sexta-feira, outubro 26, 2007

Alto Minho artigo 26-10-2007

Pedreiras

O assunto “pedreiras” é quase tabu em Ponte de Lima. Se por um lado é um dos grandes pilares económicos do concelho é também (agora a parte tabu) um dos sectores aparentemente com menor aplicação da regulamentação existente. Já se escreveu muito sobre este assunto e várias foram as explicações dadas. Alegou-se que as explorações estavam a ser acompanhadas por técnicos, que as regras estavam a ser cumpridas… A verdade é que o impacto ambiental e visual é uma realidade incontornável (e não é só visível do largo de Camões…). A Junta de Freguesia de Arcozelo tem feito um esforço louvável para que as mudanças inadiáveis tenham o menor impacto possível num sector que, pese embora a sua importância, por vezes parece ter pés de barro.

Em todo o caso, algo tem ser feito na parte ambiental. Manuel Fernandes já escreveu que com a reflorestação da serra de Antelas o impacto seria menor. Talvez, mas nada tem sido feito nesse sentido e, na verdade, não é só o impacto visual que está em causa. No entanto, não é só na freguesia de Arcozelo que existe este problema. A freguesia de Fornelos também alberga uma exploração que mais parece uma cratera espacial.

Muitos da “inteligenttia” limiana dir-me-ão que as explorações de pedra são mesmo assim, e assobiarão para o lado com medo, quiçá, de perder alguns votos. Lamento, mas se é verdade que em todas as indústrias existem danos colaterais, não o é menos que estes têm de ser minimizados ao máximo. A responsabilidade começa precisamente nos industriais até, e se não fosse por mais nada, como responsabilidade social das próprias empresas para com a comunidade.

Estacionamento selvagem “pesado”

Na zona da escola primária da Freiria em Arcozelo, mais precisamente na estrada nacional que a ladeia, estavam, numa noite da semana passada, seis camiões TIR estacionados. Esta é uma zona bem localizada e procurada pelos camionistas para estacionamento.

E que importância tem este facto? A importância de significar menor segurança quer para os condutores quer para os peões. Não consigo, por isso, perceber o porquê do adiamento da construção do parque TIR no terreno comprado e anunciado para o efeito, na saída da auto-estrada na Ribeira. Será que a Câmara Municipal pensa que o assunto se resolve por si só? É que o exemplo dado em cima é não passa disso mesmo, um exemplo, a situação multiplica-se um pouco por todo o concelho. Até quando se arrastará este problema de (in)segurança rodoviária?

sexta-feira, outubro 19, 2007

Alto Minho artigo 19-10-2007

Segurança

Aparentemente o posto da GNR de Freixo irá fechar. Algumas perguntas se impõem: Será que alguém sabe das condições nas quais se fazem as patrulhas no concelho de Ponte de Lima? Sabiam que já existem patrulhamentos conjuntos, um carro com agentes de Freixo e de Ponte de Lima para todo o concelho? Alguém ainda recorda que a PSP foi retirada das freguesias de maior densidade populacional e que estas foram entregues à GNR? Alguém se importou com o facto dessa nova responsabilidade da GNR não ser acompanhada por reforços de qualquer tipo, materiais ou humanos?

Será assim que as nossas necessidades de segurança são colmatadas?

É necessário que os vários poderes, políticos e civis, os partidos da oposição, as forças vivas do concelho se unam, não em torno de questões acessórias mas de uma fundamental, a segurança no concelho como um todo. Ponte de Lima precisa de mais segurança que só existirá com mais agentes e mais meios materiais. Passar os agentes do posto de Freixo para o de Ponte de Lima e pensar que é um reforço é uma falácia que deverá ser rejeitada com veemência. Agora, no actual estado da coisa, o fecho do posto de Freixo é apenas a consequência lógica….

Eleições no PSD

Perguntam-me porque não escrevo sobre as eleições no PSD como outros têm feito. Em primeiro lugar porque os leitores do “Alto Minho” são-no pelas notícias da região e depois porque pouco há para dizer sobre o assunto. Poderia citar Zeca Afonso “muda de rumo, muda de rumo, já lá vem outro carreiro” mas prefiro, pois parece-me mais apropriado, a Divina Comédia de Dante “Em veste de pastor, lobos rapaces vêem-se daqui sobre todos os pastos.”

sexta-feira, outubro 05, 2007

Alto Minho artigo 05-10-2007

Antes existia a Contribuição Autárquica. Quando esta acabou, foi criado o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) e logo as autarquias protestaram por causa da potencial queda de receitas.

A verdade é que muitos municípios aplicaram logo a taxa máxima de IMI. Ponte de Lima não foi excepção. É evidente que esta aplicação foi acompanhada por justificações, com a nova taxa viria uma quebra insustentável das receitas pelo que a taxa máxima seria apenas para garantir que não existiria essa quebra, posteriormente, anunciava-se, com o equilíbrio das contas, baixar-se-ia o imposto.

Com o tempo verificou-se que essa quebra não era assim tão grande, sendo mesmo, por vezes, até inexistente. Em muitos casos as receitas aumentaram até para além do previsto. Quando observaram esta realidade, muitas Câmaras, atendendo a que a gestão camarária deverá ser para o munícipe, baixaram o IMI para a taxa mínima ou então para muito perto desta.

