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domingo, novembro 23, 2025

Alto Minho, artigo de 20-11-2025

 É difícil 

Tive a sorte de crescer num ambiente politizado. Decorriam os anos 70, 80 e 90 do século passado. À minha volta, várias pessoas tinham participação política activa, nos partidos e nas associações, como eleitos autárquicos ou membros de outros órgãos locais e nacionais. Tive sempre contacto com a responsabilidade que é a representação dos concidadãos, e, talvez também por sorte, todos os meus próximos com essas responsabilidades foram bons exemplos no exercício dos seus deveres. Não tive dificuldades em aceder à informação, tive acesso a livros, sempre com a consciência de que, se não os tivesse em casa, encontrá-los-ia na biblioteca municipal. Os bons exemplos e a informação estiveram sempre, mesmo sem Internet, ao meu alcance. Desse crescimento resultou a minha perspectiva da política como um imperativo cívico, um serviço à comunidade, com balizas éticas bem definidas.

Confesso que é difícil perceber a justificação para as pessoas, que cresceram no mesmo tempo e mesmo espaço geográfico, com as mesmas possibilidades, não terem a mesma visão do que é serviço, do que é eticamente aceitável, do que é estar ao serviço da sua comunidade. É por isso que não consigo tolerar os que colocam à frente dos seus concidadãos, naquilo que deveria ser o exercício do serviço publico, os seus interesses privados, a “vã gloria de mandar”, o seu orgulho ou sei lá mais o quê. 

 

A saga continua


Pela vila de Arcozelo, os episódios rocambolescos da eleição dos vogais da Junta de Freguesia adensam-se. Saídos de uma eleição, onde os eleitores deram a vitória a uma lista, mas repartiram os mandatos por forma a que nenhuma força tivesse a maioria absoluta, depois dos esforços de toda a oposição para que existisse um consenso entre todas as forças políticas para a governação estável da freguesia, o presidente eleito optou por colocar o seu ego à frente dos interesses coletivos. De reunião em reunião, foi “arranjando” subterfúgios como tentar forçar a eleição dos nomes por si propostos, com interpretações estapafúrdias dos votos contra da maioria dos eleitos, ou suspensões abruptas de reuniões, para impedir o normal funcionamento dos órgãos autárquicos. Chegou-se a um ponto em que os membros da Assembleia de Freguesia, 60% dos membros eleitos, tiveram de se ausentar da reunião, deixando de existir quorum, porque lhes queriam impor uma forma de votar que não permitia a opção de votar contra.  

Ao não querer aderir a um entendimento alargado entre as forças presentes na assembleia, o presidente eleito provocou um impasse. Resta-lhe as seguintes saídas políticas. Percebe que, em democracia, nem sempre o que queremos é o que obtemos da maioria e aceita o proposto pela oposição, de governo tripartido liderado, obviamente, por ele. Renuncia ao mandato e permite o segundo da sua lista desbloquear o processo. Fica em gestão corrente, limitadíssimo na acção, prejudicando e bloqueando a freguesia. Ou, como não quer consensos, inicia o processo conducente a eleições intercalares e deixa os eleitores decidirem. Há só uma pessoa com capacidade para decidir o passo seguinte, consequentemente o único responsável e culpado dos resultados dessa decisão, o presidente eleito. 

Obviamente que o ideal, para a vila de Arcozelo, era a adesão do presidente eleito ao consenso alargado proposto pela oposição. Não o querendo e porque ceder o lugar ao seu segundo será opção fora de equação, entre ficar em gestão corrente ou eleições intercalares, não restam dúvidas de que o caminho para a repetição de eleições é o melhor para a freguesia. Entra, assim, em jogo um novo “player”, a Câmara Municipal e a sua capacidade de influência. Se houve um vencedor em Arcozelo, foi Vasco Ferraz. Obteve cerca de mais 12% de votos que a lista mais votada para a Assembleia de Freguesia. Provavelmente foi aqui que conseguiu eleger mais um vereador, é também por isso que tem uma responsabilidade acrescida para que o processo autárquico da maior freguesia do concelho desbloqueie. Na actual situação, não haverá nada melhor do que pedir aos arcozelenses para desfazerem o nó entretanto criado.

domingo, novembro 09, 2025

Alto Minho, artigo de 06-11-2025

Entrevista e declarações

Os novos protagonistas autárquicos e os repetentes têm dado entrevistas à comunicação social. Recentemente, li a entrevista ao presidente da câmara de Ponte de Lima, Vasco Ferraz, bem como as declarações que fez sobre a CIM Alto Minho. A afirmação dentro da Comunidade Intermunicipal continua na agenda de Ferraz. Fez bem sublinhar as suas linhas vermelhas para o apoio à alteração da liderança na CIM. Embora com a natural solidariedade entre concelhos, fez saber que esta deve ser recíproca. Obviamente que é uma forma de pressão, não acredito que o edil limiano dê a mão a quem, no fundo, o levou à demissão dos órgãos anteriores, mas é preciso que os outros responsáveis políticos olhem para o concelho limiano com o respeito devido ao segundo maior concelho do distrito. 

Já na entrevista que Vasco Ferraz deu aqui ao Alto Minho, refere dois novos projectos impactantes, a Casa do Conhecimento e a Escola das Artes de Ponte de Lima. Foi, no entanto, notória a falta de referência a um projecto que até já deveria estar em andamento, o da construção de um novo estádio municipal no actual campo municipal do Triunfo. Não só pelo trabalho que tem sido feito pela Associação Desportiva “Os Limianos”, quer na formação quer no desempenho desportivo da sua equipa principal, mas também pelas oportunidades que esse novo complexo desportivo poderá criar em termos de atractividade de promoção, o Mundial 2030 está aí, literalmente, à porta com jogos no Dragão e na Galiza. Espera-se que, embora tenha ficado de fora dos temas abordados na entrevista, o projecto apresentado no início de 2024 não morra e que rapidamente se torne uma realidade. 


