É inegável que a vila de Ponte de Lima tem assistido, nos últimos tempos, a uma vaga de assaltos. Com ela veio a moda de apontar o dedo sempre na mesma direcção, a da Santa Casa da Misericórdia.
Infelizmente essa moda parece ter chegado ao nosso mais alto representante autárquico. Daniel Campelo, presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, na última Assembleia Municipal não se coibiu de fazer acusações generalistas sobre os responsáveis da vaga de assaltos. Afirmações no mínimo lamentáveis.
E por quê lamentáveis? Primeiro porque generalizar a responsabilidade da vaga de assaltos, imputando-a aos “rapazes da Santa Casa”, é carimbar de forma genérica crianças com um passado familiar e pessoal desfavorecido, sendo que em nada essa simplificação argumentativa ajudará na melhoria da sua situação. Antes pelo contrário, apenas contribui para aumentar a estigmatização social. Em segundo lugar, porque essa generalização é injusta também para as pessoas e a instituição envolvidas e que diariamente contribuem para que essas crianças tenham a melhor integração social possível.
Por vezes esquecem-se as várias crianças que por lá passaram, que hoje são detentoras de formação pessoal, de formação académica, sendo adultos completamente integrados na sociedade.
É lamentável quando o poder político, quando a escola, quando a sociedade não ajudam na missão de integração, tornando-a até mais complicada. A guetização, como a história nos mostra, nunca produziu bons resultados.
Será que o presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima ao generalizar, como fez na Assembleia Municipal, pensou realmente nas implicações que as suas afirmações teriam para as crianças visadas? Ainda bem que o presidente da Assembleia Municipal, Abel Baptista, teve o discernimento da gravidade de tamanhas afirmações demarcando-se das mesmas.
Ah, já agora, não considero esta atitude de Abel Baptista como mais uma demarcação da gestão de Daniel Campelo, esta seria aliás uma análise simplória e enviesada da situação. Esta atitude apenas demonstrou que Abel Baptista teve bom senso e Daniel Campelo não.
sexta-feira, abril 18, 2008
Alto Minho artigo de 18-04-2008
sexta-feira, abril 11, 2008
Alto Minho artigo de 11-04-2008
O primeiro objectivo, segundo o presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, é começar a receber ideias até ao Verão.
Este tipo de projecto, inovador em Ponte de Lima, não o é no resto do país, nem mesmo no distrito, Paredes de Coura, por exemplo, anunciou em Fevereiro a sua adesão ao FINICIA criando o COURAFINICIA. Ambos projectos resultantes de protocolos entre o IAPMEI e as Câmaras Municipais.
Mas isto não retira o que de bom representa este novo rumo. O presidente da Câmara diz que este financiamento visa o desenvolvimento de áreas como o turismo activo, o artesanato, a cultura, o design gráfico e industrial, as agro-indústrias, a agro-florestal e as novas tecnologias. Ora a diversidade de áreas parecem indicar a vontade de promover e apoiar um grande número de projectos, assim eles apareçam. No entanto, esta diversidade indica também uma falta de planeamento específico para o nosso concelho. Não se privilegiam áreas que, após um estudo e elaboração de um plano estratégico, de desenvolvimento, sejam consideradas como as chaves para o concelho.
Ponte de Lima com esta louvável, embora recente, vontade de inflectir o rumo na área económica poderá dar os primeiros passos para um desenvolvimento económico que se deseja sustentável. Só se lamenta a falta de liderança na região. A região precisa de Ponte de Lima pujante e liderando, assim o prova a história. Felizmente, esta gestão camarária parece finalmente acordar para a sua grande falha, o seu pecado mortal, que foi ignorar, negar e escamotear o problema económico do concelho.
Seria bom lembrar aos jovens, e não só, que muitos deles tiveram os seus antepassados nessas e outras batalhas e que muitos outros deram a sua vida em prol da nossa.
sexta-feira, abril 04, 2008
Alto Minho artigo de 04-04-2008
Sendo uma notícia animadora para todos os limianos, foi interessante ouvir o presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, dizer que este investimento "é a prova de que a estratégia empresarial levada a cabo pela autarquia começa agora a surtir efeito no concelho". Tendo em conta que Campelo governa os destinos de Ponte de Lima há mais de uma década a estratégia parece, no mínimo, demasiado lenta a dar frutos. Ou será que só ultimamente a Câmara Municipal se preocupou com a estratégia económica do concelho? É que se existe uma estratégia empresarial para o concelho limiano e que está a dar frutos, certamente que existirá um plano estratégico, mas este parece estar classificado como “documento secreto”, só alguns o conhecerão, ou talvez esses se resumam a um…
Campelo aludiu, e bem, para a necessidade do Governo central canalizar os investimentos para o interior. Talvez a estratégia empresarial da autarquia seja essa, a de ficar à espera dos investimentos que o Governo central se digne a enviar-nos. De preferência sem nos usar para campanhas publicitárias ou eleitoralistas, que sejam investimentos reais, que tragam postos de trabalho para Ponte de Lima e para a região, que tragam condições de fixação da população, nomeadamente da população jovem.
