terça-feira, março 13, 2007

Alto Minho artigo de 13-03-2007

PSP

O posto da PSP irá continuar em Ponte de Lima. O comissário João Amaral garantiu, após reunião com o Ministro da Administração Interna, que o posto a PSP, como é necessário, irá permanecer em Ponte de Lima. Mais tarde a notícia foi confirmada pelo Presidente da Câmara, Daniel Campelo, e pelo Presidente da Assembleia Municipal, Abel Baptista, que, também eles, no mesmo dia, se reuniram com o mesmo ministro. Alguns não gostaram muito desta decisão. Paciência.

Mas, a “sua causa” não está de todo perdida. O governo deu com uma mão mas parece pronto para tirar com a outra. Daniel Campelo veio falar de pequenas arestas por limar neste processo, que, na verdade, de pequenas não têm nada. O governo prepara-se para retirar da vila de Arcozelo, da freguesia da Feitosa e da freguesia da Ribeira o patrulhamento misto, passando-o em exclusivo para a GNR. Isto quer dizer que a PSP, embora mantendo o seu posto, retira-se das freguesias mais próximas da sede do concelho, precisamente aquelas onde faz sentido manter-se. Estas freguesias integram a cintura urbana, são zonas de crescimento da própria sede do concelho, onde é já difícil verificar onde começa uma freguesia e acaba a outra, onde a tradição histórica, no caso da Além-da-Ponte em Arcozelo, por exemplo, sempre integrou este bairro como mais um da “vila”, pese embora o rio que o separa dos outros e o facto de administrativamente pertencer a outra freguesia.

A concretização desta pretensão do governo, e a Câmara Municipal tem a obrigação acrescida de demonstrar ao governo o erro desta situação, nada mais significa que a PSP começou, de facto, a retirar-se de Ponte de Lima. Daqui a uns tempos os critérios populacionais voltam a ser os vigentes e aí alguns, já rosados de felicidade, poderão cantar: vitória, vitória acabou-se… a PSP em Ponte de Lima.

quinta-feira, março 08, 2007

Alto Minho artigo de 08-03-2007

Proposta

O vereador da cultura proponha, na reunião do Executivo Municipal do dia 12 de Fevereiro, mudar o feriado municipal para a terça-feira posterior às Feiras Novas. Como argumento usou os exemplos dos feriados do Porto e Lisboa que coincidem realmente com o dia de festa. Terça-feira? Mas esse é o dia onde tudo está fechado, onde nada se passa em Ponte de Lima, é o dia mais morto do ano… Se o argumento fosse esse, talvez viesse a encontrar quem o apoiasse (já que está tudo fechado e está) mas, pelos argumentos usados, não parece ter sido esse o objectivo. Para ser coerente com a fundamentação apresentada talvez teria sido melhor o vereador referir a segunda-feira de Feiras Novas, não? O Presidente da Câmara, provavelmente assolado pela mesma dúvida, retirou esse ponto da discussão e tudo ficou como dantes…

Uma coisa é certa, que este é um assunto que deveria suscitar algum debate, lá isso deveria, até porque o feriado actual nada parece dizer aos limianos. No princípio de 2006, o então deputado municipal independente, eleito nas listas do PSD, Francisco Abreu Lima, defendia que o feriado deveria passar para o dia 4 de Março, dia da outorga, por Dona Teresa, do foral a Ponte de Lima. Porque não?

terça-feira, março 06, 2007

Alto Minho artigo de 06-03-2007

Mercado Municipal

Desde o princípio do século XX que os limianos viviam com o edifício do Mercado Municipal, umas vezes com maior actividade outras com menos, mas todos, de todas as freguesias, conheciam o Mercado. Durante anos fomo-nos habituando aos comerciantes, alguns ainda se lembrarão do “Conacha”, por exemplo, e das lojas de flores, das peixarias, dos talhos, das lojas de frutas… Várias foram as gerações da mesma família que labutaram lá. No final do século XX principio do XXI, a Câmara Municipal de Ponte de Lima decidiu fazer obras de intervenção no edifício. Mas, o que parecia uma intervenção de requalificação, transformou-se numa obra de descaracterização do espaço. Apesar do novo edifício que lá nasceu, perdeu-se toda a componente humana. Os lojistas quase que desapareceram, e os cheiros da fruta, das flores, o aroma próprio, tão querido em outras paragens, foram descartados pelos valores astronómicos pedidos pelas novas lojas e pela nova visão que a Câmara tinha para aquele espaço.

A verdade é que, após pouco mais de um ano, já se previa onde a “nova visão” iria levar. Na altura, o novo edifício era ocupado, em parte, por animais vadios que conspurcavam o espaço, o mercado propriamente dito, o de sábado, era uma visão daquilo que já tinha sido. A tal defesa do mundo rural, tão propagada por alguns políticos, foi ali exposta na sua mais cruel realidade…

A aposta cultural não passou de uma tentativa, tendo apenas o concelho ganhado um espaço, sem grandes condições, para a realização de esporádicos e pequenos concertos de musica, funcionando como que uma discoteca improvisada.

Mercado Municipal… Onde está? Morreu e hoje pouco mais é que um edifício sem grande identidade local, onde alguns investidores abriram e fecharam lojas, lojas como todas as outras, longe, bem longe, do espírito que já lá um dia existiu.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Alto Minho artigo 27-02-2007

Será como a lenda do D. Sebastião?

Todos ainda se lembrarão do ano anterior às eleições autárquicas. Estarão recordados de Montenegro Fiúza, activista cívico, Montenegro comentador, Montenegro político. Neste último caso recordarão a forte intervenção que tinha. Com o aproximar das eleições a dinâmica criada pelo então líder do PS local era considerável ao ponto de criar, não diria nervosismo, mas alguma “comichão” aos outros candidatos. Mas eis que após as eleições tudo se esfumou, Montenegro Fiúza deixou a vereação. As motivações e justificações poderão ser muitas e perfeitamente plausíveis, mas as promessas feitas, inclusive no encerramento de campanha, não foram cumpridas. As pessoas que votaram no PS como voto de esperança, de novidade foram defraudadas. No fundo o presente ficou aquém do embrulho.

O PS tem assim um problema. Montenegro Fiúza mais cedo ou mais tarde quererá voltar, que explicação dará nessa altura o PS ao eleitorado? E onde fica o actual líder concelhio, Jorge Silva? Montenegro Fiúza terá muito que caminhar para limpar o estigma que a sua escolha lhe firmou.

Crise nas autarquias

Com as constantes notícias sobre casos nas autarquias muitos serão os que neste momento pensarão duas vezes sobre a sua conduta passada e presente. Ninguém pode negar, há, de facto, a necessidade de uma maior transparência na vida das autarquias. Ao contrário da mulher de César, que além de ser deveria parecer, não basta parecer é preciso ser. E muitos são os autarcas que escondidos deixam o rabo de fora.

Uma coisa é certa, ninguém, que ocupe um cargo público com uma conduta, política ou pessoal, que não se coadune com o mesmo, pode pensar que está a salvo, que se pode esconder. A verdade, já diz a sabedoria popular, vêm sempre “ao de cima”.

Mais uma Assembleia Municipal

Ser membro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, é com certeza, um dos lugares mais ingratos que alguém pode exercer. A influência dos membros é mínima ou nula; da parte dos que dominam a assembleia, os do CDS, não há independência ou, por outra, não existe uma visão crítica face ao desempenho do executivo. Os membros da maioria, absolutíssima, aos quais se juntam ainda alguns dos presidentes da junta, apenas servem para que a Assembleia Municipal cumpra como que o rito de existir. Imagino a frustração política daqueles que ao serem eleitos pensaram que, agora sim, poderiam influenciar positivamente as políticas camarárias, influenciar a vida da comunidade e que, na conjuntura actual, se vêem como uns simples piões que servem apenas para levantar ou não a mão ao ritmo do maestro.

