quinta-feira, maio 24, 2007

Alto Minho artigo de 24-05-2007

É inegável que algo de errado se passa na política económica de Ponte de Lima. Segundo o INE, em Ponte de Lima, a taxa de desemprego, em 1991, era de 4,6%. Passados dez anos, em 2001, a mesma taxa de desemprego era já de 6,0%. Mas se fizerem uma pesquisa rápida ao site www.where-to-invest-in-portugal.com, onde os municípios sãos os principais parceiros, logo verificam que a taxa de desemprego em Ponte de Lima é já de 8,2%.

A falta de uma política económica, de um plano económico para o concelho é evidente. É estranho, por exemplo, verificar que concelhos vizinhos têm tirado partido dos acessos que servem o concelho limiano e que este não consiga capitalizar esses mesmos acessos em prol do seu desenvolvimento económico.

Campelo, em década e meia que leva na liderança do Município, não foi capaz de encontrar políticas capazes de dinamizar a economia limiana. Este é, aliás, um dos calcanhares de Aquiles do executivo Campelo. Só uma economia dinâmica cria emprego, infelizmente não é o caso da limiana.

Estes números são o reflexo das dificuldades que as empresas limianas estão a passar. Mas a culpa não é apenas da falta de reacção e iniciativa do Município limiano, a Associação Empresarial também tem a sua quota-parte de responsabilidade. Onde está a reabilitação do comércio, onde está a formação dos empresários? A necessidade de mudança de mentalidade deveria ser uma prioridade, mas será que é? Estarão os comerciantes limianos preparados para a nova realidade, já prevista há tantos anos, da concorrência dos grandes grupos de distribuição? Terá sido o proteccionismo, ao invés de uma gradual abertura, uma boa escolha no que concerne à fixação de médias superfícies comerciais, que agora abrem por todo o lado?

É urgente revitalizar o comércio limiano, mas, isso só será possível com a indispensável e real colaboração do município limiano com a Associação Empresarial de Ponte de Lima.

quinta-feira, maio 17, 2007

Alto Minho artigo de 17-05-2007

A Vida política portuguesa parece condenada a viver em círculos. Depois do aborto, de novo a regionalização. Muitos têm vindo a público em sua defesa, uns defendendo um referendo, outros a iniciativa parlamentar.

No nosso distrito já quase todos os autarcas se manifestaram a favor da regionalização, um bom barómetro, por ventura, da opinião pública. Não deixam, no entanto, de serem curiosas estas tomadas de posição. Um dos aspectos interessantes é verificar que esses mesmos responsáveis autárquicos têm liderado o distrito ao longo de já vários anos, alguns décadas. Com a excepção de Júlia Paula, eleita presidente da Câmara de Caminha no mandato anterior, e Vassalo Abreu, eleito presidente da Câmara de Ponte da Barca neste mandato, todos os outros já são como que “dinossauros” autárquicos no Alto Minho. Não se compreende por que é que esses defensores, actuais ou não, da regionalização não conseguiram entender-se de forma a criar uma só região no Alto Minho. Este facto não os impediu de defender, nos meios de comunicação social, a fusão dos dois vales, no entanto isso nunca se veio a verificar, adivinhem por culpa de quem… Já agora, como está o processo de fusão das regiões de turismo do Alto Minho com a do distrito de Braga?

Outro aspecto interessante é o de não existir, aparentemente, igual interesse por algo que carece de reforma urgente, a própria administração local. O modelo eleitoral actual está falido. O sistema de autarquias repartidas caducou e já não serve os interesses dos munícipes. A Assembleia Municipal está, na prática, esvaziada de poderes, os Presidentes da Junta como que cumprem um pró-forma, encontrando-se geralmente economicamente reféns do Executivo Municipal, os próprios vereadores da oposição executam uma tarefa no mínimo ingrata. É necessário criar um modelo, do género do que é usado na formação do governo central, onde se elegeria a Assembleia Municipal, de onde sairia o Executivo Municipal oriundo do partido, ou coligação mais votado, aumentando, ao mesmo tempo, os poderes fiscalizadores da Assembleia Municipal. Os Presidentes da Junta formariam um órgão consultivo independente.

O que deveria estar em cima da mesa, era essa reforma, essa sim, verdadeiramente necessária. Não quero com isto dizer que não se necessite da regionalização, mas por quê criar novos problemas quando os velhos ainda se encontram por resolver?

Esperemos que a regionalização não seja apenas um pretexto para alimentar quaisquer interesses partidários.

quinta-feira, maio 10, 2007

Alto Minho artigo de 10-05-2007

Em democracia com o voto delegamos a administração do bem público nas pessoas que achamos mais competentes para o administrar. Essa pessoa passa a ter a responsabilidade de governar a "propriedade de todos" em função de todos.

É deveras salutar verificar que a "saúde" financeira do Município de Ponte de Lima é boa. É aliás, ao que parece, um exemplo para outros municípios, para a maioria, atrevia-me a dizer. Daniel Campelo tem conseguido que essa "saúde" se mantenha ao longo dos anos. Mas se a "saúde" é de louvar já não o é o facto de ela não ter consequências na vida dos limianos. A colecta de impostos excedeu as expectativas da própria Câmara, mas não tem aparente reflexo e não se prevê nenhuma redução significativa nas taxas aplicadas. Já vão longe os dias de campanha…

É verdade que a Câmara Municipal goza de boa "saúde" financeira, mas, em contra partida, a indústria é uma miragem em Ponte de Lima e o comércio definha, o grande motor económico, a construção civil, está neste momento a passar momentos de crise e não se prevêem melhorias para breve. O líder do maior partido da oposição, João Barreto, chamou a atenção para o facto de as Juntas de Freguesia receberem no seu todo praticamente o equivalente ao que o Município gasta em jardins, este facto diz muito sobre o que está no topo das preocupações do executivo municipal.