Mas por falar em captação de investimentos, não há um vereador com esse pelouro? Ainda alguém se lembra? Os nossos concelhos vizinhos tem industria, tem investimento, tem zonas industriais completas, talvez não com a dimensão do investimento apresentado mas que no conjunto não ficará muito longe. Não será isto porque por lá existe realmente uma estratégia que até pode nem ser a melhor mas que tem obtido resultados. E por Ponte de Lima? Bastará dizer que existe uma estratégia empresarial, que temos um plano para realmente o ter?
sexta-feira, março 28, 2008
Alto Minho artigo de 28-03-2008
Na celebração desta “passagem”, o Alto Minho tem como tradição uma festa que é também comunitária. As pessoas limpam, preparam a casa ainda com mais afinco para a visita pascal. O compasso, a cruz que visita as casas da paróquia, existe pela dádiva dos que, prescindindo do dia com a sua família, o dedicam a uma estirada, levando a cruz a todas as casas que a queiram receber. As casas abrem-se para os vizinhos que retribuem a visita. Petisco aqui, pão-de-ló acolá, a comunidade une-se para celebrar a ressurreição de Cristo.
Felizmente, no Alto Minho, a tradição ainda se mantém. É verdade que muitos se têm rendido à tentação de aproveitar estes dias para umas mini férias, mas cada vez são mais os que de fora vêm propositadamente à nossa região para viverem a Páscoa. Espanhóis eram aos milhares, mas portugueses também, de Lisboa, Coimbra, Porto, vários foram os que, respondendo ou ao apelo da tradição familiar, da fé, ou dos amigos por cá partilharam do espírito comunitário de viver uma festa que celebra a mudança, a passagem das trevas para a luz, a suprema entrega que foi a de Jesus.
Acabar com os únicos courts de ténis públicos existentes no concelho é simplesmente apagar a modalidade do concelho ao invés do que se deveria fazer, promove-la.
Como os campeões nacionais da EDL e do Clube Náutico de Ponte de Lima nos mostram, com investimento, económico e humano, e com formação é possível colocar Ponte de Lima e os seus desportistas ao mais alto nível. Também no ténis poderíamos dar cartas. Amplie-se o Pavilhão, ou construam um outro, como já foi proposto penso que pelo vereador do PS, mas não acabem com uma modalidade que ainda não foi verdadeiramente promovida no concelho.
sexta-feira, março 21, 2008
Alto Minho artigo de 21-03-2008
As propostas, as ideias, as críticas devem ser encaradas nesse sentido. A própria oposição serve para isso mesmo, para propor, para criticar e para dar alternativas às políticas do governo da “cidade” ou do país, tentando influenciar a actuação deste.
Em Ponte de Lima, ao fazer-se crítica a uma política, ou à falta dela, alguns dizem logo que se está a “dizer mal” de alguém. Mas, é precisamente o contrário. Veja-se o caso do pelouro da cultura, alvo de várias criticas, eu próprio as tenho feito. O vereador ouviu serenamente e vejam o resultado. A política cultural em Ponte de Lima tem mudado, lentamente para alguns, em demasia para outros, mas basta ver os eventos programados para este ano, os concertos, as actividades, etc. e comparar com outros anos para logo se verificar que há uma franca evolução no sentido correcto. Estou certo, mesmo que não o confessem, que um dos motivos é o aproveitamento que o pelouro soube fazer de algumas críticas.
Mas o estar atento não é só “coisa” para os políticos no “poder”. Também os da oposição o devem fazer. E há políticos na oposição que sabem estar atentos. Por exemplo, na oposição limiana, vejam-se na Assembleia Municipal os casos de Manuel Barros, do PSD, Pires Trigo, do PS, ou Acácio Pimenta, da CDU, ou no executivo Municipal Jorge Silva, do PS.
Hoje em dia, a participação dos cidadãos não se esgota nas sedes partidárias. A comunicação social, as novas tecnologias vieram trazer outra realidade que os políticos do passado têm dificuldade em compreender, mas que, se quiserem continuar a ser os representantes dos cidadãos, têm que se esforçar por perceber.
