sexta-feira, janeiro 18, 2008

Alto Minho artigo de 18-01-2008

PSD

Esta sexta-feira, o PSD concelhio elege uma nova comissão política. Filipe Viana lidera a única lista candidata. Terá pela frente três grandes desafios. Primeiro, o próprio partido. Se é verdade que até tem aumentado o número de filiados no PSD local, este não se tem reflectido nem em militância, cada vez menor, nem em resultados eleitorais. O novo líder terá a árdua tarefa de fazer o PSD reencontrar-se, de se abrir. Para isso terá que ter força para se libertar. Do resultado deste desafio dependerá o sucesso dos outros dois.

O segundo desafio é o de conseguir fazer oposição firme, construtiva e alternativa. Para fazer oposição é preciso ter penetração na sociedade, é preciso ter um projecto, um rumo alternativo ao actual. É necessário credibilizar o PSD, captando pessoas activas na sociedade, nos vários campos de actuação. É difícil, mas não impossível.

Finalmente, o último grande desafio, as eleições autárquicas. A liderança que hoje começa terá a responsabilidade de encontrar pessoas que dêem a cara pelo projecto autárquico do PSD. Este partido, com os “pergaminhos” que ostenta, tem a obrigação de inverter o resultado que obteve nas últimas autárquicas. Um resultado, aliás, inconcebível e humilhante para o PSD.

A responsabilidade é muita mas a nova liderança conta com o know-how de alguns responsáveis pelas últimas eleições autárquicas – que já tiveram tempo para meditar nos erros – aparentemente tem gente nova e tem bastante tempo para olhar para o concelho e construir uma alternativa ao actual poder municipal.

Fechado

Aqui há uns tempos precisei de comprar um adereço para usar numa cerimónia nupcial. Como pensei tratar-se um adereço corriqueiro, não lhe dando grande importância, fui adiando a sua aquisição. A verdade é que o tempo passou e rapidamente a data da cerimónia chegou. No dia anterior, fizeram questão de me lembrar que ainda não tinha comprado o adereço. Nada que me preocupasse, um saltinho à vila e pronto, assunto resolvido. Engano o meu. Era sábado e de tarde. A não ser que quisesse comprar um bolo, nada feito, estava tudo fechado. Como não consegui o adereço não resisti, comprei o bolo. Fiquei sem o adereço, mas feliz…

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Alto Minho artigo de 11-01-2008

Voz no deserto?

Tenho gostado da série de entrevistas que este semanário tem publicado nos últimos tempos. Na minha opinião, a mais interessante foi a última, a de Abel Baptista. Com chamada de primeira página, onde se podia ler “Não serei candidato contra Campelo”, a entrevista abordou vários e pertinentes assuntos.

A frase já citada poderia resumir a entrevista, mas não o faz. Aliás, esta nada traz de novo Primeiro porque concorrer contra Campelo era suicidário, segundo porque era fratricida. Foi Baptista, como aliás fez questão de frisar, o grande obreiro, usando a analogia do entrevistado, o grande treinador e “olheiro” de Campelo. A analogia entre Campelo e o futebolista Figo não foi das melhores, é que não se pode esquecer que o Figo soube atempadamente abandonar a selecção para não a prejudicar. Talvez apareça por aí um Cristiano Ronaldo, quem sabe, e substitua o “Figo”. O problema para Baptista é saber onde ele está…

Mas, para mim, o cerne da entrevista está nos assuntos verdadeiramente pertinentes e aí Abel Baptista marca pontos. Numa altura em que parece já ter sido tomada a decisão de pôr os limianos a ver passar comboios, com quase um século de atraso é certo, Baptista propõe algo bastante pertinente. Porque não aproveitar a linha construindo-a de forma a proporcionar a utilização da mesma por comboios rápidos para além do “TGV”? Para Ponte de Lima, com uma estação e a 30 minutos do Porto, poderia significar uma verdadeira “revolução” social e económica que certamente se alastraria a toda a região. Mas serão estas questões motivadoras para quem nos governa, para os partidos e líderes locais? Aparentemente não, é mais interessante “contar espingardas”.

Mão à palmatória

É sempre bom ver reconhecido um erro. O presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, fê-lo e o Fórum Municipal da Juventude será, finalmente, uma realidade. Foi, na última reunião do executivo, aprovado por unanimidade a sua criação.

Este fórum é um anseio de há muitos anos da juventude limiana. Desde as associações de jovens passando pelas juventudes partidárias foram várias as vozes que o reclamaram. A última intervenção neste sentido num órgão autárquico foi da JSD, no início deste mandato. Pela voz do seu líder, Filipe Lima, desafiava o presidente da Câmara a criá-lo. Campelo não o queria, a JP parecia também não o querer, a verdade é que, passados menos de dois anos, é uma realidade. É a juventude de Ponte de Lima que ganha.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Alto Minho artigo de 04-01-2008

2007

No inicio de um novo ano nada melhor que olhar para o anterior. Desta feita, para o que de melhor se destacou, na minha opinião, claro.

Na política continua a destacar-se, novamente, Abel Baptista. O deputado e também Presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima destacou-se positivamente pela sua constante intervenção enquanto deputado pelo distrito. Bem sei que lhe é necessário mostrar serviço, mas sendo ou não, fá-lo e as águas são pelo menos agitadas. Venceu também quando apoiou Paulo Portas contra Ribeiro e Castro. Já a sua faceta como Presidente da Assembleia Municipal tem deixado a desejar. E porquê? Porque, ao invés da sua posição nas eleições para a liderança interna do CDS, tem vindo a ceder ao Presidente da autarquia limiana, por exemplo, na problemática do comércio tradicional levantada pela Assembleia de Freguesia de Ponte de Lima, quando não permitiu que existisse um acompanhamento atento dos nossos representantes na Assembleia ao negar a formação de uma Comissão.

