quinta-feira, julho 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Sentimento de comunidade

Em freguesias maiores, mais urbanas, com muitos habitantes vindos de outros lados, sem raízes à freguesia é sempre mais difícil organizar eventos comunitários. Foi com grande satisfação que participei num desses eventos que deitou por terra a tese de que em Arcozelo não é possível envolver a comunidade. 
Partindo da iniciativa da comunidade, esta soube responder afirmativamente ao apelo e participou no jantar/arraial/sardinhada de angariação de fundos para a missionária comboniana, Irmã Maria do Rosário Marinho. Ela própria nascida na comunidade de Arcozelo conseguiu unir em torno de um objectivo solidário os seus conterrâneos.
Foi bom, muito bom sentir que também em Arcozelo as pessoas sabem responder ao chamamento.

Cortes

A propósito do corte de 523 mil euros das transferências do Governo para o Município de Ponte de Lima, Vitor Mendes afirmou a um jornal nacional que a área a sacrificar será a do investimento sem comparticipação comunitária. Fica assim pelo caminho, por exemplo, o polémico Centro de Congressos, que esteve projectado e depois chumbado pelas entidades competentes, para um terreno, entretanto adquirido, na freguesia de Arcozelo, bem como o Centro de Documentação e Informação. Diz Vitor Mendes e com toda a razão que prefere "dar benefícios fiscais a inaugurar um centro de congressos para ficar lá o meu nome para os meus netos verem". Em todo o caso, é preciso ver que existem necessidades e necessidades, não esquecendo que existem outros projectos incompreensíveis que a Câmara têm em mãos.

Férias

Finalmente começa o tempo de férias. Em meados do século passado, o destino deste tempo de descanso era para muitos limianos Vila Praia de Âncora. Ainda cheguei a viver, já no seu ocaso, é certo, esse tempo onde as barraquinhas de praia eram ocupadas por várias famílias limianas. 
Vila Praia de Âncora mudou muito durante as décadas de 80 e especialmente de 90, perdeu muito do seu encanto, no entanto, e especialmente agora que é alvo de outra atenção, ainda desperta em muitos limianos alguma nostalgia nem que não seja ao recordar a velha praia de infância algures num areal algarvio ou caribenho.

quinta-feira, julho 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Exemplos na política

Há dias ouvi numa discussão afirmarem que em política há heróis. Não sei se existem, penso mesmo que não, agora que existem bons exemplos, lá isso existem. Desde que me conheço, por influência, não imposta, mas, lá está, pelo exemplo do meu pai, sempre gostei da discussão política e acima de tudo da forma de como esta pode influenciar a vida da nossa comunidade. Porque fui de um modo ou de outro acompanhando esse mundo, tive o privilégio de contactar algumas pessoas que fui considerando exemplo de participação política. Poderia enumerar, felizmente, muitas pessoas que me foram influenciando, mas ficar-me-ei, hoje, por um dos nomes que me tocou, mas que se encontra afastado da vida política há algum tempo. Falo do Sr. Francisco Abreu Lima.
Foi Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, influenciou fortemente a nossa comunidade, teve de uma forma ou de outra uma visão lúcida do caminho que era necessário que Ponte de Lima seguisse. Numa altura em que ainda pouco ou nada se falava de fundos comunitários, conseguiu transformar o nosso concelho, dando as bases para os “fantásticos” anos iniciais de Daniel Campelo. Mas quando falo do seu exemplo, tenho na memória casos concretos. Todos nós hoje temos como algo incontestável a ponte medieval ser pedonal, um local privilegiado, uma varanda para a vila de Ponte de Lima, um altar da ribeira lima que não poderia estar conspurcado pelos automóveis. Mas, se recuarmos uns anos, verificamos que foi precisamente por transformar a ponte medieval numa ponte pedonal que Francisco Abreu Lima perdeu a sua reeleição. Ele até poderia ter adiado as obras para outra data, ou ser omisso quanto ao resultado final, mas preferiu a verdade, preferiu defender o que acreditava mesmo sabendo que com isso o resultado seria muito certamente o que se viria a se confirmar.
Será um herói da política? O que é um herói se não alguém que faz o que deve fazer em cada momento? Um exemplo isso sim, um exemplo que deveria estar na cabeça de todos os que detêm um cargo público.

terça-feira, junho 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Presta contas da tua administração…” Lucas 16:2

Praias fluviais

Presente na listagem de praias que apresentaram má qualidade e/ou estiveram interditas em 2009 e que já não serão consideradas zonas balneares em 2010 estão a do Arnado e a de D. Ana. Finalmente, a Câmara Municipal pode respirar de alívio, pois, pela primeira vez em anos, as praias de Ponte de Lima não vão ser notícia por estarem constantemente interditas. Respirar pode, mas não muito. A burocracia pode ter apagado os holofotes, mas o problema persiste. Sabendo que ainda há uma década o município desfraldava a bandeira azul, a verdade é que as praias fluviais limianas deixaram de ter qualidade e o município assistiu impávido e sereno à sua degradação. Vítor Mendes, enquanto vereador responsável pelo ambiente, foi prometendo fiscalização e estudos sobre o problema, a verdade é que nunca foi tornado público qualquer resultado dessa fiscalização nem tão pouco o que saiu do dito estudo. De realçar que actualmente quem desrespeitar a interdição de uma praia incorre em coimas até 550 euros.

Inevitavelmente

É o tema que mais se comenta aqui por Ponte de Lima, as obras no areal. É unânime a opinião dos limianos, a obra que estava a ser feita no areal é uma aberração sendo o ponto alto da dita, o murete por debaixo da ponte medieval. Os partidos políticos, com a excepção do CDS, claro está, foram unânimes na crítica e no pedir de responsabilidades. Mas a verdade é que já começa a ser habito, parece mesmo existir um padrão, nestas intervenções junto da margem do rio Lima. Foram e ainda são as obras no bar do Arnado, embargadas por falta de pareceres e actualmente ao abandono, é agora o murete e as obras no S. João.
Obras que fazem tábua rasa dos pareceres das entidades competentes que vão custando milhares de euros ao erário público pelo seu arrastar devido ao incumprimento da lei. Com tantos anos no poder, o CDS tinha a obrigação de fazer melhor.