No entanto há situações que, em termos de usabilidade, urgem melhorar. A escolha do sítio dentro da página web poderia ser melhor. Seria mais lógico colocar as actas junto do executivo do que numa divisão municipal, no caso a Divisão Administrativa e Financeira. Actualmente é necessário abrir o documento para saber o que lá se encontra, com a inclusão dos temas debatidos junto ao hyperlink ajudava o utilizador a encontrar o que procura de forma mais rápida e sem desperdiço de tempo…
sexta-feira, março 14, 2008
Alto Minho artigo de 14-03-2008
Abel Baptista diz que não foi sua intenção confrontar Campelo, mas a verdade é que em termos autárquicos foi das poucas vezes que avançou até ao fim com uma proposta sabendo, de ante mão, que Campelo seria contra.
Ainda no final do ano passado, recuou à última hora aquando da formação de uma comissão da Assembleia Municipal para acompanhamento do comércio tradicional, não permitindo que a proposta fosse a votação. Passados poucos meses, eis que a dita é aprovada com outro nome e com ainda maior abrangência, isto sobre proposta do PCP e o voto de quase todo o hemiciclo.
Mas a curiosidade assentava numa outra votação. A da proposta de Abel Baptista para a elaboração de um plano estratégico para o concelho de Ponte de Lima. Um plano que há muito fazia falta e que várias vozes já tinham pedido e que tinha sido sempre recusado pelo poder. Mas ser o Presidente da Assembleia Municipal, membro do partido do poder, CDS-PP, e não um partido da oposição, reveste a proposta de outro “peso”.
Campelo tentou, esgrimiu argumentos, abanou com uma série de planos estratégicos genéricos para a região, tudo fez para que a mesma não fosse aprovada. Mas como os argumentos por ele usados pareciam dar ainda mais força à proposta, a VALIMAR não pode servir de “guarda-chuva” para tudo, a proposta foi aprovada.
Campelo sabe que com a elaboração deste (elementar) plano estratégico para o concelho, a sua falta de habilidade governativa estratégico-economica pode ser desmascarada. Com a situação que se vive no concelho, falta de emprego, falta de investimentos, parcos incentivos à iniciativa privada será muito difícil explicar e manter a dinâmica eleitoral do passado. Ainda para mais, quando a possibilidade de uma cisão no ceio do CDS local continua a ser uma possibilidade. O tabuleiro do xadrez político local já começou a movimentar-se...
Já agora, é difícil perceber a pouca ou nenhuma cobertura desta matéria pela ROL. Custa perceber esta decisão tendo em conta que não é esse o critério editorial que a rádio local nos habituou. A meio da semana posterior à Assembleia Municipal, na ROL ainda não havia qualquer referência. Será que não é notícia a discussão do futuro estratégico do concelho em que a ROL é a rádio local?
sexta-feira, março 07, 2008
Alto Minho artigo de 07-03-2008
Filipe Viana, o novo rosto da Comissão Política Concelhia de Ponte de Lima, terá que ter bastante força e coragem se realmente quiser mudar. Primeiro terá que mudar o paradigma reinante no partido. Terá que reorganiza-lo, juntá-lo, criando paulatinamente uma alternativa credível, com políticas credíveis, amplas e exequíveis capazes de irem ao encontro das necessidades dos limianos.
Deve também ter coragem para mudar os protagonistas. Na última década e meia, eles têm sido os mesmos, eleições atrás de eleições. Essa eternização de protagonistas teve como resultado a péssima votação obtida pelo PSD nas últimas eleições autárquicas.
Filipe Viana deve ter coragem de apresentar novas caras, novos protagonistas. Pessoas preparadas, que sejam o novo rosto das novas políticas do PSD.
Deve começar por um dos lugares de topo da representatividade autárquica. Pelo único vereador do PSD. Ter como protagonista no executivo municipal o rosto da pior derrota do PSD numas eleições autárquicas não será o melhor caminho para demonstrar que o PSD é a alternativa. A lista que o PSD apresentou nas últimas autárquicas tem outros rostos, rostos mais novos, sem as conotações negativas que muitos anos e muitos cargos políticos geralmente acarretam. Por ventura o lugar de vereador até já foi posto à disposição, mas se não foi, o novo líder o PSD de Ponte de Lima, se quer mudar algo, deve começar por apagar a imagem perdedora e o rosto dessa imagem, substituindo Manuel Trigueiro.
sexta-feira, fevereiro 29, 2008
Alto Minho artigo de 29-02-2008
Políticos profissionais
Devido à última polémica que o envolve, o Primeiro Ministro de Portugal sentiu o dever de esclarecer que, desde que foi eleito deputado, em 1987, a sua actividade privada tornou-se muito residual, resumindo-se à intervenção pontual em pequenos projectos a pedido de amigos, e, evidentemente, sem remuneração. Daqui se poderá depreender que há vinte anos que vive da política, ou seja, é um político a tempo inteiro há duas décadas. É o que se pode considerar um verdadeiro político profissional.
