terça-feira, janeiro 30, 2007

Alto Minho artigo 30-01-2007

As "guerras" centristas

O limiano Abel Baptista volta a candidatar-se à distrital de Viana do Castelo do CDS-PP. As eleições, que, ao que parece, já se deveriam ter realizado, serão muito em breve. Baptista é da linha de Nuno Melo, ou seja, do grupo afecto a Paulo Portas, crítico da liderança de Ribeiro e Castro. Daniel Campelo foi afastado do partido por Paulo Portas, ainda nos lembramos da sua candidatura à Câmara Municipal de Ponte de Lima como independente, sendo actualmente afecto a Ribeiro e Castro.

A luta pela liderança distrital do CDS-PP poderá ser bastante interessante e talvez indicativa do futuro político destes dois protagonistas em Ponte de Lima.

Deixará Ribeiro e Castro que a única distrital detentora de uma câmara municipal esteja posicionada com a sua oposição interna? Será Campelo "obrigado" a tomar a iniciativa de candidatar-se para segurar a distrital alto-minhota para Ribeiro e Castro? Talvez o aceno com um lugar de deputado europeu seja motivador. É que o actual mandato não está a correr de feição. O cansaço é cada vez mais visível e o rumo há muito que foi perdido, a economia limiana bateu no fundo, os comerciantes definham, os jovens não têm emprego, o centro histórico é cada vez mais um cadáver, as novas taxas e tarifas penalizam essencialmente aqueles que mais precisam, e uma saída airosa era sempre bem vinda.

Já para Abel Baptista manter a distrital é essencial aos seus objectivos políticos. É um tiro no escuro, mas tudo aponta que a actual liderança nacional não irá aquecer o lugar por muito mais tempo. Mas se esse não for o caso e ficar mais algum tempo, rapidamente poderá inverter a posição inicialmente tomada, até porque a liderança de Ribeiro e Castro precisa de apoios como de pão para a boca.

On-line

Na reunião do executivo municipal de há quinze dias a oposição, no período antes da ordem do dia, abordou dois assuntos já algumas vezes tratados neste espaço. O vereador do PS, Jorge Silva, questionou o executivo sobre a aplicação de acesso wireless à Internet no centro histórico; o vereador do PSD, Manuel Trigueiro, pediu que as actas das reuniões do executivo estejam disponibilizadas on-line.

Esperemos que o executivo esteja receptivo a estas propostas, a primeira das quais já começa a ser uma realidade em várias localidades e é uma forma de chamar gente ao centro histórico e aos jardins, porque não. A segunda proposta é básica numa democracia participativa e numa altura em que as possibilidades tecnológicas o permitem.

Infelizmente, a Câmara limiana parece arredada do pelotão das que já abraçaram as potencialidades das novas tecnologias, pondo-as ao serviço do cidadão. Mas esse é só o início do problema, os nossos representantes não parecem querer reagir. O executivo municipal parece cansado, funciona de forma lenta, não reage, perdeu o folgo de outros tempos.

Já agora, seria bom que a juntar às actas das reuniões do Executivo Municipal se actualizassem as que se encontram no espaço da Assembleia Municipal, é que as que estão lá, apenas duas, são de 2002... Cinco anos depois lá continuam como marco daquilo que poderia ter sido mas não foi. Que dizer?

terça-feira, janeiro 23, 2007

Alto Minho artigo 23-01-2007

Um Domingo de passeio

Já várias vezes tinha ouvido falar nas papas de sarrabulho de Ponte de Lima. O Vieira, que é de lá, é que diz que não são papas de sarrabulho, essas são de Braga, de Ponte de Lima é o Arroz de Sarrabulho. Para mim era tudo igual, mas, como um dia li no JN que haviam criado uma confraria, o referido arroz deveria ser coisa boa!

No domingo, logo a seguir aos anos da minha sogra, utilizando esse pretexto, levei a família ao “arroz”. Preferi apanhar a A28, aproveitando ainda não se pagar portagens, e, uma horita depois, estava a estacionar junto da "ponte romana". Os miúdos pareciam ter combinado com a minha sogra e queixavam-se de que já não aguentavam mais, que tinham que ir à casa de banho. A minha sorte é que a ponte estava mesmo ali e, por baixo daquelas pedras milenares, a família lá se aliviou. Satisfeito, olhei em redor e verifiquei que perto se encontrava um magote de gente, mesmo em frente a um restaurante. Que sorte! Se havia assim tanta gente é porque seria bom. Três horas depois estávamos a sentar-nos. Já ninguém aturava os miúdos e a minha sogra bocejava algo imperceptível, mas que certamente teria a ver com o falecido, o meu sogro. Encomendado o repasto e respectivo acompanhamento líquido, esperámos um pouco. Aproveitámos para fazer planos para o resto do dia, mas eis que chegam as travessas. Tantos rojões e tanto arroz - vou pagar e já sei que não vou comer!

Sinceramente não encontrei nenhuma diferença relativamente às papas de Braga, ai se o Vieira me ouve… Duas horas depois já me custava levantar, agora sei qual a sensação dos crocodilos, que vejo na televisão aos domingos de manhã, depois de comerem. Propus ainda uma visita aos tão afamados jardins. Atravessámos a ponte, afinal a romana é só depois da igreja junto a um bairro com as casas a cair (não é só lá na terra que as há), e voltámos a perguntar onde ficavam os ditos jardins. Que tínhamos que descer pela escada de ferro e andar aí uns quinhentos metros. Depois de mais uns comentários da sogra, decidimos dividir o grupo. O mais velho ia comigo aos jardins e a mulher, a sogra e a pequenina iam indo para o carro. O passeio junto ao rio é bom, mas não se compara com o cais de Gaia onde geralmente passámos as tardes de domingo, quando não vamos para o shopping. Confesso que me custou percorrer os tais quatrocentos ou quinhentos metros, mas os jardins são interessantes. Foi pena a mulher não os ter visto, talvez pudesse tirar alguma ideia para a marquise...

Chegados de novo à ponte, comprámos umas castanhas e algodão doce. O frio já se fazia sentir e o sol era já uma miragem que se ponha por detrás de umas bombas de gasolina. Antes de partir, avisei logo que tínhamos que chegar a tempo de ver o Benfica pelo que iríamos pela auto-estrada. Nunca pensei que numa cidadezinha como esta custasse tanto chegar à portagem, eram só autocarros, muitos de lá da terra, a fazer com que o trânsito engarrafasse.

O passeio valeu a pena. Não pela qualidade do arroz, que, ao contrário do que diz o Vieira, não me pareceu muito diferente das papas de sarrabulho, mas pela quantidade. É que nos fartámos de comer e ainda sobrou tanto… Bem sei que esperámos, mas ao que comemos não pagámos muito.

Não me parece que voltaremos lá tão cedo. A sogra fartou-se de criticar (que se esperou, que é longe, que...) e os miúdos dizem que mais vale ir para Gaia, sempre têm o McDonalds.

(Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência)

terça-feira, janeiro 16, 2007

Alto Minho artigo 16-01-2007

Só vemos o que queremos
Realmente há uma tendência em algumas pessoas para apenas quererem ver até ao seu umbigo. Perguntei neste espaço, na sequência da mensagem natalícia do Presidente da Câmara, se a Autarquia limiana tinha comparticipado na recuperação do Lar Dona Maria Pia, isto por achar natural, dada a natureza e finalidade daquele edifício, que o tivesse feito.

A resposta, como sempre, não chegou, mas as reacções, essas sim, fizeram-se ouvir. Infelizmente, alguns ainda se regem por algum complexo nada coerente com a idade que aparentam. Parece-me que há a obrigação do Estado (Administração central e, mais ainda, a local por se dizer mais próxima dos cidadãos) proteger os mais desfavorecidos dos seus cidadãos e, quando não o poder fazer directamente, promover as iniciativas de quem lhe toma o lugar nessa tarefa. É aqui que o assunto parece incomodar alguns. Estes dizem que o Estado só deve apoiar aqueles que o necessitem (certo), pelo que entendem que a Autarquia, no caso do Lar Dona Maria Pia, procedeu bem em não ajudar a Santa da Misericórdia de Ponte de Lima por esta ser detentora de muitos bens, isto é, por ser, digamos, “rica” (errado).

