sábado, março 19, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

Qualidades do centro histórico

Uma das qualidades que me fascinam na cidade de Roma é a sua capacidade de se adaptar às sucessivas “ondas” da história, ou não fosse conhecida como cidade eterna. Infelizmente, nem todas as localidades conseguem isso. Ponte de Lima foi superando as várias “ondas” da história com sucessivos altos e baixos. Podemos ler como Ponte de Lima era uma referência no Alto Minho, até pela sua importante ponte, e como anos depois é retratada como um local com pouca salubridade.
Foi assim ao longo da história, é assim actualmente. Embora o espaço público esteja recuperado e a recuperação dos edifícios do centro histórico se vá fazendo aos poucos e poucos, o mais grave é a falta de “vida” que por lá se sente. De facto, o centro histórico de Ponte de Lima durante a noite e em algumas horas do dia é um “deserto” sem pessoas, sem vida. O comércio vai fechando e deslocando-se para outras zonas da vila, as pessoas já não colocam nas suas hipóteses de escolha residir na zona histórica.
Felizmente, depois dos alertas de muitas pessoas, de instituições e da oposição o actual executivo municipal parece ter acordado para o problema. Apesar de numa fase muito inicial, já é um passo, no sentido correcto, pensar nos jovens como o público-alvo, quando se fala em reabilitação urbana. Claro que com isso dever-se-ia pensar também nas comodidades actuais como, por exemplo, a construção de um verdadeiro parque subterrâneo, no esforço de retorno dos serviços àquela zona, na introdução e utilização de fibra óptica, no wi-fi… E, claro, nesta aposta de repovoamento, o comércio deve ser repensado, beneficiando de vantagens contributivas por lá se terem fixado.

Outros tempos…

Li no Novo Panorama uma entrevista ao último serralheiro de Ponte de Lima e lá estava estampada a mágoa de sentir que era o último e que depois de si não existiria ninguém para dar continuidade àquela actividade. O mundo mudou muito. As “artes e ofícios” são um bem raro, embora hoje em dia cada vez mais precioso. Realmente, a vila de Ponte de Lima mudou com o mundo. Quando chegavam à vila, os meus avós encontravam ruas com ofícios, uma tradição antiga, onde existiam ruas para os negociantes, para os sapateiros, para os ourives, para os ferreiros… Hoje, desse “velho” mundo, sobram pouco mais de 2 ou 3 espaços.

Portagens e falta de lideres regionais

Os autarcas do Alto Minho anunciaram como grande vitória saída da sua reunião com o governo a isenção de portagens nas primeiras 10 viagens, na A27 e A28, para os utilizadores da região. Foi por isto que o CDS limiano chumbou a moção contra as portagens apresentada pelo PSD na última Assembleia Municipal de Ponte de Lima? Pois bem, vieram com uma mão cheia de nada. E agora, meus senhores?

terça-feira, março 01, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

Não há tempo para hesitações ou lutas partidárias

“A Assembleia Municipal acaba de aprovar, por unanimidade, uma moção de repúdio contra a implementação de portagens. A Assembleia vai criar uma comissão de acompanhamento com representantes das forças políticas com assento na Assembleia. Está já a decorrer uma petição on-line para ser entregue aos grupos parlamentares e ao Governo.
A Assembleia Municipal está contra a introdução das portagens, medida anunciada pelo Secretário de estado adjunto das Obras Públicas e das Comunicações, Paulo Campos. A Assembleia vai tomar posições. Isso mesmo ficou hoje claro durante a Assembleia, que está ao lado do executivo nesta luta contra a implementação das portagens.”
O único problema nos dois parágrafos anteriores é dizerem respeito ao que se passou na última Assembleia Municipal de Caminha e não na de Ponte de Lima. O PSD local apresentou uma proposta semelhante tendo sido esta rejeitada pela maioria CDS. Infelizmente, em Ponte de Lima, a maioria CDS só tem um critério para o seu sentido de voto, é da oposição, é para chumbar.
O que está aqui em causa é o estrangulamento do concelho de Ponte de Lima e de toda a zona do vale do Lima. São as empresas que já lutam para sobreviver numa zona com índices económicos e de desenvolvimento dos mais baixos da Europa, são as pessoas que vêem o seu rendimento diminuir cada vez mais ou que deixam de o ter porque as empresas não conseguem sobreviver. É a sobrevivência da região que está em causa pelo que o Presidente da Câmara de Ponte de Lima tem é que liderar a oposição à introdução de portagens. Tem essa obrigação para com as suas populações, devendo começar por obrigar o partido que lidera a deixar de ter uma visão da política exclusivamente partidária, até porque, como diz o seu líder distrital, Daniel Campelo, a região precisa “de todos aqueles que sejam capazes de fazer valer o seu peso e de exigir aquilo a que tem direito no contexto nacional”.

Direito à informação

O poder político está a viver tempos de grandes desafios e um deles é o do acesso à informação por parte dos cidadãos. Os novos suportes ajudam nesse acesso e a verdade é que nunca como agora os cidadãos podem saber, podem fiscalizar o que os seus eleitos fazem.
Infelizmente, a Assembleia Municipal de Ponte de Lima não funciona totalmente assim. Qualquer cidadão que consulte as actas desta Assembleia, em papel, na Biblioteca, ou online na página do Município de Ponte de Lima não vai encontrar toda a informação do que por lá se passou. Por opção, passou-se a omitir as intervenções feitas por improvisação ou mesmo as respostas que o Presidente da Câmara dá às diversas questões que lhe são postas pelos membros da Assembleia.
Esta opção foi tomada por se proceder à gravação magnética da reunião, mas a verdade é que a consulta desta gravação não é nem intuitiva, nem fácil, nem atractiva. O ficheiro não está editado, a consulta tem de ser feita ouvindo-se a gravação na totalidade e nem sequer é pública a forma como o comum cidadão poderá ter acesso à mesma.
Será que a agilidade dos serviços justifica a criação de barreiras ao acesso à informação por parte dos cidadãos? A resposta é claramente, não!

