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domingo, outubro 29, 2023

Alto Minho, artigo de 25-10-2023

Dinamica 

No passado sábado, o auditório municipal de Ponte de Lima acolheu várias pessoas para participarem, ao longo da tarde, num evento que permitiu aumentar o conhecimento acerca da nossa terra, da nossa comunidade. 

A paróquia de Santa Maria dos Anjos, na vila de Ponte de Lima, promoveu a primeira edição dos “Colóquios da Matriz”. Com algumas intervenções sobre a história da matriz da vila limiana e outras sobre assuntos da história da comunidade limiana, foi uma tarde onde os participantes puderam redescobrir o passado não só edificado mas também social. 

No último ano, a Paróquia de Santa Maria dos Anjos tem conseguido imprimir uma dinâmica histórico-cultural de relevo. Aliás, terá sido essa dinâmica que levou à organização destes Colóquios dos quais se espera a continuidade pelos anos vindouros. Felizmente, esta atitude proactiva está a ser bem acolhida quer pela comunidade quer pelas instituições locais.


Informação


Vivemos rodeados de informação. Junto a nós, na nossa mão, no nosso bolso, temos constantemente um aparelho com a capacidade de receber e enviar informação para todo o mundo, de forma instantânea. Com tanta facilidade parece estranho que a ignorância informativa tenha tanta penetração na nossa sociedade. Talvez seja porque o que temos não é uma “chuva” de informação, mas um dilúvio informacional.

Ligam-se as televisões, espreitam-se as páginas web dos jornais e vemos, no ocidente, manifestações de apoio a quem quer destruir… o ocidente e o seu estilo de vida (liberdade, democracia, igualdade, laicidade). Nessas manifestações, lêem-se cartazes com frases que só podem ter sido escritas por quem nunca dedicou tempo a ler um livro de história e apenas absorveu a informação numa qualquer página de “notícias alternativas” ou dum qualquer “influenciador digital”. 


Tempo


Hoje ninguém tem tempo. Não temos tempo para participar publicamente, não temos tempo para o associativismo, não temos tempo, ponto. Com tanta falta de tempo também deixamos de o ter para nós, para parar e pensar, para ler. Quando leu o último livro, caro leitor? Seja sincero, não tem tempo para ler, não é? É muito mais fácil fazer “scroll” no ecrã do telemóvel ou, talvez, ouvir uns podcasts. 

Com tanta falta de tempo, claro que, quando tivermos de decidir, quando tivermos de tomar partido ou opinar, iremos fazê-lo sem grande perda de tempo. E depois, quando corre mal? Depois, vamos para as redes sociais queixar-nos ou criticar, de preferência com “memes” ou “imojis”, até porque não temos tempo para escrever. 






domingo, julho 23, 2023

Alto Minho, artigo de 19-07-2023

 O maior encontro de jovens no mundo

Após um ano de preparação, de encontros, reuniões, trabalho e oração, a hora da partida chegou. As Jornadas Mundiais da Juventude de 2002, em Toronto, estavam prestes a começar. O primeiro passo foi um voo de cerca de 7 horas e meia. Chegados a Toronto, a primeira surpresa, o forte calor seco não tinha comparação com nada conhecido. À nossa espera autocarros que apenas conhecíamos dos filmes, aqueles amarelos das escolas, que nos levaram para centros de acolhimento. Por lá encontramos sorridentes famílias de várias paróquias pelas quais fomos divididos. Ainda não sabíamos, mas o nosso pequeno grupo foi dividido praticamente por um daqueles típicos bairros de subúrbios americanos das sitcoms da TV dos anos 80 e 90. Seria uma semana memorável.

As famílias estavam mesmo contentes por nos receber, tinham curiosidade em nos conhecer, em conhecer a nossa realidade. Para além de nos acolherem como membros das suas famílias, prepararam encontros comunitários, passeios, celebrações e momentos de descontração. A simpatia e generosidade com que fomos recebidos fez com que a experiência ainda hoje perdure na memórias de todos os participantes.

Será isso que, dentro de dias, a comunidade da diocese de Viana do Castelo irá proporcionar aos jovens vindos de 12 países diferentes e que viverão a pré-jornada (Jornada Mundial da Juventude) na nossa diocese.