Chegamos à fase de explicar, face ao que parece ser o pouco alcance da visão de alguns, uns pontozinhos. O Lar não é para os "irmãos" da Santa Casa passarem lá temporadas, não é nenhum spa, hotel de charme ou sequer pensão explorada pela "instituição de solidariedade social". O Lar Dona Maria Pia destina-se a utentes femininos que, e não é por acaso, são entregues pelo próprio Estado ao cuidado da "instituição".

Já agora, se o Estado deve ajudar alguém não deverá ser àqueles que ao gerir bem o seu património provaram que saberão gerir o de todos nós (Estado)? É por isso estranho que, no caso concreto da Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, a Câmara Municipal só se lembre desta para putativas localizações para outra não menos putativa deslocação da Adega Cooperativa de Ponte de Lima.


É cultura...
As questões culturais e a sua programação são sempre tema para discussão. O gosto de uns não é o de outros, como se sabe. Cabe, no entanto, aos responsáveis pelas agendas culturais "dar" ao público o que este quer e não o que ele, enquanto responsável, considera que o público deveria querer. Nesta altura já alguns dizem, "cabe ao Estado educar os seus cidadãos...", isto, claro, seguido de uns vitupérios a mim dirigidos.

Pois bem, Nuno Soares, director da Casa das Artes do vizinho concelho de Arcos de Valdevez, é um exemplo reconhecido no campo da programação cultural no Alto Minho. Numa vila do interior do distrito, este responsável foi capaz de criar público em áreas culturais que pareciam quase aberrações para a região. O festival de cinema "Fantas" é um exemplo disso mesmo. Mas a actividade cultural de excelência neste concelho não se fica por aí, já se deixou há muito de se poder contar pelos dedos das mãos as exposições, actuações, etc, que, a juntar às grandes cidades do país, Lisboa, Porto, Coimbra, escolheram também a vila alto-minhota dos Arcos de Valdevez como palco.

Em Ponte de Lima podemos continuar a dizer, como o Presidente da Câmara recorrentemente o faz, que a programação cultural é das melhores, o público é que não percebe, que adere apenas pontualmente a algumas iniciativas, mantendo o nosso autismo cultural, ou então seguimos exemplos como o citado, apostando na qualidade, certamente, mas sempre de encontro ao próprio público.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Alto Minho artigo 12-01-2007

Navio Almirante

Nas grandes armadas antigas a liderança das mesmas estava a cargo do chamado Navio Almirante. Era ele o impulsionador de toda a frota, desde o rumo, até à liderança, todo o processo estratégico passava por ele.

No nosso distrito, o Navio Almirante está ferido. Viana do Castelo parece definhar, sem um rumo, sem liderança, sem estratégia e até parece querer que a restante armada siga o seu rumo suicidário. Ao invés de marcar um rumo, teima na política do orgulhosamente só. O resto do distrito, pelo contrário, vai caminhando. É certo que sem uma estratégia de unidade, mas com algum sentido. Braga começa a ser um forte atractivo e para concelhos como Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Ponte de Lima é cada vez mais evidente a vantagem de uma associação a um pólo que emana real atractividade em sectores como o emprego, formação e qualidade de vida. O Eixo Braga-Guimarães-Barcelos é cada vez mais uma referência na nova economia das tecnologias da informação. E o nosso distrito? Parece que se satisfaz em fazer parte das zonas economicamente deprimidas, onde quem devia liderar se omite de o fazer. Todos os seis meses se fala na urgência da unificação do distrito e todos os seis meses se encontram novas desculpas para o não fazer. Urgências, postos das forças de segurança, etc, vão fechando um pouco por todo o distrito e mais uma vez não se ouve a voz deste, antes a voz isolada de alguns autarcas. Viana do Castelo já não tem visão para além do umbigo, que é o mesmo que dizer para além da Polis. Nós, os do Pagos, já não somos merecedores da sua atenção, assim resta-nos ser indiferentes aos seus problemas (já se ouve, “a ponte Eiffel continua fechada? Azar a dos vianenses…”) e encontrar outra liderança. Ponte de Lima tem um papel fundamental em não deixar o distrito afundar. Se Viana do Castelo não reassumir a sua obrigação, há que pensar seriamente em reformular prioridades nem que para isso seja necessário alterar o paradigma vigente. A verdade é que a falta de uma liderança no distrito tem sido causadora da inexistência de políticas comuns e de estratégicas em áreas fundamentais como a captação de investimentos ou a criação de valências.

Cartões municipais

Estou certo que a intenção é boa, criar cartões municipais para os munícipes usufruírem de vantagens em serviços municipais e não só. É, no entanto, um desperdício de recursos. Geralmente estes cartões destinam-se a camadas etárias específicas, nomeadamente para jovens ou para idosos. A nível nacional, já existem cartões semelhantes, como é o caso do Cartão-Jovem destinado às camadas jovens. Assim sendo, não faz sentido criar um novo cartão, quando já existe um com uma abrangência incomparavelmente maior. O que faz sentido é ampliar, a nível concelhio, os serviços onde as vantagens inerentes a esses cartões possam ser aplicadas. Sem duplicação de custos, o resultado é o mesmo que o pretendido inicialmente.

Já agora, se o objectivo é uma descriminação positiva para os habitantes do concelho, há sempre a hipótese de acrescentar o Bilhete de Identidade na identificação para a obtenção de um desconto específico.

Sugestão de leitura

No começo deste novo ano deixo uma sugestão de leitura, "Limianas" de António Ferreira, um livro de poesias. O meu exemplar é uma 2ª edição de 1949 que contem umas notas explicativas deliciosas, onde o autor canta de uma forma magistral a Ribeira-Lima. Se não o possuem, procurem-no na Biblioteca Municipal pois vale a pena ler ou reler.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Alto Minho artigo 05-01-2007

O melhor de 2006

Uma das figuras que mais se destacou, no ano transacto, no campo da política foi Abel Batista, Presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, Deputado e líder distrital do CDS-PP. Batista conseguiu afirmar-se, saindo da sombra de Campelo, e tem sido uma das vozes mais activas da região em Lisboa. As urgências, a PSP... Está claramente, e pacientemente, a preparar a sua candidatura à Câmara Municipal nas próximas eleições autárquicas.
O PSD e o PS limiano merecem também uma menção. O PSD, ainda que mais recentemente, conseguiu ultrapassar a pesada derrota eleitoral e está, neste momento, a reestruturar-se internamente. Mudou de liderança, Barreto sucedeu a Trigueiro, e já se afirma na Assembleia Municipal. No Partido Socialista, Montenegro Fiúza saiu e a liderança passou para Jorge Silva que, num estilo muito próprio, mais "low profile" relativamente à liderança de Fiúza, tem mantido a intervenção a um nível inédito no PS limiano.
No desporto, o destaque vai para Nuno Barros. Atleta limiano de canoagem, no passado ano ganhou, consecutivamente, provas nacionais e internacionais envergando quer a camisola do clube de Ponte de Lima, quer a da selecção nacional. O outro destaque vai inevitavelmente para a Associação Desportiva "Os Limianos" que, no final da última época, venceu tudo o que havia para vencer. É aqui que entra também o seu presidente, Adelino Tito de Morais, que, liderando uma equipa coesa, conseguiu vencer o próprio destino a que os "Os Limianos" pareciam estar fadados, a sua extinção.
No campo cultural, o destaque vai para o apoio editorial do município. Realmente, se há algo em que o pelouro da cultura se tem esmerado, é no campo da edição de livros. Desde, por exemplo, Teófilo Carneiro - "Poesias e outros dispersos", até José Ernesto Costa - "Crónicas de um outro tempo", vários foram os livros que o município apoiou na sua edição. De realçar também David Peres que mantém a sua galeria de arte contra todas as expectativas negativas que não lhe auguravam muito tempo de existência. Quase só o facto de existir e de ser privado faz manter um nível cultural que por vezes parece arredado de Ponte de Lima.
No âmbito da dita sociedade civil é incontornável o relevo para a mobilização de centenas de pessoas por todo o concelho para as actividades de "Um dia pela Vida". Assim ficou provado que os limianos são solidários e activos, precisam é de causas.

