sexta-feira, março 28, 2008

Alto Minho artigo de 28-03-2008

Páscoa

A Páscoa está associada a vários aspectos: vitória sobre a morte, sobre o pecado, renascimento, vida, dádiva, luz, etc.

Na celebração desta “passagem”, o Alto Minho tem como tradição uma festa que é também comunitária. As pessoas limpam, preparam a casa ainda com mais afinco para a visita pascal. O compasso, a cruz que visita as casas da paróquia, existe pela dádiva dos que, prescindindo do dia com a sua família, o dedicam a uma estirada, levando a cruz a todas as casas que a queiram receber. As casas abrem-se para os vizinhos que retribuem a visita. Petisco aqui, pão-de-ló acolá, a comunidade une-se para celebrar a ressurreição de Cristo.

Felizmente, no Alto Minho, a tradição ainda se mantém. É verdade que muitos se têm rendido à tentação de aproveitar estes dias para umas mini férias, mas cada vez são mais os que de fora vêm propositadamente à nossa região para viverem a Páscoa. Espanhóis eram aos milhares, mas portugueses também, de Lisboa, Coimbra, Porto, vários foram os que, respondendo ou ao apelo da tradição familiar, da fé, ou dos amigos por cá partilharam do espírito comunitário de viver uma festa que celebra a mudança, a passagem das trevas para a luz, a suprema entrega que foi a de Jesus.

Ampliação

Tem-se ouvido que será intenção da Câmara Municipal de Ponte de Lima ampliar o Pavilhão Municipal. Realmente este parece cada vez mais desfasado das actuais necessidades desportivas existentes no concelho. No entanto, a ser verdade a ampliação, prevê-se que os sacrificados serão os courts de ténis. Penso que será um erro. É verdade que estes nunca foram muito aproveitados, os clubes não se renderam à modalidade e os praticantes deverão ser actualmente residuais. Mas porquê? Porque nunca se soube promover a modalidade. É uma modalidade que a par com outras no desporto, futebol, automobilismo, golfe, movimentam muito dinheiro, muitas pessoas.

Acabar com os únicos courts de ténis públicos existentes no concelho é simplesmente apagar a modalidade do concelho ao invés do que se deveria fazer, promove-la.

Como os campeões nacionais da EDL e do Clube Náutico de Ponte de Lima nos mostram, com investimento, económico e humano, e com formação é possível colocar Ponte de Lima e os seus desportistas ao mais alto nível. Também no ténis poderíamos dar cartas. Amplie-se o Pavilhão, ou construam um outro, como já foi proposto penso que pelo vereador do PS, mas não acabem com uma modalidade que ainda não foi verdadeiramente promovida no concelho.

sexta-feira, março 21, 2008

Alto Minho artigo de 21-03-2008

Críticas

O detentor do poder deve estar atento às necessidades das pessoas que o elegem. Ouvir o sentimento das pessoas, as suas necessidades, as suas opiniões e ter a sensatez de reformular opções, modificar e adaptar os projectos, aprimorando-os. Não quero com isto dizer que os governantes devem governar conforme soprar o “vento” popular. Não, o governante deve governar consoante aquilo que propôs aquando da sua eleição, mas isso não quer dizer que não cometa erros, que aqui e ali não deva corrigir trajectos, corrigir políticas, iniciar novas políticas. É nesse pressuposto que os eleitos devem estar atentos.

As propostas, as ideias, as críticas devem ser encaradas nesse sentido. A própria oposição serve para isso mesmo, para propor, para criticar e para dar alternativas às políticas do governo da “cidade” ou do país, tentando influenciar a actuação deste.

Em Ponte de Lima, ao fazer-se crítica a uma política, ou à falta dela, alguns dizem logo que se está a “dizer mal” de alguém. Mas, é precisamente o contrário. Veja-se o caso do pelouro da cultura, alvo de várias criticas, eu próprio as tenho feito. O vereador ouviu serenamente e vejam o resultado. A política cultural em Ponte de Lima tem mudado, lentamente para alguns, em demasia para outros, mas basta ver os eventos programados para este ano, os concertos, as actividades, etc. e comparar com outros anos para logo se verificar que há uma franca evolução no sentido correcto. Estou certo, mesmo que não o confessem, que um dos motivos é o aproveitamento que o pelouro soube fazer de algumas críticas.

Mas o estar atento não é só “coisa” para os políticos no “poder”. Também os da oposição o devem fazer. E há políticos na oposição que sabem estar atentos. Por exemplo, na oposição limiana, vejam-se na Assembleia Municipal os casos de Manuel Barros, do PSD, Pires Trigo, do PS, ou Acácio Pimenta, da CDU, ou no executivo Municipal Jorge Silva, do PS.

Hoje em dia, a participação dos cidadãos não se esgota nas sedes partidárias. A comunicação social, as novas tecnologias vieram trazer outra realidade que os políticos do passado têm dificuldade em compreender, mas que, se quiserem continuar a ser os representantes dos cidadãos, têm que se esforçar por perceber.

Informação

Várias vezes o tinha escrito aqui e por isso foi com satisfação que encontrei as actas das reuniões do executivo da Câmara Municipal de Ponte de Lima na página web da autarquia. É um sinónimo de abertura muito bem-vindo.

No entanto há situações que, em termos de usabilidade, urgem melhorar. A escolha do sítio dentro da página web poderia ser melhor. Seria mais lógico colocar as actas junto do executivo do que numa divisão municipal, no caso a Divisão Administrativa e Financeira. Actualmente é necessário abrir o documento para saber o que lá se encontra, com a inclusão dos temas debatidos junto ao hyperlink ajudava o utilizador a encontrar o que procura de forma mais rápida e sem desperdiço de tempo…

sexta-feira, março 14, 2008

Alto Minho artigo de 14-03-2008

Confrontação?