Homens à altura das circunstâncias


No distrito, ao contrário de outras autárquicas, existem várias situações em que os eleitos nas assembleias de freguesias não se entendem para a constituição dos executivos. Para alguns, parece ser difícil perceber, depois das comemorações na noite eleitoral, que, apesar da sua vitória, o voto popular ditou que terão de partilhar o poder com outras forças políticas. Há quem perceba o funcionamento da democracia, mas outros há que se entrincheiram em vãs questões de ego ou de interesses comezinhos.  

Veja-se o caso da maior freguesia do concelho de Ponte de Lima, a vila de Arcozelo. O presidente da junta foi reeleito, mas, desta feita, sem maioria. A oposição quer trabalhar e, para o bem da freguesia e o bom funcionamento das instituições, propôs um executivo tripartido. Ao invés de aproveitar a oportunidade e de demonstrar estar à altura dos acontecimentos, o presidente eleito agiu como se mantivesse a maioria e não aceitou o repto. Resultado? Viu a sua proposta de executivo reprovada e, de forma intempestiva, sem dar justificações e sem adiantar quando esta retomaria, suspendeu a reunião. Quem perde com esta atitude imponderada é a freguesia e os seus fregueses. 

Esta até nem é uma situação inédita na freguesia de Arcozelo e até com a mesma distribuição de mandatos. Há mais de duas décadas, Manuel Soares, eleito sem maioria pelo PS, teve a grandeza democrática de constituir um executivo tripartido com Manuel Fernandes, eleito pelo PSD, e Manuel Moreira, eleito pelo PCP, ficando, ainda, o grupo independente com um eleito na assembleia. O mandato ficaria conhecido pelo “o dos três Maneis”. Nenhum deles ficou “ferido” politicamente e ainda hoje são lembrados por serem os mentores e dinamizadores da elevação a vila de Arcozelo. A diferença de ontem para hoje são os protagonistas, No passado, souberam estar à altura das circunstâncias, e os de hoje, estarão? Já agora, em Maio deste ano, quando Manuel Soares faleceu, a Junta de Freguesia, liderada pelo actual presidente reeleito, publicou um comunicado onde afirmava que este era “um exemplo e uma inspiração para todos”, será uma boa altura para o ter como exemplo e inspiração.


Elevador social


Recentemente, numa tomada de posse de um executivo municipal, discretamente uma senhora assistia visivelmente comovida. Sentia-se o orgulho nos seus olhos. O seu filho tomava posse como presidente da câmara onde ela há muitos anos exercia funções de limpeza. Ao contrário do que por vezes ouvimos vociferar por aí, a democracia não falhou.

domingo, novembro 24, 2024

Alto Minho, artigo de 21-11-2024

Votos de louvor e de pesar

O presidente da Assembleia da República, Aguiar Branco, chamou a atenção dos grupos parlamentares para a banalização de votos de pesar, só nos primeiros seis meses da legislatura terão sido apresentados 109 votos de pesar. Isto fez-me lembrar do que se tem vindo a passar nos últimos anos, por exemplo, na Assembleia Municipal de Ponte de Lima. Os grupos municipais parecem quase atropelar-se na apresentação de votos, felizmente, não de pesar, mas de louvor. Há reuniões onde o tempo usado para a apresentação de votos de louvor (o mesmo é, por vezes, proposto por várias bancadas), a  sua discussão e votação quase se equipara com o usado para o período da ordem do dia. 

Todos os eleitos têm legitimidade para apresentar os referidos votos de louvor ou de pesar, não é isso que está em causa, mas, tal como referiu Aguiar Branco na Assembleia da República, não haverá uma banalização desse tipo de votos?


“Choque de realidade”


Foi com interesse que li a notícia sobre o Dia do Diploma do Agrupamento de Escolas de Arcozelo, Ponte de Lima. A certa altura chamou-me a atenção o  testemunho de duas alunas, com 16 anos, que receberam o Prémio Cidadania, diziam elas que, no âmbito do projecto solidário que coordenaram, sendo que um dos objectivos aproximar os jovens aos seniores, encontraram, em Arcozelo, muitos idosos sozinhos, muitos sem condições de vida. Para as jovens, nas suas palavras, foi um choque com a realidade. Parabéns à escola pela capacidade de promover esta interacção entre a comunidade escolar e a que a acolhe. Que esse “choque” desperte nos alunos a necessidade de participarem nas suas comunidades. 

Arcozelo, a segunda vila do concelho de Ponte de Lima, entre 2011 e 2021, pelos dados mais recentes, embora perdendo habitantes, viu-os aumentar na faixa etária de maiores de 64 anos (um aumento de cerca de 25%), foi, aliás, a única que aumentou. Embora uma das mais populosas de Ponte de Lima, é uma freguesia com muitas carências que se vão arrastando ao longo dos anos. Há, de facto, problemas que são endémicos. Infelizmente, os responsáveis políticos parecem preferir apostar em sectores/áreas/activos que, provavelmente, na sua opinião, serão mais estruturantes e prementes.

Somos nós que escolhemos os nossos representantes pelo que não podemos ficar surpreendidos com os “choques com a realidade” que os jovens sentem quando vão para o terreno fazer o que outros deveriam, por obrigação, fazer.   