Descida do rio

Nem de propósito, participei na VI descida do rio Lima. Uma boa organização tripartida entre a Câmara Municipal, o Clube Náutico (fantástica organização no terreno) e o Agrupamento de Escolas de Arcozelo. É uma experiência que aconselho a todos. Realmente, o rio Lima bem aproveitado é certamente uma fonte de receita, um pólo de atracção para o nosso concelho. Pena é termos exemplos como os anteriores.

terça-feira, junho 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Exemplos do velho leste

Após 1989, os povos do leste da Europa foram descobrindo a iniciativa privada. Começaram a ver que o Estado não tem que ser, nem deve ser, aglutinador de todas as actividades económicas, mas antes deverá promover e proporcionar condições para que a iniciativa privada floresça e crie riqueza na comunidade em que está inserida.

Em Ponte de Lima, 20 anos depois e já bem longe dos tempos do PREC, o Estado, através do dito poder de proximidade, a autarquia, vai tendo quase, sem se dar por ele, uma participação quase monopolista em vários sectores. Não se pense que é algo de pouca monta, não, é algo que está a tomar uma proporção que poderá causar danos bastante graves num futuro bem próximo.

Tomemos por exemplo um dos sectores ditos estratégicos para o concelho, o Turismo. Quantos investiram na recuperação de espaços rurais, transformando-os em pequenas unidades hoteleira criadas para satisfazer o que se dizia, e bem, ser uma falha que limitava o desenvolvimento turístico do concelho limiano, a falta de camas para alojamento de qualidade. Actualmente, qual deve ser a perplexidade destes pequenos investidores ao verem que a Câmara Municipal, num género de “SGPS”, está a apostar fortemente no turismo não para dinamizar o sector mas como investidor e agente económico através da construção de hotéis, pousadas, e até da recuperação de casas para turismo rural, praticando preços que dificilmente algum privado poderá acompanhar.

O que ganha Ponte de Lima com isto? Muito pouco. Dir-me-ão que será uma boa forma do Município criar receita. Pelos preços praticados e tendo em conta os custos de construção e de manutenção, associados aos valores da promoção, duvido muito que o projecto seja economicamente viável. Já para não falar dos custos fixos, que a Câmara Municipal parece não se preocupar em aumentar de ano para ano. Será que não é claro que os dias de vacas gordas são coisa do passado?

Ponte de Lima é verdadeiramente um caso de estudo para a ciência política. O seu governo é de direita mas governa qual esquerda radical nos tempos de PREC, seguindo à escala o “brilhante” exemplo económico do velho leste europeu ocupando o espaço que seria naturalmente dos privados.

Com este tipo de política económica só falta saber quem estará disposto a ser um género de Gorbachev limiano…

sábado, maio 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Igreja de Santo António da Torre velha

O leitor quando fala com alguém de fora de Ponte de Lima, mas que já tenha passado por cá, inevitavelmente fará referência à ponte e à igreja. Falo da velha ponte medieval e da igreja de Santo António da Torre velha que são, sem sombras de dúvida, a imagem de marca de Ponte de Lima.
Numa das últimas reuniões da Assembleia Municipal, a CDU questionou o executivo municipal acerca da colaboração com a Irmandade de Santo António, a proprietária da referida igreja, de forma a recupera-la quer com algum tipo de apoio financeiro, quer com o possível apoio técnico, e até vir a obter algum tipo de apoio governamental. A resposta da autarquia foi inesperada, a Igreja de Santo António não é prioritária para o Município pelo que neste momento não será alvo de qualquer apoio.
Esta é uma atitude inexplicável que se espera que não seja um género de retaliação pelo que se tem passado no campo do Arnado. Não acredito que o seja, até pelas pessoas envolvidas, mas que não fica bem e é uma atitude incompreensível, lá isso é. Então um dos patrimónios mais fotografados de Ponte de Lima, um ex-libris do concelho, não é prioritário, será melhor para a nossa imagem a sua ruína?

Obras

Depois das intervenções no centro histórico, no passeio 25 de Abril, frente ao rio, e, ultimamente, na avenida de S. João, que parece estar à espera da festa para a inauguração, o passeio 25 de Abril voltará a entrar em obras, para aumentar o espaço pedonal e a velhinha avenida, conhecida pelos seus plátanos, irá sofrer também obras de requalificação.
Não, não vou dizer “mal” das obras, apenas vou fazer notar a inconstância com que se vão fazendo, aparentemente conforme os ventos. Hoje aqui, amanhã acolá, não parecendo existir um plano conciso e coerente que planifique o centro histórico como um todo. Mas se este existe, por que não dá-lo a conhecer, de uma vez por todas, aos limianos? Qual a justificação para este esquema de, digamos, prestações?

Qual é o critério?

“Quem não se sente, não é filho de boa gente”. Não poderia deixar de referir algo que me fez pensar no significado das palavras intolerância e ostracismo. Ao visionar alguns cartazes e programas de eventos a realizar em Ponte de Lima, deparei-me com uma designação interessante, “media partners”. Ao ler mais atentamente, dei-me conta que todos os órgãos de comunicação social limianos estão lá presentes. Bem, todos não, este vosso jornal não está na lista. O Povo do Lima, que se orgulha de tratar apenas das notícias de Ponte de Lima, não foi convidado, tendo sido o único que ficou de fora. Por que será?

sábado, maio 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Exemplo

Exemplos durante a vida vamos tendo muitos, mas já são menos aqueles que realmente nos tocam ao ponto de influenciar a nossa conduta. No passado domingo, celebrou-se o dia do Bom Pastor e, nesta altura, não poderia deixar de lembrar aquele que tem sido o bom pastor do “rebanho” a que pertenço, a paróquia de Santa Marinha de Arcozelo. O Padre Manuel Miranda é um exemplo de dedicação às suas “ovelhas”, um exemplo de abdicação e de rectidão. Por vezes incompreendido, mal que os Homens rectos vão acumulando na vida, foi conseguindo, no entanto, pelo seu esforço e pelo seu exemplo marcar a vida de muitos dos seus paroquianos que, quando pensam na figura do sacerdote, lembram-se logo do seu exemplo.

Por sorte, tenho conhecido muitos sacerdotes ao longo da minha vida e na sua grande maioria seguem, cada um à sua maneira, como seria de esperar, as pisadas que o “meu” padre escolheu para si. O desapego, a caridade, a rectidão, a busca da salvação para as suas “ovelhas”. Numa altura em que a Igreja é constantemente atacada, em especial os seus sacerdotes, não poderia deixar de agradecer este exemplo vivo que felizmente vejo reflectido noutros e que, certamente, serão a continuidade do que verdadeiramente é ser sacerdote no mundo de hoje.

