quarta-feira, dezembro 07, 2011

Artigo no Novo Panorama


Reorganização do território

"Ponte de Lima debate redução de freguesias às escondidas", este foi o título que um jornal local usou para relatar uma reunião à porta fechada entre a Câmara Municipal e os presidentes de Junta para discutir a reorganização do território, ao abrigo do Documento Verde, apresentado recentemente pelo governo. Nessa reunião, a Câmara Municipal apresentou uma proposta aos presidentes de Junta para servir como base de trabalho. Penso que esse trabalho deverá ter como pilar principal os presidentes de junta, mas não pode, no entanto, esgotar-se neles. As Assembleias de Freguesia deverão ter um papel importante nesta discussão e, claro, a Assembleia Municipal deverá estar intimamente integrada em todo este processo.
Tendo em conta que o governo dá uma margem enorme de discussão, a Câmara Municipal ao apresentar o documento que apresentou, da forma como o fez, com uma divisão muito discutível, parece querer imputar toda a responsabilidade nos presidentes de Junta.
A Reforma do Poder Local deverá ser encarada como uma oportunidade para, por exemplo, dar escala e poder de revindicação às juntas de freguesia de forma a servir melhor os seus fregueses. É tendo em conta estes aspectos que se deverá decidir a agregação das freguesias e não a manutenção de poderes políticos, ou a manutenção de estatutos balofos. É preciso ter em conta que agregar freguesias com vários problemas congénitos, sem massa crítica, apenas irá agravar e aumentar a escala desses mesmos problemas.
É por isso que as populações e todos os seus eleitos deverão ser chamados a intervir neste processo. É por isso que, mais do que pensar no controlo ou manutenção de poderes, dever-se-á pensar na melhor forma de dar dimensão, nas diferentes competências, às novas unidades territoriais para que estas prestem um melhor, mais eficaz e mais célere serviço às populações. 

Política cultural

É interessante o novo movimento cultural em Ponte de Lima. De uma forma empreendedora, várias pessoas, com interesses e actividades culturais diversificadas, têm, nos últimos anos, dado uma vida cultural que há muito não se via por Ponte de Lima. De tal forma a vida cultural mudou que a inata inércia do pelouro da cultura sentiu como que a obrigação de acompanhar e apoiar este novo movimento. No fim-de-semana passado, pude assistir à estreia e projecção de uma curta-metragem feita em Ponte de Lima, com argumento, realização, representação limianos. Diga, caro leitor, quando pensou que isto poderia acontecer? Parabéns aos nossos empreendedores culturais que, com uma politica cultural alternativa, vão dando outra alegria à nossa comunidade.     

Nota: Publicado no dia 30 de Novembro

quinta-feira, novembro 24, 2011

Artigo no Novo Panorama


As más decisões políticas reflectem-se
 
O Instituto Nacional de Estatística acaba de revelar que Ponte de Lima continua muito aquém do valor de referência nacional no que respeita ao Indicador per Capita (IpC) do poder de compra médio nacional, fica-se por um índice de 62,79%. No top 3 do distrito encontra-se o concelho de Viana do Castelo com um índice de 89,74%, Valença com 80,94%, e Caminha com 80,34%. A explicação está em opções erradas e no arrastar da aplicação de políticas que criem emprego e riqueza.
Essas opções começam, por exemplo, quando se faz política apenas pensando nos interesses imediatos. Ouvi, numa rádio nacional, a propósito de conferência organizada pelos Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, o deputado Abel Baptista a defender o vinho verde. O deputado defendia maior apoio, melhor ordenação, pedia até economia de escala para o sector.
Não poderia concordar mais, aliás, penso que no Alto Minho ninguém discordará, no entanto não consigo perceber que Abel Baptista, enquanto presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, não tenha defendido o mesmo quando, no ano passado, o PSD de Ponte de Lima apresentou na Assembleia Municipal a proposta de criação de uma Estrutura de Missão para o desenvolvimento do sector do Vinho Verde. Nessa proposta, o PSD defendia o que o deputado veio agora defender. A proposta acabaria por ser chumbada pela maioria CDS-PP.
                   

93 anos após o final da I Guerra Mundial

 
Fez, no passado dia 11 de Novembro, 93 anos que a I Guerra Mundial terminou. Foram muitos os limianos que participaram nesta guerra, felizmente podemos saber quem eram, de onde eram e o por lá lhes aconteceu. Basta para isso ler o livro do saudoso Luís Dantas, Os Limianos na Grande Guerra, que é uma verdadeira homenagem a todos os combatentes limianos.
 
O rio lima
 
Já muitas pessoas, nas quais me incluo, alertaram para a crítica situação do rio Lima. Finalmente, alguma coisa parece começar a ser feita. O município de Ponte de Lima, aproveitando fundos europeus, começou a realizar um conjunto de intervenções nas margens do rio. Sendo um passo importante, deverá ser complementado por mais alguns. Desde logo, dever-se-á fazer uma avaliação do impacto da construção do açude a jusante da ponte de Nossa Senhora da Guia e, posteriormente, pensar na exequibilidade da criação de um espaço de referência mundial no que concerne à modalidade da canoagem. Ponte de Lima, graças ao seu Clube Náutico, é uma referência, não só nacional, mas, mundial na canoagem. Com atletas de renome mundial não tem, no entanto, condições físicas para a prática da canoagem ao nível dos seus atletas.
 

Nota: Publicado no dia 18 de Novembro

sexta-feira, novembro 11, 2011

Artigo no Novo Panorama


À luz das candeias?

