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domingo, maio 05, 2024

Alto Minho, artigo de 02-05-2024


Já não havia memória

Durante anos, a Assembleia Municipal de Ponte de Lima alheou-se das comemorações do 25 de Abril de 1974. Apesar de alguns apelos, inclusive nas conferências de líderes, nunca foi possível realizar uma sessão da Assembleia nesse dia. Finalmente, sendo  presidente João Mimoso de Morais, na vigência da presidência da Câmara de Vasco Ferraz, o primeiro presidente nascido pós revolução, a Assembleia Municipal de Ponte de Lima realizou uma sessão evocativa, como escrevera Sophia de Mello Breyner Andresen, do “dia inicial inteiro e limpo”. 


Virados para fora


Para uns será uma boa notícia, para outros uma notícia que confirma que a nossa região está ainda no pelotão detrás. Segundo o mais recente boletim trimestral Norte Conjuntura, elaborado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, o nosso distrito tem 2 concelhos entre os 20 concelhos mais exportadores do norte de Portugal. O concelho de Viana do Castelo aparece na nona posição e o de Vila Nova de Cerveira na décima quinta. 

Já agora, nem a segunda cidade do distrito, Valença, nem o segundo maior concelho, Ponte de Lima, aparecem na referida listagem. 


Estranho


Não acharam estranho que nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril os únicos a referir Mário Soares tivessem sido Aguiar Branco e Marcelo Rebelo de Sousa? Do PS, nada! Será porque ele representa, como afirmou o presidente da Assembleia da República, “a personificação maior de um espírito de bom senso e sabedoria que hoje, em política, chamamos moderação”? Quando vivemos um ambiente político cada vez mais fragmentado, o PS de Pedro Nuno Santos parece mais preocupado com os jogos de popularidade imediata (e mediática) do que ser herdeiro de Soares na busca de consensos democráticos. 


50 anos


Fez ontem 50 anos que, em várias localidades do Alto Minho, se viveu uma das maiores manifestações expontâneas de que há memória. As várias fotografias do dia 1 de Maio de 1974 são prova da adesão do povo ao processo iniciado dias antes pelo Movimento das Forças Armadas. 

Existe um documentário da RTP, possível de ser visualizado na plataforma online da estação pública, que documenta esse dia na vila de Ponte de Lima. Começa por uma homenagem a Norton de Matos, onde é possível verificar a romagem de milhares de  limianos, e termina no largo junto aos actuais Paços do concelho, onde várias personalidades fazem intervenções. São tantos os rostos familiares! Que pena o documentário não ter som.

 

Europeias


Os dois principais partidos portugueses, o PSD e o PS, apresentaram as listas com os candidatos às eleições europeias. Nenhuma delas apresenta candidatos do Alto Minho perto de lugares elegíveis. O PSD apresenta a advogada limiana, Felismina Barros, em 17º lugar, por coincidência, o mesmo lugar que o também limiano Manuel Trigueiro ocupou nas europeias de 2009. Já o PS coloca no 19º lugar, a licenciada em Direito e membro do Gabinete de Apoio à Presidência da Câmara Municipal de Valença, Ana Cláudia Moreira.

domingo, janeiro 15, 2023

Alto Minho, artigo de 11-01-2023

 Tempus fugit

Os chapéus e bonés sempre me fascinaram. A razão para isso talvez seja ter acompanhado o meu avô na minha meninice vendo-o sempre usar, à semana, um boné, ao domingo, um chapéu. Ficaram-me na memória as caixas dos chapéus, redondas, com os monogramas das marcas, que eram guardadas para receber os chapéus sempre que não estavam em uso. 

Quando cresci, o uso de chapéu foi saíndo de moda, e, talvez por vergonha, foi deixando-os de lado, mas mantive o hábito de usar bonés. Comecei a guardar alguns, dos mais tradicionais aos “americanos”, que chegavam até nós através da bondade do Sr. Malheiro, pai do Aníbal que os enviava do Canadá, até a alguns de funções profissionais que implicam o uso desse acessório.