O Grande Irmão

Os senhores deputados municipal decidiram ontem se iremos ter ou não videovigilância no centro histórico. Claro que essa decisão, no caso de ter sido positiva, estará sempre sujeita à aprovação da Comissão Nacional de Protecção de Dados. É de realçar que a videovigilância não resolve em nada a criminalidade, apenas produz um falso sentimento de segurança. Será que alguém pensa que quem queira assaltar uma loja, vandalizar o património edificado, ou outro qualquer tipo de crime, não o faz por causa das câmaras de filmar? As entidades consultadas pela Câmara Municipal foram dando algumas justificações para a aplicação das mesmas, dois exemplos, o Gabinete Terra, ligado à própria Câmara Municipal, dá a entender que a necessidade advém da progressiva desertificação do centro histórico e consequente degradação do mesmo. Concordando com o cenário descrito, não seria melhor promover o “repovoamento”, promover a vida do centro histórico? A PSP, por seu lado, afirma que não existe historial de grande criminalidade e que as estatísticas até demonstram que o centro histórico de Ponte de Lima, no que concerne à criminalidade, até está abaixo da média, mas, como forma de acautelar, defende que se liguem as câmaras de filmar. Pergunto, não seria melhor dar mais meios humanos e materiais à PSP a começar pelos veículos automóveis ao seu serviço? Esses sim, capazes de actuar rapidamente e de efectivamente dissuadirem a criminalidade.

Parece existir um género de fetiche pelo espaço público do centro histórico, por um lado “obriga-se” os seus habitantes a ouvir vezes sem conta “música de elevador”, agora a terem cuidado com as suas janelas, com quem recebem em casa, como estacionam... É que esta é, quer queiram quer não, a outra face da moeda e talvez a única. A nossa liberdade passa a ser mais limitada, e a verdade é que quase todas as ditaduras começaram por assentar numa promessa de maior segurança, sempre em troca da perda de alguma liberdade.

quinta-feira, abril 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Repovoamento

Foi com satisfação que ouvi a intenção da Câmara Municipal de Ponte de Lima em investir na recuperação de imóveis na zona histórica para posteriormente os disponibilizar para habitação de jovens, promovendo, desta forma, o povoamento do centro histórico. Fiquei contente porque já havia escrito, faz muito tempo, isso mesmo, provocando algumas críticas na área do “governo” que agora vem confirmar que até é uma boa ideia, e depois porque finalmente a Câmara assume que o centro histórico não pode sobreviver sem a componente básica que é gente a viver lá e que Ponte de Lima, aliás como muitas outras terras, enfrenta um problema de desertificação do centro histórico.

Jovens e política

A participação dos jovens na vida pública, na política é algo que deve ser acarinhado e promovido. Não com o interesse de vir a construir aliados em potência mas para “construir” cidadãos conscientes, participativos, activos na persecução do melhor para a sua comunidade. É por isso que vale a pena ler a entrevista de Francisco Baptista neste jornal. Este é o novo líder da Juventude Popular que talvez por ser a juventude do partido no poder em Ponte de Lima tem primado pela fraca intervenção pública. O inicio de algo transporta sempre perspectivas que poderão ou não ser alcançadas, mas que provocam sempre curiosidade.

Desaparecido?

Já passaram vários meses sobre o dia das eleições autárquicas e ainda ninguém ouviu o PS. Para onde ele foi? O PS nem teve um mau resultado, embora tenha perdido a representação no executivo municipal manteve, basicamente, o seu eleitorado. Aliás, este é dos poucos partidos, em Ponte de Lima, que para o bem e para o mal tem mantido o seu eleitorado sem grandes oscilações. É por isso que não se percebe a sua errática actuação na Assembleia Municipal onde, por exemplo, deixou escapar a possibilidade de ter um representante na CIM.
Poderá estar ainda a lamber as feridas, mas, sinceramente, já se sente a falta democrática da actuação de um partido que, nos últimos anos, tinha tido a capacidade de intervir de forma activa na vida pública limiana.

quinta-feira, abril 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Políticas Municipais

Li na nota de imprensa sobre o livro O Perfil Artístico das Confrarias em Ponte de Lima na Época Moderna a seguinte frase "Na prossecução da sua política editorial (...) o Município de Ponte de Lima (...)". Se o Município leva a cabo uma política editorial não deveria ser esta pública?
Este é só  um exemplo mas revela o cerne da questão que é a transparência da própria administração. Transparência que até está a dar os primeiros e firmes passos mas que deveria ir além das comuns notícias sobre uma actividade qualquer, não as menosprezando, claro está, abrangendo também questões que são prioritárias. A verdade é que, pegando no exemplo anterior, se alguém quisesse saber qual é a política editorial do Município deveria poder consultar a dita em algum sítio e o ideal seria na página Web, realidade que neste momento não existe.  

Segurança 

O medo serve para justificar muitos erros, nomeadamente no que diz respeito às liberdades pessoais de cada um de nós. O medo diz-nos que a vigilância apertada, o controlo de câmaras espalhadas pelo espaço publico, nos garante maior segurança, mas, a verdade, é que todas as estatísticas de cidades onde se apostou fortemente neste método de vigilância contradizem esse “senso comum”.
Ponte de Lima foi pioneira a aderir a uns novos candeeiros que, para a além de música ambiente, estão preparados para a vigilância electrónica. O Largo de Camões, o Passeio 25 de Abril são alguns locais onde se encontram esses candeeiros. Já um presidente norte-americano dizia que uma sociedade que, com medo de perder a segurança, está disposta a ceder na liberdade dos seus cidadãos não merece nenhuma das duas. 

Páscoa 

Logo pela manhã, ecoam os foguetes, o cheiro a flores corre pelo ar, os sinos dos compassos fazem-se ouvir pelos caminhos e a azáfama dentro e fora das casas é uma constante. Todos esperam a visita do compasso, a visita de Jesus, da sua bênção às suas casas. É também tempo de meditação de alegria depois das agruras da Quaresma. Tempo de balanço, tempo de propósitos de mudança.

segunda-feira, março 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Nova era

Vitor Mendes tem recusado, em várias entrevistas, fazer qualquer tipo de comparações com o anterior presidente da Câmara alegando diferenças de estilo, de personalidade. Mas é precisamente aí que se encontra o que parece ser uma nova forma de estar do poder autárquico limiano.

Bem sei que ainda é cedo, que os velhos e intrincados “procedimentos” já levam muitos anos no terreno e não acabam de um mês para o outro, mas que já se nota uma diferença e pela positiva, lá isso nota. O último sinal dessa diferença foi a aprovação na última Assembleia Municipal da proposta do PSD "Um Rio Próximo das Pessoas". Mas existem mais exemplos como o dos conteúdos divulgados na página Web do Município com a utilização das ferramentas sociais que permitem o envio de informação pertinente aos munícipes e que se espera que rapidamente tenha dois sentidos, município – munícipes e munícipes – município. Já agora, porque não a transmissão online das reuniões públicas da Câmara Municipal e as da Assembleia Municipal?