Sim, mas…


Os centros históricos, as aldeias da nossa região são apetecíveis locais para filmagens e organização de eventos culturais ou desportivos. São cenários de excelência que criam um ambiente único. No entanto, é necessário, para quem organiza e para quem autoriza tais eventos, ter em conta um simples, mas muito importante, pormenor. Mais do que espaços cénicos, os centros históricos são, ou deveriam ser, espaços de e com vida. Quando escrevo “vida”, refiro-me a pessoas que por lá vivem, ou seja, por lá habitam, fazendo o seu dia-a-dia, como deslocarem-se para os seus trabalhos, por lá descansam, fazem compras… 

No passado fim de semana, realizou-se no bairro histórico d`Além da Ponte, na vila de Arcozelo, em Ponte de Lima, uma feira medieval e não é que os organizadores pensaram nos moradores! Talvez porque organizada pela associação “Muda Tu” constituída, basicamente, por jovens voluntários que têm por missão ajudar a população mais vulnerável do concelho de Ponte de Lima, tiveram a gentileza e coragem de bater às portas dos moradores para explicar o que ia acontecer e o que tinham programado para tentar minimizar os “danos” pela ocupação do seu bairro. 

 

Feira do Livro


Chegou aquela altura do ano em que nos podemos perder nas bancas cheias de livros. A 27.ª Feira do Livro de Ponte de Lima realiza-se a partir de amanhã até ao próximo fim de semana, na Expolima.

domingo, março 19, 2023

Alto Minho, artigo de 15-03-2023

 Igualdade

Na passada semana, celebramos o Dia Internacional da Mulher. Nesse dia lembra-se a luta pelos direitos e pela igualdade da mulher, realçando exemplos de mulheres que no dia a dia não viraram a cara a essa demanda. 

Faça um exercício de memória, caro leitor, lembra-se, assim de repente, de uma rua na sua terra com um nome feminino? Complicado? É verdade que sim. Talvez se contem pelos dedos de uma mão as ruas que homenageiam mulheres. Será porque estas não se notabilizaram, não estiveram presentes na vida das nossas comunidades? Não, não foi! 

A verdade é que todos conhecemos mulheres que se destacaram na cultura, nos negócios, na política, no ensino. Normalmente, agiam de forma discreta, sem aparatos, sem lugares formais. Felizmente, já não é assim, são cada vez mais as mulheres que se vão destacando. 

É, no entanto, tempo de resgatar do esquecimento os exemplos do passado. Mulheres como Fernanda Martins, fundadora do PSD em Ponte de Lima, uma das “mães” da democracia no concelho, sendo uma das primeiras eleitas à Assembleia Municipal e que, discretamente, mas determinadamente, ajudou muitos, permitindo-lhes, com o seu auxílio, atingir objectivos académicos e sociais que, de outra forma, lhes estariam barrados. Ou Clara Penha uma das “mães” da referencia gastronómica de Ponte de Lima, o sarrabulho, que todos os anos traz ao concelho limiano milhares de pessoas de todo o mundo.  


Surpresa


No passado sábado, participei no périplo temporal pela igreja matriz de Ponte de Lima. Por lá foram desmontadas várias certezas, daquelas formatadas pelo imaginário coletivo. Longe vai o tempo da “recuperação” da igreja, nos anos 50 e 60 do século XX, permanecendo, no entanto, no imaginário coletivo a ideia de uma obra que havia devolvido o original medieval à igreja. A verdade é que o que resultou dessa intervenção foi a destruição de uma rica evolução da igreja ao longo dos tempos. O que temos agora é uma igreja descaraterizada e despida da riqueza e da beleza que acumulava de várias épocas. Sim, porque de medieval só mesmo o frontispício da entrada principal. 

Já passaram muitos anos, o que se fez já não se reverte. No fundo, será também uma marca do seu tempo. Há, no entanto, a possibilidade da comunidade actual dar o seu contributo, tendo a coragem de alterar o que ainda se pode alterar. 