Quando encerraram as chapelarias que existiam em Ponte de Lima, a alternativa para comprar um chapéu ou boné de qualidade era encontrada nas cidades de Viana do Castelo ou de Braga. Recentemente, dirigi-me a uma chapelaria em Viana do Castelo. Ainda antes da pandemia tinha adquirido lá um boné para oferecer. Para meu espanto, já não encontrei a loja. Confesso que me senti perdido, e a sensação de nos perdermos numa cidade que conhecemos desde sempre não é das mais agradáveis. No local onde seria a loja, encontrei um “salão de beleza”. Bem sei que os chapéus e os bonés podem embelezar um rosto, mas não seria, certamente, essa beleza que ofereciam no salão. 

Infelizmente, perdemos, todos os dias, marcos na nossa vida que pensamos estar adquiridos. Lojas de bairro que desaparecem sem se dar por ela, hábitos que entram em desuso e que se esfumam com o tempo. Agora tudo tem de ser rápido, imediato, sem tempo a perder. Não há tempo para escrever uma carta, para comprar e ler um jornal, quanto mais um livro. Tudo tem de caber num ecrã de telemóvel. As chamadas feitas para este aparelho têm de ser imediatamente atendidas. É um tempo novo que não é melhor ou pior, mas que é diferente do tempo em que havia tempo, lá isso é.

Ainda ecoava nos ouvidos a musica da canção “As time goes by” quando Rick, a personagem de Humphrey Bogart, um dos ícones do uso do chapéu, no filme ”Casablanca”, responde à pergunta de Ilsa, um papel de Ingrid Bergman, “Mas, e nós?” com a conhecida resposta “Teremos sempre Paris!”. Pois é, caro leitor, mesmo ficando as memórias, a vida muda, o tempo corre.


Tristes realidades


No final do ano ficamos a saber que o ganho médio mensal no Alto Minho é de 1057,2€ e em Portugal é de 1247,2. O concelho, no Alto Minho, onde esse ganho médio é menor é o de Ponte da Barca, não ultrapassando os 902,8€, já o maior encontra-se no concelho de Viana do Castelo com 1153€. Ponte de Lima surge a meio da tabela com 960,3€ de ganho médio mensal, logo a baixo de Paredes de Coura com um ganho médio mensal 964,2€.

O nosso distrito continua longe da média nacional. Ainda temos, enquanto comunidade, um longo caminho para percorrer e esse caminho, caros responsáveis políticos, não se faz nem com discursos bonitos, nem com guerrilhas partidárias. Faz-se com ideias, visão e trabalho.

domingo, março 28, 2021

Alto Minho, artigo de 24-03-2021



Daniel Campelo, o regresso?

Em 2015 escrevi o seguinte “Com o silêncio, Campelo vai passando incólume entre as gotas da polémica. Alguns dizem que é tudo calculado, que está a preparar o seu regresso, outros, que simplesmente deixou de se interessar pela política, outros ainda defendem que não lhe interessa voltar… agora.

Não sei se a partilha do documento, que podem ler no suplemento da semana passada do semanário Alto Minho, pretende ser o início do seu “regresso”. Sinceramente nem me interessa muito. O que sei é que a sua reflexão deve ser lida e meditada. Principalmente pelos que estão em lugares de decisão e pelos que se apresentam este ano como candidatos a exercê-los.


A ponte que nos dá nome


Sabemos que durante séculos foram cobradas taxas (vamos chamar-lhes assim para simplificar) para a manutenção da ponte velha de Ponte de Lima. A limpeza sempre foi tida como algo primordial, até como forma de manutenção e preservação da própria ponte. 

Recentemente, o Professor Doutor Matos Reis lançou um apelo; “Por favor tirem as heras da ponte, se não a querem destruir.”. Isto vem a propósito da Câmara Municipal ter promovido, nos últimos anos, o crescimento de trepadeiras na ponte, junto ao largo de Camões. A nossa ponte velha não é um qualquer muro rural para ser tomado por trepadeiras que escondem as ancestrais pedras graníticas.


