O PSD, nos últimos anos, até tem aumentado o número de militantes, estando dividido por núcleos. Mas, apesar de mais militantes e de núcleos que já existem há mais de meia década, não consegue passar a sua mensagem, não se reflectindo esse aumento de militantes, essa criação de estruturas de base em resultados eleitorais. Bem pelo contrário, o PSD até já perdeu uma Junta de Freguesia onde existe um núcleo formal. Por que acontecerá esta situação? Será porque os militantes, na realidade, não passam de aderentes momentâneos ou porque os núcleos apenas são a expressão do controlo desses aderentes?
Após algumas hesitações, depois dos maus resultados das últimas eleições, Filipe Viana demitiu-se da presidência da secção local. Terminou Janeiro e passados três meses das autárquicas e dois da formalização pública da demissão do líder da concelhia, no momento em que escrevo, as eleições internas ainda não foram marcadas. Entretanto, o PSD local vai vegetando num limbo onde já ninguém parece motivado para nada. O mandato da demissionária Comissão Política acaba naturalmente neste início de Fevereiro e as eleições lá aparecerão, mas, entretanto, três meses já foram… Alguém quer saber? Onde andam os “militantes”? Não é intrigante verificar que à medida que o PSD ganha militantes, perde votos nas eleições?
Infelizmente, o PSD enveredou por um caminho do qual dificilmente conseguirá sair. Um caminho que, no fundo, o destina à irrelevância, um caminho onde ninguém lhe reconhece um pensamento sobre o concelho, sobre os limianos. Se o PSD quiser voltar a ser visto como um partido de alternativa, tem que primeiro reencontrar-se com o concelho, e ter um líder com uma visão abrangente que saiba transmitir as suas ideias e as do partido. Tem que voltar a ser um partido aberto à sociedade, com verdadeiros militantes vindos dos diferentes quadrantes da sociedade, trabalhadores, funcionários, profissionais liberais, médicos, pessoas com ideias do e para o concelho, sem uma visão tacanha do microcosmo da sua rua, mas vendo o concelho como um todo. Precisa de se transformar numa referência em assuntos chave, no emprego, na cultura, na acção social mesmo na educação (tema tão caro ao poder centrista). Mas para isso será necessário que sinta a necessidade de mudar, de estudar, de reflectir. Sinceramente, penso que a cada minuto que passa menor é a capacidade do PSD de Ponte de Lima conseguir reagir à morte lenta em que caiu desde os meados da década de 90 do século passado. Talvez seja um círculo que se fecha, ou que se abre…