Diz a Doutrina Social da Igreja, que alguns gostam muito de apelar sem a ler, que a finalidade das instituições políticas é tornar acessíveis às pessoas os bens necessários – materiais, culturais, morais, espirituais. Seria bom que a "saúde" financeira do Município, que é de todos, fosse canalizada realmente para todos.

quinta-feira, maio 03, 2007

Alto Minho artigo de 03-05-2007

A sexta-feira passada foi dia de Assembleia Municipal. Penso que todos os limianos deveriam passar por lá, pelo menos uma vez, e verificar como os nossos eleitos nos representam.

Nesta última sessão falou-se muito no período antes da ordem do dia, mas na altura da discussão das Contas e Gerência, como quase sempre em casos similares, apesar do esforço da oposição, pouco ou nada se discutiu. Afinal de contas o sentido de voto já estava traçado…

Como não poderia deixar de ser, o tema dos cartazes foi abordado. Crítica da oposição respondida com o silêncio do resto da Assembleia. Mas Campelo neste assunto não tem dúvidas, (em qual é que terá?). Segundo o próprio, a maioria gostou dos cartazes, não tivesse ele recebido 17 mensagens, estando apenas uma delas em desacordo…

As críticas, na análise do edil, apenas vêm de pessoas com camisola partidária, as mesmas que apenas falam, pois então, porque ele, Campelo, trabalha. Mas também… sempre são 14 anos…. E, é claro que as 16 pessoas que lhe escreveram são livres e sem rótulos partidárias, é bom de ver.

O Presidente da Câmara acha que já não se vai lá com campanhas de sensibilização, mas com campanhas de “choque”, essas sim é que produzem resultados. Podemos nós, limianos, estar sossegados, dentro em breve Campelo fará, com certeza, o favor de nos dar a conhecer os números, calculados, claro, dos efeitos que os cartazes de “choque” causaram.

Mas na Assembleia Municipal, para além de se debater, por exemplo, os inesperados resultados da cobrança de impostos, que ultrapassaram em quase 60% o previsto pela Câmara Municipal, (com tanto dinheiro será que nós, os limianos, iremos ter direito a um desafogo da carga fiscal?), também se teve tempo para discutir filosofia. A oposição citou Freud, a que o Presidente da Câmara respondeu afirmando a sua preferência por, entre outros, S. Tomás de Aquino, uma boa escolha, diria eu. Mas já que ficamos a conhecer alguns dos gostos filosóficos do Presidente da Câmara não posso deixar de citar um dos meus preferidos, padre António Vieira. Este disse “O primeiro remédio é o tempo. Tudo cura o tempo, tudo faz esquecer, tudo gasta, tudo digere, tudo acaba…”. Talvez não fosse mau alguns políticos terem isto em mente.

sexta-feira, abril 27, 2007

Alto Minho artigo 27-04-2007

Fim-de-semana animado

O fim-de-semana passado foi um bom exemplo do que se pode fazer no campo da animação na vila limiana. O folclore tomou conta das ruas da vila de Ponte de Lima e as bandas de música do Largo de Camões, que antes tinha sido ocupado pelos Zés Pereiras. Claro que este tipo de animação não pode ser feita todos os fins-de-semana - pese embora os “feirões” aos domingos de manhã, animados pelos grupos folclóricos, ajudarem à animação da sede do concelho limiano- pois poder-se-ia cair no erro da banalização. Mas talvez não fosse mau de todo que este ou outro tipo de animação, algum mais vocacionado para os jovens, ocorresse uma vez por mês.

Também positiva foi a opção da Câmara Municipal em celebrar o dia mundial da leitura no dia 23 de Abril em conjunto como IPLB inaugurando algumas bibliotecas escolares. Talvez fosse interessante o pelouro responsável pela cultura planear a edificação de uma nova Biblioteca Municipal. Como qualquer pessoa pode verificar, e tantas vezes já se chamou a atenção, a actual já não cumpre os seus objectivos. Bem sei que a questão financeira tem um grande peso, mas é preciso que a vontade política exista, e se esta existe por que não começar por modificar a presença web da BM. A Biblioteca é muito mais que um catálogo, é muito mais que um depósito, deverá ser um ponto de referência para a comunidade e a página na Internet, hoje e cada vez mais, deverá reflectir isso mesmo. Infelizmente a actual é um pouco o reflexo de uma política de não aposta numa Biblioteca que já foi exemplo para as outras.

Mas o fim-de-semana passado foi também o da resolução da “guerra nacional” do CDS-PP. Esta “guerra”, que terminou com a vitória de Portas, entre outras coisas, deixou a descoberto a fragilidade de Campelo. Apesar de Ribeiro e Castro ter ganho em Ponte de Lima, único concelho do distrito de Viana onde isso sucedeu, a votação ficou muito aquém do esperado, nem sequer 50% dos militantes votaram, sendo que Castro obteve 145 votos e Portas 94. No distrito, Castro obteve 179 e Portas 162 o que demonstra que o discurso redutor e mediatista de Campelo, à excepção de Ponte de Lima, onde ainda tem algum peso, já não cola. Daniel Campelo parece já ser considerado uma peça do passado para o CDS alto-minhoto. Abel Baptista pode estar sossegado, a liderança da distrital não parece estar ameaçada.

Campelo parece falar e agir no Município para o passado. Por vezes até poderá falar de futuro, mas, mais que falar do futuro, é necessário falar do destino e esse parece ser uma grande incógnita para Campelo.

sexta-feira, abril 20, 2007

Alto Minho artigo 20-04-2007

No site da autarquia limiana podemos encontrar a seguinte frase “todas as campanhas em prol da recolha selectiva do lixo, da reciclagem, da reutilização de materiais, nunca serão demais para que um programa de educação ambiental produza os seus frutos no mais breve espaço de tempo. Sabemos que muitas dessas campanhas têm tido um êxito assinalável (…)”. É verdade que o texto não é actualizado desde 2001, (fruto, certamente, da inexistência de uma política municipal de informação), em todo o caso, face às mais recentes declarações do Presidente da Câmara de Ponte de Lima, depreende-se que, neste campo, as prioridades do município já são outras. Sensibilização para a reciclagem e para a reutilização de materiais parece ser coisa do passado, agora entramos na época do “choque”.