Perre, Paris e Londres


Por Viana do Castelo já não é preciso ir a Paris ou a Londres para se encontrar o cosmopolitismo desses grandes centros. É hoje natural ouvir pelas ruas de Viana do Castelo uma mãe a falar com os filhos em eslavo, o casal, mais à frente, a conversar em inglês, outro, sentado no banco, em alemão e, no final da rua, um pai e sua filha a comunicar em crioulo. Entramos numa loja e a dona da loja dá indicações ao seu funcionário em mandarim e, na porta seguinte, ouvimos falar em urdu. Grupos de jovens estudantes, que à saída da escola se juntam, conversam em português do Brasil, ou em castelhano com a sonoridade da América Latina.

É por isso de saudar iniciativas como a que decorreu no Centro Cultural de Viana do Castelo, onde, no passado dia 9 de Novembro, se realizou a quarta edição do “Encontro de Culturas”, uma organização da Associação de Grupos Folclóricos do Alto Minho em parceria com a Academia de Dança Arte e Movimento e a Associação Terra de Todos. A integração na comunidade é um dos pontos essenciais para que a imigração não seja vista de forma negativa e radical. 

domingo, outubro 20, 2024

Alto Minho, artigo de 17-10-2024

“Quem vota contra, quem se abstêm...”

Há quem diga que é preciso assistir a uma reunião de uma Assembleia de Freguesia para se encontrar um órgão político onde se pratica a verdadeira, mais próxima e transparente democracia representativa. Não concordo e penso ser mesmo uma falácia.

Sim, existem muitos bons exemplos, mas não são exclusivos dessas assembleias, também algumas Assembleias Municipais, por exemplo, o são. Estando mais próximas da população, quantas das Assembleias de Freguesia disponibilizam, por exemplo, a transmissão das suas sessões ou a gravação das mesmas, exemplos básicos da transparência política? Quantas assembleias de freguesia tem mais que dois ou três fregueses nas suas sessões? Não é uma questão de proximidade, mas de vontade dos eleitos em disponibilizar todos os meios para envolver os eleitores. Infelizmente, a realidade nem sempre é essa.


Não é um epíteto 


O primeiro ministro, Luís Montenegro, afirmou numa entrevista que se assume como político, não como tecnocrata, mas como político de corpo inteiro. Que gosta de decidir, ouvindo os técnicos e estudando, mas comprometido com as pessoas. 

Na nossa vida, todos somos políticos, as decisões que tomamos em relação aos assuntos  mais “corriqueiros” da nossa vida são expressões com reflexo político. Alguns dos eleitos para órgãos de gestão/representação política, alguns com atividade de anos na política, digamos, activa, têm vergonha de assumir aquilo que são. Políticos! Infelizmente, chegamos a um tempo em que apresentar-se como político parece ser o mesmo que a apresentação de cadastro. 

São cada vez mais aqueles que se amarram a chavões do tipo “são todos iguais”, no entanto, não mexem um palha, não dão um segundo da sua vida para que algo se altere. A política é uma acção nobre, ser político é ser consciente e participativo na comunidade. Existem maus exemplos? Sim, existem! Mas isso não deixa de ser o reflexo da sociedade. Quanto mais “diabolizarmos” a atividade na política activa, mais espaço fica para os que não honram esse papel.


Polémicas leva-as o vento


Por causa da construção de uma central de betuminoso, entre 2016 e 2017, a população da freguesia e vila de Arcozelo promoveu protestos, realizou concentrações e manifestações com centenas de pessoas, encetou queixas no Ministério Público, conseguiu, até, que o projeto fosse embargado. 

Entretanto, apesar da mobilização popular, dos embargos e polémicas o projeto tornou-se uma realidade e os eleitos que o “apadrinharam” nem penalizados foram nas eleições seguintes, bem pelo contrário. Já gritava Pinheiro de Azevedo, em 9 de Novembro de 1975, no Terreiro do Paço, em Lisboa, “Não há perigo. O povo é sereno, ouçam. É apenas fumaça.”.


Vila de Arcozelo


Já que referi a vila de Arcozelo, sabiam que se completam este ano, no dia 9 de Dezembro, 20 anos desde a aprovação do decreto nº 222/IX de 2004, que elevou a freguesia de Arcozelo à categoria de vila? Não sabiam? Aparentemente, os responsáveis autárquicos da vila de Arcozelo também não devem saber ou preferem ignorar. Este deveria ter sido um ano de manifestações culturais/sociais/desportivas para comemorar essa efeméride. Deveria ter sido criada uma comissão para promover as festividades, que deveriam contemplar uma homenagem aos principais promotores. 

Bem sei que o estatuto de vila, per se, não acarreta qualquer vantagem, mas, quando não sabemos, não queremos ou não temos habilidade para aproveitar as oportunidades para promover o que somos, o resultado é precisamente o que temos. Nada. 

domingo, maio 12, 2024

Alto Minho, artigo de 09-05-2024

Campeões

Quando o clube mais representativo do concelho de Ponte de Lima, “Os Limianos”, depois de vencer a sua série, lidera a fase de subida à Liga 3 e faz sonhar os adeptos com a final no Jamor, e porque não a consagração como campeão do Campeonato de Portugal, o concelho limiano dá mais um clube para disputar a 1ª divisão distrital da Associação de Futebol de Viana do Castelo. O ACR Arcozelo sagrou-se campeão distrital da 2 divisão, a terceira vez na sua história, subindo à principal divisão distrital. 

