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terça-feira, setembro 02, 2025

Alto Minho, artigo de 14-08-2025

Incêndios

Durante mais de semana, a nossa região não saiu da agenda mediática nacional. Os incêndios devastaram hectares e hectares de terreno, com destaque para o concelho de Ponte da Barca.

É neste contexto de destruição, de populações em risco, de populares e bombeiros apreensivos, cansados e com pouca esperança, que o trabalho de Augusto Marinho se destaca. 

O presidente da Câmara de Ponte da Barca não cedeu às amarras partidárias, aos jogos políticos. Marinho e a sua equipa não se esconderam, foram presença assídua junto das populações, foram a voz das mesmas quando, no terreno, as coisas aparentavam não funcionar como deviam. Lutaram por soluções e, na verdade, foram uma réstia de esperança em noites e dias onde esta parecia faltar.

Não posso deixar de dar os parabéns pelo exemplo que deram de como ser autarca num momento difícil para as populações que representam.


Contestação


Com a aproximação da romaria da Nossa Senhora da Agonia, chegam as polémicas e contestações. Parece já ser um velho hábito que se enraizou nas pessoas de Viana do Castelo. Uns contestam o cartaz que não representa as festas, outros queixam-se pela falta de regras, outros ainda reclamam que as regras são pesadas. Uns lamentam a falta de oportunidade de participar nos cortejos, outros, a abertura e consequente banalização… Todos os anos a contestação e polémica parecem fazer parte do programa. 

As festas da Agonia já não são apenas uma festa regional, uma romaria no sentido tradicional do termo. Quiseram e fizeram-nas um produto turístico e isso, com tudo o que implica numa época de “instagramização”, tem consequências que nem todos estão preparados para aceitar.    


Agosto


Durante o mês de Agosto, muitos dos nossos compatriotas regressam dos países que os acolhem durante o restante ano. As nossas vilas e aldeias mais que duplicam de população.. 

Não deixa de ser interessante verificar que muitos dos que voltam são emigrantes de segunda e de terceira geração, muitos já nascidos nos países de acolhimento. Gerações que já se misturaram com os naturais desses países e com membros de outras comunidades. Os portugueses sempre foram assim, sempre tiveram a capacidade de se adaptar, de se misturar, de evoluir abrindo-se aos outros. 


Nota


Caro leitor, agradecendo a amabilidade da sua leitura, encontramo-nos por aqui, novamente, no mês de Setembro. 

domingo, julho 06, 2025

Alto Minho, artigo de 03-07-2025

 Verdadeira festa popular

Nunca é de mais destacar quando uma comunidade se une para manter as tradições. No passado fim de semana, pude participar numa festa diferente das outras, o São Pedro da Freiria, na Além da Ponte, vila de Arcozelo. 

Uma festa de um santo popular que se perde nas profundezas dos anos e que tem uma particularidade, normalmente as festas são dedicadas a um santo evocado numa igreja do lugar, mas na Freiria não existe nenhuma igreja evocativa de São Pedro. Há uns anos, foi colocada uma imagem do santo no largo da Freiria, mas para marcar essa vontade popular de festejar o santo, e não o contrário. 

A festa tem os costumeiros momentos musicais, os bombos, a música gravada durante o dia e os foguetes, mas tem, também, algumas características que a tornam especial. As sardinhas e o porco no espeto são servidos no largo pelas pessoas que organizam a festa. O pagamento é uma contribuição para a festa, um donativo, não há tabela de preços. O convívio, a partilha e o estar entre vizinhos são as verdadeiras atrações. As marchas, tão características de uma época, em tempos alimentadas pela saudável rivalidade entre “os da Freiria e os do Terreiro”, também marcam a festa. Os marchantes do bairro do Pinheiro, na vila de Ponte de Lima, presença assídua nas marchas de São João,  atravessam o rio e sobem do largo da Alegria (o tal Terreiro), entrando no largo da Freiria a marchar com os característicos fatos e arcos. Qualquer pessoa se pode juntar, os arcos estão espalhados pelo recinto, e são tantas a fazê-lo.  

