quinta-feira, janeiro 05, 2012

Artigo no Novo Panorama

Balanços 
No final do ano chegam os habituais balanços. Não resistindo também eu a esse hábito, deixo alguns dos protagonistas que, por Ponte de Lima, marcaram o ano de 2011... 

Pessoas 
Luís de Sousa Dantas – Recebeu, como corolário da sua dedicação literária, do seu contributo cultural para com Ponte de Lima, a medalha de mérito cultural. Num ano predestinado para o sucesso, acaba por ficar marcado pelo seu precoce desaparecimento. 
Fernando Pimenta – O melhor canoísta nacional da atualidade teve um ano, apesar das dificuldades, marcado por sucessivas vitórias nacionais e internacionais elevando, com orgulho, o nome de Ponte de Lima. Teve como “cereja no topo do bolo” a sua qualificação para os Jogos Olímpicos que se irão realizar em Londres, já no próximo ano. 

Política 
Manuel Barros – Renovou por mais de 2/3 dos votos dos militantes a liderança do PSD de Ponte de Lima. 
Miguel Pires da Silva – O vereador na Câmara Municipal de Ponte de Lima foi eleito líder nacional da Juventude Popular. 
Daniel Campelo – Deixou a liderança da Distrital do CDS de Viana do Castelo para assumir a função de Secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural. 

Cultura 
Grupo DUPLAFACE – Este grupo, sozinho ou em parceria, marcou o ano cénico de Ponte de Lima. The 
Kanguru Project – 2011 foi o ano de consagração desta banda limiana. Se no ano transato quase tinham de pagar para actuar no festival de música que se realizou na EXPOLIMA, em 2011 foram selecionados para atuar no Festival de Música de Paredes de Coura. 

Desporto 
A AD Os Limianos – 2011 fica como o ano em que Os Limianos subiram ao Campeonato Nacional da 2ª Divisão B. 
Clube Náutico de Ponte de Lima – Os seus atletas são referências nacionais e internacionais na modalidade, tendo-se sagrado campeões a vários níveis, a título individual e coletivo. Pelo 5º ano consecutivo, o Clube Náutico de Ponte de Lima, sagrou-se Campeão Nacional de Clubes. 

Instituições 
Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima – Num investimento de 1,5 milhões de euros, os Bombeiros Voluntários viram o seu velho sonho de ter um novo quartel tornar-se realidade. 
Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima – Mesmo com a atual frágil conjuntura económica e o tardar dos apoios estatais, a Santa Casa da Misericórdia, conjuntamente com a Junta de Freguesia de Arcozelo e Câmara Municipal, avançou com o tão necessário Centro Comunitário, em Arcozelo. 

Novo ano 
Numa conjuntura difícil, onde a falta de valores se assume como pilar de uma crise profunda, a esperança deverá ser o nosso rumo. O ano novo será aquilo que nós procurarmos que ele seja. Nas Jornadas Mundiais da Juventude, em Toronto (2002), tive a oportunidade de ouvir as seguintes palavras da boca do beato João Paulo II “Embora eu tenha vivido no meio de muitas trevas, sob duros regimes totalitários, tive suficientes motivos para me convencer de maneira inabalável de que nenhuma dificuldade e nenhum temor é tão grande a ponto de poder sufocar completamente a esperança que jorra sem cessar no coração dos jovens.". Esperança deverá ser a palavra sempre presente nos nossos corações durante o próximo ano de 2012. 
NOTA: Publicado no dia 28 de Dezembro