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

Além

“Mas pai…” é assim que a minha filha de 4 anos costuma interpelar as “verdades” parentais. É necessário ir para além do óbvio e por vezes não nos lembramos do “mas”. O limiano Daniel Campelo foi eleito no passado fim-de-semana líder do CDS do Alto Minho, poderia, por exemplo, ficar-me pela observação dos resultados no concelho de Viana do Castelo onde os votos brancos tiveram um peso substancial, poderia associar esse resultado às expectativas de uma candidatura de Daniel Campelo à Câmara de Viana do Castelo onde os apoios parecem não estarem reunidos nem dentro do seu partido, mas… Impõe-se o “mas”.
Vamos para além do imediato, da política interna dos partidos. Fixemo-nos em algo para o qual Campelo veio alertar com toda a razão, a falta de liderança, a falta de verdadeiros líderes no Alto Minho, líderes que façam lobby, sim lobby no centro de poder que é Lisboa. Líderes que consigam inverter os números, que ainda na passada semana o PSD Alto Minho veio divulgar publicamente, e que reflectem o período de bastante dificuldade que os alto-minhotos estão a viver e que faz disparar os que se socorrem da Caritas e de outras instituições para sobreviverem.
Se é a regionalização o caminho para inflectir este estado a que chegamos, não sei. Talvez até nem fosse necessária, se os nossos representantes na Assembleia da República fossem isso mesmo, representantes e não os exemplos dados na revista Sábado, também da passada semana, de deputados eleitos por nós que marcam a Assembleia da República como um barco marca o oceano…

Marca

A apetência pela participação política reside cada vez mais a um nível local. As pessoas localmente ainda se envolvem com a participação política, porque sentem que a sua participação é útil. E é por isso que a política local tem cada vez maior importância.
As comunidades diferenciam-se cada vez mais pela capacidade de projectar a sua cultura, a sua génese, o que as distingue das restantes. Veja-se o caso de Bilbau, em Espanha, que, apostando na cultura, se tornou numa referência mundial. Não será preciso seguir à risca tamanho exemplo, mas a politica de diferenciação cultural apostando na diferença, na qualidade, tornando a expressão cultural numa referência que vindo do local se projecta para além deste é o segredo para criar uma marca que se torne referência. É por isso que a criação de espaços culturais de referência é bem-vinda. Claro que não podemos cair no erro de criar só por criar. Deverá existir um plano de acção que não permita cair na tentação de aproveitar tudo o que os outros não quiseram e que no fundo para além da publicidade imediatista nada trazem para o futuro.   

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

 Bibliomóvel

Era esperado ansiosamente pelos miúdos, tinha uma cor acinzentada e continha preciosos tesouros no interior. Conduzido pelo Sr. Teixeira, o bibliomóvel da Calouste Gulbenkian aparecia do nada com os seus livros perfilados nas estantes no interior da carrinha. Foi o Francisco Vieira, o Chico da infância, que me “apresentou” a biblioteca itinerante que aparecia em determinado dia e hora na Além da Ponte, em Arcozelo. Fiquei fascinado pelo facto de poder escolher o livro que quisesse e durante uns dia tê-lo só para mim. O Chico escolhia vários de banda desenhada que durante algumas horas íamos partilhando e descobrindo, ora na casa dele, ora no Arnado, ora na casa dos meus avós.
Entretanto, a Biblioteca Municipal foi crescendo, tornou-se uma referência, criou hábitos de leitura, de pesquisa em várias gerações, é verdade que já não tem a mesma força, vocação de outrora, mas ainda vejo o bibliomóvel que se deve “passear” de escola em escola. Espero sinceramente que continue a criar o espanto e expectativa nos miúdos que o antigo criou em mim.

Paciência

Cada vez encontro menos paciência para políticos que se arrogam detentores da verdade. Políticos que se dizem defensores da democracia, do poder do povo, que se acham a sua única voz, e no seu intimo se comportam como pequenos ditadores não aceitando a escolha do povo. Políticos que clamam compromissos mas que não se comprometem com nada por impedimentos que nem a consciência deles sabe quais são. Políticos que citam muitos pensadores mas que nada pensam. Políticos que apenas põem os seus interesses pessoais, por vezes os do seu grupo, à frente dos da sua comunidade, apesar de bradarem o contrário.
Resumindo, a paciência esgotou para políticos inchados com a sua vacuidade. Mas isto deve ser apenas da idade, da falta de paciência ou… da experiência que se vai ganhando.

Nada que não se esperasse

Na noite das eleições presidenciais assistimos em directo ao final do suicídio político de Defensor Moura. Com um mau perder tremendo, culminou o seu suicídio político com um discurso repudiado por todos. Ali demonstrou a razão de nem na sua rua ter vencido.

sábado, janeiro 15, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

Presidenciais
Para os que ainda não repararam, e não é assim tão difícil, estamos em período de campanha eleitoral para eleger o próximo Presidente da República.
Embora com alguns percalços que o fizeram por vezes ficar de costas voltadas para o seu eleitorado natural (mas não deve o Presidente da República ser imparcial na sua actuação?), Cavaco Silva apresenta-se como o único candidato com condições para efectivamente exercer o cargo de Presidente da República. A dúvida reside se vencerá à primeira ou à segunda volta.
Mas esta é uma eleição com 6 candidatos que se dividem como que em divisões ou escalões. Temos a regional com Defensor Moura e José Manuel Coelho, a terceira divisão com o candidato Francisco Lopes, que serve para o partido comunista manter um espaço de intervenção, a segunda divisão com Fernando Nobre e Manuel Alegre, que tentam chegar à segunda volta, e, finalmente, a primeira divisão com Cavaco Silva.
Bem sei que a comunicação social local aqui do Alto Minho tem levado ao extremo a sua vocação regionalista, promovendo Defensor Moura com a publicação de artigos e reportagens opinativas sobre este candidato, mas tenho para mim que mesmo com este apoio todo, com o tipo de campanha que tem realizado e com os exemplos do seu passado político, Defensor conseguirá, talvez, um bom resultado… na sua rua, em Viana do Castelo.