Esperando durante anos a ajuda do município para a colocação de um essencial relvado sintético, depois deste se tornar uma realidade, o Arcozelo demonstrou como o trabalho, gratuito e empenhado, de tantas pessoas, com o mínimo de apoio, dá resultados. Neste momento não é só a equipa sénior que se destaca, são também as equipas de formação que já são casa para tantas crianças e jovens.  


Uma grande época


Independentemente dos resultados que a equipa sénior de futebol d`”Os Limianos” venha a obter, o clube teve uma das suas melhores épocas, das modalidades como o hóquei às camadas jovens as vitórias, os campeonatos, têm sido uma constante. A mais recente foi a equipa de sub 15 que se sagrou campeã no passado domingo, conquistando a subida aos nacionais. Um verdadeiro clube que representa da melhor forma todo um concelho.


Livros




As nossas tradições, a nossa história são feitos de vários protagonistas. A maioria destes são incógnitos, vivem uma vida simples, mas que não se esquece dos outros. A construção dessa identidade colectiva é feita de várias “camadas”, umas vão dando lugar a outras, mas sempre interligadas. 

Muitas dessas “camadas” vão desaparecendo, passando apenas a viver na memória de alguns. Franclim Castro e Sousa, que já teve funções políticas na área da cultura e desporto do município limiano, sabe bem a importância de manter a memória colectiva. Apresentou um segundo livro que vai ao encontro dessa vontade. Depois do livro “A feira e tascas de Ponte” apresentou, no passado sábado, “Mercearias de Ponte”. Esses espaços quase místicos, que entretanto quase desapareceram da nossa tão apressada, hermética e instantânea realidade, remetem para um tempo onde havia espaço na nossa vida para comprar a granel, comprar café acabado de moer que vinha para casa embrulhado em cartuxos. Quem não está a sentir neste momento o cheiro característico da moagem de café? 

Sim, como afirmou Daniel Campelo na apresentação do livro, isto também é mercado turístico. O turista quer autenticidade, o mercado da saudade é uma realidade que atrai muitos e que pode ser uma fonte de receita para a nossa região. 


25 anos


É estranho perceber que um projecto saído de um grupo de amigos com interesses comuns consegue sobreviver com grande actividade e projecção durante 25 anos. 

Um quarto de século são os anos do BaToTas, o clube que nasceu dos desportos radicais, onde se integrava o BTT. Em 1999 o Bruno, o Ricardo, o João Carlos juntaram-se a outros como o Acácio Pires, e, desses encontros informais, nascia o clube que introduziu as bicicletas todo o terreno no desporto limiano. Parabéns, que grande caminhada!

domingo, julho 02, 2023

Alto Minho, artigo de 28-06-2023

 Esperança

O granito extraído dos montes da freguesia de Arcozelo é exportado um pouco para todo o lado. A sua extração e transformação é um trabalho duríssimo. Várias gerações ganharam o seu pão nesse labor. Uma atividade em tempos exercida de uma forma menos controlada, onde, nas primeiras décadas deste século, se tentaram dar passos para humanizar a actividade por forma a respeitar trabalhadores e natureza.

No final da primeira década, foi “sonhado” o Polo industrial do Granito. Iniciou-se o trabalho de certificação, de criação de uma marca, de criação de uma estratégia e valorização comercial do que seria o “Granito das Pedras Final”. O poder político foi tentando envolver o máximo de agentes, promoveu o associativismo. A dinâmica foi aparecendo. 

Entre avanços e recuos, independentemente da forma como decorreu o processo, o Polo Industrial do Granito de Arcozelo, desde a ideia inicial à inauguração, demorou mais de uma década a ver a luz do dia. Visto como um projecto fundamental para a organização e qualidade ambiental e laboral, foi com grande esperança que, após tantos anos de espera e de mais de 5 milhões de investimento, foi inaugurado um espaço onde finalmente a industria transformadora do granito teria um lugar construído de raíz para a receber. 

Na passada semana o Partido Comunista Português, numa sessão pública realizada na freguesia de Arcozelo, chamou a atenção para a actual realidade daquela “infraestrutura industrial fundamental para o desenvolvimento económico do concelho e da freguesia” que, alertou, “está praticamente desocupada”. Realmente, parece que a dinâmica dos responsáveis políticos e o esforço de mobilização dos agentes económicos se esvaneceu. 

Depois de um investimento tão grande, depois de tanta esperança, parece que tudo se esfumou, ficando apenas um enredo jurídico e a sensação de que há quem quisesse que tudo morresse. 


Espirito bairrista


No passado fim de semana, viveu-se, pela vila de Ponte de Lima, um reencontro com um espirito antigo de salutar bairrismo. A festa de São João, a festa da capela que ocupa o topo norte da alameda com o mesmo nome foi verdadeiramente popular. Com várias mesas e espaços de animação, era ver no terreiro da festa preenchido de famílias, muitas com ancestrais origens no Arrabalde, usufruindo da festa e das noites de Verão fantásticas que se fizeram sentir. 

No sábado, as marchas juntaram centenas de pessoas que marcharam com orgulho e alegria pelas ruas da vila limiana. Se antigamente eram os vários bairros que saiam às ruas, (Além da Ponte, Arrabalde, Pinheiro, Pereiras…), este ano, marcaram presença as freguesias da Correlhã, da Ribeira, de São Pedro d`Arcos e da Seara, a quem se juntou o Pinheiro e a Escola António Feijó. 

domingo, abril 23, 2023

Alto Minho, artigo de 19-04-2023

Habitação

No final da década de 70 do século passado, foram instaladas, num terreno da Câmara Municipal de Ponte de Lima, em Faldejães, Arcozelo, infra-estruturas de casas pré-fabricadas. Um projecto comparticipado pela, então, Direcção de Urbanização de Viana do Castelo que teve como objectivo possibilitar a várias famílias uma habitação que de outra forma não conseguiriam. 