Os partidos da oposição continuam numa rota aparentemente sem destino. O PSD terá novamente eleições internas este mês, embora a Comissão Política se tenha demitido em Setembro. O PS, parecendo apagado (parecendo…), deixou o estilo pomposo novamente no armário e tenta mexer-se de forma mais resguardada. Será o caminho certo? O futuro o dirá. A CDU continua na sua quase "clandestinidade" habitual.

No desporto os limianos podem novamente sorrir. De realçar Fernando Pimenta que continua a dar cartas na canoagem, campeão Europeu júnior de K1 1000 metros, elevando o nome de Ponte de Lima e de Portugal. E as cadetes da EDL pela sua conquista do título nacional de basquetebol cadetes femininos.

A nível literário a ceifa nunca foi tão boa como nos últimos anos. Em 2007 foram muitos os livros editados, alguns dos quais no âmbito do projecto “Ponte de Lima, terra rica da humanidade” mostrando o que de melhor há em Ponte de Lima, a cultura, as tradições. O pelouro da cultura da Câmara Municipal de Ponte de Lima continua assim a apoiar os autores limianos. Mas seria, no entanto, conveniente que esse apoio tivesse normas estipuladas, restritas e públicas para que todo o processo fosse transparente. Já agora, porque não criar um prémio anual para a literatura limiana? Fica a sugestão.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Alto Minho artigo de 28-12-2007

Infra-estruturas

A Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou, penso que por unanimidade, a abertura do concurso público internacional para a construção de um Centro de Congressos e Pavilhão Multiusos, no valor de 7,5 milhões de euros. A Câmara Municipal de Viana do Castelo adjudicou, também na semana passada, a construção do Coliseu de Viana do Castelo por 11,2 milhões de euros.

O Centro de Congressos e Pavilhão Multiusos de Ponte de Lima incluirá cabines de tradução simultânea e cinco salas com a capacidade total para cerca de 1350 pessoas, estará vocacionada para espectáculos de grandes produções, cinema, congressos, etc. Já o Coliseu de Viana do Castelo (gosto do nome, é pomposo…) terá a capacidade máxima de 4000 pessoas e será palco para grandes exposições, circo, congressos, espectáculos musicais e desportivos.

Num distrito com enormes carências estruturais (sociais, económicas, etc), sem qualquer sentido estratégico, dois concelhos vizinhos investem no mesmo, sabendo de antemão que a concorrência neste tipo de infra-estruturas é enorme, está bem perto e já enraizada.

Afinal, para que servem as associações de municípios se não conseguem coordenar os investimentos, pensando-os numa escala regional?

Tempo de solidariedade

Esta altura do ano é propícia a sentimentos de solidariedade, pelo menos anuais. Mas, nesta altura, mais importante que esses sentimentos sazonais, por vezes eunucos, é o trabalho daqueles que se dão ao longo do ano. Já várias vezes referi o trabalho de instituições como a Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima, entre outros. Hoje parece-me importante referir o trabalho e o exemplo de uma pessoa, Jorge Ferreira. Sim, o locutor que anima as “ondas” da Rádio Ondas do Lima das 6 às 8 horas da manhã.

E porquê ele neste contexto? A resposta está no seu programa, o Romper da Aurora. Começa cedo, é certo, mas para perceber basta ao leitor ouvir o programa e logo se aperceberá que diariamente este locutor leva aos seus ouvintes sentimentos únicos de amizade, de humanidade, de carinho até. Há toda uma comunidade que, todos os dias, ouve o programa e interage com ele. Desde o desejo de melhoras ao de parabéns, a partilha de sentimentos está para lá dos circunstanciais telefonemas de um programa de rádio com linha aberta. Aqui há um sentimento de pertença. É através deste programa radiofónico que muitos dos ouvintes encontram companhia (por vezes a única) logo pela manhã.

Solidariedade é também isto, poder tocar positivamente a vida dos outros.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Alto Minho artigo de 21-12-2007

CDS

Daniel Campelo, em entrevista ao último número deste jornal, afirmou que os partidos no distrito estão conformados. É um facto, e um bom exemplo é o do CDS em Ponte de Lima.

É verdade que ganha sucessivamente as eleições autárquicas, mas também é verdade que perde todas as outras eleições. E porquê? Porque o CDS já não existe enquanto partido em Ponte de Lima. A exemplo do que sucedeu ao CDS distrital, aquando da liderança de Daniel Campelo, o que persiste no CDS de Ponte de Lima é apenas o “culto” da personalidade, tudo em seu redor secou. Lidere quem liderar a concelhia, todos têm noção de quem “pesa”.

Daniel Campelo sabe que nós sabemos que ele sabe (direitos de autor de Campelo) que saindo da vida política o CDS desaparece no concelho limiano. Lembram-se da sua candidatura como independente? Nessa altura qual foi a posição do CDS local? Pois…

É verdade que, para o bem e para o mal, Campelo conseguiu impor-se localmente para além de um partido, mas que preço pagou o CDS? É isso que muitos democratas cristãos, da primeira hora, não lhe perdoam, mas vão tolerando. Infelizmente, a oposição parece mais entretida em manter medalhas de pechisbeque que a fazer o que lhe compete, oposição. Assim, Campelo descansa e prepara o futuro sem “distrair as pessoas do trabalho que estão a fazer”.

O "mau estado do traçado das estradas" concelhias

Estas não são palavras da oposição mas do vereador do pelouro do Trânsito, Gaspar Martins, que tutela a rede viária do concelho de Ponte de Lima. Esta é, segundo aquele responsável, uma das razões que sustentam a descida da velocidade máxima nas estradas municipais de 50 para 40 km/h.