Num artigo alargado, Manuel Pires Trigo escrevia no final que o PS está apostado em corrigir erros e lutar contra os políticos profissionais, isto através do recurso a gente activa, moderna, confiante, capaz de abrir perspectivas de futuro para o concelho. Penso que é um bom caminho. Já agora, por que não alargar o âmbito da luta e começar pelo seu líder, José Sócrates?
Plano estratégico para Ponte de Lima
A Assembleia Municipal desta semana será bastante interessante. O PCP leva a votação três moções, destacando-se a que reabre a discussão acerca da problemática do centro histórico e do comércio tradicional, anteriormente rejeitada pela maioria CDS.
Outro ponto interessante é o do plano estratégico para o concelho limiano. Ainda bem que, finalmente, alguém dos que têm a responsabilidade de liderar o concelho, Abel Baptista, concluiu que não se pode preparar um caminho para Ponte de Lima sem se conhecer as forças, as fraquezas, as oportunidades e as ameaças que o concelho tem e enfrenta.
Para sermos competitivos é, de facto, necessário planear e o primeiro passo é conhecermo-nos.
Falta saber se Daniel Campelo quererá mesmo que estas duas situações tenham continuidade? Esperemos bem que sim, pois apenas pecam por vir tardiamente.
Iluminação
Um dos símbolos de Ponte de Lima é o conjunto da ponte medieval, igreja de S. António da Torre Velha e ponte romana. A ponte é o ex-libris de Ponte de Lima. Daí a dificuldade em se perceber a razão pela qual este conjunto não merece um destaque especial. É uma constante a iluminação pública não funcionar, deixando os transeuntes “às cegas”, e a “decorativa”, por várias razões, não cumprir totalmente a sua finalidade.
Terá chegado o tempo de pensar numa nova forma de iluminação. Uma iluminação que faça jus à importância do conjunto como imagem identificadora do concelho sem esquecer, obviamente, a iluminação do espaço público.
sexta-feira, fevereiro 22, 2008
Alto Minho artigo de 22-02-2008
Um pouco diferente do que se passa por cá. O turismo de qualidade não pode ser visto apenas como turismo para uma elite, seja ela financeira, social ou cultural. O turismo de qualidade só pode existir quando os vários intervenientes locais deixarem de se olharem como inimigos e passarem a pensar como um todo transversal e representativo da região. A união dos vários intervenientes da hotelaria, restauração, das actividades de animação turística, de entidades públicas, das associações é a força da região.
Podemos, no entanto, promover o que de melhor temos, o que de melhor produzimos e transformamos e encarar a agricultura como mais uma “indústria” complementar às outras que deveriam existir no concelho limiano.
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Alto Minho artigo de 15-02-2008
Seria fácil dizer que este é o resultado da nova configuração das forças de segurança, mas não há certezas. Há, no entanto, uma latente carência de meios materiais e de recursos humanos, pelo menos no concelho limiano. A GNR em Ponte de Lima passou a patrulhar muito mais território, freguesias de cariz urbano como Arcozelo ou Correlhã, sem um visível aumento de meios materiais ou humanos. Os presidentes da Câmara de Ponte de Lima e de Viana do Castelo têm aqui um motivo para se preocuparem. O sentimento de insegurança começa a tomar conta dos espíritos e isso não é nada bom para concelhos pacatos e serenos que vão vivendo de algum turismo.
sexta-feira, fevereiro 08, 2008
Alto Minho artigo de 08-02-2008
Industrialização
Na apresentação do livro “Ponte de Lima uma vila histórica do Minho” Daniel Campelo aproveitou, mais uma vez, para lançar umas farpas a quem não concorda com as políticas dele.
O livro apresentado, como aliás frisou o vereador da cultura, é um bom exemplo do testemunho que podemos deixar daquilo que somos e fomos para as gerações vindouras. Claro que, como em tudo, poderá sempre ser alvo de algumas, pontuais, correcções que não beliscam em nada o seu mérito científico ou histórico.
Aproveitar este tipo de eventos para lançar “nuvens de fumo” não será a melhor atitude, no entanto Daniel Campelo, como já havia feito na apresentação do Cartaz das Feiras Novas passadas, não resistiu. Diz Campelo que, ao contrário de outros, não pensa que o futuro de Ponte de Lima passe em exclusivo pela indústria. Que outros? Não estaremos aqui todos de acordo? No entanto, a opinião de Campelo tem outro tipo de importância, é que a responsabilidade de liderar os destinos do concelho limiano é dele e, ao que parece, este quer provar que o futuro de Ponte de Lima não passa de todo pela indústria. Ou é isso ou a sua política de captação de investimento, como se pode verificar pelas zonas industriais, é nula ou incipiente. É que sendo verdade que o futuro não passa exclusivamente pela indústria, é um facto que também não existe sem esta.