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Artigo no Novo Panorama


Afinal…

Muitas vezes duvidamos da influência e atuação dos membros da Assembleia Municipal, quer seja pela sua atividade quer seja pela pouca importância que a Câmara Municipal parece dar à sua intervenção.
Lendo o Orçamento e Opções do Plano para 2012 da Câmara Municipal de Ponte de Lima parece que afinal, talvez de forma subtil, não será tanto assim. A Câmara Municipal propõe-se criar, em 2012, um Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde indo assim ao encontro de uma proposta chumbada pelo CDS-PP na Assembleia Municipal em 2010. Se, por um lado, é positivo, por outro, levanta-se o lamento e os prejuízos do concelho e do sector vinícola por terem tido que esperar dois anos por este, digamos, incentivo.
O que não teve que esperar tanto foi a Biblioteca Municipal, depois de anos de desatenção, é com satisfação que vejo que o apelo feito por mim na última Assembleia Municipal teve eco logo no Orçamento e Opções do Plano de 2012. Depois de Orçamentos em que a Biblioteca ocupava pouco mais de um parágrafo, onde a limitavam a um género de biblioteca central das bibliotecas escolares do concelho, prevê-se para 2012 que a Biblioteca Municipal recupere o lugar de importância de outrora. A criação de uma página Web e o alargamento a outros públicos, com a Biblio Sénior e a Biblio Saúde, são exemplos disso.

31 anos

Fez na passada semana 31 anos da morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. No dia da sua morte, o meu pai, Alípio de Matos, encontrava-se numa ação política na freguesia de Sá. Os ventos do PREC, embora já tivessem passado, ainda se faziam notar e as pessoas ainda tinham uma legítima vontade de participar na vida política. Nessa noite, quando a notícia da morte do primeiro-ministro e do ministro da defesa foi divulgada, assisti, numa televisão a preto e branco a esse momento triste da história de Portugal. É impressionante como existem momentos da história coletiva que marcam mesmo uma criança pequena.
31 anos volvidos, são muitos os que gostam de os citar, muitos, que depois de escrever e proclamar um discurso, acabam com uma passagem dos seus pensamentos. Infelizmente, muitos desses que os citam fazem-no sem realmente os ler. 

Nota
Não posso deixar de desejar a todos os que me dão a honra de ler estas linhas um Santo e Feliz Natal. 

Publicado no dia 14 de Dezembro

quarta-feira, dezembro 07, 2011

Artigo no Novo Panorama


Reorganização do território

"Ponte de Lima debate redução de freguesias às escondidas", este foi o título que um jornal local usou para relatar uma reunião à porta fechada entre a Câmara Municipal e os presidentes de Junta para discutir a reorganização do território, ao abrigo do Documento Verde, apresentado recentemente pelo governo. Nessa reunião, a Câmara Municipal apresentou uma proposta aos presidentes de Junta para servir como base de trabalho. Penso que esse trabalho deverá ter como pilar principal os presidentes de junta, mas não pode, no entanto, esgotar-se neles. As Assembleias de Freguesia deverão ter um papel importante nesta discussão e, claro, a Assembleia Municipal deverá estar intimamente integrada em todo este processo.
Tendo em conta que o governo dá uma margem enorme de discussão, a Câmara Municipal ao apresentar o documento que apresentou, da forma como o fez, com uma divisão muito discutível, parece querer imputar toda a responsabilidade nos presidentes de Junta.
A Reforma do Poder Local deverá ser encarada como uma oportunidade para, por exemplo, dar escala e poder de revindicação às juntas de freguesia de forma a servir melhor os seus fregueses. É tendo em conta estes aspectos que se deverá decidir a agregação das freguesias e não a manutenção de poderes políticos, ou a manutenção de estatutos balofos. É preciso ter em conta que agregar freguesias com vários problemas congénitos, sem massa crítica, apenas irá agravar e aumentar a escala desses mesmos problemas.
É por isso que as populações e todos os seus eleitos deverão ser chamados a intervir neste processo. É por isso que, mais do que pensar no controlo ou manutenção de poderes, dever-se-á pensar na melhor forma de dar dimensão, nas diferentes competências, às novas unidades territoriais para que estas prestem um melhor, mais eficaz e mais célere serviço às populações. 

Política cultural

É interessante o novo movimento cultural em Ponte de Lima. De uma forma empreendedora, várias pessoas, com interesses e actividades culturais diversificadas, têm, nos últimos anos, dado uma vida cultural que há muito não se via por Ponte de Lima. De tal forma a vida cultural mudou que a inata inércia do pelouro da cultura sentiu como que a obrigação de acompanhar e apoiar este novo movimento. No fim-de-semana passado, pude assistir à estreia e projecção de uma curta-metragem feita em Ponte de Lima, com argumento, realização, representação limianos. Diga, caro leitor, quando pensou que isto poderia acontecer? Parabéns aos nossos empreendedores culturais que, com uma politica cultural alternativa, vão dando outra alegria à nossa comunidade.     