Passados mais de 20 anos, essas casas pré-fabricadas foram desmanteladas e em parte do terreno por elas ocupado foram, entretanto, construídos prédios para habitação social. 

Infelizmente, grande parte do restante terreno encontra-se desaproveitado, a mato, sem manutenção. Muito perto existe um espaço que poderia ser um dos ex-libres da vila de Arcozelo, a Poça Grande. Zona húmida, com espécies a nidificar, rica em biodiversidade, foi, em tempos, alvo de investimento e recuperação, porém a falta de manutenção e de investimento tornaram a Poça Grande num local sem atractividade e esquecido.

Na passada semana, escrevi sobre o projecto que, em boa hora, o município limiano está a levar a cabo num terreno também na vila de Arcozelo. Porque não aproveitar os arquitectos paisagísticos para levar, pelo menos, alguma dignidade aos terrenos circundantes do bairro de Faldejães, aproveitando a proximidade da Poça Grande para tornar aquele num dos espaços nobres da mais nova vila do concelho de Ponte de Lima?


Imagem de arquivo



Temperaturas altas


Com temperaturas a transportar-nos para tempos de Verão, o rio volta à mente dos que lá passavam os dias das férias grandes. As gerações nascidas até meados dos anos de 1980 passaram muitos dos seus dias de férias nas areias e águas do rio Lima. De lá para cá, o rio deixou de ser o centro das férias dos jovens limianos, a areia deu lugar a erva, a água passou a ser notícia pela sua má qualidade, todos os anos a época balnear começava pela noticia das praias limianas interditas a banhos.

Bem sei que o desafio é grande, até porque alguns dos motivos do actual estado da que foi a primeira praia fluvial com bandeira azul de Portugal são externos, mas os grandes desafios são reveladores de líderes e visionários que não se deixam resignar. O desafio  é conseguir voltar a ter uma praia fluvial com qualidade no concelho limiano. Estão à altura? 

domingo, março 05, 2023

Alto Minho, artigo de 01-03-2023

 


A razão estava do lado de Francisco Abreu Lima 

A primeira vez que ouvi a proposta de passar a ser em 4 de Março o feriado municipal em Ponte de Lima foi pela boca do antigo presidente da Câmara, Francisco Abreu Lima, na altura membro da Assembleia Municipal. O dia em que o lugar de Ponte se fez vila, quer pelo significado histórico quer pela sua promoção nas ultimas décadas junto das crianças e jovens, consolidou a sua relevância agregadora como o “Dia de Ponte de Lima”. 

No inicio do século, o pedido de alteração do feriado municipal suscitou uma celeuma que resultou, em 2008, numa alteração incompreensível e à revelia de toda a discussão, para uma data em que nada era celebrado ou comemorado, a terça feira depois das Feiras Novas. Depois de mais de uma década de propostas de alteração do feriado municipal para o dia 4 de Março a esbarrarem numa maioria “surda”, eis que as notícias não poderiam ser melhores. No ano passado o presidente da Câmara Municipal, Vasco Ferraz, afirmou estar aberto à mudança do feriado municipal. Eis que agora, por proposta conjunta de todas as forças políticas com assento no executivo municipal, o “Dia de Ponte de Lima” irá passar a feriado municipal em 2025. 

É de saudar a alteração no ano em que se comemorarão os 900 anos da outorga, por Dona Teresa, do foral a Ponte de Lima e, ainda mais, por ser uma proposta consensual e agregadora. Fica assim provado que, também em Ponte de Lima, é possível encontrar consensos políticos. É um bom sinal para o futuro. 


“A trabalhar para legalizar tudo”


O actual presidente da Junta da vila de Arcozelo, em Ponte de Lima, terá chegado à conclusão de que os Baldios têm de ter contas, orçamento e plano próprios, separados dos da Junta de Freguesia. Depois de anos de “mistura”, afirmou que se está a «trabalhar para legalizar tudo». É caso para se dizer “Aleluia!”. 

Não deixa, no entanto, de ser caricato ler a sua afirmação de que esse objetivo «não é fácil porque não se consegue fazer em quinze dias o que durante anos não fizeram». Assim se auto-excluiu da responsabilidade da actual situação dos baldios. 

Parece, porém, ter-se esquecido de que foi ele o secretário da Junta de 2017 a 2019 e presidente de 2019 até à actualidade. Durante esse tempo, foi alertado vezes sem conta pela oposição para a necessidade de separar as receitas, as contas, os orçamentos, os planos. O jornal Alto Minho publicou várias notícias sobre reuniões da Assembleia de Freguesia onde este assunto foi impreterivelmente referido pela oposição. Nunca nada foi feito. 

Agora, por exigência do Tribunal de Contas, que analisou e chumbou contas anteriores aos seus mandatos, porque em meia década de governação do PLMT nada de diferente foi feito na gestão dos baldios, não tendo outra opção, iniciou a mudança de paradigma indo ao encontro da lei e do que tantos lhe exigiram durante esses anos. 

