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domingo, novembro 05, 2023

Alto Minho, artigo de 02-11-2023

Reter as águas

O presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N) apelou aos municípios do Alto Minho que encontrassem soluções técnicas para a retenção da água da chuva.

A CCDR-N visa o desenvolvimento integrado e sustentável do Norte de Portugal e tem como uma das suas missões apoiar tecnicamente as autarquias locais e as suas associações. Para além da “lição”, do “temos” e do abanar dos fundos “Norte 2030”, o que propõe a CCDR-N aos municípios alto minhotos para poderem ir ao encontro das tais soluções técnicas? Não basta falar de “cátedra”, é preciso envolver os municípios em algo concreto, chamar a investigação superior existente quer no distrito de Viana do Castelo quer no de Braga e, claro, calçar as botas e arregaçar as mangas. 


Transparência 


A organização não governamental, sediada em Bruxelas, “Dyntra ivzw” anunciou o seu Índice de Transparência DYNTRA (Dynamic Transparency Index) para os municípios portugueses. Este índice avalia 124 municípios portugueses de forma a perceber a transparência da sua actuação em 139 indicadores. 

Consultando o índice em https://portugal.dyntra.org/camaras-portugal, rapidamente se verifica que os concelhos do Alto Minho ainda têm de “andar” muito para chegarem ao top 10 dos mais transparentes em termos de informação aos seus munícipes. No nosso distrito o concelho mais transparente é o de Caminha, mas, mesmo esse, só cumpre 41,01% dos 139 indicadores analisados. Achei interessante que um dos indicadores fosse “A transmissão dos Plenários através da Internet e/ou mediante um arquivo audiovisual histórico online”. No mandato de 2009 – 2013, na Assembleia Municipal de Ponte de Lima, apresentei a proposta de que fosse disponibilizada a gravação das reuniões dessa assembleia, pelos pontos da ordem de trabalho, em livre acesso, na página web do município. Felizmente, depois de algum debate, a proposta foi aprovada por maioria, com 5 votos contra e 4 abstenções. 

Com um ajuste de plataforma, o áudio das reuniões da Assembleia Municipal de Ponte de Lima ainda está disponível, agora no YouTube. Infelizmente, o mesmo não se pode escrever sobre as reuniões do executivo municipal que, apesar de algumas propostas de vereadores da oposição, continuam sem serem gravadas e, portanto, não disponibilizadas online. Pelo menos as reuniões públicas deveriam estar disponíveis para consulta online dos munícipes. 

É necessário abrir a administração, a transparência não pode ficar nas palavras e chavões como “vou transformar estas paredes em vidro para que todos vejam o que cá se passa” para, no final, ficar tudo no recanto das quatro paredes da sala de reuniões. Haja coragem para a abertura.


Activismo


O activismo ambiental parece ter atingido a idade do “fast activism” (analogia com o fast food). O que interessa são acções mediáticas, porém objectivamente inócuas à causa, quando não contra-producentes. Porque tudo passou a ser muito rápido e politizado, uma acção com 5 jovens a “pinchar” com tinta uma fachada de Lisboa é rapidamente divulgada, a nível nacional, pelos média tradicionais. No entanto, se 300 pessoas, no interior de Portugal, se juntarem numa manifestação contra a abertura de qualquer fábrica poluidora à sua porta, dificilmente terão qualquer reflexo mediático nacional ou, a tê-lo, resumir-se-á a uma qualquer nota de rodapé ou canto nas páginas da secção “nacional”, “regional” ou “país” de um jornal diário.  

Não, o que está em voga não é o activismo ambiental. Aquele que promove o contacto com a natureza, que promove o ensino ambiental por forma a alterar mentalidades. Aquele que dá exemplo de mobilidade sustentável dentro das cidades e vilas. Ou aquele que se bate por transportes coletivos de qualidade, mesmo no interior do país. O que está em voga é o activismo climático, mas com agendas políticas escamoteadas, o do histerismo mediático que promove as visualizações nas redes sociais dos média. 

