis debitados pelas colunas de som.

Nelson Lima, ex-presidente concelhio de uma juventude partidária, já dava a cara por esta solução, tal como em relação à necessidade de disponibilizar sanitários provisórios, há coisa de quatro anos. Mas o autismo de alguns parece ser uma característica reinante. Talvez mesmo um requisito.

É certo que as Feiras Novas não são um festival de verão ou uma qualquer "queima das fitas", é certo porque são incomparavelmente muito mais. Uma festa genuinamente popular, feita pelo povo para o povo. Nada se lhe compara. Mas não perceber que o "espírito" destes dois eventos já estão também presentes é não perceber as mutações a que este tipo de festa popular está sujeito. Mutações que representam, no fundo, a sua grandiosidade e longevidade. Não perceber isto é no mínimo um erro grosseiro.

quinta-feira, agosto 24, 2006

Alto Minho artigo de 24-8-2006

Rio do esquecimento ou do fechar dos olhos?

Notícias recentes deram conta de algo que há muito se suspeitava. A principal praia fluvial de Ponte de Lima, ex-bandeira azul, a praia fluvial do Arnado, esteve/está temporariamente interdita por se ter detectado, entre outras coisas, Coliformes Fecais e Estreptococos Fecais.

O site do INAG, nas Análises 2006, não deixa margens para dúvidas, a praia do Arnado tem estado temporariamente e ciclicamente interdita pelo Delegado Regional de Saúde.

Pode-se até alegar que as análises foram feitas desta ou daquela maneira, numa altura ou noutra, mas o certo é que a interdição era um facto pelo menos até 14 de Agosto. Infelizmente esta não foi cumprida, ninguém se responsabilizou por efectivá-la e foi ver famílias inteiras a banhar-se nessas águas.

A Câmara Municipal tem responsabilidades nesta matéria. Deveria, desde logo, diligenciar em primeiro lugar a efectiva interdição da praia fluvial, sem apelos ou agravos, e depois apurar os possíveis responsáveis pelas, suspeitas, descargas poluentes. Talvez não fosse mal começar as investigações pelo afluente que desagua na referida praia do Arnado, o rio Labruja.

É totalmente incompreensível verificar que todos os dias, e com direito a enchente nos fim-de-semana, as pessoas continuam a banhar-se em águas, que os profissionais responsáveis pela sua verificação consideram como perigosas para a saúde, sem que aparentemente ninguém queira saber.

Longe vão os tempos dos postais onde se viam as lavadeiras naqueles mesmos locais...

Associativismo em terras limianas

Em Ponte de Lima o associativismo teve momentos áureos com o GEICE nos anos 70 e oitenta. Bem sei que a Escola Desportiva Limiana, "Os Limianos" e outras associações têm tido ao longo da sua vida uma importância grande na vida associativa do concelho limiano, mas têm quase todas um ponto em comum, o desporto. E as outras?

O GEICE não se ficava pelo desporto, era muito mais, e depois desde não existiu outra associação que conseguisse agregar em seu redor um número de associados tão activos e participativos. Muitas têm sido as associações existentes, algumas mesmo com muitos sócios, que nunca se vêem em lado nenhum, em nenhuma actividade da associação a que teoricamente pertencem, apenas existem num qualquer ficheiro. Parece que o associativismo, sem estar relacionado com o desporto, em Ponte de Lima, está fadado a simplesmente não existir.

No último mês temos assistido a notícias que nos dão conta disto mesmo, mas também a outras que talvez indiciem que o "rame rame" habitual esteja a mudar.

Veja-se o caso da MOLIMA e a dificuldade que o seu mais conhecido e activo membro, Amândio Dantas, tem em encontrar sucessores. Pela segunda vez, já no final do outro mandato isto aconteceu, o apelo à renovação não foi ouvido. As eleições para a nova direcção foram adiadas por falta de candidatos ao lugar. Talvez por ser um lugar que tende a ser polémico. É pena. Uma associação do cariz da MOLIMA faz falta para a sensibilização para a causa ambiental. Mas não se pense, no entanto, que é caso único. Olhem para os Bombeiros de Ponte de Lima e logo se encontra outro exemplo.

As outras notícias são mais positivas e dão a conhecer a grande quantidade de pessoas que aderiram e participam activamente nas actividades de "Um dia pela Vida". Talvez ajudada pela temática, as suas actividades têm sido um sucesso. As actividades físicas bem como os colóquios e conferências têm batido recordes de participação. Esperemos que a onda proporcionada pela novidade não fique apenas por aqui e continue assim, activa e firme.

Verão, tempo de acampamentos...

