quinta-feira, abril 12, 2007

Alto Minho artigo 12-04-2007

Páscoa
O dia “acordou” sorridente. Logo pela manhã já ecoava por todo o vele do Lima o rebentar dos foguetes. “Jesus ressuscitou, aleluia!” Eis a frase que desde cedo se começou a ouvir por muitas casas alto minhotas.

A Páscoa em Ponte de Lima ainda é o que era. O compasso a passar de casa em casa, sendo os de Fontão e Vitorino das Donas os mais conhecidos, as pessoas estão mais alegres e receptivas, visitam as casas vizinhas e, porque não, abusam das doçarias. O tempo em que só os párocos lideravam os compassos já lá vai. Na sede de concelho, na paróquia de Santa Maria dos Anjos, podia-se, num primeiro momento, ouvir o pároco José Sousa, Arcipreste de Ponte de Lima, a apelar para o voluntariado e num segundo, a congratular-se pela presença dos jovens.

Realmente a Páscoa, no sentido da vivência humana, ainda se vai mantendo no nosso concelho, fruto da dedicação de muitos que abdicando do conforto do lar, da companhia da família, calcorreiam os caminhos limianos. Lembro-me que já há longos anos passam lá por casa Jorge Ferreira, Carlos Lima e José Maria Rocha. Páscoa após Páscoa, lá aparecem eles mantendo a tradição da visita do compasso pascal.

Este ano o dia de Páscoa terminou de forma bem diferente da que tinha iniciado, a chuva apareceu e dificultou o trabalho dos compassos. Dificultou, mas não impediu. Os voluntários continuaram firmemente, casa após casa, escada após escada, “Jesus ressuscitou, aleluia, aleluia! Paz a esta casa, aleluia, aleluia!”

quinta-feira, abril 05, 2007

Alto Minho artigo de 05-04-2007

Não é só em Lisboa

Pois é, não é só em Lisboa que existem cartazes a "mandar os outros embora". E em Ponte de Lima não é apenas um, mas muitos. Com os dizeres "Em Ponte de Lima seja limpo ou vá embora. Diga não ao lixo" os cartazes apareceram como por magia em todas as entradas do concelho bem como no seu centro histórico. Talvez, estes cartazes tenham sido inspirados por "um" de épocas passadas que asseverava a condenação a três dias de encarceramento a quem conspurcasse o chafariz da vila de Ponte de Lima (vejam a pedra junto ao chafariz no largo de Camões em Ponte de Lima).

Sem qualquer identificação do autor, presume-se que a Câmara Municipal, o cartaz é precisamente a antítese do que se pretende que Ponte de Lima seja, Terra rica da Humanidade. Que Humanidade é essa que não prevê a educação e a sensibilização?

Se é certo que o problema do lixo trazido por alguns visitantes, e não só, é grave, não o é menos a possibilidade de passear entre o largo Alexandre Herculano, no bairro da Além da Ponte, até praticamente ao Mercado Municipal e se poder contar apenas por uma mão os locais para depositar o lixo. Como é grave, também, as zonas de merendeiro não estarem sinalizadas, se é que existem.

Seria melhor utilizar o dinheiro, que se gastou nestes cartazes de gosto duvidoso, para colocar outros cartazes indicando as zonas de merendas, bem como apetrecha-las com as infra-estruturas necessárias à recolha do lixo. A existência de infra-estruturas significaria que quem não cumprisse as regras seria autuado sem complacências. Sensibilização e fiscalização, essas deveriam ser as premissas.

Já agora, seria bom que os responsáveis pelos cartazes assumissem claramente com o seu logótipo (Ponte de Lima Terra rica da Humanidade...?) a sua autoria. Ou será que a falta de assinatura é sintoma de vergonha pela frase escolhida?

terça-feira, abril 03, 2007

Alto Minho artigo de 03-04-2007

A entrevista de Daniel Campelo a este jornal foi de certa forma bastante interessante mas também definidora da pessoa entrevistada. Das zonas industriais até aos seus antecessores, nada escapou à ânsia de se vangloriar.

Infelizmente, Campelo continua a aplicar o seu tão característico método de tratar a verdade. Um político à séria, talvez o único de Ponte de Lima, como alguns gostam de dizer… O próprio Campelo definiu muito bem este tipo de político quando criticou Portas.

Ponte de Lima tem duas zonas industriais, a da Gemieira e a da Queijada. A da Gemieira, por exemplo e como já aqui escrevi, continua na sua maior parte a mato, fruto única e exclusivamente de uma má política económica para o concelho de Campelo. Mas para este, pelo que se poder ler na entrevista, existem também zonas industriais em Arcozelo, Refoios, etc e ainda nos quer fazer crer que as empresas fazem fila para se instalarem em Ponte de Lima. Infelizmente está à vista de todos que essa edílica realidade, que só o próprio Campelo vê, está longe de ser a verificada no concelho de Ponte de Lima.

Para Campelo, agora é que um Presidente da Câmara trabalha. Os outros, João Abreu Lima, Francisco Abreu Lima, Fernando Calheiros apenas liam os jornais e passeavam-se pela vila. Pois é, agora é que o Presidente da Câmara trabalha… Esta forma de rebaixar os seus antecessores para se engrandecer não é a mais justa para o trabalho que em tempos difíceis, bem ou mal, sem os ricos fundos europeus, foi feito pelos seus antecessores.

Campelo confessou o seu desejo em visitar o Canada. Ora este é um bom destino para encontrar o exemplo que procura para as novas zonas urbanas. Poderá encontrar bairros bem projectados, onde as próprias actividades económicas a instalar são planeadas e onde, pasme-se, se encontram zonas verdes, recantos com avisos como "Por favor pise a relva".

Esta é uma entrevista onde Campelo apresenta uma realidade bastante diferente da dos limianos. Uma entrevista onde a mestria da velha maneira de fazer política se volta a revelar.

Fica a dúvida, será que não indo para o Parlamento Europeu ficará Campelo satisfeito com o lugar de director da zona protegida de Bertiandos, S. Pedro de Arcos?

sexta-feira, março 30, 2007

Alto Minho artigo de 30-03-2007

Jardins…

O leitor já se questionou sobre o que fazem aos jardins do Festival de Jardins? Algumas Juntas de Freguesia já manifestaram interesse em ver esses jardins nas suas freguesias a embelezar rotundas, praças, largos, etc. Para espanto, ao ler o Alto Minho ficou-se a saber que o seu destino é o estrangeiro. Uma forma de promoção, dizem. A verdade é que esses jardins poderiam ser colocados ao serviço das populações das freguesias, dos limianos, mas não. Também se poderia promover o festival com a transladação desses jardins para as diversas freguesias limianas, promovendo assim o "concelho florido".