Presidente por um dia
A Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou por unanimidade a criação do fórum "Presidente Por Um Dia". Uma iniciativa bastante interessante que apela à participação directa dos cidadãos e que se espera que tenha o sucesso que o Fórum Municipal não teve.
O problema destas “aberturas” é a vontade de participar dos cidadãos. Não é que esta seja fraca ou não exista, o problema é o receio que a participação, o dar a cara, o nome, pode suscitar. O cidadão, por mais vontade que tenha, poderá ter o receio de dar a sua opinião por medo de algum tipo de represália e isso é, infelizmente, ainda uma realidade na nossa comunidade, é algo que ainda está enraizado e que veio de um passado que ainda não está assim tão longínquo nem esquecido.
Saúda-se esta abertura da Câmara Municipal, espera-se que seja um sucesso de forma a aprofundar ainda mais a participação de todos para bem de todos.

quarta-feira, dezembro 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

10 anos

O Poder político por norma custa a acordar, por norma corre atrás das correntes da comunidade. Por vezes, são precisos anos e anos de paciente persistência de membros da comunidade que, com visão, vão lutando para que o Poder político abra os olhos. As Lagoas de Bertiandos e S. Pedro de Arcos fizeram 10 anos, a data foi comemorada com a presença de uma Secretária de Estado, do ex e do actual presidente da Câmara Municipal acompanhados pelos seus respectivos discursos. O actual responsável pelas lagoas foi dizendo que este é um projecto que envolve a sociedade. Nem ele sabe quanto. Saberá ele (pelo menos o ex-presidente da Câmara sabe) que aquele espaço, agora com a chancela oficial de zona húmida, zona protegida, foi durante anos e anos local de romagem de jovens que ali se iniciaram na “arte” de observação da natureza? Que muitos tiveram a experiência de lá pernoitar e acordar com os chumbos das armas dos caçadores que não queriam perder o seu local de caça, ou que um presidente de Junta afirmava a pés juntos que lá não existiam lontras, mas sim “zaganeiros”…?!
Claro que o papel de Daniel Campelo e, por arrasto, do Secretário de Estado do Ambiente da altura, José Sócrates, foi fundamental para a oficialização daquele espaço como um espaço protegido. Ninguém o nega, mas seria interessante que nos dez anos se lembrassem de todos os jovens e seus monitores que desde os anos 70 até aos 90 acreditaram que aquele era um espaço especial e digno de protecção. 
 
Natal

O Natal é um tempo especial. Gosto do frio, da lareira que o tenta superar, do bacalhau cozido, que nesse dia tem um sabor especial, e, acima de tudo, de ver na mesma mesa a família reunida.
Os anos vão passando. Uns vão deixando os seus lugares e outros vão ocupando-os. A vida não pára. Mas essa é a felicidade da vida, vermos que o ciclo não cessa, que um bocado de nós vai continuando, nos nossos filhos, nos nossos sobrinhos, nos filhos dos nossos primos, dos nossos amigos… A nossa “marca”, a nossa cultura, os nossos valores, vão subsistindo mesmo neste mundo que nos parece cada vez menos familiar. A semente vai passando e, como em todos os tempos da história, vai geminar e dar o seu fruto.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Crise
Tal como o leitor também eu estou saturado da palavra “crise”. A verdade é que, por mais saturados que nos sintamos, por mais que desliguemos a televisão e passemos à frente as notícias, ela é como o cheiro a naftalina que se entranha e não desaparece.
No domingo passado, a Igreja iniciou o tempo do advento. O tempo de preparação para o nascimento de Jesus. Um tempo de esperança por excelência que nos deveria dar ânimo pela esperança que acarreta, pois, por mais difíceis que sejam os tempos, a verdade é que a última coisa a fazer é perder a esperança de encontrar na crise uma oportunidade para crescermos.

Aproveitar
O nosso sistema político vive momentos de grandes desafios. Alguns dizem de crise (novamente a palavra), outros de declínio. Eu penso que são de grandes desafios e oportunidades.
É necessário repensar todo este sistema político que se revela todos os dias esgotado, começando pelo que está bem perto de nós, as freguesias. Já repararam no processo de unificação de freguesias que a Câmara Municipal de Lisboa iniciou? Talvez fosse algo que se deveria pensar a nível nacional. Já alguém reparou na diferença entre um deputado interessado e que realmente se empenha em representar os seus eleitores e aqueles que são impostos pelas direcções nacionais dos partidos? Talvez fosse tempo de pensar num sistema de eleição uninominal dos nossos representantes na Assembleia da República. Realmente já pararam para pensar na perversidade dos nossos órgãos autárquicos onde o executivo municipal ao invés de ser formado, tal como o governo da República, pelo partido mais votado é constituído por um órgão colegial onde a oposição serve ou de entrave ao projecto que foi legitimamente escolhido pelos eleitores ou, estando em sobeja minoria, servirá como uma espécie de abat-jour político, sem qualquer poder? Talvez fosse melhor reforçar o poder das Assembleias Municipais, saindo do seio destas os executivos municipais tal como o governo nacional sai da Assembleia da República.