O Alto Minho, mais concretamente, Lamas de Mouro em Melgaço, teve a honra de receber o Acampamento dos Jovens do Bloco de Esquerda.

Este seria um lugar de discussão política. Discussão democraticamente unânime, claro, ao estilo, "eu sou a favor do aborto" logo interrompido por um inflamado "pois eu, camarada, sou a favor da interrupção voluntária da gravidez", ou outros estéreis debates com os temas "radicais" e "irreverentes" a que o Bloco nos habituou.

A aprendizagem também esteve presente nas actividades e deve ter sido bastante, temas não faltavam. Como organizar uma manifestação à porta da embaixada de Israel contra os inexistentes holocaustos perpetuados por este país na guerra contra o Hezbollah, perdão, contra inocentes civis que são barbaramente atacados apenas por ter como divertimento lançar, "democraticamente", mísseis contra o país vizinho, ou como usar um capacete de um amigo motociclista numa manifestação contra a cultura ocidental ou ainda como falar e não dizer nada pausadamente e ao estilo Louçã.

Os jovens do Bloco afirmavam ainda que "…uma revolução sem arte é uma revolução que não vale a pena!". Têm toda a razão. Uma revolução ao estilo da cubana, é esse o seu móbil, não tem sentido se não tiver uma figura "artística" como a de Fidel, para "elevar ás alturas" e "aquecer o espírito" a todos aqueles que não concordarem com a "revolução".

Dois pontos se destacam, ainda, deste acampamento. Não é que os meninos trotskistas se renderam à economia de mercado e contrataram uma empresa de "catering" para lhes fazer a paparoca? É também motivo de destaque a formação de equipas de campo para a recolha de beatas, não fosse por lá passar a nova brigada da GNR contra incêndios. GNR é sempre GNR e não convinha nada encontrá-las no chão. Lindos meninos...

segunda-feira, julho 31, 2006

Alto Minho artigo 01-08-2006

Férias

Eis que chega Agosto, o mês em que uma grande parte dos portugueses goza férias. Este ano, Ponte de Lima tem várias propostas para o laser, não só para os limianos mas também para os seus visitantes. O Pelouro da Cultura da Câmara Municipal, neste aspecto, melhorou bastante a oferta em relação a anos anteriores. Com a diferenciação desta, vários são os públicos contemplados com actividades de lazer.

O Festival de Música Clássica e a Feira do Vinho Verde, ambas realizadas no passado mês de Julho, abriram o ciclo dessas actividades. Neste mês, teremos folclore e um festival de música contemporânea, entre outras actividades.

A EXPOLIMA começa a assumir uma importância primordial. É preciso, no entanto, que os responsáveis tenham em conta alguns factores, a falta de sombras é um exemplo, mas há também um outro que parece ter sido esquecido, o do barulho/ruído. Pode parecer que não, mas muitos dos habitantes do concelho não estão de férias e, se por um lado é bom e de saudar as actividades propostas, é também necessário zelar pelo direito ao descanso. Não é que um concerto dos Madredeus, por exemplo, traga mal ao mundo, bem pelo contrário, mas já a presença de Dj’s até às 5 da madrugada parece ser exagerada. Como bem sabem, a localização da EXPOLIMA, junto ao leito do Rio Lima, proporciona a propagação sonora e com isto várias são as freguesias e seus habitantes que, querendo descansar, não o poderão fazer. É necessário acautelar este problema que parece bem mais prioritário que o das sombras.

Mas a época de férias em Ponte de Lima não se limita apenas a estas actividades. A paisagem envolvente, que se pode contemplar em vários caminhos florestais, perfeitamente aproveitáveis para o cicloturismo, por exemplo, são de um encanto indescritível e imperdível. Fica a sugestão.

Seria justificação?

Num número anterior deste jornal a Câmara Municipal através do Pelouro encarregue pela juventude fez publicar uma nota onde dava conta das várias actividades realizadas e a realizar. Como são muitas não irei fazer referência a nenhuma. Os resultados parecem ser bons e compensadores do esforço que a autarquia tem feito e tanto assim é que, após a leitura, fica-se com a sensação de que esse esforço vai aumentar.

Mas um pormenor realça-se. A altura em que sai esta nota. Precisamente depois de surgirem críticas pela ausência do município limiano do programa Voluntariado Jovem para as Florestas. Até poderá ser coincidência, mas que tudo indica ser uma resposta às críticas… Se era esse o objectivo, saiu gorado. O rol de actividades, que todos devem saudar por serem um sucesso, não são justificativas para a referida omissão, bem pelo contrário, o sucesso alcançado nessas actividades é indicativo de todo um envolvimento dos jovens na problemática da floresta, que poderia ter sido promovido e se perdeu.