Já aqui tinha perguntado se existia algum estudo ou estatísticas que sustentassem aquela decisão, pois o mesmo responsável confirmou a inexistência de estatísticas que corroborassem a pertinência desta medida. É apenas mais um “feeling” que, os limianos têm que aguentar…

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Alto Minho artigo de 14-12-2007

Participação de todos

A aposta on-line parece ter chegado ao Município limiano. Notícias recentes deram conta de uma parceria com a Universidade do Minho que produziu uma aplicação, disponível na Internet, para “visitar” Ponte de Lima antiga em 3D.

Esta é uma aposta de promoção de visibilidade inserida no projecto “Ponte de Lima Terra Rica da Humanidade”, que prepara as bases de uma candidatura a património da humanidade.

A presença do concelho, o mesmo se poderia dizer do distrito, na Internet, o grande auditório mundial, poderia e deveria ser muito melhor e bem mais ambiciosa. Basta ver o que lá por fora se faz. No Reino Unido (ver http://www.mysociety.org/) é promovida a participação activa dos cidadãos, não só em fóruns interactivos, mas também em espaços próprios de participação (http://www.fixmystreet.com/) onde se pode reportar vários problemas do dia a dia, buracos nas ruas, lâmpadas fundidas, graffitis…

A web 2.0 veio trazer a possibilidade de uma participação mais activa e colaborativa aos cidadãos. Os alunos das escolas do 1, 2 e 3 ciclos já vêem essas ferramentas como normais e comuns e para eles outro tipo de cidadania, outro tipo de exigência será uma realidade. Infelizmente, os líderes políticos da nossa região parecem insistir em não querer ver esta mudança. Deveriam ser estas novas ferramentas, que unem inegavelmente os eleitores aos eleitos, o alvo de investimento quando falamos de promoção on-line. Uma promoção social.

Participação nos partidos

O que levará alguém a aderir hoje a um partido político? Os partidos serviam, geralmente, como local de participação activa na vida pública. Mas hoje essa participação pode ser feita de variadas formas e a muitos níveis. Hoje tem mais impacto a opinião que se pode retirar dos novos media que muitas, longas e monótonas discussões dentro de uma sede bafienta de um qualquer partido. Estes vivem cada vez menos da militância e esta parece ter sido reduzida à participação eleitoral interna. Talvez por isso se perceba a aposta em seduzir “quadros” novos. É que para estes existem sempre autocolantes e canetas. Infelizmente, estas deixam de escrever pouco tempo depois…

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Alto Minho artigo de 07-12-2007

Persistindo

Durante muitos anos o Inverno foi rigoroso. A neve, o frio, a humidade e o vento pareciam não dar tréguas, mas sempre, no final, havia um raiozinho de luz que fazia despontar a seiva e esta por sua vez uns pequenos botões. Botões esses que ganhavam força e persistentemente, ano após ano, conseguiam levar a sua avante. A Primavera surgia. E como o ciclo da vida não tinha, ainda, um fim, seguia o seu curso passando o Verão, de novo o Outono e novamente o Inverno. E lá mais para a frente os botões voltavam a acordar com o fino raio do sol de forma a despontar na Primavera promissora.

No entanto, algo mudou. O ciclo foi interrompido. O Inverno demorou-se e sempre que um raio de luz despontava a crença num botão, logo uma geada o cobria, impossibilitando-o de viver. Por mais força que este fosse buscar ao raio de luz, a geada, ajudada pelas nuvens, impedia que essa força singrasse.

Mas a persistência mantinha-se. O ciclo poderia sofrer mutações, mas não iria acabar. O Inverno, por mais longo que parecesse, não poderia durar para sempre. A seiva e os raios do sol não iriam permitir. Do âmago dos seres sairia a força de outrora, persistente e firme no anseio de renascer.

Redes

Diariamente trabalho com ferramentas na Internet. As chamadas novas tecnologias são o meu “cinzel”. Com normalidade, contacto pessoas que estão do outro lado do mundo em tempo real e colaboro em trabalhos com outras entidades que apenas conheço pela “Rede”. O mundo é realmente uma aldeia. Mas será para todos?

Todos os dias, quando saio, ela já está lá. Quer chova, quer faça sol, quer esteja calor ou frio, a sua frágil figura não nos deixa indiferentes. Já rondará a casa dos 70 e deve ser das últimas peixeiras do tipo ambulante do nosso “burgo”. Por ventura ainda embrulhará as sardinhas em jornal, ou talvez não, porque a ASAE anda mesmo por aí, mas se as embrulhar, “qui ça” este mesmo artigo não seja um dia material para esse mester (o exercício de nos vermos, mais os nossos pensamentos escritos, a embrulhar um qualquer quarteirão de sardinhas é um bom exercício de humildade…).

Da aldeia global, esta peixeira apenas deve conhecer o peixe que por ventura virá de Espanha e que, assim, se torna mais barato.

As mutações sociais são uma evidência. Uns ofícios perdem-se para, em princípio, se ganharem outros.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Alto Minho artigo de 30-11-2007

Zonas de reabilitação urbana

Foi uma notícia que parece ter passado despercebida a muitos. Segundo o Diário Económico as Câmaras Municipais que não definirem as zonas de reabilitação urbana perderão o direito aos benefícios fiscais previstos no Orçamento do Estado para 2008. Com essa possível omissão, o que fica em causa são benefícios como a redução do IVA de 21% para 5% para as obras de reparação e requalificação do prédio e a cobrança de menos de 10% de IRC ou de IRS, consoante o caso, ao senhorio, isenção de IMI durante cinco anos para quem recuperar prédios naquelas zonas ou o aumento em 10% no subsídio mensal de apoio ao arrendamento jovem para aqueles que concorram a casas situadas nas tais zonas de reabilitação urbana.

