domingo, outubro 12, 2025

Alto Minho, artigo de 09-10-2025

Expectativas autárquicas

No nosso distrito a noite eleitoral não será monótona. Se, em alguns concelhos, não se prevêem mudanças, noutros estas serão inevitáveis e, em alguns destes, os resultados são uma incógnita. 

É com curiosidade que se esperam os resultados no concelho de Viana do Castelo, no momento em que escrevo não se conseguem prever. Só este facto já representa, de alguma maneira, uma vitória para os partidos da oposição. Há muito que não partiam para as eleições com o “élan” da possibilidade de vitória. O PS de Nobre deverá, no entanto, vencer. Será, provavelmente, sem maioria, e enfrentará uma oposição reforçada, no entanto dividida entre o PSD e o CHEGA. Qual destes ficará em primeiro? Eis outra resposta que só se conhecerá no final da noite eleitoral de Viana do Castelo. 

O concelho de Caminha é daqueles onde poderá acontecer a mudança de cor do executivo. O PSD apostou tudo na vitória, até o líder nacional participou na campanha. Será que o concelho da foz do Minho volta a ser liderado por uma mulher?  

Por Ponte de Lima, não se esperam grandes mudanças. Tudo indica que o CDS irá reforçar a maioria absoluta que não lhe foge desde meados da década de 90 do século passado. Falta saber, no entanto, de que forma essa maioria absoluta influenciará a distribuição de vereadores. Conseguirá o CDS passar de quatro para cinco, vereadores espreitando o sexto? E quem passará a liderar a oposição, o PSD ou o movimento PLMT?  


Convicções?


Já escrevi sobre este tema e considero que, embora para alguns pareça ser insignificante, neste período eleitoral, deve ser realçado. Sem qualquer problema político, ético ou ideológico, há os que não hesitam em passar diretamente de eleitos de um partido/movimento a candidatos, por vezes ao mesmo órgão, por outro partido/movimento. Independentemente das responsabilidades e funções que tiveram no passado, passam a defender as cores do “novo” partido/movimento sem qualquer objeção e com a  mesma “convicção” com que anteriormente defendiam o de origem. Nem as máscaras, que alguns colocam de “independentes”, conseguem disfarçar a falta de verticalidade ideológica e política. Ainda para mais, quando hoje, com as redes sociais, alguns deixam um rastro de profundas críticas, feitas, em alguns casos, há poucas semanas, aos partidos que agora usam como “manta” para se candidatarem.

Mas a responsabilidade não é só desses protagonistas. Os partidos que os acolhem, como se esta atitude fosse natural, também são responsáveis. Os supostos benefícios eleitorais não deveriam sobrepor-se à verticalidade. Infelizmente, não é coisa de um só partido. Se o leitor observar os panfletos,   que colocam na sua caixa do correio, com as listas aos diferentes órgãos, rapidamente comprovará que é algo comum à quase totalidade. 

Mas as pessoas não podem mudar, evoluir no seu pensamento? Claro que sim, mas tem de existir um tempo de recolhimento, de, digamos, luto. Um tempo que permitirá perceber que o que move aquele protagonista não é apenas a procura de poder, de protagonismo, a busca do interesse particular. Um tempo que permitirá perceber que o que levou à mudança de pensamento foi a dolorosa (sim, estes não são processos fáceis) alteração das suas convicções.