Duas notas

A primeira, positiva para realçar a prontidão do Guarda Nacional Republicana que opera em Ponte de Lima.

A segunda, negativa pois, pese embora a existência de uma campanha concertada para avisar os cidadãos dos números de emergência, o número destinado ao aviso de focos de incêndios, o 117, nem sempre funciona e, por vezes, quem deveria atender os cidadãos desliga ou, pior ainda, tenta convencer que o cidadão se enganou no número, não o deixando, como o dever cívico manda, alertar para o local que vê a começar a arder. Um caso a rever, pois, se querem que todos nós façamos parte da prevenção de incêndios não basta fazer campanhas nem criar números específicos é preciso formar quem está do outro lado, se não o conseguem há sempre empresas especializadas na prestação desses serviços.

sexta-feira, julho 28, 2006

Alto Minho artigo 28-07-2006

Construções de edifícios públicos

Nos últimos anos, Ponte de Lima tem assistido ao crescimento de edifícios construídos ou reformulados pela Câmara Municipal a um ritmo nunca antes visto. Obras como a reformulação do Paço do Marquês, Mercado Municipal, Matadouro Municipal, Feira do Gado (agora Expolima), etc.

Um aspecto interessante é que nenhuma das obras citadas desempenham na totalidade a função para que foram construídas ou modificadas. O Paço do Marquês continua à espera de uma utilidade, o Matadouro, que foi reconstruído para casa da cultura, alberga, espera-se que temporariamente, a delegação limiana da APPACDM.

A construção criada para albergar a feira do gado apareceu, definitivamente, este fim de semana com o nome de Expolima, adquirindo assim um estatuto de parque de exposições de Ponte de Lima.

É interessante. Primeiro escolhe-se o arquitecto, depois arranjam-se alguns argumentos justificativos para a construção do edifício em causa e depois de construído, aí sim, procura-se uma real utilidade para o investimento feito.

Nas traseiras da escola secundária de Ponte de Lima cresce um edifício que se espera vir a ser a Casa da Música de Ponte de Lima. Não se esqueçam da palavra chave que é Música e não outra coisa qualquer.

Já agora, talvez fosse bom começar a preparar alguns argumentos para a casa adquirida pelo município na Além da Ponte. Os da utilidade da compra não foram muito bem compreendidos, pode ser que os do restauro venham a ser. Quem sabe.

Desemprego

A taxa de desemprego em Ponte de Lima começa a ser preocupante. Ao contrário dos outros vizinhos, mais pequenos até, em Ponte de Lima esta continua a crescer.

Desde o inicio do ano que, mês sim, mês não, somos confrontados com o fecho de uma unidade fabril. Este factor associado à frustração da vinda, para terras limianas, de investimentos como o IKEA e a COBRA demonstram que algo não está a correr bem relativamente ás opções políticas determinadas para a economia limiana.

Bem sei que depois do mundial e da actual época de banhos, estes são tempos difíceis para a oposição alertar e apontar outro caminho. No entanto, é necessário estar atento aos indicadores que vão surgindo. E, pelo que temos vindo a assistir nestes últimos sete meses, não haverá ensino de castelhano ou de chinês que resulte. A não ser... Bem, que este sirva para nos preparar, a nós limianos, para os tempos de imigração que aí vem. É que embora a aposta turística limiana por vezes pareça ter semelhanças com as reservas de índios das “américas” nós não podemos propriamente sentarmo-nos todos junto à tenda do chefe a manufacturar algum tipo de genuína recordação “certificada”, esperando que daí advenha o sustento dos nossos filhos.

Apatia

Um dos lamentos que se costuma ouvir da boca de alguns políticos depois das eleições é que os cidadãos não participam na vida cívica. É bem verdade. São cada vez mais os cidadãos, cuja única participação cívica é em algum inquérito, ou entrevista de rua, ou conversa de café principalmente de for para criticar os políticos. A verdade é que todos temos um pouco de políticos, logo somos todos culpados. Os políticos que fazem política activa são culpados por serem os primeiros a caírem na tentação da apatia, veja-se o caso dos partidos políticos, o cidadão comum, porque, tendo a responsabilidade de entrevir na vida da comunidade, prefere a auto-desculpa de culpar os outros.

Há um passo inicial e importante a dar a começar por dentro dos partidos. Estes não podem ficar reféns de pequenos interesses, de pequenos lobbies. A apatia dentro dos próprios partidos, no sentido de envolver os seus militantes na construção de políticas, é cada vez mais uma realidade generalizada. Os militantes que outrora “vestiam a camisola” e apareciam não só nas campanhas eleitorais mas também nas reuniões partidárias, desapareceram, são agora um número, um número apático, uma massa anónima que se quer controlada e pouco participativa.

