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domingo, setembro 29, 2024

Alto Minho, artigo de 26-09-2024

 Ânsia  


Por vezes, quem está na oposição sente uma certa ânsia de se demarcar de quem está no poder. Pensará que assim conseguirá captar mais eleitores para a sua causa. Há, no entanto, um erro clássico, principalmente para quem recentemente mudou de papéis, é que essa ânsia de demarcação poderá ter um efeito boomerang. 

Leram o artigo do deputado José Maria Costa, na passada semana? O deputado criticou o governo da AD pelo início do ano lectivo, apontou algumas falhas como a da colocação de professores, realçando a falta de apresentação e aplicação de respostas estruturais. Todos sabem que um ano lectivo não se prepara em 3 ou 4 meses, não é difícil perceber que a abertura deste ano é, em grande parte, fruto da “preparação” feita pelo governo pelo qual José Maria Costa exerceu o cargo de Secretário de Estado. Ora aí está o “efeito boomerang”. É perceção geral que, ainda assim, as “não estruturantes” medidas introduzidas pelo novo governo fizeram com que as grandes contestações, a que todos assistimos nas últimas aberturas dos anos lectivos, não ocorressem este ano. Na educação parecem ter voltado a serenidade e a vontade de agir. 

Já anteriormente escrevi que é salutar, importante e mesmo fundamental, os deputados, de cada grupo parlamentar, que representam a nossa região na Casa da Democracia, partilharem a sua opinião. É que assim também percebemos quem se preocupa com os nossos problemas e tenta encontrar soluções, e quem se perde em gincanas políticas.      


Museu da imprensa


O leitor pode não ter essa perceção, mas os concelhos do Alto Minho têm uma grande tradição na publicação de títulos de imprensa, muitos deles estavam ligados a movimentos políticos, artísticos, locais. São inúmeros os títulos que foram sendo publicados no Alto Minho. 

No final do século XIX e no início do XX, a imprensa, apesar das elevadas taxas de analfabetismo, era o melhor meio de informar, de difundir ideias e, também, de anunciar casas comerciais, produtos e serviços. Muitos desses periódicos tiveram uma vida efémera, mas, independentemente da durabilidade, é por lá que encontramos o quotidiano, a “vida” das comunidades. Do mais “corriqueiro” casou ou nasceu, às polémicas e acontecimentos da atualidade de então.    

Ponte de Lima sempre teve uma grande tradição neste campo. Talvez seja por essa tradição que hoje alberga este jornal que agora lê e que é, inegavelmente, o maior e mais abrangente semanário da região. Pedro Ligeiro, no início deste mandato, propôs na Assembleia Municipal a criação de um Museu da Imprensa Limiana. A Câmara Municipal limiana deveria ponderar esta proposta. Não faltará espólio documental, nem tão pouco material (rotativas, prensas, máquinas de escrever…) no concelho a necessitar de salvaguarda. Seria mesmo uma forma de diversificar a oferta museológica concelhia e, simultaneamente, enaltecer um dos pilares de qualquer democracia plural. 


Férias desportivas




O Clube Náutico de ponte de Lima, para além de ser uma escola de campeões, é uma escola de camaradagem. Durante o período de Verão, organizou, de forma irrepreensível, umas férias desportivas que promovem isso mesmo. Este ano pude acompanhar bem de perto a dedicação dos monitores, a sua paciência e incentivo para com os jovens, muitos deles dando, verdadeiramente, as suas primeiras pagaiadas. Com perceção de que os “atletas” estão de férias e de que durante esse tempo também os pais também terão períodos de férias, sem rigidez na frequência, mas não deixando ninguém para trás. As férias terminaram com três competições, ao contrário do que encontro, por exemplo, no futebol, apenas encontrei incentivo entre pares, festejo pelas vitórias, que na maior parte das vezes é superar o próprio receio, e apoio se não corria como se expectava. 


domingo, maio 19, 2024

Alto Minho, artigo de 16-05-2024

 50 anos


Numa outra vida foi um dos organizadores das comemorações, em Ponte de Lima, dos 40 anos do PPD-PSD. Na altura envolvemos na festividade os fundadores do partido neste concelho, os antigos presidentes de junta eleitos pelo PSD e familiares dos entretanto falecidos, os, então, eleitos locais e todos os militantes limianos. 