Não em Ponte de Lima. A Câmara Municipal limiana apenas baixou o IMI no ano transacto preparando-se para o fazer no presente ano. Baixou, é verdade. Mas que consequências terá essa redução? Para a Câmara Municipal algumas, mas não muitas. Para os limianos pouco, muito pouco, quase nada.

Seria bom, até para clarificar, que a Câmara Municipal, tão célere a passar para a comunicação social esta “imprudente” redução, tornasse público quanto a receita aumentou ou diminuiu com a mudança da Contribuição Autárquica para o IMI. Seria igualmente interessante se a Câmara Municipal de Ponte de Lima justificasse o porquê desta “reduzida” amostra de redução do IMI. Daniel Campelo, no seu programa eleitoral, afirma que com o aumento da receita (não é o Município de Ponte de Lima um dos que mais dinheiro tem em caixa?) iria efectivamente baixar os impostos. Por que é que a redução é apenas, digamos, simbólica?

Os limianos, para esta gestão, são vistos apenas como números. Independentemente da conjuntura, dos indicadores negativos, os limianos continuam a pagar e pagar. Não acredita? Vá verificar a sua conta da água e compare-a com igual período do ano transacto…

sexta-feira, setembro 28, 2007

Alto Minho artigo 28-09-2007

Há municípios que têm algo semelhante a agências de captação de investimento. Trabalham de forma a aumentar o leque de potenciais investidores nos respectivos concelhos. No de Ponte de Lima, não. A Câmara Municipal parece mais ocupada em fazer de, pasme-se, agência imobiliária.

As Finanças sempre se mudaram. Da praceta Vieira de Araújo passaram para junto do hospital. Força do mercado imobiliário? Não, da Câmara Municipal de Ponte de Lima.

Com uma total ausência de sensibilidade de gestão urbanística, segue uma política retrógrada e já em desuso de centralizar todos os serviços num só espaço. Mas não num espaço qualquer. As Finanças são, sem dúvida, um bom inquilino pelo que o “presidente” da “agência imobiliária” Câmara Municipal de Ponte de Lima achou por bem captar o “cliente” para um dos edifícios do parque de estacionamento, junto do referido hospital Conde de Bertiandos.

A Câmara consegue assim dois “bons” objectivos. Por um lado acabar com o que resta de vitalidade na zona do velhinho Centro Comercial Rio Lima. Bem, pode ser que algum investidor chinês, daqueles que a AEPL foi captar, queira lá investir…

O outro objectivo parece já ser marca deste executivo. O de ajuda à Santa Casa da Misericórdia. Esta era a senhoria do anterior espaço das Finanças, mas com o empenho da “imobiliária municipal” perde uma fonte de receita. Será por isso que as crianças ou idosos, aos quais a Santa Casa da Misericórdia presta assistência, terão menos condições? Certamente que não. Usar este argumento seria recorrer a um populismo em que alguns são useiros e vezeiros. Mas é inegável que certamente não ajudará.

É verdadeiramente lamentável que ao invés de tentar colocar estrategicamente os serviços presentes na sede de concelho, a Câmara Municipal agregue todos num só espaço. As anteriores zonas que albergavam esses serviços foram simplesmente votadas ao abandono pela Câmara Municipal. Mas num espaço sem aparcamento livre, sem vias de comunicação condignas e com escala suficiente para o trânsito que afluirá em massa para aquele local, neste momento, estão concentrados o Tribunal, o Centro de Saúde, o Hospital, as Finanças e a Adega Cooperativa. Nada mau para uma zona com ruas em que mal cruzam dois automóveis.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Alto Minho artigo 21-09-2007

As Feiras Novas de Ponte de Lima já alcançaram um patamar diferente do das outras festas do Alto Minho. As Feiras Novas são A Festa do Alto Minho. Talvez já não o sejam na autenticidade, isto comparando, por exemplo, com as festas de S. Bartolomeu de Ponte da Barca, mas com características únicas atrai um número cada vez maior de jovens ao coração do Alto Minho. Mas o brilhantismo das festas não se fica pelos jovens, a festa perpassa todas as gerações, classes e credos, dos mais tradicionais amantes das concertinas, passando pelo amante das bandas de musica até aquele que apenas gosta da batida de Bob Sincler. Este é talvez o segredo do sucesso cada vez maior das Feiras Novas.

Este ano as festas correram melhor que no ano passado. Para além da gente, sempre difícil de contabilizar, a dispersão da música gravada entre o centro histórico, que acabava mais cedo, e a EXPOLIMA, até ao raiar do sol, resultou muito melhor, as rusgas foram muitas, os cantores ao desafio fizeram-se notar e as Bandas de Música brilharam na sexta feira pela noite fora.

A comissão de festas está, de facto, de parabéns.

Mas é preciso ter em conta alguns factores. Um deles precisamente devido ao sucesso. Não é admissível que alguém que queira vir a Ponte de Lima tenha que esperar sentado no carro três ou quatro horas para poder estacionar. São necessários mais parques de estacionamento na periferia. Em Arcozelo, na saída do túnel de Sabadão, em Brandara, na Ribeira, na Correlhã e na Feitosa/Fornelos. A existência de um círculo de segurança, que progressivamente se alargaria conforme as horas e o aperto aumentam seria de equacionar no futuro. Outro aspecto é o facto das festas se realizarem com maior ênfase na sexta-feira e no sábado ao invés do que até há poucos anos acontecia. Talvez já fosse tempo de rever algumas actividades, prolongar as Bandas de Musica para o sábado à noite, por exemplo. O fogo de artifício de domingo, em consonância, deveria passar para a noite de sábado, com a quantidade de visitantes presentes no sábado faria mais sentido.