Em Ponte de Lima já foram definidas essas zonas? Quais são? Os limianos também terão direito aos benefícios fiscais?

Entrevista

Um dos mais conhecidos comerciantes de Ponte de Lima, Aníbal Amorim, deu uma entrevista ao jornal Alto Minho no mínimo polémica. A Associação Empresarial de Ponte de Lima (AEPL) e a sua direcção foram as visadas. Para este comerciante o comércio tradicional não pode contar com a associação que supostamente os representa e propõe a criação de um condomínio do centro histórico. Algumas acusações foram feitas, às quais o presidente da AEPL respondeu no último número deste semanário. Mas a sua posição parece cada vez menos defensável como se podia ler pelos comentários de outros comerciantes do centro histórico.

O comércio tradicional sente-se abandonado pelo poder político e pela associação que supostamente os representa. Só não percebo uma coisa, para que servem as eleições?

Ausência

Desde o inicio da década de noventa que a Biblioteca Municipal tem sido dirigida por Isabel Costa. Esta tem sido um exemplo na área da biblioteconomia, ou, se quiserem, da ciência da informação, no distrito. Esteve envolvida em vários projectos como o da rede de bibliotecas escolares e mesmo na implementação de bibliotecas municipais no Alto Minho. Teve, também, um papel importante no que concerne à formação de profissionais da área quer na EPRAMI quer na Universidade Católica em Braga.

Em Ponte de Lima, para além da biblioteca inovou ao introduzir outro tipo de actividades culturais. A feira do livro de Ponte de Lima é um exemplo que marcou o panorama cultural limiano, funcionando, inclusive, como exemplo para outros concelhos.

Por estes e muitos outros motivos surpreende-me que a Biblioteca Municipal deixe de a ter como directora. Lamentamos esta notícia, agradecemos-lhe todo o empenho que dedicou a Ponte de Lima nestas quase duas décadas.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Alto Minho artigo de 23-11-2007

Passagem silenciosa

A semana que passou foi rica em visitas e eventos. O Primeiro Ministro passou pelo distrito para anunciar um novo e primordial investimento. Aproveitou também para fazer politica partidária em mais um momento de “spin” político já tão habitual neste governo. Já na véspera do fim-de-semana, o líder do principal partido da oposição, Luís Filipe Menezes, passou por Viana do Castelo vindo de Braga. Mantendo a tradição partidária, chegou com horas de atraso. No mesmo dia, mas em Ponte de Lima, o responsável autárquico do CDS-PP, Hélder Amaral, reunia-se com os autarcas do partido. Abel Baptista uma vez mais em operação charme para com os Presidentes de Junta. As eleições não se preparam em dois dias… Já no sábado, os socialistas alto-minhotos reuniram-se em Ponte de Lima para discutir o Orçamento de Estado para 2008. Embora aberto a simpatizantes, pela actual situação que parece viver-se dentro do Partido Socialista, não deve ter suscitado grande debate.

O melhor de sábado foi a iniciativa do Lions Club de Ponte de Lima. Aproveitando a comemoração do nonagésimo aniversário da morte do poeta António Feijó, organizou uma homenagem para celebrar a vida e a obra deste Grande Limiano. Com a presença sábia do padre Manuel Dias e algumas explicações introdutórias e contextualizadoras de Adelino Tito de Morais os presentes puderam viajar através da vida de António Feijó e família. A filha de Feijó, já no final da sua vida, foi perdendo a visão e à sua morte deixou um legado para os invisuais. Aproveitando o mote, o Lions Club de Ponte de Lima deu conhecimento de uma iniciativa que irá levar a cabo, recolha de óculos usados para reciclagem. Por vezes desvalorizamos a acção destes clubes, os rotários são outro exemplo, por desconhecimento das suas acções. Mas desde a dádiva, localmente, dos seus dirigentes até à rede internacional de ajuda, muito trabalho é feito em prol dos que mais necessitam.

Leitura

Franklim Fernandes, não confundir com o vereador da cultura que é Sousa, publicou o seu primeiro livro. “Nos confins do tempo” é um livro despretensioso que nos traz estórias da história colectiva que o autor viveu. Outros tempos que por vezes pouco divergem dos actuais. Deixo um exemplo; “Mas o melhor da Assembleia é o pessoal das votações. É assim como a formiga obreira. A sua função é votar, tal como as antigas carpideiras era chorar nos funerais. Não sabiam porque choravam, mas tinham que chorar que era para isso que lá estavam…”.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Alto Minho artigo de 16-11-2007

Protecção civil

Há dias em que é difícil compreender certos acontecimentos. Nestes últimos tempos, o Alto Minho, mais concretamente Ponte de Lima, tem assistido a um ataque concertado, penso que podemos chamar-lhe assim. Os incêndios deflagram pelo fim da tarde, quando não já noite dentro, em vários sítios ao mesmo tempo. No passado domingo, no início da tarde, deflagraram vários incêndios em Ponte de Lima em diferentes locais e ao mesmo tempo. O que se pode retirar daqui é que o ataque é intencional e planeado.

É urgente avaliar a capacidade do material de combate a incêndios existente no concelho bem como a capacidade humana. Talvez seja o momento de pensar em bombeiros profissionais com um complemento de voluntários.

Com a recente lei que organiza os serviços municipais e que determina a criação e as competências do comandante operacional municipal, os planos municipais de emergência em vigor devem ser actualizados. Surge a oportunidade para se proceder à mudança do paradigma no nosso concelho no que concerne, por exemplo, à prevenção e resposta a incêndios. Já agora é conveniente que os munícipes sejam informados sobre o novo plano municipal de emergência. Qual é? Como funciona? Qual o papel de quem…

Humanidade

Há dias, ao passar na ponte velha, ouvi uma pessoa a reclamar, a propósito do projecto “Ponte de Lima Terra Rica da Humanidade”, que a Câmara Municipal só tem humanidade para os de fora de Ponte de Lima.