Para além da celebração de uma Eucaristia, na igreja matriz da paróquia de Santa Maria dos Anjos, freguesia sede do concelho de Ponte de Lima, proporcionámos a reunião dos militantes mais antigos, participando com eles na festa do PSD nacional. As comemorações terminaram num dia em que o auditório municipal Rio Lima se encheu para a entrega de uma recordação a todos os que desde 1974 ajudaram, no exercício de cargos autárquicos e na estrutura local do partido, a construir a social-democracia em Ponte de Lima. Seguiu-se um grande jantar no Mercado Municipal que ficou eternizado numa histórica fotografia que juntou todos os que, até então, tinham exercido a presidência da estrutura concelhia. Foi um evento que me marcou particularmente pela reação nos mais antigos, bem como nas famílias dos já falecidos, que viram naquele momento um reconhecimento do seu trabalho e dos seus entes queridos.

Os partidos são espaços de pertença, onde o trabalho de união, de participação deve estar sempre presente nos que momentaneamente exercem lugares de liderança. Os partidos vazios de ideias, de pessoas, do faz de conta, não são nada! Apenas existem formalmente pois, na realidade, são completamente irrelevantes para a comunidade onde deveriam estar inseridos. 

Entretanto, passaram 10 anos, muita água passou por de baixo da nossa velhinha ponte,  e o PPD-PSD completou, na passada semana, 50 anos.     


Memória urbana


Outrora uma casa imponente, solarenga até, hoje, ainda que mantenha o aspecto de casa, é mais um amontoado de pedras e madeira à espera de ruir. Já ninguém lá vive, já poucos se lembrarão de quem lá viveu. Em breve será vendida a um qualquer especulador imobiliário que a arrasará para dar lugar a um conjunto habitacional de apartamentos, iguais a tantos outros existentes por esse mundo. 

É inegável que os espaços urbanos se vão regenerando, mas também não deixa de ser verdade que, pelo menos, alguma da memória do passado deveria ser protegida. Infelizmente, pelo que se vai assistindo, nem sempre essa vontade existe pelo que passará pelos responsáveis políticos garantir que prevaleça. 


Dominador


No passado domingo, com a vitória sobre o Hóquei Club Marco, o “Os Limianos” sagrou-se campeão nacional da 3 ª Divisão Nacional Serie A em hóquei em patins. Com esta conquista, no próximo ano, a equipa do clube limiano irá disputar a 2º Divisão Nacional. 

Das equipas mais jovens às equipas seniores, do futebol ao hóquei, “Os Limianos” tiveram uma época dominadora. Garantiram que na próxima época levarão o nome do concelho às competições nacionais em quase todos os escalões. Parabéns a todos os envolvidos, que, com grande organização, dedicação e empenho, garantem os meios para desenvolver os talentos dos atletas e equipas técnicas. 

domingo, maio 12, 2024

Alto Minho, artigo de 09-05-2024

Campeões

Quando o clube mais representativo do concelho de Ponte de Lima, “Os Limianos”, depois de vencer a sua série, lidera a fase de subida à Liga 3 e faz sonhar os adeptos com a final no Jamor, e porque não a consagração como campeão do Campeonato de Portugal, o concelho limiano dá mais um clube para disputar a 1ª divisão distrital da Associação de Futebol de Viana do Castelo. O ACR Arcozelo sagrou-se campeão distrital da 2 divisão, a terceira vez na sua história, subindo à principal divisão distrital. 

Esperando durante anos a ajuda do município para a colocação de um essencial relvado sintético, depois deste se tornar uma realidade, o Arcozelo demonstrou como o trabalho, gratuito e empenhado, de tantas pessoas, com o mínimo de apoio, dá resultados. Neste momento não é só a equipa sénior que se destaca, são também as equipas de formação que já são casa para tantas crianças e jovens.  