Os votos de Natal

São sempre interessantes os votos de Natal dos vários responsáveis de cargos públicos, de responsáveis da dita sociedade civil e de responsáveis religiosos. A Rádio Ondas do Lima foi porta-voz de muitas dessas mensagens de líderes locais e regionais.
O Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, na sua mensagem apelou à solidariedade e ao contributo de todos para uma sociedade mais solidária. Esse apelo levou-me a pensar no lar D. Maria Pia, lar para raparigas desfavorecidas, pertença actual da Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, que presta um serviço essencial para a vida de tantas utentes e que recentemente viu o seu histórico edifício ser alvo de uma remodelação profunda. O serviço à comunidade prestado nesta casa é inegavelmente importante, um serviço que, aliás, deveria ser prestado pelo Estado. Resta uma dúvida. Qual foi a comparticipação da autarquia na recuperação do dito edifício? Não será esta merecedora da solidariedade do município?

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Alto Minho artigo 22-12-2006

Vergonha na Assembleia

Realmente deve ter sido vergonha o que assolou a sala em determinada altura na última sessão da Assembleia Municipal de Ponte de Lima. Quando se iniciava a discussão do Plano e Orçamento, tinha começado a sua intervenção Manuel Pires Trigo, eleito do Partido Socialista, dá-se uma debandada quase geral dos membros da maioria. A retirada não parecia organizada. O ruído instalou-se e houve até quem jurasse que viu alguns membros em pânico. O motivo? Tinha começado uma das discussões mais importantes, "qui sait" a mais importante da Assembleia Municipal, e eles, provavelmente, nem tinham lido o documento em discussão... Ou então, talvez, ninguém lhes tivesse dado indicação do quanto esta era importante, apenas lhes terão dito, por ventura, que a votação é que importaria.

É lamentável a falta de respeito, a prepotência que a maioria CDS, bem como alguns representantes das Juntas de Freguesia, demonstraram nesta sessão da Assembleia Municipal. Esta auto-omissão na discussão do documento que traça o rumo do concelho no próximo ano demonstra o valor que dão ao cargo que desempenham. Será esta atitude representativa do respeito que estes eleitos nutrem pelos seus eleitores? No mínimo lamentável.

É inegável que o paradigma do poder autárquico precisa de mudar. Mas, enquanto não há coragem política a nível nacional para o mudar, seria bom que todos os eleitos fizessem por merecer a confiança que os eleitores lhes depositaram.
Mas disse-o

Campelo disse, em forma de repreensão às críticas da oposição na Assembleia Municipal, que o que se pôde ler na comunicação social sobre o seminário "Ponte de Lima, Terra Rica da Humanidade", se traduziu, no seu entender, em deturpações não contextualizadas de algumas afirmações suas. Não se pretendia um seminário virado para fora? Deturpações não contextualizadas? Rico resultado... Ah, pois... Eu também tive que trabalhar nesse dia e não pude assistir ao seminário, não posso então falar sobre isto, não é senhor Presidente...? Peço desculpa.

Só é pena o Presidente Campelo não ter tido "tempo" para explicar, na Assembleia Municipal, o que quis dizer com a comparação do sarrabulho ao IKEA. Ai... Peço desculpa, é verdade, já me esquecia que não estive lá, mais uma vez peço desculpa... Estes "perversos" jornalistas fazem-nos fazer cada figura ridícula...

Campelo continua um mestre no que concerne à retórica, às técnicas argumentativas e até à demagogia, mas isso já produziu os seus resultados noutro tempo, há muito tempo. Os tempos são outros, as necessidades dos limianos são outras. O que se quer são respostas aos muitos problemas que assolam a vida de todos nós no nosso concelho. Pensa o Executivo que Ponte de Lima poderá ter futuro se recusar a industrialização, a actual e não a do século XIX, que o Presidente Campelo referiu na Assembleia?

Observações

A noite está fria, sente-se o manto vindo do rio atingir as casas, o nevoeiro dá um ar cinematográfico à rua. Ouve-se uma gota escorregar no telhado. É o orvalho. O cookie espreguiça-se junto ao aquecedor ignorando o piar do pássaro nocturno que teima em escolher o velho carvalho vizinho como poiso. O silêncio é interrompido pelo som de passos leves, mas determinados, percorrendo a velha rua. Adolescentes em férias de Natal no regresso de uma "noite". O sino ecoa, primeiro um, depois outro e ao longe ainda outro. Há coisas que não mudam. Ainda bem.
Boas festas.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Alto Minho artigo de 19-12-2006

Decisões/Apoios

Na semana passada este jornal noticiou que foi atribuído o primeiro lugar do prémio RECRIA (Regime Especial de Comparticipação na Recuperação de Imóveis Arrendados) a um edifício recuperado no centro histórico de Viana do Castelo. A recuperação foi feita ao abrigo do projecto RECRIA, onde a câmara vianense, não pelo apoio financeiro, que existiu mas foi parco, mas sobretudo pelo apoio técnico, teve um papel fundamental.

Em Ponte de Lima, nada. Por vezes, os cidadãos limianos, ou limarenses como alguma elite cultural gosta de dizer, chegam a indagar-se se serão eles vistos como inimigos pela Câmara Municipal. Talvez fosse tempo de introduzir incentivos reais para os que querem recuperar património no centro histórico limiano. A começar pelo mais básico. É que só o custo de todas as licenças, arqueólogos e afins, faz com que a vontade de investimento na recuperação dos imóveis por parte dos proprietários seja muito pouca e até nenhuma ou por vezes mesmo incomportável. Entretanto, o centro histórico vai definhando. A ocupação humana é cada vez menor e não são os serviços, para que algumas, muito poucas, casas estão a ser recuperadas, que o vão salvar. Sem gente não há negócio que sobreviva. Sem pessoas não há centro histórico.

Um bom critério

Escrevo estas linhas antes da reunião da Assembleia Municipal, mas não tenho dúvidas, até porque a composição da assembleia não dá margem para elas, quanto ao desfecho das votações. É pena, porque o concelho limiano merecia mais ambição.

Além do Plano e Orçamento, entre outras coisas foi a votos a compra de uma quinta no lugar de Antepaço, na vila e freguesia de Arcozelo. É estranha a justificação dada pelo executivo para proceder a esta compra. A aquisição, segundo o vice-presidente da Câmara, vai ao encontro do Plano de Urbanização (PU) que se encontra em estudo. Ora, se se encontra em estudo... Razão tem a oposição ao afirmar que quando o PU da zona urbana de Ponte de Lima for aprovado já não terá qualquer utilidade.

Não é estranho?

O director deste jornal optou por não dar muito relevo à problemática do referendo ao Aborto. Por assim pensar, não posso deixar de concordar que esta é uma questão de consciência e formação pessoal, logo do foro íntimo de cada pessoa. Cada um deve ter a liberdade e espaço total para tomar uma decisão em consciência. Não resisto, no entanto, a afirmar a minha estranheza por ver um governo de esquerda preocupar-se tanto com a ajuda, financiada por todos nós, às mulheres e aos casais que querem abortar e a não propor nenhum incentivo, nenhuma medida de ajuda para aqueles que decidem ter filhos. Bem pelo contrário, vêem-se fechar maternidades um pouco por todo o país, vêem-se fechar urgências hospitalares, veja-se o caso concreto do nosso distrito, e tudo isto puramente por motivos economicistas. O apoio e incentivo à maternidade/paternidade não existe nem parece estar nos horizontes do governo, que, cada vez mais, prende as suas atenções a causas estéreis.

Estranho critério de investimento da esquerda moderna...

terça-feira, dezembro 12, 2006

Alto Minho artigo de 12-12-2006

Entrevistas no âmbito do projecto "Ponte de Lima, Terra Rica da Humanidade"

Percebo que no âmbito do projecto "Ponte de Lima, Terra Rica da Humanidade" se entrevistem os titulares de cargos políticos. Gostei muito mais da entrevista de Franclim Sousa, vereador com os pelouros da Juventude, Desporto, Educação e Cultura, que a do presidente Campelo, mais preocupado em se desculpar e em atacar os que não concordam com as suas políticas que em revelar o rumo que pensa para Ponte de Lima.

Já não percebo, tendo em conta que os cargos políticos em democracia são efémeros, porque não se entrevistam, no mesmo âmbito, os líderes dos partidos da oposição. Afinal de contas, também estes têm um papel importante, consagrado democraticamente, no futuro de Ponte de Lima. Tenho a certeza que os limianos gostariam de saber o que estes têm a dizer sobre o futuro de Ponte de Lima.

Algo está mal quando se quer um debate e depois só se ouve uma parte. Mesmo entrevistando pessoas da sociedade civil, que muito têm a dizer sobre Ponte de Lima e que são um prazer ouvir, não se justifica o afastamento dos partidos da oposição, que legitimamente tem representação na Assembleia Municipal e que participam activamente nos destinos do concelho.