Dia de jogo


Tive o privilégio de assistir ao Jogo entre a AD “Os” Limianos e o Atlético dos Arcos, no estádio do Cruzeiro. Nesse desafio, discutia-se o primeiro lugar do campeonato. Com o estádio cheio por visitantes e apoiantes da casa, as equipas deram um espectáculo de futebol como nem sempre acontece nestas categorias. Nas bancadas, o respeito e a festa do futebol foi a tónica. 

É evidente a vontade da equipa d`Os Limianos em voltar ao Campeonato de Portugal. Aliás, nota-se que a própria estrutura do clube já está montada para esse regresso, esforçando-se para que este seja permanente. 

O futebol alto-minhoto poderá estar perto de um salto de qualidade. O Vianense pensa na Liga 3 e na permanência nessa liga, “Os” Limianos pensam no Campeonato de Portugal, onde pretende militar durante umas épocas antes de pensar noutros voos. Os passos têm de ser dados com segurança e ponderação, pela primeira vez desde há muitos anos, os clubes parecem estar prontos para eles. Haverá coragem política para fazer o que tem que ser feito? 

domingo, janeiro 08, 2023

Alto Minho, artigo de 04-01-2023

Novas formas de trabalho

Em 2006 escrevi, pela primeira vez, sobre incubadoras de empresas e como se poderia criar um espaço similar em Ponte de Lima para promover a criação de emprego, estimulando jovens criativos e profissionais liberais a trabalhar em rede. Quando exerci responsabilidades políticas, em conjunto com o Marco Araújo, fomos conseguindo a introdução deste tema na discussão política, tornando-se, aliás, uma proposta do Partido Social Democrata nas eleições de 2013 a criação de um espaço de incubação e coworking. Desde aí que, em diferentes oportunidades, esta proposta foi apresentada em discussões de planos e orçamentos, em reuniões de Câmara e Assembleia Municipal. 

Em várias terras, estes espaços têm aparecido e crescido, sendo incentivados pelo poder político. Passados todos estes anos, independentemente de se tratar de iniciativa privada, é gratificante ver que finamente em Ponte de Lima abriu um espaço desses


“vícios originais”


O título está entre aspas porque foi o Presidente da Republica que proferiu tais palavras acerca da formação do Governo. Lamento, mas não posso deixar de escrever umas linhas sobre a novela a que assistimos, vinda de S. Bento. O governo de António Costa, de maioria absoluta, em nove meses já apresenta uma ferida profunda, conseguindo, entre Secretários de Estado e Ministros, ter mais de uma dezena demissões. Esta total instabilidade começa a ser vista como sinal de desgoverno. 

O mais incrível é que já não é possível esconder que tudo isto é fruto da guerra interna no PS pela sucessão de Costa. Uma guerra que não faz prisioneiros e que tem destapado a nauseabunda forma de ocupação do Estado pelos agentes políticos.  


Despedida


Teve a árdua tarefa de suceder ao icónico, ao Santo João Paulo II. Joseph Ratzinger, nomeado Cardeal em 1977, nomeado Papa em 2005, foi atacado desde o inicio do seu pontificado por uma minoria radical, teve sempre, no entanto, uma resposta avassaladora por parte dos cristãos que sempre acorreram massivamente aos eventos onde Bento XVI esteve presente.

Foi uma referência mundial, mesmo antes de se sentar na Cadeira de S. Pedro, no pensamento teológico e filosófico. Deixou vasta obra publicada que é “obrigatória”. Deu-nos uma lição pelo seu exemplo, mostrando-nos que não podemos ficar agarrados a lugares ou cargos apenas e só porque “tem de ser”, ou porque pensamos que somos os cargos que ocupamos. Uma lição de humildade que não se ficou no acto de renúncia ao papado, foi uma lição que prolongou por praticamente uma década desde o dia que renunciou até ao passado dia 31 de Dezembro, quando faleceu com 95 anos. Nunca em momento algum da História a coabitação entre dois papas foi tão pacifica e profícua. Nunca ensombrou Francisco, nunca se pronunciou publicamente ou de forma “privada” sobre o seu sucessor. 

Ficará para sempre a sua profundidade de pensamento, bem como a capacidade de discernir, independentemente de modas de pensamento, o que a Igreja necessitava.




