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sábado, agosto 29, 2026

Alto Minho, artigo de 30-07-2026

Recordação

Entre o Campo do Arnado, na vila de Arcozelo, e o rio Lima, viu-se recentemente erguer um campo de vólei de praia. Esta simples estrutura devolveu, de forma quase irónica, a areia a um local que, por decisão política, tinha sido transformado num plano relvado, afastando-o da sua identidade ribeirinha.

Este pequeno recinto, logo dinamizado pelos jovens atletas da secção de Voleibol da EDL, trouxe-me à memória outras gerações, de um outro tempo, que usavam aquele mesmo espaço, então um areal de areia de rio, mais rude, como o epicentro do seu divertimento estival. Hoje parece quase inverosímil acreditar que por lá existiu um areal onde não só se estendiam as toalhas de praia e se jogava à bola, mas também a roupa secava após a lida das lavadeiras na emblemática “boca” do rio Labruja.

Precisamente no perímetro onde agora se encontra o referido campo, fixava-se o posto do nadador-salvador, munido com as bóias e a prancha de salvamento, tendo encostado ao muro um pequeno quiosque de venda de gelados. Embora aquele espaço tivesse muita ocupação, os locais conheciam um pequeno segredo, o melhor era mesmo atravessar as águas gélidas do Labruja e assentar arraias no areal de cima. Afinal, as águas do Lima, livres da mistura dessas correntes, eram sempre mais quentes e acolhedoras.


Tempo de férias


Para além das leituras, o que gosta de fazer no Verão? Eu, por exemplo, gosto de ver filmes antigos. Este Verão tenho andado a revisitar alguns clássicos italianos. De Visconti, já vi o “O Leopardo”, o “Viagem à Itália”, de Rossellini, ou o "8½" de Fellini e tenho outros em espera. Há qualquer coisa de fantástico nestes filmes. Apesar de já os ter visto uma e outra vez, prendem-me por um qualquer pormenor que me tinha escapado anteriormente. 

O Verão leva-me a deixar as biografias e os livros de história para me embrenhar na obra de Stephen King. Não sei o porquê, mas desde que há uns anos, por um acaso, o comecei a ler, não consigo deixar de o fazer. A sua capacidade de construir personagens e de contar histórias e estórias é impressionante, são tão reais que, por vezes, quase parece que vivemos lá. Será por isso que apenas o leio no Verão? Há mais luz, talvez me sinta mais seguro. Não sei. 

Quem faz o favor de me ler já sabe que nesta altura cito o saudoso padre José Sousa, que não se cansava de nos dizer que as férias não são tempo de ociosidade, mas de alteração de actividade. Fazemos o que mais gostamos, numa altura em que o tempo parece estender-se, parece que temos tempo para realizar o que fomos adiando durante o ano. 

Chegou esse tempo, por isso, caro leitor, voltamos-nos a encontrar em Setembro, por altura das Feiras Novas. Não se esqueça de participar nas nossas múltiplas festas, de ouvir as concertinas, as bandas e, porque não, dar um passinho de dança num bailarico. Aproveite o Verão, boas férias!

domingo, julho 28, 2024

Alto Minho, artigo de 25-07-2024

 Opinião dos nossos representantes

Três dos deputados eleitos pelo Alto Minho têm partilhado a sua opinião neste semanário. É de saudar a iniciativa aqui da “casa” e a adesão dos deputados, José Maria Costa, Emília Cerqueira e Eduardo Teixeira. 

No último número foi a vez de Eduardo Teixeira escrever abordando um assunto importante, o da sustentabilidade do sistema de pensões. Obviamente que não se estava à espera de ler nesse artigo a solução para o problema, mas fica o alerta para manter o assunto no ordem do dia. Por vezes, só mesmo quando estamos a cair no precipício é que percebemos a sua existência. Em França, por exemplo, o aumento da idade de acesso à pensão, que passou recentemente para os 64 anos, foi um dos temas abordado na última campanha das eleições legislativas. E por cá, quando foi a última vez que se ouviu um debate onde o tema da sustentabilidade do sistema de pensões foi abordado? Não é só afirmar que a idade de acesso às pensões deve ser menor, ou que o valor das pensões mínimas deve ser equiparado ao do ordenado mínimo. O que propõem para que esses objetivos possam ser atingidos sem afectar o direito às pensões das gerações futuras? Existirão questões ideológicas pelo meio? Certamente que sim, mas o debate deve ser feito para que os eleitores percebam as escolhas que têm de fazer. Eduardo Teixeira terminava o artigo desejando que no “debate do Estado da Nação” se começasse a consensualizar opiniões sobre este assunto. Não, não se começou. Aliás, nem nesse assunto nem em mais nenhum. O referido debate apenas serviu para a frivolidade do jogo político.  