Mas quais são na verdade os objectivos desta nova campanha de “choque”? Será que não é para preparar os limianos para um novo imposto desta feita sobre o lixo?

Um objectivo que parece evidente é o de tentar voltar os holofotes da comunicação social nacional novamente para Campelo. Aí sim, ninguém tem dúvidas sobre os resultados desta campanha. Em tempos de eleições internas para o partido de Campelo, o CDS, nada melhor que dar “isco” para a comunicação social “picar”.

Mas a campanha chama a atenção para o problema do lixo. Um problema onde por norma, como li algures num blog, todos temos a tendência para pensar que “os outros” é que não se sabem comportar, que “os outros” é que não têm cultura ambiental. A verdade é que é preciso implementar mais ecopontos pelo concelho, é preciso que o município não se fique pelo “choque”, é preciso mais e melhor informação do município para os seus munícipes.

Mas a semana passada chegou com mais uma “ideia de choque”. O Presidente da Câmara aludiu para a possibilidade de no próximo dia do ambiente colocar cerca de 30 toneladas de lixo no Largo de Camões, bem no centro da vila de Ponte de Lima, como forma de sensibilização. O meu primeiro pensamento foi para os comerciantes, certamente iriam “gostar imenso” de colaborar nessa campanha… Os cartazes da “campanha de choque” dizem "Em Ponte de Lima, seja limpo ou vá-se embora". Tem a certeza que quer despejar 30 toneladas de lixo na sede do concelho, senhor presidente?

terça-feira, abril 17, 2007

Alto Minho artigo 17-04-2007

"Remakes”

Ciclicamente a indústria do cinema prenda-nos com os chamados “remakes”. Estes são nada mais nada menos que cópias modernas de filmes passados, geralmente ficam aquém dos originais. Mas há pior. As sequelas, geralmente usam o título anterior acrescentado de numeração romana, essas sim, no final deixam sempre um sentimento de fraude. Há quem diga que ninguém volta a ser totalmente feliz onde já o foi.

Vem isto a propósito do que se pode ler no jornal Alto Minho de há umas semanas. Daniel Campelo, tal como já tinha escrito noutro artigo, pondera candidatar-se a líder da distrital do CDS. Mas não é tudo… Eis que no número posterior se podia ler que Gaspar Martins também pensa em candidatar-se mas este à concelhia limiana do CDS-PP.

O leitor poderá perguntar o que é que terá isto de interessante. Para além do déjà vu, parece um ”remake“ de uma sequela cinematográfica. Por um lado começa o posicionamento das peças dentro do CDS local. Por outro, o resultado desse posicionamento irá influenciar as perspectivas do próprio concelho.

14 anos é muito tempo. Campelo e a sua equipa, nomeadamente Gaspar Martins, já estão há uma década e meia a liderar os destinos do concelho. Cada vez mais se nota o estancamento.

Os partidos são os pilares das nossas democracias e Ponte de Lima não é excepção. O PS renovou-se, o PSD também, até o PCP tem vindo a renovar os seus intervenientes. O CDS não só não tem acompanhado esse movimento, natural aliás, como parece apostado em seguir o caminho contrário. É pena, pois o debate de ideias sairia a ganhar se estas apontassem para o futuro. É que à excepção da auto-exclusão aquando da candidatura de Campelo como independente, o CDS esteve sempre ligado à liderança da Câmara Municipal de Ponte de Lima. É por isso mesmo o principal responsável da actual situação.

Cada vez mais parece óbvio que Ponte de Lima está prestes a chegar a um entroncamento e que terá que escolher entre ficar presa a um passado, sem grandes perspectivas, ou escolher um futuro onde o caminho a trilhar seja claro, seguro e ao mesmo tempo ambicioso. A ver vamos.

quinta-feira, abril 12, 2007

Alto Minho artigo 12-04-2007

Páscoa
O dia “acordou” sorridente. Logo pela manhã já ecoava por todo o vele do Lima o rebentar dos foguetes. “Jesus ressuscitou, aleluia!” Eis a frase que desde cedo se começou a ouvir por muitas casas alto minhotas.

A Páscoa em Ponte de Lima ainda é o que era. O compasso a passar de casa em casa, sendo os de Fontão e Vitorino das Donas os mais conhecidos, as pessoas estão mais alegres e receptivas, visitam as casas vizinhas e, porque não, abusam das doçarias. O tempo em que só os párocos lideravam os compassos já lá vai. Na sede de concelho, na paróquia de Santa Maria dos Anjos, podia-se, num primeiro momento, ouvir o pároco José Sousa, Arcipreste de Ponte de Lima, a apelar para o voluntariado e num segundo, a congratular-se pela presença dos jovens.

Realmente a Páscoa, no sentido da vivência humana, ainda se vai mantendo no nosso concelho, fruto da dedicação de muitos que abdicando do conforto do lar, da companhia da família, calcorreiam os caminhos limianos. Lembro-me que já há longos anos passam lá por casa Jorge Ferreira, Carlos Lima e José Maria Rocha. Páscoa após Páscoa, lá aparecem eles mantendo a tradição da visita do compasso pascal.