É preciso dar outra dignidade à Assembleia Municipal, a deslocalização das sessões é positiva, mas não chega. É necessário criar comissões temáticas de trabalho que, de uma forma descomprometida, trabalhem em prol do concelho, encontrando políticas, indicando problemas e resoluções. O Presidente da Assembleia tem a obrigação de não deixar que esta Assembleia Municipal passe a ser apenas um pró-forma.


Caríssimo Nuno,
Li com muita atenção e interesse a tua coluna "Prometo Ser Breve", subordinada ao título "Será como a lenda do D. Sebastião", publicada no Bissemanário "Alto-Minho" do dia de hoje (27.Fevº.2007). Naturalmente que a liberdade de opinião é uma realidade no Portugal democrático, onde cada um é livre de exprimir o seu ponto de vista face a qualquer situação. Porém, ao expressarmos qualquer representação do nosso espírito ou qualquer sensação que nele se origina, devemos ter o cuidado de conhecer a realidade ou, de algum modo, conhecer os contornos dessa mesma realidade, sob pena de nos depararmos com verdades sofismáveis.
Neste contexto, agradeço sensibilizado a preocupação que revelaste para com o "líder concelhio" do PS, nomeadamente, com a tua inquietação sobre "onde fica" Jorge Silva. Pessoalmente, devo dizer-te que me encontro relativamente bem no tempo e no espaço, e que estou extremamente bem, não só com a minha consciência, mas também com a postura sócio-política e acção desenvolvida.
Para quem não conheça a minha actividade no âmbito do Executivo Municipal, estou completamente dísponivel para facultar, verbalmente ou por escrito, todos os dados/documentos julgados mais convenientes, com a vista a dissipar qualquer dúvida.
Quanto às alusões ao Partido Socialista, de igual modo, devo referir-te que a agenda do Partido é organizada e definida pelos Militantes Socialistas, pelo que, não se subordina a outro tipo de ditames.
Creio ter ajudado a esclarecer alguma confusão de ideias subjacentes no artigo jornalístico supra mencionado.
Sempre ao dispor, aceita um abraço amigo de Jorge V. Silva



sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Alto Minho artigo 23-02-2007

Informação

Não sei se será da herança das já três décadas de governação CDS ou mais especificamente dos doze anos que Daniel Campelo leva a comandar os destinos do concelho de Ponte de Lima, mas é notória a falta de apetência deste executivo camarário para a abertura e divulgação da informação. O controlo é grande, não existe um interlocutor, apenas um vice-presidente da Câmara que faz de porta-voz das reuniões do executivo, mas, claro, sem deixar espaço à normal curiosidade dos jornalistas em aprofundar a matéria. Os munícipes deveriam ter acesso às minutas e actas das reuniões da câmara, saber inclusive o que lá se irá passar. Actualmente, até os vereadores da oposição, por exemplo, apenas sabem o que irão discutir na sexta-feira anterior às reuniões e de uma forma muito, mas mesmo muito, genérica.

Hoje, com a tecnologia disponível, não há justificação para esta forma de actuar, a não ser, talvez, a dificuldade que este executivo tem vindo a demonstrar em adaptar-se e em abrir-se aos novos tempos.

Por falar em informação

Bem sei que o vereador da cultura, juventude, educação e desporto à ideia da construção de uma nova biblioteca contrapõe a aposta que o município tem feito nas bibliotecas escolares. Embora uma coisa não impeça a outra, até se compreende a lógica deste pensamento, mas cada vez menos. A realidade é que o que está a acontecer em Ponte de Lima é uma sucessão de políticas avulsas que se vão sobrepondo umas às outras, não deixando espaço para uma só política integrada na área cultural.

Os museus, o dos Terceiros irá ser finalmente inaugurado no dia 4 de Março, a Biblioteca Municipal, as bibliotecas escolares, o Arquivo Municipal, o Centro Internet e mais alguns serviços deveriam ter uma só política integrada, criando, assim, uma rede de informação municipal. Esta seria apenas uma das potencialidades dessa rede de informação municipal, porque poderia ser expandida a outros serviços da Câmara, como por exemplo o das obras. Seria óptimo criar-se a possibilidade de acompanhar em tempo real o nosso processo de licenciamento de obras bastando para isso uma password para ligação à rede.

A edificação de uma biblioteca nova, necessidade gritante que qualquer utente da actual biblioteca sente, poderia ser aproveitada para centrar aí a coordenação da dita rede de informação municipal na vertente cultural. O edifício no centro histórico, que actualmente alberga a Biblioteca Municipal, poderia ser aproveitado para albergar o fundo antigo bem como exposições permanentes sobre algumas das mais marcantes personalidades limianas.

Questões ainda pendentes, sem resposta

Durante todo o verão, por causa da má qualidade das águas, as praias do Arnado e Dona Ana estiveram interditas. O vice-presidente e vereador do ambiente da Câmara limiana, Vítor Mendes, afirmou na altura que se iria fazer um levantamento sobre as causas e os culpados. Qual é o resultado desse levantamento? Quem foram os culpados e o que lhes aconteceu? O que se tem feito para prevenir e melhorar a qualidade das águas junto à ponte velha onde tantos jovens se banham?

O vereador Gaspar Martins entregou o pelouro das Feiras e Mercados. Sendo que este vereador é o “decano” do executivo Campelo, seria necessária uma explicação convincente que ainda não existiu. Será que a manifestação dos feirantes, logo depois deste pelouro ser assumido pelo Presidente da Câmara, teve alguma relação com essa mudança? Terá Campelo perdido a confiança política no seu, até aqui, braço direito? Ou terá sido o vereador a perder a confiança no Presidente?

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Alto Minho artigo 13-02-2007

Obviamente…

As forças de segurança retiram-se, as urgências passam a “serviços básicos”, as escolas fecham, as direcções dos serviços da administração central deslocam-se para o distrito vizinho, etc, etc. Algo não bate bem. Ou o governo vendeu o distrito de Viana do Castelo ou então quê-lo transformar em “terra de ninguém”, talvez entre o “inimigo” galego e Portugal.

As últimas notícias sobre encerramentos recaem nas escolas EB23, aquelas que foram construídas nas últimas duas décadas. Não se percebe como se aceitam as cartas educativas aprovadas nos dois vales do Alto Minho e depois, isto… Ao que parece, segundo o deputado e presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, Abel Baptista, tudo não passa de um capricho de um qualquer funcionário do Ministério da Educação.

Tudo fecha, tudo se desloca, e os nossos responsáveis? Infelizmente a desunião do distrito dá nestas coisas.

Como não há eleição para Governador Civil, não há prestação de contas ao eleitorado mas sim a quem o nomeou. Assim sendo, quando vê o seu distrito esventrado por uma política cega e se sabe os seus nefastos resultados, só restam duas alternativas, ou se demite de fazer algo, ficando para a história como ajudante de cangalheiro, ou faz frente, não tendo receio de demonstrar o erro do governo nem de, se necessário, apresentar a demissão do cargo não sendo, assim, conivente com a delapidação do seu distrito.

Gemieira e a zona industrial

A maior zona industrial de Ponte de Lima, a da Gemieira, tem um aspecto decrépito, de abandono. As promessas e esperanças foram muitas mas a realidade não se compadeceu com estas. Enquanto as zonas industriais do concelho vizinho de Arcos de Valdevez se enchem de novas empresas e industrias, a da Gemieira vê duas das cinco que lá laboram fechar as portas.

Um dos maiores problemas do concelho é o desemprego e não se pode culpar a região ou a conjuntura. A verdade é que grande parte deste resulta de más opções políticas de quem governa para mais de uma década. A falta de um plano estratégico para o concelho dá os seus frutos e não há medidas avulsas, que num ano existem e no outro já são uma miragem, que mudem esta situação.