Pois é, quem tinha dúvidas pode deixar de as ter. O Festival de Jardins, como mais algumas políticas desta Câmara, não é para os limianos, ou melhor não é para todos os limianos, é para "inglês ver".

Divulgação

A Câmara Municipal de Ponte de Lima associou-se (paga) à página web http://where-to-invest-in-portugal.com. Nela podemos encontrar alguns dados sobre Ponte de Lima e uma interessante entrevista em forma de convite ao investimento ao Presidente da Câmara. Nesta defende que "as condições de atracção oferecidas para captação de investimento directo estrangeiro relacionam-se com a optimização e conjugação dos diferentes factores de atractividade tais como a fiscalidade, recursos, preços, logística, disponibilidade de mão de obra, que efectivamente existem no concelho e que o diferenciam dos restantes". Realmente é verdade, neste campo a Câmara Municipal conseguiu que Ponte de Lima se diferencie dos restantes concelhos. É que enquanto as zonas industriais de Arcos de Valdevez, por exemplo, estão cheias e preparam-se nesse concelho para a construção de novas zonas industriais, em Ponte de Lima as zonas industriais continuam maioritariamente a mato. Se não acredita, caro leitor, visite a zona industrial da Gemieira e veja com os seus próprios olhos.

Post-scriptum

Nos artigos da semana passada fui identificado como "membro da Comissão Política do PSD de Ponte de Lima". Para quem ainda não sabia sou social-democrata e militante do PSD. Há 4 meses fui convidado para integrar a nova Comissão Política do PSD de Ponte de Lima liderada por João Barreto ao qual acedi.

Quanto à independência dos meus artigos não preciso declara-la aos quatro ventos, pratico-a e os leitores são testemunhas.

terça-feira, março 27, 2007

Alto Minho artigo de 27-03-2007

A Rede de Bibliocafés em Ponte de Lima

A Valimar tem apresentado, ao longo destes anos, alguns projectos interessantes. Dentro destes destaco a Valimar Digital, pese embora as notícias tardem a ser postas em prática, e a Rede de Bibliocafés.

Falemos deste último. Ponte de Lima vai contar com dois bibliocafés, infelizmente os dois serão em edifícios públicos. Nenhum café limiano foi sensível/sensibilizado a/para esta iniciativa e o espírito que parece estar por detrás deste projecto, em Ponte de Lima, terá sido adulterado ou mesmo perdido. Que se saiba o espaço “Ponto Já” não é um café, pois não? A Villa Moraes também não é um café, pois não?

Embora o espaço “Ponto Já” seja um óptimo local de encontro de jovens para a consulta da Internet, entre outras coisas, não será o melhor local para a colocação de um bibliocafé. A não ser que a única coisa que interesse aos responsáveis locais do projecto seja os dados estatísticos que terão que apresentar. Ah, resultados claramente enviesados da realidade, claro.

Um bibliocafé quer-se junto aos jovens, em locais onde não impere o espírito, digamos, “escolar” ou mesmo oficial. Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Caminha e Viana do Castelo parecem ter encontrado boas soluções. Alguns dos cafés escolhidos até poderão ter uma ou outra ligação ao município, mas são cafés no sentido tradicional do termo. São locais informais onde os jovens se juntam naturalmente, tomam café, convivem, discutem e lêem, porque não. Esposende e Ponte de Lima, pelo contrário, parecem ter escolhido o caminho mais fácil e o facilitismo acaba sempre por se pagar.

Voltemos a Ponte de Lima. Não seria bom se um café na zona das escolas ou, por exemplo, no centro histórico, ou noutro qualquer local, aderisse a esta iniciativa? Não teria esta iniciativa outro impacto na comunidade? Que empenho existiu do município para incentivar a sociedade civil a aderir a este projecto? Não terão, à priori, preferido o caminho mais fácil?

Talvez isto seja reflexo da falta de uma política cultural coerente, com rumo e objectivos específicos.

sexta-feira, março 23, 2007

Alto Minho artigo de 23-03-2007

A poesia das palavras

Está quase aí o Festival de Jardins de 2007. Esta é uma (a) das grandes apostas da Câmara Municipal de Ponte de Lima. Claro que o marketing é uma das mais valias deste evento, pelo menos para já. A página web (http://www.festivaldejardins.cm-pontedelima.pt/) deste evento é uma
das melhores conseguidas da autarquia, a anos-luz da da Biblioteca (http://www.biblioteca.cm-pontedelima.pt/), por exemplo.

Recentemente encontramos uma nova funcionalidade, a descrição de outros jardins para além dos do Festival. Ainda bem, assim todos podem constatar que em matéria de jardins, a nossa sede de concelho continua como dantes, e olhem que não é como em Abrantes, na zona nova não existe um único jardim. Eis a política urbana do município mais uma vez na sua realidade. Já agora, a página web é da Câmara Municipal, logo a informação é a oficial.

Voltemos à página web do Festival de Jardins. Uma vez lá, escolha o item "pela vila", (como Arcozelo também é vila, não deveria ser pelas vilas?), e entre os jardins da vila (repito o reparo anterior...) escolha o Jardim Adelino Sampaio. No texto sobre este jardim a dada altura pode ler-se o seguinte, "alerta-se o visitante para o relógio de sol integrado neste jardim, para o Monumento ao Poeta António Feijó e para a Fonte da Vila – não esqueça que, se beber desta água, não mais abandonará Ponte de Lima (… assim reza a tradição…)".

Percebe-se a poesia das palavras, o que já não se percebe é o que na realidade o visitante encontra ao chegar à dita fonte. Uma placa avisa para o facto do consumo daquela água ser impróprio. Assim sendo, o que poderá acontecer ao visitante, depois de beber daquela água, é realmente ficar por Ponte de Lima mas, provavelmente, no "conforto" do hospital Conde de Bertiandos a curar o potencial desarranjo intestinal que esta lhe terá provocado...

terça-feira, março 20, 2007

Alto Minho artigo de 20-03-2007

Momentos decisivos também para o CDS alto-minhoto

Pelo que uma rádio local noticiou, a eleição da distrital do CDS, de Viana do Castelo, já se deveria ter realizado, mas ainda não estão sequer marcadas, e a notícia não foi desmentida pelo líder distrital, Abel Baptista. Porque será? Fará esta situação parte de um plano "portista"?

A distrital de Viana do Castelo do CDS tem a força moral de ser a única no país com uma câmara realmente "centrista", a de Ponte de Lima. No entanto essa “moral” deve-se a Daniel Campelo, que, por sua vez, fez recentemente acusações graves sobre Paulo Portas. Depois das palavras estará disposto Daniel Campelo a passar às acções e conquistar a distrital de Viana do Castelo para Ribeiro e Castro?