A crise, a falta de dinheiro, até o ambiente tem vindo a ser desculpa para desligar a iluminação pública um pouco por todo o concelho. Na zona urbana, as ruas ficam sem um único foco de luz durante a madrugada e as primeiras horas da manhã. Muitos põem em causa esta decisão por questões de segurança. Concordando com eles, hoje venho falar doutra situação.
Por volta das 6h30m, já vai ecoando o som das vassouras nas calçadas, mas, nestes tempos, o trabalho dos que limpam as nossas ruas parece inglório. Para além das vicissitudes inerentes à meteorologia e à estação do ano, junta-se agora a cegueira. Não é que agora estes profissionais tem que trabalhar às escuras...?
Estamos no inverno, faz algum sentido a luz pública continuar apagada a partir das 6 horas da manhã? Será assim tão caro ligar a luz pública nas primeiras horas da manhã, enquanto o sol não raiou? Não sei se os decisores políticos locais sabem, mas a essa hora já muitos limianos se levantaram para trabalhar ou seguir para o seu trabalho...  

Entrevista

É com muito interesse que leio as entrevistas de Gaspar Martins. Não só por ser o actual vice-presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, mas porque é um dos decanos do executivo municipal. Já nem sei quantos anos leva enquanto vereador e, pelo que se lê na entrevista, ainda quer ficar, como vereador, pelo menos mais 10 anos.
Na entrevista, Gaspar Martins não foi parco nas palavras e, pela primeira vez, um membro do executivo de Campelo assume um erro de gestão. Gaspar Martins assumiu o erro da recuperação atabalhoada do mercado municipal. Durante anos, aquele edifício foi alvo de críticas essencialmente porque, com as obras, deixou de cumprir aquilo para que foi construído, ser o mercado municipal. Talvez daqui a alguns anos se possa ler mais meia dúzia de “mea culpa” porque exemplos não vão faltando um pouco por todo o concelho...

Vereador da oposição

Muitas vezes me perguntam para que serve um vereador da oposição quando este, quase sempre, se abstém nas votações da câmara? Devo dizer que realmente não serve para nada. O leitor perguntar-se-á: Mas ele não tem quem o ajude, quem o auxilie? É claro que tem, até porque o vereador da oposição só foi eleito porque liderava a lista do PSD à Câmara Municipal de Ponte de Lima. O problema é que o vereador da oposição parece preferir fazer oposição à legítima liderança do PSD local que à Câmara Municipal.
Confuso? Agora imaginem o sentimento de todos aqueles limianos que votaram no PSD nas últimas autárquicas ao ouvirem do cabeça de lista do PSD e agora vereador, frases como “na sequência do movimento cívico das últimas eleições autárquicas…”.
O PSD tem responsabilidades face a esses eleitores e perante um vereador que parece fazer “tabula rasa” dos militantes e de todos os que votaram nas listas do PSD, não deverá ter medo de dizer que aquele, por sua responsabilidade e opção, deixou de representar o PSD, os militantes e os limianos que depositaram a sua confiança na lista do PSD nas eleições autárquicas de 2009.

NOTA: Publicado no dia 3 de Novembro

quarta-feira, outubro 19, 2011

Artigo no Novo Panorama

Reforma administrativa 

Já muita tinta tem corrido por causa deste tema. A reforma administrativa vai mudar a geografia política e organizativa do país. Uma mudança profunda acarreta sempre receios e medos, mas, se pensarmos que, noutros tempos, outras reformas tão ou mais bruscas foram implementadas verificamos que o tempo acaba por apagar todos os receios que naturalmente estas situações provocam. Alguém ainda se lembra ou quereria voltar aos antigos concelhos? Quantos existiam e que passaram a fazer parte do concelho de Ponte de Lima? 
O que é necessário é um forte diálogo entre os diferentes actores, tendo sempre em mente a melhoria da articulação dos cidadãos com a administração. Mas esta reforma não se cinge, unicamente, à fusão de freguesias. A reforma vai mais longe e entra na própria organização política dos Municípios. Embora sem extinção ou agregação de concelhos, os executivos municipais vão sofrer uma mudança profunda. Serão constituídos por menos vereadores e o cabeça de lista mais votado para a Assembleia Municipal é que, por sua vez, os escolhe de entre dos eleitos da Assembleia. Uma mudança interessante que vai ao encontro da realidade.  

Eleições autárquicas 

Na passada semana, fez 2 anos sobre as eleições autárquicas de 2009. Dois anos depois, fazendo um balanço, verifica-se que a reforma de que se falou acima, no que concerne ao executivo municipal, é realmente imperativa.  

Democracia 

Todos, ou quase todos, aceitam e querem a democracia. Para muitos é importante “anunciar” os pergaminhos da luta, por vezes pseudo luta, pela democracia no antes do 25 de Abril. Por vezes, é penoso ouvir e ver ou ler esses mesmos “democratas” fazerem comentários a resultados eleitorais, na Europa ou mesmo nas regiões autónomas, criticando as populações por a escolha não ter sido a deles. Ou seja, para alguns a democracia é boa, desde que seja a das suas escolhas.  