Nesse mesmo dia ouvia-se na comunicação social que a Câmara Municipal tinha lançado o repto a um conjunto de instituições do concelho para a criação da chamada “Horta Sénior”. Pretende esta ocupar o tempo livre dos seniores, ou idosos, num ambiente externo e saudável. O local escolhido para essa ocupação dos tempos livres é a inevitável Quinta de Pentieiros.

Daniel Campelo já várias vezes afirmou publicamente que gostaria, quando saísse da presidência da Câmara, ter tempo para plantar uma horta. Ora aqui está o contributo do seu pelouro do Ambiente. Vítor Mendes, um dos apontados a possível sucessor de Campelo, preocupado com o futuro do líder prepara o terreno para a sua saída criando desde já a “Horta Sénior”. Campelo poderá finalmente, sem grandes preocupações, concretizar o seu desejo. Falta saber se será já daqui a dois anos ou se pretende candidatar-se a mais quatro anos. Digam lá se não existe humanidade no executivo municipal?

sexta-feira, novembro 09, 2007

Alto Minho artigo 09-11-2007

A liderança do PSD de Ponte de Lima convocou eleições antecipadas. Com mandato até finais de 2008, prefere antecipar as eleições um ano. Alguns analistas previam, no princípio de Setembro, que a liderança de João Barreto estaria com os dias contados por causa das eleições para o líder nacional. Enganaram-se nas razões.

João Barreto demonstrou desapego ao poder, demonstrou que se pode fazer política sem ter como único pensamento a manutenção do poder interno. Faltando 2 anos para as eleições autárquicas, o PSD encontra nesta antecipação uma oportunidade.

Renovar ou não a liderança? Passar a página ou não? Eis o que o PSD de Ponte de Lima irá decidir em breve.

O PSD não é no nosso concelho mais um partido na oposição. No passado pré-Campelo, teve um papel inegavelmente importante na gestão do concelho. Tinha um plano, um projecto que foi conseguindo que os executivos CDS seguissem. Nunca ganhou uma eleição autárquica, é certo, mas esteve lá perto pelo que assumiu um papel importante na gestão política de Ponte de Lima. Nos últimos anos tem vindo a afastar-se desse papel. Fruto do fenómeno Campelo, é verdade, mas também das estratégias erradas que teimou seguir.

O principal erro foi o das lideranças se virarem apenas para dentro do partido. Com este autismo foi perdendo influência na sociedade dita civil, nos pequenos comerciantes, nos funcionários públicos, nos agricultores, nas profissões liberais, etc. É exactamente por aqui que o PSD de Ponte de Lima deve começar. Renovar-se e abrir-se à sociedade. Construir um projecto, com tempo, não interno, mas para o concelho. Um plano económico, de desenvolvimento concelhio que Ponte de Lima tanto precisa. Olhar para os problemas concretos dos jovens, dos comerciantes, um plano que impulsione o empreendedorismo. É disso que o PSD precisa para voltar a ganhar credibilidade na sociedade limiana.

O PSD aproxima-se de uma decisão crucial, ou renova, aplica-se e se abre ao exterior ou irá, lentamente, continuar nesta agonia onde parece ter caído.

Acreditem que de nada vale ter muitos votos internamente quando estes não se reflectem nos que contam, nos das eleições para os órgãos autárquicos, esses sim, que regem a vida dos limianos, que regem Ponte de Lima.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Alto Minho artigo 02-11-2007

O que vale o nosso distrito?

Raras são as vezes em que um governante dá a “honra” da sua visita ao nosso distrito. Depois do governo PS ter, pelo terceiro ano, colocado o distrito de Viana do Castelo no fim do PIDDAC, o mau estar deveria instalar-se nos líderes distritais. A verdade é que quase nada se ouviu a este respeito a não ser, por exemplo, um dos dois “grandes” líderes do PS local, o presidente da Câmara Municipal de Melgaço. Rui Solheiro que afirmou que o PIDDAC deveria ser extinto, que já nada valia… Será por o seu concelho não ter sido contemplado nem com um cêntimo? Rica explicação/justificação…

No entanto parece ter bastado para que os governantes se desmultiplicassem em visitas ao nosso distrito. O que já não é mau, é verdade. Eles vêm, prometem e garantem muitas obras, ainda em projecto, claro. Algumas delas, suspeito, que em projecto de projecto. Mas os nossos líderes parecem gostar.

Quando não há nada para dizer…

Por falar em esquecimento, o vereador da oposição, Manuel Trigueiro, alertou para o esquecimento a que as suas perguntas sobre as zonas industriais limianas parecem ter caído. Até ao momento ainda não obteve qualquer resposta.

Não parece que haja algo a estranhar. Que pode a Câmara dizer sobre o assunto se nada há a dizer. Bem, talvez que o mato que lá cresce poderá ser utilizado como biocombustível, quem sabe.

A verdade é que Ponte de Lima continua a “marcar passo”. Os concelhos vizinhos, Arcos de Valdevez, por exemplo, vão aumentando o número de zonas industriais à medida que as anteriores são ocupadas, em Ponte de Lima continuamos com duas zonas industriais apenas parcialmente ocupadas e aparentemente sem solução à vista.