O caminho ainda é longo, muitas são ainda as vozes que duvidam da verdadeira influência do vice-presidente, mas os sinais que chegam, para já, são mais positivos que negativos.

Recusar cair

Numa cena de um dos meus filmes favoritos “Wall Street – Money Never Sleeps” a determinada altura, é dita a seguinte frase “a maior grandeza de um homem é chegar ao abismo, olhar para ele e ter a capacidade de recusar cair afastando-se do mesmo”.

Gaspar Castro foi o último candidato do PSD a conseguir permanecer na casa dos 30%, alcançando 37,74% contra os 45.71% do CDS, isto em 1993.

Desde esse ano, novos protagonistas entraram paulatinamente em cena, Manuel Trigueiro, Pedro Ligeiro e finalmente Filipe Viana. Mas estes não conseguiram introduzir uma dinâmica de vitória, de alternativa ao poder centrista, bem pelo contrário, o PSD desde 1993, entrou numa espiral de perda constante de eleitorado, passando para a casa dos 23,99 % com Francisco Abreu Lima, em 1997; 23,62%, em 2001, com João Mota; 21,13%, com Manuel Trigueiro, em 2005 e finalmente, com Filipe Viana, em 2009, 20,25%.

segunda-feira, março 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

"Grita em voz alta, sem te cansares. Levanta a tua voz como uma trombeta." Livro de Isaías 58,1

Escrevo este artigo antes da reunião da Assembleia Municipal. Pelo histórico da mesma não espero que esta tenha descortinado a resposta à questão aqui colocada no último artigo, Qual a justificação lógica para a Câmara Municipal optar por um terreno embargado em detrimento de outro sem entraves para a construção do Centro Escolar de Ponte de Lima? Aliás, o ponto da ordem de trabalhos onde se podia ler “Discussão e aprovação do Projecto de Localização do Centro Educativo de Ponte de Lima e Parque Urbano/Área de Lazer com vista à obtenção de Declaração de Interesse Público” deve ter sido aprovado por maioria sem grande discussão.
Mesmo com a hipotética aprovação pela Assembleia Municipal, este é um assunto que não pode morrer aqui. Pelo menos assim seria normal. É dever dos cidadãos perguntar o porquê, caberá à comunicação social perscrutar o porquê…

Nada se perde tudo se transforma

Ao longo da nossa vida vamos tendo certezas/atitudes que com o passar do tempo se vão desvanecendo. Vamos tendo influências que por vezes só a assumimos com a distância dos anos. A nossa vida, se fosse estanque, previsível, não teria sal, não seria, no fundo, vida. As mudanças têm que ser encaradas como desafios, como oportunidades de melhorar. Quando nos deparamos com o desmoronamento de algo que pensávamos sólido, pelo qual lutávamos de olhos fechados, poderemos até lutar para inverter tal situação, mas é necessário saber se o esforço despendido apenas resultará no adiamento do fim inevitável. Se assim for, será preferível enfrentar a mudança com a perspectiva já anteriormente explanada, como uma oportunidade que por vezes nos abre a visão a uma luz que antes nos estava vedada.

Desagrado por descarada omissão

A Câmara Municipal de Ponte de Lima tem toda a razão em manifestar "total desagrado" por uma publicação “patrocinada” pelo Eixo Atlântico, "O Caminho que conduz a mais destinos", não traçar nas palavras da Câmara Municipal “a realidade dos Caminhos de Peregrinação em território português e é mesmo enganador para os Peregrinos, atendendo que não refere o principal e mais central itinerário de peregrinação, conhecido mundialmente por Caminho Central, que corresponde ao eixo Porto - Vilarinho - S. Pedro de Rates - Barcelos - Ponte de Lima - Rubiães (Paredes de Coura) - Valença do Minho."
Uma atitude como esta leva a questionar a verdadeira finalidade do Eixo Atlântico, será que os interesses dos seus associados se sobrepõem a tudo, inclusive à realidade?
O alerta saiu no editorial da revista Limiana, pela mão de José Pereira Fernandes, e teve eco no Cardeal Saraiva em artigo de António Mário Leitão, e com toda a autoridade deverá produzir idêntica manifestação de desagrado à Câmara Municipal bem como à Assembleia Municipal, falo da omissão de António Feijó na Antologia da Poesia Portuguesa do Séc. XIII ao Séc. XXI publicada no passado mês de Dezembro pela Porto Editora, e que é, de facto, uma omissão inqualificável e intolerável.

segunda-feira, fevereiro 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Localização do Centro Educativo de Ponte de Lima

Durante a última campanha eleitoral foi-se sabendo que a Câmara Municipal tinha planeado o Centro Educativo de Ponte de Lima para um terreno perto do Campo do Cruzeiro, o campo de futebol do Limianos, salvo erro, numa propriedade pertencente à Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Ponte de Lima. Na reunião de 8 de Fevereiro, questionado pelo vereador da oposição, Filipe Viana, o Presidente da Câmara de Ponte de Lima, Vitor Mendes, afirmou que a construção não será nesse terreno mas noutro que se encontra embargado pelo Supremo Tribunal de Justiça em virtude de um ilegal corte de sobreiros. Com esse embargo o terreno está impossibilitado para a construção durante 25 anos.
Sendo que nem um terreno nem outro pertencem à Câmara Municipal, torna-se imprescindível que se torne público, sim os limianos têm o direito de saber, a razão da opção por um terreno embargado em detrimento de outro sem entraves. Existe alguma justificação lógica?

Escolas – albergues

Através do projecto "Casas de Abrigo - Terapias da Natureza" a Câmara Municipal de Ponte de Lima aposta na recuperação e adaptação de escolas primárias que se encontram desactivadas, reformulando-as e transformando-as em locais de turismo da natureza.
Este projecto só peca por não promover a iniciativa privada. Por que não entregar os albergues à gestão privada, possibilitando a concessão da exploração a quem quiser investir e explorar este tipo de produto? Claro que muitos dirão que é um projecto que dá lucro e que até já rendeu aos cofres da Câmara de Ponte de Lima cerca de 130 mil euros. É verdade, mas não vejo a Câmara Municipal como mais um agente económico. A Câmara Municipal deverá ser parceira dos agentes económicos, não concorrente, cabendo a esta promover o investimento e fixação dos mesmos no concelho. E que melhor forma, neste caso, de promover o investimento privado do que a concessão da exploração para que estes assegurem mais postos de trabalho em zonas onde o emprego normalmente é escasso?!
Não seguindo esse caminho e tendo em conta que as escolas foram construídas para prestar um serviço às populações de uma determinada junta de freguesia, é de total justiça que, no mínimo, o “lucro”, ou uma boa parte dele, das novas “funções” reverta para as populações desse espaço físico, ou seja, para as juntas de Freguesia que deveriam ser chamadas para participarem na sua gestão.