Biblioteca Municipal 

Na passada reunião da Assembleia Municipal chamei à atenção do Presidente da Câmara para o facto da Biblioteca Municipal ter deixado de ser uma biblioteca municipal para se transformar num género de biblioteca central das bibliotecas escolares. Para muitos isso não será importante, mas todos nós contribuímos com os nossos impostos para os serviços municipais e a biblioteca deverá ter um papel preponderante na comunidade e, como tal, deixa-la apenas para as crianças ou adolescentes é infantilizar um serviço que deveria ser de todos. O leitor experimente visitar a biblioteca, escusa de levar o portátil porque lá, ao contrário de outros serviços municipais, não existe Internet sem fios, poderá verificar como a biblioteca há muito que deixou de ser o exemplo nacional de outrora para se transformar numa penosa sombra do que já foi.

sexta-feira, setembro 30, 2011

Intervenção na Assembleia Municipal de Ponte de Lima de 30 de Setembro de 2011


Desde o final dos anos 90 do século passado que a Rede de Bibliotecas Escolares, através do Ministério da Educação, tem vindo a estabelecer protocolos junto dos municípios no sentido de estes, através das suas bibliotecas municipais, garantirem o apoio técnico e financeiro às bibliotecas escolares dos respectivos municípios.

Este apoio tem dado origem um pouco por todos os concelhos ao chamado Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares, o SABE. O de Ponte de Lima, como se pode ler na página Web do Município, “tem como missão a fomentação de uma política coordenada de aquisições, de apoio técnico especializado, de dinamização do empréstimo interbibliotecas e de desenvolvimento de actividades conjuntas nas áreas da promoção da leitura, da literacia da informação e da animação cultural no concelho de Ponte de Lima”.

Acontece que estes novos serviços de apoio às bibliotecas escolares têm tido um efeito perverso para o funcionamento das bibliotecas públicas municipais. Criou-se a ideia generalizada de que as bibliotecas municipais devem apoiar sobretudo os estudantes. Mas deverá a biblioteca municipal deixar-se tomar por essa progressiva escolarização deixando de fora a maior parte da população?

De facto, a escolarização já tomou conta de parte dos serviços e actividades da biblioteca municipal que neste momento mais parece uma biblioteca central das bibliotecas escolares do concelho.

Pergunto ao senhor Presidente da Câmara se sabe a percentagem de utilizadores adultos da biblioteca? Estou certo que muito provavelmente será bastante baixa. E porquê? Porque grande parte dos adultos não se revê nem encontra na biblioteca municipal resposta às suas necessidades de informação.

Minhas senhoras e meus senhores, quantas vezes já foram à biblioteca municipal por vossa iniciativa?

Mais há mais problemas. Por exemplo a orientação dos serviços para actividades meramente recreativas, os fundos invadidos por documentos de qualidade duvidosa pese embora de grande popularidade.

As bibliotecas municipais não terão viabilidade enquanto não existir sustentação política e técnica e pergunta-se, existe? Quem coordena a biblioteca? Quantos profissionais que lá trabalham têm formação específica? Existem planos de formação e desenvolvimento profissional? Onde está o plano estratégico, os indicadores de medida, os resultados?

Está na altura de formular um novo plano que reforce o papel cultural, informativo e social, que não passe apenas pela escola, mas que se dirija a outros públicos sem interesse pelos livros, mas com necessidades de informação com a criação e dinamização, por exemplo, de serviços de apoio ao cidadão e à cultura local, como o serviço de informação à comunidade ou o fundo local, criação de serviços de qualidade apoiados na internet e capazes de tirar partido das novas ferramentas da chamada web social. Neste momento a biblioteca municipal nem página Web tem ou será que a biblioteca se resume ao catálogo colectivo das bibliotecas escolares?

A biblioteca municipal tem que assumir a sua verdadeira função social. Para isso é preciso vontade política de mudar o paradigma, para isso é preciso acção e não apenas reacção.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

Feiras Novas 2011

Com o final das Feiras Novas, chegam os balanços, uns positivos, outros negativos. Existe realmente um cada vez maior número de pessoas que se vai insurgindo contra as decisões que levaram ao actual estado da festa. É o cortejo histórico que em alguns pontos faz tábua rasa da História, é a falta de casas de banho, ano após ano, é a precariedade da segurança, é… 
Mas, sinceramente, não é sobre isso que neste momento me apetece escrever. Nestas Feiras Novas vi algo que, nestes tempos de dificuldade, parece ser contra natura. Vi inovação e empreendedorismo. Vi a “Maria de Ponte” e os seus arcos, criatividade da Madalena Martins, vi a “mascote das Feiras novas” da Ana Paredes. Estes são só dois exemplos de como a nossa cultura pode ser reinventada, naqueles objectos encontramos algo que nos une enquanto limianos, encontramos identidade. 
As Feiras Novas são isso mesmo, são o exponente máximo da nossa identidade enquanto comunidade. Ponte de Lima demonstra como poderá fazer frente a estes momentos de dificuldade, demonstra que é capaz de renascer não renegando os seus valores, mas afirmando-os.
Também nas festas concelhias, e noutros eventos como a Vaca das Cordas, se encontra um “concurso”, penso que informal, de decoração de montras. É interessante verificar como os comerciantes do centro histórico e mesmo dos arredores aderem a este “concurso”, investindo uma decoração alusiva ao evento. Embora seja uma avaliação subjectiva, penso não estar muito enganado se afirmar que nos últimos anos as “Galerias Pepe” têm vencido esse “concurso”. É que, para além da decoração propriamente dita, a mensagem e a informação que transmite enriquecem quem vai espreitando as montras. 
O comércio tradicional não está morto, vai-se adaptando, por vezes, infelizmente, de forma traumática, mas também com estas iniciativas que vão fazendo as delícias e cativando os seus potenciais clientes. Mais do que repetitivos discursos e anúncios políticos, nós, limianos, precisamos de motivação para transformar os nossos recursos e tradições em algo apetecido pelos forasteiros. 
As Feiras Novas são o exemplo de que conseguimos fazê-lo. Precisamos é de acordar, depois do feriado de terça-feira, olhar para o concelho e não nos resignarmos a sermos um dos concelhos com um rendimento per capita dos mais baixos do país e um dos concelhos com a taxa de desemprego mais alta do distrito. Não estamos fadados a esse destino, estou certo que se acreditarmos, se tivermos líderes capazes, com ideias e força para liderar conseguiremos traçar outro caminho.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Artigo no Novo Panorama