Mas não basta cumprir a lei, há algo que é preciso clarificar. As receitas dos Baldios significaram cerca de 60% das receitas apresentadas durante esses anos nas contas da Junta de Freguesia. Durante esses anos, decisões e opções foram tomadas e resultaram  em despesas para a Junta de Freguesia que, se não fosse esse “empolamento” das contas, não poderiam ter sido assumidas. O que se passará de seguida? Quem assumirá a responsabilidade? Haverá consequências? Ainda existirá oposição para exigir a asserção de responsabilidades por eventuais irregularidades ou bastará começar a cumprir o que está estipulado pela lei para apagar o passado?   

domingo, dezembro 25, 2022

Alto Minho, artigo de 21-12-2022


 Por favor não politizem

Imaginem alguém que, durante 50 anos, com o seu trabalho consegue marcar gerações de concidadãos. Ainda o manto escuro da ditadura pesava sobre os portugueses, já ele dinamizava grupos de jovens que despertava para a cultura, para as artes, para a participação na comunidade. Durante cinco décadas, essa alegria de vida não esmoreceu, antes aumentou e marcou gerações de jovens. Imaginem que essa mesma pessoa, com o andar dos anos, era chamada a várias responsabilidades em instituições marcantes do concelho, como a Santa Casa da Misericórdia ou os Bombeiros Voluntários de Ponte de Lima. Dinamizadora de vários projectos sociais, marcava de forma profunda a comunidade, não só da freguesia da vila de Ponte de Lima, mas em todo o concelho limiano. 

Essas extraordinárias qualidades assentam no saudoso cidadão, limiano por adopção, José Gomes de Sousa, padre da Igreja Católica, elevado à dignidade de Monsenhor por decisão do Papa Bento XVI. O Padre Zé, como familiarmente era por todos conhecido, nas palavras do anterior presidente da Câmara, Vitor Mendes, foi “uma referência, um exemplo para todos nós, que servimos causas e Instituições” (revista Limiana, nº 49, Abril/Maio/Junho de 2017). Quando faleceu a 14 de Fevereiro deste ano, com 79 anos de idade, foram várias as manifestações de pesar, imensos os testemunhos de vidas marcadas em diferentes maneiras.

Na passada semana, fiquei triste e perplexo ao ler o que se tinha passado na última reunião da Câmara Municipal de Ponte de Lima. A gincana política que se montou a propósito da atribuição do seu nome a uma artéria na vila limiana é indigna. O Padre Zé, pelo legado que deixou no coração de milhares de limianos, pela sua sempre humilde e desprendida maneira como viveu, não merece a politização deste assunto.

É verdade que com o nome ou sem ele numa praça ou numa rua, o seu exemplo e memória Vive no coração de todos os que marcou. No entanto, a Câmara Municipal, que é quem decide a toponímia, sem arranjar argumentos estapafúrdios, deveria respeitar a intenção dos verdadeiros representantes dos fregueses da vila de Ponte de Lima, a sua Junta de Freguesia, que manifestaram a vontade de perpetuar o seu nome na toponímia limiana.


Não sei se sabem…


O concelho de Ponte de Lima tem a paradoxal realidade de ter uma vila mais antiga que o próprio país e outra entre as mais recentes. À vila de Ponte de Lima juntou-se a vila de Arcozelo, freguesia que, pelo decreto nº 222/IX de 9 de Dezembro de 2004, foi elevada à categoria de vila.

Daqui a 2 anos celebram-se duas décadas da elevação a vila. Fica o repto aos autarcas da vila de Arcozelo, não continuem a ignorar esta data. Formem uma comissão que programe as celebrações, aproveitem, por exemplo, para homenagear os intervenientes do já longínquo ano de 2004. 


Iluminações


Um pouco por todos os concelhos alto-minhotos, as Câmaras Municipais têm apostado nas iluminações natalícias. É certo que tudo apontava para a sua redução, mas a verdade é que, por tudo o que tem acontecido, as pessoas estavam ansiosas pelas decorações, pela luz. No fundo, estas transmitem o sentimento de felicidade tão presente no espirito natalício. 

Aproveito para desejar a todos os leitores que me vão acompanhando um Santo e Feliz Natal.

domingo, dezembro 11, 2022

Alto Minho, artigo de 07-12-2022

 Baldios de Arcozelo



Em 1995, os compartes dos baldios da vila de Arcozelo decidiram delegar no executivo da Junta de Freguesia a gestão dos mesmos. De acordo com a lei dos baldios de 2017, essa delegação deveria ter sido retificada, porém não foi. 

Li com atenção a notícia sobre a reunião dos baldios da vila de Arcozelo convocada por um grupo ad-doc. Achei interessante que o actual presidente da Junta da vila de Arcozelo tenha afirmado nessa reunião que “os orgão existem e foram eleitos democraticamente”. É interessante porque desde pelo menos 2018 não existiu nenhuma reunião dos compartes muito menos electiva. Há anos que não são apresentados os planos e orçamentos e muito menos as contas. Interessante porque, quando apresentaram nos últimos anos os planos e orçamentos e as contas da Junta de Freguesia, existiram votos contra, entre outras razões, precisamente por juntarem nesses documentos valores e rubricas referentes aos baldios.

Não deixa de ser engraçado ler as acusações feitas pelo presidente da Junta de Arcozelo tentando menorizar o grupo que convocou a reunião, acusando-o de ser afeto ao PCP. É engraçado porque ele, embora eleito pelo movimento Ponte de Lima Minha Terra e exercendo, atualmente, a presidência da concelhia do PS, ainda há dois ou três mandatos foi eleito na Assembleia de Freguesia de Arcozelo pelo PCP. Durante anos foi o rosto em várias posições dos comunistas, precisamente sobre os baldios, onde defendiam, espante-se, a separação de contas e convocatória de eleições para a Comissão de Baldios. 

Caro leitor, já escrevia Luis Vaz de Camões “Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, Muda-se o ser, muda-se a confiança; Todo o mundo é composto de mudança”. Terminamos por aqui a citação porque o resto do poema, infelizmente, já não se aplica.


