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domingo, outubro 09, 2022

Alto Minho, artigo de 05-10-2022


Babilonia limiana

Não sei se o leitor teve oportunidade de passar pela vila de Ponte de Lima na passada semana. Caso não tenha tido a oportunidade de lá ir, digo-lhe que perdeu uma oportunidade única. Única, porque num espaço de 5 metros, na ponte velha, poderia ter “viajado” entre a Australia, a Africa do Sul, a Alemanha ou o Reino Unido. Nos cinco metros seguintes, entre o Japão, a Espanha e a Italia e por aí fora. 

Ponte de Lima recebeu o Campeonato do Mundo de Maratonas de Canoagem e este grande evento conduziu até terras limianas pessoas/atletas de todo o mundo que ocuparam as unidades hoteleiras e restaurantes e trouxeram fisionomias e línguas diferentes à vila.

Para além disso tudo, esta competição permitiu, ainda, várias medalhas e oportunidade de competição para vários atletas portugueses, com destaque para os limianos que, mesmo quando não alcançaram medalhas, competiram e ficaram entre os melhores do mundo, o que é de realçar e louvar. 

Óptimo ambiente, saudável e de festa no apoio a cada uma das selecções, boa organização. Só é de lamentar que os canais generalistas portugueses não tenham dado o destaque que o evento e os atletas, merecia/m.


Final de Setembro


O final de setembro é tempo de vindimas. Os aromas das adegas espalham-se pelo ar. Os tratores invadem os acessos à vila de Ponte de Lima em direcção à Adega Cooperativa limiana. 

Este tempo faz-me lembrar o meu avô Arlindo. Nesta altura vivia-se numa azáfama de homens e alfaias. A coordenação necessária entre as várias equipas que se espalhavam entre o Barral, o Rego do Azal e o Quintalzinho. Juntavam-se vários grupos de homens e mulheres que se deslocavam em bicicleta para as várias quintas onde iriam colher as uvas. Lembro-me dos homens com as camisas de flanela, que deixavam ver as velhas tesouras de poda, que serviam para a vindima, guardadas nos bolsos das calças, e da  sua mestria com a bicicleta, os baldes e os cavaletes. 

As mulheres da casa organizavam os lanches e o almoço, este último servido em mesas e bancos corridos, momento de festa e galhofa. Era realmente uma jornada de trabalho enorme e exigente, mas sempre feito com alegria e satisfação. Uma altura também de colaboração entre amigos que apareciam para ajudar. 

Lembro-me da adega no Quintalzinho, das suas dornas e pipos enormes. Do seu grande lagar em granito, que sempre achei que daria uma interessante piscina. O esmagar dos cachos das uvas, no final do dia, o cheiro, sempre presente, do fruto do trabalho, das uvas no inicio de fermentação, depois de serem esmagadas. 

Alguns anos depois, também eu conduzi o trator para a Adega Cooperativa. A fila era imensa, bem para lá do Campo do Cruzeiro, dos Limianos. Lembro-me das conversas dos mais velhos, da diversão e das frias noites de Setembro, da troca de pão e de enchidos. Que boa era a sensação de missão cumprida, quando mediam o grau e logo a seguir descarregávamos. Era o fruto do esforço e do trabalho de um ano que culminava ali. 

Sim, quando a vila mais antiga que Portugal é invadida nestes dias pelo cheiro da adega, é nisto que penso, são essas pessoas que fizeram esses tempo que recordo, é esta a viagem, que agora partilho com o leitor, que faço.

quinta-feira, dezembro 22, 2011

Artigo no Novo Panorama


Afinal…

Muitas vezes duvidamos da influência e atuação dos membros da Assembleia Municipal, quer seja pela sua atividade quer seja pela pouca importância que a Câmara Municipal parece dar à sua intervenção.
Lendo o Orçamento e Opções do Plano para 2012 da Câmara Municipal de Ponte de Lima parece que afinal, talvez de forma subtil, não será tanto assim. A Câmara Municipal propõe-se criar, em 2012, um Centro de Interpretação e Promoção do Vinho Verde indo assim ao encontro de uma proposta chumbada pelo CDS-PP na Assembleia Municipal em 2010. Se, por um lado, é positivo, por outro, levanta-se o lamento e os prejuízos do concelho e do sector vinícola por terem tido que esperar dois anos por este, digamos, incentivo.
O que não teve que esperar tanto foi a Biblioteca Municipal, depois de anos de desatenção, é com satisfação que vejo que o apelo feito por mim na última Assembleia Municipal teve eco logo no Orçamento e Opções do Plano de 2012. Depois de Orçamentos em que a Biblioteca ocupava pouco mais de um parágrafo, onde a limitavam a um género de biblioteca central das bibliotecas escolares do concelho, prevê-se para 2012 que a Biblioteca Municipal recupere o lugar de importância de outrora. A criação de uma página Web e o alargamento a outros públicos, com a Biblio Sénior e a Biblio Saúde, são exemplos disso.

31 anos

Fez na passada semana 31 anos da morte de Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. No dia da sua morte, o meu pai, Alípio de Matos, encontrava-se numa ação política na freguesia de Sá. Os ventos do PREC, embora já tivessem passado, ainda se faziam notar e as pessoas ainda tinham uma legítima vontade de participar na vida política. Nessa noite, quando a notícia da morte do primeiro-ministro e do ministro da defesa foi divulgada, assisti, numa televisão a preto e branco a esse momento triste da história de Portugal. É impressionante como existem momentos da história coletiva que marcam mesmo uma criança pequena.
31 anos volvidos, são muitos os que gostam de os citar, muitos, que depois de escrever e proclamar um discurso, acabam com uma passagem dos seus pensamentos. Infelizmente, muitos desses que os citam fazem-no sem realmente os ler. 

Nota
Não posso deixar de desejar a todos os que me dão a honra de ler estas linhas um Santo e Feliz Natal. 

Publicado no dia 14 de Dezembro