Falta sensibilidade e amor à Terra


A ponte velha, nos anos 80, com a abertura da ponte de N.S. da Guia, deixou de ter importância na circulação rodoviária. Foi, no entanto, a partir daí que viu oficializar, consolidar e valorizar a sua importância na política identitária de Ponte de Lima. Francisco Abreu Lima, corajosamente, deu o aval, no final dos anos 80, para fechar a ponte ao trânsito. Nos anos 90 foi colocada iluminação ornamental para realçar, ainda mais, a majestática construção. 

Ainda se lembram dessa iluminação da ponte? A iluminação dos seus arcos, do património envolvente? Passem por lá numa noite destas, da iluminação pouco sobra. Aliás, uns arcos estão iluminados, outros não. Uns com cores amareladas, outros brancas… 

Até parece que o ex-libris de Ponte de Lima perdeu a tal importância na política identitária. Além das trepadeiras já referidas, são os ferros espetados para as feiras, para as decorações das festas, é a iluminação tal como descrita, é a falta de uma área de proteção que afaste o estacionamento, são pedras, outrora sendo parte da ponte, a sinalizar a fronteira entre o espaço de aparcamento e o rio.

Existe cada vez mais investimento em luz e tecnologia LED. A iluminação ornamental de monumentos deu grandes passos nos últimos anos. Como seria importante voltar a ver a nossa ponte iluminada, com uma iluminação condizente com a importância que lhe deve estar associada.


Zonas industriais 


Em 2016 este semanário fazia notícia com “terrenos comprados para IKEA vendidos agora à Câmara de Ponte de Lima por 1,7 milhões”. Na notícia eram explicados alguns contornos menos claros na aquisição dos terrenos e referida a razão invocada por Vitor Mendes para a compra, havia várias empresas interessadas em se instalar lá. Disse-me o mesmo quando o questionei numa reunião da Assembleia Municipal. Mas eis que só agora, passados 5 anos, é que a Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou o projecto do Pólo Industrial de Calvelo. As empresas interessadas esperaram 5 anos? Claro que não. Já lá vão 4,9 milhões.

Quem receber, no final deste ano, das mãos dos limianos os destinos de Ponte de Lima uma das primeiras decisões que deverá tomar será a de imitar os nossos vizinhos (escolham um, porque quase todos nos ultrapassaram neste campo) e criar um verdadeiro grupo de trabalho de promoção e captação de investimento para o concelho, abandonando os velhos e ultrapassados chavões que, apesar dos milhões envolvidos, poucos resultados trouxeram para o desenvolvimento e criação de emprego em Ponte de Lima.

terça-feira, janeiro 17, 2012

Artigo no Novo Panorama

 NOTA: Publicado no dia 12 de Janeiro de 2012

Chega!
Cada vez tenho menos paciência para moralistas, demagogos e populistas. Farto de políticos, (pessoas que participam na vida política), que não conseguem compreender que este é o tempo de pensar na sua comunidade, no que a faz mover, que política deve seguir, que caminho deve traçar. Políticos que não percebem que não é tempo de abstenções e justificações tipo "chapa 5" sem ter em conta as pessoas, a vida das pessoas, pensando apenas nas suas vaidades. Políticos que não percebem que este não é o tempo, certamente, de cavar trincheiras burocráticas para lá refugiar a vacuidade do seu pensamento. Este é o tempo de agir!

Porque é tempo de agir…
O PDM de Ponte de Lima foi revisto. Uma revisão fundamental que consolida, inequivocamente, a freguesia de Arcozelo como pólo de desenvolvimento industrial do concelho. O que estava em causa era o desenvolvimento de Arcozelo, de Ponte de Lima. O que estava em causa era o ganha-pão de centenas de famílias limianas. Quando é isso que está em causa não se pode ter dúvidas e, felizmente, a Assembleia Municipal, na sua última reunião, demonstrou que não as teve.