Sentir as Feiras Novas 

O meu primeiro interesse pelas Feiras Novas foi criado pelo meu avô Arlindo de Matos. Ainda o ouço dizer-me, “Quando chegarem as Feiras Novas, vamos comprar um garraninho”. 
Sim, era um interesse particular, mas quem não o teve… A verdade é que nunca consegui ver esse meu desejo satisfeito, quando as Feiras Novas “chegavam”, o meu avô não podia deixar o seu comércio, da festa pouco ou nada via, quanto mais ter tempo para se deslocar à alameda de S. João para cumprir a promessa que ia repetindo, ano após ano, sempre que o seu neto primogénito se portava bem. 
Lá pelos meus 13 ou 14 anos, depois de algumas economias e de um Verão passado na primeira galeria de arte de Ponte de Lima, a Casa do Castelo, lá me dirigi à alameda de S. João com a ideia de finalmente adquirir o “garraninho” de que o meu, então falecido, avô me falava. Claro que o dinheiro não era muito e o único garrano ao alcance mais parecia o pasto de incontáveis moscas que lutavam por um lugar nos pobres e salientes ossos do equino… 
Já aos 15 ou 16 anos, descobri outros interesses e prazeres que as Feiras Novas proporcionam. Desde as rusgas, o assistir ao fogo-de-artifício em pleno areal com os amigos, o início da tradição do pão com chouriço, que nesses dias tem um sabor especial, à partilha de um agasalho com a namorada que se recente do orvalho do final do Verão, aos incontornáveis “carrinhos”, e, acima de tudo, ao convívio com os amigos, com os conhecidos e com os desconhecidos. 
As Feiras Novas são actualmente a conjugação destes e de outros interesses que se vão descobrindo ano após ano, uns aprimorando-se, outros ficando a preencher o baú das nossas memórias desta que é a ultima grande festa do Alto Minho. Algures li que estas são umas festas que, apesar do programa, são essencialmente feitas pelo povo. Não poderia concordar mais. 
Deixo uma palavra de apreço a todos os que pertencem à sua comissão, a todos os que visitam Ponte de Lima nesse fim-de-semana e, acima de tudo, a todos os limianos que nesta festa sentem orgulho em mostrar todo o legado cultural e histórico que alicerçam a comunidade limiana.

sábado, agosto 20, 2011

Crónica na Rádio Ondas do Lima


O regozijo é enorme em Ponte de Lima. Fernando Pimenta tornou-se o primeiro limiano a qualificar-se para os Jogos Olímpicos. Para além de merecida, é justa esta participação quer pela enorme qualidade desportiva quer pela humildade que Fernando Pimenta tem demonstrado nestes anos de dedicação ao desporto. É um orgulho para todos os limianos ter um clube como o Náutico de Ponte de Lima pelos resultados colectivos e, acima de tudo, pelos atletas que forma. 
O último mês foi um mês de boas notícias. A Associação Concelhia das Feiras Novas deu conhecimento de que chegou a acordo com a Associação Portuguesa de Empresas de Diversões (APED) assumindo esta que "lamenta alguns comportamentos que possam ter sido adoptados por alguns empresários no decurso do procedimento de atribuição de lugares". Ainda bem que se chegou a acordo, pena é ainda não constar na página de Internet da APED o pedido de desculpa pelo comportamento intolerável que teve para com os limianos.
Depois da proposta inicial ter sido alterada pela Assembleia Municipal, foi aprovada a delimitação da área de reabilitação urbana de Ponte de Lima. Um documento importantíssimo para recuperação do centro histórico que agora passa a discussão pública. Também pelo centro urbano se iniciaram, finalmente, as obras do Hotel Largo da Além da Ponte, em Arcozelo. A Câmara Municipal tem vindo a adquirir e a reconverter alguns imóveis no bairro histórico de Além da Ponte. É algo que outros municípios também têm feito, o do Porto é exemplo disso, mas o caso limiano peca por todo o capital envolvido ser público. Seria bom que a Câmara Municipal começasse por esclarecer se pretende explorar ela própria o hotel ou concessioná-lo. Penso que neste e noutros projectos do género se deveria envolver e captar capitais privados.  
Mas o último mês ficou, também, marcado por actividade partidária. Miguel Pires da Silva foi eleito líder nacional da Juventude Popular, tornando-se o segundo alto-minhoto a ocupar a liderança nacional de uma juventude partidária, o primeiro foi Jorge Nuno Sá que liderou a Juventude Social-democrata entre 2002 e 2005.
Já nas eleições para a liderança do PSD de Ponte de Lima, e numa eleição com a participação de mais de dois terços dos militantes, Manuel Barros voltou a vencer, com mais de 60% dos votos, Filipe Viana. Os militantes disseram claramente que o PSD precisa de quem decida, de quem não tenha hesitações, de quem tenha ideias para o partido e acima de tudo para Ponte de Lima.
Finalmente, uma palavra sobre os milhões de jovens que participaram nas Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid. Foram milhares os portugueses, onde se integraram centenas do Alto Minho. Este é o maior acontecimento da Igreja Católica, sendo um momento de partilha, de encontro e de paz para quem participa. O responsável português e director do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil é o padre Pablo Lima, pároco em Serreleis, Viana do Castelo, oriundo de uma família natural dos Arcos de Valdevez. 