Abel Baptista diz que não foi sua intenção confrontar Campelo, mas a verdade é que em termos autárquicos foi das poucas vezes que avançou até ao fim com uma proposta sabendo, de ante mão, que Campelo seria contra.
Ainda no final do ano passado, recuou à última hora aquando da formação de uma comissão da Assembleia Municipal para acompanhamento do comércio tradicional, não permitindo que a proposta fosse a votação. Passados poucos meses, eis que a dita é aprovada com outro nome e com ainda maior abrangência, isto sobre proposta do PCP e o voto de quase todo o hemiciclo.
Mas a curiosidade assentava numa outra votação. A da proposta de Abel Baptista para a elaboração de um plano estratégico para o concelho de Ponte de Lima. Um plano que há muito fazia falta e que várias vozes já tinham pedido e que tinha sido sempre recusado pelo poder. Mas ser o Presidente da Assembleia Municipal, membro do partido do poder, CDS-PP, e não um partido da oposição, reveste a proposta de outro “peso”.
Campelo tentou, esgrimiu argumentos, abanou com uma série de planos estratégicos genéricos para a região, tudo fez para que a mesma não fosse aprovada. Mas como os argumentos por ele usados pareciam dar ainda mais força à proposta, a VALIMAR não pode servir de “guarda-chuva” para tudo, a proposta foi aprovada.
Campelo sabe que com a elaboração deste (elementar) plano estratégico para o concelho, a sua falta de habilidade governativa estratégico-economica pode ser desmascarada. Com a situação que se vive no concelho, falta de emprego, falta de investimentos, parcos incentivos à iniciativa privada será muito difícil explicar e manter a dinâmica eleitoral do passado. Ainda para mais, quando a possibilidade de uma cisão no ceio do CDS local continua a ser uma possibilidade. O tabuleiro do xadrez político local já começou a movimentar-se...
Já agora, é difícil perceber a pouca ou nenhuma cobertura desta matéria pela ROL. Custa perceber esta decisão tendo em conta que não é esse o critério editorial que a rádio local nos habituou. A meio da semana posterior à Assembleia Municipal, na ROL ainda não havia qualquer referência. Será que não é notícia a discussão do futuro estratégico do concelho em que a ROL é a rádio local?

sexta-feira, março 07, 2008

Alto Minho artigo de 07-03-2008

Coragem de mudar

O PSD por estas bandas está em mutação. A Comissão Política Distrital apresenta novas caras, novos cargos e secretarias. Por Ponte de Lima, como já aqui escrevi, a cara de topo é nova e, apesar de associada a muito do passado, parece apostada em mudar. E mudar, nas circunstâncias em que o PSD está a nível local, é francamente positivo.

Filipe Viana, o novo rosto da Comissão Política Concelhia de Ponte de Lima, terá que ter bastante força e coragem se realmente quiser mudar. Primeiro terá que mudar o paradigma reinante no partido. Terá que reorganiza-lo, juntá-lo, criando paulatinamente uma alternativa credível, com políticas credíveis, amplas e exequíveis capazes de irem ao encontro das necessidades dos limianos.

Deve também ter coragem para mudar os protagonistas. Na última década e meia, eles têm sido os mesmos, eleições atrás de eleições. Essa eternização de protagonistas teve como resultado a péssima votação obtida pelo PSD nas últimas eleições autárquicas.

Filipe Viana deve ter coragem de apresentar novas caras, novos protagonistas. Pessoas preparadas, que sejam o novo rosto das novas políticas do PSD.

Deve começar por um dos lugares de topo da representatividade autárquica. Pelo único vereador do PSD. Ter como protagonista no executivo municipal o rosto da pior derrota do PSD numas eleições autárquicas não será o melhor caminho para demonstrar que o PSD é a alternativa. A lista que o PSD apresentou nas últimas autárquicas tem outros rostos, rostos mais novos, sem as conotações negativas que muitos anos e muitos cargos políticos geralmente acarretam. Por ventura o lugar de vereador até já foi posto à disposição, mas se não foi, o novo líder o PSD de Ponte de Lima, se quer mudar algo, deve começar por apagar a imagem perdedora e o rosto dessa imagem, substituindo Manuel Trigueiro.

Saudade

É deveras intrigante como podemos ter saudades de “coisas” que não vivemos. A freguesia de Refoios suscita em mim esse sentimento. A vida comunitária das espadeladas, das desfolhadas, do ciclo do linho… Várias vezes passeio por lá, pelos campos, junto ao rio Lima, pela Vacariça... Claro que, por mais voltas que dê, não encontro a Refoios que levo na ideia. A Refoios que a minha avó Glória me descreveu. Refoios representa o que de mais belo Ponte de Lima tem, a montanha, os campos, o rio e acima de tudo as pessoas. A minha avó foi fruto destes factores. Um fruto do qual já tenho imensas saudades.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Alto Minho artigo de 29-02-2008

Políticos profissionais

Devido à última polémica que o envolve, o Primeiro Ministro de Portugal sentiu o dever de esclarecer que, desde que foi eleito deputado, em 1987, a sua actividade privada tornou-se muito residual, resumindo-se à intervenção pontual em pequenos projectos a pedido de amigos, e, evidentemente, sem remuneração. Daqui se poderá depreender que há vinte anos que vive da política, ou seja, é um político a tempo inteiro há duas décadas. É o que se pode considerar um verdadeiro político profissional.

Num artigo alargado, Manuel Pires Trigo escrevia no final que o PS está apostado em corrigir erros e lutar contra os políticos profissionais, isto através do recurso a gente activa, moderna, confiante, capaz de abrir perspectivas de futuro para o concelho. Penso que é um bom caminho. Já agora, por que não alargar o âmbito da luta e começar pelo seu líder, José Sócrates?

Plano estratégico para Ponte de Lima

A Assembleia Municipal desta semana será bastante interessante. O PCP leva a votação três moções, destacando-se a que reabre a discussão acerca da problemática do centro histórico e do comércio tradicional, anteriormente rejeitada pela maioria CDS.

Outro ponto interessante é o do plano estratégico para o concelho limiano. Ainda bem que, finalmente, alguém dos que têm a responsabilidade de liderar o concelho, Abel Baptista, concluiu que não se pode preparar um caminho para Ponte de Lima sem se conhecer as forças, as fraquezas, as oportunidades e as ameaças que o concelho tem e enfrenta.

Para sermos competitivos é, de facto, necessário planear e o primeiro passo é conhecermo-nos.

Falta saber se Daniel Campelo quererá mesmo que estas duas situações tenham continuidade? Esperemos bem que sim, pois apenas pecam por vir tardiamente.