Mais que “pintar” governantes para a televisão, colar as mãos a obras de arte, bloquear artérias principais de cidades ou partir montras de lojas, precisamos de políticas públicas que incentivem os cidadãos a tomarem opções mais sustentáveis. Como é que essas políticas aparecem? Quando somos mais participativos na nossa comunidade, fiscalizadores e exigentes com a actividade governativa e, depois, quando votamos de forma consciente e esclarecida, em consonância com os nossos valores e não por “clubite” partidária ou de um qualquer interesse comedinho.  

domingo, novembro 28, 2021

Alto Minho, artigo de 24-11-2021

Exemplos

Foi com bastante interesse que li a notícia de que o presidente e os vereadores com pelouros da Câmara Municipal de Viana do Castelo vão começar a deslocar-se, em deslocações oficiais na cidade, de bicicletas eléctricas. Não sei se seria necessário serem eléctricas, mas só o facto de deixarem o automóvel e optarem pela bicicleta já é um bom e simbólico exemplo e um ponto de partida. Ficou, ainda, o compromisso de concluir a rede de ecovias, ciclovias e de estabelecer a ligação entre as margens do rio Lima. 

Ficam dois desafios, um para o presidente da Câmara de Viana, o de ligar a ecovia do rio Lima, que segue até Sistelo, no concelho de Arcos de Valdevez, entre Viana do Castelo e Ponte de Lima. O outro desafio fica para os restantes presidentes da Câmara do distrito, que sigam o exemplo do seu congénere vianense. 



Falando de mobilidade



Não se pode, no entanto, ficar apenas por simbólicos exemplos. É preciso mais. Foi com espanto, e até estupefação, que verifiquei que alguns autocarros ao serviço do transporte colectivo na região, mesmo no transporte escolar, têm 20, 30 anos. Desgastados, poluentes, sem as condições de segurança actuais.

Perante este cenário, como é possível não se ouvir uma palavra sobre planificação e reestruturação das políticas de mobilidade vinda de algum responsável político, ou candidato a sê-lo? O que é que o famoso Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) terá para este canto superior do território português nesta área? Alguém ouviu, leu alguma coisa? 

Um distrito como o de Viana do Castelo já deveria ter uma política integrada de mobilidade. Mobilidade sustentável, intermodal e ao serviço das necessidades das comunidades. Os políticos já deveriam ter propostas, já deveriam falar como o PRR iria ajudar a torna-las uma realidade. O Alto Minho não pode ser uma região do litoral condenada a ter sempre indicadores de interioridade.


Escolhas


Por estes dias, os focos dos média centram-se nas eleições internas do PSD. Rangel vrs. Rio. O primeiro veio a Viana do Castelo na passada semana, onde fez um discurso em consonância com o que lhe vamos ouvindo na comunicação social, usando as palavras chave de “união” e “esperança”. O segundo afirma que não faz campanha interna porque, como declarou, não vai mudar nada do que tem vindo a afirmar nos últimos 4 anos, pressupondo que os militantes já conhecem a sua linha de pensamento e o que propõe para o partido e para o país.

No próximo sábado, os militantes sociais democratas escolherão o seu líder. Independentemente de quem sair vencedor, para estes, o novo líder terá a obrigação de conseguir formar governo. Assim,  terá de catapultar cada lista de deputados, em cada circulo eleitoral, criando condições para que os que as formem sejam verdadeiros representantes das comunidades e não dos seus sindicatos de voto. Só assim estarão a criar condições para eleger o máximo de deputados possível, de modo a que, nos acordos e convergências que se fizerem na Assembleia da República, se seja capaz de formar governo.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Desporto

No passado sábado dia 16 de Outubro, os jogadores da AD Os Limianos fizeram história ao baterem-se heroicamente no estádio do Dragão contra o clube da casa, o FC do Porto. Nesse dia pudemos ver muitos adeptos do FC do Porto a entrar pela primeira vez como “visitantes” no estádio do clube do seu coração. O Limianos conseguiu algo de inimaginável ao congregar todos os limianos independentemente da sua cor clubista. Foi realmente um dia memorável que perdurará na memória não só pela união conseguida mas também pela óptima e louvada exibição em campo.
É obvio que isto poderá levar aos mais eufóricos a dizer que este é o caminho em que o poder político deveria por os olhos e apoiar cegamente este ou outro clube para que se colmate a falha de nunca ter existido um clube do Alto Minho na primeira divisão nacional de futebol. Não concordo. Os políticos gerem o dinheiro de todos nós, deverão apoiar, é certo, o desporto. Não vejo o porquê de apoiar uma equipa para chegar ao primeiro escalão de futebol para que se arraste por uma ou duas épocas por lá. Será esta a melhor forma de marketing local? Alguém foi a Faro por causa do Farense?
O dinheiro público é um bem escasso que deverá ser posto ao serviço de todos. Apoie-se o desporto, dê-se as condições para os clubes prosseguirem, agora apoiar apenas o futebol dando as “migalhas aos outros…? Mas o futebol tem maior visibilidade, dirão. Talvez, mas na realidade só mesmo por cá é que a comunicação social tende a viver apenas do futebol. Há mais desporto, o público até tem bastante interesse noutras modalidades (querem um exemplo, vejam os ralis que se vão realizando um pouco por todo o Portugal, sempre com publico faça sol, chuva ou neve), assim quisessem os responsáveis editoriais dar-lhes a visibilidade que dão ao futebol...