Porque não para a nossa Biblioteca Municipal?
Nos últimos tempos os formatos eletrónicos, dos ebooks, do acesso à informação têm tido uma evolução, em crescendo, dando novas possibilidades e abrindo novos caminhos. Primeiro no campo dos periódicos, agora no campo dos livros, as bibliotecas podem encontrar aí um novo modelo de negócio. Cada vez são mais os utilizadores, que quando tem disponível uma plataforma simples, fácil de usar, preferem utilizar/consultar a versão electrónica.
A realidade vem demonstrar que os utilizadores estão receptivos aos formatos electrónicos, vejam-se as vendas de ebooks nas principais livrarias nacionais e internacionais, e as bibliotecas devem seguir o que os seus utilizadores querem.
Como utilizadores, não será interessante poder requisitar um livro na biblioteca a qualquer hora do dia, em qualquer lugar? Para a biblioteca não será interessante aumentar a sua capacidade de suprimir as necessidades informacionais dos seus utilizadores? E, se os livros já não forem sujeitos a direitos de autor, por exemplo, os livros antigos sobre Ponte de Lima existentes na Biblioteca municipal, tanto melhor…
Os tempos são outros, são de mudança e as bibliotecas só têm uma escolha que é seguir os tempos, serem agentes da mudança.

Sugestões
No próximo sábado, dia 14 de Janeiro, pelas 21.30 horas, ouvem-se os cantares de reis no Teatro Diogo Bernardes. Nesse mesmo dia, mas no auditório Municipal de Ponte de Lima, pelas 15 horas, assiste-se ao lançamento do livro Aníbal Marinho - Cinco Décadas Literárias. Vale a pena resgatar do esquecimento a vida e obra deste poeta, deste limiano.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Crise
Tal como o leitor também eu estou saturado da palavra “crise”. A verdade é que, por mais saturados que nos sintamos, por mais que desliguemos a televisão e passemos à frente as notícias, ela é como o cheiro a naftalina que se entranha e não desaparece.
No domingo passado, a Igreja iniciou o tempo do advento. O tempo de preparação para o nascimento de Jesus. Um tempo de esperança por excelência que nos deveria dar ânimo pela esperança que acarreta, pois, por mais difíceis que sejam os tempos, a verdade é que a última coisa a fazer é perder a esperança de encontrar na crise uma oportunidade para crescermos.

Aproveitar
O nosso sistema político vive momentos de grandes desafios. Alguns dizem de crise (novamente a palavra), outros de declínio. Eu penso que são de grandes desafios e oportunidades.
É necessário repensar todo este sistema político que se revela todos os dias esgotado, começando pelo que está bem perto de nós, as freguesias. Já repararam no processo de unificação de freguesias que a Câmara Municipal de Lisboa iniciou? Talvez fosse algo que se deveria pensar a nível nacional. Já alguém reparou na diferença entre um deputado interessado e que realmente se empenha em representar os seus eleitores e aqueles que são impostos pelas direcções nacionais dos partidos? Talvez fosse tempo de pensar num sistema de eleição uninominal dos nossos representantes na Assembleia da República. Realmente já pararam para pensar na perversidade dos nossos órgãos autárquicos onde o executivo municipal ao invés de ser formado, tal como o governo da República, pelo partido mais votado é constituído por um órgão colegial onde a oposição serve ou de entrave ao projecto que foi legitimamente escolhido pelos eleitores ou, estando em sobeja minoria, servirá como uma espécie de abat-jour político, sem qualquer poder? Talvez fosse melhor reforçar o poder das Assembleias Municipais, saindo do seio destas os executivos municipais tal como o governo nacional sai da Assembleia da República.

Não será estranho?
Não é estranho existirem políticos que ao mesmo tempo que participam na actividade pública exercem outras actividades que interagem com o Estado? Será correcto, por exemplo, deputados que, sendo advogados, continuem a trabalhar para escritórios que, por sua vez, trabalham para a administração pública? Não será isso tão estranho como, por exemplo, um membro de um Executivo Municipal ser dono de uma empresa de construção e continuar a trabalhar com as Juntas de Freguesia do seu concelho? É que como diziam os romanos “à mulher de César não basta ser séria, também tem que parecer”...

terça-feira, outubro 27, 2009

O Povo do Lima - artigo de 27 de Outubro

Qual é o nosso motor?