As Feiras Novas terminaram. Como sempre já se pensa nas próximas.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Alto Minho artigo 14-09-2007

“Quero ir às Feiras Novas” canta o cantor popular Canário. Eis a frase que ressoa na mente de todos os limianos bem como em centenas de forasteiros que, neste fim-de-semana, invadirão as ruas de Ponte de Lima.

Todos anos, Ponte de Lima ganha uma dimensão fantástica no fim-de-semana da festa. As concertinas, os bombos, o cheiro a churrasco, as pipocas, as farturas, o pão com chouriço e, claro, as primeiras castanhas. Tudo isto faz parte do clima das Feiras Novas.

Desde há muito que as festas vêm seguindo um caminho de alargamento. Junto dos jovens a sua divulgação é cada vez maior. Qual não é o limiano que fora de Ponte de Lima, na universidade por exemplo, não convida os seus amigos para cá passarem nas festas? São centenas aqueles que conheceram o nosso concelho desta forma e que, ano após ano, cá vêm, numa tradição dentro da própria tradição das Feiras Novas.

As ruas do centro histórico adquirem um colorido só comparável ao das ruas de cidades como Santiago ou Vigo em passagem de ano. O ambiente de festa é inegável, é palpável.

No ano passado, a Câmara decidiu pôr fim a alguns exageros que começavam a tomar proporções preocupantes. Contudo, não o terá feito da melhor maneira. A começar pelos argumentos de desvirtualização da festa (quem a conduziu até aqui?), do barulho (é verdade mas o mesmo critério não é aplicado a outros casos, até mais recorrentes) até à alternativa apresentada. A razão foi boa, mas a solução foi má.

Este ano espera-se que a solução passe pela bipolarização da “movida” já associada às noites das Feiras Novas. A EXPOLIMA tem melhores condições que no passado, é certo, e o esvaziamento de parte das pessoas das ruas do centro histórico também é de saudar, mas é preciso não conduzir obrigatoriamente essas pessoas para o referido espaço. Poder-se-ia cair em exageros e na “guetização”, como se percebeu no ano passado, com tudo o que daí advém.

Com as actuais condições e com uma maior vigilância das autoridades, a EXPOLIMA poderá passar a ser um óptimo complemento para quem procura sons mais, digamos, modernos nas Feiras Novas.

Não poderia acabar este artigo sem uma palavra de apreço pela homenagem a Manuel Luciano, membro durante anos da Comissão de Festas das Feiras Novas, feita no programa do Cortejo Etnográfico numa imagem que realmente faz parte da memória colectiva.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Alto Minho artigo 07-09-2007

Depois de no programa “A Alma e a Gente”, que passou no canal A Dois no passado domingo, serem apresentadas estatísticas sobre Ponte de Lima assaltou-me a curiosidade de consultar as estatísticas oficiais, as do Instituto Nacional de Estatística, para perceber alguns comentários de José Hermano Saraiva.

Ponte de Lima é de facto um recanto cheio de beleza e por isso os limianos são abençoados pela natureza. A qualidade de vida proporcionada pela natureza é realmente boa.

Da mesma forma, os grandes centros culturais e económicos estão a um pequeno passo de Ponte de Lima. Porto, Braga, Vigo e até Santiago de Compostela são já ali. Este factor contribui também para que muitos limianos encontrem outro tipo de qualidade de vida, a económica. São cada vez mais os limianos que deixam a “qualidade de vida natural” de Ponte de Lima para irem trabalhar nas cidades vizinhas, especialmente na Galiza. Ainda no número anterior deste jornal se constatava a movimentação cada vez maior de alto-minhotos para a Galiza procurando educação e emprego. Quase todos os limianos têm conhecimento de alguém que partiu para a Galiza. É uma realidade incontestável.

O INE diz-nos que o poder de compra da região do Minho-Lima é de 1,611%, o terceiro mais baixo da região norte, e que o de Ponte de Lima é de 0.223%, o segundo mais elevado do distrito. Para Daniel Campelo parece bastar Ponte de Lima ser um dos melhores entre os piores. É pena. Sendo o Presidente da Câmara de Ponte de Lima deveria governar com outra ambição, a “garra” que outrora lhe imputavam parece ter ficado num passado longínquo.

Ponte de Lima torna-se cada vez mais um concelho sem estratégia e sem ambição.

sábado, setembro 01, 2007

Alto Minho artigo 01-09-2007

Para a maioria, as férias ou já fazem parte do passado ou estão praticamente a fazê-lo. Ponte de Lima triplica no mês de Agosto, devido aos emigrantes que “invadem” as nossas freguesias, na sua maioria ainda de vindos de França, mas também aos que, ficando em Portugal, escolheram as grandes cidades para viver, nomeadamente Lisboa. Nem eles nem os seus descendentes deixam de passar uns dias “na terra”.

