sexta-feira, junho 20, 2008

Alto Minho artigo de 20-06-2008

O Povo é quem mais ordena…

Defensor Moura, o presidente da Câmara de Viana do Castelo, foi peremptório em colocar o concelho a que preside de fora da comunidade intermunicipal Minho-Lima. Esquecendo que não foram os outros concelhos que fizeram as regras, muito menos Rui Solheiro, Moura agarrou-se ao argumento, esquecido noutras circunstâncias análogas, da proporcionalidade do voto dentro da comunidade com o número de habitantes de cada concelho (o melhor seria mesmo nós cidadãos votarmos directamente, talvez assim se encontrassem verdadeiros lideres regionais…).

O que transpareceu desta posição foi o de uma briga interna no PS distrital. O líder vianense parece estar disposto a sacrificar os fundos europeus que o concelho de Viana do Castelo teria direito se cumprisse as regras que o governo socialista definiu.

Na semana passada, o PSD propôs uma consulta aos vianenses através de referendo. A proposta foi aprovada por unanimidade, mas com o recado de Defensor Moura de que caso o resultado fosse contrário à sua posição se demitiria. Mais uma vez, e a menos de um ano do término do seu mandato, demonstra que nem sempre o concelho de Viana do Castelo estará nas primeiras prioridades.

Agora cabe à Assembleia Municipal decidir se o povo vianense será consultado ou não. Palpita-me que a maioria PS, como tem sido seu hábito, usará da sua força de bloqueio, não se vá ver a braços com a demissão do seu candidato…

Infelizmente, neste assunto, Defensor Moura não está sozinho. Daniel Campelo, líder do Município de Ponte de Lima, continua a alimentar um tabu sobre este assunto, talvez como forma de ser referido na comunicação social pois sabe bem que se Ponte de Lima ficar de fora da futura comunidade Intermunicipal Minho-Lima não podendo, assim, contratualizar no âmbito do Quadro de Referência Estratégico Nacional, o futuro do seu concelho ficará deveras comprometido. E eu ainda acredito que, apesar de tudo, Campelo quererá o melhor para o concelho limiano.

Associações

Todos nós, ao longo da nossa vida, vamos pertencendo a várias associações. Muitas destas associações definham, por vezes lentamente, até deixarem de existir. Independentemente de algumas particularidades, um motivo que está sempre subjacente a esse trágico final é o do afastamento dos sócios.

Esse desfasamento é sintomático quando os resultados das eleições para os corpos dirigentes vão dando resultados “históricos” a listas únicas.

Se os sócios não se reverem na associação a que pertencem não terá esta perdido a razão de existir…?

sexta-feira, junho 13, 2008

Alto Minho artigo de 13-06-2008

Informação ao munícipe

Após alguma insistência, as actas das reuniões da Câmara Municipal de Ponte de Lima estão disponíveis no site da autarquia. Estas são uma das formas de os eleitores se inteirarem do que se discute e se decide nesse órgão executivo. Muita outra informação poderia e deveria estar disponível, a verdade é que a autarquia está a dar os primeiros passos nesse sentido e ao que parece com a ajuda da VALIMAR digital os passos serão mais firmes. Só é pena que todo o processo tenha sido bastante lento.

Já a Assembleia Municipal, também na página web do município, parece ter ficado pela inovação. Nesse espaço reservado à Assembleia, os eleitores apenas podem encontrar informação correspondente a 2002. Se nessa data foi com certeza uma boa novidade, é confrangedor verificar que ficou por aí.

Quem assiste às reuniões da Assembleia poderá ficar com a impressão que lá nada se passa ou por outro, que o que lá se passa poderá não ter muita importância para o comum dos limianos. Mas essa será uma conclusão errada. Por lá passam as mais importantes rectificações e decisões sobre o concelho e certamente será importante divulgar por todos os meios, e a web é um por excelência.

Festas populares

Esta é a altura do ano em que começam as festas populares. Na semana passada, em Arcozelo, celebrou-se o Santo António. O dia deste santo é o de hoje, sexta-feira 13, mas devido à coincidência da festa popular com a Feira do Vinho Verde, que se realiza este fim-de-semana, resolveram antecipar as festividades antoninas.

As festas populares têm vários aspectos interessantes. Entre eles a capacidade de união, de entrega dos organizadores, da participação voluntária das pessoas, da convivência. A comunidade está presente, colabora e funciona entre problemas de ultima hora até à satisfação de os ultrapassar, sempre em conjunto, em comunidade. As manifestações públicas de fé, as procissões, a eucaristia, a música popular, as concertinas… As pessoas de idade a recordarem a sua juventude, os jovens que aderem a estas iniciativas mesmo que à primeira vista assim não o pareça.

O Santo António da Torre Velha parece ter renascido das cinzas. Que assim continue mesmo com os obstáculos que os cavalos desportivos da “elite”, que se passearam pela Expolima, trouxeram, mesmo com a indelével e diligente autoridade ciosa da coima e indiferente a licenças…

sexta-feira, junho 06, 2008

Alto Minho artigo de 06-06-2008

Afinal o que se pretende?

Esta estranha Primavera caminha a passos largos para o seu término. As festas populares estão a começar e já se vêem as comissões de festas ansiosas pelo tempo a passar.

Com a melhoria do tempo, também os visitantes começam a chegar em maior número às terras limianas e o rio volta a ser atractivo para um mergulho. Por esta razão não se percebe que ano após ano a Câmara Municipal pareça continuar inerte perante a degradação da qualidade das águas das praias mais concorridas do concelho, a do Arnado e D. Ana.

Já aqui, várias vezes, alertei para esta situação. Para a vergonha de ter esses espaços interditos a banhos, para a falta de sinalização desse facto que permite crianças e adultos banharem-se ignorando os perigos inerentes. A incompreensão é maior tendo em conta que o vereador do pelouro do ambiente já se pronunciou sobre o assunto, dando conta que medidas estavam a ser tomadas, nomeadamente uma investigação a possíveis prevaricadores… A verdade é que ainda nada foi tornado público e os resultados das análises continuam a interditar as nossas praias.

Alguns responsáveis autárquicos, nomeadamente o presidente, já vieram dizer que isto tudo é uma falácia, pois as referidas praias já não o são… E isso deverá dar consolo a gerações de limianos que passaram a sua juventude no rio? Deixará por isso a água estar imprópria?