Umas mais que outras, mas todas as forças políticas de Ponte de Lima referem-se a Ponte de Lima como um concelho rural, ligado à agricultura. Será essa a realidade do concelho limiano? A verdade é que, pese embora a percentagem de empresas ligadas à agricultura, silvicultura, caça e pesca ser de 22%, estas apenas representam 6% do emprego em Ponte de Lima. O grosso da população trabalhadora exerce a sua profissão na construção e obras públicas, 32,4%, estando a maior parte fora do concelho, logo seguido pelas indústrias transformadoras, 22,4%, que, juntamente com a indústrias extractivas (1,8%), perfazem 24,2 % e finalmente, fechando o top 3, o comércio, hotelaria e restauração que representa 21% do emprego limiano. É por isso que apostar numa economia ruralista, esquecendo as outras áreas económicas, é um erro. É por isso que não ter uma política proactiva é um erro. É por isso que a iniciativa da Junta de Freguesia de Arcozelo, apoiada, é certo, pela Câmara Municipal, da criação do pólo do granito é louvável por ser estruturalmente necessária à economia do concelho.

Ainda as eleições autárquicas – a ressaca

Com os resultados eleitorais da oposição, a tendência que esta terá é a da desmotivação, é de auto-consumir-se em “guerras” fratricidas. Ponte de Lima necessita da uma oposição forte, de uma oposição que seja capaz de estruturar um caminho alternativo, uma oposição que seja capaz de, mais do que nunca, fiscalizar a maioria. Mais do que “empalar cabeças” a oposição necessita de se reencontrar, descobrir quem é, quem representa, quem pode representar. A oposição deve diminuir o peso dos nomes e aumentar o das políticas.

Transportes escolares

Têm vindo, ultimamente, a público alguns casos relacionados com o transporte, ou a falta dele, de crianças para as escolas e jardins infantis. Para além de revelar falhas, existe outro ponto comum a todos os casos, é a Câmara arranjar maneira de nada ter que ver com o assunto. Até poderá ser assim, mas, se existe um problema, por que não, pelo menos, tentar corrigi-lo? Porquê culpar as transportadoras ou as juntas de freguesia quando, a bom rigor, é a Câmara que contrata as empresas e é a Câmara quem comparticipa a compra das carrinhas de transporte para as Juntas?
Politica é basicamente a resolução dos problemas da polis, da comunidade e se a Câmara, os nossos representantes não servem para resolver os nossos problemas para que é que servirão?

segunda-feira, outubro 12, 2009

O Povo do Lima - Artigo de 12 de Outubro

John Stuart Mill (pensador e político inglês do século XIX) escreveu que "A estabilidade na sociedade política prevê a existência de um princípio forte e activo de coesão entre os membros da mesma comunidade... Referimo-nos àquela parte da comunidade que valoriza a sua ligação, que sente que forma um povo, que o seu destino é comum, que o mal de qualquer um dos seus compatriotas é o seu próprio mal..."

Penso que é este espírito de comunidade que deve prevalecer ainda para mais num patamar de proximidade como é o do município. Quer o actual presidente da Câmara, quer alguns dos seus vereadores defendem que o emprego não é garantido, que os jovens devem estar preparados para essa realidade. Não deixa de ser verdade, mas o problema é que não se pode ficar por aí. Não ouvi nem li ninguém que se propõe manter as políticas municipais actuais a acrescentar ou contradizer este argumento. Neste momento, é notório o número de limianos, nomeadamente jovens, que têm que se deslocar da sua terra para poderem trabalhar. Quando falo de deslocar da sua terra, não digo apenas de sair deste concelho para outro vizinho, ou sequer para um cidade próxima, falo de saírem do seu concelho com destino a outro país. Este está a ser um facto comum a várias famílias que se pensava ter ficado no passado. Infelizmente, todos conhecemos alguém que “foi para fora". Ainda há pouco tempo, a minha filha de 3 anos viu uma das suas "amiguinhas" partir com os seus pais para outro país. Foi lá que eles encontraram emprego, estabilidade. Outros há que todos os dias, às 5 da manha, partem para Espanha... Isto é algo que não olha a situação familiar, classe social ou escolaridade.