A nossa democracia assenta, bem ou mal, nos partidos. Continuar na apatia reinante é pô-la em cheque. É sempre bom saber história, ainda se lembram do 28 de Maio?

sexta-feira, julho 14, 2006

"errar é humano, persistir no erro é diabólico", Séneca

Nuno Matos bate com a porta da CPD da JSD de Viana

Diz que sai desiludido e frustrado da comissão politica distrital da JSD de Viana do Castelo.
Nuno Matos bateu com a porta e disse esta manhã à Rádio Alto Minho que espera que das próximas eleições para a liderança da estrutura, que vão decorrer antes do final do ano, saia uma direcção activa e voltada para os militantes do distrito.


Alto Minho artigo 14-07-2006

Ecos da Assembleia Municipal

Durante alguns anos falou-se de uma Carta Educativa para o concelho. Ultimamente, através da VALIMAR, uma empresa levou a cabo estudos para a execução de uma Carta Educativa para os seus concelhos. Com comissões de acompanhamento em cada concelho, para proceder aos ajustes necessários, a Carta Educativa tem vindo a ser apresentada por todo o vale do Lima.

Ponte de Lima, que no último meio ano tem vindo a discutir mais publicamente este assunto, viu a sua carta aprovada na última Assembleia Municipal. Aprovada por maioria e não unanimidade. Infelizmente os votos contra, na sua maioria se não na totalidade, não foram, como deveriam ser, contra a carta educativa em si, mas sim como forma de protesto contra algum interesse bairrista sonegado pela mesma.

Infelizmente, alguns Presidentes da Junta ainda são levados por um espírito, digamos, bairrista. O mesmo espírito que lhes suscitou dúvidas no momento de votar uma moção contra a retirada total ou parcial de efectivos da PSP de Ponte de Lima. Mas, não se concordando, percebe-se a sua reacção. Não foram eles eleitos pelos habitantes de uma freguesia para defender essa mesma freguesia? O que deve mudar quanto antes é mesmo o sistema...

Por outro lado, já não se pode concordar ou perceber que alguém que foi eleito para defender os interesses do concelho se esqueça disso e vote pensando nos interesses únicos da sua freguesia. Não tendo sido eleito para o cargo que ocupa apenas pelos seus vizinhos, deveria pensar primeiro na globalidade do concelho e depois nos interesses bairristas. A Carta Educativa tem muitos aspectos criticáveis e discutíveis que poderiam motivar um voto contra: o números de centros escolares, o numero de crianças divididas pelos mesmos, o quase abandono do ensino profissional, etc, agora, evocar motivos particulares de uma freguesia é incompreensível e é um erro para quem tem responsabilidades para com o concelho.


Foi notória a ausência das juventudes partidárias neste debate, que muito lhes deveria dizer, o que, realmente, custa a perceber.


O que quis dizer Daniel Campelo, Presidente da Câmara de Ponte de Lima, ao afirmar que já há alguns Presidentes da Junta que pensam pela sua cabeça? Não pensaram eles sempre pela sua cabeça?


Acusações sem fundamento, insinuações, etc, são situações que o Presidente da Assembleia Municipal não pode tolerar durante a sessão ou no período antes da ordem do dia. Estas atitudes apenas contribuem para diminuir um órgão que deveria ser o centro do debate político do concelho.


Propostas para o mês de Julho


Desde este domingo até ao dia 24, teremos de volta o festival de Ópera e Música Clássica. A Opera Faber organiza este festival em Ponte de Lima, que já se enraizou nos hábitos culturais limianos, desde 2002. É realmente um festival a não perder.

O espaço, no S. João, chamado Expolima, irá finalmente ter uso. A Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento e a Escola Superior Agrária de Ponte de Lima realizam, durante os dias 10, 14, 15 e 16 deste mês, a 16ª Festa do Vinho Verde e dos Produtos Regionais. Uma feira/festa com um forte historial no nosso concelho, que antigamente se realizava no "pavilhão multiusos do concelho", a Avenida dos Plátanos, e que este ano se realiza para os lados do S. João. Também esta a não perder.

segunda-feira, julho 03, 2006

Alto Minho artigo 03-07-2006

E de "micro-ondas" não passou

Precisamente há um ano discutia-se em ponte de Lima o edifício que nascera junto ao Arquivo Municipal. Discutia-se a sua forma, a sua utilidade a sua pertinência. Os apelidos foram surgindo e no imaginário limiano logo ficou conhecido como "micro-ondas". Aquando da sua inauguração, feita ao mais alto nível pelo Presidente da Republica, o Presidente da Câmara deu conhecimento público que o edifício não seria o domicílio do posto de Turismo, que funcionaria, afinal de contas, no Paço do Marquês. O novo edifício seria o rosto de um novo conceito de interacção com o turista, proporcionar-lhe-ia um espaço para que este não se desligasse dos seus negócios.