Lamento, mas vergonha deve ser o sentimento de qualquer limiano que leia notícias como as que se puderam ler na passada semana no Jornal de Notícias ou no Diário de Notícias, dando Ponte de Lima como exemplo de "praias interditas há muito tempo e que já deviam ter os seus problemas resolvidos". Isto, quando o nosso rio é o da lenda do esquecimento, quando a nossa Câmara Municipal parece fazer tudo por dar uma imagem de Ponte de Lima como um concelho ecológico por excelência.

População no distrito de Viana do Castelo

Segundo os últimos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística, a população residente no distrito de Viana do Castelo era, em 2006, de 252 011. O que significa que a população aumentou desde o inicio da década, uma vez que em 2000 viviam no distrito 247 332 pessoas.

No entanto apenas os concelhos de Ponte de Lima, Ponte da Barca, Valença e Viana do Castelo registaram aumentos de facto na sua população desde 2000. De realçar que todos os concelhos no distrito decrescem em número de crianças e jovens, aumentando, por outro lado, a população adulta A grande excepção é o concelho de Melgaço que em todos os grupos etários perde população, curiosamente mantendo um número de eleitores claramente superior ao da população residente. Como se poderá comprovar consultando os sites do INE e da Associação Nacional de Municípios Portugueses, o número de habitantes residentes neste concelho em 2005 era de 9 693, mas o número de eleitores registados para as eleições autárquicas desse ano foi 10 496.

sexta-feira, maio 30, 2008

Alto Minho artigo de 30-05-2008

Festival Internacional de Jardins

O tema deste ano do Festival é Energias no jardim, tendo sido apresentados a concurso 19 trabalhos (informação retirada daqui, notícias mais recentes dão conta de 43). No Festival participarão 11, escolhidos pelo júri, e um 12º que transita do festival de 2007.

Este festival é uma tentativa de construir uma marca identificadora do concelho limiano. A participação internacional é, sem dúvida, uma das mais importantes e cobiçadas pela organização. Talvez fosse interessante revelar quantos projectos internacionais foram apresentados e quantos foram rejeitados. Assim ficaria claro que a participação internacional não era “protegida” pela organização e que o concurso seria mesmo um concurso onde os interessados partiriam em pé de igualdade, independentemente de terem nacionalidade portuguesa ou estrangeira.

Coisas pequenas

São pequenas ou talvez não. Parece sina que sempre que se constroem, reformulam ou renovam espaços públicos passado algum tempo volta-se a abrir um buraco para passar alguma coisa que não fora prevista.

No ano passado, foram as Aguas do Minho e Lima que esburacaram as estradas e que pareciam ter esquecido que havia pessoas que por lá continuavam a ter que passar. Agora, foi a obra de colocação de fibra óptica. É verdade que em nada se compara com o exemplo citado anteriormente até porque o método usado nesta obra foi bem diferente. Ao fim de uma semana já o buraco estava tapado e repavimentado. Mas esta situação não pode permitir a ausência de fiscalização de quem de direito, de forma a verificar se essa repavimentação está a ser realizada de forma correcta.

Interessante

No início do próximo mês realiza-se em Ponte de Lima um encontro de camionistas e camiões. A Câmara Municipal apoia o evento que reunirá centenas de camiões na vila limiana. Este evento faz realçar a necessidade de um parque próprio para este tipo de transporte que vai ocupando os caminhos e estradas de Ponte de Lima. Em tempos, a Câmara justificou a compra de um terreno na saída da auto-estrada na freguesia da Ribeira com a construção desse espaço. O terreno foi adquirido, mas o parque TIR ficou limitado às intenções e destas...

sexta-feira, maio 23, 2008

Alto Minho artigo de 23-05-2008

Será que queremos que participem?

Depois do inquérito feito pela Universidade Católica, patrocinado pelo Presidente da Republica, para aferir a sensibilidade dos jovens para com a política, os alertas vermelhos foram accionados.

A verdade é que quanto mais longe ficamos da época revolucionária do 25 de Abril mais acentuada é mutação das formas de actuação política dos jovens. É certo que muitos jovens não querem nem têm qualquer motivação para participarem de uma forma tradicional na política. Não o querem por várias razões e entre as primeiras está a falta de credibilidade que certa classe política tem imprimido na sua actuação.

Os jovens participam na comunidade desde que motivados para isso. Vejam o caso das várias associações cheias de jovens onde estes dão o seu contributo, o seu tempo, a sua inteligência em prol dos outros, em prol da comunidade. São as causas ambientais e sociais as que usualmente têm maior adesão em detrimento das juventudes partidárias que vão tendo alguns números, mas cada vez menos militantes. Ou seja, o problema não está na participação dos jovens na política, enquanto forma de influenciar e melhorar a comunidade, o problema está na participação dos jovens de forma clássica através dos pilares da democracia que devem ser os partidos.

Mas como atrair os jovens aos partidos, à política nacional quando eles olham para os partidos e vêem, por exemplo um primeiro ministro que prometeu mundos e fundos e muito pouco cumpriu? Quando olham para a oposição e não conseguem perceber onde está a alternativa?

O primeiro passo deverá ser o de ter a coragem de assumir uma mudança de atitude. Na passada sexta feira, numa conferência aberta à comunidade, promovida pelo PSD de Ponte de Lima, os participantes puderam ouvir o conferencista, Paulo Morais, a afirmar precisamente isso, a necessidade de ter coragem para mudar um sistema vicioso que enfraquece o Estado.

Mas como faze-lo? Não nos abstendo das nossas responsabilidades. Estas começam na nossa participação activa na comunidade, passando pela nossa responsabilidade de usar, contrariando um chavão da esquerda dos idos de Abril, a nossa arma, que é o voto, para eleger aqueles que como nós querem servir a comunidade sem demagogias, sem hipocrisias, sem espectáculo, mas com seriedade, com projectos realistas assentes na verdade e não em fumos de marketing político. Aqueles que nos tratam, a nós eleitores e cidadãos, com o respeito que merecemos.

