domingo, janeiro 04, 2026

Alto Minho, artigo de 30-12-2025

Novo Ano, novas eleições

Com a chegada de 2026 seremos chamados a mais um acto eleitoral. Iremos escolher o Presidente da República, o Chefe de Estado e Comandante Supremo das Forças Armadas. Alguns dirão que já estão fartos de eleições. Realmente, desde 2024, somos chamados, sucessivamente, a fazer escolhas em legislativas, europeias, novamente legislativas e autárquicas. Há, no entanto, que perceber que pior seria se não o pudéssemos fazer. 


Uma porta aberta para o passado


Winston Churchill, parafraseando George Santyana, num discurso de 1948 na Câmara dos Comuns, disse que “aqueles que falham ao aprender com a história estão condenados a repeti-la.”. Os Arquivos são um dos espaços onde podemos encontrar e aprender com a história.

Felizmente, nos 10 municípios do Alto Minho, existem arquivos municipais onde se preservam documentos que fazem a história local. Quase todos eles proporcionam serviços de leitura, de pesquisa nos referidos documentos, sendo que, também, em quase todos eles, podemos encontrar formas digitais de acesso a muito do seu fundo documental. 

O Arquivo Distrital de Viana do Castelo (ADVCT) esteve profundamente ligado à criação desses arquivos. Em 2003, foi criada uma Rede de Arquivos no Alto – Grupo de Trabalho de Arquivistas do Alto Minho, que foi fundamental para a criação de sinergias entre profissionais e arquivos. Depois de algum tempo com alguma limitação de funcionamento, está, novamente, o ADVCT, com os Arquivos Municipais, a revitalizar a referida rede. Um dos objectivos é trazer os arquivos para junto dos cidadãos, e, através da documentação custodiada, dar a conhecer a história da nossa comunidade. As possibilidades são imensas, pelo que os pequenos passos que se estão a dar neste momento terão, certamente, boas repercussões no futuro da memória coletiva.  

 

Decisões difíceis


Com a mudança no executivo municipal de Melgaço, chegou a dura verdade. O encontro com a realidade deu-se quando, após os avisos do presidente José Albano Domingues, saiu a notícia da decisão de suspensão do MDoc – Festival Internacional de Documentário. 

O Bloco de Esquerda logo fez sair um comunicado, onde mencionava o “ataque à cultura”, uniu-se um coro de críticas nas redes sociais, mas, eis que a realidade, essa força que nos devolve à terra, fez perceber o motivo dessa decisão. A realização da edição do ano de 2026 iria custar cerca de 167.000,00 euros. Por mais incrível que pareça, o Município, segundo os actuais responsáveis, não dispõe dessa verba. Para o presidente da Câmara, a escolha era entre “deixar de apoiar as instituições, associações e freguesias do concelho, aumentar exponencialmente as tarifas de serviços básicos como água, saneamento e resíduos sólidos, desinvestir em saúde, educação, habitação e ação social, ou suspender o festival MDoc”. O edil melgacense não teve dúvidas de qual seria a melhor decisão. É nestas alturas, nas decisões difíceis, que se vê quem é eleito para ajudar as populações.