Plano e Orçamento

É já na próxima reunião da Assembleia Municipal que se irá votar o Orçamento e Plano para o ano de 2007. Ao contrário do esperado, o Executivo Municipal apresentou um documento sem qualquer tipo de inovação, sem um rumo, sem garra.

Não basta rever os orçamentos dos anos transactos e acrescentar umas vírgulas ou uns pontos. Este documento deve reflectir aquilo que o executivo espera alcançar no próximo ano. Deve traçar um rumo onde, por exemplo, seja visível o que a Câmara quer fazer em conjunto com as Juntas de Freguesia. Que rumo quer para o concelho.

O documento em votação é um conjunto de generalidades muito parecido com o que os partidos costumam fazer nos seus manifestos eleitorais. E este documento deve ser muito mais que um manifesto generalista. Onde estão os casos concretos? Darei a título de exemplo um caso sobre o qual já escrevi no passado, o do parque para Pesados. Não foi comprada uma quinta, junto à saída da auto-estrada da Ribeira, anunciada para a construção deste? Onde é que está no Orçamento e Plano prevista a sua construção?

Ponte de Lima precisa de muito mais para além de generalidades.

Casa do Turismo/Centro de Negócios, onde está?

Na última visita do Presidente da Republica, Jorge Sampaio, a Ponte de Lima foi inaugurada a Casa do Turismo. Estimada em 900 mil euros, iria, segundo a autarquia limiana, complementar a oferta turística da região. Ali seria oferecido aos empresários, principalmente para os que operam em Turismo, um Centro de Negócios.

Pois bem, o Presidente da Republica já é outro há quase um ano e do tal Centro de Negócios, nada. Apenas um edifício vazio e fechado, popularmente conhecido por "micro-ondas".

Isto é ter um rumo para o concelho?

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Alto Minho artigo de 08-12-2006

Incongruência?

Algo não se enquadra nas declarações proferidas pelo Presidente da Câmara no seminário Ponte de Lima Terra Rica da Humanidade. Então afirma que gostava do projecto de instalação da IKEA em Ponte de Lima e o achava interessante, e, simultaneamente, afirma que este nada iria resolver? Então por que era interessante? Porque é que o Presidente da Câmara gostava de ver esse investimento em Ponte de Lima, se não iria resolver nada?

Claro que comparar a importância de um projecto como o IKEA ao valor da gastronomia não faz qualquer sentido. Cada um tem o seu valor e nenhum pode ser menosprezado, antes acarinhado. Mas há que reconhecer que o investimento industrial é deveras importante para qualquer região, tenha esta ou não uma gastronomia própria e característica. O tecido empresarial, industrial limiano tem que se expandir e variar nas áreas de investimento.

Campelo parece resignado ao não investimento em Ponte de Lima. A sua aposta em mega-investimentos não resultou e isso é visível nos parques industriais que ao fim de alguns anos continuam vazios e ultrapassados pelos dos concelhos vizinhos.

Existir uma tentativa de resposta a esta situação é salutar, mas dizer que esta é melhor que a anterior apenas porque não a conseguimos atingir assemelha-se à reacção de um menino mimado. Além do mais, parece que voltamos ao erro de apostar tudo numa só vertente. E se não resulta?

Tem que haver respostas

O pelouro das Feiras já não é tutelado por Gaspar Martins. Não se sabe se foi o vereador que devolveu o pelouro ou se foi o presidente que o retirou. O facto é que o presidente da Câmara volta a tutelar directamente este pelouro.

O vereador em causa não é um qualquer na nomenclatura governativa do CDS. Gaspar Martins tem secundado Campelo desde o início, é o vereador mais antigo sendo o homem forte do aparelho do CDS em Ponte de Lima. Esta mexida não pode ficar sem explicações. Os limianos merecem saber o porquê desta retirada/entrega de pelouro. É o vereador que perdeu a confiança no presidente ou o presidente que perdeu a confiança no vereador? Quem sabe nenhuma das anteriores...

Passeios e bons exemplos

Muitas vezes dou por mim a percorrer alguns recantos magníficos do concelho de Ponte de Lima. Espaços como o Cerquido, onde se vislumbra uma panorâmica fantástica sobre o concelho, mas, que, durante o verão, viu a mata que embutia os seus acessos ser destruída pelos incêndios. Parece ser triste a sina destes espaços que tudo têm para serem marcos obrigatórios no turismo em terras limianas. Pena ninguém parecer interessado em lá intervir.

O pelouro da cultura, no passado mês de Novembro, demonstrou que sabe e pode fazer. Desde apresentações de livros com uma qualidade acima da média, homenagens a figuras marcantes com exposições anexas em locais bem escolhidos, até a colóquios de temáticas bastante interessantes, várias foram as actividades. Assim deveria ser durante o resto do ano. Parece ser longo, mas, se é este o caminho, é o certo.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Alto Minho artigo de 30-11-2006

De novo os protestos

Os pais dos alunos da freguesia da Gemieira voltaram à comunicação social. As promessas feitas pela Câmara Municipal não estão, na perspectiva destes, a ser cumpridas.

A forma como a Câmara Municipal de Ponte de Lima tem vindo a abordar toda esta questão não tem sido a melhor. A falta de coragem, numa primeira fase, em assumir claramente o rumo e, posteriormente, o deixar andar ao abrigo de um disfarçado consenso para mais tarde actuar foi um mau princípio. Este tema, pela sua sensibilidade, merecia ser abordado de outra forma.

O vereador da Educação questionado pela comunicação social remeteu para o Presidente da Câmara. No passado, o Presidente da Câmara apenas intervinha para tentar remediar os danos. Será, então, que esta atitude tem significado político? Sendo que o vereador em causa é um dos que mais intervêm publicamente, perante esta atitude, a resposta é claramente positiva. Depois de retirar a responsabilidade da Feira ao vereador Gaspar Martins, ainda não explicada, estará o Presidente a preparar-se para assumir a Educação?

Opções e questões

Na passada semana, a população da freguesia da Feitosa reuniu-se para discutir um assunto de interesse colectivo. O motivo foi a possível (?) construção de uma rotunda no cruzamento que dá acesso a uma superfície comercial. A nova rotunda passará a servir, também, outra superfície comercial que lá está a ser construída. De facto, a construção de uma rotunda neste local custa a compreender ainda para mais quando esta superfície poderia ter como acesso a estrada nacional. Juntar os acessos das duas grandes superfícies num só local será a melhor escolha?

Com a solução que se perfila, a freguesia da Feitosa vê o principal acesso ao seu centro cívico aumentar significativamente o fluxo de trânsito com tudo o que de mal daí advém. Não existirá alternativas?

Participação cívica

Não sei qual é o problema de algumas pessoas que por um lado se queixam da falta de participação cívica e por outro parecem querer controlar a que existe. Se alguém quer participar civicamente deverá, segundo estes, fazê-lo em "locais próprios", entenda-se assembleias e afins, ou então em locais criados, por eles, como é evidente, especificamente para o efeito. Quem opina criticamente noutros locais então, e certamente, cairá no descrédito. É que essa opinião “não é respeitada nem pelos seus amigos” dizem eles. Se querem mesmo fazer a diferença, façam-no com toda a liberdade, em locais mantidos por nós, aí sim podem criticar ou então “dizer bem”. Eis a mensagem desses "impulsionadores" da participação cívica.

Pois eu acho que a participação cívica assenta num pressuposto essencial que é a liberdade. Cada um é livre de se exprimir, democraticamente, onde quiser, sobre a forma que lhe aprouver. Em jornais, em vídeo, em fotografia, em revistas, na rádio, na TV, etc. E, vejam lá, que até mesmo em blogs...

segunda-feira, novembro 20, 2006

Alto Minho artigo de 20-11-2006

Museus

A Igreja de Santo António dos Frades Franciscanos e a dos Terceiros bem como todas as dependências circundantes constituem o Museu dos Terceiros. Se se considerar que ainda existe um Museu Rural nos Jardins Temáticos, Ponte de Lima tem dois museus. Mas será isto verdade? Tratar-se-ão de museus ou de depósitos? É que ninguém dá por eles. Se um parece um depósito de alfaias e instrumentos agrícolas votados a um quase abandono, sem qualquer divulgação ou explicação, o outro foi sujeito a obras que lhe restabeleceram a dignidade passada. No entanto, continua, aparentemente, fechado sendo apenas utilizada uma valência para alguns (especiais?) casamentos.