Nota de rodapé

Nestes tempos de abusos do poder, em que a qualidade da democracia está em causa, ninguém pode ficar indiferente. É inacreditável o que se passa e a saída só é uma. É bom de ver que José Sócrates deixou de ter condições para ser Primeiro-Ministro.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

O PSD, por todos os que lhe deram parte da sua vida ao longo das últimas 3 décadas no intuito de construir um partido sólido, com uma base de apoio que perpassasse todo o concelho, merece mais, muito mais. Aliás, Ponte de Lima merece mais. Só com um PSD forte, sem receio de fazer uma oposição firme e construtiva, com um projecto sólido e bem definido, com uma liderança virada para a sociedade e não para o seu umbigo, poderá reagir a esta letargia a que tem sido votada nos últimos anos.

Escrevi as linhas anteriores no final de 2005, no jornal Alto Minho. Infelizmente, muito pouco mudou no PSD local. De lá até agora o CDS reforçou a sua maioria absoluta e o PSD perdeu ainda mais eleitores e eleitos na Assembleia Municipal.

O PSD, nos últimos anos, até tem aumentado o número de militantes, estando dividido por núcleos. Mas, apesar de mais militantes e de núcleos que já existem há mais de meia década, não consegue passar a sua mensagem, não se reflectindo esse aumento de militantes, essa criação de estruturas de base em resultados eleitorais. Bem pelo contrário, o PSD até já perdeu uma Junta de Freguesia onde existe um núcleo formal. Por que acontecerá esta situação? Será porque os militantes, na realidade, não passam de aderentes momentâneos ou porque os núcleos apenas são a expressão do controlo desses aderentes?

Após algumas hesitações, depois dos maus resultados das últimas eleições, Filipe Viana demitiu-se da presidência da secção local. Terminou Janeiro e passados três meses das autárquicas e dois da formalização pública da demissão do líder da concelhia, no momento em que escrevo, as eleições internas ainda não foram marcadas. Entretanto, o PSD local vai vegetando num limbo onde já ninguém parece motivado para nada. O mandato da demissionária Comissão Política acaba naturalmente neste início de Fevereiro e as eleições lá aparecerão, mas, entretanto, três meses já foram… Alguém quer saber? Onde andam os “militantes”? Não é intrigante verificar que à medida que o PSD ganha militantes, perde votos nas eleições?

Infelizmente, o PSD enveredou por um caminho do qual dificilmente conseguirá sair. Um caminho que, no fundo, o destina à irrelevância, um caminho onde ninguém lhe reconhece um pensamento sobre o concelho, sobre os limianos. Se o PSD quiser voltar a ser visto como um partido de alternativa, tem que primeiro reencontrar-se com o concelho, e ter um líder com uma visão abrangente que saiba transmitir as suas ideias e as do partido. Tem que voltar a ser um partido aberto à sociedade, com verdadeiros militantes vindos dos diferentes quadrantes da sociedade, trabalhadores, funcionários, profissionais liberais, médicos, pessoas com ideias do e para o concelho, sem uma visão tacanha do microcosmo da sua rua, mas vendo o concelho como um todo. Precisa de se transformar numa referência em assuntos chave, no emprego, na cultura, na acção social mesmo na educação (tema tão caro ao poder centrista). Mas para isso será necessário que sinta a necessidade de mudar, de estudar, de reflectir. Sinceramente, penso que a cada minuto que passa menor é a capacidade do PSD de Ponte de Lima conseguir reagir à morte lenta em que caiu desde os meados da década de 90 do século passado. Talvez seja um círculo que se fecha, ou que se abre…

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

A Zona viva

Noite húmida, chuveiros persistentemente fortes, frio penetrante, mas ruas cheias de calor humano, de pessoas divertidas a dar as boas vindas aos primeiros minutos de 2010. Uma das zonas mais típicas de Ponte de Lima, a das Pereiras, encheu-se de jovens e menos jovens que, sem receios, se divertiram na primeira das noites do ano.
O bairro das Pereiras, a dita zona da “rampinha” (nome retirado de um dos mais antigos bares da zona), é de facto uma referência na noite limiana. Claro que essa realidade se vai construindo à medida que a zona histórica se vai desertificando. São cada vez menos as pessoas que vivem no centro histórico, aliás, a própria proliferação de bares é incompatível com a ocupação habitacional a começar pelo ruído produzido pela actividade dos primeiros.
Devemos, no entanto, ter uma perspectiva global. Se a Câmara Municipal traçar um plano global para o centro histórico, onde se tente dividir por, digamos, sectores, talvez se consiga inflectir o abandono a que este está cada vez mais sujeito. Claro que isso não significaria que se voltasse ao bairro dos tecelões ou da judiaria, ou dos ourives, mas cada bairro poderia ser reactivado com a preponderância de um sector. Este plano deveria ter em conta as realidades particulares, e deveria ser mais no género de incentivo do que de imposição.
A aposta na revitalização, no restauro e na criação de habitação para os jovens e para os jovens casais essa, sim, deve ser uma das prioridades. A Câmara Municipal deveria ter no seu interior um gabinete de apoio a quem quisesse enveredar por um projecto que levasse à revitalização e à ocupação habitacional e não só comercial do centro histórico. Se não tem meios para criar um programa de incentivos, já seria uma grande ajuda se esse gabinete servisse como um género de “interface” entre proprietários e programas estatais, ou mesmo privados, possibilitando, por exemplo, o acesso a financiamento a custo zero ou controlado.
A polis existe enquanto centro, enquanto pólo de atracção de pessoas, se esses factores identificativos desaparecerem, a polis desaparece e passa a ser apenas um amontoado de pedras sem vida, sem grande sentido. É, de facto, um caminho longo, mas que deve ser percorrido com persistência.

Por mim, não!