Não será estranho?
Não é estranho existirem políticos que ao mesmo tempo que participam na actividade pública exercem outras actividades que interagem com o Estado? Será correcto, por exemplo, deputados que, sendo advogados, continuem a trabalhar para escritórios que, por sua vez, trabalham para a administração pública? Não será isso tão estranho como, por exemplo, um membro de um Executivo Municipal ser dono de uma empresa de construção e continuar a trabalhar com as Juntas de Freguesia do seu concelho? É que como diziam os romanos “à mulher de César não basta ser séria, também tem que parecer”...

segunda-feira, novembro 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Participação pública

Várias vezes me perguntaram por que é que me importo, por que é que intervenho publicamente, por que é que assumo responsabilidades políticas ou associativas. Confesso que sempre que me confrontam com este tipo de interrogações me surpreendem. E porquê? Primeiro porque por vezes me esqueço que nem todos gostam nem se sentem motivados para participar na “causa publica”, e, depois, porque é algo para o qual não se tem a resposta na ponta da língua. 
Sempre vivi com interesse em participar na causa pública. Os exemplos começaram bem cedo, vindos de bem perto, vindos do meu pai, Alípio de Matos. Apesar de ser bastante novo, lembro-me da noite da morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Quem da minha idade se lembra ou sequer se interessa por este acontecimento? Não muitos. Lembro-me de como era importante, de como os amigos do meu pai se preocupavam genuinamente, e por vezes até ingenuamente, pela res publica
Já foi eleito para vários cargos da vida interna partidária bem como para lugares de responsabilidade em associações da dita sociedade civil (sempre gratuitamente e sem ganhar um cêntimo ou pensar sequer nisso). A participação cívica é algo que está intrinsecamente ligado à minha persona, é por isso que sinceramente a única resposta que encontro é, pasme-se, o serviço à minha comunidade. 
Bem sei que muitos dirão “grande coisa”. Não sei se é grande ou pequena, sei que devemos agir e que esta é a minha pequena contribuição para com a minha comunidade. E qual é a sua, caro leitor? 

Gasto de dinheiro público?

A Assembleia Intermunicipal da CIM decretou dois dias de luto ao aprovar uma moção do PSD como forma de protesto contra a introdução de portagens em três antigas SCUT's do Norte. Aprovar aprovou, mas chegaram os dias e a moção não foi posta em prática pela maioria esmagadora dos municípios que constituem a CIM. As desculpas foram muitas para não a porem em prática e realmente era uma moção estranha, inconsequente, a roçar até o demagógico, e até é verdade que existiriam muitas outras formas deste órgão se juntar à luta, mas também é verdade que a moção foi aprovada pela maioria dos elementos que a constituem. Se esta Assembleia perde tempo a aprovar moções para não serem postas em prática, logo surge a pergunta "para que é que serve"?

segunda-feira, novembro 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Desporto

No passado sábado dia 16 de Outubro, os jogadores da AD Os Limianos fizeram história ao baterem-se heroicamente no estádio do Dragão contra o clube da casa, o FC do Porto. Nesse dia pudemos ver muitos adeptos do FC do Porto a entrar pela primeira vez como “visitantes” no estádio do clube do seu coração. O Limianos conseguiu algo de inimaginável ao congregar todos os limianos independentemente da sua cor clubista. Foi realmente um dia memorável que perdurará na memória não só pela união conseguida mas também pela óptima e louvada exibição em campo.
É obvio que isto poderá levar aos mais eufóricos a dizer que este é o caminho em que o poder político deveria por os olhos e apoiar cegamente este ou outro clube para que se colmate a falha de nunca ter existido um clube do Alto Minho na primeira divisão nacional de futebol. Não concordo. Os políticos gerem o dinheiro de todos nós, deverão apoiar, é certo, o desporto. Não vejo o porquê de apoiar uma equipa para chegar ao primeiro escalão de futebol para que se arraste por uma ou duas épocas por lá. Será esta a melhor forma de marketing local? Alguém foi a Faro por causa do Farense?
O dinheiro público é um bem escasso que deverá ser posto ao serviço de todos. Apoie-se o desporto, dê-se as condições para os clubes prosseguirem, agora apoiar apenas o futebol dando as “migalhas aos outros…? Mas o futebol tem maior visibilidade, dirão. Talvez, mas na realidade só mesmo por cá é que a comunicação social tende a viver apenas do futebol. Há mais desporto, o público até tem bastante interesse noutras modalidades (querem um exemplo, vejam os ralis que se vão realizando um pouco por todo o Portugal, sempre com publico faça sol, chuva ou neve), assim quisessem os responsáveis editoriais dar-lhes a visibilidade que dão ao futebol...

Demissão

Soubemos na passada semana que Daniel Campelo se demitiu das Lagoas de S. Pedro e Bertiandos. Poder-se-ia especular uma ruptura, um qualquer mal-estar entre o antigo e actual presidente da Câmara. Nada mais errado. Campelo, melhor que ninguém, sabe que aquele é um cargo naturalmente inerente à presidência da Câmara, afasta-se em boa hora dando lugar ao seu sucessor.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Biblioteca – o declínio

Vê-se e sente-se o investimento político bem como a dinâmica dos profissionais do Arquivo Municipal para com este serviço. Um serviço que só em 2005 teve “casa” própria mas que já se impõe como exemplo regional e até nacional daquilo que deve ser um arquivo vivo. Com uma presença na Internet que é uma verdadeira porta para os seus utilizadores, os munícipes, está a desenvolver esforços para uma melhoria dos próprios serviços aos desmaterializar e interligar estes com o próprio arquivo. É verdadeiramente de saudar este esforço da autarquia.
Já lamentável, no entanto, é não poder fazer o mesmo louvor à Biblioteca. Apesar do esforço dos seus profissionais, é notória a falta de investimento por parte dos responsáveis políticos da última década. Bem sei que a desculpa recorrente é o investimento em Bibliotecas Escolares, mas esta não é certamente uma desculpa válida para o abandono a que a Biblioteca tem sido sujeita. Compare-se, a título de exemplo, a presença na Internet da Biblioteca e do próprio Arquivo. Apesar de existir há mais tempo, a Biblioteca apenas apresenta o básico catálogo on-line. É lamentável, para não dizer inaceitável!
Neste cenário, é com muita pena que se soube pela voz do Presidente da Câmara de Ponte de Lima que um dos projectos a morrer, por falta de recursos financeiros, é o prometido Centro de Documentação e Informação.
Seria bom saber, já que o dito projecto é abandonado, o que pensa a Câmara Municipal fazer para dar de novo vida, dignidade à Biblioteca Municipal? Vai continuar apenas com a hora do conto, a dar “apoio” técnico e com as visitas às escolas? É imperativo apostar na Biblioteca, reergue-la do esquecimento. Senhor Presidente da Câmara, verá que não se arrepende…