Abel Baptista tem desempenhado bem o papel de deputado mas qual o seu desempenho enquanto líder da distrital de Viana do Castelo do CDS? A verdade é que este partido continua com uma fraca representação no distrito. Mesmo em Ponte de Lima, o suposto último bastião centrista nacional, o partido propriamente dito parece ter sido substituído por uma espécie de cultura de personalidade, o "campelismo". Mas, é preciso dizer que a culpa não é apenas do actual líder centrista mas também dos líderes que o antecederam, o maior dos quais o próprio Campelo, que induziram o CDS distrital num caminho interno de terra queimada.

Será que, com tudo isto, Baptista tem realmente a força interna que aparenta ter? Paulo Portas conta com ele para manter a distrital de Viana do Castelo sobre controlo, agora falta saber se os seus "amigos" locais se resignarão a tal sorte.

E Campelo? Depois do que afirmou publicamente sobre o regresso de Portas como reagirá se esse cenário se concretizar? Passa definitivamente à condição de independente? Afasta-se da política partidária, da política activa? Para ser coerente primeiro deve assumir uma candidatura à distrital, se não o fizer, depois do que afirmou, a atitude face a uma vitória de Portas é apenas uma, a de se afastar a fim de evitar levar o CDS em Ponte de Lima para uma situação pantanosa.

No entanto, e na verdade, com toda esta "guerra" nacional, a distrital de Viana do Castelo do CDS poderá vir a ter, no futuro, um papel fundamental, com os seus líderes, provavelmente, a serem chamados a desempenharem responsabilidades nacionais no partido. Resta saber quem eles serão.

quinta-feira, março 15, 2007

Alto Minho artigo de 15-03-2007

Uma verdade regional inconveniente

Um problema anexado à nossa ruralidade é o nosso individualismo. Cada um vê-se a si mesmo e fica feliz com isso. Não existem muitas dúvidas sobre a necessidade de um SAP nos Arcos de Valdevez, os concelhos dos Arcos e da Barca têm uma população muito dispersa e os acessos não são os melhores. Mas daí a usar argumentos do género de que Ponte de Lima não necessita de urgência por estar a 20 minutos de Viana é recorrer à demagogia. Infelizmente, aqueles dois concelhos parecem não desejarem a solidariedade vizinha, o que é, acima de tudo, pena. Mais uma vez a verdade da região veio ao de cima e quase parece já ser uma máxima alto-minhota o "cada um por si… -a não ser que me dê algum jeito envolver mais alguém para atingir os meus fins". Olhem para os exemplos recentes vindos de Viana do Castelo, de Monção, de Melgaço...

"Os de Lisboa" podem não saber muitas coisas, mas sabem quem vale o quê e quanto. Somos uma região pequena, mas, mesmo nesta, 30 mil pessoas não é exactamente o mesmo que 100 mil e 100 mil não é o mesmo que 300 mil. Se se continuar a apostar no micro cosmo, no umbiguismo, bem podem agitar bandeiras os deputados do PCP do Porto (o PCP não tem deputados por Viana do Castelo e os do Porto vêm cá dar uma perninha) ou o do CDS de Viana do Castelo que em nada irá resultar. Infelizmente, no Alto Minho ou se é pelas lógicas nacionais ou pelas lógicas de coutada, não há o intermédio. Mais uma vez é pena porque seria neste que encontraríamos a força, o chamado lobi, para que "os de Lisboa" passassem a respeitar a nossa região.

terça-feira, março 13, 2007

Alto Minho artigo de 13-03-2007

PSP

O posto da PSP irá continuar em Ponte de Lima. O comissário João Amaral garantiu, após reunião com o Ministro da Administração Interna, que o posto a PSP, como é necessário, irá permanecer em Ponte de Lima. Mais tarde a notícia foi confirmada pelo Presidente da Câmara, Daniel Campelo, e pelo Presidente da Assembleia Municipal, Abel Baptista, que, também eles, no mesmo dia, se reuniram com o mesmo ministro. Alguns não gostaram muito desta decisão. Paciência.

Mas, a “sua causa” não está de todo perdida. O governo deu com uma mão mas parece pronto para tirar com a outra. Daniel Campelo veio falar de pequenas arestas por limar neste processo, que, na verdade, de pequenas não têm nada. O governo prepara-se para retirar da vila de Arcozelo, da freguesia da Feitosa e da freguesia da Ribeira o patrulhamento misto, passando-o em exclusivo para a GNR. Isto quer dizer que a PSP, embora mantendo o seu posto, retira-se das freguesias mais próximas da sede do concelho, precisamente aquelas onde faz sentido manter-se. Estas freguesias integram a cintura urbana, são zonas de crescimento da própria sede do concelho, onde é já difícil verificar onde começa uma freguesia e acaba a outra, onde a tradição histórica, no caso da Além-da-Ponte em Arcozelo, por exemplo, sempre integrou este bairro como mais um da “vila”, pese embora o rio que o separa dos outros e o facto de administrativamente pertencer a outra freguesia.

A concretização desta pretensão do governo, e a Câmara Municipal tem a obrigação acrescida de demonstrar ao governo o erro desta situação, nada mais significa que a PSP começou, de facto, a retirar-se de Ponte de Lima. Daqui a uns tempos os critérios populacionais voltam a ser os vigentes e aí alguns, já rosados de felicidade, poderão cantar: vitória, vitória acabou-se… a PSP em Ponte de Lima.

quinta-feira, março 08, 2007

Alto Minho artigo de 08-03-2007

Proposta

O vereador da cultura proponha, na reunião do Executivo Municipal do dia 12 de Fevereiro, mudar o feriado municipal para a terça-feira posterior às Feiras Novas. Como argumento usou os exemplos dos feriados do Porto e Lisboa que coincidem realmente com o dia de festa. Terça-feira? Mas esse é o dia onde tudo está fechado, onde nada se passa em Ponte de Lima, é o dia mais morto do ano… Se o argumento fosse esse, talvez viesse a encontrar quem o apoiasse (já que está tudo fechado e está) mas, pelos argumentos usados, não parece ter sido esse o objectivo. Para ser coerente com a fundamentação apresentada talvez teria sido melhor o vereador referir a segunda-feira de Feiras Novas, não? O Presidente da Câmara, provavelmente assolado pela mesma dúvida, retirou esse ponto da discussão e tudo ficou como dantes…

Uma coisa é certa, que este é um assunto que deveria suscitar algum debate, lá isso deveria, até porque o feriado actual nada parece dizer aos limianos. No princípio de 2006, o então deputado municipal independente, eleito nas listas do PSD, Francisco Abreu Lima, defendia que o feriado deveria passar para o dia 4 de Março, dia da outorga, por Dona Teresa, do foral a Ponte de Lima. Porque não?

