O concelho de Ponte de Lima é melhor que tudo isto, é imperativo que nos recusemos a ficar parados a vê-lo cair.
Ponte de Lima necessita de falar a uma só voz, de se erguer contra as dificuldades, como fez no passado. Ainda há cerca de 200 anos nos unimos de uma forma exemplar contra o exército todo-poderoso de Napoleão. Fizemo-lo por nos sentirmos ameaçados naquilo que mais nos une, a nossa cultura, a nossa independência, a nossa vontade e crença de que vale a pena lutar pela nossa terra, acima de tudo pela nossa comunidade, pelas pessoas que a compõe, pelos nossos valores. Não nos resignamos à sorte madrasta, às dificuldades, ao desespero, ao que parece inevitável. Há 200 anos lutamos e demos o nosso sangue, há relatos que descrevem o Lima, junto à ponte velha, como um rio de sangue. Resignar? Não. Os limianos não se resignam, lutam.
Tal como os israelitas às portas de Jericó, os limianos pensam que nada mais há a fazer, o “muro” que nos separa do futuro parece intransponível, mas, como os israelitas destruíram os poderosos muros de Jericó, unindo-se a mando de Deus, gritando a uma só voz ao som da trombeta, também os limianos ao unirem-se, ao acreditarem e falarem a uma só voz, poderão destruir os “muros” que os separam do futuro.
Mudar é necessário, como é necessário ouvir novas vozes. É preciso acreditar que é possível fazer mais e melhor e recusar a ideia de que o concelho de Ponte de Lima está fadado a viver no saudosismo de um passado que no fundo apenas existiu na cabeça de alguns.