Quando isto for uma realidade, aí veremos como os jovens estão presentes na política, de onde, aliás, nunca estiveram alheados, porque participar é também recolher assinaturas para que a Câmara Municipal construa, por exemplo, um espaço radical no concelho tal e qual como um grupo de adolescentes fez aqui há uns meses em Ponte de Lima e que se espera que venha a resultar na construção de tal espaço, a exemplo de concelhos vizinhos como o dos Arcos de Valdevez.

sexta-feira, maio 16, 2008

Alto Minho de 16-05-2008

Vaca das Cordas

Por muitos e bons eventos que se tragam e se promovam em Ponte de Lima nenhum se aproxima das tradicionais Vaca das Cordas e Feiras Novas.

Estes dois eventos assumem uma importância enorme no chamado “marketing de cidades” do concelho de Ponte de Lima.

A propósito da Vaca das Cordas, é justo fazer alusão a uma das últimas famílias ao estilo de clãs ainda existentes na vila limiana, a família Varela. Para quem não sabe, esta família é uma das principais responsáveis pela Vaca das Cordas como a conhecemos actualmente. Hoje, é Aníbal Varela quem dá a cara por todo o processo organizativo.

A Vaca das Cordas é uma festa popular que junta não só aficionados da corrida do touro pelas ruas limianas mas também muitos que aproveitam o mote para se reunirem e passarem um bom bocado com os amigos. Não será este o sucesso das festas limianas, o sentir-se bem com o ambiente, com o local, com os amigos?

Atenção

Escrevi aqui, faz duas semanas, que a Câmara Municipal deveria dar especial atenção à igreja de S. António da torre velha. A verdade é que, passada uma semana, via-se que a atenção já existia. Uma equipa de uma empresa de iluminação trabalhava com azáfama. Seria para renovarem a iluminação da igreja…? Não, apenas colocavam uma qualquer iluminação festiva, de duvidoso gosto, talvez mais propício para épocas natalícias e nos EUA, onde o berbequim era usado para furam as pedras centenárias e os telhados serviam de andaime…

Assim sim

O auditório da Biblioteca Municipal de Ponte de Lima foi pequeno para as pessoas que lá se deslocaram para assistir à primeira tertúlia de história local. Esta é uma boa iniciativa do pelouro da cultura que merece a boa recepção dos limianos.

Mas com esta iniciativa ficou também demonstrado que a Biblioteca Municipal já não tem as condições necessárias para aquilo que se pretende. O auditório é pouco acolhedor e foi bom no início da década de 90. Mas este é talvez o menor dos problemas da biblioteca que tem vindo a perder a importância para outras valências construídas mais recentemente. Talvez seja tempo de pensar num novo e abrangente edifício para a Biblioteca.

sexta-feira, maio 09, 2008

Alto Minho artigo de 09-05-2008

Fórum Municipal da Juventude

Durante anos algumas juventudes partidárias deram voz ao pedido da juventude limiana para a realização de um fórum municipal da juventude. O poder político sempre negou este espaço que se pretendia de reflexão.

Recentemente, talvez menos de um ano depois de negar mais um pedido da JSD local, a Câmara Municipal tornou público o desejo de criar um fórum municipal de juventude.

Se essa atitude era louvável, revelou-se na passada semana um “flop”. Porquê? Porque de fórum teve pouco. O que se programou foi uma festita para a juventude onde se incluía uma palestra dividida em dois assuntos. Estes até eram pertinentes e interessantes, mas o que se pretendia quando se falava em Fórum Municipal da Juventude era um espaço aberto de discussão dos problemas dos jovens limianos. Um espaço onde estes pudessem, sem intermediários que não os das suas associações, interpelar, alertar, discutir com quem detém o poder em seu nome, e não uma “palestra” por mais meritório que fosse o palestrante.

Infelizmente, a discussão, a interpelação, a conversa parecem não fazer parte das políticas dinamizadas pelo executivo municipal. Para este parece mais cómodo colocar os jovens a ouvir, a cantar, até, mas sem oportunidade de usarem a sua tradicional irreverência para “falarem”, para interpelarem. A mensagem parece ser, “ouçam, cantem, mas não falem, não pensem”.

Decisões no PS distrital

“Desta vez não temos desculpas pois quem nos humilha é um dos nossos” eis o que escreve Manuel Pires Trigo, um destacado independente socialista de Ponte de Lima, relativamente à atitude de Defensor Moura. Realmente, o PS deixa de ter desculpas. É mais que evidente que a guerra interna começa a ter propulsões intolerantes. Não é por poder, talvez seja por influência, a verdade é que seja pelo que for não podem ser os cidadãos do Alto Minho a sofrer as consequências.

Talvez seja tempo do PS pensar se por uma guerra inócua vale a pena sacrificar os alto-minhotos, em particular os vianenses. A decisão dentro em breve terá que ser tomada. Será que o PS estará pronto para sacrificar uma câmara em prol de uma região?

sexta-feira, maio 02, 2008

Alto Minho artigo de 02-05-2008

Primadona

Aqui há uns anos, os políticos do distrito tomaram uma das suas piores decisões de sempre dividindo o distrito em dois. Há coisa de 5 anos mais uma oportunidade de união foi perdida por razões que a razão desconhece. Recentemente, os fundos do QREN fizeram reaparecer a inevitável e necessária união dos dez concelhos do distrito.

O casamento, por conveniência, é certo, parecia bem encaminhado, as declarações de Solheiro, presidente da Câmara Municipal de Melgaço, eram constantes e até apresentavam prazos curtos para a união do distrito. As reuniões começaram a suceder-se e os diversos executivos municipais foram aprovando, por unanimidade, a criação e integração do respectivo concelho numa comunidade a 10. Eis que chega a vez de Viana do Castelo e o seu presidente da Câmara, escudando-se no desejo teimoso de o número de votos dentro de uma comunidade a dez ser determinado pelo número de população de cada concelho, declara os seus “pesamos” aos executivos dos concelhos que já tinham aprovado a criação da região a dez.

É no mínimo lamentável o modo e a forma usados pelo edil vianense. Será que esta é a vingança por não ter sido convidado para o almoço de “acção de graças” ao edil de Melgaço?

É lamentável que se arranjem pequenos pretextos processuais para isolar um concelho, uma região, especialmente quando quem o faz lidera o principal concelho do distrito que deveria liderar todo o processo de união, que deveria ser o centro da união.