sexta-feira, julho 29, 2011

Crónica na Rádio Ondas do Lima



Estamos em tempo de férias, de regresso dos nossos emigrantes, de festas populares. As festas populares têm algumas características comuns, foguetes, música gravada, missa solene, procissão, conjuntos ou bandas de música. E pelo menos as três primeiras características são como que “obrigatórias”.
Embora não sendo, pessoalmente, um apreciador do tipo de música que passa pelos altifalantes das festas, estou ciente do que esta significa. E o que significa é festa! É por isso estranho que na reunião de Câmara de 15 de Junho passado o vereador da cultura, Franclim Sousa, tenha manifestado o "descontentamento pelos altifalantes instalados nas Festas da Sra. da Lapa, de Santo António e da  Sra. da Guia” isto porque, segundo a sua opinião, “Ponte de Lima já não se coaduna com a existência e autorização daquelas". Seria bom que esclarecesse se estava a falar em concreto daquelas festas ou se está a pensar em acabar com a música gravada em todas as festas do concelho de Ponte de Lima. Se se referia apenas àquelas festas deveria divulgar uma justificação.

Mas festas por Ponte de Lima não são só as populares, também é tempo de feiras e eventos organizados pela Câmara Municipal. Ontem iniciou-se a III Feira de Caça, Pesca e Lazer de Ponte de Lima e esta é a que me desperta maior interesse, quer pela temática, quer pelo envolvimento de várias associações de Ponte de Lima que promovem uma série de eventos desportivos e de lazer.

Nas últimas semanas tem chegado, dia sim, dia sim, notícias de assaltos e tentativas de assaltos um pouco por todo o concelho de Ponte de Lima. O problema, para além do sentimento de insegurança que deixam, não é tanto o que levam mas mais o que estragam. Na Além da Ponte, no nicho ligado à Irmandade de Santo António, para levarem 3 ou 4 euros usaram uma rebarbadora que ligaram a um poste de electricidade… Alguns locais foram vítimas várias vezes em meia dúzia de dias. A isto associa-se o vandalismo de mobiliário urbano como aconteceu no parque do Arnado, em Arcozelo. A boa notícia é que as forças de segurança reforçaram recentemente os seus meios humanos, o que significará maior vigilância e actuação. Ou pelo menos assim se espera.

Por fim, uma palavra de agradecimento ao Clube Náutico de Ponte de Lima. É que não há mês, quase se poderia dizer, fim-de-semana que não traga para casa mais uma conquista. Ainda esta semana Nuno Quintela se sagrou vice-campeão da Europa de maratonas C1 juniores.
Mas não é só na competição que o Náutico dá o exemplo, também o faz na formação da cidadania. Na passada quarta-feira foram mais de 200 os jovens que participaram em mais uma acção de limpeza do Rio Lima.
É verdadeiramente um clube que deve encher de orgulho todos os limianos.

Nota: O texto aqui reproduzido são os principais assuntos abordados na minha crónica de 23 de Julho de 2011 no programa Manhãs de Sábado da ROL.

segunda-feira, julho 25, 2011

Agora na Rádio Ondas do Lima

No passado sábado iniciei a minha colaboração com o programa Manhãs de Sábado (das 9 às 11 horas) da Rádio Ondas do Lima. Em breve colocarei os assuntos abordados nessa intervenção.

quinta-feira, junho 02, 2011

Texto no Cardeal Saraiva

Ponte de Lima ficou mais pobre

Foi com grande consternação que recebi a notícia do falecimento de Luís Dantas. Conheci-o mais de perto quando me enviou algumas mensagens a propósito de textos por mim escritos sobre a necessidade de trazer de novo à memoria colectiva limiana os combatentes da nossa terra que participaram na I Guerra Mundial.
Não o conhecia pessoalmente e foi através de Alípio Matos, meu pai, que pela primeira vez falamos precisamente sobre os combatentes da I Guerra Mundial. Deu-me a conhecer a sua investigação para a publicação de um livro sobre o assunto. É graças a ele que Ponte de Lima se pode orgulhar por ter no seu espólio uma publicação que honra a entrega daqueles que deram a sua juventude, por vezes a sua vida, naquela que ficou para a memória colectiva como A Grande Guerra
Luís Dantas era reconhecido pela seriedade nas suas publicações, como escreveu um amigo comum, José Marinho Gomes, as suas publicações eram baseadas não em palpites ou interpretações dúbias, mas no rigor histórico dos documentos. Foram várias as suas publicações e todas elas, pela qualidade, contribuíram de uma forma inequívoca para o engrandecimento da cultura limiana. 
Luís Dantas foi uma pessoa humilde que falava de igual modo com todas as pessoas sem pretensiosismo, aliás, como é apanágio dos Grandes Homens. O desaparecimento precoce de Luís Dantas é inegavelmente uma grande perda para Ponte de Lima, para a cultura limiana, mas uma enorme e irreparável perda para a sua família e seus amigos mais chegados. A estes deixo uma palavra de profundo sentimento pela sua perda. Ficam os seus trabalhos, os seus livros, a sua investigação, a sua poesia mas, acima de tudo, fica o seu  exemplo.

Texto publicado no jornal Cardeal Saraiva a propósito do desaparecimento de Luís Dantas

segunda-feira, maio 02, 2011

Intervenção na Assembleia Municipal de Ponte de Lima de 29 de Abril de 2011

Na passada reunião da Assembleia Municipal voltei a votar contra a acta pelas razões evocadas anteriormente. No Período Antes da Ordem do Dia fiz a seguinte intervenção alertando para a realidade do rio Lima...