Se há mês em que Ponte de Lima ganha uma vida social cosmopolita é Agosto. Pelas ruas ouvem-se as mais variadas línguas, e não é só as dos emigrantes, os mais variados sotaques. Aqui e ali vêem-se e ouvem-se visitantes de paragens longínquas do norte da Europa.

Talvez fosse tempo de pensar e delinear uma estratégia para aumentar e prolongar esse “cosmopolitismo”. Uma estratégia que envolvesse os interesses económicos do concelho, bem como as associações. São necessárias actividades lúdicas de divulgação do património, coisas práticas.

Há alguns anos, a Junta de Freguesia de Refoios do Lima organizou um Verão de actividades para os jovens da freguesia. De entre essas actividades realizou-se um roteiro do património que culminou numa caminhada cujo objectivo principal era dar a conhecer esse património bem como os limites geográficos da freguesia aos jovens. Nada de maçudo, apenas um aperitivo para aguçar a curiosidade. Deste modo muitos jovens ficaram a conhecer as confrontações da sua freguesia bem como muitas das suas riquezas.

Este é um exemplo muito localizado, é certo. Mas actividades como visitas organizadas ao património seriam bem vindas não só para os nossos visitantes mas também para nós limianos que por vezes temos um conhecimento enviesado da nossa história. Anos atrás, foi apresentado um projecto de guias áudio para acompanhar as visitas ao centro histórico. Como está esse projecto? Ainda existe? Há divulgação do mesmo? Se ainda existe, talvez seja a altura de o expandir para as freguesias, quantos e quantos monumentos lá existem que ficam no esquecimento colectivo.

É tempo de apostar na diferenciação, na personalização. Talvez seja tempo de mudar o paradigma.

sábado, agosto 25, 2007

Alto Minho artigo de 24-08-2007

Ponte de Lima é uma vila com um centro histórico simpático, com um passado soberbo, com recantos bucólicos únicos e com pessoas perseverantes que constroem diariamente a “terra rica da humanidade”. Quem passar uns dias no concelho limiano constatará isso mesmo. Mas afinal quem vem a este concelho limiano passar férias? Eis uma pergunta que não sei até que ponto pode ser respondida com exactidão. Esta e muitas outras perguntas relacionadas com as diferentes actividades económicas desenvolvidas no concelho parecem sempre encalhar na falta de interesse dos responsáveis políticos. Será que interessa a alguém saber se existe algum plano municipal no que concerne às actividades económicas? Um plano económico para o concelho?

Já repararam como não existem zonas onde em caso de necessidade se possa deslocar porque lá se encontram empresas que se dedicam ao que eventualmente necessita? Estas estão espalhadas por tudo o que é lado, quer sejam zonas supostamente residenciais ou não.

Realmente planificação é algo que parece estar ausente em Ponte de Lima. Não uma planificação ao estilo marxista, não. O que se pretendia ver era uma planificação dos “alicerces”. Preparar aquilo que depois os investidores iriam desenvolver. Isto também passa pela planificação urbana. Estas até estão intimamente relacionadas.

Bem sei que quem se passeia por Ponte de Lima apenas diz “coisas boas” sobre o nosso concelho. Ainda bem. Significa isso que alguém, providencialmente, os poupou à desilusão que seria verificar que o “progresso” dos últimos anos apenas aproximou Ponte de Lima da vulgaridade, da normalidade de qualquer pequena cidade de subúrbio ou grande vila de “província”. Sem uma rede de transportes, sem vias de comunicação estruturantes, sem, lá está, planificação.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Alto Minho artigo de 17-08-2007

O mês de Agosto é o mês escolhido por milhares de portugueses para tirarem férias. É também o mês em que muitos imigrantes voltam à sua terra natal, aproveitando o tempo para tratarem de burocracias, para passearem por Portugal e para conviverem com a sua família distante durante a maior parte do ano.

Ponte de Lima é um dos destinos privilegiados para esses pequenos passeios. As margens bucólicas ajudam a esse atractivo, as águas mansas do rio Lima também. Mas eis que na comunicação social, em horário nobre, se fica a saber que em Ponte de Lima - em Ponte da Barca já não é assim -, os locais usados por gerações de limianos e agora milhares de forasteiros, que até já ostentaram a bandeira azul, estão interditos a banhos. Esta situação arrasta-se desde o ano passado e o que fez a Câmara Municipal? Nada. Ao seu presidente parece bastar-lhe o consolo de os referidos locais já não serem denominados de praias fluviais… Rico consolo, tendo em conta que os seus munícipes continuam a mergulhar lá. Parece até que a estratégia do executivo é esconder os resultados, não fazer “ondas”, e olhar para o lado, esperando que a época balnear termine rapidamente para depois voltar a fazer como fez no ano passado, anunciar que irá investigar os culpados para depois voltar ao silêncio, esperando que o assunto caia no esquecimento.

Agora que a “bomba” mediática explodiu que pensa o responsável pelo ambiente, o vice-presidente da câmara, fazer? E a imagem de Ponte de Lima, enquanto local que privilegia o ambiente e o eco-turismo, como terá ficado depois das notícias da semana passada?