Infelizmente, a maioria dos partidos perde muito tempo a debater assuntos menores e a produzir frases chave para as redes sociais ou para os canais televisivos de notícias, mas parecem esquecer os temas verdadeiramente importantes para a vida das pessoas. 


Histórias




A História das comunidades é feita de várias histórias, de vários protagonistas. Não são só os políticos ou os dirigentes sociais ou associativos que a produzem. Na passada Feira do Livro de Ponte de Lima foi apresentado um livro, “Balada do rio Trovela”, da autoria de Mário Leitão, nele, de uma forma romanceada, é relatada uma história dessas, das que faz a História. 

No livro ressalta a capacidade de organização, união, a lição de altruísmo dada pela comunidade limiana. Em traços muito breves, trata-se da história de uma jovem que, nos meados dos anos 70 do século passado, num tempo em que ainda só se falava na necessidade de criar um serviço nacional de saúde, universal, geral e gratuito, precisando ser submetida a uma intervenção cirúrgica ao coração, apenas possível em Espanha e com um custo enorme, conseguiu no espaço de semanas unir toda a comunidade na busca de uma solução que lhe salvasse a vida. A verdade é que em tempos onde não existiam auto-estradas, nem Internet, onde a comunicação ainda era feita apenas por carta ou telefone, onde a fronteira entre Portugal e Espanha era uma realidade, apesar disso tudo, foi possível unir vários meios humanos e sociais e levar a bom porto aquele desiderato. 

A História da vida da nossa comunidade é feita assim, de conjuntos de pequenas grandes histórias, de momentos onde a capacidade humana é testada e onde a as pessoas se mostram à altura, sem hesitações, sem medos das provações. 

Fica a sugestão para uma leitura de férias!


Por falar em férias


É chegado o tempo em que se pode fazer um pouco daquilo que durante o ano foi sendo adiado. Chegaram as férias e com elas chega também um tempo de pausa para este espaço. Voltar-nos-emos a encontrar em Setembro. Boas férias!

terça-feira, agosto 08, 2023

Alto Minho, artigo de 26-07-2023

 Democracia

A democracia, como a conhecemos, assenta em alguns pilares. Entre eles, encontra-se a informação dos cidadãos e os partidos políticos. 

Vivemos tempos em que os cidadãos acedem a um sem fim de informação, mas que, infelizmente, quer pela quantidade quer pela incapacidade de a filtrar, se torna cada vez mais difícil destrinçar o que é informação do que é desinformação. Quanto aos partidos, com muitos dos seus agentes a ajudar os populistas e demagogos, promovendo o extremismo de posições, a imagem que nutrem na opinião publica é tão negativa que é cada vez mais difícil conseguirem passar a sua mensagem. 

Com esta situação, com o alheamento cada vez maior dos cidadãos, que já nem o mínimo da participação cívica, que é o voto, parecem estar dispostos a “dar”, torna-se cada vez mais difícil manter a democracia viva. 


Bom exemplo


A Junta de Freguesia de Seara vai comemorar, pela décima vez, no dia 20 de Agosto, o Dia da Seara. 

Desde 2013 que a Freguesia da Seara promove uma semana cultural, uma semana onde se comemora a história, o património e os costumes da freguesia e onde o Dia da Seara está incluído. Este ano, a Junta edita uma “Monografia da Seara”, um livro que promove, nas palavras do editor, um “viagem pela História da Seara” que permitirá “conhecer as raízes da sua identidade”.

Esta dinâmica cultural, esta capacidade de promover a pertença à comunidade é exemplo para tantas outras juntas de freguesia. Algumas, bem maiores em termos de território e população que a Seara, parecem não ter o engenho, já para não falar da vontade, em promover eventos para além dos expectáveis. Não é difícil fazer diferente do “costumeiro”, basta olhar para os bons exemplos como o descrito e adapta-los às suas realidades. 


Aquele tempo do ano


Chegou, finalmente, aquele tempo do ano em que, como dizia o saudoso monsenhor José de Sousa, poderei fazer aquele trabalho que foi adiando durante o ano. Tempo para a leitura, tempo para ouvir as cigarras e o chilrear das andorinhas. 