(Clicar para ler)

A Vereadora do Ambiente, Estela Almeida, não respondeu mas o Presidente da Câmara, Vitor Mendes, acusou a tutela pela não intervenção no rio Lima.
Realço também a intervenção, no dia seguinte, na ROL, do Vereador da Cultura, Desporto e Educação, Franclim Sousa, dando conta da sua mágoa pelos organismos da Administração Central não olharem para o rio e para as más condições em que opera o Clube Náutico. É bom saber que a Câmara Municipal também está preocupada, ficamos à espera, no entanto, de saber o que estão a fazer para minimizar a situação actual do nosso rio Lima e que tipo de "influência" estão a exercer junto da tutela...

quarta-feira, abril 13, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

De novo eleições

Os partidos preparam as já marcadas eleições legislativas. Ponte de Lima é o segundo maior concelho do distrito de Viana do Castelo pelo que é estranho verificar como alguns partidos preferem apostar em pequenos concelhos, com fraca densidade demográfica e, portanto, com pouco “peso” eleitoral em detrimento do nosso concelho. Ponte de Lima merece mais. Talvez seja tempo de inverter esta tendência, será necessário que os responsáveis distritais desses partidos olhem para Ponte de Lima com a responsabilidade de escolher verdadeiros representantes do distrito. 

Mudar de rumo 

Mudança! Muitos estremecem ao ouvir esta palavra. Outros pensam como D. Fabrício, um aristocrata siciliano que Giuseppe Di Lampedusa imortalizou em Il Gattopardo, quando afirma “é preciso mudar tudo para que tudo fique na mesma”. Finalmente, ainda existem aqueles que associam mudança a oportunidade para melhorar. 
Sou conservador por natureza, mas curioso por vocação. A mudança para mim significa busca, não aprecio mudar aquilo que não é preciso mudar, aquilo que corre bem, mas aceito com naturalidade a mudança quando esta significa oportunidade de subir no patamar da qualidade. O O Povo do Lima encontra-se numa posição em que é preciso fazer escolhas. Pela sua dimensão, histórica e social, precisa “dar um salto” e enfrentar mais uma mudança. Talvez seja a mais profunda que alguma vez enfrentou, será, certamente, uma janela de oportunidade para levar o O Povo do Lima a ser ainda melhor.

Colaborar e participar 

Desde a minha maioridade que tento ter uma participação mais activa na comunidade. Muita dessa participação tem passado pela política partidária, pelas associações e, claro, pelos jornais e rádios regionais. Já tive também o prazer de colaborar com uma revista nacional num artigo sobre Daniel Campelo e Ponte de Lima. Tenho uma participação activa nas ferramentas da chamada Web social, sendo fundador do mais antigo blogue de e sobre Ponte de Lima ainda no activo, para além de outros espaços colaborativos na minha área académica e profissional. 
A minha colaboração com O Povo do Lima, pelo menos por agora, face à sua suspensão temporária, termina aqui. Continuarei, como sempre, nos outros locais, pautando-me pelo princípio da participação activa na minha comunidade. Aderi a este projecto ciente das suas dificuldades, cheguei a assumir responsabilidades editoriais como editor de política, tendo a oportunidade de ouvir e publicar as ideias, visões e intervenções dos vários partidos e protagonistas políticos em Ponte de Lima. 
A todos os que me têm seguido e lido, noutros jornais e nos últimos anos aqui n´O Povo do Lima, agradeço profundamente o tempo que despenderam a fazê-lo. A todos muito obrigado e até já, aqui ou noutro lugar…

sábado, março 19, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

Qualidades do centro histórico

Uma das qualidades que me fascinam na cidade de Roma é a sua capacidade de se adaptar às sucessivas “ondas” da história, ou não fosse conhecida como cidade eterna. Infelizmente, nem todas as localidades conseguem isso. Ponte de Lima foi superando as várias “ondas” da história com sucessivos altos e baixos. Podemos ler como Ponte de Lima era uma referência no Alto Minho, até pela sua importante ponte, e como anos depois é retratada como um local com pouca salubridade.
Foi assim ao longo da história, é assim actualmente. Embora o espaço público esteja recuperado e a recuperação dos edifícios do centro histórico se vá fazendo aos poucos e poucos, o mais grave é a falta de “vida” que por lá se sente. De facto, o centro histórico de Ponte de Lima durante a noite e em algumas horas do dia é um “deserto” sem pessoas, sem vida. O comércio vai fechando e deslocando-se para outras zonas da vila, as pessoas já não colocam nas suas hipóteses de escolha residir na zona histórica.
Felizmente, depois dos alertas de muitas pessoas, de instituições e da oposição o actual executivo municipal parece ter acordado para o problema. Apesar de numa fase muito inicial, já é um passo, no sentido correcto, pensar nos jovens como o público-alvo, quando se fala em reabilitação urbana. Claro que com isso dever-se-ia pensar também nas comodidades actuais como, por exemplo, a construção de um verdadeiro parque subterrâneo, no esforço de retorno dos serviços àquela zona, na introdução e utilização de fibra óptica, no wi-fi… E, claro, nesta aposta de repovoamento, o comércio deve ser repensado, beneficiando de vantagens contributivas por lá se terem fixado.