Daniel Campelo justificava a obra, que custou 862 mil euros e que era o resultado de um estudo urbanístico da área, com o facto de, no passado, a ligação entre o antigo Largo da Regeneração e o Largo da Lapa ser feita por uma escadaria com 12 cruzes denominada Calvário, e que entretanto fora demolida. Isto é, um dos principais objectivos do projecto era permitir criar novos espaços pedonais. 862 mil euros para criar um novo espaço pedonal de 70 metros… Realmente é obra.

Passado um ano chega a altura de perguntar o que é afinal aquele edifício? Quantos turistas o utilizaram para se manterem "ligados aos seus negócios"? Já agora, não sairia mais barato e agradável a reconstrução de uma nova escadaria, de preferência sem o edifício? Finalmente, alguém pode explicar para o que realmente serve aquele edifício?

E os Jovens limianos?

400 jovens do distrito de Viana do Castelo, ao abrigo do programa Voluntariado Jovem para as Florestas, vão vigiar as florestas para prevenir e detectar focos de incêndio. 400 jovens e nenhum deles de Ponte de Lima. Porquê? Porque a Câmara de Ponte de Lima não se candidatou ao projecto, sendo a única que o não o fez dentre as autarquias dos 10 concelhos do distrito de Viana.

Ora aí está mais um tema em que as juventudes partidárias do concelho deveriam tomar uma posição. Todos os outros concelhos do distrito de Viana do Castelo incentivam a participação cívica dos jovens, especialmente numa tarefa tão importante como a prevenção dos fogos florestais.

O concelho limiano foi, nos últimos anos, um dos mais massacrados pelos fogos florestais o que torna ainda mais incompreensível Ponte de Lima ficar de fora deste programa. Será que para a Câmara Municipal de Ponte de Lima quanto menos os jovens participarem na vida comunitária melhor ? Talvez não acredite na juventude do concelho. Achará, o Pelouro da Juventude, que os jovens limianos são de tão maneira egoístas ao ponto de não aderirem a esta iniciativa?

Oposição

A oposição mudou. Desde as ultimas eleições autárquicas que acordaram para a necessidade de informar os limianos das suas actividades. Já não era sem tempo. Mas subsiste um problema. É que não basta dizer que se fizeram várias perguntas, que se pediram determinadas explicações, que se tomou certa posição sobre aquele assunto. É preciso que a oposição saiba apontar caminhos alternativos. Um exemplo. Na última semana um vereador da oposição afirmou, na comunicação social, ter pedido explicações ao Presidente da Câmara sobre vários assuntos, (penhora de bens do Ministério da Cultura, margens do rio Lima, antenas de transmissão de rede de telemóveis, etc), o que demonstra ter certas preocupações. Só foi pena não ter referido se concorda ou não com as respostas que supostamente o Edil lhe deu.

A oposição não deve esquecer que é seu dever apontar alternativas. Seria bom que o fizesse em áreas como o desenvolvimento urbano ou o caminho que o concelho limiano deve traçar economicamente.

É um erro a oposição seguir a agenda ao invés de a marcar.

segunda-feira, junho 26, 2006

Alto Minho artigo 26-06-2006

Zonas verdes limianas

Para as pessoas que nos visitam, e que são quase "despejadas" junto ao areal, os jardins feitos em Arcozelo, em antigos terrenos de cultivo e propensos a serem invadidos pelo Lima, são atractivos. Mas, onde estão os espaços verdes nas zonas construídas nos últimos 10, 15 anos? Que tipo de planeamento foi levado a cabo para contemplar estas zonas com espaços verdes, agradáveis, onde os pais possam brincar com os filhos? Todos os limianos, infelizmente, sabem a resposta.

Nos anos oitenta, foi construído o bairro onde se encontra o Pavilhão Municipal, bairro este constituído essencialmente por moradias todas elas com um jardim maior ou menor. Nos actuais bairros, apenas de blocos de apartamentos, onde se pretende emparedar os jovens casais, restam as varandas, quase sempre condenadas a marquises, como espaços abertos.

O verdadeiro jardim que se está a criar em Ponte de Lima é o mesmo que se tem criado por tantas terras em Portugal, o do florescimento de prédios sem olhar à qualidade de vida das pessoas que os irão ocupar.

Quase se pode pensar que os jardins no centro histórico só existem porque os terrenos onde estão implementados não são edificáveis.