Este ano o dia de Páscoa terminou de forma bem diferente da que tinha iniciado, a chuva apareceu e dificultou o trabalho dos compassos. Dificultou, mas não impediu. Os voluntários continuaram firmemente, casa após casa, escada após escada, “Jesus ressuscitou, aleluia, aleluia! Paz a esta casa, aleluia, aleluia!”

quinta-feira, abril 05, 2007

Alto Minho artigo de 05-04-2007

Não é só em Lisboa

Pois é, não é só em Lisboa que existem cartazes a "mandar os outros embora". E em Ponte de Lima não é apenas um, mas muitos. Com os dizeres "Em Ponte de Lima seja limpo ou vá embora. Diga não ao lixo" os cartazes apareceram como por magia em todas as entradas do concelho bem como no seu centro histórico. Talvez, estes cartazes tenham sido inspirados por "um" de épocas passadas que asseverava a condenação a três dias de encarceramento a quem conspurcasse o chafariz da vila de Ponte de Lima (vejam a pedra junto ao chafariz no largo de Camões em Ponte de Lima).

Sem qualquer identificação do autor, presume-se que a Câmara Municipal, o cartaz é precisamente a antítese do que se pretende que Ponte de Lima seja, Terra rica da Humanidade. Que Humanidade é essa que não prevê a educação e a sensibilização?

Se é certo que o problema do lixo trazido por alguns visitantes, e não só, é grave, não o é menos a possibilidade de passear entre o largo Alexandre Herculano, no bairro da Além da Ponte, até praticamente ao Mercado Municipal e se poder contar apenas por uma mão os locais para depositar o lixo. Como é grave, também, as zonas de merendeiro não estarem sinalizadas, se é que existem.

Seria melhor utilizar o dinheiro, que se gastou nestes cartazes de gosto duvidoso, para colocar outros cartazes indicando as zonas de merendas, bem como apetrecha-las com as infra-estruturas necessárias à recolha do lixo. A existência de infra-estruturas significaria que quem não cumprisse as regras seria autuado sem complacências. Sensibilização e fiscalização, essas deveriam ser as premissas.

Já agora, seria bom que os responsáveis pelos cartazes assumissem claramente com o seu logótipo (Ponte de Lima Terra rica da Humanidade...?) a sua autoria. Ou será que a falta de assinatura é sintoma de vergonha pela frase escolhida?

terça-feira, abril 03, 2007

Alto Minho artigo de 03-04-2007

A entrevista de Daniel Campelo a este jornal foi de certa forma bastante interessante mas também definidora da pessoa entrevistada. Das zonas industriais até aos seus antecessores, nada escapou à ânsia de se vangloriar.

Infelizmente, Campelo continua a aplicar o seu tão característico método de tratar a verdade. Um político à séria, talvez o único de Ponte de Lima, como alguns gostam de dizer… O próprio Campelo definiu muito bem este tipo de político quando criticou Portas.

Ponte de Lima tem duas zonas industriais, a da Gemieira e a da Queijada. A da Gemieira, por exemplo e como já aqui escrevi, continua na sua maior parte a mato, fruto única e exclusivamente de uma má política económica para o concelho de Campelo. Mas para este, pelo que se poder ler na entrevista, existem também zonas industriais em Arcozelo, Refoios, etc e ainda nos quer fazer crer que as empresas fazem fila para se instalarem em Ponte de Lima. Infelizmente está à vista de todos que essa edílica realidade, que só o próprio Campelo vê, está longe de ser a verificada no concelho de Ponte de Lima.

Para Campelo, agora é que um Presidente da Câmara trabalha. Os outros, João Abreu Lima, Francisco Abreu Lima, Fernando Calheiros apenas liam os jornais e passeavam-se pela vila. Pois é, agora é que o Presidente da Câmara trabalha… Esta forma de rebaixar os seus antecessores para se engrandecer não é a mais justa para o trabalho que em tempos difíceis, bem ou mal, sem os ricos fundos europeus, foi feito pelos seus antecessores.

Campelo confessou o seu desejo em visitar o Canada. Ora este é um bom destino para encontrar o exemplo que procura para as novas zonas urbanas. Poderá encontrar bairros bem projectados, onde as próprias actividades económicas a instalar são planeadas e onde, pasme-se, se encontram zonas verdes, recantos com avisos como "Por favor pise a relva".

Esta é uma entrevista onde Campelo apresenta uma realidade bastante diferente da dos limianos. Uma entrevista onde a mestria da velha maneira de fazer política se volta a revelar.

Fica a dúvida, será que não indo para o Parlamento Europeu ficará Campelo satisfeito com o lugar de director da zona protegida de Bertiandos, S. Pedro de Arcos?

sexta-feira, março 30, 2007

Alto Minho artigo de 30-03-2007

Jardins…

O leitor já se questionou sobre o que fazem aos jardins do Festival de Jardins? Algumas Juntas de Freguesia já manifestaram interesse em ver esses jardins nas suas freguesias a embelezar rotundas, praças, largos, etc. Para espanto, ao ler o Alto Minho ficou-se a saber que o seu destino é o estrangeiro. Uma forma de promoção, dizem. A verdade é que esses jardins poderiam ser colocados ao serviço das populações das freguesias, dos limianos, mas não. Também se poderia promover o festival com a transladação desses jardins para as diversas freguesias limianas, promovendo assim o "concelho florido".

Pois é, quem tinha dúvidas pode deixar de as ter. O Festival de Jardins, como mais algumas políticas desta Câmara, não é para os limianos, ou melhor não é para todos os limianos, é para "inglês ver".