 

domingo, setembro 25, 2022

Alto Minho, artigo de 21-09-2022

 Compromissos


Por esta altura, no ano passado, os candidatos às autárquicas gastavam os últimos cartuchos eleitorais. As promessas de amor eterno às populações que se proponham servir, os enormes objectivos que iriam alcançar juntos estavam na ponta da língua. Ainda não passou um ano e já houve quem se esquecesse desses dias e tenha abandonado o mandato que os seus concidadãos lhe deram. 

Por Ponte de Lima, quase sem se dar por isso, a cabeça de lista do movimento VIRAMILHO, Susana Torres, já abandonou a Assembleia Municipal. A passada semana, com grande estrondo, o presidente da Câmara Municipal de Caminha abandonou o concelho e rumou ao sofás do poder da capital, assumindo o lugar de Secretário de Estado Adjunto do Primeiro Ministro. 

Depois de garantir que estava para ficar, que já tinha recebido muitos convites para rumar a Lisboa e que não aceitava porque o seu trabalho era servir as pessoas de Caminha, sem cumprir um ano de mandato, Miguel Alves abandona a presidência do município da foz do Minho. A presidência passa para Rui Lages. Porque não conheço, fui à página do município de Caminha perceber de quem se trata. Licenciou-se, em 2011, em Direito, em 2015 assume o lugar de adjunto do Ministro Adjunto do primeiro governo de António Costa, em 2017 foi eleito vereador, renovando a eleição em 2021. Ou seja, os caminhenses nem vão estranhar muito, Miguel Alves fez agora 47 anos, Rui Alves tem 34, é uma questão de se dar tempo ao tempo para o currículo ser ainda mais parecido.


Nova era


Quem vive uma nova era são as paróquias de Arca, Ponte de Lima e Feitosa no concelho limiano. As três paróquias receberam um novo pároco. Certamente sem querer apagar o trabalho feito pelos seus antecessores, quer pelos tempos quer pelo seu percurso trará, como é normal, outra visão e atuação pastoral.

José Fernando Caldas Esteves (monsenhor) tem um vasto currículo onde se destacam as suas responsabilidades junto do Vaticano. Para além de ter desempenhado as funções de Reitor do Colégio Português de Roma, trabalhou na Congregação para a Educação Católica onde foi responsável pelos países de língua portuguesa. Voltou, por sua iniciativa, para a sua Diocese de Viana do Castelo onde se colocou ao serviço do bispo. 

As comunidades não são feitas por uma pessoa, são o resultado do trabalho fraterno entre os vários membros da comunidade que, nas suas diferentes responsabilidades, trabalham em prol de objectivos comuns. Foi interessante verificar que na eucaristia de “entrada” do novo pároco compareceram pessoas das várias comunidades por onde o padre Caldas passou, quiseram fazer-se presentes. Este é o melhor indicador que poderia existir para o futuro destas 3 comunidades.  




domingo, fevereiro 27, 2022

Alto Minho, artigo de 23-02-2022

 E disse-lhes: «Vinde atrás de mim, e farei de vós pescadores de homens»” - Mt 4:19


Foi isso que fez o Padre Monsenhor José Gomes de Sousa. A quantidade de testemunhos que se foram lendo nos últimos dias, vindos de pessoas de diferentes gerações, confirmam que o “nosso” Padre Zé foi um verdadeiro pescador de Homens. 

Doou a sua vida à missão de nos mostrar Deus. Deus que se encontra no nosso dia a dia, nas tarefas quotidianas. Gostava de futebol, ficaram na memória de tantos os jogos em que entrou, de passeios pela montanha e da sua família. Tinha sempre tempo para quem o procurava, não abdicando dos seus princípios, acolhia todos nas suas diferenças e dificuldades.

Lembro-me de, durante o Verão, encontrá-lo ao final do dia, principio da noite, a contemplar e a aproveitar o crepúsculo em cima da ponte velha com o som ambiente das andorinhas. “Os cristãos tem a obrigação de participar na vida da comunidade, também, na política”, “quem tem muitos afazeres encontra sempre tempo para mais um, quem não faz nada não tem tempo para nada”, ouvir-o dizer muitas vezes. 