Falar hoje de industrialização não é exactamente o mesmo que no século XIX. Falar hoje de industrialização é falar de muitos sectores, sectores limpos, de tecnologia, sectores de investigação e, claro, de produção. Mas isto Campelo esconde e num evento de cariz cultural, com a apresentação de um dos bons resultados do projecto “Ponte de Lima Terra Rica da Humanidade”, preferiu tentar escamotear a sua grande falha, o grande “buraco” da sua década de governação em Ponte de Lima, a falta de indústria em Ponte de Lima. Uma situação que leva inevitavelmente à falta de emprego, que leva, por exemplo, cerca de 600 pessoas concorrerem para 6 ou 7 vagas que o já citado projecto disponibilizou, que leva a que Ponte de Lima tenha um dos mais baixos poderes de compra do país.
E qual é a resposta de Daniel Campelo perante esta situação? Numa outra situação, afirmou que as pessoas têm que se mentalizar que uma licenciatura não é significado de emprego certo. Pois isso, infelizmente, não é novidade nenhuma para as famílias que investem na educação dos seus filhos, mas sentir que um autarca, ainda para mais do CDS-PP, que se afirma o partido das empresas e empresários, não ajuda em nada para alterar essa situação já é uma triste novidade.
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
Alto Minho artigo de 01-02-2008
Por vezes temos sonhos que nos orientam num determinado sentido. Fazemos tudo para que estes se tornem realidade. Por vezes até esquecemos tudo o resto pensando na “realidade” idealizada do sonho.
A freguesia de Arcozelo, em Ponte de Lima, sonhou com a elevação da freguesia a vila. Os autarcas sonharam e tudo fizeram para alcançar esse sonho. Este tornou-se um objectivo “per si”. O desejo de realização transformou-se no grande Objectivo. Pois este foi atingido e Arcozelo é uma das mais jovens vilas de Portugal.
Passados alguns anos, olha-se para trás com algum sentimento de frustração. Porquê? Porque se sente agora uma espécie de ressaca. As expectativas, o sonho, eram demasiado elevadas para a realidade do significado da nova designação.
Arcozelo continua com projectos, com planos, é verdade, mas com os parcos recursos que o estatuto de “vila” não aumentou.
Iniciativa
Numa altura de vitimização pública, realço a iniciativa do PS local ao organizar um debate sobre a educação com o respectivo Secretário de Estado. Aproveitando a sua presença em Ponte de Lima, abriu as portas do debate a toda a população limiana para, de forma directa e “civilizada”, questionar um dos responsáveis da política de educação do actual governo de Portugal. Interessante esta iniciativa que demonstra uma certa coragem e abertura.
Um bom exemplo daquilo que a oposição pode fazer. A promoção do debate, da participação dos cidadãos na definição de políticas.
É verdade que pode surtir pouco ou nenhum efeito prático mas fica sempre a ideia, a opinião dos que irão em breve referendar as opções tomadas.
Promoção
Já vai há uns anos, mas ainda me lembro de um concurso – não sei se era esta a designação certa – de música moderna de Ponte de Lima. A actuação das bandas de garagem foi no largo da Além da Ponte, em Arcozelo. Não me lembro da qualidade musical das actuações, lembro-me ligeiramente de uma música que falava de uma Lisboa, capital do império, como diz depreciativamente Manuel Fernandes, a arder, fruto talvez de inspiração clubista tão em voga na altura.
Mas o que está em causa não é a letra ou o tipo de música é a ideia de um evento que por um lado envolva os jovens num projecto, num objectivo e por outro, que promova a visibilidade de novos talentos, de novas bandas de garagem que certamente ainda existem em Ponte de Lima.
sexta-feira, janeiro 25, 2008
Alto Minho artigo 25-01-2008
Por incrível que possa parecer, ainda há políticos que se prestam a esse papel terceiro-mundista. Não nego a importância para as populações dos investimentos feitos pela EDP, do esforço destas, das suas Juntas de Freguesia, para que estes sejam uma realidade. Mas daí até a uma inauguração pública com representante da Câmara Municipal, comunicação social, meninos da escola e talvez foguetes parece-me, no mínimo, pitoresco. Já não se justifica.
Seria bom que os resultados deste estudo, se existentes, fossem divulgados, bem como as suas consequências nas tomadas de decisão nesta matéria. É que possivelmente já se justifica uma rede de transportes urbanos em Ponte de Lima. A mobilidade das pessoas deveria ser pensada ao mesmo tempo que se permite a construção de novas zonas residenciais/comerciais e para isso todos os estudos são bons desde que dêem origem a decisões, claro.
Bem sei que não é o jogging matinal que a sua propaganda já nos habituou mas mesmo assim é um “privilégio” ver o Primeiro-ministro “suar”.
