domingo, fevereiro 19, 2023

Alto Minho, artigo de 15-02-2023

Partidos

Li com atenção a entrevista a Vítor Paulo Pereira. O presidente da Câmara de Paredes de Coura e líder do PS no distrito é professor, mas diz que, depois da experiência na Câmara Municipal, está preparado para ser administrador de qualquer coisa, uma vez que essa experiência terá sido um “doutoramento” em administração. Estando no exercício do seu último mandato como edil de Paredes de Coura, embora não aparente ter grande vontade de ser deputado, que classifica como “cargo honorifico”, não coloca essa hipótese de lado, mas se tiver que voltar à docência, apesar de se “ganhar muito pouco”, lá voltará.

Mas o que retenho da sua entrevista é a sua opinião sobre os partidos e que, embora referindo-se ao seu PS, podemos alargar a todos os partidos ditos tradicionais, ou mesmo do arco de governação. Retenho a seguinte frase; “um partido não é um clube de futebol, é uma instituição que existe para ajudar a resolver os problemas das pessoas”. Infelizmente, o que não falta, e aqui bem perto, é quem esteja nos partidos como se estivesse num clube, não de futebol, mas de amigos. São “lideres” de estruturas que não funcionam e que não representam ninguém. “Líderes” sem ideias para a comunidade, de estruturas secas que vivem da vacuidade de interesses particulares e que, na realidade, já não têm mais do que 5 ou 6 “militantes”. Com este cenário, como é que essas estruturas podem ter propostas ou alternativas para os problemas das pessoas? Não podem. 

Diz Vítor Paulo Pereira que muitos nos partidos afirmam “agora temos de nos juntar para resistir”. Se não for para resolver os problemas das pessoas, quando se deixa de ter credibilidade, é como também afirmou o edil de Paredes de Coura, “não adianta resistir, o Partido Socialista Francês também tentou resistir, mas desapareceu”.


Vivam as férias de Carnaval!


Aquela senhora que fala nas televisões impreterivelmente dentro de um carro e que ao que indicam será representante dos pais e encarregados de educação (a mim não me representa) não deve concordar com o que vou escrever de seguida. Tenho pena que os meus filhos não tenham umas férias (ou interrupção lectiva, como agora se diz) de Carnaval com a duração das que eu tive. Não, nunca gostei do Carnaval propriamente dito. As máscaras, o barulho, as partidas, os risos histéricos não fazem o meu género. É verdade que, em criança, para imitar o Gary Cooper e o John Wayne, gostava de me vestir de cowboy, mas do que mais gostava no Carnaval era o tempo de férias que lhe vinha associado. Eram momentos de liberdade, de juntar os amigos e viver aventuras de gorro e casaco mas já com o cheiro a Primavera. 

Com as bicicletas prontas, iniciávamos o dia a partir o gelo nos tanques da Quinta de Pomarchão, trilhávamos a serra de Antelas, explorávamos o rio Labruja, que nesses dias tinha um caudal forte, cheio de rápidos que, à escala, nos aparentavam ser do género dos que víamos na revista da National Geographic, ou organizávamos excursões pela “selva” pantanosa do Salgueiral, em Sabadão, Arcozelo. Esses dias de aventura só tinham uma pausa, a do dia de Carnaval, pois, embora não sendo feriado, por tradição quase ninguém trabalhava o que implicava outros afazeres e obrigações.

As férias, as ditas pausas letivas, podem ser momentos enriquecedores, momentos de atividades complementares às dos programas letivos, por exemplo, de conhecimento do espaço e local onde habitamos. Bem sei que os tempos são outros. Hoje a “agenda” está cheia de atividades extra curriculares, de ocupação de tempos livres (?), de redes sociais, disto e daquilo… Infelizmente, cada vez menos deixamos que as nossas crianças e jovens tenham momentos de criatividade “não programada”. Andamos tão ocupados em proporcionar-lhes “memórias” e “competências” que esquecemos o essencial, que a vida é para ser vivida.