Justo

O vereador do PSD, Manuel Trigueiro, na Câmara Municipal de Ponte de Lima, chamou, e bem, a atenção para um assunto que, parecendo de menor importância, não o é, a ajuda que a Câmara Municipal deverá proporcionar à Irmandade de S. António da Torre Velha para a manutenção da igreja com o mesmo nome.

A grande imagem identificadora de Ponte de Lima, em qualquer parte do mundo, é o conjunto da ponte medieval e a igreja de S. António. Este é um “postal” que todos conhecem. Daí que é justo afirmar, tal como o vereador o fez, que a Câmara Municipal deverá dar toda a atenção e colaboração à irmandade que administra a dita igreja. Não só uma colaboração directa mas também de apoio a candidaturas a possíveis projectos. Essa atitude poderia resultar como exemplo do que os serviços municipais poderiam significar na sua relação com o munícipe, colaboração.

sexta-feira, abril 18, 2008

Alto Minho artigo de 18-04-2008

Chutar para canto

É inegável que a vila de Ponte de Lima tem assistido, nos últimos tempos, a uma vaga de assaltos. Com ela veio a moda de apontar o dedo sempre na mesma direcção, a da Santa Casa da Misericórdia.

Infelizmente essa moda parece ter chegado ao nosso mais alto representante autárquico. Daniel Campelo, presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, na última Assembleia Municipal não se coibiu de fazer acusações generalistas sobre os responsáveis da vaga de assaltos. Afirmações no mínimo lamentáveis.

E por quê lamentáveis? Primeiro porque generalizar a responsabilidade da vaga de assaltos, imputando-a aos “rapazes da Santa Casa”, é carimbar de forma genérica crianças com um passado familiar e pessoal desfavorecido, sendo que em nada essa simplificação argumentativa ajudará na melhoria da sua situação. Antes pelo contrário, apenas contribui para aumentar a estigmatização social. Em segundo lugar, porque essa generalização é injusta também para as pessoas e a instituição envolvidas e que diariamente contribuem para que essas crianças tenham a melhor integração social possível.

Por vezes esquecem-se as várias crianças que por lá passaram, que hoje são detentoras de formação pessoal, de formação académica, sendo adultos completamente integrados na sociedade.

É lamentável quando o poder político, quando a escola, quando a sociedade não ajudam na missão de integração, tornando-a até mais complicada. A guetização, como a história nos mostra, nunca produziu bons resultados.

Será que o presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima ao generalizar, como fez na Assembleia Municipal, pensou realmente nas implicações que as suas afirmações teriam para as crianças visadas? Ainda bem que o presidente da Assembleia Municipal, Abel Baptista, teve o discernimento da gravidade de tamanhas afirmações demarcando-se das mesmas.

Ah, já agora, não considero esta atitude de Abel Baptista como mais uma demarcação da gestão de Daniel Campelo, esta seria aliás uma análise simplória e enviesada da situação. Esta atitude apenas demonstrou que Abel Baptista teve bom senso e Daniel Campelo não.

sexta-feira, abril 11, 2008

Alto Minho artigo de 11-04-2008

Finalmente

O Município de Ponte de Lima finalmente concluiu a necessidade da promoção de emprego, da criação do próprio emprego. Assim, vai prestar apoio à criação de empresas inovadoras através do Projecto Terra.

O primeiro objectivo, segundo o presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, é começar a receber ideias até ao Verão.

Este tipo de projecto, inovador em Ponte de Lima, não o é no resto do país, nem mesmo no distrito, Paredes de Coura, por exemplo, anunciou em Fevereiro a sua adesão ao FINICIA criando o COURAFINICIA. Ambos projectos resultantes de protocolos entre o IAPMEI e as Câmaras Municipais.

Mas isto não retira o que de bom representa este novo rumo. O presidente da Câmara diz que este financiamento visa o desenvolvimento de áreas como o turismo activo, o artesanato, a cultura, o design gráfico e industrial, as agro-indústrias, a agro-florestal e as novas tecnologias. Ora a diversidade de áreas parecem indicar a vontade de promover e apoiar um grande número de projectos, assim eles apareçam. No entanto, esta diversidade indica também uma falta de planeamento específico para o nosso concelho. Não se privilegiam áreas que, após um estudo e elaboração de um plano estratégico, de desenvolvimento, sejam consideradas como as chaves para o concelho.

Ponte de Lima com esta louvável, embora recente, vontade de inflectir o rumo na área económica poderá dar os primeiros passos para um desenvolvimento económico que se deseja sustentável. Só se lamenta a falta de liderança na região. A região precisa de Ponte de Lima pujante e liderando, assim o prova a história. Felizmente, esta gestão camarária parece finalmente acordar para a sua grande falha, o seu pecado mortal, que foi ignorar, negar e escamotear o problema económico do concelho.

Memória

Fez esta quarta-feira, dia 9, 90 anos sobre a batalha da Primeira Grande Guerra de La Lys. Uma batalha marcada pela participação de Portugal e onde alguns limianos e alto-minhotos combateram. Parece longínqua e já perdida da memória, mas a actualidade, por incrível que pareça, volta a colocar esta e outras batalhas da Primeira Grande Guerra na berlinda. A questão da independência do Kosovo em relação à Servia é a causa, é que não se pode esquecer onde e porquê começou a guerra que levou à batalha de La Lys.

Seria bom lembrar aos jovens, e não só, que muitos deles tiveram os seus antepassados nessas e outras batalhas e que muitos outros deram a sua vida em prol da nossa.

sexta-feira, abril 04, 2008

Alto Minho artigo de 04-04-2008

Investimento

Finalmente uma boa notícia para a economia regional, em particular para a de Ponte de Lima. O Governo central aprovou a instalação de uma indústria de componentes de segurança automóvel em Ponte de Lima, o que significa 207 novos postos de trabalho. O ramo de produção será o mesmo de uma das unidade fabril ainda existentes na zona industrial da Gemieira, os airbags.