O São Pedro da Freiria é diferente, não é uma festa “enlatada”, é uma festa feita pela comunidade, por muitos jovens, que mantêm, de certa forma, o sentimento de comunidade e, simultaneamente, dão continuidade a uma tradição, para que não se perca na voragem do tempo. 


Habitação temporária?


Desde há uns tempos, em alguns espaços rurais de Ponte de Lima, têm sido colocadas algumas casas pré-fabricadas, num género de bairros/parques de campismo. Na fronteira entre a freguesia da vila de Arcozelo e Brandara há um e agora, num terreno junto à central de betuminoso da vila de Arcozelo, está a aparecer outro. Há quem diga que é para albergar trabalhadores! Seja para o que for, espera-se que se respeitem as regras de implementação de edificação e que o município fiscalize o que por lá se passa. 


Vamos à praia?


Estes dias de calor extremo fizeram-me recordar tempos onde tudo era mais lento, tudo era vivido com maior intensidade. Hoje, rapidamente nos colocamos numa qualquer praia da nossa região, mas nem sempre assim foi.

Houve um tempo em que as férias eram intermináveis, onde muitos iam à praia em autocarros, normalmente acompanhados pelas avós. Enfrentavam as águas geladas da nossa região com pequenos lanches que não os afastassem, por horas, da espuma das ondas. O tempo de espera era ocupado entre construções na areia e a exploração das rochas e poças. A praia era apenas “usufruída” na parte da manhã, mas como o relógio parecia andar mais de vagar, era o suficiente. 

Há quanto tempo não passeia junto a uma das nossas praias? Fica a sugestão, com este calor, visite uma das nossas praias, vá de manhã e, se for mais afoito, aproveite para dar um mergulho. 

domingo, setembro 10, 2023

Alto Minho, artigo de 06-09-2023

 Do aparente medo dos políticos… a uma eficaz operação de marketing


Por Ponte da Barca, os políticos, aparentemente, assustaram-se com a novidade de os andores dos padroeiros das 17 paróquias do concelho não integrarem a procissão das festas de São Bartolomeu. Vai daí e, não fossem eles serem vistos como os responsáveis, no dia do arranque da romaria, tornaram pública uma carta enviada ao bispo da diocese de Viana do Castelo, D. João Lavrador, onde solicitavam a sua intervenção para reverter a decisão dos párocos e do arcipreste de Ponte da Barca. Pelo que, entretanto, foi tornado público, a Associação Concelhia das Festas de São Bartolomeu já sabia da decisão há muito. Embora manifestando o seu desagrado, respeitou a decisão dos párocos, que este ano optaram por quadros relacionados com as Jornadas Mundiais da Juventude, tendo, no dia 24 de julho, na apresentação do programa das festas, referido essa alteração sem, nas palavras do seu presidente, qualquer reação. 

A carta da autarquia aparenta vir mais da necessidade de “lavar as mãos” perante os responsáveis políticos das freguesias do que de uma real tentativa de reverter a situação. Esperaram pelo início da romaria para, no fundo, publicamente, incitar o bispo de Viana do Castelo a desautorizar os párocos do arciprestado barquense. A sério!?

Menos mal que todo este “barulho” resultou no que aqui o “Alto Minho”, na edição da passada semana, resumiu na primeira página, “Cortejo de S. Bartolomeu enche Ponte da Barca”. Na procissão saíram apenas os andores associados à paróquia da vila, os de São Bartolomeu, São João, Nossa Senhora de Fátima, Senhora da Misericórdia e São Marçal, registando-se, no entanto, um recorde de jovens a integrar a procissão.


Finalmente


Em 2017, o então vereador do PSD no executivo municipal de Ponte de Lima, Manuel Barros, propôs que fosse criada uma área de proteção à ponte medieval. Uma proposta em consonância com o que tinha vindo a ser defendido pelo referido partido, em Assembleia Municipal, por forma a dar os primeiros passos para regulamentar e limitar o estacionamento no areal. 