É bom ter jardins, mesmo pecando pelos seus elevados custos de manutenção e por serem jardins fechados à moda do século XIX, mas a zona urbana de Ponte de Lima não é apenas o centro histórico. É preciso ter em atenção os bairros que se têm construído e onde a maioria das pessoas da freguesia de Ponte de Lima vive.

Também em Arcozelo

A Câmara Municipal construiu em Arcozelo um bairro social. Até aqui nada a assinalar. Mas basta passar por lá para se verificar o abandono a que a edificação foi votada. Não basta o esforço dos moradores, é preciso acabar o que se começou. Onde estão os espaços verdes? É este o exemplo que a Câmara quer dá aos construtores? Ou é já a Câmara a seguir o exemplo?

Não se compreende como se pode ter uma zona como a da Poça Grande, agora com a dignidade merecida, e, junto a esta, um terreno onde a base das velhas casas pré-fabricadas dão um ar de zona degradada, de gueto. Aquele espaço é apenas e simplesmente um dos lugares de maior densidade populacional da vila de Arcozelo. Merecia um olhar mais cuidado por parte da Câmara Municipal.

Mudam-se os tempos…

Mudam-se os métodos de protesto. Confesso que, após a resolução da IKEA de não se instalar no concelho limiano, receei que Ponte de Lima reproduzisse na vida política e social do país um novo episódio do Queijo limiano. O Presidente da Câmara ainda apareceu com o velho argumento do abandono do mundo rural, aludindo a falta de respeito das multinacionais, da IKEA, para com esse mundo que todos querem destruir e do qual ele é o ultimo auto-proclamado defensor. Confesso que ao ouvir isto temi pelos meus candeeiros… Mas não. Daniel Campelo já não faz boicotes. Ressuscitou uma velha promessa de fundos do Governo Guterres e de José Sócrates, (lembram-se do orçamento do queijo?), que ainda não foi cumprida e anunciou penhorar bens do Ministério da Cultura. Eis, talvez, um bom exemplo a seguir pelas freguesias do concelho.

terça-feira, junho 20, 2006

Alto Minho artigo 20-06-2006

Que caminho?

Acarinhar o investidor limiano é um dos caminhos para a economia limiana. Não se podem relegar para terceiro plano os limianos que querem investir na sua terra, sejam eles pequenos ou médios investidores, independentemente de se tratarem de 4, 10 ou 15 postos de trabalho. É urgente a renovação e reactivação da economia limiana e a Associação Empresarial de Ponte de Lima tem um papel fundamental neste processo. É esta que deverá incentivar a criação, por exemplo, de uma incubadora de empresas. A AEPL não pode ser apenas um centro de formação profissional. É urgente promover um estudo, por sectores de actividade, à actual situação económica do concelho. Assim, haveria uma visão real dos desafios que se apresentam. A escola profissional de Ponte de Lima, essa sim vocacionada para o ensino profissional, deveria ser totalmente remodelada, ajustando os seus cursos aos resultados desse estudo. O mundo rural, tão apregoado por alguns, cada vez mais, no nosso concelho, apenas existe no folclore.

Reinvestir na comunidade

Por vezes algumas associações desabafam o seu descontentamento pelos empresários da terra não ajudarem mais. Realmente, desde sempre são os empresários e as empresas, sejam elas pequenas ou médias (não existem grandes empresas na nossa região), a ajudar e a acarinhar as instituições de interesse público. Muitos foram, aliás, os comerciantes, industriais e empresários que estiveram no início de muitas delas. Mas nos últimos anos a ajuda começou a falhar, começou a ser cada vez mais diminuta e em alguns casos deixou mesmo de existir.

Este é um sintoma da degradação da economia limiana. Alguns limianos gostariam de investir na sua terra, mas não encontram condições para isso, pelo que ou não investem ou então investem noutro concelho. Os que cá já andavam têm que se preocupar em manter os seus negócios. Muitos deles laboram em sectores moribundos, outros com graves entraves ao desenvolvimento dos seus empreendimentos. Como disse Jack Welch, na sua recente visita a Portugal, as empresas e os trabalhadores, quando têm que lutar permanentemente pela sua sobrevivência, pelo seu emprego, não têm tempo para pensar em retribuir.

Será o início?

A Câmara Municipal criou um fórum on-line. Esta é uma boa iniciativa, da qual se espera uma maior aproximação do poder ao cidadão. Mas a Câmara Municipal não pode ficar por aí. O verdadeiro passo será o da criação de um portal de Ponte de Lima na Internet. Neste seriam proporcionados serviços gratuitos como o alojamento de páginas e correio electrónico a todas as empresas, entidades e organizações do nosso concelho aumentando, assim, as suas vantagens competitivas. Aumentando, aliás, a vantagem competitiva do concelho. A criação de locais no centro histórico com cobertura wireless gratuita de Internet é outro passo a dar.