Foi sem surpresa que assistimos ao desfecho da discussão do casamento homossexual. Os partidos de esquerda aprovaram-no, fazendo orelhas moucas a mais de 90 mil assinaturas que pediam um referendo. É por isso que defendo que o Estado deve interferir o menos possível na vida privada das pessoas, legislando o menos possível nestas matérias.
Quando votei nos deputados que me iriam representar, não votei para que decidissem por mim questões que dizem respeito à consciência. É lamentável que nenhum dos senhores deputados eleitos por nós se tenha dignado a fazer tão só um único encontro com os eleitores do distrito para sentirem a posição daqueles que lhes deram o mandato. Não posso deixar de realçar pela negativa a posição de Eduardo Martins, eleito nas listas do PSD, bem como da totalidade dos deputados do PS. O primeiro por votar contra a maioria do pensamento dos seus eleitores, votando favoravelmente as propostas mais radicais, os segundos por se sujeitarem à disciplina de voto imposta pelo seu partido quando se deveriam apenas sujeitar aos seus eleitores.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Cabe a cada um de nós…

A participação cívica deveria fazer parte da nossa vida como algo normal, como algo endémico no nosso relacionamento em comunidade. Deveríamos ter consciência que da nossa participação resulta a construção da comunidade em que vivemos. Quando encontro exemplos dessa participação onde menos espero, exemplo de pessoas que lutaram por algo sem esperarem reconhecimento, mas apenas por acharem que era esse o seu dever para com a sua comunidade, sinto uma dívida que penso ser colectiva, é algo que sinceramente me impressiona. O normal seria o queixume de café, o queixume inconsequente, mas ver exemplos de pessoas que levam o seu queixume, a sua irreverência ao ponto de influenciar o poder político é algo que deveria ser louvado pela comunidade, algo que deveria ser apontado como exemplo a seguir e não apontado como algo “herético”...
Neste contexto, é difícil perceber as razões que levaram a quem foi eleito por uma comunidade, por um círculo eleitoral, a esquecer o vínculo “sagrado” com quem o elegeu. Por exemplo, alguém saberá nesta altura o que pensam os nossos representantes na Assembleia da República sobre o dito casamento gay? Penso que ninguém, o que no mínimo é lamentável. Neste aspecto não existe, nem aparentemente é promovida, uma ligação entre eleitos e eleitores. Mas poderemos apontar culpados? Claro. Comecemos por nos apontar a nós próprios que preferimos ser pouco exigentes primeiro na escolha e depois no que concerne ao desempenho das funções…
Sendo eles um dos pilares fundamentais de uma democracia, quem se preocupa desde logo com a organização dos partidos, com seu funcionamento? Porque achará quase toda a gente normal que, por exemplo, se marquem eleições internas para datas estapafúrdias de forma a bloquear, deste modo, alternativas ao actual poder? Quem se preocupa que dentro dos partidos, em ditas estruturas juvenis, se ande a “ensinar” aos jovens que na política só vale o poder pelo poder…? Ou que a dita estrutura, que teoricamente serve para os jovens terem uma palavra activa na “polis”, se limite ao silêncio ou à bajulação pública?
Claro que nesta altura muitos dos leitores me dirão que este será o preço de uma democracia estabelecida e estabilizada. Talvez, mas, certamente que o afastamento e a desilusão em relação à política serão campo fértil para todos os que querem ver essa democracia como algo descartável.

Início de novo ano

Não poderia deixar de desejar a todos um óptimo ano novo. Que em 2010 abracemos os novos desafios com vontade, com coragem na certeza que se envolvermos e unirmos a comunidade, os desafios que aí vêm serão mais facilmente enfrentados, mais facilmente encarados.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

O Povo do Lima - artigo de 14 de Dezembro

Que heróis?

Numa das minhas actividades com os jovens discutiam-se os “heróis”, os que de alguma forma se destacaram pela sua actividade na sociedade. No debate, desafiaram-me para referir um “herói” que eu tivesse conhecido e, porque há pouco tempo tinha falecido, lembrei-me do monsieur Barthez, um simpático “avô” francês que eu havia conhecido e que tinha pertencido, na sua juventude, à resistência francesa, durante a segunda guerra mundial. Uma pessoa normal, que passava despercebida no meio de todas as outras, mas que em determinada altura da sua vida tinha colocado à disposição de todos o seu maior bem, para defesa da liberdade, a defesa do seu país. Os meus jovens interlocutores logo me advertiram que esse senhor não valia, porque não era conhecido. Era verdade, e, como eram jovens ligados à Igreja, lembrei-me dos Cardeais portugueses nomeadamente do Cardeal Saraiva Martins que disponibilizou a sua casa para que pudéssemos assistir de forma privilegiada à entronização do Papa Bento XVI, “Mas membros da Igreja não contam...” logo afirmaram os meus jovens interlocutores. Resolvi falar então do meu tema preferido, a política, e atirei o nome de Durão Barroso, o presidente da Comissão Europeia, para cima da mesa. Todos o conheciam, mas como se tratava de um político não consideravam que pudesse entrar na “categoria” em discussão. Pensei que com o cinema iria finalmente dar um bom exemplo e falei-lhes da vez em que me cruzei com o actor italiano Roberto Benini numa rua escura de Roma. “Esse não é daquele do filme cinema qualquer coisa…?” “Não” respondeu outro “É do filme a Vida é Bela” arrematando “ É uma seca…” Interrompi-o, tentando lembrar a história do filme e as lições de vida que se poderiam retirar de lá, mas, uma vez mais, de nada valeu. Pensei “É o futebol que vai salvar a situação… “. Recordei a emoção de conhecer o meu velho ídolo de infância, o eterno bota de ouro, Fernando Gomes. “Quem?” perguntaram logo. “Onde joga?” Confesso que ainda tentei explicar que já não jogava há anos, mas depressa desisti. Resolvi então pergunta-lhes quem é que afinal poderia entrar na categoria de “herói”. Alguém que fosse conhecido, alguém como um André qualquer coisa ou Joana não sei o quê que todos os dias entram em dose dupla nas suas casa numa série juvenil qualquer… Actores consagrados pela moderna visibilidade televisiva muito mais importantes que alguém que se distinguiu no seu “mester”

Valores

“Mês do Natal e da família. Mês das prendas e do Pai Natal (antes era a chegada do menino Jesus)”. Não sei a intenção por trás deste texto que aparece na agenda cultural da Câmara Municipal de Ponte de Lima dedicada ao mês de Dezembro, mas parece-me que espelhar o Natal em prendas e Pai Natal é no mínimo redutor. Não será esta uma visão deturpada de uma época em que os cristãos celebram a “vinda” de Jesus, e os não cristãos, até porque vivemos numa sociedade com base nos valores cristãos, celebram os valores (paz, harmonia, solidariedade, dadiva…) que esta personagem histórica incutiu na humanidade?