Iluminação

Um dos símbolos de Ponte de Lima é o conjunto da ponte medieval, igreja de S. António da Torre Velha e ponte romana. A ponte é o ex-libris de Ponte de Lima. Daí a dificuldade em se perceber a razão pela qual este conjunto não merece um destaque especial. É uma constante a iluminação pública não funcionar, deixando os transeuntes “às cegas”, e a “decorativa”, por várias razões, não cumprir totalmente a sua finalidade.

Terá chegado o tempo de pensar numa nova forma de iluminação. Uma iluminação que faça jus à importância do conjunto como imagem identificadora do concelho sem esquecer, obviamente, a iluminação do espaço público.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Alto Minho artigo de 22-02-2008

Turismo

Confesso que gosto da cultura americana/canadiana. Desde que visitei aqueles países, mais o Canada que os EUA, fiquei cativado pela cultura, pela paisagem, pelas cidades. Desde aí que tenho o hábito de tentar obter o máximo de informação sobre alguns desses locais. O leitor ficaria admirado se lhe dissesse que, lá, o turismo é encarado com outros olhos. É encarado como um negócio e, como tal, deve ser o mais lucrativo possível. É interessante poder encontrar pacotes diferentes, para diversos públicos, na mesma região, tudo de uma forma coerente e coordenada. Quer cultura? A região dá-lhe. Quer passeios pedonais? A região dá-lhe. Quer divertimento? A região dá-lhe. E como pode saber o que encontrar? Fácil, basta aceder à página que todas as regiões têm na Internet, uma espécie de cartão de visitas, e pedir um catálogo com informações. Sim, toda a informação, percursos para serem feitos por carro, o mapa das estradas com os monumentos e locais de interesse, os restaurantes, os cafés, as festas, acompanhada do agradecimento dos responsáveis locais pelo nosso interesse, é enviada para nossa casa, onde quer que moremos.

Um pouco diferente do que se passa por cá. O turismo de qualidade não pode ser visto apenas como turismo para uma elite, seja ela financeira, social ou cultural. O turismo de qualidade só pode existir quando os vários intervenientes locais deixarem de se olharem como inimigos e passarem a pensar como um todo transversal e representativo da região. A união dos vários intervenientes da hotelaria, restauração, das actividades de animação turística, de entidades públicas, das associações é a força da região.

Tempo

Lembro-me de há vinte anos os “carros de bois” ainda serem algo banal aqui bem perto da sede do concelho limiano. Lembra-se o leitor da última vez que viu um? A verdade é que muito mudou nos últimos anos. A agricultura já não é o que era e já não pode ser vista como “a” resposta. Até porque não existe “a” resposta… Pensar que podemos voltar ao complemento do orçamento retirado da agricultura é no mínimo uma falácia que apenas se compreende por sentimentos nostálgicos de um tempo idílico que a nossa memória construiu.

Podemos, no entanto, promover o que de melhor temos, o que de melhor produzimos e transformamos e encarar a agricultura como mais uma “indústria” complementar às outras que deveriam existir no concelho limiano.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Alto Minho artigo de 15-02-2008

Insegurança

Já não se via há muito tempo uma onda de assaltos como a que, na semana passada, assolou os concelhos de Ponte de Lima e Viana do Castelo. Assaltos esporádicos, mais ou menos violentos, têm sido uma constante, mas, na mesma semana, duas ourivesarias e várias casas de comércio é novidade.

Seria fácil dizer que este é o resultado da nova configuração das forças de segurança, mas não há certezas. Há, no entanto, uma latente carência de meios materiais e de recursos humanos, pelo menos no concelho limiano. A GNR em Ponte de Lima passou a patrulhar muito mais território, freguesias de cariz urbano como Arcozelo ou Correlhã, sem um visível aumento de meios materiais ou humanos. Os presidentes da Câmara de Ponte de Lima e de Viana do Castelo têm aqui um motivo para se preocuparem. O sentimento de insegurança começa a tomar conta dos espíritos e isso não é nada bom para concelhos pacatos e serenos que vão vivendo de algum turismo.

Alta velocidade

Finalmente o presidente da Câmara de Ponte de Lima quebrou o silêncio sobre a linha de comboio de alta velocidade. Quebrou denunciando precisamente o silêncio do governo face ao traçado desta e aos seus pressupostos. Este deverá ser um assunto de convergência para as diversas sensibilidades políticas e sociais. O concelho limiano já foi esventrado por uma auto-estrada e uma via rápida. Agora está dividido em quatro. Esperemos que esta situação não venha piorar ainda mais com a construção da linha de alta velocidade para o chamado TGV. Sinceramente, não me parece que seja uma ambição dos limianos ver passar comboios. Olhem para a solução que Abel Baptista advogou numa entrevista a este jornal, que faz todo o sentido. Talvez fosse altura da Assembleia Municipal constituir um grupo de acompanhamento desta situação.

Incentivos

Em Viana do Castelo existem alguns apoios para a reconstrução de casas antigas no centro histórico. Devagar, por vezes até devagarinho, lá se vão requalificando alguns imóveis, que até vão ganhando prémios. Em Ponte de Lima, os incentivos são poucos ou inexistentes, a população vai desaparecendo do centro histórico, passando este a local privilegiado para outras actividades. Sabia o leitor que um proprietário de um imóvel no centro histórico, por exemplo na rua do Souto, que o queira recuperar fazendo um apartamento, uma loja e, por que não, um escritório terá que pagar uma pequena fortuna à Câmara Municipal relativamente a (espante-se) locais de aparcamento automóvel? É verdade, isto num local onde os automóveis não podem circular, muito menos aparcar… Poderia dar direito a, pelo menos, um lugar num dos parques “privados” que a câmara Municipal construiu, mas nem isso…

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Alto Minho artigo de 08-02-2008

Industrialização

Na apresentação do livro “Ponte de Lima uma vila histórica do Minho” Daniel Campelo aproveitou, mais uma vez, para lançar umas farpas a quem não concorda com as políticas dele.

O livro apresentado, como aliás frisou o vereador da cultura, é um bom exemplo do testemunho que podemos deixar daquilo que somos e fomos para as gerações vindouras. Claro que, como em tudo, poderá sempre ser alvo de algumas, pontuais, correcções que não beliscam em nada o seu mérito científico ou histórico.