Infelizmente, na altura, nenhuma das propostas foi acolhida. Mas, eis que o actual presidente da Câmara de Ponte de Lima, Vasco Ferraz, uma vez mais livre de preconceitos, avançou como a referida área de proteção, alargando-a ao espaço fronteiro com o leito do rio. A decisão trouxe uma ou outra critica, é normal, mas é certamente uma decisão no sentido certo e que, após algum tempo, será vista consensualmente como fundamental para a manutenção do equilíbrio do maior ex-libris do património arquitetónico de Ponte de Lima. 


Proposta do PSD de 2017



A “placa tectónica” do centro direita moveu-se


Permitam-me sair dos temas destas crónicas, os regionais, para escrever uma nota sobre os assuntos que nos últimos tempos têm marcado a agenda mediática nacional. 

O centro direita português parece estar a acordar do longo sono em que parecia mergulhado. Primeiro, foi um mais interventivo Marcelo Rebelo de Sousa que obrigou o governo a rever o diploma da carreira dos professores e que vetou o infame pacote “Mais Habitação” com reparos muito duros. Posteriormente, foi Luís Montenegro a marcar a agenda com várias propostas de redução do IRS, apanhando todos de surpresa, o que ampliou ainda mais a mensagem. Agora, quando faltam cerca de 30 meses para as eleições presidenciais, bastou a Marques Mendes, ex-ministro do governo de maior relevância no crescimento e transformação do país, ex-presidente de um dos maiores partidos nacionais, que, nessas funções, preferindo perder eleições a dar cobertura a suspeitos de corrupção, teve a coragem de afastar das listas desse partido “dinossauros autárquicos”, afirmar, no seu espaço de comentário televisivo semanal, estar disponível para se candidatar a Presidente da República, se daí advier utilidade ao país, para logo as televisões, rádios, jornais e redes sociais transformarem o assunto “presidenciais” em “O” assunto do momento. 

Reagindo, uns tentam desvalorizar ou ridicularizar, outros demarcam-se ou não comentam, mas a verdade é que já não se assistia a um “movimento tectónico” como este há muito tempo.

domingo, julho 02, 2023

Alto Minho, artigo de 28-06-2023

 Esperança

O granito extraído dos montes da freguesia de Arcozelo é exportado um pouco para todo o lado. A sua extração e transformação é um trabalho duríssimo. Várias gerações ganharam o seu pão nesse labor. Uma atividade em tempos exercida de uma forma menos controlada, onde, nas primeiras décadas deste século, se tentaram dar passos para humanizar a actividade por forma a respeitar trabalhadores e natureza.

No final da primeira década, foi “sonhado” o Polo industrial do Granito. Iniciou-se o trabalho de certificação, de criação de uma marca, de criação de uma estratégia e valorização comercial do que seria o “Granito das Pedras Final”. O poder político foi tentando envolver o máximo de agentes, promoveu o associativismo. A dinâmica foi aparecendo. 

Entre avanços e recuos, independentemente da forma como decorreu o processo, o Polo Industrial do Granito de Arcozelo, desde a ideia inicial à inauguração, demorou mais de uma década a ver a luz do dia. Visto como um projecto fundamental para a organização e qualidade ambiental e laboral, foi com grande esperança que, após tantos anos de espera e de mais de 5 milhões de investimento, foi inaugurado um espaço onde finalmente a industria transformadora do granito teria um lugar construído de raíz para a receber. 

Na passada semana o Partido Comunista Português, numa sessão pública realizada na freguesia de Arcozelo, chamou a atenção para a actual realidade daquela “infraestrutura industrial fundamental para o desenvolvimento económico do concelho e da freguesia” que, alertou, “está praticamente desocupada”. Realmente, parece que a dinâmica dos responsáveis políticos e o esforço de mobilização dos agentes económicos se esvaneceu. 

Depois de um investimento tão grande, depois de tanta esperança, parece que tudo se esfumou, ficando apenas um enredo jurídico e a sensação de que há quem quisesse que tudo morresse. 