terça-feira, março 06, 2007

Alto Minho artigo de 06-03-2007

Mercado Municipal

Desde o princípio do século XX que os limianos viviam com o edifício do Mercado Municipal, umas vezes com maior actividade outras com menos, mas todos, de todas as freguesias, conheciam o Mercado. Durante anos fomo-nos habituando aos comerciantes, alguns ainda se lembrarão do “Conacha”, por exemplo, e das lojas de flores, das peixarias, dos talhos, das lojas de frutas… Várias foram as gerações da mesma família que labutaram lá. No final do século XX principio do XXI, a Câmara Municipal de Ponte de Lima decidiu fazer obras de intervenção no edifício. Mas, o que parecia uma intervenção de requalificação, transformou-se numa obra de descaracterização do espaço. Apesar do novo edifício que lá nasceu, perdeu-se toda a componente humana. Os lojistas quase que desapareceram, e os cheiros da fruta, das flores, o aroma próprio, tão querido em outras paragens, foram descartados pelos valores astronómicos pedidos pelas novas lojas e pela nova visão que a Câmara tinha para aquele espaço.

A verdade é que, após pouco mais de um ano, já se previa onde a “nova visão” iria levar. Na altura, o novo edifício era ocupado, em parte, por animais vadios que conspurcavam o espaço, o mercado propriamente dito, o de sábado, era uma visão daquilo que já tinha sido. A tal defesa do mundo rural, tão propagada por alguns políticos, foi ali exposta na sua mais cruel realidade…

A aposta cultural não passou de uma tentativa, tendo apenas o concelho ganhado um espaço, sem grandes condições, para a realização de esporádicos e pequenos concertos de musica, funcionando como que uma discoteca improvisada.

Mercado Municipal… Onde está? Morreu e hoje pouco mais é que um edifício sem grande identidade local, onde alguns investidores abriram e fecharam lojas, lojas como todas as outras, longe, bem longe, do espírito que já lá um dia existiu.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Alto Minho artigo 27-02-2007

Será como a lenda do D. Sebastião?

Todos ainda se lembrarão do ano anterior às eleições autárquicas. Estarão recordados de Montenegro Fiúza, activista cívico, Montenegro comentador, Montenegro político. Neste último caso recordarão a forte intervenção que tinha. Com o aproximar das eleições a dinâmica criada pelo então líder do PS local era considerável ao ponto de criar, não diria nervosismo, mas alguma “comichão” aos outros candidatos. Mas eis que após as eleições tudo se esfumou, Montenegro Fiúza deixou a vereação. As motivações e justificações poderão ser muitas e perfeitamente plausíveis, mas as promessas feitas, inclusive no encerramento de campanha, não foram cumpridas. As pessoas que votaram no PS como voto de esperança, de novidade foram defraudadas. No fundo o presente ficou aquém do embrulho.

O PS tem assim um problema. Montenegro Fiúza mais cedo ou mais tarde quererá voltar, que explicação dará nessa altura o PS ao eleitorado? E onde fica o actual líder concelhio, Jorge Silva? Montenegro Fiúza terá muito que caminhar para limpar o estigma que a sua escolha lhe firmou.

Crise nas autarquias

Com as constantes notícias sobre casos nas autarquias muitos serão os que neste momento pensarão duas vezes sobre a sua conduta passada e presente. Ninguém pode negar, há, de facto, a necessidade de uma maior transparência na vida das autarquias. Ao contrário da mulher de César, que além de ser deveria parecer, não basta parecer é preciso ser. E muitos são os autarcas que escondidos deixam o rabo de fora.

Uma coisa é certa, ninguém, que ocupe um cargo público com uma conduta, política ou pessoal, que não se coadune com o mesmo, pode pensar que está a salvo, que se pode esconder. A verdade, já diz a sabedoria popular, vêm sempre “ao de cima”.

Mais uma Assembleia Municipal

Ser membro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, é com certeza, um dos lugares mais ingratos que alguém pode exercer. A influência dos membros é mínima ou nula; da parte dos que dominam a assembleia, os do CDS, não há independência ou, por outra, não existe uma visão crítica face ao desempenho do executivo. Os membros da maioria, absolutíssima, aos quais se juntam ainda alguns dos presidentes da junta, apenas servem para que a Assembleia Municipal cumpra como que o rito de existir. Imagino a frustração política daqueles que ao serem eleitos pensaram que, agora sim, poderiam influenciar positivamente as políticas camarárias, influenciar a vida da comunidade e que, na conjuntura actual, se vêem como uns simples piões que servem apenas para levantar ou não a mão ao ritmo do maestro.

É preciso dar outra dignidade à Assembleia Municipal, a deslocalização das sessões é positiva, mas não chega. É necessário criar comissões temáticas de trabalho que, de uma forma descomprometida, trabalhem em prol do concelho, encontrando políticas, indicando problemas e resoluções. O Presidente da Assembleia tem a obrigação de não deixar que esta Assembleia Municipal passe a ser apenas um pró-forma.


Caríssimo Nuno,
Li com muita atenção e interesse a tua coluna "Prometo Ser Breve", subordinada ao título "Será como a lenda do D. Sebastião", publicada no Bissemanário "Alto-Minho" do dia de hoje (27.Fevº.2007). Naturalmente que a liberdade de opinião é uma realidade no Portugal democrático, onde cada um é livre de exprimir o seu ponto de vista face a qualquer situação. Porém, ao expressarmos qualquer representação do nosso espírito ou qualquer sensação que nele se origina, devemos ter o cuidado de conhecer a realidade ou, de algum modo, conhecer os contornos dessa mesma realidade, sob pena de nos depararmos com verdades sofismáveis.
Neste contexto, agradeço sensibilizado a preocupação que revelaste para com o "líder concelhio" do PS, nomeadamente, com a tua inquietação sobre "onde fica" Jorge Silva. Pessoalmente, devo dizer-te que me encontro relativamente bem no tempo e no espaço, e que estou extremamente bem, não só com a minha consciência, mas também com a postura sócio-política e acção desenvolvida.
Para quem não conheça a minha actividade no âmbito do Executivo Municipal, estou completamente dísponivel para facultar, verbalmente ou por escrito, todos os dados/documentos julgados mais convenientes, com a vista a dissipar qualquer dúvida.
Quanto às alusões ao Partido Socialista, de igual modo, devo referir-te que a agenda do Partido é organizada e definida pelos Militantes Socialistas, pelo que, não se subordina a outro tipo de ditames.
Creio ter ajudado a esclarecer alguma confusão de ideias subjacentes no artigo jornalístico supra mencionado.
Sempre ao dispor, aceita um abraço amigo de Jorge V. Silva



sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Alto Minho artigo 23-02-2007

Informação

Não sei se será da herança das já três décadas de governação CDS ou mais especificamente dos doze anos que Daniel Campelo leva a comandar os destinos do concelho de Ponte de Lima, mas é notória a falta de apetência deste executivo camarário para a abertura e divulgação da informação. O controlo é grande, não existe um interlocutor, apenas um vice-presidente da Câmara que faz de porta-voz das reuniões do executivo, mas, claro, sem deixar espaço à normal curiosidade dos jornalistas em aprofundar a matéria. Os munícipes deveriam ter acesso às minutas e actas das reuniões da câmara, saber inclusive o que lá se irá passar. Actualmente, até os vereadores da oposição, por exemplo, apenas sabem o que irão discutir na sexta-feira anterior às reuniões e de uma forma muito, mas mesmo muito, genérica.