Aproveitar este tipo de eventos para lançar “nuvens de fumo” não será a melhor atitude, no entanto Daniel Campelo, como já havia feito na apresentação do Cartaz das Feiras Novas passadas, não resistiu. Diz Campelo que, ao contrário de outros, não pensa que o futuro de Ponte de Lima passe em exclusivo pela indústria. Que outros? Não estaremos aqui todos de acordo? No entanto, a opinião de Campelo tem outro tipo de importância, é que a responsabilidade de liderar os destinos do concelho limiano é dele e, ao que parece, este quer provar que o futuro de Ponte de Lima não passa de todo pela indústria. Ou é isso ou a sua política de captação de investimento, como se pode verificar pelas zonas industriais, é nula ou incipiente. É que sendo verdade que o futuro não passa exclusivamente pela indústria, é um facto que também não existe sem esta.

Falar hoje de industrialização não é exactamente o mesmo que no século XIX. Falar hoje de industrialização é falar de muitos sectores, sectores limpos, de tecnologia, sectores de investigação e, claro, de produção. Mas isto Campelo esconde e num evento de cariz cultural, com a apresentação de um dos bons resultados do projecto “Ponte de Lima Terra Rica da Humanidade”, preferiu tentar escamotear a sua grande falha, o grande “buraco” da sua década de governação em Ponte de Lima, a falta de indústria em Ponte de Lima. Uma situação que leva inevitavelmente à falta de emprego, que leva, por exemplo, cerca de 600 pessoas concorrerem para 6 ou 7 vagas que o já citado projecto disponibilizou, que leva a que Ponte de Lima tenha um dos mais baixos poderes de compra do país.

E qual é a resposta de Daniel Campelo perante esta situação? Numa outra situação, afirmou que as pessoas têm que se mentalizar que uma licenciatura não é significado de emprego certo. Pois isso, infelizmente, não é novidade nenhuma para as famílias que investem na educação dos seus filhos, mas sentir que um autarca, ainda para mais do CDS-PP, que se afirma o partido das empresas e empresários, não ajuda em nada para alterar essa situação já é uma triste novidade.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Alto Minho artigo de 01-02-2008

Sonhos

Por vezes temos sonhos que nos orientam num determinado sentido. Fazemos tudo para que estes se tornem realidade. Por vezes até esquecemos tudo o resto pensando na “realidade” idealizada do sonho.

A freguesia de Arcozelo, em Ponte de Lima, sonhou com a elevação da freguesia a vila. Os autarcas sonharam e tudo fizeram para alcançar esse sonho. Este tornou-se um objectivo “per si”. O desejo de realização transformou-se no grande Objectivo. Pois este foi atingido e Arcozelo é uma das mais jovens vilas de Portugal.

Passados alguns anos, olha-se para trás com algum sentimento de frustração. Porquê? Porque se sente agora uma espécie de ressaca. As expectativas, o sonho, eram demasiado elevadas para a realidade do significado da nova designação.

Arcozelo continua com projectos, com planos, é verdade, mas com os parcos recursos que o estatuto de “vila” não aumentou.

Iniciativa

Numa altura de vitimização pública, realço a iniciativa do PS local ao organizar um debate sobre a educação com o respectivo Secretário de Estado. Aproveitando a sua presença em Ponte de Lima, abriu as portas do debate a toda a população limiana para, de forma directa e “civilizada”, questionar um dos responsáveis da política de educação do actual governo de Portugal. Interessante esta iniciativa que demonstra uma certa coragem e abertura.

Um bom exemplo daquilo que a oposição pode fazer. A promoção do debate, da participação dos cidadãos na definição de políticas.

É verdade que pode surtir pouco ou nenhum efeito prático mas fica sempre a ideia, a opinião dos que irão em breve referendar as opções tomadas.

Promoção

Já vai há uns anos, mas ainda me lembro de um concurso – não sei se era esta a designação certa – de música moderna de Ponte de Lima. A actuação das bandas de garagem foi no largo da Além da Ponte, em Arcozelo. Não me lembro da qualidade musical das actuações, lembro-me ligeiramente de uma música que falava de uma Lisboa, capital do império, como diz depreciativamente Manuel Fernandes, a arder, fruto talvez de inspiração clubista tão em voga na altura.

Mas o que está em causa não é a letra ou o tipo de música é a ideia de um evento que por um lado envolva os jovens num projecto, num objectivo e por outro, que promova a visibilidade de novos talentos, de novas bandas de garagem que certamente ainda existem em Ponte de Lima.

sexta-feira, janeiro 25, 2008

Alto Minho artigo 25-01-2008

Electrizante

De tempos a tempos lê-se nos jornais locais e regionais a chegada de mais um Posto de Transformação da EDP a uma determinada freguesia ou lugar. Confesso que cada vez que leio uma destas notícias dou comigo a recordar algumas reuniões familiares, onde alguns membros da minha família gostam de enfatizar acontecimentos como a chegada da electricidade ao largo de Camões e outros do género que nos remetem para meados do século XX.

Por incrível que possa parecer, ainda há políticos que se prestam a esse papel terceiro-mundista. Não nego a importância para as populações dos investimentos feitos pela EDP, do esforço destas, das suas Juntas de Freguesia, para que estes sejam uma realidade. Mas daí até a uma inauguração pública com representante da Câmara Municipal, comunicação social, meninos da escola e talvez foguetes parece-me, no mínimo, pitoresco. Já não se justifica.

Transportes

Ponte de Lima aderiu ao Programa PAGUS. Este tinha como principal objectivo desenvolver estratégias e instrumentos para reabilitação, requalificação, gestão e desenvolvimento sustentável de cidades e/ou centros históricos. Dessa adesão construiu-se um fórum na Internet (ver página web do município) que não foi, nem é, muito explorado ou dinamizado – vale pelas entrevistas feitas no âmbito de “Ponte de Lima, Terra rica da Humanidade” – e realizou-se o “Estudo Integrado de Mobilidade e Sistema de Transportes no Centro Histórico de Ponte de Lima”.

Seria bom que os resultados deste estudo, se existentes, fossem divulgados, bem como as suas consequências nas tomadas de decisão nesta matéria. É que possivelmente já se justifica uma rede de transportes urbanos em Ponte de Lima. A mobilidade das pessoas deveria ser pensada ao mesmo tempo que se permite a construção de novas zonas residenciais/comerciais e para isso todos os estudos são bons desde que dêem origem a decisões, claro.