Nota: Publicado no dia 30 de Novembro

quinta-feira, novembro 24, 2011

Artigo no Novo Panorama


As más decisões políticas reflectem-se
 
O Instituto Nacional de Estatística acaba de revelar que Ponte de Lima continua muito aquém do valor de referência nacional no que respeita ao Indicador per Capita (IpC) do poder de compra médio nacional, fica-se por um índice de 62,79%. No top 3 do distrito encontra-se o concelho de Viana do Castelo com um índice de 89,74%, Valença com 80,94%, e Caminha com 80,34%. A explicação está em opções erradas e no arrastar da aplicação de políticas que criem emprego e riqueza.
Essas opções começam, por exemplo, quando se faz política apenas pensando nos interesses imediatos. Ouvi, numa rádio nacional, a propósito de conferência organizada pelos Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas, o deputado Abel Baptista a defender o vinho verde. O deputado defendia maior apoio, melhor ordenação, pedia até economia de escala para o sector.
Não poderia concordar mais, aliás, penso que no Alto Minho ninguém discordará, no entanto não consigo perceber que Abel Baptista, enquanto presidente da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, não tenha defendido o mesmo quando, no ano passado, o PSD de Ponte de Lima apresentou na Assembleia Municipal a proposta de criação de uma Estrutura de Missão para o desenvolvimento do sector do Vinho Verde. Nessa proposta, o PSD defendia o que o deputado veio agora defender. A proposta acabaria por ser chumbada pela maioria CDS-PP.
                   

93 anos após o final da I Guerra Mundial

 
Fez, no passado dia 11 de Novembro, 93 anos que a I Guerra Mundial terminou. Foram muitos os limianos que participaram nesta guerra, felizmente podemos saber quem eram, de onde eram e o por lá lhes aconteceu. Basta para isso ler o livro do saudoso Luís Dantas, Os Limianos na Grande Guerra, que é uma verdadeira homenagem a todos os combatentes limianos.
 
O rio lima
 
Já muitas pessoas, nas quais me incluo, alertaram para a crítica situação do rio Lima. Finalmente, alguma coisa parece começar a ser feita. O município de Ponte de Lima, aproveitando fundos europeus, começou a realizar um conjunto de intervenções nas margens do rio. Sendo um passo importante, deverá ser complementado por mais alguns. Desde logo, dever-se-á fazer uma avaliação do impacto da construção do açude a jusante da ponte de Nossa Senhora da Guia e, posteriormente, pensar na exequibilidade da criação de um espaço de referência mundial no que concerne à modalidade da canoagem. Ponte de Lima, graças ao seu Clube Náutico, é uma referência, não só nacional, mas, mundial na canoagem. Com atletas de renome mundial não tem, no entanto, condições físicas para a prática da canoagem ao nível dos seus atletas.
 

Nota: Publicado no dia 18 de Novembro

sexta-feira, novembro 11, 2011

Artigo no Novo Panorama


À luz das candeias?

A crise, a falta de dinheiro, até o ambiente tem vindo a ser desculpa para desligar a iluminação pública um pouco por todo o concelho. Na zona urbana, as ruas ficam sem um único foco de luz durante a madrugada e as primeiras horas da manhã. Muitos põem em causa esta decisão por questões de segurança. Concordando com eles, hoje venho falar doutra situação.
Por volta das 6h30m, já vai ecoando o som das vassouras nas calçadas, mas, nestes tempos, o trabalho dos que limpam as nossas ruas parece inglório. Para além das vicissitudes inerentes à meteorologia e à estação do ano, junta-se agora a cegueira. Não é que agora estes profissionais tem que trabalhar às escuras...?
Estamos no inverno, faz algum sentido a luz pública continuar apagada a partir das 6 horas da manhã? Será assim tão caro ligar a luz pública nas primeiras horas da manhã, enquanto o sol não raiou? Não sei se os decisores políticos locais sabem, mas a essa hora já muitos limianos se levantaram para trabalhar ou seguir para o seu trabalho...  