Freguesias

Na reunião de há quinze dias da Câmara Municipal de Ponte de Lima ficou esclarecida uma verdade para a qual a oposição já vem alertando há muito, a Câmara Municipal tem como princípio apostar na sede de concelho em detrimento das freguesias.

A propósito do não investimento directo da Câmara Municipal no Monte da Madalena, na freguesia de Fornelos, o vereador Gaspar Martins foi dizendo que "as pessoas não vão à Madalena porque a vila oferece tudo o que precisam". Esta é uma frase que define na perfeição a política da Câmara para com as freguesias. Estas são apenas a paisagem que dá o pitoresco ao desfile das Feiras Novas ou à já anunciada Feira dos Cavalos.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Alto Minho artigo 06-02-2007

Para quê?

Sempre pensei que o Governador Civil, para além da função de agente político do governo, fosse também o principal porta-voz da população do seu distrito. Infelizmente, em Viana do Castelo, não parece ser o caso. Sempre que há uma reunião entre o Governador Civil e o governo, este trata logo de avisar previamente que não espera alcançar nenhum resultado. À partida já está derrotado.

Depois de ouvir as declarações do nosso Governador Civil sobre a reunião que o juntou com o Ministro que tutela as polícias, parece que podemos depreender que a PSP está condenada a sair de Ponte de Lima e o seu comando passar para Braga.

É por estas e por outras que volta e meia há quem se questione acerca da necessidade de Governadores Civis.

União das Regiões de Turismo

O governo quer, alguns autarcas também, Defensor Moura, autarca de Viana do Castelo, prefere ficar sozinho a contar navios.

Certamente a questão económica terá um peso enorme para a união da Região de Turismo do Alto Minho com a Região de Turismo do Verde Minho, mas não se pode esquecer que há também uma razão de escala.

Se pensarmos seriamente, pelas suas características até que faz sentido unir estas regiões. Mas, ao fazê-lo, que se faça de forma correcta, e essa forma passa por localizar o "centro de operações" no distrito de Viana do Castelo, na região que tem, de facto, maior capacidade logística.

Mas, e Francisco Sampaio, o senhor turismo no Alto Minho, onde fica no meio disto? Sampaio fez um bom trabalho, o Turismo do Alto Minho deve-lhe muito, mas é preciso saber quando se deve parar, quando se deve retirar. Esta é a melhor altura para uma saída com a grandeza que merece.

Editora Municipal

Por vezes a Câmara Municipal parece ter uma editora municipal, tal é o seu envolvimento na edição de alguns livros. Não me parece errado, bem pelo contrário, que a Câmara Municipal, através do pelouro da cultura, tenha uma política de apoio e incentivo à edição. Há, no entanto, que ter em atenção alguns aspectos a começar pela definição de parâmetros que levarão, ou não, ao tal apoio. Estes deverão ser públicos, não deixando lugar para ambiguidades.

A política não poderá ser a dos lindos olhos do autor, mas deverá ter em conta a mais valia cultural que essa publicação trará ao concelho e, sempre que corresponder aos tais parâmetros predefinidos, o autor poderá contar com o apoio municipal para a edição (divulgação).

Já agora, e por falar em edições, o que foi feito da revista municipal? É que nem on-line nem em papel. Será mais um projecto "fogo de artifício" da Câmara Municipal? Ou já não interessa como veículo publicitário?

terça-feira, janeiro 30, 2007

Alto Minho artigo 30-01-2007

As "guerras" centristas

O limiano Abel Baptista volta a candidatar-se à distrital de Viana do Castelo do CDS-PP. As eleições, que, ao que parece, já se deveriam ter realizado, serão muito em breve. Baptista é da linha de Nuno Melo, ou seja, do grupo afecto a Paulo Portas, crítico da liderança de Ribeiro e Castro. Daniel Campelo foi afastado do partido por Paulo Portas, ainda nos lembramos da sua candidatura à Câmara Municipal de Ponte de Lima como independente, sendo actualmente afecto a Ribeiro e Castro.

A luta pela liderança distrital do CDS-PP poderá ser bastante interessante e talvez indicativa do futuro político destes dois protagonistas em Ponte de Lima.

Deixará Ribeiro e Castro que a única distrital detentora de uma câmara municipal esteja posicionada com a sua oposição interna? Será Campelo "obrigado" a tomar a iniciativa de candidatar-se para segurar a distrital alto-minhota para Ribeiro e Castro? Talvez o aceno com um lugar de deputado europeu seja motivador. É que o actual mandato não está a correr de feição. O cansaço é cada vez mais visível e o rumo há muito que foi perdido, a economia limiana bateu no fundo, os comerciantes definham, os jovens não têm emprego, o centro histórico é cada vez mais um cadáver, as novas taxas e tarifas penalizam essencialmente aqueles que mais precisam, e uma saída airosa era sempre bem vinda.

Já para Abel Baptista manter a distrital é essencial aos seus objectivos políticos. É um tiro no escuro, mas tudo aponta que a actual liderança nacional não irá aquecer o lugar por muito mais tempo. Mas se esse não for o caso e ficar mais algum tempo, rapidamente poderá inverter a posição inicialmente tomada, até porque a liderança de Ribeiro e Castro precisa de apoios como de pão para a boca.

On-line

Na reunião do executivo municipal de há quinze dias a oposição, no período antes da ordem do dia, abordou dois assuntos já algumas vezes tratados neste espaço. O vereador do PS, Jorge Silva, questionou o executivo sobre a aplicação de acesso wireless à Internet no centro histórico; o vereador do PSD, Manuel Trigueiro, pediu que as actas das reuniões do executivo estejam disponibilizadas on-line.

Esperemos que o executivo esteja receptivo a estas propostas, a primeira das quais já começa a ser uma realidade em várias localidades e é uma forma de chamar gente ao centro histórico e aos jardins, porque não. A segunda proposta é básica numa democracia participativa e numa altura em que as possibilidades tecnológicas o permitem.

Infelizmente, a Câmara limiana parece arredada do pelotão das que já abraçaram as potencialidades das novas tecnologias, pondo-as ao serviço do cidadão. Mas esse é só o início do problema, os nossos representantes não parecem querer reagir. O executivo municipal parece cansado, funciona de forma lenta, não reage, perdeu o folgo de outros tempos.

Já agora, seria bom que a juntar às actas das reuniões do Executivo Municipal se actualizassem as que se encontram no espaço da Assembleia Municipal, é que as que estão lá, apenas duas, são de 2002... Cinco anos depois lá continuam como marco daquilo que poderia ter sido mas não foi. Que dizer?

terça-feira, janeiro 23, 2007

Alto Minho artigo 23-01-2007

Um Domingo de passeio

Já várias vezes tinha ouvido falar nas papas de sarrabulho de Ponte de Lima. O Vieira, que é de lá, é que diz que não são papas de sarrabulho, essas são de Braga, de Ponte de Lima é o Arroz de Sarrabulho. Para mim era tudo igual, mas, como um dia li no JN que haviam criado uma confraria, o referido arroz deveria ser coisa boa!

No domingo, logo a seguir aos anos da minha sogra, utilizando esse pretexto, levei a família ao “arroz”. Preferi apanhar a A28, aproveitando ainda não se pagar portagens, e, uma horita depois, estava a estacionar junto da "ponte romana". Os miúdos pareciam ter combinado com a minha sogra e queixavam-se de que já não aguentavam mais, que tinham que ir à casa de banho. A minha sorte é que a ponte estava mesmo ali e, por baixo daquelas pedras milenares, a família lá se aliviou. Satisfeito, olhei em redor e verifiquei que perto se encontrava um magote de gente, mesmo em frente a um restaurante. Que sorte! Se havia assim tanta gente é porque seria bom. Três horas depois estávamos a sentar-nos. Já ninguém aturava os miúdos e a minha sogra bocejava algo imperceptível, mas que certamente teria a ver com o falecido, o meu sogro. Encomendado o repasto e respectivo acompanhamento líquido, esperámos um pouco. Aproveitámos para fazer planos para o resto do dia, mas eis que chegam as travessas. Tantos rojões e tanto arroz - vou pagar e já sei que não vou comer!