Ponte de Lima para além de usufruir da sua boa localização geográfica deverá imperativamente tomar a vanguarda da utilização das Tecnologias da Informação. A VALIMAR está a levar a cabo a cobertura em banda larga dos concelhos que a constituem. Os sítios na Internet dos Municípios, pelo que se tornou público, irão sofrer grandes benefícios, mas o concelho limiano não pode ficar por aí. A diferenciação, a atractividade do concelho para além de festivais passa também por tomar a iniciativa e liderar a região nesta área de futuro.

terça-feira, junho 13, 2006

Alto Minho Artigo de 13-06-2006

Evidências

O Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima acordou para uma dura realidade. O governo de Sócrates aproveitou-se de Campelo e de Ponte de Lima para as suas habituais campanhas de marketing. Bastava associar a campanha presidencial e verificar a enorme coincidência do candidato, depois derrotado, Mário Soares estar a fazer campanha no distrito de Viana do Castelo precisamente no mesmo dia onde, quase de surpresa, o governo anunciava em Ponte de Lima a vinda da fábrica da IKEA para Portugal. Só a cegueira provocada pelos holofotes das televisões puderam ocultar tamanha evidência.

Mas Campelo tem razão em se sentir enganado. É deveras estranho que no memorando se tenham anunciado cerca de 450 postos de trabalho directos e agora se verifique que serão apenas perto de 300. Já a área de terreno necessária, ao invés, parece ter duplicado.

O vereador da oposição, Manuel Trigueiro, afirmou, numa reunião do executivo camarário, ter conhecimento de que algumas pessoas bem colocadas estariam a fazer tudo para que o investimento do IKEA não viesse para Ponte de Lima. O investimento não veio. Campelo fez insinuações sobre o líder do partido que Trigueiro lidera localmente. Depois disto tudo, Trigueiro deverá revelar publicamente a quem se referia nas suas afirmações. Estes não são, certamente, tempos de hesitações e dúvidas.

Época balnear

Durante muitos anos passou-se parte do verão dentro das águas do rio lima. A praia do Arnado chegou mesmo a receber a bandeira azul. Ainda me lembro da bandeira, do nadador salvador, com os calções do ISN e tudo, das bóias, inclusive das “gaivotas”. Tudo isto desapareceu sem deixar rasto. Apenas ficou o bar do Arnado.

Entretanto foi construído o açude junto à ponte de Nossa Senhora da Guia. As águas começaram a ser mais paradas. O lodo, e não só o lodo, começou a acumular-se tomando o lugar da areia. A bandeira assim como apareceu também desapareceu dando lugar, há cerca de dois anos, a um aviso, de material bastante perecível, onde se alertava para as más condições da água e respectivo encerramento da praia fluvial.

As margens do rio já foram tomadas por banhistas, muitos deles crianças. Qual é a qualidade da água onde se banham? E da areia?

Não basta fazer uma piscina de apoio à discoteca (não deveria ser um bar de apoio à piscina?) no recinto do Festival de Jardins. É preciso garantir que os limianos e os visitantes de Ponte de Lima tenham segurança quando se banham nas praias do concelho.

Imagino que as análises sejam feitas todos os anos e, se assim é, porque não tornar os seus resultados públicos?

Parecem longe os tempos onde se dizia que o Lima era o Lethes, o rio do esquecimento…

Dinâmica

A Assembleia Municipal de Ponte de Lima demonstrou algo que há muito não fazia. Dinâmica. Liderou o processo relativo à saúde e desempenhou um papel fundamental na resolução do problema. Até o Presidente da Câmara se viu impelido por esta dinâmica a rapidamente falar com o Ministro da Saúde.

Ficou provado que a Assembleia, quando quer, tem um papel fundamental nas escolhas para o concelho, tem uma palavra a dizer que merece ser ouvida. As comissões, como a da saúde provou, são um bom caminho para um desempenho mais activo da Assembleia.