Corrida

Depois da Praça Vermelha, em Moscovo, do “Calçadão”, no Rio de Janeiro, do “mall de Washington”, da baía de Luanda e da praça de Tiananmen, em Pequim, eis que o nosso Primeiro-ministro deu o privilégio aos alto-minhotos de correr na mini maratona da capital de distrito.

Bem sei que não é o jogging matinal que a sua propaganda já nos habituou mas mesmo assim é um “privilégio” ver o Primeiro-ministro “suar”.

Já estou a imaginar o meu “vizinho” Pires Trigo a seguir o exemplo do seu “mentor” na ecovia de Arcozelo…

sexta-feira, janeiro 18, 2008

Alto Minho artigo de 18-01-2008

PSD

Esta sexta-feira, o PSD concelhio elege uma nova comissão política. Filipe Viana lidera a única lista candidata. Terá pela frente três grandes desafios. Primeiro, o próprio partido. Se é verdade que até tem aumentado o número de filiados no PSD local, este não se tem reflectido nem em militância, cada vez menor, nem em resultados eleitorais. O novo líder terá a árdua tarefa de fazer o PSD reencontrar-se, de se abrir. Para isso terá que ter força para se libertar. Do resultado deste desafio dependerá o sucesso dos outros dois.

O segundo desafio é o de conseguir fazer oposição firme, construtiva e alternativa. Para fazer oposição é preciso ter penetração na sociedade, é preciso ter um projecto, um rumo alternativo ao actual. É necessário credibilizar o PSD, captando pessoas activas na sociedade, nos vários campos de actuação. É difícil, mas não impossível.

Finalmente, o último grande desafio, as eleições autárquicas. A liderança que hoje começa terá a responsabilidade de encontrar pessoas que dêem a cara pelo projecto autárquico do PSD. Este partido, com os “pergaminhos” que ostenta, tem a obrigação de inverter o resultado que obteve nas últimas autárquicas. Um resultado, aliás, inconcebível e humilhante para o PSD.

A responsabilidade é muita mas a nova liderança conta com o know-how de alguns responsáveis pelas últimas eleições autárquicas – que já tiveram tempo para meditar nos erros – aparentemente tem gente nova e tem bastante tempo para olhar para o concelho e construir uma alternativa ao actual poder municipal.

Fechado

Aqui há uns tempos precisei de comprar um adereço para usar numa cerimónia nupcial. Como pensei tratar-se um adereço corriqueiro, não lhe dando grande importância, fui adiando a sua aquisição. A verdade é que o tempo passou e rapidamente a data da cerimónia chegou. No dia anterior, fizeram questão de me lembrar que ainda não tinha comprado o adereço. Nada que me preocupasse, um saltinho à vila e pronto, assunto resolvido. Engano o meu. Era sábado e de tarde. A não ser que quisesse comprar um bolo, nada feito, estava tudo fechado. Como não consegui o adereço não resisti, comprei o bolo. Fiquei sem o adereço, mas feliz…

sexta-feira, janeiro 11, 2008

Alto Minho artigo de 11-01-2008

Voz no deserto?

Tenho gostado da série de entrevistas que este semanário tem publicado nos últimos tempos. Na minha opinião, a mais interessante foi a última, a de Abel Baptista. Com chamada de primeira página, onde se podia ler “Não serei candidato contra Campelo”, a entrevista abordou vários e pertinentes assuntos.

A frase já citada poderia resumir a entrevista, mas não o faz. Aliás, esta nada traz de novo Primeiro porque concorrer contra Campelo era suicidário, segundo porque era fratricida. Foi Baptista, como aliás fez questão de frisar, o grande obreiro, usando a analogia do entrevistado, o grande treinador e “olheiro” de Campelo. A analogia entre Campelo e o futebolista Figo não foi das melhores, é que não se pode esquecer que o Figo soube atempadamente abandonar a selecção para não a prejudicar. Talvez apareça por aí um Cristiano Ronaldo, quem sabe, e substitua o “Figo”. O problema para Baptista é saber onde ele está…

Mas, para mim, o cerne da entrevista está nos assuntos verdadeiramente pertinentes e aí Abel Baptista marca pontos. Numa altura em que parece já ter sido tomada a decisão de pôr os limianos a ver passar comboios, com quase um século de atraso é certo, Baptista propõe algo bastante pertinente. Porque não aproveitar a linha construindo-a de forma a proporcionar a utilização da mesma por comboios rápidos para além do “TGV”? Para Ponte de Lima, com uma estação e a 30 minutos do Porto, poderia significar uma verdadeira “revolução” social e económica que certamente se alastraria a toda a região. Mas serão estas questões motivadoras para quem nos governa, para os partidos e líderes locais? Aparentemente não, é mais interessante “contar espingardas”.

Mão à palmatória

É sempre bom ver reconhecido um erro. O presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, fê-lo e o Fórum Municipal da Juventude será, finalmente, uma realidade. Foi, na última reunião do executivo, aprovado por unanimidade a sua criação.

Este fórum é um anseio de há muitos anos da juventude limiana. Desde as associações de jovens passando pelas juventudes partidárias foram várias as vozes que o reclamaram. A última intervenção neste sentido num órgão autárquico foi da JSD, no início deste mandato. Pela voz do seu líder, Filipe Lima, desafiava o presidente da Câmara a criá-lo. Campelo não o queria, a JP parecia também não o querer, a verdade é que, passados menos de dois anos, é uma realidade. É a juventude de Ponte de Lima que ganha.

sexta-feira, janeiro 04, 2008

Alto Minho artigo de 04-01-2008

2007

No inicio de um novo ano nada melhor que olhar para o anterior. Desta feita, para o que de melhor se destacou, na minha opinião, claro.

Na política continua a destacar-se, novamente, Abel Baptista. O deputado e também Presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima destacou-se positivamente pela sua constante intervenção enquanto deputado pelo distrito. Bem sei que lhe é necessário mostrar serviço, mas sendo ou não, fá-lo e as águas são pelo menos agitadas. Venceu também quando apoiou Paulo Portas contra Ribeiro e Castro. Já a sua faceta como Presidente da Assembleia Municipal tem deixado a desejar. E porquê? Porque, ao invés da sua posição nas eleições para a liderança interna do CDS, tem vindo a ceder ao Presidente da autarquia limiana, por exemplo, na problemática do comércio tradicional levantada pela Assembleia de Freguesia de Ponte de Lima, quando não permitiu que existisse um acompanhamento atento dos nossos representantes na Assembleia ao negar a formação de uma Comissão.