Junto-me aos nossos compatriotas que vindos dos países que os acolhem durante todo o ano entram, agora, em tempo de férias. Caro leitor, voltaremos a encontrar-nos para a despedida do mês de Agosto. Até lá, boas férias.

domingo, julho 09, 2023

Alto Minho, artigo de 05-07-2023

 Bicicletas

Já várias vezes escrevi sobre a potencialidade do uso da bicicleta nas movimentações pendulares urbanas. Um incentivo que poderia começar nas escolas com projectos pedagógicos de mobilidade sustentável, como, aliás, já existem em muitos agrupamentos do país. 

Na passada semana, o maior empregador do concelho de Ponte de Lima anunciou que passará a promover o uso diário da bicicleta entre os seus trabalhadores. A mudança de paradigma, com pequenos passos, parece ter começado. Não será fácil mudar mentalidades, mas, quando o maior empregador no segundo maior concelho do distrito, que labora no sector automóvel, toma esta decisão, é imperativo louvar e incentivar outros a fazer o mesmo.


Noites quentes


Com noites tão quentes, que é preciso procurar na da nossa memória mais antiga para encontrar paralelo, os bairros históricos voltam a ter um movimento para muitos estranho. Alguns dos habitantes passam o inicio da noite nas soleiras das portas, uns até se instalam em cadeiras, e vai-se dando tempo à conversa. 


Festas dos santos populares


Acabaram as festas dos Santos Populares. Por Ponte de Lima, após o sucesso do São João, foi a vez de, na Além da Ponte, se festejar o São Pedro. O largo da Freiria encheu-se de alegria. Uma festa feita por jovens para todos, e todos por lá se juntaram. 

É de saudar a capacidade, já vista no São João, de unir a comunidade numa festa verdadeiramente popular e familiar, longe de muitas festas “enlatadas” que parecem concorrer para ver quem gasta mais. 


Férias



O mês de Julho é para muitos o mês das férias. Se recuarmos algumas décadas, aqui pelo Alto Minho, muitos começavam a época dirigindo-se para Vila Praia de Ancora. O aluguer de barracas de praia e o arrendamento de casas traziam uma outra vida àquela freguesia do concelho de Caminha. Por vezes, os vizinhos da terra de origem continuavam a sê-lo à beira-mar. 

Noutros tempos, por vezes, com as famílias seguiam amas, algumas não passavam de adolescentes, contratadas para, naqueles 15 dias, tomarem conta dos filhos pequenos. Responsáveis por acompanhá-los nos banhos, nas brincadeiras na areia e noutras tantas actividades, era, para a maioria, a única oportunidade que essas jovens tinham para passar uns dias junto ao mar.


domingo, junho 20, 2021

Alto Minho, artigo de 16-06-2021


Eis que chega o Verão

Quem não tem saudades do Verão que durava os três meses de férias da escola? Sempre que o Verão se aproxima, lembro-me do velho grupo da adolescência dessas férias. O André, o Bruno e o Ricardo, o Rui, o Anibal, o Carlos, o Samuel, os irmãos Santos, e outros que, de forma “sagrada”, ocupavam o Verão ora com mergulhos no Lima, ora com construções de cabanas nas suas margens, épicas corridas de BMX, filmes dignos da MTV e tantas outras aventuras. 

Hoje, os adolescentes limianos ocupam as suas, mais curtas, férias de Verão com outras actividades. Têm um grande manancial de escolha, são várias as actividades de ocupação de tempos livres preparadas por clubes e associações. É certo que daqui resulta o descanso dos pais, mas, por outro lado, se por lá passarem todo o tempo das suas férias, será que os adolescentes constroem memórias que perduram uma vida?


Encontrar o ponto de equilíbrio entre optimismo e a realidade


Susana Torres, cabeça de lista pelo VIRAMILHO à Assembleia Municipal limiana, deu a sua primeira grande entrevista enquanto candidata. Tem razão quando fala da necessidade de olhar para a Assembleia como um espaço onde os eleitos deveriam fazer o esforço de olharem uns para os outros com espirito colaborativo, como uma equipa. Infelizmente, não tem sido assim e a culpa nem é de quem a dirige. Quando uma grande maioria dos eleitos é capaz de passar os 4 anos do mandato sem fazer uma intervenção, mas passa as reuniões a fazer apartes sobre os eleitos que fazem intervenções, ou os representantes das Juntas preferem não fazer “ondas”, porque sabem que podem ser prejudicados na hora de fazer alguma coisa na sua freguesia…

Pode ser que a inovação e mudança, que diz serem as características do projecto VIRAMILHO que a fizeram aceitar a candidatura, signifiquem que Gaspar Martins, eleito presidente da Câmara, inovará e mudará a acção pela qual ficou conhecido enquanto vice-presidente da Câmara.  