É óbvio que a resposta não passa em exclusivo pelo Município, claro que não, mas este tem a responsabilidade de não virar a cara. Tem a responsabilidade de lutar, lutar para manter a comunidade, para manter os seus membros junto da mesma. A atitude deverá ser muito mais pro-activa. Escrevi noutro artigo que nós limianos não nos podemos resignar. Devemos recusar a resignação, e quem deve dar o exemplo são precisamente os nossos governantes, a começar pelos mais próximos, aqueles que elegeremos no próximo fim-de-semana. É preciso que tenham em conta que não basta exibir estatísticas avulso que demonstrem a nossa menor perda de população ou rejuvenescimento, até porque poderão ser sempre rebatidas por outros estudos... São necessárias medidas de protecção ao emprego, dinamização dos pólos e zonas industriais, apoio à criação de novas micro e pequenas empresas, é necessário apoiar as famílias, não só a nível escolar, mas também ao nível cultural, ao nível social e económico.

Comunidade. É esta palavra que deve orientar a gestão dos bens públicos. É nessa palavra que deve estar a matriz de qualquer política a ser aplicada. Temos que ter consciência que, tal como escreveu Mill, “o mal de qualquer um dos seus compatriotas é o seu próprio mal”. Não podemos continuar a assistir à "sangria” do nosso mais precioso bem que são as pessoas. Se outros concelhos vizinhos conseguem, também nós o conseguiremos.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Alto Minho artigo de 08-01-2009

Ano novo, vida velha…

No último dia de 2008, na imprensa falada, e no segundo dia de 2009, na escrita, fomos brindados com entrevistas a Daniel Campelo. É sempre interessante ouvir ou ler entrevistas aos nossos representantes. Claro que em ano de eleições seria igualmente interessante que os partidos da oposição pudessem ter a mesma oportunidade quer na avaliação do que se passou quer na apresentação das suas perspectivas para o futuro.

Voltando às entrevistas, o que se realça em ambas é a tentativa de mostrar um concelho que infelizmente não existe, onde a Câmara Municipal faz tudo o que pode, mas onde os munícipes nem sempre colaboram, onde se fala de fiascos das políticas do executivo municipal como se ele nada tivesse a ver com isso. Desemprego? É a conjuntura internacional, que, aliás, diz que não vai afectar muito Ponte de Lima. Pois, se eu não estiver à chuva não me molho… Ponte de Lima talvez não seja muito afectada, mas os limianos que são obrigados a percorrer vários quilómetros para trabalhar noutros concelhos por não encontrarem emprego no seu, infelizmente serão. O mercado municipal é um elefante branco? Diz o presidente que a culpa é da concepção e da arquitectura, até menos da concepção. Mas esperem, não foi ele que aprovou o projecto e que tanto finca-pé fez para a construção do novo edifício mesmo com o protesto generalizado dos comerciantes, utilizadores e partidos da oposição, e isto há menos de uma década? Em relação à educação, apresentada como a prioridade das prioridades do executivo, Campelo faz questão de reafirmá-la como o caminho da “salvação” por vezes para toda a família que aposta na educação dos seus filhos. Até aqui tudo bem, mas logo depois, quando se falava de emprego dizia que ter uma boa formação não é sinónimo de ter um bom emprego e voltou à tecla de licenciados a fazer trabalho de balcão, de empregado de mesa. É certo que a realidade infelizmente a isso leva, mas o que choca é a resignação que o nosso líder autárquico demonstra face a esta situação.