Demissão

Soubemos na passada semana que Daniel Campelo se demitiu das Lagoas de S. Pedro e Bertiandos. Poder-se-ia especular uma ruptura, um qualquer mal-estar entre o antigo e actual presidente da Câmara. Nada mais errado. Campelo, melhor que ninguém, sabe que aquele é um cargo naturalmente inerente à presidência da Câmara, afasta-se em boa hora dando lugar ao seu sucessor.

sexta-feira, agosto 17, 2007

Alto Minho artigo de 17-08-2007

O mês de Agosto é o mês escolhido por milhares de portugueses para tirarem férias. É também o mês em que muitos imigrantes voltam à sua terra natal, aproveitando o tempo para tratarem de burocracias, para passearem por Portugal e para conviverem com a sua família distante durante a maior parte do ano.

Ponte de Lima é um dos destinos privilegiados para esses pequenos passeios. As margens bucólicas ajudam a esse atractivo, as águas mansas do rio Lima também. Mas eis que na comunicação social, em horário nobre, se fica a saber que em Ponte de Lima - em Ponte da Barca já não é assim -, os locais usados por gerações de limianos e agora milhares de forasteiros, que até já ostentaram a bandeira azul, estão interditos a banhos. Esta situação arrasta-se desde o ano passado e o que fez a Câmara Municipal? Nada. Ao seu presidente parece bastar-lhe o consolo de os referidos locais já não serem denominados de praias fluviais… Rico consolo, tendo em conta que os seus munícipes continuam a mergulhar lá. Parece até que a estratégia do executivo é esconder os resultados, não fazer “ondas”, e olhar para o lado, esperando que a época balnear termine rapidamente para depois voltar a fazer como fez no ano passado, anunciar que irá investigar os culpados para depois voltar ao silêncio, esperando que o assunto caia no esquecimento.

Agora que a “bomba” mediática explodiu que pensa o responsável pelo ambiente, o vice-presidente da câmara, fazer? E a imagem de Ponte de Lima, enquanto local que privilegia o ambiente e o eco-turismo, como terá ficado depois das notícias da semana passada?

Esperemos que a Câmara Municipal não se fique outra vez por promessas e se aplique verdadeiramente na resolução deste problema para que outros possam sentir o mesmo que Teófilo Carneiro quando escreveu “Cantam p’ra mim as águas transparentes do rio mais formoso do país!...”

sexta-feira, junho 08, 2007

Alto Minho artigo de 08-06-2007

O Parque Florestal da Quinta de Pentieiros foi apresentado no dia mundial do ambiente como um exemplo de recuperação de uma zona destruída pelo fogo. Segundo a comunicação social, três dos cinco hectares ardidos já estão reflorestados. O projecto irá estender-se até 2008 garantindo o vereador do Ambiente, Vitor Mendes, que esta intervenção reflecte uma nova forma de olhar a floresta.

Também o Presidente da Câmara explicou este projecto na Antena 1, aproveitando a nova capacidade comunicacional do município, dando conta das parcerias com empresas privadas.

É positivo o motivo e o método. O Município deve dar exemplo na área ambiental e as parcerias com os privados são bem vindas. O Presidente da Câmara tem razão quando afirma que se deveria incentivar mais os privados a participarem em projectos análogos a este.

Mas como parece que a política ambiental é uma prioridade, não se percebe como Ponte de Lima voltou as costas ao rio Lima. Não falo das suas margens, mas do próprio rio. Longos verões de muitas gerações de limianos foram passados nos areais e nas águas do rio Lima. Agora, as novas gerações, não tem areais e as águas estão poluídas.

As praias do Arnado, esta outrora detentora de bandeira azul, e de D. Ana estão novamente interditas temporariamente pelo Delegado Regional de Saúde. No ano anterior, 2006, a praia do Arnado teve uma classificação de interdita e a de D. Ana de má. O que fez a Câmara Municipal para pôr cobro a esta situação? Uma vez que tudo continua igual, a resposta é evidente: nada.

Será que para a Câmara Municipal este assunto não faz parte das prioridades ambientais? Durante a época balnear milhares de limianos e de visitantes banham-se nas águas ao que parece sujas e poluídas do rio Lima. De quem é a responsabilidade?