Uma grande época


Independentemente dos resultados que a equipa sénior de futebol d`”Os Limianos” venha a obter, o clube teve uma das suas melhores épocas, das modalidades como o hóquei às camadas jovens as vitórias, os campeonatos, têm sido uma constante. A mais recente foi a equipa de sub 15 que se sagrou campeã no passado domingo, conquistando a subida aos nacionais. Um verdadeiro clube que representa da melhor forma todo um concelho.


Livros




As nossas tradições, a nossa história são feitos de vários protagonistas. A maioria destes são incógnitos, vivem uma vida simples, mas que não se esquece dos outros. A construção dessa identidade colectiva é feita de várias “camadas”, umas vão dando lugar a outras, mas sempre interligadas. 

Muitas dessas “camadas” vão desaparecendo, passando apenas a viver na memória de alguns. Franclim Castro e Sousa, que já teve funções políticas na área da cultura e desporto do município limiano, sabe bem a importância de manter a memória colectiva. Apresentou um segundo livro que vai ao encontro dessa vontade. Depois do livro “A feira e tascas de Ponte” apresentou, no passado sábado, “Mercearias de Ponte”. Esses espaços quase místicos, que entretanto quase desapareceram da nossa tão apressada, hermética e instantânea realidade, remetem para um tempo onde havia espaço na nossa vida para comprar a granel, comprar café acabado de moer que vinha para casa embrulhado em cartuxos. Quem não está a sentir neste momento o cheiro característico da moagem de café? 

Sim, como afirmou Daniel Campelo na apresentação do livro, isto também é mercado turístico. O turista quer autenticidade, o mercado da saudade é uma realidade que atrai muitos e que pode ser uma fonte de receita para a nossa região. 


25 anos


É estranho perceber que um projecto saído de um grupo de amigos com interesses comuns consegue sobreviver com grande actividade e projecção durante 25 anos. 

Um quarto de século são os anos do BaToTas, o clube que nasceu dos desportos radicais, onde se integrava o BTT. Em 1999 o Bruno, o Ricardo, o João Carlos juntaram-se a outros como o Acácio Pires, e, desses encontros informais, nascia o clube que introduziu as bicicletas todo o terreno no desporto limiano. Parabéns, que grande caminhada!

domingo, março 24, 2024

Alto Minho, artigo de 21-03-2024

Indignações nas redes sociais

Há umas semanas a indignação instalou-se nas redes sociais. A Câmara Municipal de Ponte de Lima estava a abater as frondosas árvores que ladeavam a avenida de São João, bem junto ao rio Lima. As teorias, como sempre, eram muitas e sempre no sentido de uma conspiração. Alguns preferiram realçar a falta de sensibilidade pelo abate de várias árvores. 

Confesso que me distancio, cada vez mais, das redes sociais. Da troca de ideias passou-se para a troca de acusações e, por incrível que pareça, o que tem maior visibilidade já não é a boa opinião ou a informação, mas a polémica e a falta de bom senso. Estas parecem ser as condicionantes que “despertam” o algoritmo que gere as redes. 

Mas voltemos ao assunto do abate das árvores. Será que alguém tentou perceber o motivo que levou a que responsáveis políticos, sempre tão zelosos em não perder as boas graças da opinião pública, assumissem o ónus de abater dezenas de árvores? Claro que não, é mais fácil criticar do que procurar saber o que estará por detrás de uma decisão considerada “politicamente incorreta”. A propósito da necessidade da substituição das árvores paralelas à avenida de São João, em Ponte de Lima, escrevi neste espaço, em 24 de Maio do ano passado, que “A decisão não é fácil, mas o que não se pode fazer é olhar para o lado como se nada se passasse e condenar os nossos concidadãos a terríveis momentos de muito má qualidade de vida.”. E porquê? Porque sempre que chegava a Primavera era notório o mal-estar e as queixas de centenas de pessoas que vivem ou trabalham em Ponte de Lima relativamente às nuvens de “algodão” que aquelas árvores espalhavam pelo centro histórico e que provocavam algum incómodo ou até problemas de saúde. 