Afinal…


O M51, para surpresa de muitos, tornou público que apresentará candidaturas próprias à Câmara Municipal e Assembleia Municipal. Esfumando-se a tentativa de convergência com o PSD, o M51 inova com a candidatura de uma mulher, a estreante Joana Alves, à presidência da Câmara Municipal. Cabe ao veterano Alípio Barbosa lutar por manter um grupo do M51 na Assembleia Municipal. 


Nota


Em jeito de nota final, deixo os parabéns à AD “Os Limianos” pelo regresso aos nacionais. Parabéns ao Jaime Matos e toda a sua equipa, reeleitos na passada semana, pelo trabalho que têm feito no clube de Ponte de Lima que, certamente, terá muitos e bons frutos. 

domingo, julho 14, 2013

Artigo no Novo Panorama

Artigo publicado no Novo Panorama em 05-07-2013

No Verão  

O boné vermelho, a BMX, a toalha na mochila ou no pescoço, as sapatilhas de pano e os calções de banho, eis o "equipamento" de férias que eu e os meus amigos usávamos durante as férias na adolescência. O paradeiro era o rio Lima, entre a ponte  medieval e a "ilha" era por lá que quem nos procurasse nos encontrava. O rio e as suas margens eram o epicentro das nossas férias de Verão.
Durante esses anos fomos vendo o rio "ganhar maré" com as descargas da barragem do Lindoso. Fomos adaptando as nossas brincadeiras a esse vai-e-vem das águas. 
Chegávamos ao rio pelo inicio da tarde, como nesse tempo a areia era muita, as bicicletas eram levadas ora ao empurrão ora às costas. Depois de uma tarde passada entre corridas na areia, banhos de rio e jogos, ter que enfrentar o sol das 18 ou 19 horas de Verão no regresso a casa, na ponte romana ou na estrada do Arquinho, era algo que roçava o hercúleo...
Confesso que ao ver umas "vedetas" da televisão a banharem-se nas águas do rio Lima, me lembrei desses tempos. Lembrei-me também que as últimas análises conhecidas do público davam como interditas as praias do Arnado e D. Ana, as mesmas que em tempos tiveram bandeira azul. As mesmas que para deixarem de figurar, ano após ano, na lista negra das praias portuguesas tiveram que perder o estatuto de praias fluviais. Infelizmente os meus filhos não poderão gozar o rio como a minha geração e as outras antes da minha gozaram. 
Não sei se a Câmara Municipal pede análises a entidades credíveis e imparciais, espero que sim, a verdade é que o público não tem conhecimento do actual estado das águas nesses locais. A pergunta que fica é, será que os que ainda lá se banham, sejam eles "vedetas" ou não, podem estar sossegados? 

Projecto "Granito das Pedras Finas"

Estive presente na sessão pública de assinatura do Contrato de Financiamento entre a Autoridade de Gestão do Programa Operacional da Região Norte, o Instituto Politécnico de Viana do Castelo e o Município de Ponte de Lima. 
Este projecto tem o nome de "Granito das Pedras Finas de Ponte de Lima: afirmação da marca em novos produtos e novos mercados" - EEC - PROVERE MINHO IN e significa o financiamento, a uma taxa de comparticipação FEDER de 85%, dos "investimentos relativos à implementação de ações que visam contribuir decisivamente para a estruturação do produto "Granito das Pedras Finas", particularmente, através da sua certificação, da constituição da marca, da definição de uma estratégia de valorização comercial, incluindo a análise de canais de distribuição e identificação de mercados potenciais, e da exploração de novas soluções de design e aplicações para os produtos em granito, passando também pela promoção do ordenamento territorial da atividade e pela valorização ambiental e paisagística integrada das zonas extrativas."

Peço desculpa por esta tão longa citação, mas têm o objectivo de elucidar o leitor para o que está em causa. Este projecto só faz sentido com o envolvimento de todos, ou pelo menos da grande maioria, dos empresários do sector da exploração do granito. Infelizmente nesta sessão pública foram poucos os presentes. Bem sei que posteriormente existirão reuniões sectoriais, mas é imperioso o envolvimento destes, fazendo-os reflectir sobre a necessidade de agirem em conjunto. Este é um projecto importante que pode realmente "revolucionar" todo o importante sector de exploração do granito de Arcozelo.