Já estou a imaginar o meu “vizinho” Pires Trigo a seguir o exemplo do seu “mentor” na ecovia de Arcozelo…
sexta-feira, janeiro 18, 2008
Alto Minho artigo de 18-01-2008
PSD
Esta sexta-feira, o PSD concelhio elege uma nova comissão política. Filipe Viana lidera a única lista candidata. Terá pela frente três grandes desafios. Primeiro, o próprio partido. Se é verdade que até tem aumentado o número de filiados no PSD local, este não se tem reflectido nem em militância, cada vez menor, nem em resultados eleitorais. O novo líder terá a árdua tarefa de fazer o PSD reencontrar-se, de se abrir. Para isso terá que ter força para se libertar. Do resultado deste desafio dependerá o sucesso dos outros dois.
O segundo desafio é o de conseguir fazer oposição firme, construtiva e alternativa. Para fazer oposição é preciso ter penetração na sociedade, é preciso ter um projecto, um rumo alternativo ao actual. É necessário credibilizar o PSD, captando pessoas activas na sociedade, nos vários campos de actuação. É difícil, mas não impossível.
Finalmente, o último grande desafio, as eleições autárquicas. A liderança que hoje começa terá a responsabilidade de encontrar pessoas que dêem a cara pelo projecto autárquico do PSD. Este partido, com os “pergaminhos” que ostenta, tem a obrigação de inverter o resultado que obteve nas últimas autárquicas. Um resultado, aliás, inconcebível e humilhante para o PSD.
A responsabilidade é muita mas a nova liderança conta com o know-how de alguns responsáveis pelas últimas eleições autárquicas – que já tiveram tempo para meditar nos erros – aparentemente tem gente nova e tem bastante tempo para olhar para o concelho e construir uma alternativa ao actual poder municipal.
Fechado
Aqui há uns tempos precisei de comprar um adereço para usar numa cerimónia nupcial. Como pensei tratar-se um adereço corriqueiro, não lhe dando grande importância, fui adiando a sua aquisição. A verdade é que o tempo passou e rapidamente a data da cerimónia chegou. No dia anterior, fizeram questão de me lembrar que ainda não tinha comprado o adereço. Nada que me preocupasse, um saltinho à vila e pronto, assunto resolvido. Engano o meu. Era sábado e de tarde. A não ser que quisesse comprar um bolo, nada feito, estava tudo fechado. Como não consegui o adereço não resisti, comprei o bolo. Fiquei sem o adereço, mas feliz…
sexta-feira, janeiro 11, 2008
Alto Minho artigo de 11-01-2008
Voz no deserto?
Tenho gostado da série de entrevistas que este semanário tem publicado nos últimos tempos. Na minha opinião, a mais interessante foi a última, a de Abel Baptista. Com chamada de primeira página, onde se podia ler “Não serei candidato contra Campelo”, a entrevista abordou vários e pertinentes assuntos.
A frase já citada poderia resumir a entrevista, mas não o faz. Aliás, esta nada traz de novo Primeiro porque concorrer contra Campelo era suicidário, segundo porque era fratricida. Foi Baptista, como aliás fez questão de frisar, o grande obreiro, usando a analogia do entrevistado, o grande treinador e “olheiro” de Campelo. A analogia entre Campelo e o futebolista Figo não foi das melhores, é que não se pode esquecer que o Figo soube atempadamente abandonar a selecção para não a prejudicar. Talvez apareça por aí um Cristiano Ronaldo, quem sabe, e substitua o “Figo”. O problema para Baptista é saber onde ele está…
Mas, para mim, o cerne da entrevista está nos assuntos verdadeiramente pertinentes e aí Abel Baptista marca pontos. Numa altura em que parece já ter sido tomada a decisão de pôr os limianos a ver passar comboios, com quase um século de atraso é certo, Baptista propõe algo bastante pertinente. Porque não aproveitar a linha construindo-a de forma a proporcionar a utilização da mesma por comboios rápidos para além do “TGV”? Para Ponte de Lima, com uma estação e a 30 minutos do Porto, poderia significar uma verdadeira “revolução” social e económica que certamente se alastraria a toda a região. Mas serão estas questões motivadoras para quem nos governa, para os partidos e líderes locais? Aparentemente não, é mais interessante “contar espingardas”.
Mão à palmatória
É sempre bom ver reconhecido um erro. O presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, fê-lo e o Fórum Municipal da Juventude será, finalmente, uma realidade. Foi, na última reunião do executivo, aprovado por unanimidade a sua criação.