Esperemos que a Câmara Municipal não se fique outra vez por promessas e se aplique verdadeiramente na resolução deste problema para que outros possam sentir o mesmo que Teófilo Carneiro quando escreveu “Cantam p’ra mim as águas transparentes do rio mais formoso do país!...”

sexta-feira, agosto 03, 2007

Alto Minho artigo de 03-08-2007

Faz dois anos que critiquei veementemente a Feira do Livro. Habituados a contar com a feira do livro a cada ano, lá para o mês de Julho, na Avenida dos Plátanos, com vários stands de livros e com animação de qualidade, passar-se para um evento de cariz bienal numa tenda a meio da dita avenida só poderia resultar numa desilusão. Uma falha grave para o público que já se havia cativado para estes eventos culturais. Se em 2005 critiquei, este ano não o faço. A Feira do Livro surgiu de cara lavada, num novo local, a EXPOLIMA, com animação e, mais importante, com livros que não são, longe disso, o refugo de uma qualquer editora menos conhecida.

Este ano, a Feira do Livro, que começou faz uma semana e acaba já neste domingo, é, em termos editoriais, das melhores. Com novidades e livros recentes a preços imbatíveis, consegue conjugar os “saldos” com os best-sellers da melhor forma. É verdade que a disposição poderia ser outra e que as novas tecnologias deveriam estar presentes, mas estes são pequenos pontos negativos que ficam subjugados aos positivos.

A atenção aos espectáculos que decorrem todas as noites aparentemente parece não ter sido das maiores. Na noite de sábado, por exemplo, pôde assistir-se a um espectáculo musical onde imperou a qualidade, mas, infelizmente, a plateia não era muita. Os gostos são discutíveis, claro. A altura de festas importantes como a da Senhora da Boa Morte, na freguesia da Correlhã, também não ajudou. Já a conjugação da animação com os grupos populares do concelho foi bastante boa e interessante e a projecção de filmes ao ar livre foi uma boa aposta. O balanço é francamente positivo.

sexta-feira, julho 27, 2007

Alto Minho artigo de 27-07-2007

Nós somos o fruto da nossa família e da nossa comunidade, e a comunidade somos nós. Assim sendo, é natural que nos sintamos impelidos a nela participar.

Na minha adolescência, fui federado em dois desportos, no basquetebol e na esgrima. No basquetebol aprendi muito, não só em termos desportivos mas também pessoais. O treinador que mais me marcou foi o actual líder do PS de Ponte de Lima, professor Jorge Silva. Aprendemos muito com ele. O clube era a Escola Desportiva Limiana. Passadas quase duas décadas, fui abordado por algumas pessoas que me convidaram para dedicar algum do meu tempo à EDL tal como outras o fizeram antes para que eu pudesse ocupar os meus tempos livres de uma forma saudável, no meu caso treinando e jogando basquetebol. Como é óbvio acedi ao convite.

Por achar esta atitude natural, não consigo perceber a razão do embaraço que esta causa em alguns e que faz com que de tempos a tempos estes gostem de insinuar tratar-se de um “assalto” orquestrado, de um qualquer estratagema de progressão social ou algo semelhante. Percebo ainda menos porque não lhes conheço nenhuma participação associativa, nenhuma participação activa na comunidade além de uma recente queda partidária.

Acredito que Ponte de Lima será tanto mais forte quanto mais forte for o seu associativismo. O desportivo, o comercial, o social, o cultural. A comunidade deve ser activa, participativa. O associativismo, nas suas muitas componentes, é reflexo dessa capacidade participativa bem como da pujança de uma comunidade, de uma região.

Acredito no sentido de comunidade. Acredito que é nosso dever contribuir e não apenas receber. Talvez seja da minha formação, não sei.

Um sacerdote, que muito prezo, padre Agostinho, dirigiu-me a seguinte frase aquando da minha entrada para o Secretariado Diocesano da Pastoral Juvenil, “este é um trabalho no qual só vemos os frutos depois de há muito termos saído”. É assim que eu vejo a participação na comunidade, uma participação aberta a todos, onde se trabalha sem esperar outro retorno se não o da satisfação pessoal em contribuir para a comunidade da qual fazemos parte.

sexta-feira, julho 20, 2007

Alto Minho artigo de 20-07-2007

«Não há fome que não dê em fartura». Este é um velho provérbio popular que se aplica na íntegra ao pelouro da cultura de Ponte de Lima.

Se nos últimos anos nada se passava no campo cultural a não ser uns pontuais eventos, Ponte de Lima é, este ano, palco de diversas actividades culturais. Os vários gostos são contemplados com diferentes actividades que se sucedem a um ritmo quase frenético. Praticamente de quinze em quinze dias os limianos são contemplados com uma actividade apoiada pelo pelouro da cultura da Câmara Municipal de Ponte de Lima ou da sua iniciativa.

Actualmente é o Festival de Ópera, mas no princípio de Agosto, teremos um fim-de-semana dedicado à música popular com os cantores mais conhecidos da área a actuar por terras limianas. Também este ano foi inaugurada a Casa da Música, pese embora já com várias e públicas críticas face aos seus utilizadores nocturnos, e o Arquivo Municipal inaugurou o seu espaço web, muito bom, onde se disponibilizam vários serviços on-line. Ainda este Verão se realizará a feira do livro, que se deseja sem a tenda que lhe serviu de “palco” na última edição.

Realmente o pelouro da cultura este ano parece não ter mãos a medir. Mas será que toda esta actividade cultural é consequente e terá repercussões no futuro ou não passará de apenas um ano extraordinário? Esperemos que seja um começo de uma nova atitude cultural. Que não seja apenas o “circo” para divertir ou tentar distrair os limianos que já sentem, no dia a dia, os resultados das más políticas em áreas tão diversas como a economia, a habitação, o emprego.

