Sozinhos
Mais de 1208 idosos vivem sozinhos ou isolados no nosso distrito, grande parte destes em “situação de vulnerabilidade”. Esta é uma informação que a GNR partilhou e que advém do balanço da operação “Censos Sénior 2025”.
Muitos não irão perder muito tempo com esta temática. Provavelmente, nem terão consciência de que todos somos, num futuro mais ou menos próximo, candidatos a engrossar esse número. São vários os factores que contribuem para esta realidade. A falta de retaguarda familiar, seja qual for o motivo, a doença, a falta de meios financeiros.
O apoio aos idosos, num todo, as redes sociais de acompanhamento e acolhimento deveria ser um dos assuntos no topo da discussão política. Infelizmente, tendemos a pensar nisto quando já é tarde. Quando os políticos deixaram de o ser há muito, quando as redes se quebraram, quando o dinheiro, seja ele quanto for, deixar de conseguir comprar o que não tem preço.
Agora que os autarcas, quase todos, já estão em plenas funções, é tempo de iniciarem um movimento no sentido de elevar este assunto a designo nacional. Sim, é necessária a solidariedade intergeracional. São precisas novas e mais profícuas políticas de apoio aos idosos. Aproveitemos o vasto conhecimento que várias instituições têm da realidade no terreno. As IPSS, instituições como as Misericórdias, que há séculos providenciam apoio social numa rede espalhada por todo o país. Não é coisa de partidos ou de gincana política, é algo que deve mobilizar todos os agentes até porque, como já escrevi mais acima, a tendência é de nós próprios engrossarmos essas estatísticas.
Um dos “senadores” da “minha aldeia” partiu
Era um homem alto, que sobressaia com o seu porte, se o era nos dias de hoje, imaginem nos seus tempos de juventude. Era forte nas suas convicções, por vezes, até teimoso, frontal, monárquico e católico. Junto com a sua Dona Ester, criou uma família que tem um forte lastro de participação na vida religiosa na paróquia de Santa Marinha de Arcozelo (vila de Arcozelo, Ponte de Lima).
A primeira ideia que me vem à cabeça, quando penso no Sr. Alípio Marinho, é a igreja de Santo António da Torre Velha, aquela que separa a velha ponte medieval da secular romana. Foi responsável por essa igreja e pela Irmandade de Santo António, nela erigida, durante vários anos. Era ele que ajudava à missa e assegurava que a igreja estava preparada, quando, ainda por lá, se celebrava a Eucaristia todos os domingos e dias da semana. O tempo, essa máquina voraz, foi passando e, quando percebeu que era necessário dar o lugar na gestão e direcção da Irmandade de Santo António, incentivou-me a candidatar-me ao cargo de Juiz. Foi com muita honra que, eleito pelos irmãos, o sucedi. Durante os anos que exerci essa função pude contar sempre com a sua ajuda e conselho. O Sr. Alípio Marinho partiu na passada semana com 93 anos.