Outros tempos…

Li no Novo Panorama uma entrevista ao último serralheiro de Ponte de Lima e lá estava estampada a mágoa de sentir que era o último e que depois de si não existiria ninguém para dar continuidade àquela actividade. O mundo mudou muito. As “artes e ofícios” são um bem raro, embora hoje em dia cada vez mais precioso. Realmente, a vila de Ponte de Lima mudou com o mundo. Quando chegavam à vila, os meus avós encontravam ruas com ofícios, uma tradição antiga, onde existiam ruas para os negociantes, para os sapateiros, para os ourives, para os ferreiros… Hoje, desse “velho” mundo, sobram pouco mais de 2 ou 3 espaços.

Portagens e falta de lideres regionais

Os autarcas do Alto Minho anunciaram como grande vitória saída da sua reunião com o governo a isenção de portagens nas primeiras 10 viagens, na A27 e A28, para os utilizadores da região. Foi por isto que o CDS limiano chumbou a moção contra as portagens apresentada pelo PSD na última Assembleia Municipal de Ponte de Lima? Pois bem, vieram com uma mão cheia de nada. E agora, meus senhores?

terça-feira, março 01, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

Não há tempo para hesitações ou lutas partidárias

“A Assembleia Municipal acaba de aprovar, por unanimidade, uma moção de repúdio contra a implementação de portagens. A Assembleia vai criar uma comissão de acompanhamento com representantes das forças políticas com assento na Assembleia. Está já a decorrer uma petição on-line para ser entregue aos grupos parlamentares e ao Governo.
A Assembleia Municipal está contra a introdução das portagens, medida anunciada pelo Secretário de estado adjunto das Obras Públicas e das Comunicações, Paulo Campos. A Assembleia vai tomar posições. Isso mesmo ficou hoje claro durante a Assembleia, que está ao lado do executivo nesta luta contra a implementação das portagens.”
O único problema nos dois parágrafos anteriores é dizerem respeito ao que se passou na última Assembleia Municipal de Caminha e não na de Ponte de Lima. O PSD local apresentou uma proposta semelhante tendo sido esta rejeitada pela maioria CDS. Infelizmente, em Ponte de Lima, a maioria CDS só tem um critério para o seu sentido de voto, é da oposição, é para chumbar.
O que está aqui em causa é o estrangulamento do concelho de Ponte de Lima e de toda a zona do vale do Lima. São as empresas que já lutam para sobreviver numa zona com índices económicos e de desenvolvimento dos mais baixos da Europa, são as pessoas que vêem o seu rendimento diminuir cada vez mais ou que deixam de o ter porque as empresas não conseguem sobreviver. É a sobrevivência da região que está em causa pelo que o Presidente da Câmara de Ponte de Lima tem é que liderar a oposição à introdução de portagens. Tem essa obrigação para com as suas populações, devendo começar por obrigar o partido que lidera a deixar de ter uma visão da política exclusivamente partidária, até porque, como diz o seu líder distrital, Daniel Campelo, a região precisa “de todos aqueles que sejam capazes de fazer valer o seu peso e de exigir aquilo a que tem direito no contexto nacional”.

Direito à informação

O poder político está a viver tempos de grandes desafios e um deles é o do acesso à informação por parte dos cidadãos. Os novos suportes ajudam nesse acesso e a verdade é que nunca como agora os cidadãos podem saber, podem fiscalizar o que os seus eleitos fazem.
Infelizmente, a Assembleia Municipal de Ponte de Lima não funciona totalmente assim. Qualquer cidadão que consulte as actas desta Assembleia, em papel, na Biblioteca, ou online na página do Município de Ponte de Lima não vai encontrar toda a informação do que por lá se passou. Por opção, passou-se a omitir as intervenções feitas por improvisação ou mesmo as respostas que o Presidente da Câmara dá às diversas questões que lhe são postas pelos membros da Assembleia.
Esta opção foi tomada por se proceder à gravação magnética da reunião, mas a verdade é que a consulta desta gravação não é nem intuitiva, nem fácil, nem atractiva. O ficheiro não está editado, a consulta tem de ser feita ouvindo-se a gravação na totalidade e nem sequer é pública a forma como o comum cidadão poderá ter acesso à mesma.
Será que a agilidade dos serviços justifica a criação de barreiras ao acesso à informação por parte dos cidadãos? A resposta é claramente, não!

terça-feira, fevereiro 15, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

Além

“Mas pai…” é assim que a minha filha de 4 anos costuma interpelar as “verdades” parentais. É necessário ir para além do óbvio e por vezes não nos lembramos do “mas”. O limiano Daniel Campelo foi eleito no passado fim-de-semana líder do CDS do Alto Minho, poderia, por exemplo, ficar-me pela observação dos resultados no concelho de Viana do Castelo onde os votos brancos tiveram um peso substancial, poderia associar esse resultado às expectativas de uma candidatura de Daniel Campelo à Câmara de Viana do Castelo onde os apoios parecem não estarem reunidos nem dentro do seu partido, mas… Impõe-se o “mas”.
Vamos para além do imediato, da política interna dos partidos. Fixemo-nos em algo para o qual Campelo veio alertar com toda a razão, a falta de liderança, a falta de verdadeiros líderes no Alto Minho, líderes que façam lobby, sim lobby no centro de poder que é Lisboa. Líderes que consigam inverter os números, que ainda na passada semana o PSD Alto Minho veio divulgar publicamente, e que reflectem o período de bastante dificuldade que os alto-minhotos estão a viver e que faz disparar os que se socorrem da Caritas e de outras instituições para sobreviverem.
Se é a regionalização o caminho para inflectir este estado a que chegamos, não sei. Talvez até nem fosse necessária, se os nossos representantes na Assembleia da República fossem isso mesmo, representantes e não os exemplos dados na revista Sábado, também da passada semana, de deputados eleitos por nós que marcam a Assembleia da República como um barco marca o oceano…