Os museus têm outra conotação e função. São espaços vivos e abertos, espaços de atracção e memória, onde podemos não só encontrar o passado, mas compreender o presente, espaços de divulgação histórico-cultural, são essencialmente espaços de projecção cultural. Infelizmente, não é assim em Ponte de Lima.

Em dias cinzentos

Tentar passar a ponte de N.S. da Guia é um pesadelo. Nas horas de maior fluxo de trânsito, com o mau tempo associado aos buracos e ao mau piso, que as “obras de santa Engrácia” parecem teimar em não corrigir, instala-se o caos na entrada mais movimentada da vila de Ponte de Lima.

Até quando se manterá assim? Será que o responsável pelo pelouro do trânsito ainda não se apercebeu desta situação? É que isto já dura há vários meses e vai agravar-se ainda mais com as condições atmosféricas adversas? Que é preciso mais acontecer para se tomar uma atitude que ponha cobro a esta situação?

Se o objectivo era impor o limite de velocidade dos caminhos municipais, 40 km/h, também nas estradas nacionais, parabéns. Objectivo atingido!

Os intocáveis

Há temas, em Ponte de Lima, que por vezes parecem ser "vacas sagradas", intocáveis. Se alguém levanta alguma questão sobre algum desses temas, os sinos tocam logo a rebate.

O tema das "pedreiras" é um deles e não o deveria ser. Por ser verdade que têm um peso inegavelmente elevado na economia limiana não pode este peso continuar a ser a eterna justificação para sobrelevar o que de mal lá se passa. Bem pelo contrário. Há muita coisa criticável que, a bem da própria sobrevivência do sector, deverá ser alterada.

O factor ambiental, por muito que custe a alguns, está previsto no Decreto-Lei nº 270/2001 pelo que deverá estar sempre presente em todo o processo. Não é preciso nenhuma formação específica, não é preciso “ir a Coimbra” para verificar que a questão ambiental tem sido, com alguma regularidade, relegada ao esquecimento. Querem melhorar? Muitos empresários estão a fazer esforços nesse sentido? Ainda bem, ao procederem assim demonstram ter noção de que o que estava não poderia manter-se por muito mais tempo, pois apontava um caminho suicidário.

É de louvar o esforço que a Junta de Freguesia de Arcozelo e a própria Câmara Municipal (convenhamos que muito mais a Junta que a Câmara, o PDM é inacreditável) estão a fazer nesse sentido. Pouco a pouco, se esse esforço se mantiver, o sector irá encontrar o caminho não só da sustentação socio-económica mas também da preservação ambiental.

terça-feira, novembro 14, 2006

Alto Minho artigo de 14-11-2006

Desemprego

Ponte de Lima, definitivamente, parece ter conquistado o prémio de fidelização na permanência no vermelho na taxa de variação mensal do desemprego, segundo o Observatório do Desemprego do Minho da responsabilidade da Plataforma Minho.

Desde o princípio do ano que lá estamos. Mês após mês. Desde lá, várias foram as empresas que fecharam as suas portas, quantas é que abriram? Que é feito dos emblemáticos projectos, estandartes de campanhas eleitorais, que ainda há poucos anos eram apresentados como uma solução milagrosa para todos os problemas?

São precisas medidas urgentes de captação de investimento. Medidas com objectivos e destinatários concretos. A começar pelos empresários limianos que têm sido sucessivamente esquecidos.

É urgente que a Câmara Municipal torne público o que está a fazer neste campo, o que pensa fazer para inverter a actual situação.

Exemplo

No primeiro fim-de-semana deste mês foi dado um exemplo de cidadania, de sentido de comunidade, de iniciativa. A paróquia de Calheiros inaugurou um carrilhão que custou cerca de 100 000€ pagos na totalidade pela comunidade local. Realmente, é um raro exemplo nestes tempos em que o normal é esperar sentado à sombra do Estado. Um exemplo a seguir.

A comunidade de Calheiros dá também exemplo no campo cultural. O som dos sinos volta a ecoar em Calheiros. Esperemos que este exemplo seja seguido pelas restantes paróquias, relegando os "poluidores" altifalantes ao lugar de onde nunca deveriam ter saído.

Impressões

Seria bom que todos passassem na ponte velha e que, para além de observarem a paisagem, escutassem os comentários dos visitantes que por lá passeiam. É interessante ouvir a percepção e as "teses" que alguns têm da nossa paisagem, da nossa realidade económica e social.

Para muitos, o rio é um exemplo de virtudes, que, tal como na aldeia de Astérix, mantêm, apesar do cerco da poluição, as suas águas límpidas e não poluídas, ao contrário do que se vê por esse país fora. Infelizmente, as constantes análises às águas neste verão vieram demonstrar como esta percepção está errada.

Outros acham que os jardins são muito bonitos e que todos os limianos vivem quase obcecados por eles. Estes deverão ter, de certeza, uma réplica dos jardins em todas as varandas limianas, em cada esquina de todas as ruas. Se esses visitantes passassem pela parte nova da zona urbana, em 2 minutos verificavam que esta em nada difere do subúrbio onde vivem. Zonas verdes só mesmo onde as ervas daninhas nascem…

Talvez a visão dos visitantes seja simples ou então talvez seja o resultado da política de imagem, de fachada. É tempo de passarmos a cuidar do resto da casa. É que, por vezes, os nossos hóspedes poderão enganar-se na porta e entrar na parte íntima da nossa casa e aí, talvez, venham a descobrir que tudo não passa de uma farsa. Fica, assim, a sugestão.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Alto Minho artigo de 06-11-2006

Pedreiras

Quando se fala da problemática da extracção e transformação de pedra, em Ponte de Lima, geralmente fala-se das condições desumanas da actividade e também em alguns atentados ambientais. Na realidade, desde a década de 90 que se vem assistindo a alguns casos de verdadeiros atentados ao património de todos nós perpetuados por alguns exploradores da pedra com menos escrúpulos. Felizmente não é a maioria. Mas uma minoria que muito "dá nas vistas".

Não estão em causa as pessoas que vemos geralmente nas bermas da estrada das "pedras finas" e que exercem um dos trabalhos mais pesados do nosso concelho, em condições paupérrimas. O que está em causa é exploração selvagem de um recurso natural pertença de todos.

Este sector está dividido em duas partes, por um lado a da extracção, por outro a da transformação da pedra. O problema começa na extracção. Quantos são os que cumprem as licenças de extracção, os limites, as obrigações pós exploração, etc? Podem alguns tapar o sol com a peneira querendo limitar o debate à arte que sai do cinzel dos artistas, mas o que se vem a observar na Serra d'Antelas (para quem não sabe é aquele monte com aspecto de ter sido bombardeado junto ao monte de Santo Ovidio em Arcozelo) é a destruição do diamante que há anos tem alimentado várias famílias de Ponte de Lima. Por isto mesmo esta atitude não pode ficar impune, algo tem que ser feito.

Não é apenas a questão estética, como alguns gostam de alcunhar este assunto, que está em causa, é, acima de tudo, o património ambiental que todos temos, a responsabilidade de manter e preservar para os nossos descendentes o que está em causa. A exploração tem que ser regrada, aliás como manda a lei. O lucro fácil e ilícito de alguns não deve, não pode sobrepor-se ao interesse colectivo. Da mesma forma que os direitos laborais deverão ser respeitados (basta falar com alguns dos trabalhadores e não só com os patrões, para se encontrar uma realidade por vezes pouco clara), também as questões ambientais deverão estar sempre presentes.

O meu avô, Manuel Ferreira de Barros, foi um dos primeiros industriais da extracção de pedra (designação oficial da altura que em quase nada se coadunava com a realidade) e sei como a actividade era bastante regrada e inspeccionada. Várias eram as licenças, difíceis de obter, que tinham que ser cumpridas à risca. Infelizmente, hoje não parece ser assim e qualquer penedo que apareça no monte é logo bafejado com a sorte de levar com o martelo pneumático.

IKEA vrs. Jardins Temáticos

Comparar o investimento em Portugal da IKEA aos Jardins Temáticos de Ponte de Lima e ao seu possível impacto na economia limiana é pura fantasia retórica. Primeiro porque o IKEA não veio para Ponte de Lima, segundo porque é comparar o incomparável. Mas porque alguns incautos poderão pensar que os Jardins limianos trazem mais receitas para Ponte de Lima que o IKEA, talvez não seja mau escrever o seguinte.