Sendo uma notícia animadora para todos os limianos, foi interessante ouvir o presidente da Câmara de Ponte de Lima, Daniel Campelo, dizer que este investimento "é a prova de que a estratégia empresarial levada a cabo pela autarquia começa agora a surtir efeito no concelho". Tendo em conta que Campelo governa os destinos de Ponte de Lima há mais de uma década a estratégia parece, no mínimo, demasiado lenta a dar frutos. Ou será que só ultimamente a Câmara Municipal se preocupou com a estratégia económica do concelho? É que se existe uma estratégia empresarial para o concelho limiano e que está a dar frutos, certamente que existirá um plano estratégico, mas este parece estar classificado como “documento secreto”, só alguns o conhecerão, ou talvez esses se resumam a um…

Campelo aludiu, e bem, para a necessidade do Governo central canalizar os investimentos para o interior. Talvez a estratégia empresarial da autarquia seja essa, a de ficar à espera dos investimentos que o Governo central se digne a enviar-nos. De preferência sem nos usar para campanhas publicitárias ou eleitoralistas, que sejam investimentos reais, que tragam postos de trabalho para Ponte de Lima e para a região, que tragam condições de fixação da população, nomeadamente da população jovem.

Mas por falar em captação de investimentos, não há um vereador com esse pelouro? Ainda alguém se lembra? Os nossos concelhos vizinhos tem industria, tem investimento, tem zonas industriais completas, talvez não com a dimensão do investimento apresentado mas que no conjunto não ficará muito longe. Não será isto porque por lá existe realmente uma estratégia que até pode nem ser a melhor mas que tem obtido resultados. E por Ponte de Lima? Bastará dizer que existe uma estratégia empresarial, que temos um plano para realmente o ter?

sexta-feira, março 28, 2008

Alto Minho artigo de 28-03-2008

Páscoa

A Páscoa está associada a vários aspectos: vitória sobre a morte, sobre o pecado, renascimento, vida, dádiva, luz, etc.

Na celebração desta “passagem”, o Alto Minho tem como tradição uma festa que é também comunitária. As pessoas limpam, preparam a casa ainda com mais afinco para a visita pascal. O compasso, a cruz que visita as casas da paróquia, existe pela dádiva dos que, prescindindo do dia com a sua família, o dedicam a uma estirada, levando a cruz a todas as casas que a queiram receber. As casas abrem-se para os vizinhos que retribuem a visita. Petisco aqui, pão-de-ló acolá, a comunidade une-se para celebrar a ressurreição de Cristo.

Felizmente, no Alto Minho, a tradição ainda se mantém. É verdade que muitos se têm rendido à tentação de aproveitar estes dias para umas mini férias, mas cada vez são mais os que de fora vêm propositadamente à nossa região para viverem a Páscoa. Espanhóis eram aos milhares, mas portugueses também, de Lisboa, Coimbra, Porto, vários foram os que, respondendo ou ao apelo da tradição familiar, da fé, ou dos amigos por cá partilharam do espírito comunitário de viver uma festa que celebra a mudança, a passagem das trevas para a luz, a suprema entrega que foi a de Jesus.

Ampliação

Tem-se ouvido que será intenção da Câmara Municipal de Ponte de Lima ampliar o Pavilhão Municipal. Realmente este parece cada vez mais desfasado das actuais necessidades desportivas existentes no concelho. No entanto, a ser verdade a ampliação, prevê-se que os sacrificados serão os courts de ténis. Penso que será um erro. É verdade que estes nunca foram muito aproveitados, os clubes não se renderam à modalidade e os praticantes deverão ser actualmente residuais. Mas porquê? Porque nunca se soube promover a modalidade. É uma modalidade que a par com outras no desporto, futebol, automobilismo, golfe, movimentam muito dinheiro, muitas pessoas.

Acabar com os únicos courts de ténis públicos existentes no concelho é simplesmente apagar a modalidade do concelho ao invés do que se deveria fazer, promove-la.

Como os campeões nacionais da EDL e do Clube Náutico de Ponte de Lima nos mostram, com investimento, económico e humano, e com formação é possível colocar Ponte de Lima e os seus desportistas ao mais alto nível. Também no ténis poderíamos dar cartas. Amplie-se o Pavilhão, ou construam um outro, como já foi proposto penso que pelo vereador do PS, mas não acabem com uma modalidade que ainda não foi verdadeiramente promovida no concelho.

sexta-feira, março 21, 2008

Alto Minho artigo de 21-03-2008

Críticas

O detentor do poder deve estar atento às necessidades das pessoas que o elegem. Ouvir o sentimento das pessoas, as suas necessidades, as suas opiniões e ter a sensatez de reformular opções, modificar e adaptar os projectos, aprimorando-os. Não quero com isto dizer que os governantes devem governar conforme soprar o “vento” popular. Não, o governante deve governar consoante aquilo que propôs aquando da sua eleição, mas isso não quer dizer que não cometa erros, que aqui e ali não deva corrigir trajectos, corrigir políticas, iniciar novas políticas. É nesse pressuposto que os eleitos devem estar atentos.

As propostas, as ideias, as críticas devem ser encaradas nesse sentido. A própria oposição serve para isso mesmo, para propor, para criticar e para dar alternativas às políticas do governo da “cidade” ou do país, tentando influenciar a actuação deste.

Em Ponte de Lima, ao fazer-se crítica a uma política, ou à falta dela, alguns dizem logo que se está a “dizer mal” de alguém. Mas, é precisamente o contrário. Veja-se o caso do pelouro da cultura, alvo de várias criticas, eu próprio as tenho feito. O vereador ouviu serenamente e vejam o resultado. A política cultural em Ponte de Lima tem mudado, lentamente para alguns, em demasia para outros, mas basta ver os eventos programados para este ano, os concertos, as actividades, etc. e comparar com outros anos para logo se verificar que há uma franca evolução no sentido correcto. Estou certo, mesmo que não o confessem, que um dos motivos é o aproveitamento que o pelouro soube fazer de algumas críticas.

Mas o estar atento não é só “coisa” para os políticos no “poder”. Também os da oposição o devem fazer. E há políticos na oposição que sabem estar atentos. Por exemplo, na oposição limiana, vejam-se na Assembleia Municipal os casos de Manuel Barros, do PSD, Pires Trigo, do PS, ou Acácio Pimenta, da CDU, ou no executivo Municipal Jorge Silva, do PS.

