domingo, abril 25, 2021

Alto Minho, artigo de 21-04-2021

Pode ser uma imagem de 11 pessoas e pessoas a sorrir


Ideias


Depois dos nomes, é tempo de ideias. Sabemos que é mais fácil para os partidos, para os movimentos, ficarem na espuma da discussão de nomes ou, eventualmente, de chavões da ordem do dia, mas é necessário e imperativo mostrarem ao que vêm. Por exemplo, no concelho de Ponte de Lima apresentam-se 6 ou 7 candidaturas diferentes, o que será que estas defendem para o concelho? O que levou os candidatos a avançar? Por que será o seu projecto melhor que o dos outros? Que ideias diferentes têm para o rumo que querem para o concelho? 


Mas serão as ideias importantes?


Se não são, deviam ser. Infelizmente, nós, os cidadãos, nem sempre conseguimos, por falta de tempo ou por imperativos da nossa vida, dar atenção às ideias que cada lista e candidato apresentam ou deveriam apresentar. É mais simples fazer as escolhas olhando para a imagem que o candidato nos transmite, ou absorver, sem questões, as narrativas que nos apresentam do que procurar saber o que propõem eles para nos representarem. 


Valerá a pena “investir” em ideias?


Quando, em 2017, integrei uma candidatura à vila de Arcozelo, o nome primaz da lista foi a última coisa a ser decidida. Primeiro foram-se juntando várias pessoas, de diversas formações académicas, com base profissional abrangente, membros activos da comunidade, jovens e menos jovens. Durante meses reuniram e debateram a freguesia onde viviam. Seria possível fazer mais pela sua comunidade? Debateram problemas e possíveis soluções, foram aumentando o grupo, aumentando o conhecimento, auscultando várias pessoas, conjugando os anseios e as realidades. Salgueiro Maia, no discurso que fez aos seus soldados na madrugada do 25 de Abril de 1974, disse o seguintetodos sabem que existem diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegamos.”. Foi pela necessidade de alterarem o estado a que tinha chegado a sua freguesia que criaram um projecto, uma visão para a freguesia, e, apesar de alguns lhes dizerem que estavam a perder tempo, não se encolheram e avançaram. Os nomes e a ordenação da lista foram escolhidos em conjunto, depois de criado o projecto que queriam para a sua comunidade. O eleitorado, legitimamente, preferiu outro caminho, a lista ficou no terceiro lugar das cinco candidaturas.

Então, quem afirmou que era uma perda de tempo tinha razão? Não, não tinha. Até podia escrever como, volvidos 4 anos, para além do estado em que se encontrava, a freguesia entrou em estado de torpor. Mas não vou fazer perder tempo o leitor. Só o facto de, tendo consciência das dificuldades, várias pessoas, vindas de diferentes experiências, se terem unido, pensado realmente a sua comunidade sem medo de defenderem a sua visão é por si só uma vitória. 


25 de Abril


No próximo domingo passam 47 anos do 25 de Abril de 1974, data que trouxe a liberdade, a democracia. A democracia que nos dá a possibilidade de escolha, a liberdade de participação que  não se sustenta apenas nas vitórias eleitorais, mas também na discussão, na congregação, na escolha esclarecida e sem medos do que queremos para nós, para os nossos filhos, para a nossa comunidade.