50 anos

A Liga Eucarística celebrou no passado domingo 50 anos. Foi das primeiras “associações” a que pertenci. Entrei com o meu primo, Mário Leitão, pela mão do nosso avô, Manuel de Barros, nos anos 80. Lembro-me das missas ao domingo de manhã e dos passeios-convívio que se faziam. Parabéns à Liga!

sexta-feira, outubro 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Em Ponte de Lima o ganho médio mensal ronda os 600 e tal euros, é dos mais baixos do distrito de Viana do Castelo e do país. O Ganho médio mensal nacional é dos mais baixos da União Europeia. A nossa região sofre gravemente devido à incompetência orçamental do governo que impõem, por exemplo, portagens em vias que outrora apresentaram como estruturantes para o Alto Minho sair do seu atraso endémico.
As nuvens adensam-se sobre o futuro, ameaçando a própria esperança. No meio disto tudo celebra-se o centenário da República. Um pretexto de alguns para forçar uma discussão sobre o regime. Mas será que estamos numa situação onde se pode despender energias numa discussão estéril? Fará sentido, 100 anos depois, ainda discutir se devemos ser cidadãos ou súbditos? Penso que a resposta é não e não.
Nesta altura de grandes desafios, para nós, para o nosso concelho, para a nossa região, para o nosso país perder um segundo que seja a pensar se um ramo da família Bragança deveria passar a representar Portugal parece-me de todo tempo perdido. Alguém pensará que se o representante do país fosse um Bragança (hereditário) ao invés de um Silva (eleito) a nossa situação actual seria diferente?
Esta comemoração poderia ser a oportunidade para pensarmos em reformar as instituições, por exemplo, acabar com os Governadores Civis, instituir círculos uninominais para a eleição de deputados de forma a responsabiliza-los directamente perante os seus eleitores, reduzindo o seu número, mas não, temos por um lado a exaltação da I Republica que é de geral má memória, alguém se esquece que culminou com o inicio do Estado Novo? Por outro lado, assistimos ao aproveitamento de alguns saudosistas do antigo e deposto regime monárquico, que aproveitando a crise política, económica e social, tentam vender o regime monárquico como a salvação esquecendo o que foram os últimos e derradeiros anos desse regime em Portugal.
É tempo de olhar para o futuro, cientes do nosso passado mas sem saudosismos, só assim poderemos aprimorar, rever, avaliar e melhorar. Só assim poderemos trilhar caminhos que nos levem a um futuro onde os nossos rendimentos se aproximem dos dos nossos vizinhos, só assim as nossas famílias, as nossas crianças poderão encontrar a estabilidade para se sentirem seguras do seu futuro. 

quarta-feira, setembro 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Feiras Novas

O som dos foguetes dão o sinal, é tempo de seguir para a rua. O acordar, esse deu-se com o burburinho das pessoas a percorrer as ruas em direcção à velhinha ponte… Já na rua o som inconfundível dos bombos dos zés pereiras ecoam por todas as esquinas fazendo-nos estremecer.
Chegando à ponte, na zona da igreja de Santo António a panorâmica é inconfundível, o areal do Lima foi invadido por tendas, divertimentos e, acima de tudo, por pessoas.
As Feiras Novas ainda são essencialmente isso, são as pessoas que fazem a festa. A organização, que tem realmente um trabalho hercúleo, dá o mote, mas a festa sai dos limianos e dos milhares de pessoas que nos visitam nesse fim-de-semana. Por isso, estas festas são tão procuradas, nelas há lugar para a tradição e para a inovação, para a cultura, para a diversão, festa para os mais velhos e para os mais novos. Ao contrário de outras grandes festas, não se confina aos cortejos, mas também não seria a mesma coisa sem eles.
Perdeu-se alguma da tradição de “peregrinação” das aldeias para a vila com todo o folclore dessa deslocação, fruto, por exemplo, do transporte individual, mas por outro lado ganhou-se a visita de forasteiros que desafiados por muitos limianos, ano após ano, se deslocam e pernoitam por cá para usufruírem, viverem a maior festa popular do Alto Minho.

Areal

Com bastante rapidez, tendo em conta o caso das obras do Arnado que continuam embargadas e ao abandono, as obras no areal já retomaram o seu curso. A Câmara Municipal teve que reformular o projecto e destruir o murete que tinha construído ilegalmente junto e por de baixo da ponte medieval.
Deste processo retiram-se a gestão do espaço público de forma quase leviana bem como a falta de respeito para com a legalidade e para com os limianos que não foram tidos nem achados num projecto que mudará profundamente a imagem do cartão de visitas do nosso concelho.
Depois deste puxão de orelhas, espera-se que a “lição” tenha sido aprendida para que de futuro quer o espaço, quer o dinheiro, quer as expectativas dos limianos sejam tidas em conta pela Câmara Municipal.

domingo, agosto 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

O que fazia…

O que significam 125 mil euros? Para alguns, pouco ou nada, para outros, o problema da casa resolvido ou a possibilidade de dar uma vida melhor aos filhos. Se falarmos de um organismo público, suponhamos uma Junta de Freguesia, poderá significar a pavimentação de muitos caminhos, a renovação do centro da freguesia… Já se falarmos de uma Câmara Municipal, estamos a falar possivelmente de “trocos”.
A Câmara de Ponte de Lima vai receber menos 523 mil euros das transferências do Governo para o Município, sobre isso o Presidente da Câmara já veio afirmar que significará a não construção, por exemplo, do Centro de Documentação e Informação.
Os tais 125 mil euros são cerca de 25% do valor que o Governo cortou, os 125 mil euros é o custo da nova estátua a ser colocada na antiga feira do gado para homenagear as ditas “memórias do campo”

Incêndios

Não há um dia no último mês que não seja marcado por um ou mais incêndios. Ponte de Lima tem visto a sua mata, o seu património ambiental ser destruído dia após dia. É verdadeiramente criminoso, é verdadeiramente uma ignomínia, aquilo que se está a passar. Este é o resultado da inércia do Estado que abandonou a ordenação das suas matas, lavou as mãos e desistiu da floresta. Substituir os antigos cantoneiros e guardas florestais por equipas de GNR’s, chamadas de GIPS, com uma farda toda modernaça não foi certamente a melhor política.
Por mais que a Protecção Civil se esforce e os Bombeiros façam das tripas coração é impossível combater algo tão organizado sem um ordenamento territorial, florestal digno desse nome.