Sim, as árvores foram, e bem, abatidas, aliás, nunca deveriam ter sido lá plantadas. Foram posterior e rapidamente substituídas por exemplares já bem desenvolvidos de outra espécie. Cabe aos gestores do espaço publico saber decidir que espécies arbóreas plantar em consonância com o bem-estar daqueles que usam e vivem naqueles espaços.

Neste caso, o Município de Ponte de Lima só pecou por não ter, desde logo, informado devidamente os munícipes. De resto, é para isso que elegemos representantes, para que decidam em prol da comunidade que servem. 


Obrigado!




Há duas semanas escrevi sobre uma experiência muito pessoal com o basquetebol no inicio dos anos 90, em Ponte de Lima. As conversas que advieram desse texto fizeram-me lembrar de uma pessoa que, embora não estivesse na parte visível, foi, e não apenas  para o basquetebol, fundamental para o desporto limiano durante as décadas de 80 e 90. 

José Barros, conhecido por Zé Pepe, foi um dos pilares que, discretamente, esteve sempre presente no desporto limiano. Desde as carrinhas, que emprestava para as deslocações das equipas, aos equipamentos. As designações “Pepe Pronto a Vestir” ou “Criações Tininha” estiveram em muitos fatos de treino e equipamentos de várias equipas e modalidades, a sua presença foi fundamental para o desenvolvimento desportivo de centenas de jovens atletas limianos. José Barros é um dos últimos exemplos da velha extirpe de comerciantes locais envolvidos profundamente no associativismo da sua comunidade.  

domingo, março 10, 2024

Alto Minho, artigo de 07-03-2024

Mais um dia de campanha

As campanhas são feitas “como de costume”: passeios pelas feiras, arruadas, bombos e concertinas, jantares. Significará isso mobilização popular? 

Durante os mandatos, os partidos vivem separados dos eleitores, não os ouvem, não promovem a sua participação e até olham de soslaio se algum os tenta chamar à razão. Quando chegam as campanhas eleitorais, já é tarde, os eleitores vivem vidas onde os partidos ou “movimentos” estão completamente ausentes, sem nada que os cative ou atraia para a participação. 

Há, no entanto, a necessidade dos partidos passarem uma “ideia” de “alegria”, de mobilização. Para isso agarram-se ao que conhecem, criando verdadeiras encenações a que o “povo” parece aderir. Reparem nas fotografias das campanhas dos diversos partidos, vejam como os sorrisos que por lá encontram são sempre os mesmos, seja a “feirar”, no jantar ou na falsa “arruada” a seguir os bombos e concertinas. Como o que se vê nas campanhas é uma realidade paralela, o resultado é o constante aumento da abstenção e dos votos nulos. Enquanto não se voltar a falar para as pessoas, sobre os problemas delas, enquanto não as envolverem nos processos de decisão, o resultado será sempre o do alheamento e desprezo. E quando assim é, o desfecho não é difícil de prever, a história dá-nos, infelizmente, muitos exemplos.         


Mais um clube nas competições nacionais


Sabia, caro leitor, que na próxima época poderemos ter mais uma equipa do distrito na I Divisão Nacional de Basquetebol? A tentar juntar-se ao Clube de Basquete de Viana, naquela que é a “Liga III” do basquetebol, o Basket Clube de Coura está neste momento a competir, na 2ª fase do Campeonato Nacional de Seniores de Basquetebol da II Divisão, pelo primeiro lugar e apuramento directo àquela liga. 

Torcemos para que, na próxima época, o Clube de Basquete de Viana consiga a promoção, que este ano parece lhe ter escapado, à Proliga (o equivalente à Liga II, no futebol), o Basket Clube de Coura  consolide a sua posição na I Divisão Nacional de Basquetebol e os CB Limiense e CB Valença consigam a subida à I Divisão Nacional de Basquetebol. 

Em tempo de campanha eleitoral, é bom lembrar aos políticos de que, apesar de tudo, no Alto Minho, também há quem faça milagres no desporto e que precisa de apoios para continuar a lutar para colocar a nossa região em patamares superiores no desporto.