Hoje em dia, a participação dos cidadãos não se esgota nas sedes partidárias. A comunicação social, as novas tecnologias vieram trazer outra realidade que os políticos do passado têm dificuldade em compreender, mas que, se quiserem continuar a ser os representantes dos cidadãos, têm que se esforçar por perceber.

Informação

Várias vezes o tinha escrito aqui e por isso foi com satisfação que encontrei as actas das reuniões do executivo da Câmara Municipal de Ponte de Lima na página web da autarquia. É um sinónimo de abertura muito bem-vindo.

No entanto há situações que, em termos de usabilidade, urgem melhorar. A escolha do sítio dentro da página web poderia ser melhor. Seria mais lógico colocar as actas junto do executivo do que numa divisão municipal, no caso a Divisão Administrativa e Financeira. Actualmente é necessário abrir o documento para saber o que lá se encontra, com a inclusão dos temas debatidos junto ao hyperlink ajudava o utilizador a encontrar o que procura de forma mais rápida e sem desperdiço de tempo…

sexta-feira, março 14, 2008

Alto Minho artigo de 14-03-2008

Confrontação?

Abel Baptista diz que não foi sua intenção confrontar Campelo, mas a verdade é que em termos autárquicos foi das poucas vezes que avançou até ao fim com uma proposta sabendo, de ante mão, que Campelo seria contra.
Ainda no final do ano passado, recuou à última hora aquando da formação de uma comissão da Assembleia Municipal para acompanhamento do comércio tradicional, não permitindo que a proposta fosse a votação. Passados poucos meses, eis que a dita é aprovada com outro nome e com ainda maior abrangência, isto sobre proposta do PCP e o voto de quase todo o hemiciclo.
Mas a curiosidade assentava numa outra votação. A da proposta de Abel Baptista para a elaboração de um plano estratégico para o concelho de Ponte de Lima. Um plano que há muito fazia falta e que várias vozes já tinham pedido e que tinha sido sempre recusado pelo poder. Mas ser o Presidente da Assembleia Municipal, membro do partido do poder, CDS-PP, e não um partido da oposição, reveste a proposta de outro “peso”.
Campelo tentou, esgrimiu argumentos, abanou com uma série de planos estratégicos genéricos para a região, tudo fez para que a mesma não fosse aprovada. Mas como os argumentos por ele usados pareciam dar ainda mais força à proposta, a VALIMAR não pode servir de “guarda-chuva” para tudo, a proposta foi aprovada.
Campelo sabe que com a elaboração deste (elementar) plano estratégico para o concelho, a sua falta de habilidade governativa estratégico-economica pode ser desmascarada. Com a situação que se vive no concelho, falta de emprego, falta de investimentos, parcos incentivos à iniciativa privada será muito difícil explicar e manter a dinâmica eleitoral do passado. Ainda para mais, quando a possibilidade de uma cisão no ceio do CDS local continua a ser uma possibilidade. O tabuleiro do xadrez político local já começou a movimentar-se...
Já agora, é difícil perceber a pouca ou nenhuma cobertura desta matéria pela ROL. Custa perceber esta decisão tendo em conta que não é esse o critério editorial que a rádio local nos habituou. A meio da semana posterior à Assembleia Municipal, na ROL ainda não havia qualquer referência. Será que não é notícia a discussão do futuro estratégico do concelho em que a ROL é a rádio local?

sexta-feira, março 07, 2008

Alto Minho artigo de 07-03-2008

Coragem de mudar

O PSD por estas bandas está em mutação. A Comissão Política Distrital apresenta novas caras, novos cargos e secretarias. Por Ponte de Lima, como já aqui escrevi, a cara de topo é nova e, apesar de associada a muito do passado, parece apostada em mudar. E mudar, nas circunstâncias em que o PSD está a nível local, é francamente positivo.

Filipe Viana, o novo rosto da Comissão Política Concelhia de Ponte de Lima, terá que ter bastante força e coragem se realmente quiser mudar. Primeiro terá que mudar o paradigma reinante no partido. Terá que reorganiza-lo, juntá-lo, criando paulatinamente uma alternativa credível, com políticas credíveis, amplas e exequíveis capazes de irem ao encontro das necessidades dos limianos.

Deve também ter coragem para mudar os protagonistas. Na última década e meia, eles têm sido os mesmos, eleições atrás de eleições. Essa eternização de protagonistas teve como resultado a péssima votação obtida pelo PSD nas últimas eleições autárquicas.

Filipe Viana deve ter coragem de apresentar novas caras, novos protagonistas. Pessoas preparadas, que sejam o novo rosto das novas políticas do PSD.

Deve começar por um dos lugares de topo da representatividade autárquica. Pelo único vereador do PSD. Ter como protagonista no executivo municipal o rosto da pior derrota do PSD numas eleições autárquicas não será o melhor caminho para demonstrar que o PSD é a alternativa. A lista que o PSD apresentou nas últimas autárquicas tem outros rostos, rostos mais novos, sem as conotações negativas que muitos anos e muitos cargos políticos geralmente acarretam. Por ventura o lugar de vereador até já foi posto à disposição, mas se não foi, o novo líder o PSD de Ponte de Lima, se quer mudar algo, deve começar por apagar a imagem perdedora e o rosto dessa imagem, substituindo Manuel Trigueiro.

Saudade

É deveras intrigante como podemos ter saudades de “coisas” que não vivemos. A freguesia de Refoios suscita em mim esse sentimento. A vida comunitária das espadeladas, das desfolhadas, do ciclo do linho… Várias vezes passeio por lá, pelos campos, junto ao rio Lima, pela Vacariça... Claro que, por mais voltas que dê, não encontro a Refoios que levo na ideia. A Refoios que a minha avó Glória me descreveu. Refoios representa o que de mais belo Ponte de Lima tem, a montanha, os campos, o rio e acima de tudo as pessoas. A minha avó foi fruto destes factores. Um fruto do qual já tenho imensas saudades.

sexta-feira, fevereiro 29, 2008

Alto Minho artigo de 29-02-2008

Políticos profissionais

Devido à última polémica que o envolve, o Primeiro Ministro de Portugal sentiu o dever de esclarecer que, desde que foi eleito deputado, em 1987, a sua actividade privada tornou-se muito residual, resumindo-se à intervenção pontual em pequenos projectos a pedido de amigos, e, evidentemente, sem remuneração. Daqui se poderá depreender que há vinte anos que vive da política, ou seja, é um político a tempo inteiro há duas décadas. É o que se pode considerar um verdadeiro político profissional.