quinta-feira, agosto 02, 2012

Artigo no Novo Panorama

NOTA: Publicado no dia 12 de Julho de 2012 

Férias

As férias de Verão estão sempre presentes na nossa memória. Normalmente as que ficam como momentos inesquecíveis são as da nossa juventude, num tempo em que as férias eram realmente “grandes”.
As nossas, por norma, eram passadas no rio Lima. No final das aulas, pegava-se na bicicleta, no meu caso uma bmx, e nunca mais a se largava, a meio das férias esta já mais parecia um membro do nosso corpo que outra coisa qualquer. Interessante como a bmx significava a possibilidade de ir onde queríamos, literalmente não existiam limites nem que para isso a bicicleta tivesse que ir em ombros… Os trilhos para a “ilha”, entre milho, vinha, carvalhos e salgueiros eram calcorreados pelos pneus azuis da bmx como se fossem trilhos de uma qualquer selva exótica. Os corpos iam ficando negros, não bronzeados, pelas horas passadas ora dentro das águas do rio ora nas suas margens ora nos longos raides ciclo-turísticos. A manhã era ocupada na realização de “filmes” ou na visualização de vhs da National Geographic ou do Jacques-Yves Cousteau, intervalados com a MTV, das 14 horas às 19 o rio era o nosso mundo.
Seriamos aí uns 10 ou 11 membros dessa tribo. Construíamos uma “casa” na ilha com os galhos dos salgueiros e tratávamos essa “casa” como se fosse um castelo. Fomos vendo como o rio mudava, como a barragem e as suas descargas influenciavam o seu leito, a sua fauna, como a areia ia aumentando ou diminuindo (hoje a areia é uma raridade nas margens do nosso rio…).
Mas as férias não eram só de dia, as férias de Verão eram também as noites quentes. À noite percorríamos várias esplanadas, lembro-me do Dança na eira, (ainda se lembram?) um espaço aprazível, com uma explanada onde antes existia uma eira, na freguesia de Arcozelo, actualmente é um afamado restaurante, ou as esplanadas na Avenida dos Plátanos.  
As férias de Verão eram realmente grandes e só terminavam com os últimos foguetes das Feiras Novas, como canta o Canário, “já setembro vai a meio”.
Hoje, já nem as férias são grandes nem as Feiras Novas são a meio de Setembro, tudo muda, como canta Mercedes Sosa…

Todo cambia

Cambia lo superficial
Cambia también lo profundo
Cambia el modo de pensar
Cambia todo en este mundo
(…)
Pero no cambia mi amor
Por mas lejo que me encuentre
Ni el recuerdo ni el dolor
De mi pueblo y de mi gente
(…)  

quinta-feira, julho 15, 2010

Artigo n'O Povo do Lima

Sentimento de comunidade

Em freguesias maiores, mais urbanas, com muitos habitantes vindos de outros lados, sem raízes à freguesia é sempre mais difícil organizar eventos comunitários. Foi com grande satisfação que participei num desses eventos que deitou por terra a tese de que em Arcozelo não é possível envolver a comunidade. 
Partindo da iniciativa da comunidade, esta soube responder afirmativamente ao apelo e participou no jantar/arraial/sardinhada de angariação de fundos para a missionária comboniana, Irmã Maria do Rosário Marinho. Ela própria nascida na comunidade de Arcozelo conseguiu unir em torno de um objectivo solidário os seus conterrâneos.
Foi bom, muito bom sentir que também em Arcozelo as pessoas sabem responder ao chamamento.

Cortes

A propósito do corte de 523 mil euros das transferências do Governo para o Município de Ponte de Lima, Vitor Mendes afirmou a um jornal nacional que a área a sacrificar será a do investimento sem comparticipação comunitária. Fica assim pelo caminho, por exemplo, o polémico Centro de Congressos, que esteve projectado e depois chumbado pelas entidades competentes, para um terreno, entretanto adquirido, na freguesia de Arcozelo, bem como o Centro de Documentação e Informação. Diz Vitor Mendes e com toda a razão que prefere "dar benefícios fiscais a inaugurar um centro de congressos para ficar lá o meu nome para os meus netos verem". Em todo o caso, é preciso ver que existem necessidades e necessidades, não esquecendo que existem outros projectos incompreensíveis que a Câmara têm em mãos.

Férias

Finalmente começa o tempo de férias. Em meados do século passado, o destino deste tempo de descanso era para muitos limianos Vila Praia de Âncora. Ainda cheguei a viver, já no seu ocaso, é certo, esse tempo onde as barraquinhas de praia eram ocupadas por várias famílias limianas. 
Vila Praia de Âncora mudou muito durante as décadas de 80 e especialmente de 90, perdeu muito do seu encanto, no entanto, e especialmente agora que é alvo de outra atenção, ainda desperta em muitos limianos alguma nostalgia nem que não seja ao recordar a velha praia de infância algures num areal algarvio ou caribenho.