Hoje, com a tecnologia disponível, não há justificação para esta forma de actuar, a não ser, talvez, a dificuldade que este executivo tem vindo a demonstrar em adaptar-se e em abrir-se aos novos tempos.

Por falar em informação

Bem sei que o vereador da cultura, juventude, educação e desporto à ideia da construção de uma nova biblioteca contrapõe a aposta que o município tem feito nas bibliotecas escolares. Embora uma coisa não impeça a outra, até se compreende a lógica deste pensamento, mas cada vez menos. A realidade é que o que está a acontecer em Ponte de Lima é uma sucessão de políticas avulsas que se vão sobrepondo umas às outras, não deixando espaço para uma só política integrada na área cultural.

Os museus, o dos Terceiros irá ser finalmente inaugurado no dia 4 de Março, a Biblioteca Municipal, as bibliotecas escolares, o Arquivo Municipal, o Centro Internet e mais alguns serviços deveriam ter uma só política integrada, criando, assim, uma rede de informação municipal. Esta seria apenas uma das potencialidades dessa rede de informação municipal, porque poderia ser expandida a outros serviços da Câmara, como por exemplo o das obras. Seria óptimo criar-se a possibilidade de acompanhar em tempo real o nosso processo de licenciamento de obras bastando para isso uma password para ligação à rede.

A edificação de uma biblioteca nova, necessidade gritante que qualquer utente da actual biblioteca sente, poderia ser aproveitada para centrar aí a coordenação da dita rede de informação municipal na vertente cultural. O edifício no centro histórico, que actualmente alberga a Biblioteca Municipal, poderia ser aproveitado para albergar o fundo antigo bem como exposições permanentes sobre algumas das mais marcantes personalidades limianas.

Questões ainda pendentes, sem resposta

Durante todo o verão, por causa da má qualidade das águas, as praias do Arnado e Dona Ana estiveram interditas. O vice-presidente e vereador do ambiente da Câmara limiana, Vítor Mendes, afirmou na altura que se iria fazer um levantamento sobre as causas e os culpados. Qual é o resultado desse levantamento? Quem foram os culpados e o que lhes aconteceu? O que se tem feito para prevenir e melhorar a qualidade das águas junto à ponte velha onde tantos jovens se banham?

O vereador Gaspar Martins entregou o pelouro das Feiras e Mercados. Sendo que este vereador é o “decano” do executivo Campelo, seria necessária uma explicação convincente que ainda não existiu. Será que a manifestação dos feirantes, logo depois deste pelouro ser assumido pelo Presidente da Câmara, teve alguma relação com essa mudança? Terá Campelo perdido a confiança política no seu, até aqui, braço direito? Ou terá sido o vereador a perder a confiança no Presidente?

terça-feira, fevereiro 13, 2007

Alto Minho artigo 13-02-2007

Obviamente…

As forças de segurança retiram-se, as urgências passam a “serviços básicos”, as escolas fecham, as direcções dos serviços da administração central deslocam-se para o distrito vizinho, etc, etc. Algo não bate bem. Ou o governo vendeu o distrito de Viana do Castelo ou então quê-lo transformar em “terra de ninguém”, talvez entre o “inimigo” galego e Portugal.

As últimas notícias sobre encerramentos recaem nas escolas EB23, aquelas que foram construídas nas últimas duas décadas. Não se percebe como se aceitam as cartas educativas aprovadas nos dois vales do Alto Minho e depois, isto… Ao que parece, segundo o deputado e presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, Abel Baptista, tudo não passa de um capricho de um qualquer funcionário do Ministério da Educação.

Tudo fecha, tudo se desloca, e os nossos responsáveis? Infelizmente a desunião do distrito dá nestas coisas.

Como não há eleição para Governador Civil, não há prestação de contas ao eleitorado mas sim a quem o nomeou. Assim sendo, quando vê o seu distrito esventrado por uma política cega e se sabe os seus nefastos resultados, só restam duas alternativas, ou se demite de fazer algo, ficando para a história como ajudante de cangalheiro, ou faz frente, não tendo receio de demonstrar o erro do governo nem de, se necessário, apresentar a demissão do cargo não sendo, assim, conivente com a delapidação do seu distrito.

Gemieira e a zona industrial

A maior zona industrial de Ponte de Lima, a da Gemieira, tem um aspecto decrépito, de abandono. As promessas e esperanças foram muitas mas a realidade não se compadeceu com estas. Enquanto as zonas industriais do concelho vizinho de Arcos de Valdevez se enchem de novas empresas e industrias, a da Gemieira vê duas das cinco que lá laboram fechar as portas.

Um dos maiores problemas do concelho é o desemprego e não se pode culpar a região ou a conjuntura. A verdade é que grande parte deste resulta de más opções políticas de quem governa para mais de uma década. A falta de um plano estratégico para o concelho dá os seus frutos e não há medidas avulsas, que num ano existem e no outro já são uma miragem, que mudem esta situação.

Freguesias

Na reunião de há quinze dias da Câmara Municipal de Ponte de Lima ficou esclarecida uma verdade para a qual a oposição já vem alertando há muito, a Câmara Municipal tem como princípio apostar na sede de concelho em detrimento das freguesias.

A propósito do não investimento directo da Câmara Municipal no Monte da Madalena, na freguesia de Fornelos, o vereador Gaspar Martins foi dizendo que "as pessoas não vão à Madalena porque a vila oferece tudo o que precisam". Esta é uma frase que define na perfeição a política da Câmara para com as freguesias. Estas são apenas a paisagem que dá o pitoresco ao desfile das Feiras Novas ou à já anunciada Feira dos Cavalos.

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Alto Minho artigo 06-02-2007

Para quê?