Divulgação

A Câmara Municipal de Ponte de Lima associou-se (paga) à página web http://where-to-invest-in-portugal.com. Nela podemos encontrar alguns dados sobre Ponte de Lima e uma interessante entrevista em forma de convite ao investimento ao Presidente da Câmara. Nesta defende que "as condições de atracção oferecidas para captação de investimento directo estrangeiro relacionam-se com a optimização e conjugação dos diferentes factores de atractividade tais como a fiscalidade, recursos, preços, logística, disponibilidade de mão de obra, que efectivamente existem no concelho e que o diferenciam dos restantes". Realmente é verdade, neste campo a Câmara Municipal conseguiu que Ponte de Lima se diferencie dos restantes concelhos. É que enquanto as zonas industriais de Arcos de Valdevez, por exemplo, estão cheias e preparam-se nesse concelho para a construção de novas zonas industriais, em Ponte de Lima as zonas industriais continuam maioritariamente a mato. Se não acredita, caro leitor, visite a zona industrial da Gemieira e veja com os seus próprios olhos.

Post-scriptum

Nos artigos da semana passada fui identificado como "membro da Comissão Política do PSD de Ponte de Lima". Para quem ainda não sabia sou social-democrata e militante do PSD. Há 4 meses fui convidado para integrar a nova Comissão Política do PSD de Ponte de Lima liderada por João Barreto ao qual acedi.

Quanto à independência dos meus artigos não preciso declara-la aos quatro ventos, pratico-a e os leitores são testemunhas.

terça-feira, março 27, 2007

Alto Minho artigo de 27-03-2007

A Rede de Bibliocafés em Ponte de Lima

A Valimar tem apresentado, ao longo destes anos, alguns projectos interessantes. Dentro destes destaco a Valimar Digital, pese embora as notícias tardem a ser postas em prática, e a Rede de Bibliocafés.

Falemos deste último. Ponte de Lima vai contar com dois bibliocafés, infelizmente os dois serão em edifícios públicos. Nenhum café limiano foi sensível/sensibilizado a/para esta iniciativa e o espírito que parece estar por detrás deste projecto, em Ponte de Lima, terá sido adulterado ou mesmo perdido. Que se saiba o espaço “Ponto Já” não é um café, pois não? A Villa Moraes também não é um café, pois não?

Embora o espaço “Ponto Já” seja um óptimo local de encontro de jovens para a consulta da Internet, entre outras coisas, não será o melhor local para a colocação de um bibliocafé. A não ser que a única coisa que interesse aos responsáveis locais do projecto seja os dados estatísticos que terão que apresentar. Ah, resultados claramente enviesados da realidade, claro.

Um bibliocafé quer-se junto aos jovens, em locais onde não impere o espírito, digamos, “escolar” ou mesmo oficial. Ponte da Barca, Arcos de Valdevez, Caminha e Viana do Castelo parecem ter encontrado boas soluções. Alguns dos cafés escolhidos até poderão ter uma ou outra ligação ao município, mas são cafés no sentido tradicional do termo. São locais informais onde os jovens se juntam naturalmente, tomam café, convivem, discutem e lêem, porque não. Esposende e Ponte de Lima, pelo contrário, parecem ter escolhido o caminho mais fácil e o facilitismo acaba sempre por se pagar.

Voltemos a Ponte de Lima. Não seria bom se um café na zona das escolas ou, por exemplo, no centro histórico, ou noutro qualquer local, aderisse a esta iniciativa? Não teria esta iniciativa outro impacto na comunidade? Que empenho existiu do município para incentivar a sociedade civil a aderir a este projecto? Não terão, à priori, preferido o caminho mais fácil?

Talvez isto seja reflexo da falta de uma política cultural coerente, com rumo e objectivos específicos.

sexta-feira, março 23, 2007

Alto Minho artigo de 23-03-2007

A poesia das palavras

Está quase aí o Festival de Jardins de 2007. Esta é uma (a) das grandes apostas da Câmara Municipal de Ponte de Lima. Claro que o marketing é uma das mais valias deste evento, pelo menos para já. A página web (http://www.festivaldejardins.cm-pontedelima.pt/) deste evento é uma
das melhores conseguidas da autarquia, a anos-luz da da Biblioteca (http://www.biblioteca.cm-pontedelima.pt/), por exemplo.

Recentemente encontramos uma nova funcionalidade, a descrição de outros jardins para além dos do Festival. Ainda bem, assim todos podem constatar que em matéria de jardins, a nossa sede de concelho continua como dantes, e olhem que não é como em Abrantes, na zona nova não existe um único jardim. Eis a política urbana do município mais uma vez na sua realidade. Já agora, a página web é da Câmara Municipal, logo a informação é a oficial.

Voltemos à página web do Festival de Jardins. Uma vez lá, escolha o item "pela vila", (como Arcozelo também é vila, não deveria ser pelas vilas?), e entre os jardins da vila (repito o reparo anterior...) escolha o Jardim Adelino Sampaio. No texto sobre este jardim a dada altura pode ler-se o seguinte, "alerta-se o visitante para o relógio de sol integrado neste jardim, para o Monumento ao Poeta António Feijó e para a Fonte da Vila – não esqueça que, se beber desta água, não mais abandonará Ponte de Lima (… assim reza a tradição…)".

Percebe-se a poesia das palavras, o que já não se percebe é o que na realidade o visitante encontra ao chegar à dita fonte. Uma placa avisa para o facto do consumo daquela água ser impróprio. Assim sendo, o que poderá acontecer ao visitante, depois de beber daquela água, é realmente ficar por Ponte de Lima mas, provavelmente, no "conforto" do hospital Conde de Bertiandos a curar o potencial desarranjo intestinal que esta lhe terá provocado...

terça-feira, março 20, 2007

Alto Minho artigo de 20-03-2007

Momentos decisivos também para o CDS alto-minhoto

Pelo que uma rádio local noticiou, a eleição da distrital do CDS, de Viana do Castelo, já se deveria ter realizado, mas ainda não estão sequer marcadas, e a notícia não foi desmentida pelo líder distrital, Abel Baptista. Porque será? Fará esta situação parte de um plano "portista"?