Talvez fosse tempo de criar um verdadeiro gabinete, a tempo inteiro, de promoção e captação de investimento. Não se percebe como este assunto é apenas tratado por um vereador a meio tempo. A estratégia deveria ser outra, mas isso…

sexta-feira, outubro 26, 2007

Alto Minho artigo 26-10-2007

Pedreiras

O assunto “pedreiras” é quase tabu em Ponte de Lima. Se por um lado é um dos grandes pilares económicos do concelho é também (agora a parte tabu) um dos sectores aparentemente com menor aplicação da regulamentação existente. Já se escreveu muito sobre este assunto e várias foram as explicações dadas. Alegou-se que as explorações estavam a ser acompanhadas por técnicos, que as regras estavam a ser cumpridas… A verdade é que o impacto ambiental e visual é uma realidade incontornável (e não é só visível do largo de Camões…). A Junta de Freguesia de Arcozelo tem feito um esforço louvável para que as mudanças inadiáveis tenham o menor impacto possível num sector que, pese embora a sua importância, por vezes parece ter pés de barro.

Em todo o caso, algo tem ser feito na parte ambiental. Manuel Fernandes já escreveu que com a reflorestação da serra de Antelas o impacto seria menor. Talvez, mas nada tem sido feito nesse sentido e, na verdade, não é só o impacto visual que está em causa. No entanto, não é só na freguesia de Arcozelo que existe este problema. A freguesia de Fornelos também alberga uma exploração que mais parece uma cratera espacial.

Muitos da “inteligenttia” limiana dir-me-ão que as explorações de pedra são mesmo assim, e assobiarão para o lado com medo, quiçá, de perder alguns votos. Lamento, mas se é verdade que em todas as indústrias existem danos colaterais, não o é menos que estes têm de ser minimizados ao máximo. A responsabilidade começa precisamente nos industriais até, e se não fosse por mais nada, como responsabilidade social das próprias empresas para com a comunidade.

Estacionamento selvagem “pesado”

Na zona da escola primária da Freiria em Arcozelo, mais precisamente na estrada nacional que a ladeia, estavam, numa noite da semana passada, seis camiões TIR estacionados. Esta é uma zona bem localizada e procurada pelos camionistas para estacionamento.

E que importância tem este facto? A importância de significar menor segurança quer para os condutores quer para os peões. Não consigo, por isso, perceber o porquê do adiamento da construção do parque TIR no terreno comprado e anunciado para o efeito, na saída da auto-estrada na Ribeira. Será que a Câmara Municipal pensa que o assunto se resolve por si só? É que o exemplo dado em cima é não passa disso mesmo, um exemplo, a situação multiplica-se um pouco por todo o concelho. Até quando se arrastará este problema de (in)segurança rodoviária?

sexta-feira, outubro 19, 2007

Alto Minho artigo 19-10-2007

Segurança

Aparentemente o posto da GNR de Freixo irá fechar. Algumas perguntas se impõem: Será que alguém sabe das condições nas quais se fazem as patrulhas no concelho de Ponte de Lima? Sabiam que já existem patrulhamentos conjuntos, um carro com agentes de Freixo e de Ponte de Lima para todo o concelho? Alguém ainda recorda que a PSP foi retirada das freguesias de maior densidade populacional e que estas foram entregues à GNR? Alguém se importou com o facto dessa nova responsabilidade da GNR não ser acompanhada por reforços de qualquer tipo, materiais ou humanos?

Será assim que as nossas necessidades de segurança são colmatadas?

É necessário que os vários poderes, políticos e civis, os partidos da oposição, as forças vivas do concelho se unam, não em torno de questões acessórias mas de uma fundamental, a segurança no concelho como um todo. Ponte de Lima precisa de mais segurança que só existirá com mais agentes e mais meios materiais. Passar os agentes do posto de Freixo para o de Ponte de Lima e pensar que é um reforço é uma falácia que deverá ser rejeitada com veemência. Agora, no actual estado da coisa, o fecho do posto de Freixo é apenas a consequência lógica….

Eleições no PSD

Perguntam-me porque não escrevo sobre as eleições no PSD como outros têm feito. Em primeiro lugar porque os leitores do “Alto Minho” são-no pelas notícias da região e depois porque pouco há para dizer sobre o assunto. Poderia citar Zeca Afonso “muda de rumo, muda de rumo, já lá vem outro carreiro” mas prefiro, pois parece-me mais apropriado, a Divina Comédia de Dante “Em veste de pastor, lobos rapaces vêem-se daqui sobre todos os pastos.”

sexta-feira, outubro 05, 2007

Alto Minho artigo 05-10-2007

Antes existia a Contribuição Autárquica. Quando esta acabou, foi criado o IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis) e logo as autarquias protestaram por causa da potencial queda de receitas.

A verdade é que muitos municípios aplicaram logo a taxa máxima de IMI. Ponte de Lima não foi excepção. É evidente que esta aplicação foi acompanhada por justificações, com a nova taxa viria uma quebra insustentável das receitas pelo que a taxa máxima seria apenas para garantir que não existiria essa quebra, posteriormente, anunciava-se, com o equilíbrio das contas, baixar-se-ia o imposto.

Com o tempo verificou-se que essa quebra não era assim tão grande, sendo mesmo, por vezes, até inexistente. Em muitos casos as receitas aumentaram até para além do previsto. Quando observaram esta realidade, muitas Câmaras, atendendo a que a gestão camarária deverá ser para o munícipe, baixaram o IMI para a taxa mínima ou então para muito perto desta.

Não em Ponte de Lima. A Câmara Municipal limiana apenas baixou o IMI no ano transacto preparando-se para o fazer no presente ano. Baixou, é verdade. Mas que consequências terá essa redução? Para a Câmara Municipal algumas, mas não muitas. Para os limianos pouco, muito pouco, quase nada.

Seria bom, até para clarificar, que a Câmara Municipal, tão célere a passar para a comunicação social esta “imprudente” redução, tornasse público quanto a receita aumentou ou diminuiu com a mudança da Contribuição Autárquica para o IMI. Seria igualmente interessante se a Câmara Municipal de Ponte de Lima justificasse o porquê desta “reduzida” amostra de redução do IMI. Daniel Campelo, no seu programa eleitoral, afirma que com o aumento da receita (não é o Município de Ponte de Lima um dos que mais dinheiro tem em caixa?) iria efectivamente baixar os impostos. Por que é que a redução é apenas, digamos, simbólica?