Num artigo alargado, Manuel Pires Trigo escrevia no final que o PS está apostado em corrigir erros e lutar contra os políticos profissionais, isto através do recurso a gente activa, moderna, confiante, capaz de abrir perspectivas de futuro para o concelho. Penso que é um bom caminho. Já agora, por que não alargar o âmbito da luta e começar pelo seu líder, José Sócrates?

Plano estratégico para Ponte de Lima

A Assembleia Municipal desta semana será bastante interessante. O PCP leva a votação três moções, destacando-se a que reabre a discussão acerca da problemática do centro histórico e do comércio tradicional, anteriormente rejeitada pela maioria CDS.

Outro ponto interessante é o do plano estratégico para o concelho limiano. Ainda bem que, finalmente, alguém dos que têm a responsabilidade de liderar o concelho, Abel Baptista, concluiu que não se pode preparar um caminho para Ponte de Lima sem se conhecer as forças, as fraquezas, as oportunidades e as ameaças que o concelho tem e enfrenta.

Para sermos competitivos é, de facto, necessário planear e o primeiro passo é conhecermo-nos.

Falta saber se Daniel Campelo quererá mesmo que estas duas situações tenham continuidade? Esperemos bem que sim, pois apenas pecam por vir tardiamente.

Iluminação

Um dos símbolos de Ponte de Lima é o conjunto da ponte medieval, igreja de S. António da Torre Velha e ponte romana. A ponte é o ex-libris de Ponte de Lima. Daí a dificuldade em se perceber a razão pela qual este conjunto não merece um destaque especial. É uma constante a iluminação pública não funcionar, deixando os transeuntes “às cegas”, e a “decorativa”, por várias razões, não cumprir totalmente a sua finalidade.

Terá chegado o tempo de pensar numa nova forma de iluminação. Uma iluminação que faça jus à importância do conjunto como imagem identificadora do concelho sem esquecer, obviamente, a iluminação do espaço público.

sexta-feira, fevereiro 22, 2008

Alto Minho artigo de 22-02-2008

Turismo

Confesso que gosto da cultura americana/canadiana. Desde que visitei aqueles países, mais o Canada que os EUA, fiquei cativado pela cultura, pela paisagem, pelas cidades. Desde aí que tenho o hábito de tentar obter o máximo de informação sobre alguns desses locais. O leitor ficaria admirado se lhe dissesse que, lá, o turismo é encarado com outros olhos. É encarado como um negócio e, como tal, deve ser o mais lucrativo possível. É interessante poder encontrar pacotes diferentes, para diversos públicos, na mesma região, tudo de uma forma coerente e coordenada. Quer cultura? A região dá-lhe. Quer passeios pedonais? A região dá-lhe. Quer divertimento? A região dá-lhe. E como pode saber o que encontrar? Fácil, basta aceder à página que todas as regiões têm na Internet, uma espécie de cartão de visitas, e pedir um catálogo com informações. Sim, toda a informação, percursos para serem feitos por carro, o mapa das estradas com os monumentos e locais de interesse, os restaurantes, os cafés, as festas, acompanhada do agradecimento dos responsáveis locais pelo nosso interesse, é enviada para nossa casa, onde quer que moremos.

Um pouco diferente do que se passa por cá. O turismo de qualidade não pode ser visto apenas como turismo para uma elite, seja ela financeira, social ou cultural. O turismo de qualidade só pode existir quando os vários intervenientes locais deixarem de se olharem como inimigos e passarem a pensar como um todo transversal e representativo da região. A união dos vários intervenientes da hotelaria, restauração, das actividades de animação turística, de entidades públicas, das associações é a força da região.

Tempo

Lembro-me de há vinte anos os “carros de bois” ainda serem algo banal aqui bem perto da sede do concelho limiano. Lembra-se o leitor da última vez que viu um? A verdade é que muito mudou nos últimos anos. A agricultura já não é o que era e já não pode ser vista como “a” resposta. Até porque não existe “a” resposta… Pensar que podemos voltar ao complemento do orçamento retirado da agricultura é no mínimo uma falácia que apenas se compreende por sentimentos nostálgicos de um tempo idílico que a nossa memória construiu.

Podemos, no entanto, promover o que de melhor temos, o que de melhor produzimos e transformamos e encarar a agricultura como mais uma “indústria” complementar às outras que deveriam existir no concelho limiano.

sexta-feira, fevereiro 15, 2008

Alto Minho artigo de 15-02-2008

Insegurança

Já não se via há muito tempo uma onda de assaltos como a que, na semana passada, assolou os concelhos de Ponte de Lima e Viana do Castelo. Assaltos esporádicos, mais ou menos violentos, têm sido uma constante, mas, na mesma semana, duas ourivesarias e várias casas de comércio é novidade.

Seria fácil dizer que este é o resultado da nova configuração das forças de segurança, mas não há certezas. Há, no entanto, uma latente carência de meios materiais e de recursos humanos, pelo menos no concelho limiano. A GNR em Ponte de Lima passou a patrulhar muito mais território, freguesias de cariz urbano como Arcozelo ou Correlhã, sem um visível aumento de meios materiais ou humanos. Os presidentes da Câmara de Ponte de Lima e de Viana do Castelo têm aqui um motivo para se preocuparem. O sentimento de insegurança começa a tomar conta dos espíritos e isso não é nada bom para concelhos pacatos e serenos que vão vivendo de algum turismo.

Alta velocidade

Finalmente o presidente da Câmara de Ponte de Lima quebrou o silêncio sobre a linha de comboio de alta velocidade. Quebrou denunciando precisamente o silêncio do governo face ao traçado desta e aos seus pressupostos. Este deverá ser um assunto de convergência para as diversas sensibilidades políticas e sociais. O concelho limiano já foi esventrado por uma auto-estrada e uma via rápida. Agora está dividido em quatro. Esperemos que esta situação não venha piorar ainda mais com a construção da linha de alta velocidade para o chamado TGV. Sinceramente, não me parece que seja uma ambição dos limianos ver passar comboios. Olhem para a solução que Abel Baptista advogou numa entrevista a este jornal, que faz todo o sentido. Talvez fosse altura da Assembleia Municipal constituir um grupo de acompanhamento desta situação.