Entrevista

É com muito interesse que leio as entrevistas de Gaspar Martins. Não só por ser o actual vice-presidente da Câmara Municipal de Ponte de Lima, mas porque é um dos decanos do executivo municipal. Já nem sei quantos anos leva enquanto vereador e, pelo que se lê na entrevista, ainda quer ficar, como vereador, pelo menos mais 10 anos.
Na entrevista, Gaspar Martins não foi parco nas palavras e, pela primeira vez, um membro do executivo de Campelo assume um erro de gestão. Gaspar Martins assumiu o erro da recuperação atabalhoada do mercado municipal. Durante anos, aquele edifício foi alvo de críticas essencialmente porque, com as obras, deixou de cumprir aquilo para que foi construído, ser o mercado municipal. Talvez daqui a alguns anos se possa ler mais meia dúzia de “mea culpa” porque exemplos não vão faltando um pouco por todo o concelho...

Vereador da oposição

Muitas vezes me perguntam para que serve um vereador da oposição quando este, quase sempre, se abstém nas votações da câmara? Devo dizer que realmente não serve para nada. O leitor perguntar-se-á: Mas ele não tem quem o ajude, quem o auxilie? É claro que tem, até porque o vereador da oposição só foi eleito porque liderava a lista do PSD à Câmara Municipal de Ponte de Lima. O problema é que o vereador da oposição parece preferir fazer oposição à legítima liderança do PSD local que à Câmara Municipal.
Confuso? Agora imaginem o sentimento de todos aqueles limianos que votaram no PSD nas últimas autárquicas ao ouvirem do cabeça de lista do PSD e agora vereador, frases como “na sequência do movimento cívico das últimas eleições autárquicas…”.
O PSD tem responsabilidades face a esses eleitores e perante um vereador que parece fazer “tabula rasa” dos militantes e de todos os que votaram nas listas do PSD, não deverá ter medo de dizer que aquele, por sua responsabilidade e opção, deixou de representar o PSD, os militantes e os limianos que depositaram a sua confiança na lista do PSD nas eleições autárquicas de 2009.

NOTA: Publicado no dia 3 de Novembro

quarta-feira, outubro 19, 2011

Artigo no Novo Panorama

Reforma administrativa 

Já muita tinta tem corrido por causa deste tema. A reforma administrativa vai mudar a geografia política e organizativa do país. Uma mudança profunda acarreta sempre receios e medos, mas, se pensarmos que, noutros tempos, outras reformas tão ou mais bruscas foram implementadas verificamos que o tempo acaba por apagar todos os receios que naturalmente estas situações provocam. Alguém ainda se lembra ou quereria voltar aos antigos concelhos? Quantos existiam e que passaram a fazer parte do concelho de Ponte de Lima? 
O que é necessário é um forte diálogo entre os diferentes actores, tendo sempre em mente a melhoria da articulação dos cidadãos com a administração. Mas esta reforma não se cinge, unicamente, à fusão de freguesias. A reforma vai mais longe e entra na própria organização política dos Municípios. Embora sem extinção ou agregação de concelhos, os executivos municipais vão sofrer uma mudança profunda. Serão constituídos por menos vereadores e o cabeça de lista mais votado para a Assembleia Municipal é que, por sua vez, os escolhe de entre dos eleitos da Assembleia. Uma mudança interessante que vai ao encontro da realidade.  

Eleições autárquicas 

Na passada semana, fez 2 anos sobre as eleições autárquicas de 2009. Dois anos depois, fazendo um balanço, verifica-se que a reforma de que se falou acima, no que concerne ao executivo municipal, é realmente imperativa.  

Democracia 

Todos, ou quase todos, aceitam e querem a democracia. Para muitos é importante “anunciar” os pergaminhos da luta, por vezes pseudo luta, pela democracia no antes do 25 de Abril. Por vezes, é penoso ouvir e ver ou ler esses mesmos “democratas” fazerem comentários a resultados eleitorais, na Europa ou mesmo nas regiões autónomas, criticando as populações por a escolha não ter sido a deles. Ou seja, para alguns a democracia é boa, desde que seja a das suas escolhas.  