Por falar em basquetebol



 

Ao escrever sobre basquetebol, sou logo remetido para o início dos anos 90. Nessa altura, falar de basquetebol em Ponte de Lima era o mesmo que falar da Escola Desportiva Limiana. Defendi as cores da EDL nessa modalidade. Recordo os meus companheiros, não podendo deixar de realçar o saudoso Márcio Patrício, que com o irmão Pedro Lima formava uma dupla de postes imbatível.

Passamos muitas horas no Pavilhão Municipal de Ponte de Lima a treinar com os nossos treinadores, um deles o professor Jorge Silva, para os jogos, se a memória não me falha, do campeonato distrital do Porto. Mas, para além desses treinos e jogos, do que me lembro com mais saudade é dos jogos de rua, aqueles que fazíamos entre o grupo da Feitosa e o de Arcozelo. A capacidade que tínhamos em construir tabelas com tábuas e transformar velhas latas de tinta em aros dos cestos! A minha casa e a rua junto à casa do Márcio, do Pedro e do Ruka Pereira transformavam-se nos nossos "L.A. Forum", então casa do LA Lakers, ou no United Center, casa dos Chicago Bulls. Foram jogos épicos, com muitos “afundanços” e luta corpo a corpo, num piso que transformava cada drible num desafio ao controlo de bola. O maior gozo era tentar replicar jogadas que víamos no programa de televisão “NBA it`s fantastic” e que, por vezes, para desespero dos treinadores, levávamos para os treinos e jogos oficiais. 

Hoje, em Ponte de Lima, existem vários espaços onde a pratica do basquetebol de rua seria possível, mas que, lamentavelmente, estão ao abandono. Felizmente, os tempos são outros, e não é necessário aproveitar desperdícios da construção para jogar, bastava aos nossos representantes investir meia dúzia de euros para dar nova vida àqueles espaços, permitindo criar memórias para a vida. 

domingo, março 03, 2024

Alto Minho, artigo de 29-02-2024

É difícil perceber

Existem inúmeros estudos publicados na área da pedagogia sobre o comportamento em treino desportivo com crianças. São vários os testemunhos de eminentes treinadores e antigos jogadores que defendem que a formação no futebol, nas camadas dos sub13 para baixo, deve ser um processo e contribuir para a formação harmoniosa das crianças. Uma formação em que as vertentes física, intelectual, emocional e social têm de ter o mesmo peso. Uma formação que deve proporcionar oportunidades de participação. 

Infelizmente, a mentalidade do “vencer, vencer, vencer”, trouxe para os jogos infantis comportamentos onde o fair-play fica de fora. A matreirice/batota, agressões e comportamentos violentos, a falta de respeito pelos adversários e árbitros são uma prática ainda comum em alguns campos de futebol. 

Mas é preciso perceber que as crianças não podem ser vistas como adultos em miniatura, com o dever de replicar os seus maus comportamentos e frustrações. Felizmente, há quem reme contra essa maré, existem clubes onde a formação das crianças começa na formação dos seus treinadores. A Associação de Futebol de Viana do Castelo, e bem, decidiu que as competições até aos sub13 não teriam classificação nem, consequentemente, haveria vencedores de “campeonatos”. As crianças passaram a ter jogos onde podem pôr em prática o que aprendem nos treinos, sem medo de experimentar e sem a pressão dos resultados, mantendo, no entanto, o seu natural instinto competitivo. 

Com o descrito, foi com estupefação que li, neste jornal, um treinador de crianças sub11 afirmar orgulhosamente que “aqui não há jogos por jogar. Nós temos de ter um objectivo e o objectivo é ganhar todos os jogos”, só “jogamos para ganhar, ganhar, ganhar”. Mais que ganhar, “o” objectivo não deveria ser a formação das crianças nas vertentes acima referidas? Li algures que “quando ganhar é tudo, fazemos tudo para ganhar” e, quando assim é, os vencedores passam a vencidos. 