O Padre Zé também deu muito à comunidade, na dita “sociedade civil”. Esteve presente na vida e actividade de muitas instituições, como na Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, nos Bombeiros Voluntários, no Centro Paroquial de Ponte de Lima, no Instituto Limiano, conseguiu sempre mobilizar as forças vivas do concelho para se colocarem ao serviço dos outros. 

Durante os últimos 54 anos, a sua vida foi dedicada à comunidade que serviu com humildade, sem procurar protagonismo ou vantagens. Marcou e formou várias gerações de limianos. Será por isso de perfeita justiça a comunidade reconhecer esse serviço perpetuando, por exemplo, o seu nome numa artéria na vila de Ponte de Lima designando-a de rua Padre Zé (Monsenhor José Gomes de Sousa). Seria uma pequena homenagem ao serviço por ele prestado.

A sua vida foi de amor aos outros, pelo que não terá sido coincidência Deus tê-lo acolhido nos braços no dia do amor. 


Post scriptum


S. Josemaria Escrivá de Balaguer, escreveu nos anos 50, sobre os sacerdotes 


Deus Nosso Senhor conhece bem a minha debilidade e a vossa; todos nós somos homens correntes, mas Jesus Cristo quis converter-nos num canal, que faça chegar a muitas almas as águas da Sua Misericórdia e do Seu Amor” 


Receberam o Sacramento da Ordem para ser, nada mais, nada menos, do que sacerdotes-sacerdotes, sacerdotes a cem por cento


O “nosso” Padre Zé foi canal da Misericórdia e Amor de Deus, porque foi um “sacerdote-sacerdote”. Obrigado.




domingo, fevereiro 20, 2022

Alto Minho, artigo de 16-02-2022

 Erros 

O vereador na câmara Municipal de Ponte de Lima,  Carlos Lago, justificando a retirada do estacionamento de motociclos no largo da Camões, afirmou o seguinte; “acho que o nosso largo de Camões é a nossa sala de visitas, mas de todos os limianos, não só de quem vive na vila, e eu na minha sala de visitas normalmente tento ter os melhores espaços para receber as pessoas (…) Quisemos dar à nossa sala de visitas alguma dignidade”. Não poderia concordar mais, aliás, em 2016, quando a maioria CDS no executivo municipal colocou o estacionamento de motas no meio da “nossa sala de visitas”, mais coisa, menos coisa, foi o que publicamente afirmei em nome do então maior partido da oposição, o PSD. Que pena, na altura, não ter o Carlos Lago, que no ano a seguir fez parte da lista da equipa que lá colocou estacionamento, a defender precisamente isso. Já nem escrevo dos actuais presidente e vice-presidente da Câmara que até eram vereadores a tempo inteiro e, na altura, se remeteram ao silencio. 

Escrevemos sobre a reversão do estacionamento, poderíamos escrever do espaço de equitação espontânea, da zona de protecção à ponte… Ainda bem que foi encontrada coragem para corrigir esses e outros erros, mas não deixa de ser estranho não existir um reconhecimento do erro dos que no passado estiveram dentro ou perto da decisão. Não ficaria mal, bem pelo contrario. 


Polémicas


Uma das recentes polémicas mediáticas foi a dos assessores do vereador da oposição na câmara de Lisboa eleito pelo Livre. 

Como é ridículo verificar que, em Lisboa, um vereador único da oposição, como Rui Tavares, pode ter um género de “mini bus” de assessores, enquanto que no resto do país,  um vereador na mesma condição, por vezes, nem a um gabinete (fisico) tem direito para fazer o seu trabalho político. Que realidades tão dispares.


Novos tempos 


Como escrevi na passada semana, há pessoas que pelos cargos que ocupam mais que ser, estão. Pessoas que se colocam ao serviço dos outros, ao serviço da comunidade. Uma dessas pessoas é o novo arcebispo de Braga, D. José Cordeiro. Testemunho essa sua dádiva desde os tempos de Roma e por isso estou certo de que os “novos tempos” da Arquidiocese de Braga serão desafiantes e interessantes.