Para os defensores da tese anterior, a boa imagem que os Jardins dão de Ponte de Lima são um pólo de atracção traduzindo-se numa mais valia tal para os comerciantes limianos que o investimento IKEA não conseguiria, certamente, ultrapassar.

Ora, na semana passada, o "Jornal de Negócios" trazia uma notícia onde se podia ler que o IKEA iria implementar três unidades de produção de mobiliário. O investimento, segundo o mesmo jornal, irá ascender aos 135 milhões de euros e irá criar 1.500 postos de trabalho directos e indirectos. A matéria-prima será 60% portuguesa.

Bom, o que são 1500 postos de trabalho comparados com a mais valia inerente à visita de um qualquer presidente de um clube de jardineiros da baixa Saxónia? Mais 1500 pessoas com um rendimento fixo de/a "fazerem" a sua vida em Ponte de Lima?

Realmente não se compara com os rendimentos que os visitantes dos nossos Jardins deixam no concelho limiano.

Serei eu um milhafre?

segunda-feira, outubro 30, 2006

Alto Minho artigo de 30-10-2006

Agora que se fala do TechValley

Segundo o Jornal de Notícias, o Instituto Ibérico de Investigação e Desenvolvimento (IIID) deverá instalar-se num espaço, embora ainda não definido, equivalente a sete estádios de futebol na cidade de Braga. Uma boa notícia para a região.

Ponte de Lima deverá encarar esta notícia como um desafio para o futuro. A criação ou reformulação das zonas industriais existentes em Parques de Ciência e Tecnologia deveria merecer a maior das atenções do executivo municipal. Ocupar grande parte do espaço dos parques com unidades empresariais ligadas à área da tecnologia, com produtos de elevado peso tecnológico e inovadores, seria o objectivo. Estes locais poder-se-iam tornar em espaços de intercâmbio entre a área do conhecimento e a área da indústria. Locais propícios à inovação, à criação de empresas, às start-up's. Num local ideal para a tão esperada incubadora de empresas. No fundo, num local de criação de emprego.

A Universidade do Minho está demasiado perto para não ser encarada como um parceiro fundamental num projecto como este e estou certo de que o Politécnico de Viana do Castelo não viraria as costas a esta oportunidade. Ponte de Lima tem muitas das condições, o espaço disponível e os acessos são um exemplo, para vir a tornar-se numa referência nesta área, posicionando-se na geoliderança neste sector.

Mesmo sem a COBRA, é prioritário pensar seriamente nesta hipótese.

Portagens

É com agradável surpresa que se constata uma voz consensual no Alto Minho, de todos os quadrantes políticos, contra a introdução de portagens. Realmente, este assunto só pode ser consensual. Quem vive nesta região, por experiência própria e sem grande esforço, verifica que a aplicação de portagens é a castração económica da mesma. Uma região que, ironicamente, sendo do litoral tem indicadores de profunda interioridade. Uma região que não tem alternativas, dignas desse nome, de ligação ao resto do país.

No partido que sustenta o governo, o PS, várias têm sido as vozes que, de uma forma ou de outra, se têm associado ao descontentamento geral. Estas vozes têm outra sonoridade no seio do governo. Digamos que têm outro “peso”. Espera-se, pois, que, com o aproximar do congresso nacional do PS, as estruturas deste partido no Alto Minho, sozinhas ou acompanhadas pelas de Braga, por exemplo, elaborem uma moção, intervenção (chamem o que quiserem), para dar conta ao Secretário-geral do PS e Primeiro-ministro do erro que está a incorrer em levar avante a implementação cega de portagens e das consequências nefastas para uma região já tão marginalizada como a do Minho.

Chuvas e inundações

Nesta última semana, por todo o Portugal, tem-se visto cheias e inundações. Ponte de Lima não fugiu à regra e viu constantemente algumas vias cortadas devido a inundações. A fúria das águas serviu para, de novo, destapar uma questão antiga, mas sempre pertinente, a do licenciamento de construção em linhas de água.

Ninguém respeita estas linhas, geralmente passam-se anos sem que ninguém dê por elas até que… Aí já é tarde e a culpa, quase como sempre, morre solteira.

segunda-feira, outubro 23, 2006

Alto Minho artigo de 23-10-2006

PIDDAC

"Esses montantes irrisórios para um distrito com tão grandes carências vêm adiar sine die a concretização de inúmeros projectos indispensáveis ao progresso das suas comunidades, potenciando a promoção das assimetrias e constituindo uma severa desconsideração por parte do Governo para com as populações."

Estas palavras poderiam ser sobre o PIDDAC para 2007, pois aplicam-se na integra, mas não, são excertos de um comunicado feito pela Secção do Partido Socialista de Arcos de Valdevez, em 2004, acerca do PIDDAC de 2005 de autoria do último do governo PSD. Estamos em 2006, este é o segundo Orçamento de Estado elaborado pelo governo Sócrates. Pelo segundo ano consecutivo o distrito de Viana do Castelo volta a figurar em último lugar no Plano de Investimento e Desenvolvimento da Administração Central. Pelo distrito ser governado na sua maioria por executivos municipais socialistas, esperávamos outra realidade. Será que iremos ter por parte destes uma posição consistente como a que vimos no passado? Ou a situação orçamental do país serve de desculpa também para este caso?

Mas as más notícias não se ficaram por aí. No dia seguinte, o Ministro das Obras Públicas anunciava a colocação de portagens na A28, entre Viana do Castelo e o Porto. Sem alternativas pois a N13 de nacional apenas tem o nome. Os alto-minhotos vêem-se, assim, na contingência de ou optarem pelas portagens ou voltarem às estradas construídas no tempo de Salazar. Realmente, com o acesso até Vigo sem portagens é caso para perguntar, como o fez este jornal no último número, será que somos espanhóis?

Cartões municipais

O Presidente da Câmara de Ponte de Lima anunciou a criação de um "cartão família". Uma boa iniciativa que proporcionará às famílias limianas, especialmente às mais carenciadas, descontos e bónus em vários serviços municipais. Numa época em que as famílias são tão mal tratadas, esta medida tem, também, uma simbologia contra corrente. Um indicador bastante positivo.

Sensibilizado o edil, espera-se que o concelho de Ponte de Lima veja esta iniciativa alargada, por exemplo, aos jovens com a criação do tão esperado "cartão municipal da juventude". Esperemos que o facto de ter sido uma proposta feita por uma juventude partidária doutro partido, a JSD, não inviabilize a existência de tal cartão.

Cinema

O cinema do Centro Comercial Rio Lima marcou uma geração. Foi lá que pudemos assistir a muitos filmes que marcaram as nossas vidas. Infelizmente, já assim não é. Agora ninguém quer esperar e as novidades cinematográficas estão à distância de 15/20 minutos em Braga ou Viana.

Al Gore, ex-vice-presidente dos EUA, realizou um filme sobre as transformações climatéricas a que todos nós temos assistido. Com o título Uma verdade inconveniente este é, sem dúvida, um filme a não perder. Se descontarmos alguns, poucos, pontos sobre a política interna americana, estamos perante um filme que nos faz pensar na realidade ambiental e a nossa responsabilidade no equilíbrio ecológico do planeta.

Uma proposta: porque não o pelouro do ambiente da Câmara Municipal aproveitar a sala do cinema Rio Lima e organizar uma sessão para os alunos das escolas limianas? Digamos que poderia ser encarada como uma acção pedagógica com o intuito de lançar as bases para uma nova atitude ambiental nos jovens limianos.

segunda-feira, outubro 16, 2006

Alto Minho artigo de 16-10-2006

Desemprego não pára de crescer em Ponte de Lima

A taxa de variação mensal do desemprego registada entre Julho e Agosto, tornada pública pelo Observatório do Desemprego no Minho, volta a crescer em Ponte de Lima.

Embora com tendência a abrandar, o concelho limiano é o único no Minho em que se verifica um constante crescimento, desde Abril deste ano, da taxa de variação mensal do desemprego. Este é o resultado da má política económica que o município tem desenvolvido, na última década, em Ponte de Lima.

O senhor Presidente da Câmara, nas últimas semanas, aproveitando a onda de contestação dos municípios portugueses contra o governo, gabou-se da saúde financeira da Câmara limiana. Infelizmente, muitos limianos não podem fazer o mesmo relativamente à sua situação financeira por enfrentarem a dificuldade do desemprego. Estando a situação financeira do município, e bem, em tão bom estado, seria previsível um desafogar das contribuições dos munícipes. Baixou, é certo, o Imposto Municipal sobre Imóveis, mas será suficiente? Estará em curso a introdução/aumento de outras taxas e impostos? O futuro o dirá.