Alteração de forças


Na primeira página do semanário “Alto Minho” da passada semana podíamos ler na manchete a pergunta, relativamente às candidaturas do PSD e PS, “quem vai perder os três (deputados)?”. Na verdade, neste momento, talvez a resposta seja “os dois”. A candidatura do CHEGA parece disputar um dos 5 lugares de deputado pelo nosso distrito, falta saber é se esse ímpeto sobrevive ao escrutínio da campanha eleitoral.


Fim da pré-campanha, inicio da campanha eleitoral


O PS governa há 8 anos, o distrito perdeu população, os jovens preferem outras paragens mais atrativas, aliás, fruto disso, perdemos um dos deputados eleitos pelo nosso distrito. Não há maneira do distrito ter uma rede inter-modal de transportes públicos. O rendimento “per capita” continua a ser, ano após ano, um dos mais baixos do país. Apesar disso, a candidatura do PS afirma que a nossa região tem sido alvo de vários investimentos que a tem tornado atrativa, sublinhando que é preciso apostar no PS para continuar o investimento feito na região. Ora, se o resultado do investimento é o descrito, porque é que devemos continuar a apostar no que não tem dado resultado? Talvez a campanha eleitoral possa permitir ao PS acertar a sua comunicação, deixando de persistir no mundo paralelo, em que vive, e passando a falar do mundo real, onde os alto minhotos vivem. 

Na AD, a candidata do CDS, a limiana Joana Mendes, andou desaparecida nos vários eventos de pré-campanha. Será que se apercebeu que, apesar de estar no quarto lugar, a possibilidade de ser eleita é equivalente ao do último dos suplentes da lista? Agora que começa a campanha eleitoral será interessante acompanhar o envolvimento, empenho e motivação dos candidatos, líderes e estruturas locais dos partidos que constituem a AD. 

quinta-feira, dezembro 28, 2023

Alto Minho, artigo de 21-12-2023


Maior responsabilidade

Ficamos a saber no convívio natalício da família da Associação Desportiva “Os Limianos”, realizado no passado sábado, que Ponte de Lima terá, já em 2025, um novo estádio municipal com relva natural. Mais que um estádio para albergar o maior e mais representativo clube de futebol do concelho será uma infraestrutura ao serviço do concelho.

Já anteriormente tinha escrito que seria necessário que, das duas uma, ou o projeto do novo estádio se tornava uma realidade ou, enquanto se esperava, o município deveria tomar alguma diligência para dar condições a quem usa o Campo do Triunfo (local escolhido para edificação da nova infraestrutura).

A decisão foi tomada, o projecto será apresentado no inicio do ano e prevê-se que este novo complexo desportivo seja o inicio de um novo rumo na política desportiva do município.

Será certamente uma espécie de âncora para novos e ambiciosos projectos quer na área do desporto quer na promoção e atractividade do concelho.


Sigam o exemplo


Li na edição online deste jornal que a Assembleia Municipal de Ponte de Lima aprovou, por unanimidade, a proposta feita pela Mesa da Assembleia de um voto de preocupação com a situação que se vive na área da saúde e que tem afectado os serviços de urgência da Unidade local de Saúde do Alto Minho (ULSAM).

Finalmente, há uma posição pública sobre este assunto por parte da Assembleia Municipal de Ponte de Lima. Que sirva de exemplo para os outros órgãos autárquicos do distrito. A união de todos num assunto que tanto impacto tem na vida das pessoas torna-se cada vez mais importante por forma a forçar respostas e resoluções. 


Diferente das outras


É cada vez mais difícil encontrar quem esteja disponível para colocar o seu tempo, gratuitamente, ao serviço de uma associação, grupo local ou mesmo de uma comissão de festas. Primeiro é preciso ter força de vontade, depois coragem e depois resiliência. Normalmente qualidades que se colocam em acção perante as dificuldades que vão aparecendo no caminho. 

Neste fim de semana, todos nós celebraremos o Natal. Será, também, nessa altura que numa pequena freguesia de Ponte de Lima, Santa Comba, as pessoas se irão juntar em comunidade para celebrar as festas em honra do Menino Jesus, Santa Comba e São Silvestre. 