Indignação


Por força da queixa enviada pela vereadora (suplente) do PSD, Felismina Barros, ao Ministério Público, ficamos a saber que a compensação financeira que as Águas do Alto Minho deram aos seus clientes, entre Abril e Dezembro de 2021, para atenuar o descontentamento e restabelecer a confiança perdida pelos vários erros nas cobranças e quebra na qualidade dos serviços prestados ia ser agora cobrada a esses mesmos clientes. Passada a contestação, que teve o seu auge em pleno ano de eleições autárquicas, eis que a empresa demonstra mais uma vez uma completa falta de respeito pelos seus clientes. 

Foi graças à auditoria da Entidade Reguladora dos Serviços de Águas e Resíduos, fruto de uma atuação política e cidadã, que esta injustiça foi travada. Talvez seja assim, sem receios, sem tibiezas, ao serviço, que a alma social-democrata do concelho renasça. 

segunda-feira, abril 25, 2022

Alto Minho, artigo de 20-04-2022


Ministério Público pela vila de Arcozelo
 

Na semana passada teve chamada de capa neste jornal a notícia onde se podia ler que o Ministério Público intentou uma acção onde alega que a “Ré Junta de Freguesia de Arcozelo, a quem cabia a gestão dos baldios, violou regras legais imperativas de alineação de terrenos dos baldios, através da transferência da propriedade para si própria, apropriando-se do produto da venda, que deveria ter sido entregue aos compartes”. 

Já na página web do Tribunal de Contas, no seu relatório nº 04/2022 sobre a verificação interna de contas da Junta de Freguesia de Arcozelo - Gerências de 2013 a 2015, pode-se ler o seguinte “A JFA, ao longo dos anos, na qualidade de Administrador do Baldio, tem vindo ilegitimamente a escriturar na sua contabilidade, as receitas e as despesas daquele Baldio, desconsiderando a personalidade jurídica do mesmo, em montante que não é possível, nesta sede, determinar”.

São coisas do passado? Em 2017, os eleitores da vila de Arcozelo decidiram mudar. O antigo presidente da junta perdeu as eleições, esperando os leitores uma mudança na forma de gestão. O novo executivo da Junta de Freguesia, agora liderado pelo movimento do Ponte de Lima Minha Terra - PLMT - continuou, no entanto, com a política de, nas palavras do Tribunal de Conta, “ilegitimamente a escriturar na sua contabilidade, as receitas e as despesas daquele Baldio”. 

Não se consegue perceber a razão de se manterem as políticas de “misturar” o que é dos baldios com a o que é da Junta de freguesia. A vontade política de mudar continua a ser nula, ainda no passado mês de Fevereiro, o actual executivo voltou a apresentar e a aprovar um Orçamento e Plano onde junta o que é dos baldios com o que é da junta. Os Baldios não têm conta bancária com o seu dinheiro, não têm orçamento e plano nem contas aprovadas. Na votação e discussão da prestação de contas de 2020, foi assumido pelo presidente da Junta, o mesmo que foi reeleito nas eleições autárquicas do ano passado, que constavam como receitas correntes da Junta de Freguesia valores referentes aos Baldios. Os valores dos Baldios significavam, na altura, cerca de 60% das receitas correntes apresentadas nas contas da Junta de Freguesia (ver acta nº19 do mandato 2017-2021).

Não foi por falta de chamadas de atenção que as políticas não mudaram. Talvez as duras palavras do Tribunal de Contas e a atuação do Ministério Público venham a fazer com que finalmente haja a reposição da legitimidade. Esperemos, no entanto, que não seja tarde demais e que não seja a comunidade a “pagar”. Uma coisa é certa, politicamente há responsáveis e estes têm de assumir as suas acções por colocarem a vila de Arcozelo, a freguesia mais populosa do concelho de Ponte de Lima, na fragilidade onde  actualmente se encontra.


Eleições no PSD


Para já com dois já anunciados candidatos, o PSD vive mais uma eleição interna. Mais uma eleição, mas, talvez, uma das mais ou a mais decisiva/s da sua história. Com cada vez maior desconexão com os eleitores, a importância destas eleições será o de evitar o caminho do PS francês que, em menos de 10 anos, passou de partido dominador para a irrelevância política. Faz falta afastar aqueles que, de eleição interna em eleição interna ,“mergulham na piscina, mas saem de lá sempre secos” e vão afastando os que, quando mergulham, gostam de se molhar porque o fazem com convicção. 

É tempo de definir o que o PSD defende e quem representa. No fundo é necessário voltar a fazer do PSD um partido que representa e dá voz à sociedade portuguesa. 

segunda-feira, julho 12, 2021

Alto Minho, artigo de 07-07-2021


 O amigo das freguesias”

Sigo pela estrada de Ponte de Lima em direcção a Freixo. Logo na freguesia da Correlhã vejo, pela primeira vez, o cartaz do movimento VIRAMILHO. Remete-me, pelo grafismo, aos cartazes italianos. Gostei da mistura de cores vivas e na centralidade do símbolo com a designação do movimento. Afinal de contas é isso que irá aparecer no boletim de voto. Quanto ao slogan, O amigo das freguesias”, nem de propósito tê-lo visto pela primeira vez na freguesia da Correlhã. A presidente da Junta foi eleita pela primeira vez em 2013 com as cores do PSD, durante o mandato foi arranjando umas desculpas para se ir afastando. Em 2017 assumiu o que muitos já suspeitavam, apresentou-se com o apoio centrista. Quem foi o obreiro dessa mudança de camisola? O mesmo que levou à primeira eleição, contra todas as perspectivas, do presidente da Junta de destino desta viagem, o de Freixo. Precisamente o amigo das freguesias”, Gaspar Martins.