Biblioteca Municipal 

Na passada reunião da Assembleia Municipal chamei à atenção do Presidente da Câmara para o facto da Biblioteca Municipal ter deixado de ser uma biblioteca municipal para se transformar num género de biblioteca central das bibliotecas escolares. Para muitos isso não será importante, mas todos nós contribuímos com os nossos impostos para os serviços municipais e a biblioteca deverá ter um papel preponderante na comunidade e, como tal, deixa-la apenas para as crianças ou adolescentes é infantilizar um serviço que deveria ser de todos. O leitor experimente visitar a biblioteca, escusa de levar o portátil porque lá, ao contrário de outros serviços municipais, não existe Internet sem fios, poderá verificar como a biblioteca há muito que deixou de ser o exemplo nacional de outrora para se transformar numa penosa sombra do que já foi.

sexta-feira, setembro 30, 2011

Intervenção na Assembleia Municipal de Ponte de Lima de 30 de Setembro de 2011


Desde o final dos anos 90 do século passado que a Rede de Bibliotecas Escolares, através do Ministério da Educação, tem vindo a estabelecer protocolos junto dos municípios no sentido de estes, através das suas bibliotecas municipais, garantirem o apoio técnico e financeiro às bibliotecas escolares dos respectivos municípios.

Este apoio tem dado origem um pouco por todos os concelhos ao chamado Serviço de Apoio às Bibliotecas Escolares, o SABE. O de Ponte de Lima, como se pode ler na página Web do Município, “tem como missão a fomentação de uma política coordenada de aquisições, de apoio técnico especializado, de dinamização do empréstimo interbibliotecas e de desenvolvimento de actividades conjuntas nas áreas da promoção da leitura, da literacia da informação e da animação cultural no concelho de Ponte de Lima”.

Acontece que estes novos serviços de apoio às bibliotecas escolares têm tido um efeito perverso para o funcionamento das bibliotecas públicas municipais. Criou-se a ideia generalizada de que as bibliotecas municipais devem apoiar sobretudo os estudantes. Mas deverá a biblioteca municipal deixar-se tomar por essa progressiva escolarização deixando de fora a maior parte da população?

De facto, a escolarização já tomou conta de parte dos serviços e actividades da biblioteca municipal que neste momento mais parece uma biblioteca central das bibliotecas escolares do concelho.

Pergunto ao senhor Presidente da Câmara se sabe a percentagem de utilizadores adultos da biblioteca? Estou certo que muito provavelmente será bastante baixa. E porquê? Porque grande parte dos adultos não se revê nem encontra na biblioteca municipal resposta às suas necessidades de informação.

Minhas senhoras e meus senhores, quantas vezes já foram à biblioteca municipal por vossa iniciativa?

Mais há mais problemas. Por exemplo a orientação dos serviços para actividades meramente recreativas, os fundos invadidos por documentos de qualidade duvidosa pese embora de grande popularidade.

As bibliotecas municipais não terão viabilidade enquanto não existir sustentação política e técnica e pergunta-se, existe? Quem coordena a biblioteca? Quantos profissionais que lá trabalham têm formação específica? Existem planos de formação e desenvolvimento profissional? Onde está o plano estratégico, os indicadores de medida, os resultados?

Está na altura de formular um novo plano que reforce o papel cultural, informativo e social, que não passe apenas pela escola, mas que se dirija a outros públicos sem interesse pelos livros, mas com necessidades de informação com a criação e dinamização, por exemplo, de serviços de apoio ao cidadão e à cultura local, como o serviço de informação à comunidade ou o fundo local, criação de serviços de qualidade apoiados na internet e capazes de tirar partido das novas ferramentas da chamada web social. Neste momento a biblioteca municipal nem página Web tem ou será que a biblioteca se resume ao catálogo colectivo das bibliotecas escolares?