Os partidos da oposição continuam numa rota aparentemente sem destino. O PSD terá novamente eleições internas este mês, embora a Comissão Política se tenha demitido em Setembro. O PS, parecendo apagado (parecendo…), deixou o estilo pomposo novamente no armário e tenta mexer-se de forma mais resguardada. Será o caminho certo? O futuro o dirá. A CDU continua na sua quase "clandestinidade" habitual.

No desporto os limianos podem novamente sorrir. De realçar Fernando Pimenta que continua a dar cartas na canoagem, campeão Europeu júnior de K1 1000 metros, elevando o nome de Ponte de Lima e de Portugal. E as cadetes da EDL pela sua conquista do título nacional de basquetebol cadetes femininos.

A nível literário a ceifa nunca foi tão boa como nos últimos anos. Em 2007 foram muitos os livros editados, alguns dos quais no âmbito do projecto “Ponte de Lima, terra rica da humanidade” mostrando o que de melhor há em Ponte de Lima, a cultura, as tradições. O pelouro da cultura da Câmara Municipal de Ponte de Lima continua assim a apoiar os autores limianos. Mas seria, no entanto, conveniente que esse apoio tivesse normas estipuladas, restritas e públicas para que todo o processo fosse transparente. Já agora, porque não criar um prémio anual para a literatura limiana? Fica a sugestão.

sexta-feira, dezembro 28, 2007

Alto Minho artigo de 28-12-2007

Infra-estruturas

A Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou, penso que por unanimidade, a abertura do concurso público internacional para a construção de um Centro de Congressos e Pavilhão Multiusos, no valor de 7,5 milhões de euros. A Câmara Municipal de Viana do Castelo adjudicou, também na semana passada, a construção do Coliseu de Viana do Castelo por 11,2 milhões de euros.

O Centro de Congressos e Pavilhão Multiusos de Ponte de Lima incluirá cabines de tradução simultânea e cinco salas com a capacidade total para cerca de 1350 pessoas, estará vocacionada para espectáculos de grandes produções, cinema, congressos, etc. Já o Coliseu de Viana do Castelo (gosto do nome, é pomposo…) terá a capacidade máxima de 4000 pessoas e será palco para grandes exposições, circo, congressos, espectáculos musicais e desportivos.

Num distrito com enormes carências estruturais (sociais, económicas, etc), sem qualquer sentido estratégico, dois concelhos vizinhos investem no mesmo, sabendo de antemão que a concorrência neste tipo de infra-estruturas é enorme, está bem perto e já enraizada.

Afinal, para que servem as associações de municípios se não conseguem coordenar os investimentos, pensando-os numa escala regional?

Tempo de solidariedade

Esta altura do ano é propícia a sentimentos de solidariedade, pelo menos anuais. Mas, nesta altura, mais importante que esses sentimentos sazonais, por vezes eunucos, é o trabalho daqueles que se dão ao longo do ano. Já várias vezes referi o trabalho de instituições como a Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima, entre outros. Hoje parece-me importante referir o trabalho e o exemplo de uma pessoa, Jorge Ferreira. Sim, o locutor que anima as “ondas” da Rádio Ondas do Lima das 6 às 8 horas da manhã.

E porquê ele neste contexto? A resposta está no seu programa, o Romper da Aurora. Começa cedo, é certo, mas para perceber basta ao leitor ouvir o programa e logo se aperceberá que diariamente este locutor leva aos seus ouvintes sentimentos únicos de amizade, de humanidade, de carinho até. Há toda uma comunidade que, todos os dias, ouve o programa e interage com ele. Desde o desejo de melhoras ao de parabéns, a partilha de sentimentos está para lá dos circunstanciais telefonemas de um programa de rádio com linha aberta. Aqui há um sentimento de pertença. É através deste programa radiofónico que muitos dos ouvintes encontram companhia (por vezes a única) logo pela manhã.

Solidariedade é também isto, poder tocar positivamente a vida dos outros.

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Alto Minho artigo de 21-12-2007

CDS

Daniel Campelo, em entrevista ao último número deste jornal, afirmou que os partidos no distrito estão conformados. É um facto, e um bom exemplo é o do CDS em Ponte de Lima.

É verdade que ganha sucessivamente as eleições autárquicas, mas também é verdade que perde todas as outras eleições. E porquê? Porque o CDS já não existe enquanto partido em Ponte de Lima. A exemplo do que sucedeu ao CDS distrital, aquando da liderança de Daniel Campelo, o que persiste no CDS de Ponte de Lima é apenas o “culto” da personalidade, tudo em seu redor secou. Lidere quem liderar a concelhia, todos têm noção de quem “pesa”.

Daniel Campelo sabe que nós sabemos que ele sabe (direitos de autor de Campelo) que saindo da vida política o CDS desaparece no concelho limiano. Lembram-se da sua candidatura como independente? Nessa altura qual foi a posição do CDS local? Pois…

É verdade que, para o bem e para o mal, Campelo conseguiu impor-se localmente para além de um partido, mas que preço pagou o CDS? É isso que muitos democratas cristãos, da primeira hora, não lhe perdoam, mas vão tolerando. Infelizmente, a oposição parece mais entretida em manter medalhas de pechisbeque que a fazer o que lhe compete, oposição. Assim, Campelo descansa e prepara o futuro sem “distrair as pessoas do trabalho que estão a fazer”.

O "mau estado do traçado das estradas" concelhias

Estas não são palavras da oposição mas do vereador do pelouro do Trânsito, Gaspar Martins, que tutela a rede viária do concelho de Ponte de Lima. Esta é, segundo aquele responsável, uma das razões que sustentam a descida da velocidade máxima nas estradas municipais de 50 para 40 km/h.

Já aqui tinha perguntado se existia algum estudo ou estatísticas que sustentassem aquela decisão, pois o mesmo responsável confirmou a inexistência de estatísticas que corroborassem a pertinência desta medida. É apenas mais um “feeling” que, os limianos têm que aguentar…

sexta-feira, dezembro 14, 2007

Alto Minho artigo de 14-12-2007

Participação de todos

A aposta on-line parece ter chegado ao Município limiano. Notícias recentes deram conta de uma parceria com a Universidade do Minho que produziu uma aplicação, disponível na Internet, para “visitar” Ponte de Lima antiga em 3D.