A distrital de Viana do Castelo do CDS tem a força moral de ser a única no país com uma câmara realmente "centrista", a de Ponte de Lima. No entanto essa “moral” deve-se a Daniel Campelo, que, por sua vez, fez recentemente acusações graves sobre Paulo Portas. Depois das palavras estará disposto Daniel Campelo a passar às acções e conquistar a distrital de Viana do Castelo para Ribeiro e Castro?

Abel Baptista tem desempenhado bem o papel de deputado mas qual o seu desempenho enquanto líder da distrital de Viana do Castelo do CDS? A verdade é que este partido continua com uma fraca representação no distrito. Mesmo em Ponte de Lima, o suposto último bastião centrista nacional, o partido propriamente dito parece ter sido substituído por uma espécie de cultura de personalidade, o "campelismo". Mas, é preciso dizer que a culpa não é apenas do actual líder centrista mas também dos líderes que o antecederam, o maior dos quais o próprio Campelo, que induziram o CDS distrital num caminho interno de terra queimada.

Será que, com tudo isto, Baptista tem realmente a força interna que aparenta ter? Paulo Portas conta com ele para manter a distrital de Viana do Castelo sobre controlo, agora falta saber se os seus "amigos" locais se resignarão a tal sorte.

E Campelo? Depois do que afirmou publicamente sobre o regresso de Portas como reagirá se esse cenário se concretizar? Passa definitivamente à condição de independente? Afasta-se da política partidária, da política activa? Para ser coerente primeiro deve assumir uma candidatura à distrital, se não o fizer, depois do que afirmou, a atitude face a uma vitória de Portas é apenas uma, a de se afastar a fim de evitar levar o CDS em Ponte de Lima para uma situação pantanosa.

No entanto, e na verdade, com toda esta "guerra" nacional, a distrital de Viana do Castelo do CDS poderá vir a ter, no futuro, um papel fundamental, com os seus líderes, provavelmente, a serem chamados a desempenharem responsabilidades nacionais no partido. Resta saber quem eles serão.

quinta-feira, março 15, 2007

Alto Minho artigo de 15-03-2007

Uma verdade regional inconveniente

Um problema anexado à nossa ruralidade é o nosso individualismo. Cada um vê-se a si mesmo e fica feliz com isso. Não existem muitas dúvidas sobre a necessidade de um SAP nos Arcos de Valdevez, os concelhos dos Arcos e da Barca têm uma população muito dispersa e os acessos não são os melhores. Mas daí a usar argumentos do género de que Ponte de Lima não necessita de urgência por estar a 20 minutos de Viana é recorrer à demagogia. Infelizmente, aqueles dois concelhos parecem não desejarem a solidariedade vizinha, o que é, acima de tudo, pena. Mais uma vez a verdade da região veio ao de cima e quase parece já ser uma máxima alto-minhota o "cada um por si… -a não ser que me dê algum jeito envolver mais alguém para atingir os meus fins". Olhem para os exemplos recentes vindos de Viana do Castelo, de Monção, de Melgaço...

"Os de Lisboa" podem não saber muitas coisas, mas sabem quem vale o quê e quanto. Somos uma região pequena, mas, mesmo nesta, 30 mil pessoas não é exactamente o mesmo que 100 mil e 100 mil não é o mesmo que 300 mil. Se se continuar a apostar no micro cosmo, no umbiguismo, bem podem agitar bandeiras os deputados do PCP do Porto (o PCP não tem deputados por Viana do Castelo e os do Porto vêm cá dar uma perninha) ou o do CDS de Viana do Castelo que em nada irá resultar. Infelizmente, no Alto Minho ou se é pelas lógicas nacionais ou pelas lógicas de coutada, não há o intermédio. Mais uma vez é pena porque seria neste que encontraríamos a força, o chamado lobi, para que "os de Lisboa" passassem a respeitar a nossa região.

terça-feira, março 13, 2007

Alto Minho artigo de 13-03-2007

PSP

O posto da PSP irá continuar em Ponte de Lima. O comissário João Amaral garantiu, após reunião com o Ministro da Administração Interna, que o posto a PSP, como é necessário, irá permanecer em Ponte de Lima. Mais tarde a notícia foi confirmada pelo Presidente da Câmara, Daniel Campelo, e pelo Presidente da Assembleia Municipal, Abel Baptista, que, também eles, no mesmo dia, se reuniram com o mesmo ministro. Alguns não gostaram muito desta decisão. Paciência.

Mas, a “sua causa” não está de todo perdida. O governo deu com uma mão mas parece pronto para tirar com a outra. Daniel Campelo veio falar de pequenas arestas por limar neste processo, que, na verdade, de pequenas não têm nada. O governo prepara-se para retirar da vila de Arcozelo, da freguesia da Feitosa e da freguesia da Ribeira o patrulhamento misto, passando-o em exclusivo para a GNR. Isto quer dizer que a PSP, embora mantendo o seu posto, retira-se das freguesias mais próximas da sede do concelho, precisamente aquelas onde faz sentido manter-se. Estas freguesias integram a cintura urbana, são zonas de crescimento da própria sede do concelho, onde é já difícil verificar onde começa uma freguesia e acaba a outra, onde a tradição histórica, no caso da Além-da-Ponte em Arcozelo, por exemplo, sempre integrou este bairro como mais um da “vila”, pese embora o rio que o separa dos outros e o facto de administrativamente pertencer a outra freguesia.

