domingo, março 15, 2026

Alto Minho, artigo de 12-03-2026

Curiosidade

Alguns turistas do norte da Europa aproveitam o final do dia para percorrer a rua Manuel Espergueira, em Viana do Castelo. O sol desce sobre a igreja de São Domingos, as lojas preparam-se para encerrar, os turistas vão-se entretendo com algumas curiosidades arquitectónicas. Passaram pela sede do Vianense, a Casa da Vedoria, que alberga o Arquivo Distrital, mas, eis que, antes de chegarem à Casa Espergueira, se detêm e com alguns sorrisos tiram os telemóveis para captar a “curiosidade” que entendem ser digna de recordação, a sede do PCP.

Realmente, uma sede de um partido comunista, na Europa, começa a ser uma raridade. Já não existem muitas. O Partido Comunista Português é já uma raridade entre os seus homónimos europeus, embora com uma representação cada vez mais residual, ainda é dos poucos que mantêm, de certa forma, alguma relevância. Será curioso que, perdendo relevância política, venham a ganhar no turismo de nostalgia (ainda que, na verdade, não se queira voltar ao tempo de que se tem nostalgia).        


Escolhas


Pela primeira vez, os limianos com idade igual ou superior a 18 anos poderão escolher o cartaz das Feiras Novas. Bastará votar por SMS, entre os próximos dias 6 e 29 de março de 2026. Pelo que informou o Município, um júri, de acordo com os critérios definidos, analisou as propostas e seleccionou 10 propostas que serão sujeitas à referida votação. Devo confessar que não aprecio o processo de escolha. Parece-me, por um lado, uma forma de desresponsabilizar quem deveria ter o ónus da escolha, por outro, uma forma de promover, não a qualidade, mas a capacidade de quem tem o engenho de arregimentar votos. 

Os critérios devem ser bem definidos, o júri deve ser diversificado e a escolha deverá partir desse júri. Os políticos devem saber gerir os putrificados comentários nas redes sociais que poderão advir dessa decisão. Afinal de contas, esta máscara “democrática” só servirá para lavar as mãos como Pilatos.  


Árvores


Por vezes, ouvem-se as oposições levantar as bandeiras ecológicas para criticar quem está no poder. No poder local, um dos argumentos usados é o do abate de árvores. Ainda recentemente tivemos que “levar” na imprensa nacional com várias notícias sobre a indignação da oposição por causa do abate de árvores em Lisboa (que afinal tinham sido substituídas por outras menos nocivas para os habitantes). Pois bem, por Ponte de Lima essa é uma critica que não pode ser feita. No centro histórico, e mesmo nos arredores, centenas e centenas de árvores têm sido plantadas em várias ruas e estradas. Árvores de folha caduca ou de folha perene substituíram árvores em fim de vida. Árvores de porte grande, que bloqueavam a vista e deterioravam e bloqueavam passeios, deram lugar a árvores de pequeno porte, sem grande impacto visual e estético. Não se sabe quantas irão sobreviver, mas sabe-se que, se conseguirem chegar à “idade adulta”, representarão uma mudança significativa no ambiente urbano da sede do concelho.