terça-feira, dezembro 01, 2009

O Povo do Lima - artigo de 1 de Dezembro

A polémica do ano

Em meados deste ano instalou-se a polémica sobre a construção do novo bar no campo do Arnado, na freguesia de Arcozelo. Depois de muita tinta, de ameaças, embargos e muito diz-que-disse, a obra continua parada. A verdade é que é uma obra polémica, desde logo pela sua localização, bem perto de um cruzeiro e em cima de árvores antigas, pelos materiais utilizados, a madeira do edifício lá existente deu lugar ao aço e betão, e também por uma ressurgida luta pela posse do terreno onde o edifício está a ser construído entre a Câmara Municipal e a Irmandade de Santo António da Torre Velha.
As queixas sucederam-se, a população dividiu-se, o antigo presidente da Câmara chegou a dar o caso por resolvido com umas alterações de pormenor. A verdade é que aquele espaço mais parece estar ao abandono. Sinceramente, não sei o que será pior, ter-se edificado tal edifício no local em causa, ou o espaço continuar com aquele aspecto de abandono, que o torna propício à delinquência o que, inevitavelmente, afasta as famílias de um dos locais de recreio e convívio por excelência, situado bem perto do centro histórico.
Alguém sabe qual é a actual situação da obra? Continua embargada ou não? Se não está embargada e já que não mudaram a localização do bar, construam-no rapidamente de forma a devolver vida àquele espaço.

Poder de Compra

Infelizmente e segundo o INE, Ponte de Lima continua na cauda no que diz respeito ao poder de compra per capita quer no distrito quer no país.
A liderança política deverá reflectir seriamente nestes números. Está na hora da autarquia inflectir a sua política de captação e criação de emprego. Está na hora de reflectir e construir uma nova política económica para Ponte de Lima, porque as políticas seguidas anteriormente não deram resultado e, como disse Séneca, "errar é humano, persistir no erro é diabólico”.

sexta-feira, novembro 20, 2009

O Povo do Lima - artigo de 20 de Novembro

Oposição

A oposição em Ponte de Lima enfrenta o maior desafio de sempre. Diminuída ao mínimo, tem que encontrar uma forma de demonstrar que é alternativa ao poder.
O PSD tem o papel de maior importância neste processo. Sendo o partido que lidera a oposição, terá maior responsabilidade em descobrir o porquê da sua mensagem não passar, o porquê de poucos reconhecerem o seu projecto. Terá que mudar profundamente o método que, há muitos anos, não consegue agregar os limianos em seu redor.
O eleitorado da oposição está a desvanecer e a mudança deverá começar no interior dos próprios partidos. O tempo da ingenuidade já lá vai. Ou se assume o papel de alternativa, de agregação e inclusão ou, daqui a quatro anos, apenas teremos a discussão de como se poderá actuar num concelho onde a oposição não está representada na Câmara Municipal. É preciso inovar e não copiar, é preciso encarar a oposição com “profissionalismo”, com a missão de organização de um caminho alternativo para o concelho.

Coragem política

O trânsito aos domingos de manhã na vila limiana é complicado. Dizer o contrário é tentar evitar discutir uma realidade impossível de encobrir. É necessário descobrir as razões e a principal é o enorme afluxo de automóveis ao centro histórico, mas é mais que óbvio que a entrada no centro histórico de excursões com vários autocarros e a constante mudança das regras do trânsito (sentidos obrigatórios, encerramento de ruas…) não ajudam em nada todos aqueles que se dirigem à “vila”. É necessária coragem política para, primeiro, proibir pura e simplesmente a entrada de autocarros no centro histórico, nomeadamente aos fins-de-semana, várias cidades e localidades europeias o fazem com bastantes benefícios para os seus cidadãos, e de, claro, explicar as mudanças das regras de trânsito, não as fazendo aleatoriamente e sem pré-aviso. Finalmente, não assumir o areal como alternativa nem como mega estacionamento.
Está na hora de uma decisão política corajosa. Está na hora de encarar a circulação automóvel, o estacionamento como algo que está ao serviço dos limianos e não subjugado a pontos de vista estéticos, interesses momentâneos ou a uma necessidade secundária qualquer.

Casamento entre pessoas do mesmo sexo

O Primeiro-ministro já avisou que não necessita de referendo por se sentir mandatado pelo povo para legislar sobre a matéria. Os deputados serão assim os decisores, os porta-vozes dos cidadãos. Esperamos todos que os deputados eleitos pelo nosso círculo eleitoral, mais que a sua opinião, demonstrem que foram eleitos pelos seus concidadãos para os representarem, para darem voz às suas opiniões. Assim sendo espera-se que os “nossos” deputados passem por cá e organizem formas para depreenderem a opinião dos alto-minhotos e que finalmente votem tendo em conta essa opinião.

terça-feira, outubro 27, 2009

O Povo do Lima - artigo de 27 de Outubro

Qual é o nosso motor?

Umas mais que outras, mas todas as forças políticas de Ponte de Lima referem-se a Ponte de Lima como um concelho rural, ligado à agricultura. Será essa a realidade do concelho limiano? A verdade é que, pese embora a percentagem de empresas ligadas à agricultura, silvicultura, caça e pesca ser de 22%, estas apenas representam 6% do emprego em Ponte de Lima. O grosso da população trabalhadora exerce a sua profissão na construção e obras públicas, 32,4%, estando a maior parte fora do concelho, logo seguido pelas indústrias transformadoras, 22,4%, que, juntamente com a indústrias extractivas (1,8%), perfazem 24,2 % e finalmente, fechando o top 3, o comércio, hotelaria e restauração que representa 21% do emprego limiano. É por isso que apostar numa economia ruralista, esquecendo as outras áreas económicas, é um erro. É por isso que não ter uma política proactiva é um erro. É por isso que a iniciativa da Junta de Freguesia de Arcozelo, apoiada, é certo, pela Câmara Municipal, da criação do pólo do granito é louvável por ser estruturalmente necessária à economia do concelho.

Ainda as eleições autárquicas – a ressaca

Com os resultados eleitorais da oposição, a tendência que esta terá é a da desmotivação, é de auto-consumir-se em “guerras” fratricidas. Ponte de Lima necessita da uma oposição forte, de uma oposição que seja capaz de estruturar um caminho alternativo, uma oposição que seja capaz de, mais do que nunca, fiscalizar a maioria. Mais do que “empalar cabeças” a oposição necessita de se reencontrar, descobrir quem é, quem representa, quem pode representar. A oposição deve diminuir o peso dos nomes e aumentar o das políticas.