O autismo, por parte do executivo, em apostar em soluções milagrosas não produziu os melhores resultados na economia limiana. Infelizmente, os parques industriais, já com alguns anos, continuam praticamente vazios, apesar da sua localização favorável. As parcerias com pólos tecnológicos e de educação são quase nulas. E a Universidade do Minho aqui tão perto… Ponte de Lima tem tudo para se tornar numa referência económica na região. Mas, então, o que falta para o ser? Talvez o arrojo que o executivo Campelo perdeu há muito.

40 Km/h

Gaspar Martins, o vereador do Trânsito, dizia, em Maio, à Rádio Renascença, que a medida de redução do limite de velocidade nas estradas municipais limianas para 40 Km/h visava refrear o ímpeto dos aceleras. A entrada em vigor deveria ser antes da chegada dos emigrantes, porque, segundo o vereador, é na altura em que estes visitam a sua terra natal que normalmente se registam mais acidentes. Estamos em Outubro. Há muito que os emigrantes voltaram para os países de acolhimento. A medida está em vigor há dois meses. É tempo de divulgar os resultados.

Os limianos gostariam de saber qual o impacto dessa medida na sinistralidade rodoviária do concelho. Não abstractamente, mas objectivamente, que significado teve na prevenção rodoviária baixar em 10 Km/h o limite de velocidade?

Actividades extracurriculares

O vereador do PSD, Manuel Trigueiro, pediu um esclarecimento ao executivo municipal sobre as actividades extracurriculares no primeiro ciclo do ensino básico. Bastante pertinente esta interpelação, porque, em alguns estabelecimentos de ensino, por motivos ainda desconhecidos, essas actividades aparecem primeiro que as actividades lectivas. É o caso das actividades de Educação Física que dão origem, em algumas escolas, a que as crianças permaneçam durante as actividades lectivas sem a possibilidade de tomarem um banho ou mudarem de roupa. Os pais e os professores estão preocupados e com razão. Com que disposição estarão as crianças para aprender após essas actividades? Realmente não parece que haja muita.

Por vezes, esquece-se a real componente da escola. Será que quem formulou esses horários pretendia colocar as actividades lectivas nos intervalos das extracurriculares? Se não foi assim, parece.

segunda-feira, outubro 09, 2006

Alto Minho artigo de 09-10-2006

Novo desafio

Gueto tem uma conotação de segregação, marginalização, isolamento. Imagino que o vereador da cultura ao afirmar, em entrevista à rádio “Ondas do Lima”, que sempre existiram guetos nas Feiras Novas, “…o dos feirantes, o das farturas, o dos divertimentos…”, não queria realmente dizer o que disse, pois não? As Feiras Novas querem-se amplas, integradoras, abertas, onde as bandas de música convivem com as concertinas, onde os mais velhos se divertem com os mais novos.

Aproveitando a referência ao vereador da cultura, agora que o seu mandato faz um ano, talvez não fosse má ideia dizer o seguinte. Este verão, no tocante à animação, foi realmente diferente dos anteriores. O pelouro responsável parece ter continuado o longo despertar que iniciou no ano passado. É certo que em 2005 a aposta de verão foi bem melhor, Xutos são Xutos, mas este ano houve realmente um esforço para que existisse uma programação de animação. Não foi a melhor e pecou pela falta de originalidade, na minha opinião não obteve os resultados esperados, mas fez-se algo. Foi um pouco precipitado realizar quase todas as actividades no espaço rebaptizado de EXPOLIMA. Este espaço ainda não reunia/reúne as condições necessárias. O festival de verão foi disso exemplo. A falta de protecção acústica, por exemplo, é uma falha condenável, já para não falar das paupérrimas instalações sanitárias ou do espaço envolvente. Mas há aqui algo que me parece positivo, que poderá ser aproveitado num futuro bastante próximo. Talvez esteja aqui a gene para transformar a EXPOLIMA num autêntico espaço de divertimento com algumas semelhanças com as Docas de Lisboa, o Cais de Gaia ou o conceito da Marina de Viana do Castelo.

Haja coragem política e a zona de S. João poderá transformar-se numa referência que dispensa festivais de verão “enlatados”. Aí sim, as Feiras Novas, Ponte de Lima e o norte de Portugal ganharão um novo espaço de diversão de qualidade.

Pano de Boca

O Teatro Diogo Bernardes comemorou os 110 anos da sua fundação. Nessa comemoração inaugurou-se o novo Pano de Boca. Parecido com o anterior, de autoria de Eduardo Reis (obrigado José Sousa Vieira), tem um pormenor interessante, a roupa a secar no areal. Um pormenor da vida limiana ao qual eu ainda assisti, mas que a geração agora com dezoito anos dificilmente lembrará. Fruto do desenvolvimento, máquinas de lavar e água canalizada, eco da melhoria das condições de vida.

Mas a pintura do novo Pano de Boca reflecte também como tem sido mal tratado o nosso areal. O automóvel tomou conta de todo o espaço e o areal de areia já quase não existe.

Sem ilhas, sem grandes gastos, é tempo de olhar para este espaço de outra maneira. Sendo que é um importante e estratégico local de estacionamento, não pode, no entanto, ser ocupado na íntegra por este. A limitação da lotação com a divisão do areal em dois parece ser sensata. Num dos lados continuar-se-ia a permitir o estacionamento gratuito dos automóveis, de fora ficariam os pesados, no outro criar-se-ia um local aprazível de ligação da vila com o rio. Propostas de leigos como eu há muitas, eu sei, o importante é encontrar soluções de técnicos que optem por uma que não deixe morrer o areal limiano. O importante é que o poder político tenha a sensibilidade necessária para devolver o areal às pessoas.

sexta-feira, setembro 29, 2006

Alto Minho artigo de 29-09-2006

Pergunta

Começar o artigo com uma pergunta é talvez um pouco estranho, no entanto, não resisto a fazê-la. Aquando das primeiras notícias na comunicação social nacional sobre a má qualidade das águas do rio Lima nas praias do Arnado e dona Ana, a Câmara Municipal asseverou que esta situação se devia a esporádicas descargas poluentes, prometendo, logo de seguida, uma investigação para descobrir o poluente ou os poluentes. Ora, como no mês de Agosto a interdição da praia do Arnado se manteve, parece ter havido bastante tempo e matéria para a investigação. Assim, surge a pergunta: quais são os resultados dessa investigação? Se não têm os resultados finais, agora que já começou o Outono, deveriam divulgar pelo menos os resultados provisórios. A este assunto deve a Câmara Municipal e o seu pelouro do ambiente dar toda a importância e prioridade possíveis. Ainda alguém se lembra da lenda do Lethes?

Veritas

Aos políticos deveriam impor que de tempos a tempos olhassem para o espelho. Não para se auto-elogiarem, ou admirarem, mas para se confrontarem com a sua persona bem como com a parte referente ao passado desta.

O que se tem vindo a passar na Assembleia Municipal é deveras lamentável e criticável. Das duas uma, ou um dos deputados municipais do PS, confrontado talvez com o ambiente da Assembleia Municipal, cede a cada reunião a uma possível amnésia perturbadora da sua clarividência, fazendo-o confundir os seus desejos com a realidade confirmada, inclusivamente, judicialmente, ou então o PS limiano embarcou no caminho da sua própria descredibilização ao tentar reescrever o passado (tique da velha esquerda estalinista). Imagino que não seja este o caminho traçado pelos responsáveis concelhios do PS. Aliás, admirava-me bastante que assim fosse. Como não o é, o PS limiano só tem um caminho, a retirada da confiança política nesse seu membro da Assembleia Municipal. Se o não fizer, é porque é conivente e, portanto, demonstra que, afinal, com este tipo de comportamento não é, de todo, alternativa ao actual poder.