Sempre pensei que o Governador Civil, para além da função de agente político do governo, fosse também o principal porta-voz da população do seu distrito. Infelizmente, em Viana do Castelo, não parece ser o caso. Sempre que há uma reunião entre o Governador Civil e o governo, este trata logo de avisar previamente que não espera alcançar nenhum resultado. À partida já está derrotado.

Depois de ouvir as declarações do nosso Governador Civil sobre a reunião que o juntou com o Ministro que tutela as polícias, parece que podemos depreender que a PSP está condenada a sair de Ponte de Lima e o seu comando passar para Braga.

É por estas e por outras que volta e meia há quem se questione acerca da necessidade de Governadores Civis.

União das Regiões de Turismo

O governo quer, alguns autarcas também, Defensor Moura, autarca de Viana do Castelo, prefere ficar sozinho a contar navios.

Certamente a questão económica terá um peso enorme para a união da Região de Turismo do Alto Minho com a Região de Turismo do Verde Minho, mas não se pode esquecer que há também uma razão de escala.

Se pensarmos seriamente, pelas suas características até que faz sentido unir estas regiões. Mas, ao fazê-lo, que se faça de forma correcta, e essa forma passa por localizar o "centro de operações" no distrito de Viana do Castelo, na região que tem, de facto, maior capacidade logística.

Mas, e Francisco Sampaio, o senhor turismo no Alto Minho, onde fica no meio disto? Sampaio fez um bom trabalho, o Turismo do Alto Minho deve-lhe muito, mas é preciso saber quando se deve parar, quando se deve retirar. Esta é a melhor altura para uma saída com a grandeza que merece.

Editora Municipal

Por vezes a Câmara Municipal parece ter uma editora municipal, tal é o seu envolvimento na edição de alguns livros. Não me parece errado, bem pelo contrário, que a Câmara Municipal, através do pelouro da cultura, tenha uma política de apoio e incentivo à edição. Há, no entanto, que ter em atenção alguns aspectos a começar pela definição de parâmetros que levarão, ou não, ao tal apoio. Estes deverão ser públicos, não deixando lugar para ambiguidades.

A política não poderá ser a dos lindos olhos do autor, mas deverá ter em conta a mais valia cultural que essa publicação trará ao concelho e, sempre que corresponder aos tais parâmetros predefinidos, o autor poderá contar com o apoio municipal para a edição (divulgação).

Já agora, e por falar em edições, o que foi feito da revista municipal? É que nem on-line nem em papel. Será mais um projecto "fogo de artifício" da Câmara Municipal? Ou já não interessa como veículo publicitário?

terça-feira, janeiro 30, 2007

Alto Minho artigo 30-01-2007

As "guerras" centristas

O limiano Abel Baptista volta a candidatar-se à distrital de Viana do Castelo do CDS-PP. As eleições, que, ao que parece, já se deveriam ter realizado, serão muito em breve. Baptista é da linha de Nuno Melo, ou seja, do grupo afecto a Paulo Portas, crítico da liderança de Ribeiro e Castro. Daniel Campelo foi afastado do partido por Paulo Portas, ainda nos lembramos da sua candidatura à Câmara Municipal de Ponte de Lima como independente, sendo actualmente afecto a Ribeiro e Castro.

A luta pela liderança distrital do CDS-PP poderá ser bastante interessante e talvez indicativa do futuro político destes dois protagonistas em Ponte de Lima.

Deixará Ribeiro e Castro que a única distrital detentora de uma câmara municipal esteja posicionada com a sua oposição interna? Será Campelo "obrigado" a tomar a iniciativa de candidatar-se para segurar a distrital alto-minhota para Ribeiro e Castro? Talvez o aceno com um lugar de deputado europeu seja motivador. É que o actual mandato não está a correr de feição. O cansaço é cada vez mais visível e o rumo há muito que foi perdido, a economia limiana bateu no fundo, os comerciantes definham, os jovens não têm emprego, o centro histórico é cada vez mais um cadáver, as novas taxas e tarifas penalizam essencialmente aqueles que mais precisam, e uma saída airosa era sempre bem vinda.

Já para Abel Baptista manter a distrital é essencial aos seus objectivos políticos. É um tiro no escuro, mas tudo aponta que a actual liderança nacional não irá aquecer o lugar por muito mais tempo. Mas se esse não for o caso e ficar mais algum tempo, rapidamente poderá inverter a posição inicialmente tomada, até porque a liderança de Ribeiro e Castro precisa de apoios como de pão para a boca.

On-line

Na reunião do executivo municipal de há quinze dias a oposição, no período antes da ordem do dia, abordou dois assuntos já algumas vezes tratados neste espaço. O vereador do PS, Jorge Silva, questionou o executivo sobre a aplicação de acesso wireless à Internet no centro histórico; o vereador do PSD, Manuel Trigueiro, pediu que as actas das reuniões do executivo estejam disponibilizadas on-line.

Esperemos que o executivo esteja receptivo a estas propostas, a primeira das quais já começa a ser uma realidade em várias localidades e é uma forma de chamar gente ao centro histórico e aos jardins, porque não. A segunda proposta é básica numa democracia participativa e numa altura em que as possibilidades tecnológicas o permitem.

Infelizmente, a Câmara limiana parece arredada do pelotão das que já abraçaram as potencialidades das novas tecnologias, pondo-as ao serviço do cidadão. Mas esse é só o início do problema, os nossos representantes não parecem querer reagir. O executivo municipal parece cansado, funciona de forma lenta, não reage, perdeu o folgo de outros tempos.

Já agora, seria bom que a juntar às actas das reuniões do Executivo Municipal se actualizassem as que se encontram no espaço da Assembleia Municipal, é que as que estão lá, apenas duas, são de 2002... Cinco anos depois lá continuam como marco daquilo que poderia ter sido mas não foi. Que dizer?

terça-feira, janeiro 23, 2007

Alto Minho artigo 23-01-2007

Um Domingo de passeio

Já várias vezes tinha ouvido falar nas papas de sarrabulho de Ponte de Lima. O Vieira, que é de lá, é que diz que não são papas de sarrabulho, essas são de Braga, de Ponte de Lima é o Arroz de Sarrabulho. Para mim era tudo igual, mas, como um dia li no JN que haviam criado uma confraria, o referido arroz deveria ser coisa boa!