Transportes escolares

Têm vindo, ultimamente, a público alguns casos relacionados com o transporte, ou a falta dele, de crianças para as escolas e jardins infantis. Para além de revelar falhas, existe outro ponto comum a todos os casos, é a Câmara arranjar maneira de nada ter que ver com o assunto. Até poderá ser assim, mas, se existe um problema, por que não, pelo menos, tentar corrigi-lo? Porquê culpar as transportadoras ou as juntas de freguesia quando, a bom rigor, é a Câmara que contrata as empresas e é a Câmara quem comparticipa a compra das carrinhas de transporte para as Juntas?
Politica é basicamente a resolução dos problemas da polis, da comunidade e se a Câmara, os nossos representantes não servem para resolver os nossos problemas para que é que servirão?

segunda-feira, outubro 12, 2009

O Povo do Lima - Artigo de 12 de Outubro

John Stuart Mill (pensador e político inglês do século XIX) escreveu que "A estabilidade na sociedade política prevê a existência de um princípio forte e activo de coesão entre os membros da mesma comunidade... Referimo-nos àquela parte da comunidade que valoriza a sua ligação, que sente que forma um povo, que o seu destino é comum, que o mal de qualquer um dos seus compatriotas é o seu próprio mal..."

Penso que é este espírito de comunidade que deve prevalecer ainda para mais num patamar de proximidade como é o do município. Quer o actual presidente da Câmara, quer alguns dos seus vereadores defendem que o emprego não é garantido, que os jovens devem estar preparados para essa realidade. Não deixa de ser verdade, mas o problema é que não se pode ficar por aí. Não ouvi nem li ninguém que se propõe manter as políticas municipais actuais a acrescentar ou contradizer este argumento. Neste momento, é notório o número de limianos, nomeadamente jovens, que têm que se deslocar da sua terra para poderem trabalhar. Quando falo de deslocar da sua terra, não digo apenas de sair deste concelho para outro vizinho, ou sequer para um cidade próxima, falo de saírem do seu concelho com destino a outro país. Este está a ser um facto comum a várias famílias que se pensava ter ficado no passado. Infelizmente, todos conhecemos alguém que “foi para fora". Ainda há pouco tempo, a minha filha de 3 anos viu uma das suas "amiguinhas" partir com os seus pais para outro país. Foi lá que eles encontraram emprego, estabilidade. Outros há que todos os dias, às 5 da manha, partem para Espanha... Isto é algo que não olha a situação familiar, classe social ou escolaridade.

É óbvio que a resposta não passa em exclusivo pelo Município, claro que não, mas este tem a responsabilidade de não virar a cara. Tem a responsabilidade de lutar, lutar para manter a comunidade, para manter os seus membros junto da mesma. A atitude deverá ser muito mais pro-activa. Escrevi noutro artigo que nós limianos não nos podemos resignar. Devemos recusar a resignação, e quem deve dar o exemplo são precisamente os nossos governantes, a começar pelos mais próximos, aqueles que elegeremos no próximo fim-de-semana. É preciso que tenham em conta que não basta exibir estatísticas avulso que demonstrem a nossa menor perda de população ou rejuvenescimento, até porque poderão ser sempre rebatidas por outros estudos... São necessárias medidas de protecção ao emprego, dinamização dos pólos e zonas industriais, apoio à criação de novas micro e pequenas empresas, é necessário apoiar as famílias, não só a nível escolar, mas também ao nível cultural, ao nível social e económico.

Comunidade. É esta palavra que deve orientar a gestão dos bens públicos. É nessa palavra que deve estar a matriz de qualquer política a ser aplicada. Temos que ter consciência que, tal como escreveu Mill, “o mal de qualquer um dos seus compatriotas é o seu próprio mal”. Não podemos continuar a assistir à "sangria” do nosso mais precioso bem que são as pessoas. Se outros concelhos vizinhos conseguem, também nós o conseguiremos.

domingo, setembro 20, 2009

O Povo do Lima - Artigo de 20 de Setembro

Não basta

O Município de Ponte de Lima tem seguido uma boa política de promoção. Desde o bastante discutido e criticado título de Vila mais antiga de Portugal, que o Vereador da Cultura volta a usar na entrevista dada a este jornal, até ao próprio Festival de Jardins, Ponte de Lima tem conseguido passar e afirmar a sua imagem no exterior. No entanto, há uma pergunta a que o Município parece não querer responder. Quais os resultados dessa promoção?

Por exemplo, a promoção tem aumentado a procura de empresas com vontade de se fixarem no nosso concelho? Pelos pólos/zonas industriais a resposta não é positiva. A promoção não vale por si só, é preciso mais. É preciso que a promoção se reveja em “lucros” para a população em geral e não para casos ou áreas de negócio em particular.

É a crise

A justificação da crise parece servir para tudo. São empresas que fecham sob o pretexto da crise, são despedimentos justificados com a crise… Na última Assembleia Municipal também Campelo se socorreu da crise mundial incitando os membros da Assembleia a chumbar a proposta da CDU para revitalização dos pólos industriais.

A verdade é que os nossos pólos industriais estão vazios ou praticamente vazios ao contrário dos dos concelhos vizinhos. A proposta da CDU, que até era bastante válida e pertinente, permitiria um melhor conhecimento do nosso concelho, as nossas forças e as nossas fraquezas, de forma a enfrentar o futuro, as possíveis futuras crises, de uma melhor forma. O executivo e a maioria da Assembleia não o quiseram. É pena, pois quem perde é o concelho e os limianos.

Feiras Novas

Por decisão dos nossos Órgãos Autárquicos estamos a viver as últimas Feiras Novas no terceiro fim-de-semana. Da mesma forma, gozaremos o último feriado municipal a 20 de Setembro.

A primeira decisão vai ao encontro da nova realidade social e escolar, permitindo que todos os limianos, mesmo os mais novos, possam participar ainda de melhor forma nas suas festas. Já a segunda decisão é mais polémica. O feriado municipal deveria dizer mais. Bem sei que, historicamente, os feriados municipais (uma invenção da primeira Republica) estão associados às festas dos respectivos concelhos mas, nos últimos anos, o conceito tem evoluído. Os feriados municipais são assumidos como um dia onde se celebra o concelho, as suas gentes, a sua cultura. Assim sendo, por que não coincidir o feriado municipal com o dia de Ponte de Lima, dia 4 de Março, dia da outorga do foral que fez vila Ponte de Lima?

Celebremos Ponte de Lima, celebremos os nossos antepassados, a nossa cultura, a nossa história, façamos do feriado municipal um dia de orgulho em ser limiano não o transformemos em mais um dia de ócio que nada nos diz.