domingo, abril 04, 2021

Alto Minho, artigo de 31-03-2021


Ainda faltam 610 milhões para chegar ao topo 

Numa visita rápida à página web do INE confirma-se que, de facto, o concelho de Ponte de Lima terminou o ano de 2019 como o 3º concelho com o valor mais alto de exportações do distrito. É bom? Claro que sim. É motivo para festejar? Não. 

O problema é que os dois primeiros concelhos estão na casa dos 700 milhões de euros de exportações, Viana do Castelo com mais de 750 milhões e VN de Cerveira com mais de 720 milhões, enquanto Ponte de Lima se fica pelos 140 milhões. Tendo que subir o valor das exportações na ordem dos 435% para chegar verdadeiramente ao top, os dados preliminares de 2020, infelizmente, não são animadores. Ponte de Lima não só continua a léguas dos dois primeiros concelhos, como é ultrapassada por Valença e Arcos de Valdevez.


Desemprego


Quando se fala de desemprego muitos não vão além dos números, mas cada número corresponde a uma história de vida. Histórias como a dos jovens que investiram na formação e que não conseguem passar da fase dos estágios, dos que trabalharam durante uma vida num ramo e, de repente, com o desaparecimento deste, desaparece, também, a ligação com o futuro que esperavam, dos que não encontram a estabilidade num contrato de trabalho sem termo e que vão alternando entre trabalhos temporários. Tantos, infelizmente, os exemplo e histórias de vida que se poderiam apontar. 

Infelizmente, em Ponte de Lima o desemprego, entre Fevereiro de 2020 e Fevereiro deste ano, subiu 56,9%. A pandemia é responsável por muito desse desemprego, mas também é verdade que 36% das pessoas desempregadas já assim estão há mais de um ano. A situação torna-se cada vez mais endémica, reflexo do nosso frágil tecido económico, muito dependente de uma ou duas atividades, e que manifesta, ainda, a desigualdade social, uma vez que mais de metade de todos os desempregados são mulheres.


Autárquicas pelo distrito 


É certo que vamos assistir a mudanças de liderança nos municípios do Alto Minho. Em Viana do Castelo e Ponte de Lima será inevitável por causa da limitação de mandatos, mas poderemos assistir a mais mudanças. Caminha, Valença e Ponte da Barca são concelhos a acompanhar. 

Em Caminha, Liliana Silva apareceu com ideias renovadas, com lastro na luta pelo concelho e pela região, olha “olhos nos olhos” o “golden boy” socialista do Alto Minho. Pelo que se vai lendo, esse olhar parece deixa-lo intimidado. 

Em Valença, não é a “novidade” do candidato do PS, Carpinteira é “carta batida” há décadas na política regional, mas a desagregação do projecto do PSD que o anterior presidente e agora deputado, Jorge Mendes, não soube acautelar. Com o aparecimento da candidatura independente do vereador José Monte, o homem do terreno do anterior projecto do PSD, juntar-se-á Valença à vizinha Vila Nova de Cerveira tornando-se em mais uma câmara gerida por independentes no distrito? 

Em Ponte da Barca, reina a confusão dentro do executivo. Membros da oposição que se juntaram à maioria, membros da maioria que se juntam à oposição. Instalou-se a política dos casos, das acusações, demissões, entrega de pelouros, retirada de pelouros. Sinceramente, é difícil perceber como é que as pessoas de Ponte da Barca vão reagir ao que se tem passado. Pelo que se vai lendo na comunicação social, não aconselho a espreitarem as redes sociais para não se sujarem, ninguém sai por cima. A incógnita do que aí vem é muita.


Que saudades


Atravessar a ponte velha pela manhã. Comprar o jornal e sentar-me na esplanada da Havaneza. Pedir um café, uma água com gás e um bolo de cenoura. Pousar o jornal na mesa para o ler e não o fazer porque entretanto chegou o João, o Coutinho, o António… e ficamos o resto da manhã a discutir, como diz o outro, “o país e o mundo”. Nunca mais é sábado.



Jornal Alto Minho