Em Ponte de Lima este é sem duvida um ano excepcional em actividades culturais, algumas até poderão ser criticáveis, mas é notório um esforço face ao que tivemos no passado. Esperemos que depois deste ano o futuro não seja igual ao passado.

sexta-feira, julho 13, 2007

Alto Minho artigo de 13-07-2007

Não posso deixar de falar ainda da última reunião da Assembleia Municipal. Isto devido às declarações de Daniel Campelo que o número anterior deste jornal sita. Escolho dois temas que já várias vezes aqui foram abordados.

Todos ainda se devem recordar que as águas do rio Lima, junto ao Arnado, em Arcozelo, passaram a época balnear anterior sempre interditas. Isto precisamente no local onde outrora a Câmara Municipal tinha investido em infra-estruturas para alcançar o galardão da bandeira azul. Um objectivo que foi cumprido, pois Ponte de Lima foi das primeiras localidades, se não até a primeira, a ostentar uma praia fluvial com bandeira azul. Esta conquista foi apresentada como um troféu. Realmente era algo de que nos orgulhávamos. Era apresentado como um exemplo das boas políticas da já Câmara liderada por Campelo. Mas eis que na última Assembleia Municipal, interpelado sobre o problema da má qualidade actual das águas, Daniel Campelo veio dizer que o Arnado, e a outra praia, a de D. Ana, já não eram praias fluviais oficialmente há mais de 2 anos… E isto parece sossega-lo. Pois não devia. Por um lado porque representa o falhanço da sua política, o esbanjamento de dinheiro público sem qualquer planeamento. Digamos que uma espécie de vaidade momentânea para “inglês ver”. Por outro lado, parece não se preocupar que milhares de pessoas, limianas e visitantes, se continuem a banhar em águas conspurcadas, como se nada fosse, apenas porque o projecto das praias fluviais já não é uma prioridade.

A outra citação é sobre as zonas industriais. Campelo vem dizer que pessoalmente concorda com a política da VALIMAR em apostar em pequenos pólos industriais em detrimento dos grandes. Ora se assim é, porque avançou para a construção do da Gemieira? Como um dos principais responsáveis da VALIMAR não se terá dado conta da “tendência” quando decidiu avançar com a construção daquela zona industrial? Mais uma vez Ponte de Lima escolheu o caminho errado. Agora que a VALIMAR parece estar ferida de morte é fácil imputar-lhe todas as responsabilidades, mesmo as que lhe são alheias.

sexta-feira, julho 06, 2007

Alto Minho artigo de 06-07-2007

No passado fim-de-semana, realizou-se a 1º Feira do cavalo de Ponte de Lima. Um evento interessante, organizado pela Associação Empresarial de Ponte de Lima com o apoio da Câmara Municipal, com bons espectáculos hípicos onde se puderam vislumbrar alguns exemplares equinos bastante interessantes. Pena foi a má ligação do espaço, aliás óptimo para este tipo de certames, (finalmente parece ter-se encontrado o tipo de eventos apropriado para a EXPOLIMA), com o centro urbano. Como escreveu João Carlos Gonçalves, no seu blog, a Alameda de S. João poderia ser aproveitada para essa ligação, não com diversões mas com stands de artesanato e de outros produtos regionais. Notou-se, ainda, a falta de visibilidade dos nossos criadores, talvez sejam poucos, mas mesmo esses parecem ter ficado um pouco ofuscados. Para o próximo ano certamente alguns dos pontos menos positivos, normais para quem começa, serão rectificados.

Também no último fim-de-semana, concretamente no sábado, reuniu-se a Assembleia Municipal de Ponte de Lima. Aqui o balanço já não é tão positivo. O Presidente da Assembleia, depois de ter, e bem, incluído na ordem de trabalhos a discussão do trabalho inter-partidário, levado a cabo pela Assembleia de Freguesia de Ponte de Lima, acerca da situação do comercio limiano, não permitiu que a Assembleia de Municipal formasse um grupo de trabalho para estudar esse mesmo assunto. É lamentável, porque a criação de grupos de trabalho, a divulgação dos seus actos e conclusões dariam maior visibilidade e importância a um órgão que parece, infelizmente, cada vez mais politicamente insignificante no nosso concelho.

Os partidos da oposição, PSD, PS e CDU, estiveram de acordo relativamente à necessidade da Assembleia se debruçar sobre a situação do comércio local. O CDS, maioritário, não consentiu. Será que há algo a esconder? É que a verdade da gravidade da situação já não pode ser escondida, é um facto. Será para proteger o executivo Municipal e as suas políticas económicas? Não vale a pena, pois estão à vista de todos os resultados destas. Será este um problema que diz respeito apenas à freguesia de Ponte de Lima? Pensar assim é não conhecer o concelho limiano e a sua realidade.

sexta-feira, junho 29, 2007

Alto Minho artigo de 29-06-2007

É recorrente ouvir o Presidente da Câmara de Ponte de Lima, bem como alguns dos seus vereadores, afirmar que as suas acções falam por eles, enquanto os outros, os que criticam, claro, são só conversa. Dando mais ênfase, diria que não têm pejo em usar o ditado “palavras leva-as o vento”. Não sei se as referidas acções serão a IKEA, a fábrica de sapatos de Fornelos, ou a COBRA? Exemplos dessa acção não faltam…

Outro dos “argumentos” é o do mau limianismo dos que criticam o Executivo Municipal. Não sei se com o leitor acontece o mesmo, mas tais acções e tais argumentos reporta-me a França. Será que o executivo se pensa o rei sol francês que dizia “je sui le état et le état c’est moi” (eu sou o estado e o estado sou eu)? Todos sabemos onde isso levou… O poder por vezes faz perder a cabeça.