Sinceramente não encontrei nenhuma diferença relativamente às papas de Braga, ai se o Vieira me ouve… Duas horas depois já me custava levantar, agora sei qual a sensação dos crocodilos, que vejo na televisão aos domingos de manhã, depois de comerem. Propus ainda uma visita aos tão afamados jardins. Atravessámos a ponte, afinal a romana é só depois da igreja junto a um bairro com as casas a cair (não é só lá na terra que as há), e voltámos a perguntar onde ficavam os ditos jardins. Que tínhamos que descer pela escada de ferro e andar aí uns quinhentos metros. Depois de mais uns comentários da sogra, decidimos dividir o grupo. O mais velho ia comigo aos jardins e a mulher, a sogra e a pequenina iam indo para o carro. O passeio junto ao rio é bom, mas não se compara com o cais de Gaia onde geralmente passámos as tardes de domingo, quando não vamos para o shopping. Confesso que me custou percorrer os tais quatrocentos ou quinhentos metros, mas os jardins são interessantes. Foi pena a mulher não os ter visto, talvez pudesse tirar alguma ideia para a marquise...

Chegados de novo à ponte, comprámos umas castanhas e algodão doce. O frio já se fazia sentir e o sol era já uma miragem que se ponha por detrás de umas bombas de gasolina. Antes de partir, avisei logo que tínhamos que chegar a tempo de ver o Benfica pelo que iríamos pela auto-estrada. Nunca pensei que numa cidadezinha como esta custasse tanto chegar à portagem, eram só autocarros, muitos de lá da terra, a fazer com que o trânsito engarrafasse.

O passeio valeu a pena. Não pela qualidade do arroz, que, ao contrário do que diz o Vieira, não me pareceu muito diferente das papas de sarrabulho, mas pela quantidade. É que nos fartámos de comer e ainda sobrou tanto… Bem sei que esperámos, mas ao que comemos não pagámos muito.

Não me parece que voltaremos lá tão cedo. A sogra fartou-se de criticar (que se esperou, que é longe, que...) e os miúdos dizem que mais vale ir para Gaia, sempre têm o McDonalds.

(Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência)

terça-feira, janeiro 16, 2007

Alto Minho artigo 16-01-2007

Só vemos o que queremos
Realmente há uma tendência em algumas pessoas para apenas quererem ver até ao seu umbigo. Perguntei neste espaço, na sequência da mensagem natalícia do Presidente da Câmara, se a Autarquia limiana tinha comparticipado na recuperação do Lar Dona Maria Pia, isto por achar natural, dada a natureza e finalidade daquele edifício, que o tivesse feito.

A resposta, como sempre, não chegou, mas as reacções, essas sim, fizeram-se ouvir. Infelizmente, alguns ainda se regem por algum complexo nada coerente com a idade que aparentam. Parece-me que há a obrigação do Estado (Administração central e, mais ainda, a local por se dizer mais próxima dos cidadãos) proteger os mais desfavorecidos dos seus cidadãos e, quando não o poder fazer directamente, promover as iniciativas de quem lhe toma o lugar nessa tarefa. É aqui que o assunto parece incomodar alguns. Estes dizem que o Estado só deve apoiar aqueles que o necessitem (certo), pelo que entendem que a Autarquia, no caso do Lar Dona Maria Pia, procedeu bem em não ajudar a Santa da Misericórdia de Ponte de Lima por esta ser detentora de muitos bens, isto é, por ser, digamos, “rica” (errado).

Chegamos à fase de explicar, face ao que parece ser o pouco alcance da visão de alguns, uns pontozinhos. O Lar não é para os "irmãos" da Santa Casa passarem lá temporadas, não é nenhum spa, hotel de charme ou sequer pensão explorada pela "instituição de solidariedade social". O Lar Dona Maria Pia destina-se a utentes femininos que, e não é por acaso, são entregues pelo próprio Estado ao cuidado da "instituição".

Já agora, se o Estado deve ajudar alguém não deverá ser àqueles que ao gerir bem o seu património provaram que saberão gerir o de todos nós (Estado)? É por isso estranho que, no caso concreto da Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, a Câmara Municipal só se lembre desta para putativas localizações para outra não menos putativa deslocação da Adega Cooperativa de Ponte de Lima.


É cultura...
As questões culturais e a sua programação são sempre tema para discussão. O gosto de uns não é o de outros, como se sabe. Cabe, no entanto, aos responsáveis pelas agendas culturais "dar" ao público o que este quer e não o que ele, enquanto responsável, considera que o público deveria querer. Nesta altura já alguns dizem, "cabe ao Estado educar os seus cidadãos...", isto, claro, seguido de uns vitupérios a mim dirigidos.

Pois bem, Nuno Soares, director da Casa das Artes do vizinho concelho de Arcos de Valdevez, é um exemplo reconhecido no campo da programação cultural no Alto Minho. Numa vila do interior do distrito, este responsável foi capaz de criar público em áreas culturais que pareciam quase aberrações para a região. O festival de cinema "Fantas" é um exemplo disso mesmo. Mas a actividade cultural de excelência neste concelho não se fica por aí, já se deixou há muito de se poder contar pelos dedos das mãos as exposições, actuações, etc, que, a juntar às grandes cidades do país, Lisboa, Porto, Coimbra, escolheram também a vila alto-minhota dos Arcos de Valdevez como palco.

Em Ponte de Lima podemos continuar a dizer, como o Presidente da Câmara recorrentemente o faz, que a programação cultural é das melhores, o público é que não percebe, que adere apenas pontualmente a algumas iniciativas, mantendo o nosso autismo cultural, ou então seguimos exemplos como o citado, apostando na qualidade, certamente, mas sempre de encontro ao próprio público.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Alto Minho artigo 12-01-2007

Navio Almirante

Nas grandes armadas antigas a liderança das mesmas estava a cargo do chamado Navio Almirante. Era ele o impulsionador de toda a frota, desde o rumo, até à liderança, todo o processo estratégico passava por ele.

No nosso distrito, o Navio Almirante está ferido. Viana do Castelo parece definhar, sem um rumo, sem liderança, sem estratégia e até parece querer que a restante armada siga o seu rumo suicidário. Ao invés de marcar um rumo, teima na política do orgulhosamente só. O resto do distrito, pelo contrário, vai caminhando. É certo que sem uma estratégia de unidade, mas com algum sentido. Braga começa a ser um forte atractivo e para concelhos como Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Ponte de Lima é cada vez mais evidente a vantagem de uma associação a um pólo que emana real atractividade em sectores como o emprego, formação e qualidade de vida. O Eixo Braga-Guimarães-Barcelos é cada vez mais uma referência na nova economia das tecnologias da informação. E o nosso distrito? Parece que se satisfaz em fazer parte das zonas economicamente deprimidas, onde quem devia liderar se omite de o fazer. Todos os seis meses se fala na urgência da unificação do distrito e todos os seis meses se encontram novas desculpas para o não fazer. Urgências, postos das forças de segurança, etc, vão fechando um pouco por todo o distrito e mais uma vez não se ouve a voz deste, antes a voz isolada de alguns autarcas. Viana do Castelo já não tem visão para além do umbigo, que é o mesmo que dizer para além da Polis. Nós, os do Pagos, já não somos merecedores da sua atenção, assim resta-nos ser indiferentes aos seus problemas (já se ouve, “a ponte Eiffel continua fechada? Azar a dos vianenses…”) e encontrar outra liderança. Ponte de Lima tem um papel fundamental em não deixar o distrito afundar. Se Viana do Castelo não reassumir a sua obrigação, há que pensar seriamente em reformular prioridades nem que para isso seja necessário alterar o paradigma vigente. A verdade é que a falta de uma liderança no distrito tem sido causadora da inexistência de políticas comuns e de estratégicas em áreas fundamentais como a captação de investimentos ou a criação de valências.