Os limianos, para esta gestão, são vistos apenas como números. Independentemente da conjuntura, dos indicadores negativos, os limianos continuam a pagar e pagar. Não acredita? Vá verificar a sua conta da água e compare-a com igual período do ano transacto…

sexta-feira, setembro 28, 2007

Alto Minho artigo 28-09-2007

Há municípios que têm algo semelhante a agências de captação de investimento. Trabalham de forma a aumentar o leque de potenciais investidores nos respectivos concelhos. No de Ponte de Lima, não. A Câmara Municipal parece mais ocupada em fazer de, pasme-se, agência imobiliária.

As Finanças sempre se mudaram. Da praceta Vieira de Araújo passaram para junto do hospital. Força do mercado imobiliário? Não, da Câmara Municipal de Ponte de Lima.

Com uma total ausência de sensibilidade de gestão urbanística, segue uma política retrógrada e já em desuso de centralizar todos os serviços num só espaço. Mas não num espaço qualquer. As Finanças são, sem dúvida, um bom inquilino pelo que o “presidente” da “agência imobiliária” Câmara Municipal de Ponte de Lima achou por bem captar o “cliente” para um dos edifícios do parque de estacionamento, junto do referido hospital Conde de Bertiandos.

A Câmara consegue assim dois “bons” objectivos. Por um lado acabar com o que resta de vitalidade na zona do velhinho Centro Comercial Rio Lima. Bem, pode ser que algum investidor chinês, daqueles que a AEPL foi captar, queira lá investir…

O outro objectivo parece já ser marca deste executivo. O de ajuda à Santa Casa da Misericórdia. Esta era a senhoria do anterior espaço das Finanças, mas com o empenho da “imobiliária municipal” perde uma fonte de receita. Será por isso que as crianças ou idosos, aos quais a Santa Casa da Misericórdia presta assistência, terão menos condições? Certamente que não. Usar este argumento seria recorrer a um populismo em que alguns são useiros e vezeiros. Mas é inegável que certamente não ajudará.

É verdadeiramente lamentável que ao invés de tentar colocar estrategicamente os serviços presentes na sede de concelho, a Câmara Municipal agregue todos num só espaço. As anteriores zonas que albergavam esses serviços foram simplesmente votadas ao abandono pela Câmara Municipal. Mas num espaço sem aparcamento livre, sem vias de comunicação condignas e com escala suficiente para o trânsito que afluirá em massa para aquele local, neste momento, estão concentrados o Tribunal, o Centro de Saúde, o Hospital, as Finanças e a Adega Cooperativa. Nada mau para uma zona com ruas em que mal cruzam dois automóveis.

sexta-feira, setembro 21, 2007

Alto Minho artigo 21-09-2007

As Feiras Novas de Ponte de Lima já alcançaram um patamar diferente do das outras festas do Alto Minho. As Feiras Novas são A Festa do Alto Minho. Talvez já não o sejam na autenticidade, isto comparando, por exemplo, com as festas de S. Bartolomeu de Ponte da Barca, mas com características únicas atrai um número cada vez maior de jovens ao coração do Alto Minho. Mas o brilhantismo das festas não se fica pelos jovens, a festa perpassa todas as gerações, classes e credos, dos mais tradicionais amantes das concertinas, passando pelo amante das bandas de musica até aquele que apenas gosta da batida de Bob Sincler. Este é talvez o segredo do sucesso cada vez maior das Feiras Novas.

Este ano as festas correram melhor que no ano passado. Para além da gente, sempre difícil de contabilizar, a dispersão da música gravada entre o centro histórico, que acabava mais cedo, e a EXPOLIMA, até ao raiar do sol, resultou muito melhor, as rusgas foram muitas, os cantores ao desafio fizeram-se notar e as Bandas de Música brilharam na sexta feira pela noite fora.

A comissão de festas está, de facto, de parabéns.

Mas é preciso ter em conta alguns factores. Um deles precisamente devido ao sucesso. Não é admissível que alguém que queira vir a Ponte de Lima tenha que esperar sentado no carro três ou quatro horas para poder estacionar. São necessários mais parques de estacionamento na periferia. Em Arcozelo, na saída do túnel de Sabadão, em Brandara, na Ribeira, na Correlhã e na Feitosa/Fornelos. A existência de um círculo de segurança, que progressivamente se alargaria conforme as horas e o aperto aumentam seria de equacionar no futuro. Outro aspecto é o facto das festas se realizarem com maior ênfase na sexta-feira e no sábado ao invés do que até há poucos anos acontecia. Talvez já fosse tempo de rever algumas actividades, prolongar as Bandas de Musica para o sábado à noite, por exemplo. O fogo de artifício de domingo, em consonância, deveria passar para a noite de sábado, com a quantidade de visitantes presentes no sábado faria mais sentido.

As Feiras Novas terminaram. Como sempre já se pensa nas próximas.

sexta-feira, setembro 14, 2007

Alto Minho artigo 14-09-2007

“Quero ir às Feiras Novas” canta o cantor popular Canário. Eis a frase que ressoa na mente de todos os limianos bem como em centenas de forasteiros que, neste fim-de-semana, invadirão as ruas de Ponte de Lima.

Todos anos, Ponte de Lima ganha uma dimensão fantástica no fim-de-semana da festa. As concertinas, os bombos, o cheiro a churrasco, as pipocas, as farturas, o pão com chouriço e, claro, as primeiras castanhas. Tudo isto faz parte do clima das Feiras Novas.