Esta é uma aposta de promoção de visibilidade inserida no projecto “Ponte de Lima Terra Rica da Humanidade”, que prepara as bases de uma candidatura a património da humanidade.

A presença do concelho, o mesmo se poderia dizer do distrito, na Internet, o grande auditório mundial, poderia e deveria ser muito melhor e bem mais ambiciosa. Basta ver o que lá por fora se faz. No Reino Unido (ver http://www.mysociety.org/) é promovida a participação activa dos cidadãos, não só em fóruns interactivos, mas também em espaços próprios de participação (http://www.fixmystreet.com/) onde se pode reportar vários problemas do dia a dia, buracos nas ruas, lâmpadas fundidas, graffitis…

A web 2.0 veio trazer a possibilidade de uma participação mais activa e colaborativa aos cidadãos. Os alunos das escolas do 1, 2 e 3 ciclos já vêem essas ferramentas como normais e comuns e para eles outro tipo de cidadania, outro tipo de exigência será uma realidade. Infelizmente, os líderes políticos da nossa região parecem insistir em não querer ver esta mudança. Deveriam ser estas novas ferramentas, que unem inegavelmente os eleitores aos eleitos, o alvo de investimento quando falamos de promoção on-line. Uma promoção social.

Participação nos partidos

O que levará alguém a aderir hoje a um partido político? Os partidos serviam, geralmente, como local de participação activa na vida pública. Mas hoje essa participação pode ser feita de variadas formas e a muitos níveis. Hoje tem mais impacto a opinião que se pode retirar dos novos media que muitas, longas e monótonas discussões dentro de uma sede bafienta de um qualquer partido. Estes vivem cada vez menos da militância e esta parece ter sido reduzida à participação eleitoral interna. Talvez por isso se perceba a aposta em seduzir “quadros” novos. É que para estes existem sempre autocolantes e canetas. Infelizmente, estas deixam de escrever pouco tempo depois…

sexta-feira, dezembro 07, 2007

Alto Minho artigo de 07-12-2007

Persistindo

Durante muitos anos o Inverno foi rigoroso. A neve, o frio, a humidade e o vento pareciam não dar tréguas, mas sempre, no final, havia um raiozinho de luz que fazia despontar a seiva e esta por sua vez uns pequenos botões. Botões esses que ganhavam força e persistentemente, ano após ano, conseguiam levar a sua avante. A Primavera surgia. E como o ciclo da vida não tinha, ainda, um fim, seguia o seu curso passando o Verão, de novo o Outono e novamente o Inverno. E lá mais para a frente os botões voltavam a acordar com o fino raio do sol de forma a despontar na Primavera promissora.

No entanto, algo mudou. O ciclo foi interrompido. O Inverno demorou-se e sempre que um raio de luz despontava a crença num botão, logo uma geada o cobria, impossibilitando-o de viver. Por mais força que este fosse buscar ao raio de luz, a geada, ajudada pelas nuvens, impedia que essa força singrasse.

Mas a persistência mantinha-se. O ciclo poderia sofrer mutações, mas não iria acabar. O Inverno, por mais longo que parecesse, não poderia durar para sempre. A seiva e os raios do sol não iriam permitir. Do âmago dos seres sairia a força de outrora, persistente e firme no anseio de renascer.

Redes

Diariamente trabalho com ferramentas na Internet. As chamadas novas tecnologias são o meu “cinzel”. Com normalidade, contacto pessoas que estão do outro lado do mundo em tempo real e colaboro em trabalhos com outras entidades que apenas conheço pela “Rede”. O mundo é realmente uma aldeia. Mas será para todos?

Todos os dias, quando saio, ela já está lá. Quer chova, quer faça sol, quer esteja calor ou frio, a sua frágil figura não nos deixa indiferentes. Já rondará a casa dos 70 e deve ser das últimas peixeiras do tipo ambulante do nosso “burgo”. Por ventura ainda embrulhará as sardinhas em jornal, ou talvez não, porque a ASAE anda mesmo por aí, mas se as embrulhar, “qui ça” este mesmo artigo não seja um dia material para esse mester (o exercício de nos vermos, mais os nossos pensamentos escritos, a embrulhar um qualquer quarteirão de sardinhas é um bom exercício de humildade…).

Da aldeia global, esta peixeira apenas deve conhecer o peixe que por ventura virá de Espanha e que, assim, se torna mais barato.

As mutações sociais são uma evidência. Uns ofícios perdem-se para, em princípio, se ganharem outros.

sexta-feira, novembro 30, 2007

Alto Minho artigo de 30-11-2007

Zonas de reabilitação urbana

Foi uma notícia que parece ter passado despercebida a muitos. Segundo o Diário Económico as Câmaras Municipais que não definirem as zonas de reabilitação urbana perderão o direito aos benefícios fiscais previstos no Orçamento do Estado para 2008. Com essa possível omissão, o que fica em causa são benefícios como a redução do IVA de 21% para 5% para as obras de reparação e requalificação do prédio e a cobrança de menos de 10% de IRC ou de IRS, consoante o caso, ao senhorio, isenção de IMI durante cinco anos para quem recuperar prédios naquelas zonas ou o aumento em 10% no subsídio mensal de apoio ao arrendamento jovem para aqueles que concorram a casas situadas nas tais zonas de reabilitação urbana.

Em Ponte de Lima já foram definidas essas zonas? Quais são? Os limianos também terão direito aos benefícios fiscais?

Entrevista

Um dos mais conhecidos comerciantes de Ponte de Lima, Aníbal Amorim, deu uma entrevista ao jornal Alto Minho no mínimo polémica. A Associação Empresarial de Ponte de Lima (AEPL) e a sua direcção foram as visadas. Para este comerciante o comércio tradicional não pode contar com a associação que supostamente os representa e propõe a criação de um condomínio do centro histórico. Algumas acusações foram feitas, às quais o presidente da AEPL respondeu no último número deste semanário. Mas a sua posição parece cada vez menos defensável como se podia ler pelos comentários de outros comerciantes do centro histórico.