A biblioteca municipal tem que assumir a sua verdadeira função social. Para isso é preciso vontade política de mudar o paradigma, para isso é preciso acção e não apenas reacção.

segunda-feira, setembro 26, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

Feiras Novas 2011

Com o final das Feiras Novas, chegam os balanços, uns positivos, outros negativos. Existe realmente um cada vez maior número de pessoas que se vai insurgindo contra as decisões que levaram ao actual estado da festa. É o cortejo histórico que em alguns pontos faz tábua rasa da História, é a falta de casas de banho, ano após ano, é a precariedade da segurança, é… 
Mas, sinceramente, não é sobre isso que neste momento me apetece escrever. Nestas Feiras Novas vi algo que, nestes tempos de dificuldade, parece ser contra natura. Vi inovação e empreendedorismo. Vi a “Maria de Ponte” e os seus arcos, criatividade da Madalena Martins, vi a “mascote das Feiras novas” da Ana Paredes. Estes são só dois exemplos de como a nossa cultura pode ser reinventada, naqueles objectos encontramos algo que nos une enquanto limianos, encontramos identidade. 
As Feiras Novas são isso mesmo, são o exponente máximo da nossa identidade enquanto comunidade. Ponte de Lima demonstra como poderá fazer frente a estes momentos de dificuldade, demonstra que é capaz de renascer não renegando os seus valores, mas afirmando-os.
Também nas festas concelhias, e noutros eventos como a Vaca das Cordas, se encontra um “concurso”, penso que informal, de decoração de montras. É interessante verificar como os comerciantes do centro histórico e mesmo dos arredores aderem a este “concurso”, investindo uma decoração alusiva ao evento. Embora seja uma avaliação subjectiva, penso não estar muito enganado se afirmar que nos últimos anos as “Galerias Pepe” têm vencido esse “concurso”. É que, para além da decoração propriamente dita, a mensagem e a informação que transmite enriquecem quem vai espreitando as montras. 
O comércio tradicional não está morto, vai-se adaptando, por vezes, infelizmente, de forma traumática, mas também com estas iniciativas que vão fazendo as delícias e cativando os seus potenciais clientes. Mais do que repetitivos discursos e anúncios políticos, nós, limianos, precisamos de motivação para transformar os nossos recursos e tradições em algo apetecido pelos forasteiros. 
As Feiras Novas são o exemplo de que conseguimos fazê-lo. Precisamos é de acordar, depois do feriado de terça-feira, olhar para o concelho e não nos resignarmos a sermos um dos concelhos com um rendimento per capita dos mais baixos do país e um dos concelhos com a taxa de desemprego mais alta do distrito. Não estamos fadados a esse destino, estou certo que se acreditarmos, se tivermos líderes capazes, com ideias e força para liderar conseguiremos traçar outro caminho.

segunda-feira, setembro 12, 2011

Artigo no Novo Panorama

Sentir as Feiras Novas 

O meu primeiro interesse pelas Feiras Novas foi criado pelo meu avô Arlindo de Matos. Ainda o ouço dizer-me, “Quando chegarem as Feiras Novas, vamos comprar um garraninho”. 
Sim, era um interesse particular, mas quem não o teve… A verdade é que nunca consegui ver esse meu desejo satisfeito, quando as Feiras Novas “chegavam”, o meu avô não podia deixar o seu comércio, da festa pouco ou nada via, quanto mais ter tempo para se deslocar à alameda de S. João para cumprir a promessa que ia repetindo, ano após ano, sempre que o seu neto primogénito se portava bem. 
Lá pelos meus 13 ou 14 anos, depois de algumas economias e de um Verão passado na primeira galeria de arte de Ponte de Lima, a Casa do Castelo, lá me dirigi à alameda de S. João com a ideia de finalmente adquirir o “garraninho” de que o meu, então falecido, avô me falava. Claro que o dinheiro não era muito e o único garrano ao alcance mais parecia o pasto de incontáveis moscas que lutavam por um lugar nos pobres e salientes ossos do equino… 
Já aos 15 ou 16 anos, descobri outros interesses e prazeres que as Feiras Novas proporcionam. Desde as rusgas, o assistir ao fogo-de-artifício em pleno areal com os amigos, o início da tradição do pão com chouriço, que nesses dias tem um sabor especial, à partilha de um agasalho com a namorada que se recente do orvalho do final do Verão, aos incontornáveis “carrinhos”, e, acima de tudo, ao convívio com os amigos, com os conhecidos e com os desconhecidos. 
As Feiras Novas são actualmente a conjugação destes e de outros interesses que se vão descobrindo ano após ano, uns aprimorando-se, outros ficando a preencher o baú das nossas memórias desta que é a ultima grande festa do Alto Minho. Algures li que estas são umas festas que, apesar do programa, são essencialmente feitas pelo povo. Não poderia concordar mais. 
Deixo uma palavra de apreço a todos os que pertencem à sua comissão, a todos os que visitam Ponte de Lima nesse fim-de-semana e, acima de tudo, a todos os limianos que nesta festa sentem orgulho em mostrar todo o legado cultural e histórico que alicerçam a comunidade limiana.