Percebo que deve ser difícil para o presidente da Câmara enfrentar desafios bem diferentes daqueles a que se habituou na última década e meia. Ponte de Lima precisa de outra perspectiva, de gente com valores bem fincados, saídos da comunidade, gente nova que saiba respeitar os mais velhos, que saiba aprender com estes, mas que não tenha medo de mudar, de caminhar e enfrentar o futuro. A menos de um ano das eleições, as entrevistas que o presidente da Câmara de Ponte de Lima deu apenas vieram demonstrar que esta é uma necessidade premente que o concelho limiano necessita rapidamente de preencher.

Bar do Arnado

Fez um mês que o bar do Arnado, na vila de Arcozelo, ardeu. A estrutura em ruínas ainda lá está esperando a sua remoção. Como local de referência no Verão limiano e dos petiscos pela noite fora durante todo o ano, espera-se que o bar renasça rapidamente. Aproveite-se a reconstrução para localizar o novo edifício uns metros atrás, no terreno adquirido entretanto pela Câmara Municipal e que serve de parque de merendas. Desta forma, voltar-se-ia a restabelecer o equilíbrio estético da zona envolvente do cruzeiro do Arnado, devolvendo uma certa dignidade a este espaço histórico.

sexta-feira, março 14, 2008

Alto Minho artigo de 14-03-2008

Confrontação?

Abel Baptista diz que não foi sua intenção confrontar Campelo, mas a verdade é que em termos autárquicos foi das poucas vezes que avançou até ao fim com uma proposta sabendo, de ante mão, que Campelo seria contra.
Ainda no final do ano passado, recuou à última hora aquando da formação de uma comissão da Assembleia Municipal para acompanhamento do comércio tradicional, não permitindo que a proposta fosse a votação. Passados poucos meses, eis que a dita é aprovada com outro nome e com ainda maior abrangência, isto sobre proposta do PCP e o voto de quase todo o hemiciclo.
Mas a curiosidade assentava numa outra votação. A da proposta de Abel Baptista para a elaboração de um plano estratégico para o concelho de Ponte de Lima. Um plano que há muito fazia falta e que várias vozes já tinham pedido e que tinha sido sempre recusado pelo poder. Mas ser o Presidente da Assembleia Municipal, membro do partido do poder, CDS-PP, e não um partido da oposição, reveste a proposta de outro “peso”.
Campelo tentou, esgrimiu argumentos, abanou com uma série de planos estratégicos genéricos para a região, tudo fez para que a mesma não fosse aprovada. Mas como os argumentos por ele usados pareciam dar ainda mais força à proposta, a VALIMAR não pode servir de “guarda-chuva” para tudo, a proposta foi aprovada.
Campelo sabe que com a elaboração deste (elementar) plano estratégico para o concelho, a sua falta de habilidade governativa estratégico-economica pode ser desmascarada. Com a situação que se vive no concelho, falta de emprego, falta de investimentos, parcos incentivos à iniciativa privada será muito difícil explicar e manter a dinâmica eleitoral do passado. Ainda para mais, quando a possibilidade de uma cisão no ceio do CDS local continua a ser uma possibilidade. O tabuleiro do xadrez político local já começou a movimentar-se...
Já agora, é difícil perceber a pouca ou nenhuma cobertura desta matéria pela ROL. Custa perceber esta decisão tendo em conta que não é esse o critério editorial que a rádio local nos habituou. A meio da semana posterior à Assembleia Municipal, na ROL ainda não havia qualquer referência. Será que não é notícia a discussão do futuro estratégico do concelho em que a ROL é a rádio local?

sexta-feira, junho 15, 2007

Alto Minho artigo de 15-06-2007

Imigração, eis a “nova” saída que muitos limianos encontram para a sua situação profissional. É preocupante a quantidade de limianos, que ou saíram do país para trabalharem ou semanalmente enfrentam a estrada rumo às construções na vizinha Galiza.

Os níveis de imigração aproximam-se, cada vez mais, dos dos anos 60/70. Se é verdade que a conjuntura no país não é das mais favoráveis, também não é menos certo que o concelho de Ponte de Lima não se soube preparar para a realidade actual.