O betuminoso de Arcozelo reaparece


Na verdade nunca desapareceu, pelo menos para os que moram em Arcozelo. Do fumo ao cheiro, do pó aos camiões. Tudo o que foi falado, como alerta, em várias reuniões parece constituir-se na realidade quotidiana dos que vivem nas redondezas.

Reapareceu porque o assunto voltou à Assembleia Municipal pela voz de Pedro Ligeiro que apresentou as queixas dos arcozelenses e instigou o presidente da Câmara a fazer algo. Na resposta, Vítor Mendes sugeriu que, se existem queixas, devem ser dirigidas às autoridades competentes. A resposta de Mendes causou alguma indignação, mas, pensando bem, talvez esta seja a resposta que merecemos. 

Vítor Mendes, com o resto da sua equipa, é o responsável político pela central estar implantada naquele local, já os eleitores, nomeadamente os de Arcozelo, são os responsáveis por lhe darem as armas” para o poder fazer. Acha que exagero, caro leitor? 

Para a central se fixar naquele local foi preciso, por exemplo, mudar o PU, para mudar o PU foi preciso ter maioria para vencer as votações no executivo e na Assembleia Municipal. Apesar dos alertas, apesar da informação disponibilizada, apesar das declarações, apesar de já se conhecerem as intenções, 52,11% dos limianos votaram em Vítor Mendes dando-lhe maioria absoluta no executivo municipal. Vítor Mendes também venceu em Arcozelo. Alguém pode dizer que neste mandato Vítor Mendes não estava legitimado para fazer o que fez?


Estão à espera de quê?


Devo confessar que sempre achei curioso o comportamento dos que sem nunca darem a cara, na surdina se apresentam indignados, incentivam os outros à luta e, cereja no topo do bolo, no recato da urna de voto, até votam nos causadores dessa sua indignação”. Os eleitores devem ter consciência de que o seu voto realmente conta. Se querem a mudança, mas não votam nela, estão à espera de quê? Se, por outro lado, votam na continuidade porque legitimamente preferem a situação, então não venham agora rasgar as vestes.

domingo, maio 16, 2021

Alto Minho, artigo de 12-05-2021

Desporto

Tenho presente que o som das tardes de domingo é o dos motores da Fórmula 1. Porém,  houve um domingo em que, para além do som dos F1, também se ouviu o som dos carros do Campeonato Portugal Velocidade. E é aqui que entra Ponte de Lima. 

Mariano Pires, o limiano que está a dar cartas no automobilismo de velocidade com o seu Porsche 911 GT3 CUP, ficou na segunda posição na primeira prova deste ano que serviu de suporte ao Grande Premio de Portugal de F1.

Registem o nome, pelo que se vê e se vai lendo na imprensa da especialidade, Mariano é um dos pilotos de top da sua geração.  


O herdeiro 


Muito mais interessante e importante que os cartazes são as entrevistas aos candidatos. Ou melhor, o que poderá sair das entrevistas. A maioria das pessoas não lê os programas eleitorais, pelo que será nas entrevistas que se vão conhecendo as ideias, opiniões dos diferentes candidatos. 

Nas folhas aqui do jornal Alto Minho, da passada semana, foi publicada a primeira grande entrevista a Vasco Ferraz enquanto candidato do CDS à liderança do município de Ponte de Lima. Tinha curiosidade em ler a sua entrevista. Vasco Ferraz, embora jovem, já leva 8 anos de experiência como vereador. Geracionalmente, representa um corte com o passado, se for eleito presidente da Câmara será o primeiro nascido na década de 70.

Talvez por ter sido a primeira entrevista com o peso da candidatura, ficou muito preso ao passado, a Vitor Mendes, e às outras candidaturas, pouco falou de futuro. Só no final da entrevista é que se podem ler 3 ou 4 generalidades do que será a sua acção.

Vasco Ferraz tem a vantagem de ser o rosto do poder, mas não pode ficar preso à herança. Estas são eleições diferentes das anteriores. Existem mais 2 candidatos da sua área. Estes, Abel e Gaspar, também são responsáveis pela herança do CDS. Numa próxima entrevista ou intervenção, Vasco Ferraz, não renegando a herança, precisa de mostrar a mudança que representa para o futuro de Ponte de Lima. Só assim poderá captar novos eleitores. Sim, precisa de captar novos eleitores para compensar os que desta vez não vão votar CDS. Pode ser que com isso consiga convencer alguns dos cerca de 34% que não votaram em 2017.


Miradouro


Ainda me lembro de subir pela estrada em terra batida com a poeira a colar-se aos braços e à cara, à medida que o esforço me fazia transpirar. Hoje, quem sobe ao monte de Santo Ovídeo, na vila de Arcozelo, sobe por uma estrada de asfalto, sem poeiras, mas com a mesma vista deslumbrante. Já no topo do monte, encontra uma pequena e antiga capela, nas suas redondezas, um túmulo e uma gravura rupestre chamada de "Pedra do Cavalinho”, e um pequeno parque de merendas. 

No mínimo, deveria existir uma breve descrição histórica daquele espaço, nem que fosse numa placa conjunta. Era uma forma de dar a conhecer a quem nos visita a importância daquele espaço.

Caro leitor, deixo-lhe o desafio. Lance-se à estrada, suba até ao topo de Santo Ovídeo, espreite o património e deslumbre-se com a paisagem que o permite acompanhar o Lima desde as montanhas de Ponte da Barca até à foz, em Viana do Castelo.