sábado, agosto 20, 2011

Crónica na Rádio Ondas do Lima


O regozijo é enorme em Ponte de Lima. Fernando Pimenta tornou-se o primeiro limiano a qualificar-se para os Jogos Olímpicos. Para além de merecida, é justa esta participação quer pela enorme qualidade desportiva quer pela humildade que Fernando Pimenta tem demonstrado nestes anos de dedicação ao desporto. É um orgulho para todos os limianos ter um clube como o Náutico de Ponte de Lima pelos resultados colectivos e, acima de tudo, pelos atletas que forma. 
O último mês foi um mês de boas notícias. A Associação Concelhia das Feiras Novas deu conhecimento de que chegou a acordo com a Associação Portuguesa de Empresas de Diversões (APED) assumindo esta que "lamenta alguns comportamentos que possam ter sido adoptados por alguns empresários no decurso do procedimento de atribuição de lugares". Ainda bem que se chegou a acordo, pena é ainda não constar na página de Internet da APED o pedido de desculpa pelo comportamento intolerável que teve para com os limianos.
Depois da proposta inicial ter sido alterada pela Assembleia Municipal, foi aprovada a delimitação da área de reabilitação urbana de Ponte de Lima. Um documento importantíssimo para recuperação do centro histórico que agora passa a discussão pública. Também pelo centro urbano se iniciaram, finalmente, as obras do Hotel Largo da Além da Ponte, em Arcozelo. A Câmara Municipal tem vindo a adquirir e a reconverter alguns imóveis no bairro histórico de Além da Ponte. É algo que outros municípios também têm feito, o do Porto é exemplo disso, mas o caso limiano peca por todo o capital envolvido ser público. Seria bom que a Câmara Municipal começasse por esclarecer se pretende explorar ela própria o hotel ou concessioná-lo. Penso que neste e noutros projectos do género se deveria envolver e captar capitais privados.  
Mas o último mês ficou, também, marcado por actividade partidária. Miguel Pires da Silva foi eleito líder nacional da Juventude Popular, tornando-se o segundo alto-minhoto a ocupar a liderança nacional de uma juventude partidária, o primeiro foi Jorge Nuno Sá que liderou a Juventude Social-democrata entre 2002 e 2005.
Já nas eleições para a liderança do PSD de Ponte de Lima, e numa eleição com a participação de mais de dois terços dos militantes, Manuel Barros voltou a vencer, com mais de 60% dos votos, Filipe Viana. Os militantes disseram claramente que o PSD precisa de quem decida, de quem não tenha hesitações, de quem tenha ideias para o partido e acima de tudo para Ponte de Lima.
Finalmente, uma palavra sobre os milhões de jovens que participaram nas Jornadas Mundiais da Juventude, em Madrid. Foram milhares os portugueses, onde se integraram centenas do Alto Minho. Este é o maior acontecimento da Igreja Católica, sendo um momento de partilha, de encontro e de paz para quem participa. O responsável português e director do Departamento Nacional da Pastoral Juvenil é o padre Pablo Lima, pároco em Serreleis, Viana do Castelo, oriundo de uma família natural dos Arcos de Valdevez.