Desde há muito que as festas vêm seguindo um caminho de alargamento. Junto dos jovens a sua divulgação é cada vez maior. Qual não é o limiano que fora de Ponte de Lima, na universidade por exemplo, não convida os seus amigos para cá passarem nas festas? São centenas aqueles que conheceram o nosso concelho desta forma e que, ano após ano, cá vêm, numa tradição dentro da própria tradição das Feiras Novas.

As ruas do centro histórico adquirem um colorido só comparável ao das ruas de cidades como Santiago ou Vigo em passagem de ano. O ambiente de festa é inegável, é palpável.

No ano passado, a Câmara decidiu pôr fim a alguns exageros que começavam a tomar proporções preocupantes. Contudo, não o terá feito da melhor maneira. A começar pelos argumentos de desvirtualização da festa (quem a conduziu até aqui?), do barulho (é verdade mas o mesmo critério não é aplicado a outros casos, até mais recorrentes) até à alternativa apresentada. A razão foi boa, mas a solução foi má.

Este ano espera-se que a solução passe pela bipolarização da “movida” já associada às noites das Feiras Novas. A EXPOLIMA tem melhores condições que no passado, é certo, e o esvaziamento de parte das pessoas das ruas do centro histórico também é de saudar, mas é preciso não conduzir obrigatoriamente essas pessoas para o referido espaço. Poder-se-ia cair em exageros e na “guetização”, como se percebeu no ano passado, com tudo o que daí advém.

Com as actuais condições e com uma maior vigilância das autoridades, a EXPOLIMA poderá passar a ser um óptimo complemento para quem procura sons mais, digamos, modernos nas Feiras Novas.

Não poderia acabar este artigo sem uma palavra de apreço pela homenagem a Manuel Luciano, membro durante anos da Comissão de Festas das Feiras Novas, feita no programa do Cortejo Etnográfico numa imagem que realmente faz parte da memória colectiva.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Alto Minho artigo 07-09-2007

Depois de no programa “A Alma e a Gente”, que passou no canal A Dois no passado domingo, serem apresentadas estatísticas sobre Ponte de Lima assaltou-me a curiosidade de consultar as estatísticas oficiais, as do Instituto Nacional de Estatística, para perceber alguns comentários de José Hermano Saraiva.

Ponte de Lima é de facto um recanto cheio de beleza e por isso os limianos são abençoados pela natureza. A qualidade de vida proporcionada pela natureza é realmente boa.

Da mesma forma, os grandes centros culturais e económicos estão a um pequeno passo de Ponte de Lima. Porto, Braga, Vigo e até Santiago de Compostela são já ali. Este factor contribui também para que muitos limianos encontrem outro tipo de qualidade de vida, a económica. São cada vez mais os limianos que deixam a “qualidade de vida natural” de Ponte de Lima para irem trabalhar nas cidades vizinhas, especialmente na Galiza. Ainda no número anterior deste jornal se constatava a movimentação cada vez maior de alto-minhotos para a Galiza procurando educação e emprego. Quase todos os limianos têm conhecimento de alguém que partiu para a Galiza. É uma realidade incontestável.

O INE diz-nos que o poder de compra da região do Minho-Lima é de 1,611%, o terceiro mais baixo da região norte, e que o de Ponte de Lima é de 0.223%, o segundo mais elevado do distrito. Para Daniel Campelo parece bastar Ponte de Lima ser um dos melhores entre os piores. É pena. Sendo o Presidente da Câmara de Ponte de Lima deveria governar com outra ambição, a “garra” que outrora lhe imputavam parece ter ficado num passado longínquo.

Ponte de Lima torna-se cada vez mais um concelho sem estratégia e sem ambição.

sábado, setembro 01, 2007

Alto Minho artigo 01-09-2007

Para a maioria, as férias ou já fazem parte do passado ou estão praticamente a fazê-lo. Ponte de Lima triplica no mês de Agosto, devido aos emigrantes que “invadem” as nossas freguesias, na sua maioria ainda de vindos de França, mas também aos que, ficando em Portugal, escolheram as grandes cidades para viver, nomeadamente Lisboa. Nem eles nem os seus descendentes deixam de passar uns dias “na terra”.

Se há mês em que Ponte de Lima ganha uma vida social cosmopolita é Agosto. Pelas ruas ouvem-se as mais variadas línguas, e não é só as dos emigrantes, os mais variados sotaques. Aqui e ali vêem-se e ouvem-se visitantes de paragens longínquas do norte da Europa.

Talvez fosse tempo de pensar e delinear uma estratégia para aumentar e prolongar esse “cosmopolitismo”. Uma estratégia que envolvesse os interesses económicos do concelho, bem como as associações. São necessárias actividades lúdicas de divulgação do património, coisas práticas.

Há alguns anos, a Junta de Freguesia de Refoios do Lima organizou um Verão de actividades para os jovens da freguesia. De entre essas actividades realizou-se um roteiro do património que culminou numa caminhada cujo objectivo principal era dar a conhecer esse património bem como os limites geográficos da freguesia aos jovens. Nada de maçudo, apenas um aperitivo para aguçar a curiosidade. Deste modo muitos jovens ficaram a conhecer as confrontações da sua freguesia bem como muitas das suas riquezas.

Este é um exemplo muito localizado, é certo. Mas actividades como visitas organizadas ao património seriam bem vindas não só para os nossos visitantes mas também para nós limianos que por vezes temos um conhecimento enviesado da nossa história. Anos atrás, foi apresentado um projecto de guias áudio para acompanhar as visitas ao centro histórico. Como está esse projecto? Ainda existe? Há divulgação do mesmo? Se ainda existe, talvez seja a altura de o expandir para as freguesias, quantos e quantos monumentos lá existem que ficam no esquecimento colectivo.

É tempo de apostar na diferenciação, na personalização. Talvez seja tempo de mudar o paradigma.