Estes são os argumentos constantemente usados pelo Executivo Municipal. Ao invés de acarinhar e tirar algumas ilações, tenta desacreditar. É o que ainda hoje acontece, veja-se a sua reacção relativamente ao recente trabalho levado a cabo pela Assembleia de Freguesia de Ponte de Lima sobre a situação do comércio local. O trabalho, não sendo, nem pretendendo ser, científico, coloca o dedo na ferida e levanta alguns problemas que se ouvem um pouco por todo o comércio limiano. Mas o trabalho não fica pela observação, faz também propostas. Neste campo e, por exemplo, no que concerne às Feiras Novas, o trabalho acha desvantajoso o prolongamento dos vendedores ambulantes além do período das festas. Este é um problema com uma origem simples, a opção política de licenciar ou não estes vendedores ambulantes parte da Câmara Municipal. Já agora, parece-me que a proposta do grupo de trabalho está um pouco aquém da interpretação do vereador da cultura que anunciava, à revelia da apresentação do cartaz das Feiras Novas, que este trabalho apontava o fim das mesmas.

Percebo o nervosismo do executivo, percebo por que é partilhado pela Associação Empresarial. É já impossível esconder a verdade porque ela está cada vez mais presente na vida dos limianos. Quantos milhões já se perderam, nos últimos anos em Ponte de Lima, no comércio, na indústria na agricultura? Não se pode continuar a fechar os olhos a este facto. Por mais “circo” que promovam, chega uma altura em que este não suplanta a falta de “pão”.

sexta-feira, junho 22, 2007

Alto Minho artigo de 22-06-2007

Não percebo o medo que o executivo Municipal de Ponte de Lima tem em disponibilizar a informação aos munícipes. Não estou a falar de informação sobre festas, não, falo da informação resultante da actividade política. A Câmara Municipal é um órgão político cujas decisões se repercutirão inevitavelmente nas nossas vidas. Assim sendo, não se pode compreender, por exemplo, o porquê da não disponibilização on-line das actas das reuniões de Câmara bem como das da Assembleia Municipal.

Bem sei que já por várias vezes falei do assunto e posso afiançar ao leitor que a própria oposição já levantou o em reunião do executivo, mas o resultado é o de sempre, o silêncio. Silêncio estranho, porque, normalmente, os municípios gostam de publicitar a sua acção. Terá o executivo limiano algo a esconder dos munícipes? Não me parece. Nesta atitude apenas vejo duas coisas; desrespeito para com os eleitores e inércia. Desrespeito porque não bastam as declarações do vice-presidente da Câmara ou dos vereadores da oposição, não, os eleitores têm direito a saber, sem intermediários, o que lá se passa. Inércia porque se escudam no projecto VALIMAR Digital (pelo menos desde 2005 que ouvimos a desculpa) e nada fazem para colmatar a lacuna, enquanto a aplicação do projecto da VALIMAR não chega aos sítios web dos municípios.

O secretismo e controlo da informação, que actualmente envolve a Câmara Municipal de Ponte de Lima, chegaram ao ponto de descontinuar o próprio Boletim Municipal. Bem sei que este geralmente tem um só objectivo, digamos que é o de abrilhantar a imagem política da Câmara. Mas, não tem que ser assim, poderá ser um bom veículo de transmissão de informação entre o município e o munícipe, com notícias sobre o concelho, avisos e tantas outras informações pertinentes.

Fica o desafio ao executivo, que não tenha medo de abrir as portas da informação aos eleitores, às pessoas que nele depositaram a sua confiança ao elege-lo.

sexta-feira, junho 15, 2007

Alto Minho artigo de 15-06-2007

Imigração, eis a “nova” saída que muitos limianos encontram para a sua situação profissional. É preocupante a quantidade de limianos, que ou saíram do país para trabalharem ou semanalmente enfrentam a estrada rumo às construções na vizinha Galiza.

Os níveis de imigração aproximam-se, cada vez mais, dos dos anos 60/70. Se é verdade que a conjuntura no país não é das mais favoráveis, também não é menos certo que o concelho de Ponte de Lima não se soube preparar para a realidade actual.

A aposta única numa falsa ruralidade, num turismo de massas, improdutivo e eunuco, disfarçado de qualidade está a ter as consequências que os limianos vivem no seu dia a dia. Ainda se lembram das promessas do “queijo limiano” e do que supostamente estava em causa? Da nova fábrica abastecida pelo leite produzido em Ponte de Lima? A verdade é que nada disso se concretizou, os postos do leite desapareceram um atrás dos outros e da fábrica do queijo “genuinamente limiano” nem sinal. A situação periclitante da Adega Cooperativa agravada com os constantes avanços e recuos na construção de uma nova Adega, a compra de um terreno protegido, a inoperância da Câmara em desbloquear o problema. Que será dos pequenos produtores que tinham na produção vinícola um complemento do orçamento familiar?