Já Manuel Barros alertava para a necessidade de criar comissões e fomentar o seu funcionamento em meados dos anos noventa. Pelo que se viu agora, tinha razão. O presidente da Assembleia Municipal, Abel Baptista, pode e deve assumir um papel mais activo. O desenvolvimento de comissões e grupos de trabalho, que funcionem e reúnam, poderá ser o caminho para a revitalização necessária de um órgão que por vezes parece preso.

segunda-feira, junho 05, 2006

Alto Minho Artigo 06-06-2006

APPACDM de Ponte de Lima

Com pompa e circunstância foi inaugurada a extensão limiana da APPACDM. O antigo Matadouro Municipal, posteriormente reconvertido em Centro de Arte e Cultura, é actualmente o local de acolhimento. Se por um lado é de saudar a presença da APPACDM em Ponte de Lima, por outro é lamentável que a tenham “empurrado” para um edifício que não foi pensado para esta finalidade. A decisão de ceder o Centro de Arte e Cultura em vez de se construir um novo edifício nos terrenos disponibilizados para o efeito junto às Piscinas Municipais é o reconhecer, por parte da Câmara, do fracasso do Centro de Arte e Cultura, que nunca chegou a ser nada.

Não se pode, no entanto, minimizar o facto positivo da APPACDM ser agora uma realidade num dos concelhos do distrito de Viana do Castelo com o maior número de pessoas portadoras de deficiência. Esperemos é que o investimento não pare por aqui. Continuemos a pensar num edifício novo, detentor de melhores condições para os cidadãos portadores de deficiência. Esse terá que ser o objectivo.

Investir em Ponte de Lima

Afinal o Presidente da Câmara parece não ter chegado a ir ao Brasil. Esta deslocação chegou a ser anunciada como clarificadora do processo de instalação do investimento brasileiro, mas o silêncio sobre o assunto parece sintoma de más notícias. A Câmara tudo fez para que este investimento fosse uma realidade, no entanto Campelo tem que explicar aos limianos as expectativas que agora se frustram por ter anunciado o investimento como uma realidade, quando ainda não o era. Que dizer às centenas de pessoas que enviaram os seus currículos?

A Agência Financeira anunciou, na semana passada, que o IKEA estava a estudar três possibilidades, Paços de Ferreira, Paredes e Estarreja para a localização da sua fábrica em Portugal. A Câmara Municipal de Ponte de Lima tratou este processo de outra forma, não criou falsas expectativas e tudo fez para que a fabrica fosse uma realidade em Ponte de Lima.

Aparentemente e infelizmente o concelho limiano não acolherá nenhum dos referidos investimentos. Talvez seja tempo de encarar de outra forma a nossa realidade económica. Ou nos resignamos e ficamos a aguardar que se lembrem de nós, ou apostamos, antes de mais, nos empresários locais. A Câmara Municipal pode dar-lhes condições para que desenvolvam as suas actividades. Muitos deles são inovadores no seu sector de actividade, precisando apenas de incentivos, semelhantes aos concedidos aos investidores estrangeiros, para se afirmarem a nível regional, nacional ou mesmo internacional.

Por que não apostar na fixação destes investidores nos pólos industriais limianos? Por que não criar uma incubadora de empresas como existe em Braga ou em Viana do Castelo? A fomentação do investimento limiano é um caminho a ter em conta para dinamizar a nossa parca economia.

Não basta ser o segundo maior concelho do distrito em termos de habitantes, temos que fazer tudo para ser o segundo também em termos económicos e sempre com a ambição de sermos o primeiro.

Biblioteca digital limiana, por que não?

Para quem anda atento às questões culturais do concelho tem assistido, nos últimos anos, ao lançamento de vários livros de escritores limianos, de livros sobre figuras limianas, ou sobre Ponte de Lima. Estes livros, além de serem de extrema importância para quem gosta de Ponte de Lima, são, sem sombra de dúvida, importantes para a identidade histórico-cultural de todos os limianos.

Nas suas edições/reedições uma grande fatia do mérito vai para a Câmara Municipal. Geralmente é esta que desempenha o papel fundamental para que as obras possam ver a luz do dia.

Cada vez mais o formato digital ganha extrema importância na preservação e divulgação de documentos. A própria Biblioteca Nacional tem apostado fortemente nesta área e qualquer um já pode ler livros como Os Maias de Eça de Queirós na versão da primeira edição, bastando para isso aceder à página on-line da BN. Um serviço semelhante poderia, à escala local, ser desenvolvido na Biblioteca Municipal. A digitalização de obras de limianos ou acerca de Ponte de Lima e a sua disponibilização on-line seria um passo enorme para a cultura limiana. Basta imaginar a felicidade de um limiano emigrado, ou dos seus filhos, ao poderem aceder a essas obras, quando doutra forma não o podem fazer. Bem sei que há alguns factores a ter em conta como o dos direitos de autor. A tecnologia permite, no entanto, vários tipos de situações que conseguiriam convergir num só sentido todos os interesses envolvidos.

Já que não se aposta na construção de uma nova biblioteca, aposte-se pelo menos na construção de uma Digital que mostre não só a produção intelectual e cultural de Ponte de Lima, mas também o caminho de inovação que o concelho limiano quer seguir.