No domingo, logo a seguir aos anos da minha sogra, utilizando esse pretexto, levei a família ao “arroz”. Preferi apanhar a A28, aproveitando ainda não se pagar portagens, e, uma horita depois, estava a estacionar junto da "ponte romana". Os miúdos pareciam ter combinado com a minha sogra e queixavam-se de que já não aguentavam mais, que tinham que ir à casa de banho. A minha sorte é que a ponte estava mesmo ali e, por baixo daquelas pedras milenares, a família lá se aliviou. Satisfeito, olhei em redor e verifiquei que perto se encontrava um magote de gente, mesmo em frente a um restaurante. Que sorte! Se havia assim tanta gente é porque seria bom. Três horas depois estávamos a sentar-nos. Já ninguém aturava os miúdos e a minha sogra bocejava algo imperceptível, mas que certamente teria a ver com o falecido, o meu sogro. Encomendado o repasto e respectivo acompanhamento líquido, esperámos um pouco. Aproveitámos para fazer planos para o resto do dia, mas eis que chegam as travessas. Tantos rojões e tanto arroz - vou pagar e já sei que não vou comer!

Sinceramente não encontrei nenhuma diferença relativamente às papas de Braga, ai se o Vieira me ouve… Duas horas depois já me custava levantar, agora sei qual a sensação dos crocodilos, que vejo na televisão aos domingos de manhã, depois de comerem. Propus ainda uma visita aos tão afamados jardins. Atravessámos a ponte, afinal a romana é só depois da igreja junto a um bairro com as casas a cair (não é só lá na terra que as há), e voltámos a perguntar onde ficavam os ditos jardins. Que tínhamos que descer pela escada de ferro e andar aí uns quinhentos metros. Depois de mais uns comentários da sogra, decidimos dividir o grupo. O mais velho ia comigo aos jardins e a mulher, a sogra e a pequenina iam indo para o carro. O passeio junto ao rio é bom, mas não se compara com o cais de Gaia onde geralmente passámos as tardes de domingo, quando não vamos para o shopping. Confesso que me custou percorrer os tais quatrocentos ou quinhentos metros, mas os jardins são interessantes. Foi pena a mulher não os ter visto, talvez pudesse tirar alguma ideia para a marquise...

Chegados de novo à ponte, comprámos umas castanhas e algodão doce. O frio já se fazia sentir e o sol era já uma miragem que se ponha por detrás de umas bombas de gasolina. Antes de partir, avisei logo que tínhamos que chegar a tempo de ver o Benfica pelo que iríamos pela auto-estrada. Nunca pensei que numa cidadezinha como esta custasse tanto chegar à portagem, eram só autocarros, muitos de lá da terra, a fazer com que o trânsito engarrafasse.

O passeio valeu a pena. Não pela qualidade do arroz, que, ao contrário do que diz o Vieira, não me pareceu muito diferente das papas de sarrabulho, mas pela quantidade. É que nos fartámos de comer e ainda sobrou tanto… Bem sei que esperámos, mas ao que comemos não pagámos muito.

Não me parece que voltaremos lá tão cedo. A sogra fartou-se de criticar (que se esperou, que é longe, que...) e os miúdos dizem que mais vale ir para Gaia, sempre têm o McDonalds.

(Qualquer semelhança com a realidade não é mera coincidência)

terça-feira, janeiro 16, 2007

Alto Minho artigo 16-01-2007

Só vemos o que queremos
Realmente há uma tendência em algumas pessoas para apenas quererem ver até ao seu umbigo. Perguntei neste espaço, na sequência da mensagem natalícia do Presidente da Câmara, se a Autarquia limiana tinha comparticipado na recuperação do Lar Dona Maria Pia, isto por achar natural, dada a natureza e finalidade daquele edifício, que o tivesse feito.

A resposta, como sempre, não chegou, mas as reacções, essas sim, fizeram-se ouvir. Infelizmente, alguns ainda se regem por algum complexo nada coerente com a idade que aparentam. Parece-me que há a obrigação do Estado (Administração central e, mais ainda, a local por se dizer mais próxima dos cidadãos) proteger os mais desfavorecidos dos seus cidadãos e, quando não o poder fazer directamente, promover as iniciativas de quem lhe toma o lugar nessa tarefa. É aqui que o assunto parece incomodar alguns. Estes dizem que o Estado só deve apoiar aqueles que o necessitem (certo), pelo que entendem que a Autarquia, no caso do Lar Dona Maria Pia, procedeu bem em não ajudar a Santa da Misericórdia de Ponte de Lima por esta ser detentora de muitos bens, isto é, por ser, digamos, “rica” (errado).

Chegamos à fase de explicar, face ao que parece ser o pouco alcance da visão de alguns, uns pontozinhos. O Lar não é para os "irmãos" da Santa Casa passarem lá temporadas, não é nenhum spa, hotel de charme ou sequer pensão explorada pela "instituição de solidariedade social". O Lar Dona Maria Pia destina-se a utentes femininos que, e não é por acaso, são entregues pelo próprio Estado ao cuidado da "instituição".

Já agora, se o Estado deve ajudar alguém não deverá ser àqueles que ao gerir bem o seu património provaram que saberão gerir o de todos nós (Estado)? É por isso estranho que, no caso concreto da Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, a Câmara Municipal só se lembre desta para putativas localizações para outra não menos putativa deslocação da Adega Cooperativa de Ponte de Lima.


É cultura...
As questões culturais e a sua programação são sempre tema para discussão. O gosto de uns não é o de outros, como se sabe. Cabe, no entanto, aos responsáveis pelas agendas culturais "dar" ao público o que este quer e não o que ele, enquanto responsável, considera que o público deveria querer. Nesta altura já alguns dizem, "cabe ao Estado educar os seus cidadãos...", isto, claro, seguido de uns vitupérios a mim dirigidos.

Pois bem, Nuno Soares, director da Casa das Artes do vizinho concelho de Arcos de Valdevez, é um exemplo reconhecido no campo da programação cultural no Alto Minho. Numa vila do interior do distrito, este responsável foi capaz de criar público em áreas culturais que pareciam quase aberrações para a região. O festival de cinema "Fantas" é um exemplo disso mesmo. Mas a actividade cultural de excelência neste concelho não se fica por aí, já se deixou há muito de se poder contar pelos dedos das mãos as exposições, actuações, etc, que, a juntar às grandes cidades do país, Lisboa, Porto, Coimbra, escolheram também a vila alto-minhota dos Arcos de Valdevez como palco.

Em Ponte de Lima podemos continuar a dizer, como o Presidente da Câmara recorrentemente o faz, que a programação cultural é das melhores, o público é que não percebe, que adere apenas pontualmente a algumas iniciativas, mantendo o nosso autismo cultural, ou então seguimos exemplos como o citado, apostando na qualidade, certamente, mas sempre de encontro ao próprio público.

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Alto Minho artigo 12-01-2007

Navio Almirante

Nas grandes armadas antigas a liderança das mesmas estava a cargo do chamado Navio Almirante. Era ele o impulsionador de toda a frota, desde o rumo, até à liderança, todo o processo estratégico passava por ele.