Veja-se a actual dependência da economia limiana do dinâmico sector de extracção e transformação de pedra. Diz-nos a prudência que num casal é contraproducente os seus dois membros trabalharem na mesma empresa, porque, caso esta venha a fechar, ficam os dois sem emprego. Ora, nos tempos que correm, a dependência, quase total, de um sector é um erro que se pode pagar caro no futuro.

A Câmara Municipal e a Associação Empresarial deveriam unir-se, não só na produção de cartazes e realização de eventos, mas, e acima de tudo na criação de novos empregos. Por que não unirem-se na criação de uma incubadora de micro-empresas em colaboração próxima com as universidades/institutos politécnicos bem como com as escolas profissionais? Bem sei que outros concelhos já o fizeram antes, Arcos de Valdevez ou Vila Verde, por exemplo, mas penso que Ponte de Lima ainda vai a tempo de promover a iniciativa privada e a criação do próprio emprego. Muitos poderão ironicamente dizer “pois, pois”, mas o certo é que o rumo actual tem que ser mudado. Voltar a falar de imigração nos moldes do século passado não faz sentido, se não for por aqui que seja por ali, mas mude-se o rumo…

sexta-feira, junho 08, 2007

Alto Minho artigo de 08-06-2007

O Parque Florestal da Quinta de Pentieiros foi apresentado no dia mundial do ambiente como um exemplo de recuperação de uma zona destruída pelo fogo. Segundo a comunicação social, três dos cinco hectares ardidos já estão reflorestados. O projecto irá estender-se até 2008 garantindo o vereador do Ambiente, Vitor Mendes, que esta intervenção reflecte uma nova forma de olhar a floresta.

Também o Presidente da Câmara explicou este projecto na Antena 1, aproveitando a nova capacidade comunicacional do município, dando conta das parcerias com empresas privadas.

É positivo o motivo e o método. O Município deve dar exemplo na área ambiental e as parcerias com os privados são bem vindas. O Presidente da Câmara tem razão quando afirma que se deveria incentivar mais os privados a participarem em projectos análogos a este.

Mas como parece que a política ambiental é uma prioridade, não se percebe como Ponte de Lima voltou as costas ao rio Lima. Não falo das suas margens, mas do próprio rio. Longos verões de muitas gerações de limianos foram passados nos areais e nas águas do rio Lima. Agora, as novas gerações, não tem areais e as águas estão poluídas.

As praias do Arnado, esta outrora detentora de bandeira azul, e de D. Ana estão novamente interditas temporariamente pelo Delegado Regional de Saúde. No ano anterior, 2006, a praia do Arnado teve uma classificação de interdita e a de D. Ana de má. O que fez a Câmara Municipal para pôr cobro a esta situação? Uma vez que tudo continua igual, a resposta é evidente: nada.

Será que para a Câmara Municipal este assunto não faz parte das prioridades ambientais? Durante a época balnear milhares de limianos e de visitantes banham-se nas águas ao que parece sujas e poluídas do rio Lima. De quem é a responsabilidade?

sexta-feira, junho 01, 2007

Alto Minho artigo de 01-06-2007

O acto de mudar tem sempre um lado de corte, de rompimento. Por isso é que custa e o esforço inerente pode ser motivo para limitar ou mesmo aniquilar a mudança. Não, para desilusão de alguns leitores, hoje não vou escrever acerca da necessidade de mudar as políticas económicas, sociais, culturais do concelho limiano, não. Vou falar de uma que me tem assolado, nos últimos dias, o espírito, a mente e sobretudo o corpo. A mudança de casa.

É na mudança de casa que nos apercebemos da quantidade de objectos, livros, dvd’s, fotografias, revistas, etc que já lemos ou vimos ou que fizemos intenção de o vir a fazer e que vamos acumulando ao longo da nossa vida. É interessante verificar que a casa de onde saímos não é assim tão pequena como ultimamente nos parecia, apenas estava mais, digamos, recheada…

Nas minhas mudanças “encontrei” alguns livros que li, faz já algum tempo, e que se encontravam arrumados na “biblioteca” da memória. Foi com um deles que me apercebi que talvez fosse importante conhecer as memórias de algumas figuras da nossa vida pública, seriam, certamente, um bom contributo para nos ajudarem a perceber o presente. Assim estes tivessem vontade… Ao passar os olhos pelo livro “A Casa da Barca”, uma publicação apoiada pelo município de Ponte da Barca, tendo ainda como presidente Cabral de Oliveira, apercebemo-nos das vidas que constituem a nossa comunidade e que, por vezes, nem nos damos conta de quanto são importantes para a construção da identidade de todos nós.

Mas mudar de casa é também separarmo-nos de memórias. Confesso que isso me custa, talvez seja a minha costela conservadora, não sei. O que sei é que me angustia ver casas mortas, onde memórias pululam em cada uma das divisões, mas que não impedem que estas, sem vida, se transformem num amontoado de pedras quase sem significado.

Resolvi, contrariando todos os indicadores, voltar ao centro histórico, sem lugar para estacionar o automóvel, sem poder mexer uma caixilharia, mas na esperança que esta situação seja reversível e que o centro histórico volte a ter vida.