O comércio tradicional sente-se abandonado pelo poder político e pela associação que supostamente os representa. Só não percebo uma coisa, para que servem as eleições?

Ausência

Desde o inicio da década de noventa que a Biblioteca Municipal tem sido dirigida por Isabel Costa. Esta tem sido um exemplo na área da biblioteconomia, ou, se quiserem, da ciência da informação, no distrito. Esteve envolvida em vários projectos como o da rede de bibliotecas escolares e mesmo na implementação de bibliotecas municipais no Alto Minho. Teve, também, um papel importante no que concerne à formação de profissionais da área quer na EPRAMI quer na Universidade Católica em Braga.

Em Ponte de Lima, para além da biblioteca inovou ao introduzir outro tipo de actividades culturais. A feira do livro de Ponte de Lima é um exemplo que marcou o panorama cultural limiano, funcionando, inclusive, como exemplo para outros concelhos.

Por estes e muitos outros motivos surpreende-me que a Biblioteca Municipal deixe de a ter como directora. Lamentamos esta notícia, agradecemos-lhe todo o empenho que dedicou a Ponte de Lima nestas quase duas décadas.

sexta-feira, novembro 23, 2007

Alto Minho artigo de 23-11-2007

Passagem silenciosa

A semana que passou foi rica em visitas e eventos. O Primeiro Ministro passou pelo distrito para anunciar um novo e primordial investimento. Aproveitou também para fazer politica partidária em mais um momento de “spin” político já tão habitual neste governo. Já na véspera do fim-de-semana, o líder do principal partido da oposição, Luís Filipe Menezes, passou por Viana do Castelo vindo de Braga. Mantendo a tradição partidária, chegou com horas de atraso. No mesmo dia, mas em Ponte de Lima, o responsável autárquico do CDS-PP, Hélder Amaral, reunia-se com os autarcas do partido. Abel Baptista uma vez mais em operação charme para com os Presidentes de Junta. As eleições não se preparam em dois dias… Já no sábado, os socialistas alto-minhotos reuniram-se em Ponte de Lima para discutir o Orçamento de Estado para 2008. Embora aberto a simpatizantes, pela actual situação que parece viver-se dentro do Partido Socialista, não deve ter suscitado grande debate.

O melhor de sábado foi a iniciativa do Lions Club de Ponte de Lima. Aproveitando a comemoração do nonagésimo aniversário da morte do poeta António Feijó, organizou uma homenagem para celebrar a vida e a obra deste Grande Limiano. Com a presença sábia do padre Manuel Dias e algumas explicações introdutórias e contextualizadoras de Adelino Tito de Morais os presentes puderam viajar através da vida de António Feijó e família. A filha de Feijó, já no final da sua vida, foi perdendo a visão e à sua morte deixou um legado para os invisuais. Aproveitando o mote, o Lions Club de Ponte de Lima deu conhecimento de uma iniciativa que irá levar a cabo, recolha de óculos usados para reciclagem. Por vezes desvalorizamos a acção destes clubes, os rotários são outro exemplo, por desconhecimento das suas acções. Mas desde a dádiva, localmente, dos seus dirigentes até à rede internacional de ajuda, muito trabalho é feito em prol dos que mais necessitam.

Leitura

Franklim Fernandes, não confundir com o vereador da cultura que é Sousa, publicou o seu primeiro livro. “Nos confins do tempo” é um livro despretensioso que nos traz estórias da história colectiva que o autor viveu. Outros tempos que por vezes pouco divergem dos actuais. Deixo um exemplo; “Mas o melhor da Assembleia é o pessoal das votações. É assim como a formiga obreira. A sua função é votar, tal como as antigas carpideiras era chorar nos funerais. Não sabiam porque choravam, mas tinham que chorar que era para isso que lá estavam…”.

sexta-feira, novembro 16, 2007

Alto Minho artigo de 16-11-2007

Protecção civil

Há dias em que é difícil compreender certos acontecimentos. Nestes últimos tempos, o Alto Minho, mais concretamente Ponte de Lima, tem assistido a um ataque concertado, penso que podemos chamar-lhe assim. Os incêndios deflagram pelo fim da tarde, quando não já noite dentro, em vários sítios ao mesmo tempo. No passado domingo, no início da tarde, deflagraram vários incêndios em Ponte de Lima em diferentes locais e ao mesmo tempo. O que se pode retirar daqui é que o ataque é intencional e planeado.

É urgente avaliar a capacidade do material de combate a incêndios existente no concelho bem como a capacidade humana. Talvez seja o momento de pensar em bombeiros profissionais com um complemento de voluntários.

Com a recente lei que organiza os serviços municipais e que determina a criação e as competências do comandante operacional municipal, os planos municipais de emergência em vigor devem ser actualizados. Surge a oportunidade para se proceder à mudança do paradigma no nosso concelho no que concerne, por exemplo, à prevenção e resposta a incêndios. Já agora é conveniente que os munícipes sejam informados sobre o novo plano municipal de emergência. Qual é? Como funciona? Qual o papel de quem…

Humanidade

Há dias, ao passar na ponte velha, ouvi uma pessoa a reclamar, a propósito do projecto “Ponte de Lima Terra Rica da Humanidade”, que a Câmara Municipal só tem humanidade para os de fora de Ponte de Lima.

Nesse mesmo dia ouvia-se na comunicação social que a Câmara Municipal tinha lançado o repto a um conjunto de instituições do concelho para a criação da chamada “Horta Sénior”. Pretende esta ocupar o tempo livre dos seniores, ou idosos, num ambiente externo e saudável. O local escolhido para essa ocupação dos tempos livres é a inevitável Quinta de Pentieiros.

Daniel Campelo já várias vezes afirmou publicamente que gostaria, quando saísse da presidência da Câmara, ter tempo para plantar uma horta. Ora aqui está o contributo do seu pelouro do Ambiente. Vítor Mendes, um dos apontados a possível sucessor de Campelo, preocupado com o futuro do líder prepara o terreno para a sua saída criando desde já a “Horta Sénior”. Campelo poderá finalmente, sem grandes preocupações, concretizar o seu desejo. Falta saber se será já daqui a dois anos ou se pretende candidatar-se a mais quatro anos. Digam lá se não existe humanidade no executivo municipal?