Bicicletas 


Lembram-se do que escrevi sobre a promoção da bicicleta como meio de transporte na comunidade escolar? No concelho de Lousada, existe um projecto chamado “2 Rodas Solidárias” que já vai na terceira edição, tendo entregue 60 bicicletas. Um bom exemplo replicável noutros concelhos, “só” é preciso ter vontade política para ultrapassar a barreira do imobilismo.

domingo, março 29, 2020

Alto Minho artigo de 26-03-2020



Ter de sair
Não é ao acordar, é ao fechar a porta que o medo nos assola o coração. Medo que seja a última vez que se bate a porta sem que o pouco do mundo ainda dito normal desapareça. Este é o sentimento de quem, como eu, sai todos os dias para trabalhar, no meu caso no atendimento ao público. Quando se ouvem relatos dos que trabalham na linha da frente dos hospitais, centros de saúde, IPSS, não se consegue perceber como, atendendo aos exemplos vindos de foram, Portugal não foi capaz de se acautelar, preferindo manter uma narrativa de que estava tudo bem, estávamos preparados, tínhamos material suficiente 
Não se consegue perceber como não se foram adquirindo mais ventiladores, mais máscaras, luvas e fatos de proteção. Como é possível surgirem apelos desesperados dos que estão lá, na linha da frente, não em teletrabalho ou em conferências de imprensa, mas nos pisos zero, nos corredores, a pedir, quase clandestinamente, aos amigos, aos conhecidos, à comunidade que ajudem materialmente ou monetariamente para que esses materiais sejam adquiridos. Onde estão os diretores, os responsáveis? Onde está o planeamento quando, pelo menos desde finais de janeiro, princípios de fevereiro, se tinha conhecimento da onda que se aproximava? 

Informação
Vejo nos telejornais notícias vindas do estrangeiro. São duras, por vezes até dou por mim a pensar se não deveriam ser filtradas, mas logo afasto esse pensamento. Sem sensacionalismo, as notícias, mesmo as muito más, devem ser divulgadas. É que,  mesmo com estas últimas, ainda há pessoas que parecem não perceber o que está em causa, que o deixar andar, o “é só esta vez agora não se aplica, porque os efeitos são catastróficos. A vida que tínhamos, neste momento, está ou deve estar suspensa.
É verdade que o que aconteceu na Povoa e em Vila do Conde neste último fim de semana é, no mínimo, revoltante. Mas há esperança, a grande maioria dos portugueses tem evitado sair desnecessariamente de casa. Deixou de ver fisicamente pais, avós, filhos, e com isso todos sofrem, todos sofremos. É um sofrimento comunitário por uma causa superior na tentativa de minimizar outro que corre o rico de ser maior.

Pequenas grandes coisas
A não participação física na eucaristia é algo que pessoalmente me pesa. Felizmente, a Igreja, graças a muitos párocos, consegui rapidamente e de forma fantástica aproveitar as novas tecnologias. Algo que deveria manter, mesmo quando ultrapassarmos esta pandemia, como forma de se aproximar da comunidade, dos doentes e dos que, por força maior, estão ausentes.
Outra situação é a compra de jornais. Sim, hoje as notícias encontram-se num clique, mas confesso que gosto de comprar em suporte papel, pelo menos dois títulos, o semanário Alto Minho e a revista Sábado. É por isso que deixo um agradecimento aos seus jornalistas e colaboradores e a quem nos faz chegar as nossas encomendas informativas, no meu caso a Catarina da KT. Store que se adaptou, como tantos comerciantes, entregando os jornais e revistas aos seus clientes da zona urbana de Ponte de Lima. 

quinta-feira, fevereiro 28, 2013

Artigo no Diário do Minho

Artigo publicado no Diário do Minho em 24-02-2013




   
Viva o Papa! 