Sendo a última festa popular do ano é, também, a primeira festa do ano, pois começa no dia 24 de Dezembro e termina no dia 1 de Janeiro. Sendo que este tipo de festa é, normalmente, associado ao Verão, é de enaltecer esta capacidade das gentes de Santa Comba preservarem a tradição e saírem para a rua para festejar, independentemente das condições atmosféricas que nesta altura não costumam ser convidativas ao encontro fora de portas.


Para todos


Agradeço a todos os que durante este ano tiveram a amabilidade de acharem digna a dádiva do seu tempo na leitura deste espaço. A todos desejo um Santo Natal!

domingo, novembro 26, 2023

Alto Minho, artigo de 23-11-2023


Horizontes

Os adolescentes limianos dos finais dos anos 80, princípios de 90, tiveram sorte. Ainda não havia Internet, mas já tinham possibilidade de espreitarem o mundo de uma forma que adolescentes de outros locais não tinham. Para além do terceiro canal, que chegava da Espanha, a TVE, ainda tiveram a sorte de ter responsáveis autárquicos que decidiram colocar no monte de Santo Ovídio uma antena que re-transmitia alguns canais que recebia por satélite.

Mais tarde viria a ser desmantelada por se verificar que não cumpria algumas imposições legais, mas, enquanto funcionou, permitiu aos adolescentes limianos terem acesso a canais europeus e americanos, canais temáticos que abriram todo um mundo até então desconhecido. Das músicas ao desporto, novos estilos e novas modalidades passaram a ser uma realidade que era possível pelo menos tentar replicar. 

Eu e um grupo de amigos não ficamos de fora, fomos influenciados de tal forma que até usamos pás para cavar buracos e construir rampas na esperança de replicar os circuitos de provas de BMX que víamos nas televisões estrangeiras. Foram corridas épicas as que organizamos nos terrenos e caminhos rurais perto das nossas casas.  

Passados alguns anos, membros desse grupo de amigos fizeram parte do grupo fundador do clube BaToTas – Clube de Desportos Radicais de Ponte de Lima. Pude ver de perto como, por exemplo, os irmãos Bruno e Ricardo Fernandes, membros do grupo das BMX´s, se empenharam para o sucesso das primeiras edições da Descida ao Sarrabulho em BTT. Desde o trabalho de reconhecimento do percurso, ao trabalho burocrático exigido pelo número de inscritos, que aumentava de ano para ano, foi sempre de louvar o trabalho de todos os “batotas” que o faziam de forma voluntária e empenhada. 

No passado fim de semana, realizou-se a XXII Descida ao Sarrabulho, um evento, sem componente de competição, que trouxe ao nosso concelho milhares de pessoas, mil inscritos e outros tantos a acompanhar. Uma organização voluntária, mas profissional no seu funcionamento, que transmite uma imagem positiva do nosso concelho e transcende as fronteiras do nosso país.


Como é possível?


Os serviços hospitalares no nosso distrito estão em ponto de rotura. Não se sabe se por falta de coordenação, por lutas de classe profissional ou por outra causa. Será que realmente interessa? A verdade é que não é possível continuar a pôr em causa a vida das pessoas. Quando os serviços de ginecologia/obstetrícia encaminham doentes para Braga, Famalicão, Guimarães e Porto (São João), que também recebe os doentes encaminhados de cirurgia geral, alguém terá consciência de que alguns doente poderão ter de percorrer 150 ou mesmo 200 quilómetros para ter assistência? Quando uma grávida não é atendida, quando alguém é mandado para casa ao invés de ser internado, ou quando alguém a necessitar de uma cirurgia vê a intervenção ser sucessivamente adiada, quem avalia os impactos dessas decisões, dessa negação de um serviço que é pago com os nosso impostos? É isto o Serviço Nacional de Saúde de qualidade?  