A concretização desta pretensão do governo, e a Câmara Municipal tem a obrigação acrescida de demonstrar ao governo o erro desta situação, nada mais significa que a PSP começou, de facto, a retirar-se de Ponte de Lima. Daqui a uns tempos os critérios populacionais voltam a ser os vigentes e aí alguns, já rosados de felicidade, poderão cantar: vitória, vitória acabou-se… a PSP em Ponte de Lima.

quinta-feira, março 08, 2007

Alto Minho artigo de 08-03-2007

Proposta

O vereador da cultura proponha, na reunião do Executivo Municipal do dia 12 de Fevereiro, mudar o feriado municipal para a terça-feira posterior às Feiras Novas. Como argumento usou os exemplos dos feriados do Porto e Lisboa que coincidem realmente com o dia de festa. Terça-feira? Mas esse é o dia onde tudo está fechado, onde nada se passa em Ponte de Lima, é o dia mais morto do ano… Se o argumento fosse esse, talvez viesse a encontrar quem o apoiasse (já que está tudo fechado e está) mas, pelos argumentos usados, não parece ter sido esse o objectivo. Para ser coerente com a fundamentação apresentada talvez teria sido melhor o vereador referir a segunda-feira de Feiras Novas, não? O Presidente da Câmara, provavelmente assolado pela mesma dúvida, retirou esse ponto da discussão e tudo ficou como dantes…

Uma coisa é certa, que este é um assunto que deveria suscitar algum debate, lá isso deveria, até porque o feriado actual nada parece dizer aos limianos. No princípio de 2006, o então deputado municipal independente, eleito nas listas do PSD, Francisco Abreu Lima, defendia que o feriado deveria passar para o dia 4 de Março, dia da outorga, por Dona Teresa, do foral a Ponte de Lima. Porque não?

terça-feira, março 06, 2007

Alto Minho artigo de 06-03-2007

Mercado Municipal

Desde o princípio do século XX que os limianos viviam com o edifício do Mercado Municipal, umas vezes com maior actividade outras com menos, mas todos, de todas as freguesias, conheciam o Mercado. Durante anos fomo-nos habituando aos comerciantes, alguns ainda se lembrarão do “Conacha”, por exemplo, e das lojas de flores, das peixarias, dos talhos, das lojas de frutas… Várias foram as gerações da mesma família que labutaram lá. No final do século XX principio do XXI, a Câmara Municipal de Ponte de Lima decidiu fazer obras de intervenção no edifício. Mas, o que parecia uma intervenção de requalificação, transformou-se numa obra de descaracterização do espaço. Apesar do novo edifício que lá nasceu, perdeu-se toda a componente humana. Os lojistas quase que desapareceram, e os cheiros da fruta, das flores, o aroma próprio, tão querido em outras paragens, foram descartados pelos valores astronómicos pedidos pelas novas lojas e pela nova visão que a Câmara tinha para aquele espaço.

A verdade é que, após pouco mais de um ano, já se previa onde a “nova visão” iria levar. Na altura, o novo edifício era ocupado, em parte, por animais vadios que conspurcavam o espaço, o mercado propriamente dito, o de sábado, era uma visão daquilo que já tinha sido. A tal defesa do mundo rural, tão propagada por alguns políticos, foi ali exposta na sua mais cruel realidade…

A aposta cultural não passou de uma tentativa, tendo apenas o concelho ganhado um espaço, sem grandes condições, para a realização de esporádicos e pequenos concertos de musica, funcionando como que uma discoteca improvisada.

Mercado Municipal… Onde está? Morreu e hoje pouco mais é que um edifício sem grande identidade local, onde alguns investidores abriram e fecharam lojas, lojas como todas as outras, longe, bem longe, do espírito que já lá um dia existiu.

quarta-feira, fevereiro 28, 2007

Alto Minho artigo 27-02-2007

Será como a lenda do D. Sebastião?

Todos ainda se lembrarão do ano anterior às eleições autárquicas. Estarão recordados de Montenegro Fiúza, activista cívico, Montenegro comentador, Montenegro político. Neste último caso recordarão a forte intervenção que tinha. Com o aproximar das eleições a dinâmica criada pelo então líder do PS local era considerável ao ponto de criar, não diria nervosismo, mas alguma “comichão” aos outros candidatos. Mas eis que após as eleições tudo se esfumou, Montenegro Fiúza deixou a vereação. As motivações e justificações poderão ser muitas e perfeitamente plausíveis, mas as promessas feitas, inclusive no encerramento de campanha, não foram cumpridas. As pessoas que votaram no PS como voto de esperança, de novidade foram defraudadas. No fundo o presente ficou aquém do embrulho.

O PS tem assim um problema. Montenegro Fiúza mais cedo ou mais tarde quererá voltar, que explicação dará nessa altura o PS ao eleitorado? E onde fica o actual líder concelhio, Jorge Silva? Montenegro Fiúza terá muito que caminhar para limpar o estigma que a sua escolha lhe firmou.

Crise nas autarquias

Com as constantes notícias sobre casos nas autarquias muitos serão os que neste momento pensarão duas vezes sobre a sua conduta passada e presente. Ninguém pode negar, há, de facto, a necessidade de uma maior transparência na vida das autarquias. Ao contrário da mulher de César, que além de ser deveria parecer, não basta parecer é preciso ser. E muitos são os autarcas que escondidos deixam o rabo de fora.

Uma coisa é certa, ninguém, que ocupe um cargo público com uma conduta, política ou pessoal, que não se coadune com o mesmo, pode pensar que está a salvo, que se pode esconder. A verdade, já diz a sabedoria popular, vêm sempre “ao de cima”.

Mais uma Assembleia Municipal

Ser membro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, é com certeza, um dos lugares mais ingratos que alguém pode exercer. A influência dos membros é mínima ou nula; da parte dos que dominam a assembleia, os do CDS, não há independência ou, por outra, não existe uma visão crítica face ao desempenho do executivo. Os membros da maioria, absolutíssima, aos quais se juntam ainda alguns dos presidentes da junta, apenas servem para que a Assembleia Municipal cumpra como que o rito de existir. Imagino a frustração política daqueles que ao serem eleitos pensaram que, agora sim, poderiam influenciar positivamente as políticas camarárias, influenciar a vida da comunidade e que, na conjuntura actual, se vêem como uns simples piões que servem apenas para levantar ou não a mão ao ritmo do maestro.