O coração batia cada vez mais forte à medida que íamos passando as barreiras policiais. D. Jorge Ortiga, Arcebispo de Braga, liderava o pequeno grupo de 6 ou 7 pessoas que se dirigiam a passo apressado para os lados da Praça de S. Pedro. A cada passo dado, a emoção aumentava, o rugido da multidão fazia-se sentir, as sirenes das individualidades que chegavam de todo o mundo e todo o aparato que só a cultura italiana consegue impor a estes acontecimentos históricos provocavam o aumento exponencial do entusiasmo. 
Corria o ano de 2005 e na cidade de Roma estava prestes a iniciar a eucaristia da entronização do Papa de Bento XVI. Tive o privilégio de assistir e participar nesse histórico acontecimento. Naquele momento, ainda perdido, sentindo o vazio deixado pela morte de João Paulo II, estava curioso e expectante relativamente a este novo pontificado. Passados estes anos, apenas posso, fazendo minhas as palavras do Prelado do Opus Dei, D. Javier Echevarría, agradecer “a Bento XVI o seu rico e fecundo Magistério, e também o seu exemplo humilde e generoso de serviço à Igreja e ao mundo.” 
Desde o dia em que Bento XVI anunciou a sua resignação ao pontificado, foram vários os que logo se constituíram vaticanistas e começaram a dar palpites sobre o novo Papa. Pelo que pude ouvir e numa brevíssima amostragem, feita de memória, o novo Papa será novo, da Asia ou da América Latina, pese embora alguns vaticinem que sairá do continente africano… Pois o que eu tenho a dizer quanto ao novo Papa e às especulações de quem será, como crente, não serei esquisito, fico com quem o Espírito Santo quiser…

terça-feira, outubro 23, 2012

Artigo no Novo Panorama




Artigo publicado no Novo Panorama em 18-10-2012





A arte do engodo…

Partilho com o leitor algo que me deixou perplexo. Contaram-me o seguinte…
O telefone tocou, do outro lado uma voz agradável anunciava a realização de um rastreio à hipertensão arterial. “Leu a carta que lhe foi enviada”. – “Carta, qual carta?”. “Talvez os Correios se tenham atrasado”, talvez… À pergunta sobre a organização desse rastreio informaram que era uma colaboração com a Junta de Freguesia e outras entidades.
Eram várias as caras conhecidas que se juntaram no dia, na hora e local marcado, o antigo quartel dos Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima. Uma ou outra pessoa, auxiliadas por bombeiros, deslocavam-se em cadeiras de rodas. O estranho é que, para além de algum aparato e azafama a colocar mesinhas, não se via pessoal médico.
Depois de uma breve “triagem”, alguns homens recebiam as pessoas para uma “pequena entrevista”. Os minutos passavam, a conversa seguia, prolongava-se e depois de intermináveis inquéritos eis que chega o verdadeiro objectivo, o clássico “colchão ortopédico e a cadeira de massagens”. Et voilà, o objectivo da “coisa” estava consumado.
Tudo não passava de um engodo, de uma fraude para a venda de “milagrosos” colchões e cadeiras de massagens. Não existia nenhum rastreio, as autoridades de saúde e as juntas de freguesia nada teriam que ver com o assunto. Uma fraude, simplesmente uma fraude.
Por explicar fica um pormenor. O local. O antigo quartel dos Bombeiros Voluntários. Este local, ao contrário das salas dos hotéis, dá credibilidade ao “rastreio”, as pessoas associam este espaço a uma instituição de bem, que presta inestimáveis serviços na área da saúde. Os Bombeiros voluntários de Ponte de Lima não sabiam disto, pois não? Também foram enganados, não foram? É que não acredito noutra coisa…

Manifestação da Fé

Alguns poderiam pensar que o Ano da Fé, decretado pelo Santo Padre, nada significaria pelas nossas bandas. A adesão de tantos cristãos do Alto Minho ao desafio feito pelo Bispo da Diocese, de iniciar o ano da Fé com a celebração simultânea, em todos os arciprestados da diocese, da Santa Missa, deve ter sido uma surpresa para muitos sectores. Mesmo com chuva, centenas de pessoas quiseram manifestar a sua Fé participando, no caso de Ponte de Lima, numa missa campal.

Transparência 

Estão finalmente disponíveis, na página do município na Internet, as gravações das reuniões da Assembleia Municipal de Ponte de Lima. Foi uma proposta feita por mim, enquanto membro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima, secundada pelos eleitos do PSD e aprovada com 5 votos contra e 4 abstenções. Um exemplo de cooperação ao serviço de todos, sem interesses pessoais ou de grupo... Com esta decisão de abertura da Assembleia aos seus eleitores, ganhamos em verdade, lealdade e transparência. O importante é ser, mais do que parecer…