Este fórum é um anseio de há muitos anos da juventude limiana. Desde as associações de jovens passando pelas juventudes partidárias foram várias as vozes que o reclamaram. A última intervenção neste sentido num órgão autárquico foi da JSD, no início deste mandato. Pela voz do seu líder, Filipe Lima, desafiava o presidente da Câmara a criá-lo. Campelo não o queria, a JP parecia também não o querer, a verdade é que, passados menos de dois anos, é uma realidade. É a juventude de Ponte de Lima que ganha.
sexta-feira, janeiro 04, 2008
Alto Minho artigo de 04-01-2008
Na política continua a destacar-se, novamente, Abel Baptista. O deputado e também Presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima destacou-se positivamente pela sua constante intervenção enquanto deputado pelo distrito. Bem sei que lhe é necessário mostrar serviço, mas sendo ou não, fá-lo e as águas são pelo menos agitadas. Venceu também quando apoiou Paulo Portas contra Ribeiro e Castro. Já a sua faceta como Presidente da Assembleia Municipal tem deixado a desejar. E porquê? Porque, ao invés da sua posição nas eleições para a liderança interna do CDS, tem vindo a ceder ao Presidente da autarquia limiana, por exemplo, na problemática do comércio tradicional levantada pela Assembleia de Freguesia de Ponte de Lima, quando não permitiu que existisse um acompanhamento atento dos nossos representantes na Assembleia ao negar a formação de uma Comissão.
Os partidos da oposição continuam numa rota aparentemente sem destino. O PSD terá novamente eleições internas este mês, embora a Comissão Política se tenha demitido em Setembro. O PS, parecendo apagado (parecendo…), deixou o estilo pomposo novamente no armário e tenta mexer-se de forma mais resguardada. Será o caminho certo? O futuro o dirá. A CDU continua na sua quase "clandestinidade" habitual.
No desporto os limianos podem novamente sorrir. De realçar Fernando Pimenta que continua a dar cartas na canoagem, campeão Europeu júnior de K1 1000 metros, elevando o nome de Ponte de Lima e de Portugal. E as cadetes da EDL pela sua conquista do título nacional de basquetebol cadetes femininos.
A nível literário a ceifa nunca foi tão boa como nos últimos anos. Em 2007 foram muitos os livros editados, alguns dos quais no âmbito do projecto “Ponte de Lima, terra rica da humanidade” mostrando o que de melhor há em Ponte de Lima, a cultura, as tradições. O pelouro da cultura da Câmara Municipal de Ponte de Lima continua assim a apoiar os autores limianos. Mas seria, no entanto, conveniente que esse apoio tivesse normas estipuladas, restritas e públicas para que todo o processo fosse transparente. Já agora, porque não criar um prémio anual para a literatura limiana? Fica a sugestão.
sexta-feira, dezembro 28, 2007
Alto Minho artigo de 28-12-2007
O Centro de Congressos e Pavilhão Multiusos de Ponte de Lima incluirá cabines de tradução simultânea e cinco salas com a capacidade total para cerca de 1350 pessoas, estará vocacionada para espectáculos de grandes produções, cinema, congressos, etc. Já o Coliseu de Viana do Castelo (gosto do nome, é pomposo…) terá a capacidade máxima de 4000 pessoas e será palco para grandes exposições, circo, congressos, espectáculos musicais e desportivos.
Num distrito com enormes carências estruturais (sociais, económicas, etc), sem qualquer sentido estratégico, dois concelhos vizinhos investem no mesmo, sabendo de antemão que a concorrência neste tipo de infra-estruturas é enorme, está bem perto e já enraizada.
Afinal, para que servem as associações de municípios se não conseguem coordenar os investimentos, pensando-os numa escala regional?
E porquê ele neste contexto? A resposta está no seu programa, o Romper da Aurora. Começa cedo, é certo, mas para perceber basta ao leitor ouvir o programa e logo se aperceberá que diariamente este locutor leva aos seus ouvintes sentimentos únicos de amizade, de humanidade, de carinho até. Há toda uma comunidade que, todos os dias, ouve o programa e interage com ele. Desde o desejo de melhoras ao de parabéns, a partilha de sentimentos está para lá dos circunstanciais telefonemas de um programa de rádio com linha aberta. Aqui há um sentimento de pertença. É através deste programa radiofónico que muitos dos ouvintes encontram companhia (por vezes a única) logo pela manhã.
Solidariedade é também isto, poder tocar positivamente a vida dos outros.
sexta-feira, dezembro 21, 2007
Alto Minho artigo de 21-12-2007
É verdade que ganha sucessivamente as eleições autárquicas, mas também é verdade que perde todas as outras eleições. E porquê? Porque o CDS já não existe enquanto partido em Ponte de Lima. A exemplo do que sucedeu ao CDS distrital, aquando da liderança de Daniel Campelo, o que persiste no CDS de Ponte de Lima é apenas o “culto” da personalidade, tudo em seu redor secou. Lidere quem liderar a concelhia, todos têm noção de quem “pesa”.