Vida

Foi com agrado que vi o senhor Malheiro à varanda da sua casa, cumprimentei-o e ele respondeu ao cumprimento, como sempre, amavelmente. Já não o via faz muito. Na Além da Ponte já se sentia a falta da figura alta, de voz possante do senhor Malheiro.

quinta-feira, julho 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Sentimento de comunidade

Em freguesias maiores, mais urbanas, com muitos habitantes vindos de outros lados, sem raízes à freguesia é sempre mais difícil organizar eventos comunitários. Foi com grande satisfação que participei num desses eventos que deitou por terra a tese de que em Arcozelo não é possível envolver a comunidade. 
Partindo da iniciativa da comunidade, esta soube responder afirmativamente ao apelo e participou no jantar/arraial/sardinhada de angariação de fundos para a missionária comboniana, Irmã Maria do Rosário Marinho. Ela própria nascida na comunidade de Arcozelo conseguiu unir em torno de um objectivo solidário os seus conterrâneos.
Foi bom, muito bom sentir que também em Arcozelo as pessoas sabem responder ao chamamento.

Cortes

A propósito do corte de 523 mil euros das transferências do Governo para o Município de Ponte de Lima, Vitor Mendes afirmou a um jornal nacional que a área a sacrificar será a do investimento sem comparticipação comunitária. Fica assim pelo caminho, por exemplo, o polémico Centro de Congressos, que esteve projectado e depois chumbado pelas entidades competentes, para um terreno, entretanto adquirido, na freguesia de Arcozelo, bem como o Centro de Documentação e Informação. Diz Vitor Mendes e com toda a razão que prefere "dar benefícios fiscais a inaugurar um centro de congressos para ficar lá o meu nome para os meus netos verem". Em todo o caso, é preciso ver que existem necessidades e necessidades, não esquecendo que existem outros projectos incompreensíveis que a Câmara têm em mãos.

Férias

Finalmente começa o tempo de férias. Em meados do século passado, o destino deste tempo de descanso era para muitos limianos Vila Praia de Âncora. Ainda cheguei a viver, já no seu ocaso, é certo, esse tempo onde as barraquinhas de praia eram ocupadas por várias famílias limianas. 
Vila Praia de Âncora mudou muito durante as décadas de 80 e especialmente de 90, perdeu muito do seu encanto, no entanto, e especialmente agora que é alvo de outra atenção, ainda desperta em muitos limianos alguma nostalgia nem que não seja ao recordar a velha praia de infância algures num areal algarvio ou caribenho.

quinta-feira, julho 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Exemplos na política

Há dias ouvi numa discussão afirmarem que em política há heróis. Não sei se existem, penso mesmo que não, agora que existem bons exemplos, lá isso existem. Desde que me conheço, por influência, não imposta, mas, lá está, pelo exemplo do meu pai, sempre gostei da discussão política e acima de tudo da forma de como esta pode influenciar a vida da nossa comunidade. Porque fui de um modo ou de outro acompanhando esse mundo, tive o privilégio de contactar algumas pessoas que fui considerando exemplo de participação política. Poderia enumerar, felizmente, muitas pessoas que me foram influenciando, mas ficar-me-ei, hoje, por um dos nomes que me tocou, mas que se encontra afastado da vida política há algum tempo. Falo do Sr. Francisco Abreu Lima.
Foi Presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, influenciou fortemente a nossa comunidade, teve de uma forma ou de outra uma visão lúcida do caminho que era necessário que Ponte de Lima seguisse. Numa altura em que ainda pouco ou nada se falava de fundos comunitários, conseguiu transformar o nosso concelho, dando as bases para os “fantásticos” anos iniciais de Daniel Campelo. Mas quando falo do seu exemplo, tenho na memória casos concretos. Todos nós hoje temos como algo incontestável a ponte medieval ser pedonal, um local privilegiado, uma varanda para a vila de Ponte de Lima, um altar da ribeira lima que não poderia estar conspurcado pelos automóveis. Mas, se recuarmos uns anos, verificamos que foi precisamente por transformar a ponte medieval numa ponte pedonal que Francisco Abreu Lima perdeu a sua reeleição. Ele até poderia ter adiado as obras para outra data, ou ser omisso quanto ao resultado final, mas preferiu a verdade, preferiu defender o que acreditava mesmo sabendo que com isso o resultado seria muito certamente o que se viria a se confirmar.
Será um herói da política? O que é um herói se não alguém que faz o que deve fazer em cada momento? Um exemplo isso sim, um exemplo que deveria estar na cabeça de todos os que detêm um cargo público.

terça-feira, junho 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Presta contas da tua administração…” Lucas 16:2

Praias fluviais

Presente na listagem de praias que apresentaram má qualidade e/ou estiveram interditas em 2009 e que já não serão consideradas zonas balneares em 2010 estão a do Arnado e a de D. Ana. Finalmente, a Câmara Municipal pode respirar de alívio, pois, pela primeira vez em anos, as praias de Ponte de Lima não vão ser notícia por estarem constantemente interditas. Respirar pode, mas não muito. A burocracia pode ter apagado os holofotes, mas o problema persiste. Sabendo que ainda há uma década o município desfraldava a bandeira azul, a verdade é que as praias fluviais limianas deixaram de ter qualidade e o município assistiu impávido e sereno à sua degradação. Vítor Mendes, enquanto vereador responsável pelo ambiente, foi prometendo fiscalização e estudos sobre o problema, a verdade é que nunca foi tornado público qualquer resultado dessa fiscalização nem tão pouco o que saiu do dito estudo. De realçar que actualmente quem desrespeitar a interdição de uma praia incorre em coimas até 550 euros.