No nosso distrito, o Navio Almirante está ferido. Viana do Castelo parece definhar, sem um rumo, sem liderança, sem estratégia e até parece querer que a restante armada siga o seu rumo suicidário. Ao invés de marcar um rumo, teima na política do orgulhosamente só. O resto do distrito, pelo contrário, vai caminhando. É certo que sem uma estratégia de unidade, mas com algum sentido. Braga começa a ser um forte atractivo e para concelhos como Arcos de Valdevez, Ponte da Barca e Ponte de Lima é cada vez mais evidente a vantagem de uma associação a um pólo que emana real atractividade em sectores como o emprego, formação e qualidade de vida. O Eixo Braga-Guimarães-Barcelos é cada vez mais uma referência na nova economia das tecnologias da informação. E o nosso distrito? Parece que se satisfaz em fazer parte das zonas economicamente deprimidas, onde quem devia liderar se omite de o fazer. Todos os seis meses se fala na urgência da unificação do distrito e todos os seis meses se encontram novas desculpas para o não fazer. Urgências, postos das forças de segurança, etc, vão fechando um pouco por todo o distrito e mais uma vez não se ouve a voz deste, antes a voz isolada de alguns autarcas. Viana do Castelo já não tem visão para além do umbigo, que é o mesmo que dizer para além da Polis. Nós, os do Pagos, já não somos merecedores da sua atenção, assim resta-nos ser indiferentes aos seus problemas (já se ouve, “a ponte Eiffel continua fechada? Azar a dos vianenses…”) e encontrar outra liderança. Ponte de Lima tem um papel fundamental em não deixar o distrito afundar. Se Viana do Castelo não reassumir a sua obrigação, há que pensar seriamente em reformular prioridades nem que para isso seja necessário alterar o paradigma vigente. A verdade é que a falta de uma liderança no distrito tem sido causadora da inexistência de políticas comuns e de estratégicas em áreas fundamentais como a captação de investimentos ou a criação de valências.

Cartões municipais

Estou certo que a intenção é boa, criar cartões municipais para os munícipes usufruírem de vantagens em serviços municipais e não só. É, no entanto, um desperdício de recursos. Geralmente estes cartões destinam-se a camadas etárias específicas, nomeadamente para jovens ou para idosos. A nível nacional, já existem cartões semelhantes, como é o caso do Cartão-Jovem destinado às camadas jovens. Assim sendo, não faz sentido criar um novo cartão, quando já existe um com uma abrangência incomparavelmente maior. O que faz sentido é ampliar, a nível concelhio, os serviços onde as vantagens inerentes a esses cartões possam ser aplicadas. Sem duplicação de custos, o resultado é o mesmo que o pretendido inicialmente.

Já agora, se o objectivo é uma descriminação positiva para os habitantes do concelho, há sempre a hipótese de acrescentar o Bilhete de Identidade na identificação para a obtenção de um desconto específico.

Sugestão de leitura

No começo deste novo ano deixo uma sugestão de leitura, "Limianas" de António Ferreira, um livro de poesias. O meu exemplar é uma 2ª edição de 1949 que contem umas notas explicativas deliciosas, onde o autor canta de uma forma magistral a Ribeira-Lima. Se não o possuem, procurem-no na Biblioteca Municipal pois vale a pena ler ou reler.

quarta-feira, janeiro 03, 2007

Alto Minho artigo 05-01-2007

O melhor de 2006

Uma das figuras que mais se destacou, no ano transacto, no campo da política foi Abel Batista, Presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, Deputado e líder distrital do CDS-PP. Batista conseguiu afirmar-se, saindo da sombra de Campelo, e tem sido uma das vozes mais activas da região em Lisboa. As urgências, a PSP... Está claramente, e pacientemente, a preparar a sua candidatura à Câmara Municipal nas próximas eleições autárquicas.
O PSD e o PS limiano merecem também uma menção. O PSD, ainda que mais recentemente, conseguiu ultrapassar a pesada derrota eleitoral e está, neste momento, a reestruturar-se internamente. Mudou de liderança, Barreto sucedeu a Trigueiro, e já se afirma na Assembleia Municipal. No Partido Socialista, Montenegro Fiúza saiu e a liderança passou para Jorge Silva que, num estilo muito próprio, mais "low profile" relativamente à liderança de Fiúza, tem mantido a intervenção a um nível inédito no PS limiano.
No desporto, o destaque vai para Nuno Barros. Atleta limiano de canoagem, no passado ano ganhou, consecutivamente, provas nacionais e internacionais envergando quer a camisola do clube de Ponte de Lima, quer a da selecção nacional. O outro destaque vai inevitavelmente para a Associação Desportiva "Os Limianos" que, no final da última época, venceu tudo o que havia para vencer. É aqui que entra também o seu presidente, Adelino Tito de Morais, que, liderando uma equipa coesa, conseguiu vencer o próprio destino a que os "Os Limianos" pareciam estar fadados, a sua extinção.
No campo cultural, o destaque vai para o apoio editorial do município. Realmente, se há algo em que o pelouro da cultura se tem esmerado, é no campo da edição de livros. Desde, por exemplo, Teófilo Carneiro - "Poesias e outros dispersos", até José Ernesto Costa - "Crónicas de um outro tempo", vários foram os livros que o município apoiou na sua edição. De realçar também David Peres que mantém a sua galeria de arte contra todas as expectativas negativas que não lhe auguravam muito tempo de existência. Quase só o facto de existir e de ser privado faz manter um nível cultural que por vezes parece arredado de Ponte de Lima.
No âmbito da dita sociedade civil é incontornável o relevo para a mobilização de centenas de pessoas por todo o concelho para as actividades de "Um dia pela Vida". Assim ficou provado que os limianos são solidários e activos, precisam é de causas.

Os votos de Natal

São sempre interessantes os votos de Natal dos vários responsáveis de cargos públicos, de responsáveis da dita sociedade civil e de responsáveis religiosos. A Rádio Ondas do Lima foi porta-voz de muitas dessas mensagens de líderes locais e regionais.
O Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, na sua mensagem apelou à solidariedade e ao contributo de todos para uma sociedade mais solidária. Esse apelo levou-me a pensar no lar D. Maria Pia, lar para raparigas desfavorecidas, pertença actual da Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, que presta um serviço essencial para a vida de tantas utentes e que recentemente viu o seu histórico edifício ser alvo de uma remodelação profunda. O serviço à comunidade prestado nesta casa é inegavelmente importante, um serviço que, aliás, deveria ser prestado pelo Estado. Resta uma dúvida. Qual foi a comparticipação da autarquia na recuperação do dito edifício? Não será esta merecedora da solidariedade do município?