Incentivos

Em Viana do Castelo existem alguns apoios para a reconstrução de casas antigas no centro histórico. Devagar, por vezes até devagarinho, lá se vão requalificando alguns imóveis, que até vão ganhando prémios. Em Ponte de Lima, os incentivos são poucos ou inexistentes, a população vai desaparecendo do centro histórico, passando este a local privilegiado para outras actividades. Sabia o leitor que um proprietário de um imóvel no centro histórico, por exemplo na rua do Souto, que o queira recuperar fazendo um apartamento, uma loja e, por que não, um escritório terá que pagar uma pequena fortuna à Câmara Municipal relativamente a (espante-se) locais de aparcamento automóvel? É verdade, isto num local onde os automóveis não podem circular, muito menos aparcar… Poderia dar direito a, pelo menos, um lugar num dos parques “privados” que a câmara Municipal construiu, mas nem isso…

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

Alto Minho artigo de 08-02-2008

Industrialização

Na apresentação do livro “Ponte de Lima uma vila histórica do Minho” Daniel Campelo aproveitou, mais uma vez, para lançar umas farpas a quem não concorda com as políticas dele.

O livro apresentado, como aliás frisou o vereador da cultura, é um bom exemplo do testemunho que podemos deixar daquilo que somos e fomos para as gerações vindouras. Claro que, como em tudo, poderá sempre ser alvo de algumas, pontuais, correcções que não beliscam em nada o seu mérito científico ou histórico.

Aproveitar este tipo de eventos para lançar “nuvens de fumo” não será a melhor atitude, no entanto Daniel Campelo, como já havia feito na apresentação do Cartaz das Feiras Novas passadas, não resistiu. Diz Campelo que, ao contrário de outros, não pensa que o futuro de Ponte de Lima passe em exclusivo pela indústria. Que outros? Não estaremos aqui todos de acordo? No entanto, a opinião de Campelo tem outro tipo de importância, é que a responsabilidade de liderar os destinos do concelho limiano é dele e, ao que parece, este quer provar que o futuro de Ponte de Lima não passa de todo pela indústria. Ou é isso ou a sua política de captação de investimento, como se pode verificar pelas zonas industriais, é nula ou incipiente. É que sendo verdade que o futuro não passa exclusivamente pela indústria, é um facto que também não existe sem esta.

Falar hoje de industrialização não é exactamente o mesmo que no século XIX. Falar hoje de industrialização é falar de muitos sectores, sectores limpos, de tecnologia, sectores de investigação e, claro, de produção. Mas isto Campelo esconde e num evento de cariz cultural, com a apresentação de um dos bons resultados do projecto “Ponte de Lima Terra Rica da Humanidade”, preferiu tentar escamotear a sua grande falha, o grande “buraco” da sua década de governação em Ponte de Lima, a falta de indústria em Ponte de Lima. Uma situação que leva inevitavelmente à falta de emprego, que leva, por exemplo, cerca de 600 pessoas concorrerem para 6 ou 7 vagas que o já citado projecto disponibilizou, que leva a que Ponte de Lima tenha um dos mais baixos poderes de compra do país.

E qual é a resposta de Daniel Campelo perante esta situação? Numa outra situação, afirmou que as pessoas têm que se mentalizar que uma licenciatura não é significado de emprego certo. Pois isso, infelizmente, não é novidade nenhuma para as famílias que investem na educação dos seus filhos, mas sentir que um autarca, ainda para mais do CDS-PP, que se afirma o partido das empresas e empresários, não ajuda em nada para alterar essa situação já é uma triste novidade.

sexta-feira, fevereiro 01, 2008

Alto Minho artigo de 01-02-2008

Sonhos

Por vezes temos sonhos que nos orientam num determinado sentido. Fazemos tudo para que estes se tornem realidade. Por vezes até esquecemos tudo o resto pensando na “realidade” idealizada do sonho.

A freguesia de Arcozelo, em Ponte de Lima, sonhou com a elevação da freguesia a vila. Os autarcas sonharam e tudo fizeram para alcançar esse sonho. Este tornou-se um objectivo “per si”. O desejo de realização transformou-se no grande Objectivo. Pois este foi atingido e Arcozelo é uma das mais jovens vilas de Portugal.

Passados alguns anos, olha-se para trás com algum sentimento de frustração. Porquê? Porque se sente agora uma espécie de ressaca. As expectativas, o sonho, eram demasiado elevadas para a realidade do significado da nova designação.

Arcozelo continua com projectos, com planos, é verdade, mas com os parcos recursos que o estatuto de “vila” não aumentou.

Iniciativa

Numa altura de vitimização pública, realço a iniciativa do PS local ao organizar um debate sobre a educação com o respectivo Secretário de Estado. Aproveitando a sua presença em Ponte de Lima, abriu as portas do debate a toda a população limiana para, de forma directa e “civilizada”, questionar um dos responsáveis da política de educação do actual governo de Portugal. Interessante esta iniciativa que demonstra uma certa coragem e abertura.

Um bom exemplo daquilo que a oposição pode fazer. A promoção do debate, da participação dos cidadãos na definição de políticas.

É verdade que pode surtir pouco ou nenhum efeito prático mas fica sempre a ideia, a opinião dos que irão em breve referendar as opções tomadas.

Promoção

Já vai há uns anos, mas ainda me lembro de um concurso – não sei se era esta a designação certa – de música moderna de Ponte de Lima. A actuação das bandas de garagem foi no largo da Além da Ponte, em Arcozelo. Não me lembro da qualidade musical das actuações, lembro-me ligeiramente de uma música que falava de uma Lisboa, capital do império, como diz depreciativamente Manuel Fernandes, a arder, fruto talvez de inspiração clubista tão em voga na altura.

Mas o que está em causa não é a letra ou o tipo de música é a ideia de um evento que por um lado envolva os jovens num projecto, num objectivo e por outro, que promova a visibilidade de novos talentos, de novas bandas de garagem que certamente ainda existem em Ponte de Lima.