Espirito bairrista


No passado fim de semana, viveu-se, pela vila de Ponte de Lima, um reencontro com um espirito antigo de salutar bairrismo. A festa de São João, a festa da capela que ocupa o topo norte da alameda com o mesmo nome foi verdadeiramente popular. Com várias mesas e espaços de animação, era ver no terreiro da festa preenchido de famílias, muitas com ancestrais origens no Arrabalde, usufruindo da festa e das noites de Verão fantásticas que se fizeram sentir. 

No sábado, as marchas juntaram centenas de pessoas que marcharam com orgulho e alegria pelas ruas da vila limiana. Se antigamente eram os vários bairros que saiam às ruas, (Além da Ponte, Arrabalde, Pinheiro, Pereiras…), este ano, marcaram presença as freguesias da Correlhã, da Ribeira, de São Pedro d`Arcos e da Seara, a quem se juntou o Pinheiro e a Escola António Feijó. 

domingo, junho 16, 2013

Artigo no Novo Panorama

Artigo publicado no Novo Panorama em 06-06-2013
 


Tradições

 

Nos últimos anos as tradições mais importantes de Ponte de Lima, a Vaca das Cordas e as Feiras Novas, têm vindo a ser transformadas em produtos comerciais.

Se repararem as “nossas” festas deixaram de ser aquilo que foram, em alguns casos, durante séculos. Neste momento até já “exportamos” as Feiras Novas para outros recantos do mundo, para o dito “mercado da saudade”, e realizamos réplicas da Vaca das Cordas…

Estas festas passaram a ter como denominadores comuns, o consumo desenfreado de bebidas alcoólicas, bebidas brancas e cerveja (que até já as patrocina), e o barulho dito musical. Estas duas festas limianas já são consideradas, pela maioria dos jovens que as visitam, como uma espécie de extensão das festas académicas, as Feiras Novas da ”recepção ao caloiro”, a Vaca das Cordas da “queima das fitas”.

Infelizmente as nossas tradições, que passaram a produto, parecem resvalar para um género de produto enlatado em que de tradicional parece já só ter o rótulo.

Bem sei que falar disto é polémico, que para muitos esta é que é a festa e que nada mais se trata que a evolução natural dos tempos. Que é mesmo inevitável. Claro que está em causa muito dinheiro. O dinheiro dos patrocínios, das barracas de venda de cerveja, que aparecem como cogumelos, um pouco por todo o centro histórico, e, também, o dinheiro que alguns comerciantes limianos do centro histórico, nomeadamente da restauração e divertimento, que aproveitam estes eventos para suprimir as perdas do resto do ano.

Mas é preciso pensar bem naquilo em que as “nossas” festas se estão a transformar. A estratégia seguida em Ponte de Lima não tem tido a capacidade de atracção e fixação de empresas, a taxa de desemprego é das maiores do distrito, o rendimento per capita é dos mais baixos do país. Será que com este banalizar, de transformar, por exemplo a Vaca das Cordas, ou as Feiras Novas em mais uma “megafesta” revestidas com um manto da tradição, não significa matar a nossa galinha dos ovos de ouro?

O que nos distingue dos outros é precisamente a capacidade que tivemos em preservar as nossas tradições, mas pelo caminho que estamos a traçar até quando é que os “consumidores” estarão interessados no “nosso produto”, um produto que cada vez menos se distingue de outros apresentados no “mercado de eventos”?

 

Festas populares

 

Eis que chegam as festas dos santos populares e Ponte de Lima não se alheia delas. Já para a semana festeja-se o Santo António e o destaque vai para a igreja mais conhecida do concelho, que faz parte da sua imagem de marca, a igreja de Santo António da Torre Velha. Nesta igreja centram a festa no que para os cristãos é o ponto alto de qualquer festa religiosa, a eucaristia. No dia 13 de Junho a eucaristia é celebrada, às 21 horas, de uma forma ainda mais activa e participada.

Já mais para o final do mês, o S. João, é vivido com marchas populares que percorrem as ruas da vila limiana, nestas marchas participam vários bairros e mesmo freguesias do concelho que dão um colorido e uma animação contagiante. Esta é uma tradição que renasceu e que vai ganhando novamente lugar na vida dos limianos.