Daniel Campelo sabe que nós sabemos que ele sabe (direitos de autor de Campelo) que saindo da vida política o CDS desaparece no concelho limiano. Lembram-se da sua candidatura como independente? Nessa altura qual foi a posição do CDS local? Pois…
É verdade que, para o bem e para o mal, Campelo conseguiu impor-se localmente para além de um partido, mas que preço pagou o CDS? É isso que muitos democratas cristãos, da primeira hora, não lhe perdoam, mas vão tolerando. Infelizmente, a oposição parece mais entretida em manter medalhas de pechisbeque que a fazer o que lhe compete, oposição. Assim, Campelo descansa e prepara o futuro sem “distrair as pessoas do trabalho que estão a fazer”.
Já aqui tinha perguntado se existia algum estudo ou estatísticas que sustentassem aquela decisão, pois o mesmo responsável confirmou a inexistência de estatísticas que corroborassem a pertinência desta medida. É apenas mais um “feeling” que, os limianos têm que aguentar…
sexta-feira, dezembro 14, 2007
Alto Minho artigo de 14-12-2007
Participação de todos
A aposta on-line parece ter chegado ao Município limiano. Notícias recentes deram conta de uma parceria com a Universidade do Minho que produziu uma aplicação, disponível na Internet, para “visitar” Ponte de Lima antiga em 3D.
Esta é uma aposta de promoção de visibilidade inserida no projecto “Ponte de Lima Terra Rica da Humanidade”, que prepara as bases de uma candidatura a património da humanidade.
A presença do concelho, o mesmo se poderia dizer do distrito, na Internet, o grande auditório mundial, poderia e deveria ser muito melhor e bem mais ambiciosa. Basta ver o que lá por fora se faz. No Reino Unido (ver http://www.mysociety.org/) é promovida a participação activa dos cidadãos, não só em fóruns interactivos, mas também em espaços próprios de participação (http://www.fixmystreet.com/) onde se pode reportar vários problemas do dia a dia, buracos nas ruas, lâmpadas fundidas, graffitis…
A web 2.0 veio trazer a possibilidade de uma participação mais activa e colaborativa aos cidadãos. Os alunos das escolas do 1, 2 e 3 ciclos já vêem essas ferramentas como normais e comuns e para eles outro tipo de cidadania, outro tipo de exigência será uma realidade. Infelizmente, os líderes políticos da nossa região parecem insistir em não querer ver esta mudança. Deveriam ser estas novas ferramentas, que unem inegavelmente os eleitores aos eleitos, o alvo de investimento quando falamos de promoção on-line. Uma promoção social.
Participação nos partidos
O que levará alguém a aderir hoje a um partido político? Os partidos serviam, geralmente, como local de participação activa na vida pública. Mas hoje essa participação pode ser feita de variadas formas e a muitos níveis. Hoje tem mais impacto a opinião que se pode retirar dos novos media que muitas, longas e monótonas discussões dentro de uma sede bafienta de um qualquer partido. Estes vivem cada vez menos da militância e esta parece ter sido reduzida à participação eleitoral interna. Talvez por isso se perceba a aposta em seduzir “quadros” novos. É que para estes existem sempre autocolantes e canetas. Infelizmente, estas deixam de escrever pouco tempo depois…
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Alto Minho artigo de 07-12-2007
No entanto, algo mudou. O ciclo foi interrompido. O Inverno demorou-se e sempre que um raio de luz despontava a crença num botão, logo uma geada o cobria, impossibilitando-o de viver. Por mais força que este fosse buscar ao raio de luz, a geada, ajudada pelas nuvens, impedia que essa força singrasse.
Mas a persistência mantinha-se. O ciclo poderia sofrer mutações, mas não iria acabar. O Inverno, por mais longo que parecesse, não poderia durar para sempre. A seiva e os raios do sol não iriam permitir. Do âmago dos seres sairia a força de outrora, persistente e firme no anseio de renascer.
Todos os dias, quando saio, ela já está lá. Quer chova, quer faça sol, quer esteja calor ou frio, a sua frágil figura não nos deixa indiferentes. Já rondará a casa dos 70 e deve ser das últimas peixeiras do tipo ambulante do nosso “burgo”. Por ventura ainda embrulhará as sardinhas em jornal, ou talvez não, porque a ASAE anda mesmo por aí, mas se as embrulhar, “qui ça” este mesmo artigo não seja um dia material para esse mester (o exercício de nos vermos, mais os nossos pensamentos escritos, a embrulhar um qualquer quarteirão de sardinhas é um bom exercício de humildade…).
Da aldeia global, esta peixeira apenas deve conhecer o peixe que por ventura virá de Espanha e que, assim, se torna mais barato.
As mutações sociais são uma evidência. Uns ofícios perdem-se para, em princípio, se ganharem outros.