Novo episódio 


No passado dia 9 de Novembro, foi publicado em Diário da Republica a abertura de novo concurso para a selecção de um operador para o serviço publico de transporte de passageiros do Alto Minho. Mais um episódio desta já longa novela. Foi dada a conhecer a produção quilométrica anual de 2 641 614 km e o preço base de 21 661 226,60€, mas seria, também, interessante que se desse a conhecer aos alto-minhotos o tipo de serviço com que poderão contar no final do concurso.

domingo, outubro 08, 2023

Alto Minho, artigo de 04-10-2023

Governo reduz em 30% portagens de algumas ex-SCUT 

Boa notícia para os utilizadores da A22 (Via do Infante/Algarve), da A23 (Beira Interior), da A24 (Interior Norte), da A25 (Beiras Litoral e Alta), da A4 (Túnel do Marão), da A13 e A13-1 (Pinhal Interior). Então e a A28 que serve o Alto Minho? Essa, caro leitor, ficou de fora.

As reacções começaram a surgir durante o fim de semana. A Associação Empresarial de Viana do Castelo tomou uma posição pública, culpando o Governo de “teimosamente, continuar a desprezar” o Alto Minho. A distrital do PSD Alto Minho acusou o Governo de “negligenciar, mais uma vez” a região. 

No nosso distrito, são seis os presidentes de Câmara eleitos pelo PS, o partido do governo. São três os deputados também eleitos pelo partido no poder. Já para não falar dos alto-minhotos que integram o executivo. O presidente da Câmara de Viana do Castelo, um dos 6 eleitos pelo PS, lamentou que a região tenha ficado de fora da medida, apontando, ainda, a necessidade de relocalizar o pórtico de Neiva, disponibilizando-se a arcar com a despesa da transferência. E os restantes? Vão ficar calados enquanto a região que representam é discriminada? Será que, afinal, somos uma região onde o transporte público coletivo é de qualidade e em quantidade, e ninguém nos avisou que podemos usufruir dele?  


Entrevista ao presidente do PSD Alto Minho


Li, com atenção, a entrevista que o presidente do PSD Alto Minho deu a este semanário e logo me vieram à memória as palavras do Papa Francisco, que dias antes tinha lido no seu livro “A alegria de um sorriso”. Escreveu Francisco, “Há ainda outro grupo, que é mais perigoso, porque se engana a si mesmo. (…) Os que andam às voltas e se enganam a si próprios ao dizerem: «Eu caminho». Não, tu não caminhas, tu andas às voltas!”.


Façam alguma coisa



O Campo do Triunfo, na veiga junto à Expolima, às portas de Ponte de Lima, alberga muitas das actividades das equipas de formação da Associação Desportiva “Os Limianos”. Para além dessa utilização, também por lá passa alguma da formação dos árbitros da Associação de Futebol de Viana do Castelo. 
Num dos últimos fins de semana, assisti a um jogo entre uma equipa da formação d`“Os Limianos” e outra equipa de Ponte de Lima. O jogo foi divertido para ambas as equipas, que é o que realmente interessa nesses escalões, o que já não foi divertido foi, chegado o final do jogo, os atletas dirigirem-se para o balneário para tomar banho e rapidamente saírem sem o fazer por se encontrar num estado lamentável.

Centenas de crianças e jovens limianos, e de outros locais, passam por esse campo, árbitros e candidatos a árbitros têm lá formação. Tratando-se, normalmente, de jogos da formação, têm vários pais e familiares, de todo o distrito, a assistir aos jogos sem qualquer protecção ao clima (extremamente quente no Verão, frio e húmido no Inverno). É uma vergonha para o concelho serem recebidos assim. 

Embora ainda não tenha sido apresentado, a existência de um projeto para a construção de um estádio municipal preparado para as necessidades atuais e futuras do concelho e do clube de futebol mais abrangente do concelho limiano, no espaço do Campo do Triunfo, tem sido referido em várias ocasiões e momentos públicos. Chegadas as infra-estruturas de apoio ao lamentável estado actual, das duas uma, ou o projeto se torna realidade ou será necessário e urgente que, enquanto se espera, o município faça alguma diligência para dar condições a quem usa atualmente o Campo do Triunfo. Certamente não será muito o investimento para resolver ou minimizar o problema nos balneários e providenciar uma pequena e provisória proteção para quem assiste aos jogos.