Cartões municipais

Estou certo que a intenção é boa, criar cartões municipais para os munícipes usufruírem de vantagens em serviços municipais e não só. É, no entanto, um desperdício de recursos. Geralmente estes cartões destinam-se a camadas etárias específicas, nomeadamente para jovens ou para idosos. A nível nacional, já existem cartões semelhantes, como é o caso do Cartão-Jovem destinado às camadas jovens. Assim sendo, não faz sentido criar um novo cartão, quando já existe um com uma abrangência incomparavelmente maior. O que faz sentido é ampliar, a nível concelhio, os serviços onde as vantagens inerentes a esses cartões possam ser aplicadas. Sem duplicação de custos, o resultado é o mesmo que o pretendido inicialmente.

Já agora, se o objectivo é uma descriminação positiva para os habitantes do concelho, há sempre a hipótese de acrescentar o Bilhete de Identidade na identificação para a obtenção de um desconto específico.

Sugestão de leitura

No começo deste novo ano deixo uma sugestão de leitura, "Limianas" de António Ferreira, um livro de poesias. O meu exemplar é uma 2ª edição de 1949 que contem umas notas explicativas deliciosas, onde o autor canta de uma forma magistral a Ribeira-Lima. Se não o possuem, procurem-no na Biblioteca Municipal pois vale a pena ler ou reler.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Alto Minho artigo 05-01-2007

O melhor de 2006

Uma das figuras que mais se destacou, no ano transacto, no campo da política foi Abel Batista, Presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, Deputado e líder distrital do CDS-PP. Batista conseguiu afirmar-se, saindo da sombra de Campelo, e tem sido uma das vozes mais activas da região em Lisboa. As urgências, a PSP... Está claramente, e pacientemente, a preparar a sua candidatura à Câmara Municipal nas próximas eleições autárquicas.
O PSD e o PS limiano merecem também uma menção. O PSD, ainda que mais recentemente, conseguiu ultrapassar a pesada derrota eleitoral e está, neste momento, a reestruturar-se internamente. Mudou de liderança, Barreto sucedeu a Trigueiro, e já se afirma na Assembleia Municipal. No Partido Socialista, Montenegro Fiúza saiu e a liderança passou para Jorge Silva que, num estilo muito próprio, mais "low profile" relativamente à liderança de Fiúza, tem mantido a intervenção a um nível inédito no PS limiano.
No desporto, o destaque vai para Nuno Barros. Atleta limiano de canoagem, no passado ano ganhou, consecutivamente, provas nacionais e internacionais envergando quer a camisola do clube de Ponte de Lima, quer a da selecção nacional. O outro destaque vai inevitavelmente para a Associação Desportiva "Os Limianos" que, no final da última época, venceu tudo o que havia para vencer. É aqui que entra também o seu presidente, Adelino Tito de Morais, que, liderando uma equipa coesa, conseguiu vencer o próprio destino a que os "Os Limianos" pareciam estar fadados, a sua extinção.
No campo cultural, o destaque vai para o apoio editorial do município. Realmente, se há algo em que o pelouro da cultura se tem esmerado, é no campo da edição de livros. Desde, por exemplo, Teófilo Carneiro - "Poesias e outros dispersos", até José Ernesto Costa - "Crónicas de um outro tempo", vários foram os livros que o município apoiou na sua edição. De realçar também David Peres que mantém a sua galeria de arte contra todas as expectativas negativas que não lhe auguravam muito tempo de existência. Quase só o facto de existir e de ser privado faz manter um nível cultural que por vezes parece arredado de Ponte de Lima.
No âmbito da dita sociedade civil é incontornável o relevo para a mobilização de centenas de pessoas por todo o concelho para as actividades de "Um dia pela Vida". Assim ficou provado que os limianos são solidários e activos, precisam é de causas.

Os votos de Natal

São sempre interessantes os votos de Natal dos vários responsáveis de cargos públicos, de responsáveis da dita sociedade civil e de responsáveis religiosos. A Rádio Ondas do Lima foi porta-voz de muitas dessas mensagens de líderes locais e regionais.
O Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, na sua mensagem apelou à solidariedade e ao contributo de todos para uma sociedade mais solidária. Esse apelo levou-me a pensar no lar D. Maria Pia, lar para raparigas desfavorecidas, pertença actual da Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, que presta um serviço essencial para a vida de tantas utentes e que recentemente viu o seu histórico edifício ser alvo de uma remodelação profunda. O serviço à comunidade prestado nesta casa é inegavelmente importante, um serviço que, aliás, deveria ser prestado pelo Estado. Resta uma dúvida. Qual foi a comparticipação da autarquia na recuperação do dito edifício? Não será esta merecedora da solidariedade do município?

sexta-feira, dezembro 22, 2006

Alto Minho artigo 22-12-2006

Vergonha na Assembleia

Realmente deve ter sido vergonha o que assolou a sala em determinada altura na última sessão da Assembleia Municipal de Ponte de Lima. Quando se iniciava a discussão do Plano e Orçamento, tinha começado a sua intervenção Manuel Pires Trigo, eleito do Partido Socialista, dá-se uma debandada quase geral dos membros da maioria. A retirada não parecia organizada. O ruído instalou-se e houve até quem jurasse que viu alguns membros em pânico. O motivo? Tinha começado uma das discussões mais importantes, "qui sait" a mais importante da Assembleia Municipal, e eles, provavelmente, nem tinham lido o documento em discussão... Ou então, talvez, ninguém lhes tivesse dado indicação do quanto esta era importante, apenas lhes terão dito, por ventura, que a votação é que importaria.

É lamentável a falta de respeito, a prepotência que a maioria CDS, bem como alguns representantes das Juntas de Freguesia, demonstraram nesta sessão da Assembleia Municipal. Esta auto-omissão na discussão do documento que traça o rumo do concelho no próximo ano demonstra o valor que dão ao cargo que desempenham. Será esta atitude representativa do respeito que estes eleitos nutrem pelos seus eleitores? No mínimo lamentável.

É inegável que o paradigma do poder autárquico precisa de mudar. Mas, enquanto não há coragem política a nível nacional para o mudar, seria bom que todos os eleitos fizessem por merecer a confiança que os eleitores lhes depositaram.
Mas disse-o

Campelo disse, em forma de repreensão às críticas da oposição na Assembleia Municipal, que o que se pôde ler na comunicação social sobre o seminário "Ponte de Lima, Terra Rica da Humanidade", se traduziu, no seu entender, em deturpações não contextualizadas de algumas afirmações suas. Não se pretendia um seminário virado para fora? Deturpações não contextualizadas? Rico resultado... Ah, pois... Eu também tive que trabalhar nesse dia e não pude assistir ao seminário, não posso então falar sobre isto, não é senhor Presidente...? Peço desculpa.

Só é pena o Presidente Campelo não ter tido "tempo" para explicar, na Assembleia Municipal, o que quis dizer com a comparação do sarrabulho ao IKEA. Ai... Peço desculpa, é verdade, já me esquecia que não estive lá, mais uma vez peço desculpa... Estes "perversos" jornalistas fazem-nos fazer cada figura ridícula...