Marca

A apetência pela participação política reside cada vez mais a um nível local. As pessoas localmente ainda se envolvem com a participação política, porque sentem que a sua participação é útil. E é por isso que a política local tem cada vez maior importância.
As comunidades diferenciam-se cada vez mais pela capacidade de projectar a sua cultura, a sua génese, o que as distingue das restantes. Veja-se o caso de Bilbau, em Espanha, que, apostando na cultura, se tornou numa referência mundial. Não será preciso seguir à risca tamanho exemplo, mas a politica de diferenciação cultural apostando na diferença, na qualidade, tornando a expressão cultural numa referência que vindo do local se projecta para além deste é o segredo para criar uma marca que se torne referência. É por isso que a criação de espaços culturais de referência é bem-vinda. Claro que não podemos cair no erro de criar só por criar. Deverá existir um plano de acção que não permita cair na tentação de aproveitar tudo o que os outros não quiseram e que no fundo para além da publicidade imediatista nada trazem para o futuro.   

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

 Bibliomóvel

Era esperado ansiosamente pelos miúdos, tinha uma cor acinzentada e continha preciosos tesouros no interior. Conduzido pelo Sr. Teixeira, o bibliomóvel da Calouste Gulbenkian aparecia do nada com os seus livros perfilados nas estantes no interior da carrinha. Foi o Francisco Vieira, o Chico da infância, que me “apresentou” a biblioteca itinerante que aparecia em determinado dia e hora na Além da Ponte, em Arcozelo. Fiquei fascinado pelo facto de poder escolher o livro que quisesse e durante uns dia tê-lo só para mim. O Chico escolhia vários de banda desenhada que durante algumas horas íamos partilhando e descobrindo, ora na casa dele, ora no Arnado, ora na casa dos meus avós.
Entretanto, a Biblioteca Municipal foi crescendo, tornou-se uma referência, criou hábitos de leitura, de pesquisa em várias gerações, é verdade que já não tem a mesma força, vocação de outrora, mas ainda vejo o bibliomóvel que se deve “passear” de escola em escola. Espero sinceramente que continue a criar o espanto e expectativa nos miúdos que o antigo criou em mim.

Paciência

Cada vez encontro menos paciência para políticos que se arrogam detentores da verdade. Políticos que se dizem defensores da democracia, do poder do povo, que se acham a sua única voz, e no seu intimo se comportam como pequenos ditadores não aceitando a escolha do povo. Políticos que clamam compromissos mas que não se comprometem com nada por impedimentos que nem a consciência deles sabe quais são. Políticos que citam muitos pensadores mas que nada pensam. Políticos que apenas põem os seus interesses pessoais, por vezes os do seu grupo, à frente dos da sua comunidade, apesar de bradarem o contrário.
Resumindo, a paciência esgotou para políticos inchados com a sua vacuidade. Mas isto deve ser apenas da idade, da falta de paciência ou… da experiência que se vai ganhando.

Nada que não se esperasse

Na noite das eleições presidenciais assistimos em directo ao final do suicídio político de Defensor Moura. Com um mau perder tremendo, culminou o seu suicídio político com um discurso repudiado por todos. Ali demonstrou a razão de nem na sua rua ter vencido.

sábado, janeiro 15, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

Presidenciais
Para os que ainda não repararam, e não é assim tão difícil, estamos em período de campanha eleitoral para eleger o próximo Presidente da República.
Embora com alguns percalços que o fizeram por vezes ficar de costas voltadas para o seu eleitorado natural (mas não deve o Presidente da República ser imparcial na sua actuação?), Cavaco Silva apresenta-se como o único candidato com condições para efectivamente exercer o cargo de Presidente da República. A dúvida reside se vencerá à primeira ou à segunda volta.
Mas esta é uma eleição com 6 candidatos que se dividem como que em divisões ou escalões. Temos a regional com Defensor Moura e José Manuel Coelho, a terceira divisão com o candidato Francisco Lopes, que serve para o partido comunista manter um espaço de intervenção, a segunda divisão com Fernando Nobre e Manuel Alegre, que tentam chegar à segunda volta, e, finalmente, a primeira divisão com Cavaco Silva.
Bem sei que a comunicação social local aqui do Alto Minho tem levado ao extremo a sua vocação regionalista, promovendo Defensor Moura com a publicação de artigos e reportagens opinativas sobre este candidato, mas tenho para mim que mesmo com este apoio todo, com o tipo de campanha que tem realizado e com os exemplos do seu passado político, Defensor conseguirá, talvez, um bom resultado… na sua rua, em Viana do Castelo.

Presidente por um dia
A Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou por unanimidade a criação do fórum "Presidente Por Um Dia". Uma iniciativa bastante interessante que apela à participação directa dos cidadãos e que se espera que tenha o sucesso que o Fórum Municipal não teve.
O problema destas “aberturas” é a vontade de participar dos cidadãos. Não é que esta seja fraca ou não exista, o problema é o receio que a participação, o dar a cara, o nome, pode suscitar. O cidadão, por mais vontade que tenha, poderá ter o receio de dar a sua opinião por medo de algum tipo de represália e isso é, infelizmente, ainda uma realidade na nossa comunidade, é algo que ainda está enraizado e que veio de um passado que ainda não está assim tão longínquo nem esquecido.
Saúda-se esta abertura da Câmara Municipal, espera-se que seja um sucesso de forma a aprofundar ainda mais a participação de todos para bem de todos.