Inevitavelmente

É o tema que mais se comenta aqui por Ponte de Lima, as obras no areal. É unânime a opinião dos limianos, a obra que estava a ser feita no areal é uma aberração sendo o ponto alto da dita, o murete por debaixo da ponte medieval. Os partidos políticos, com a excepção do CDS, claro está, foram unânimes na crítica e no pedir de responsabilidades. Mas a verdade é que já começa a ser habito, parece mesmo existir um padrão, nestas intervenções junto da margem do rio Lima. Foram e ainda são as obras no bar do Arnado, embargadas por falta de pareceres e actualmente ao abandono, é agora o murete e as obras no S. João.
Obras que fazem tábua rasa dos pareceres das entidades competentes que vão custando milhares de euros ao erário público pelo seu arrastar devido ao incumprimento da lei. Com tantos anos no poder, o CDS tinha a obrigação de fazer melhor.


Descida do rio

Nem de propósito, participei na VI descida do rio Lima. Uma boa organização tripartida entre a Câmara Municipal, o Clube Náutico (fantástica organização no terreno) e o Agrupamento de Escolas de Arcozelo. É uma experiência que aconselho a todos. Realmente, o rio Lima bem aproveitado é certamente uma fonte de receita, um pólo de atracção para o nosso concelho. Pena é termos exemplos como os anteriores.

terça-feira, junho 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Exemplos do velho leste

Após 1989, os povos do leste da Europa foram descobrindo a iniciativa privada. Começaram a ver que o Estado não tem que ser, nem deve ser, aglutinador de todas as actividades económicas, mas antes deverá promover e proporcionar condições para que a iniciativa privada floresça e crie riqueza na comunidade em que está inserida.

Em Ponte de Lima, 20 anos depois e já bem longe dos tempos do PREC, o Estado, através do dito poder de proximidade, a autarquia, vai tendo quase, sem se dar por ele, uma participação quase monopolista em vários sectores. Não se pense que é algo de pouca monta, não, é algo que está a tomar uma proporção que poderá causar danos bastante graves num futuro bem próximo.

Tomemos por exemplo um dos sectores ditos estratégicos para o concelho, o Turismo. Quantos investiram na recuperação de espaços rurais, transformando-os em pequenas unidades hoteleira criadas para satisfazer o que se dizia, e bem, ser uma falha que limitava o desenvolvimento turístico do concelho limiano, a falta de camas para alojamento de qualidade. Actualmente, qual deve ser a perplexidade destes pequenos investidores ao verem que a Câmara Municipal, num género de “SGPS”, está a apostar fortemente no turismo não para dinamizar o sector mas como investidor e agente económico através da construção de hotéis, pousadas, e até da recuperação de casas para turismo rural, praticando preços que dificilmente algum privado poderá acompanhar.

O que ganha Ponte de Lima com isto? Muito pouco. Dir-me-ão que será uma boa forma do Município criar receita. Pelos preços praticados e tendo em conta os custos de construção e de manutenção, associados aos valores da promoção, duvido muito que o projecto seja economicamente viável. Já para não falar dos custos fixos, que a Câmara Municipal parece não se preocupar em aumentar de ano para ano. Será que não é claro que os dias de vacas gordas são coisa do passado?

Ponte de Lima é verdadeiramente um caso de estudo para a ciência política. O seu governo é de direita mas governa qual esquerda radical nos tempos de PREC, seguindo à escala o “brilhante” exemplo económico do velho leste europeu ocupando o espaço que seria naturalmente dos privados.

Com este tipo de política económica só falta saber quem estará disposto a ser um género de Gorbachev limiano…

sábado, maio 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Igreja de Santo António da Torre velha

O leitor quando fala com alguém de fora de Ponte de Lima, mas que já tenha passado por cá, inevitavelmente fará referência à ponte e à igreja. Falo da velha ponte medieval e da igreja de Santo António da Torre velha que são, sem sombras de dúvida, a imagem de marca de Ponte de Lima.
Numa das últimas reuniões da Assembleia Municipal, a CDU questionou o executivo municipal acerca da colaboração com a Irmandade de Santo António, a proprietária da referida igreja, de forma a recupera-la quer com algum tipo de apoio financeiro, quer com o possível apoio técnico, e até vir a obter algum tipo de apoio governamental. A resposta da autarquia foi inesperada, a Igreja de Santo António não é prioritária para o Município pelo que neste momento não será alvo de qualquer apoio.
Esta é uma atitude inexplicável que se espera que não seja um género de retaliação pelo que se tem passado no campo do Arnado. Não acredito que o seja, até pelas pessoas envolvidas, mas que não fica bem e é uma atitude incompreensível, lá isso é. Então um dos patrimónios mais fotografados de Ponte de Lima, um ex-libris do concelho, não é prioritário, será melhor para a nossa imagem a sua ruína?

Obras

Depois das intervenções no centro histórico, no passeio 25 de Abril, frente ao rio, e, ultimamente, na avenida de S. João, que parece estar à espera da festa para a inauguração, o passeio 25 de Abril voltará a entrar em obras, para aumentar o espaço pedonal e a velhinha avenida, conhecida pelos seus plátanos, irá sofrer também obras de requalificação.
Não, não vou dizer “mal” das obras, apenas vou fazer notar a inconstância com que se vão fazendo, aparentemente conforme os ventos. Hoje aqui, amanhã acolá, não parecendo existir um plano conciso e coerente que planifique o centro histórico como um todo. Mas se este existe, por que não dá-lo a conhecer, de uma vez por todas, aos limianos? Qual a justificação para este esquema de, digamos, prestações?

Qual é o critério?