É preciso dar outra dignidade à Assembleia Municipal, a deslocalização das sessões é positiva, mas não chega. É necessário criar comissões temáticas de trabalho que, de uma forma descomprometida, trabalhem em prol do concelho, encontrando políticas, indicando problemas e resoluções. O Presidente da Assembleia tem a obrigação de não deixar que esta Assembleia Municipal passe a ser apenas um pró-forma.


Caríssimo Nuno,
Li com muita atenção e interesse a tua coluna "Prometo Ser Breve", subordinada ao título "Será como a lenda do D. Sebastião", publicada no Bissemanário "Alto-Minho" do dia de hoje (27.Fevº.2007). Naturalmente que a liberdade de opinião é uma realidade no Portugal democrático, onde cada um é livre de exprimir o seu ponto de vista face a qualquer situação. Porém, ao expressarmos qualquer representação do nosso espírito ou qualquer sensação que nele se origina, devemos ter o cuidado de conhecer a realidade ou, de algum modo, conhecer os contornos dessa mesma realidade, sob pena de nos depararmos com verdades sofismáveis.
Neste contexto, agradeço sensibilizado a preocupação que revelaste para com o "líder concelhio" do PS, nomeadamente, com a tua inquietação sobre "onde fica" Jorge Silva. Pessoalmente, devo dizer-te que me encontro relativamente bem no tempo e no espaço, e que estou extremamente bem, não só com a minha consciência, mas também com a postura sócio-política e acção desenvolvida.
Para quem não conheça a minha actividade no âmbito do Executivo Municipal, estou completamente dísponivel para facultar, verbalmente ou por escrito, todos os dados/documentos julgados mais convenientes, com a vista a dissipar qualquer dúvida.
Quanto às alusões ao Partido Socialista, de igual modo, devo referir-te que a agenda do Partido é organizada e definida pelos Militantes Socialistas, pelo que, não se subordina a outro tipo de ditames.
Creio ter ajudado a esclarecer alguma confusão de ideias subjacentes no artigo jornalístico supra mencionado.
Sempre ao dispor, aceita um abraço amigo de Jorge V. Silva



sexta-feira, fevereiro 23, 2007

Alto Minho artigo 23-02-2007

Informação

Não sei se será da herança das já três décadas de governação CDS ou mais especificamente dos doze anos que Daniel Campelo leva a comandar os destinos do concelho de Ponte de Lima, mas é notória a falta de apetência deste executivo camarário para a abertura e divulgação da informação. O controlo é grande, não existe um interlocutor, apenas um vice-presidente da Câmara que faz de porta-voz das reuniões do executivo, mas, claro, sem deixar espaço à normal curiosidade dos jornalistas em aprofundar a matéria. Os munícipes deveriam ter acesso às minutas e actas das reuniões da câmara, saber inclusive o que lá se irá passar. Actualmente, até os vereadores da oposição, por exemplo, apenas sabem o que irão discutir na sexta-feira anterior às reuniões e de uma forma muito, mas mesmo muito, genérica.

Hoje, com a tecnologia disponível, não há justificação para esta forma de actuar, a não ser, talvez, a dificuldade que este executivo tem vindo a demonstrar em adaptar-se e em abrir-se aos novos tempos.

Por falar em informação

Bem sei que o vereador da cultura, juventude, educação e desporto à ideia da construção de uma nova biblioteca contrapõe a aposta que o município tem feito nas bibliotecas escolares. Embora uma coisa não impeça a outra, até se compreende a lógica deste pensamento, mas cada vez menos. A realidade é que o que está a acontecer em Ponte de Lima é uma sucessão de políticas avulsas que se vão sobrepondo umas às outras, não deixando espaço para uma só política integrada na área cultural.

Os museus, o dos Terceiros irá ser finalmente inaugurado no dia 4 de Março, a Biblioteca Municipal, as bibliotecas escolares, o Arquivo Municipal, o Centro Internet e mais alguns serviços deveriam ter uma só política integrada, criando, assim, uma rede de informação municipal. Esta seria apenas uma das potencialidades dessa rede de informação municipal, porque poderia ser expandida a outros serviços da Câmara, como por exemplo o das obras. Seria óptimo criar-se a possibilidade de acompanhar em tempo real o nosso processo de licenciamento de obras bastando para isso uma password para ligação à rede.

A edificação de uma biblioteca nova, necessidade gritante que qualquer utente da actual biblioteca sente, poderia ser aproveitada para centrar aí a coordenação da dita rede de informação municipal na vertente cultural. O edifício no centro histórico, que actualmente alberga a Biblioteca Municipal, poderia ser aproveitado para albergar o fundo antigo bem como exposições permanentes sobre algumas das mais marcantes personalidades limianas.

Questões ainda pendentes, sem resposta

Durante todo o verão, por causa da má qualidade das águas, as praias do Arnado e Dona Ana estiveram interditas. O vice-presidente e vereador do ambiente da Câmara limiana, Vítor Mendes, afirmou na altura que se iria fazer um levantamento sobre as causas e os culpados. Qual é o resultado desse levantamento? Quem foram os culpados e o que lhes aconteceu? O que se tem feito para prevenir e melhorar a qualidade das águas junto à ponte velha onde tantos jovens se banham?

O vereador Gaspar Martins entregou o pelouro das Feiras e Mercados. Sendo que este vereador é o “decano” do executivo Campelo, seria necessária uma explicação convincente que ainda não existiu. Será que a manifestação dos feirantes, logo depois deste pelouro ser assumido pelo Presidente da Câmara, teve alguma relação com essa mudança? Terá Campelo perdido a confiança política no seu, até aqui, braço direito? Ou terá sido o vereador a perder a confiança no Presidente?