A aposta única numa falsa ruralidade, num turismo de massas, improdutivo e eunuco, disfarçado de qualidade está a ter as consequências que os limianos vivem no seu dia a dia. Ainda se lembram das promessas do “queijo limiano” e do que supostamente estava em causa? Da nova fábrica abastecida pelo leite produzido em Ponte de Lima? A verdade é que nada disso se concretizou, os postos do leite desapareceram um atrás dos outros e da fábrica do queijo “genuinamente limiano” nem sinal. A situação periclitante da Adega Cooperativa agravada com os constantes avanços e recuos na construção de uma nova Adega, a compra de um terreno protegido, a inoperância da Câmara em desbloquear o problema. Que será dos pequenos produtores que tinham na produção vinícola um complemento do orçamento familiar?

Veja-se a actual dependência da economia limiana do dinâmico sector de extracção e transformação de pedra. Diz-nos a prudência que num casal é contraproducente os seus dois membros trabalharem na mesma empresa, porque, caso esta venha a fechar, ficam os dois sem emprego. Ora, nos tempos que correm, a dependência, quase total, de um sector é um erro que se pode pagar caro no futuro.

A Câmara Municipal e a Associação Empresarial deveriam unir-se, não só na produção de cartazes e realização de eventos, mas, e acima de tudo na criação de novos empregos. Por que não unirem-se na criação de uma incubadora de micro-empresas em colaboração próxima com as universidades/institutos politécnicos bem como com as escolas profissionais? Bem sei que outros concelhos já o fizeram antes, Arcos de Valdevez ou Vila Verde, por exemplo, mas penso que Ponte de Lima ainda vai a tempo de promover a iniciativa privada e a criação do próprio emprego. Muitos poderão ironicamente dizer “pois, pois”, mas o certo é que o rumo actual tem que ser mudado. Voltar a falar de imigração nos moldes do século passado não faz sentido, se não for por aqui que seja por ali, mas mude-se o rumo…

quinta-feira, maio 24, 2007

Alto Minho artigo de 24-05-2007

É inegável que algo de errado se passa na política económica de Ponte de Lima. Segundo o INE, em Ponte de Lima, a taxa de desemprego, em 1991, era de 4,6%. Passados dez anos, em 2001, a mesma taxa de desemprego era já de 6,0%. Mas se fizerem uma pesquisa rápida ao site www.where-to-invest-in-portugal.com, onde os municípios sãos os principais parceiros, logo verificam que a taxa de desemprego em Ponte de Lima é já de 8,2%.

A falta de uma política económica, de um plano económico para o concelho é evidente. É estranho, por exemplo, verificar que concelhos vizinhos têm tirado partido dos acessos que servem o concelho limiano e que este não consiga capitalizar esses mesmos acessos em prol do seu desenvolvimento económico.

Campelo, em década e meia que leva na liderança do Município, não foi capaz de encontrar políticas capazes de dinamizar a economia limiana. Este é, aliás, um dos calcanhares de Aquiles do executivo Campelo. Só uma economia dinâmica cria emprego, infelizmente não é o caso da limiana.

Estes números são o reflexo das dificuldades que as empresas limianas estão a passar. Mas a culpa não é apenas da falta de reacção e iniciativa do Município limiano, a Associação Empresarial também tem a sua quota-parte de responsabilidade. Onde está a reabilitação do comércio, onde está a formação dos empresários? A necessidade de mudança de mentalidade deveria ser uma prioridade, mas será que é? Estarão os comerciantes limianos preparados para a nova realidade, já prevista há tantos anos, da concorrência dos grandes grupos de distribuição? Terá sido o proteccionismo, ao invés de uma gradual abertura, uma boa escolha no que concerne à fixação de médias superfícies comerciais, que agora abrem por todo o lado?

É urgente revitalizar o comércio limiano, mas, isso só será possível com a indispensável e real colaboração do município limiano com a Associação Empresarial de Ponte de Lima.