Vindimas

Por causa do meu avô, Arlindo Gomes de Matos, irei sempre associar o fim de Setembro às vindimas. Mal vejo um tractor com as dornas, lembro-me logo do meu avô e de como, com ele e com o seu fiel amigo Sheik, assisti durante anos, nas minhas férias escolares, à vida anual do "fazer do vinho". A poda, a sulfatação, a vindima, o engarrafar do vinho... A vindima e a poda eram as minhas preferidas. A poda juntava uns senhores simpáticos que apareciam invariavelmente em grupo, montados nas suas velhas bicicletas. Sempre me fascinou o seu bailado com os escadotes e as tesouras, cortando e atando cirurgicamente os ramos da videira. As vindimas, para além de juntarem mais gente, homens e mulheres, tinham como ponto alto o almoço servido ao ar livre numa mesa grande, onde se juntavam todos os participantes que faziam desfilar várias estórias e histórias.

Nestes últimos anos, tem-se ouvido ciclicamente que as instalações da Adega Cooperativa de Ponte de Lima poderiam vir a ser deslocadas para outro local. Promessas que não encontram financiamento, finanças que não se compadecem com promessas. Infelizmente, ou não, a importância da agricultura na economia limiana já não é a mesma de há vinte anos. Em Ponte de Lima, tão afamada terra do vinho verde, a agricultura parece ter-se tornado cada vez mais um hobbie caro de exercer.

segunda-feira, setembro 25, 2006

Alto Minho artigo de 25-09-2006

Feiras Novas, o dia depois

Depois do fim-de-semana das Feiras Novas este artigo tem inevitavelmente que as abordar.

As Feiras Novas começaram com a inauguração da iluminação da zona histórica. Esta é uma das imagens características das festas limianas. Para este ano foi anunciada uma surpresa. Esta, de facto, existiu, embora pareça consensual que foi negativa. A iluminação da Ponte Medieval e da Igreja de Santo António, comparativamente com todos os anos transactos, foi uma desilusão.

O que melhorou bastante foi a circulação na Avenida dos Plátanos. A proibição de vendedores do lado do rio foi uma boa medida que devolveu este espaço aos visitantes.

Outra das mudanças foi o fim da música gravada no centro histórico. A afluência foi menor a esta zona, mas, mesmo assim, bastante para continuar a marcar as Feiras Novas. Sentiu-se, no entanto, a desilusão de muitos visitantes que já não voltaram no domingo. Azar o deles? Talvez.

Do centro histórico, a música gravada e os bares de bebidas brancas e cerveja foram para a Feira do Gado, a EXPOLIMA. Sinceramente não me parece que a pretendida segurança tenha sido alcançada neste recinto. As cercas, o próprio local, as boxes para receber o gado, onde se encontravam os bares, não têm condições para este tipo de concentração de pessoas. A vigilância policial ficava-se pelas saídas e o descampado do próprio recinto foi palco para outros voos. Vários têm sido os epítetos atribuídos a este espaço, o mais conhecido e que estava na boca de todos era o de Vietnam. O país que me surgiu imediatamente, após uma passagem por lá, foi a Colômbia… e não foi pelo café.

As bandas de música na sexta-feira, uma vez mais, marcaram positivamente as festas. Foi uma noite realmente fantástica, podendo-se ver pessoas de todas as idades a divertirem-se com as músicas e a “performance” das bandas.

Sem a visita do Bob Geldof ou da Angelina Jolie, o cortejo etnográfico deu a conhecer as tradições limianas e algumas inovações das mesmas. Este cortejo é, sem dúvida, a grande mostra das raízes culturais do nosso concelho. Sempre imperdível. No final, a manifestação dos pais da Gemieira foi bastante aplaudida.

A Alameda de S. João ainda não conseguiu que as concertinas de outros anos voltassem. Com a proibição de música gravada, é agora um espaço onde se pode encontrar muito churrasco, mas que cada vez mais é apenas uma passagem para a EXPOLIMA.

As concertinas concentram-se no Largo de S. João, no Largo de Camões e na zona da Matriz. Muito Vira, Chula, muitos tocadores, mas senti a falta das cantigas ao desafio, este ano, difíceis de encontrar.

O fogo de artifício, um dos maiores investimentos da festa, esteve à altura. Pena o vento, no Domingo, teimar em levar o fumo dos morteiros para a zona da ponte nova.

Milhares de visitantes chegam a Ponte de Lima de automóvel. As filas são inevitáveis e o estacionamento caótico, as principais entradas ficam simplesmente bloqueadas. Este ano, embora com algumas peripécias na sinalética vertical, o trânsito foi bem orientado. Claro que os principais prejudicados são os moradores, mas, para nós limianos, este fim-de-semana vale o sacrifício. Já para os visitantes… Era vê-los a desviar as barreiras para logo a seguir conseguirem estragar todo o trabalho dos responsáveis, aumentando o nível de stress dos que cumprem as regras.

As Feiras Novas parecem ter encontrado uma encruzilhada, um novo desafio. A Comissão de Festas terá que escolher o caminho a percorrer a partir de agora. Ou se aposta numas festas, com menos pessoas é certo, mas com uma componente marcadamente tradicional e popular, ou se aposta na integração das várias componentes que as Feiras Novas têm vindo nos últimos anos a reunir. A criação de guetos, uns para os que gostam de música gravada, por exemplo, e outros para os que não gostam, não é certamente a solução. A escolha tem que ser bem ponderada. A responsabilidade será posteriormente atribuída.

sexta-feira, setembro 15, 2006

Alto Minho artigo de 15-09-2006

"A malta já está cansada..."

Com o fecho da escola da Gemieira ficou mais clara a falta de decisão e de coragem do município limiano. Este caso, que já se arrasta desde o princípio do ano, tem sido tratado da pior maneira pelos responsáveis municipais. O Vereador da Educação, não assumindo a responsabilidade política na decisão do Município de encerrar a escola, resolveu, em Fevereiro, dar a garantia de que a DREN, como se fosse esta a verdadeira responsável, já não iria proceder ao encerramento e de que a escola abriria de novo as suas portas no ano lectivo seguinte. Com isto, os protestos terminaram.

O ano lectivo começou e a escola fechou.

Assim, a Gemieira voltou a protestar e ameaça mesmo fazê-lo de forma mais veemente nas festas concelhias. O responsável da educação, agora secundado pelo Presidente da Câmara, voltou a não proceder da melhor maneira. Não se trata aqui de uma excepção, trata-se de se poder ou não confiar naquilo que o Vereador da Educação afirma, porque, se em Fevereiro afiança uma coisa e passados seis meses declara o contrário, futuramente a cada afirmação permanecerão sempre dúvidas. Evocar a Carta Educativa, que não pode ser o "bode expiatório", é incoerente, pois todos sabem quem é o responsável por esta. Evocar a sua votação é demonstrativo que as afirmações de Fevereiro tinham, talvez, outro objectivo.

Com esta trapalhada, a Câmara e o seu Presidente ficaram mal vistos, o Vereador da Educação bastante fragilizado. Lamentável, quando todo isto poderia ter sido evitado se este assunto, de tamanha importância para as crianças e encarregados de educação, fosse tratado de outra forma.

"Quero ir às Feiras Novas..."

A luz, os sons, os cheiros... Ei-los a despertar novamente os sentidos em mais umas Feiras Novas: o convívio com os amigos, muitos de fora, mas já contagiados pela alegria limiana, vivido ao extremo durante as "nossas" festas. Os divertimentos, carrinhos de choque, carrossel e tantos outros experimentados inúmeras vezes avidamente. As barracas dos jogos de vídeo e os matraquilhos, palco de vitórias gloriosas. O pão com chouriço antes e já bem depois dos fogos de artifício. As cantigas ao desafio, a chula e o vira por todas as ruas limianas. No largo de Camões, as bandas de música pela noite fora e ao meio-dia os Zé-pereiras e os gigantones. As castanhas assadas, a anunciar o Outono. Os cortejos com a alegria das gentes das freguesias. A música pelas ruas. Bares, cafés e tascas apinhados de gente. A procissão da padroeira. A fanfarra dos Bombeiros, os cavalos da GNR, a pompa do poder civil. No final, a saudade. A Comissão de Festas respira de alívio e começa a preparar as do próximo ano.

São assim as Feiras Novas. Cada geração com o seu contributo e vivência. Acima de tudo, uma festa do povo limiano. São já este fim-de-semana.

Boas notícias

Na reunião desta semana, o Executivo Camarário de Ponte de Lima, tal como o de Valença na semana passada, resolveu baixar a taxa de IMI. Uma boa decisão, uma vez que até agora os limianos pagavam a taxa máxima. Assim, o Presidente da Câmara cumpre com uma promessa feita no ano passado à oposição. Como seria bom que houvessem mais notícias como estas.