Campelo continua um mestre no que concerne à retórica, às técnicas argumentativas e até à demagogia, mas isso já produziu os seus resultados noutro tempo, há muito tempo. Os tempos são outros, as necessidades dos limianos são outras. O que se quer são respostas aos muitos problemas que assolam a vida de todos nós no nosso concelho. Pensa o Executivo que Ponte de Lima poderá ter futuro se recusar a industrialização, a actual e não a do século XIX, que o Presidente Campelo referiu na Assembleia?

Observações

A noite está fria, sente-se o manto vindo do rio atingir as casas, o nevoeiro dá um ar cinematográfico à rua. Ouve-se uma gota escorregar no telhado. É o orvalho. O cookie espreguiça-se junto ao aquecedor ignorando o piar do pássaro nocturno que teima em escolher o velho carvalho vizinho como poiso. O silêncio é interrompido pelo som de passos leves, mas determinados, percorrendo a velha rua. Adolescentes em férias de Natal no regresso de uma "noite". O sino ecoa, primeiro um, depois outro e ao longe ainda outro. Há coisas que não mudam. Ainda bem.
Boas festas.

terça-feira, dezembro 19, 2006

Alto Minho artigo de 19-12-2006

Decisões/Apoios

Na semana passada este jornal noticiou que foi atribuído o primeiro lugar do prémio RECRIA (Regime Especial de Comparticipação na Recuperação de Imóveis Arrendados) a um edifício recuperado no centro histórico de Viana do Castelo. A recuperação foi feita ao abrigo do projecto RECRIA, onde a câmara vianense, não pelo apoio financeiro, que existiu mas foi parco, mas sobretudo pelo apoio técnico, teve um papel fundamental.

Em Ponte de Lima, nada. Por vezes, os cidadãos limianos, ou limarenses como alguma elite cultural gosta de dizer, chegam a indagar-se se serão eles vistos como inimigos pela Câmara Municipal. Talvez fosse tempo de introduzir incentivos reais para os que querem recuperar património no centro histórico limiano. A começar pelo mais básico. É que só o custo de todas as licenças, arqueólogos e afins, faz com que a vontade de investimento na recuperação dos imóveis por parte dos proprietários seja muito pouca e até nenhuma ou por vezes mesmo incomportável. Entretanto, o centro histórico vai definhando. A ocupação humana é cada vez menor e não são os serviços, para que algumas, muito poucas, casas estão a ser recuperadas, que o vão salvar. Sem gente não há negócio que sobreviva. Sem pessoas não há centro histórico.

Um bom critério

Escrevo estas linhas antes da reunião da Assembleia Municipal, mas não tenho dúvidas, até porque a composição da assembleia não dá margem para elas, quanto ao desfecho das votações. É pena, porque o concelho limiano merecia mais ambição.

Além do Plano e Orçamento, entre outras coisas foi a votos a compra de uma quinta no lugar de Antepaço, na vila e freguesia de Arcozelo. É estranha a justificação dada pelo executivo para proceder a esta compra. A aquisição, segundo o vice-presidente da Câmara, vai ao encontro do Plano de Urbanização (PU) que se encontra em estudo. Ora, se se encontra em estudo... Razão tem a oposição ao afirmar que quando o PU da zona urbana de Ponte de Lima for aprovado já não terá qualquer utilidade.

Não é estranho?

O director deste jornal optou por não dar muito relevo à problemática do referendo ao Aborto. Por assim pensar, não posso deixar de concordar que esta é uma questão de consciência e formação pessoal, logo do foro íntimo de cada pessoa. Cada um deve ter a liberdade e espaço total para tomar uma decisão em consciência. Não resisto, no entanto, a afirmar a minha estranheza por ver um governo de esquerda preocupar-se tanto com a ajuda, financiada por todos nós, às mulheres e aos casais que querem abortar e a não propor nenhum incentivo, nenhuma medida de ajuda para aqueles que decidem ter filhos. Bem pelo contrário, vêem-se fechar maternidades um pouco por todo o país, vêem-se fechar urgências hospitalares, veja-se o caso concreto do nosso distrito, e tudo isto puramente por motivos economicistas. O apoio e incentivo à maternidade/paternidade não existe nem parece estar nos horizontes do governo, que, cada vez mais, prende as suas atenções a causas estéreis.

Estranho critério de investimento da esquerda moderna...

terça-feira, dezembro 12, 2006

Alto Minho artigo de 12-12-2006

Entrevistas no âmbito do projecto "Ponte de Lima, Terra Rica da Humanidade"

Percebo que no âmbito do projecto "Ponte de Lima, Terra Rica da Humanidade" se entrevistem os titulares de cargos políticos. Gostei muito mais da entrevista de Franclim Sousa, vereador com os pelouros da Juventude, Desporto, Educação e Cultura, que a do presidente Campelo, mais preocupado em se desculpar e em atacar os que não concordam com as suas políticas que em revelar o rumo que pensa para Ponte de Lima.

Já não percebo, tendo em conta que os cargos políticos em democracia são efémeros, porque não se entrevistam, no mesmo âmbito, os líderes dos partidos da oposição. Afinal de contas, também estes têm um papel importante, consagrado democraticamente, no futuro de Ponte de Lima. Tenho a certeza que os limianos gostariam de saber o que estes têm a dizer sobre o futuro de Ponte de Lima.

Algo está mal quando se quer um debate e depois só se ouve uma parte. Mesmo entrevistando pessoas da sociedade civil, que muito têm a dizer sobre Ponte de Lima e que são um prazer ouvir, não se justifica o afastamento dos partidos da oposição, que legitimamente tem representação na Assembleia Municipal e que participam activamente nos destinos do concelho.

Plano e Orçamento

É já na próxima reunião da Assembleia Municipal que se irá votar o Orçamento e Plano para o ano de 2007. Ao contrário do esperado, o Executivo Municipal apresentou um documento sem qualquer tipo de inovação, sem um rumo, sem garra.

Não basta rever os orçamentos dos anos transactos e acrescentar umas vírgulas ou uns pontos. Este documento deve reflectir aquilo que o executivo espera alcançar no próximo ano. Deve traçar um rumo onde, por exemplo, seja visível o que a Câmara quer fazer em conjunto com as Juntas de Freguesia. Que rumo quer para o concelho.

O documento em votação é um conjunto de generalidades muito parecido com o que os partidos costumam fazer nos seus manifestos eleitorais. E este documento deve ser muito mais que um manifesto generalista. Onde estão os casos concretos? Darei a título de exemplo um caso sobre o qual já escrevi no passado, o do parque para Pesados. Não foi comprada uma quinta, junto à saída da auto-estrada da Ribeira, anunciada para a construção deste? Onde é que está no Orçamento e Plano prevista a sua construção?

Ponte de Lima precisa de muito mais para além de generalidades.

Casa do Turismo/Centro de Negócios, onde está?

Na última visita do Presidente da Republica, Jorge Sampaio, a Ponte de Lima foi inaugurada a Casa do Turismo. Estimada em 900 mil euros, iria, segundo a autarquia limiana, complementar a oferta turística da região. Ali seria oferecido aos empresários, principalmente para os que operam em Turismo, um Centro de Negócios.

Pois bem, o Presidente da Republica já é outro há quase um ano e do tal Centro de Negócios, nada. Apenas um edifício vazio e fechado, popularmente conhecido por "micro-ondas".

Isto é ter um rumo para o concelho?

sexta-feira, dezembro 08, 2006

Alto Minho artigo de 08-12-2006

Incongruência?

Algo não se enquadra nas declarações proferidas pelo Presidente da Câmara no seminário Ponte de Lima Terra Rica da Humanidade. Então afirma que gostava do projecto de instalação da IKEA em Ponte de Lima e o achava interessante, e, simultaneamente, afirma que este nada iria resolver? Então por que era interessante? Porque é que o Presidente da Câmara gostava de ver esse investimento em Ponte de Lima, se não iria resolver nada?