“Quem não se sente, não é filho de boa gente”. Não poderia deixar de referir algo que me fez pensar no significado das palavras intolerância e ostracismo. Ao visionar alguns cartazes e programas de eventos a realizar em Ponte de Lima, deparei-me com uma designação interessante, “media partners”. Ao ler mais atentamente, dei-me conta que todos os órgãos de comunicação social limianos estão lá presentes. Bem, todos não, este vosso jornal não está na lista. O Povo do Lima, que se orgulha de tratar apenas das notícias de Ponte de Lima, não foi convidado, tendo sido o único que ficou de fora. Por que será?

sábado, maio 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Exemplo

Exemplos durante a vida vamos tendo muitos, mas já são menos aqueles que realmente nos tocam ao ponto de influenciar a nossa conduta. No passado domingo, celebrou-se o dia do Bom Pastor e, nesta altura, não poderia deixar de lembrar aquele que tem sido o bom pastor do “rebanho” a que pertenço, a paróquia de Santa Marinha de Arcozelo. O Padre Manuel Miranda é um exemplo de dedicação às suas “ovelhas”, um exemplo de abdicação e de rectidão. Por vezes incompreendido, mal que os Homens rectos vão acumulando na vida, foi conseguindo, no entanto, pelo seu esforço e pelo seu exemplo marcar a vida de muitos dos seus paroquianos que, quando pensam na figura do sacerdote, lembram-se logo do seu exemplo.

Por sorte, tenho conhecido muitos sacerdotes ao longo da minha vida e na sua grande maioria seguem, cada um à sua maneira, como seria de esperar, as pisadas que o “meu” padre escolheu para si. O desapego, a caridade, a rectidão, a busca da salvação para as suas “ovelhas”. Numa altura em que a Igreja é constantemente atacada, em especial os seus sacerdotes, não poderia deixar de agradecer este exemplo vivo que felizmente vejo reflectido noutros e que, certamente, serão a continuidade do que verdadeiramente é ser sacerdote no mundo de hoje.

O Grande Irmão

Os senhores deputados municipal decidiram ontem se iremos ter ou não videovigilância no centro histórico. Claro que essa decisão, no caso de ter sido positiva, estará sempre sujeita à aprovação da Comissão Nacional de Protecção de Dados. É de realçar que a videovigilância não resolve em nada a criminalidade, apenas produz um falso sentimento de segurança. Será que alguém pensa que quem queira assaltar uma loja, vandalizar o património edificado, ou outro qualquer tipo de crime, não o faz por causa das câmaras de filmar? As entidades consultadas pela Câmara Municipal foram dando algumas justificações para a aplicação das mesmas, dois exemplos, o Gabinete Terra, ligado à própria Câmara Municipal, dá a entender que a necessidade advém da progressiva desertificação do centro histórico e consequente degradação do mesmo. Concordando com o cenário descrito, não seria melhor promover o “repovoamento”, promover a vida do centro histórico? A PSP, por seu lado, afirma que não existe historial de grande criminalidade e que as estatísticas até demonstram que o centro histórico de Ponte de Lima, no que concerne à criminalidade, até está abaixo da média, mas, como forma de acautelar, defende que se liguem as câmaras de filmar. Pergunto, não seria melhor dar mais meios humanos e materiais à PSP a começar pelos veículos automóveis ao seu serviço? Esses sim, capazes de actuar rapidamente e de efectivamente dissuadirem a criminalidade.

Parece existir um género de fetiche pelo espaço público do centro histórico, por um lado “obriga-se” os seus habitantes a ouvir vezes sem conta “música de elevador”, agora a terem cuidado com as suas janelas, com quem recebem em casa, como estacionam... É que esta é, quer queiram quer não, a outra face da moeda e talvez a única. A nossa liberdade passa a ser mais limitada, e a verdade é que quase todas as ditaduras começaram por assentar numa promessa de maior segurança, sempre em troca da perda de alguma liberdade.

quinta-feira, abril 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Repovoamento

Foi com satisfação que ouvi a intenção da Câmara Municipal de Ponte de Lima em investir na recuperação de imóveis na zona histórica para posteriormente os disponibilizar para habitação de jovens, promovendo, desta forma, o povoamento do centro histórico. Fiquei contente porque já havia escrito, faz muito tempo, isso mesmo, provocando algumas críticas na área do “governo” que agora vem confirmar que até é uma boa ideia, e depois porque finalmente a Câmara assume que o centro histórico não pode sobreviver sem a componente básica que é gente a viver lá e que Ponte de Lima, aliás como muitas outras terras, enfrenta um problema de desertificação do centro histórico.

Jovens e política

A participação dos jovens na vida pública, na política é algo que deve ser acarinhado e promovido. Não com o interesse de vir a construir aliados em potência mas para “construir” cidadãos conscientes, participativos, activos na persecução do melhor para a sua comunidade. É por isso que vale a pena ler a entrevista de Francisco Baptista neste jornal. Este é o novo líder da Juventude Popular que talvez por ser a juventude do partido no poder em Ponte de Lima tem primado pela fraca intervenção pública. O inicio de algo transporta sempre perspectivas que poderão ou não ser alcançadas, mas que provocam sempre curiosidade.

Desaparecido?

Já passaram vários meses sobre o dia das eleições autárquicas e ainda ninguém ouviu o PS. Para onde ele foi? O PS nem teve um mau resultado, embora tenha perdido a representação no executivo municipal manteve, basicamente, o seu eleitorado. Aliás, este é dos poucos partidos, em Ponte de Lima, que para o bem e para o mal tem mantido o seu eleitorado sem grandes oscilações. É por isso que não se percebe a sua errática actuação na Assembleia Municipal onde, por exemplo, deixou escapar a possibilidade de ter um representante na CIM.
Poderá estar ainda a lamber as feridas, mas, sinceramente, já se sente a falta democrática da actuação de um partido que, nos últimos anos, tinha tido a capacidade de intervir de forma activa na vida pública limiana.