Claro que comparar a importância de um projecto como o IKEA ao valor da gastronomia não faz qualquer sentido. Cada um tem o seu valor e nenhum pode ser menosprezado, antes acarinhado. Mas há que reconhecer que o investimento industrial é deveras importante para qualquer região, tenha esta ou não uma gastronomia própria e característica. O tecido empresarial, industrial limiano tem que se expandir e variar nas áreas de investimento.

Campelo parece resignado ao não investimento em Ponte de Lima. A sua aposta em mega-investimentos não resultou e isso é visível nos parques industriais que ao fim de alguns anos continuam vazios e ultrapassados pelos dos concelhos vizinhos.

Existir uma tentativa de resposta a esta situação é salutar, mas dizer que esta é melhor que a anterior apenas porque não a conseguimos atingir assemelha-se à reacção de um menino mimado. Além do mais, parece que voltamos ao erro de apostar tudo numa só vertente. E se não resulta?

Tem que haver respostas

O pelouro das Feiras já não é tutelado por Gaspar Martins. Não se sabe se foi o vereador que devolveu o pelouro ou se foi o presidente que o retirou. O facto é que o presidente da Câmara volta a tutelar directamente este pelouro.

O vereador em causa não é um qualquer na nomenclatura governativa do CDS. Gaspar Martins tem secundado Campelo desde o início, é o vereador mais antigo sendo o homem forte do aparelho do CDS em Ponte de Lima. Esta mexida não pode ficar sem explicações. Os limianos merecem saber o porquê desta retirada/entrega de pelouro. É o vereador que perdeu a confiança no presidente ou o presidente que perdeu a confiança no vereador? Quem sabe nenhuma das anteriores...

Passeios e bons exemplos

Muitas vezes dou por mim a percorrer alguns recantos magníficos do concelho de Ponte de Lima. Espaços como o Cerquido, onde se vislumbra uma panorâmica fantástica sobre o concelho, mas, que, durante o verão, viu a mata que embutia os seus acessos ser destruída pelos incêndios. Parece ser triste a sina destes espaços que tudo têm para serem marcos obrigatórios no turismo em terras limianas. Pena ninguém parecer interessado em lá intervir.

O pelouro da cultura, no passado mês de Novembro, demonstrou que sabe e pode fazer. Desde apresentações de livros com uma qualidade acima da média, homenagens a figuras marcantes com exposições anexas em locais bem escolhidos, até a colóquios de temáticas bastante interessantes, várias foram as actividades. Assim deveria ser durante o resto do ano. Parece ser longo, mas, se é este o caminho, é o certo.

quinta-feira, novembro 30, 2006

Alto Minho artigo de 30-11-2006

De novo os protestos

Os pais dos alunos da freguesia da Gemieira voltaram à comunicação social. As promessas feitas pela Câmara Municipal não estão, na perspectiva destes, a ser cumpridas.

A forma como a Câmara Municipal de Ponte de Lima tem vindo a abordar toda esta questão não tem sido a melhor. A falta de coragem, numa primeira fase, em assumir claramente o rumo e, posteriormente, o deixar andar ao abrigo de um disfarçado consenso para mais tarde actuar foi um mau princípio. Este tema, pela sua sensibilidade, merecia ser abordado de outra forma.

O vereador da Educação questionado pela comunicação social remeteu para o Presidente da Câmara. No passado, o Presidente da Câmara apenas intervinha para tentar remediar os danos. Será, então, que esta atitude tem significado político? Sendo que o vereador em causa é um dos que mais intervêm publicamente, perante esta atitude, a resposta é claramente positiva. Depois de retirar a responsabilidade da Feira ao vereador Gaspar Martins, ainda não explicada, estará o Presidente a preparar-se para assumir a Educação?

Opções e questões

Na passada semana, a população da freguesia da Feitosa reuniu-se para discutir um assunto de interesse colectivo. O motivo foi a possível (?) construção de uma rotunda no cruzamento que dá acesso a uma superfície comercial. A nova rotunda passará a servir, também, outra superfície comercial que lá está a ser construída. De facto, a construção de uma rotunda neste local custa a compreender ainda para mais quando esta superfície poderia ter como acesso a estrada nacional. Juntar os acessos das duas grandes superfícies num só local será a melhor escolha?

Com a solução que se perfila, a freguesia da Feitosa vê o principal acesso ao seu centro cívico aumentar significativamente o fluxo de trânsito com tudo o que de mal daí advém. Não existirá alternativas?

Participação cívica

Não sei qual é o problema de algumas pessoas que por um lado se queixam da falta de participação cívica e por outro parecem querer controlar a que existe. Se alguém quer participar civicamente deverá, segundo estes, fazê-lo em "locais próprios", entenda-se assembleias e afins, ou então em locais criados, por eles, como é evidente, especificamente para o efeito. Quem opina criticamente noutros locais então, e certamente, cairá no descrédito. É que essa opinião “não é respeitada nem pelos seus amigos” dizem eles. Se querem mesmo fazer a diferença, façam-no com toda a liberdade, em locais mantidos por nós, aí sim podem criticar ou então “dizer bem”. Eis a mensagem desses "impulsionadores" da participação cívica.

Pois eu acho que a participação cívica assenta num pressuposto essencial que é a liberdade. Cada um é livre de se exprimir, democraticamente, onde quiser, sobre a forma que lhe aprouver. Em jornais, em vídeo, em fotografia, em revistas, na rádio, na TV, etc. E, vejam lá, que até mesmo em blogs...

segunda-feira, novembro 20, 2006

Alto Minho artigo de 20-11-2006

Museus

A Igreja de Santo António dos Frades Franciscanos e a dos Terceiros bem como todas as dependências circundantes constituem o Museu dos Terceiros. Se se considerar que ainda existe um Museu Rural nos Jardins Temáticos, Ponte de Lima tem dois museus. Mas será isto verdade? Tratar-se-ão de museus ou de depósitos? É que ninguém dá por eles. Se um parece um depósito de alfaias e instrumentos agrícolas votados a um quase abandono, sem qualquer divulgação ou explicação, o outro foi sujeito a obras que lhe restabeleceram a dignidade passada. No entanto, continua, aparentemente, fechado sendo apenas utilizada uma valência para alguns (especiais?) casamentos.

Os museus têm outra conotação e função. São espaços vivos e abertos, espaços de atracção e memória, onde podemos não só encontrar o passado, mas compreender o presente, espaços de divulgação histórico-cultural, são essencialmente espaços de projecção cultural. Infelizmente, não é assim em Ponte de Lima.

Em dias cinzentos

Tentar passar a ponte de N.S. da Guia é um pesadelo. Nas horas de maior fluxo de trânsito, com o mau tempo associado aos buracos e ao mau piso, que as “obras de santa Engrácia” parecem teimar em não corrigir, instala-se o caos na entrada mais movimentada da vila de Ponte de Lima.

Até quando se manterá assim? Será que o responsável pelo pelouro do trânsito ainda não se apercebeu desta situação? É que isto já dura há vários meses e vai agravar-se ainda mais com as condições atmosféricas adversas? Que é preciso mais acontecer para se tomar uma atitude que ponha cobro a esta situação?

Se o objectivo era impor o limite de velocidade dos caminhos municipais, 40 km/h, também nas estradas nacionais, parabéns. Objectivo atingido!

Os intocáveis

Há temas, em Ponte de Lima, que por vezes parecem ser "vacas sagradas", intocáveis. Se alguém levanta alguma questão sobre algum desses temas, os sinos tocam logo a rebate.

O tema das "pedreiras" é um deles e não o deveria ser. Por ser verdade que têm um peso inegavelmente elevado na economia limiana não pode este peso continuar a ser a eterna justificação para sobrelevar o que de mal lá se passa. Bem pelo contrário. Há muita coisa criticável que, a bem da própria sobrevivência do sector, deverá ser alterada.

O factor ambiental, por muito que custe a alguns, está previsto no Decreto-Lei nº 270/2001 pelo que deverá estar sempre presente em todo o processo. Não é preciso nenhuma formação específica, não é preciso “ir a Coimbra” para verificar que a questão ambiental tem sido, com alguma regularidade, relegada ao esquecimento. Querem melhorar? Muitos empresários estão a fazer esforços nesse sentido? Ainda bem, ao procederem assim demonstram ter noção de que o que estava não poderia manter-se por muito mais tempo, pois apontava um caminho suicidário.

É de louvar o esforço que a Junta de Freguesia de Arcozelo e a própria Câmara Municipal (convenhamos que muito mais a Junta que a Câmara, o PDM é inacreditável) estão a fazer nesse sentido. Pouco a pouco, se esse esforço se mantiver, o sector irá encontrar o caminho não só da sustentação socio-económica mas também da preservação ambiental.

terça-feira, novembro 14, 2006

Alto Minho artigo de 14-11-2006

Desemprego

Ponte de Lima, definitivamente, parece ter conquistado o prémio de fidelização na permanência no vermelho na taxa de variação mensal do desemprego, segundo o Observatório do Desemprego do Minho da responsabilidade da Plataforma Minho.

Desde o princípio do ano que lá estamos. Mês após mês. Desde lá, várias foram as empresas que fecharam as suas portas, quantas é que abriram? Que é feito dos emblemáticos projectos, estandartes de campanhas eleitorais, que ainda há poucos anos eram apresentados como uma solução milagrosa para todos os problemas?

São precisas medidas urgentes de captação de investimento. Medidas com objectivos e destinatários concretos. A começar pelos empresários limianos que têm sido sucessivamente esquecidos.

É urgente que a Câmara Municipal torne público o que está a fazer neste campo, o que pensa fazer para inverter a actual situação.

Exemplo

No primeiro fim-de-semana deste mês foi dado um exemplo de cidadania, de sentido de comunidade, de iniciativa. A paróquia de Calheiros inaugurou um carrilhão que custou cerca de 100 000€ pagos na totalidade pela comunidade local. Realmente, é um raro exemplo nestes tempos em que o normal é esperar sentado à sombra do Estado. Um exemplo a seguir.

A comunidade de Calheiros dá também exemplo no campo cultural. O som dos sinos volta a ecoar em Calheiros. Esperemos que este exemplo seja seguido pelas restantes paróquias, relegando os "poluidores" altifalantes ao lugar de onde nunca deveriam ter saído.

Impressões

Seria bom que todos passassem na ponte velha e que, para além de observarem a paisagem, escutassem os comentários dos visitantes que por lá passeiam. É interessante ouvir a percepção e as "teses" que alguns têm da nossa paisagem, da nossa realidade económica e social.

Para muitos, o rio é um exemplo de virtudes, que, tal como na aldeia de Astérix, mantêm, apesar do cerco da poluição, as suas águas límpidas e não poluídas, ao contrário do que se vê por esse país fora. Infelizmente, as constantes análises às águas neste verão vieram demonstrar como esta percepção está errada.

Outros acham que os jardins são muito bonitos e que todos os limianos vivem quase obcecados por eles. Estes deverão ter, de certeza, uma réplica dos jardins em todas as varandas limianas, em cada esquina de todas as ruas. Se esses visitantes passassem pela parte nova da zona urbana, em 2 minutos verificavam que esta em nada difere do subúrbio onde vivem. Zonas verdes só mesmo onde as ervas daninhas nascem…

Talvez a visão dos visitantes seja simples ou então talvez seja o resultado da política de imagem, de fachada. É tempo de passarmos a cuidar do resto da casa. É que, por vezes, os nossos hóspedes poderão enganar-se na porta e entrar na parte íntima da nossa casa e aí, talvez, venham a descobrir que tudo não passa de uma farsa. Fica, assim, a sugestão.

segunda-feira, novembro 06, 2006

Alto Minho artigo de 06-11-2006

Pedreiras

Quando se fala da problemática da extracção e transformação de pedra, em Ponte de Lima, geralmente fala-se das condições desumanas da actividade e também em alguns atentados ambientais. Na realidade, desde a década de 90 que se vem assistindo a alguns casos de verdadeiros atentados ao património de todos nós perpetuados por alguns exploradores da pedra com menos escrúpulos. Felizmente não é a maioria. Mas uma minoria que muito "dá nas vistas".

Não estão em causa as pessoas que vemos geralmente nas bermas da estrada das "pedras finas" e que exercem um dos trabalhos mais pesados do nosso concelho, em condições paupérrimas. O que está em causa é exploração selvagem de um recurso natural pertença de todos.

Este sector está dividido em duas partes, por um lado a da extracção, por outro a da transformação da pedra. O problema começa na extracção. Quantos são os que cumprem as licenças de extracção, os limites, as obrigações pós exploração, etc? Podem alguns tapar o sol com a peneira querendo limitar o debate à arte que sai do cinzel dos artistas, mas o que se vem a observar na Serra d'Antelas (para quem não sabe é aquele monte com aspecto de ter sido bombardeado junto ao monte de Santo Ovidio em Arcozelo) é a destruição do diamante que há anos tem alimentado várias famílias de Ponte de Lima. Por isto mesmo esta atitude não pode ficar impune, algo tem que ser feito.

Não é apenas a questão estética, como alguns gostam de alcunhar este assunto, que está em causa, é, acima de tudo, o património ambiental que todos temos, a responsabilidade de manter e preservar para os nossos descendentes o que está em causa. A exploração tem que ser regrada, aliás como manda a lei. O lucro fácil e ilícito de alguns não deve, não pode sobrepor-se ao interesse colectivo. Da mesma forma que os direitos laborais deverão ser respeitados (basta falar com alguns dos trabalhadores e não só com os patrões, para se encontrar uma realidade por vezes pouco clara), também as questões ambientais deverão estar sempre presentes.

O meu avô, Manuel Ferreira de Barros, foi um dos primeiros industriais da extracção de pedra (designação oficial da altura que em quase nada se coadunava com a realidade) e sei como a actividade era bastante regrada e inspeccionada. Várias eram as licenças, difíceis de obter, que tinham que ser cumpridas à risca. Infelizmente, hoje não parece ser assim e qualquer penedo que apareça no monte é logo bafejado com a sorte de levar com o martelo pneumático.

IKEA vrs. Jardins Temáticos

Comparar o investimento em Portugal da IKEA aos Jardins Temáticos de Ponte de Lima e ao seu possível impacto na economia limiana é pura fantasia retórica. Primeiro porque o IKEA não veio para Ponte de Lima, segundo porque é comparar o incomparável. Mas porque alguns incautos poderão pensar que os Jardins limianos trazem mais receitas para Ponte de Lima que o IKEA, talvez não seja mau escrever o seguinte.

Para os defensores da tese anterior, a boa imagem que os Jardins dão de Ponte de Lima são um pólo de atracção traduzindo-se numa mais valia tal para os comerciantes limianos que o investimento IKEA não conseguiria, certamente, ultrapassar.

Ora, na semana passada, o "Jornal de Negócios" trazia uma notícia onde se podia ler que o IKEA iria implementar três unidades de produção de mobiliário. O investimento, segundo o mesmo jornal, irá ascender aos 135 milhões de euros e irá criar 1.500 postos de trabalho directos e indirectos. A matéria-prima será 60% portuguesa.

Bom, o que são 1500 postos de trabalho comparados com a mais valia inerente à visita de um qualquer presidente de um clube de jardineiros da baixa Saxónia? Mais 1500 pessoas com um rendimento fixo de/a "fazerem" a sua vida em Ponte de Lima?

Realmente não se compara com os rendimentos que os visitantes dos nossos Jardins deixam no concelho limiano.

Serei eu um milhafre?