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domingo, novembro 09, 2025

Alto Minho, artigo de 06-11-2025

Entrevista e declarações

Os novos protagonistas autárquicos e os repetentes têm dado entrevistas à comunicação social. Recentemente, li a entrevista ao presidente da câmara de Ponte de Lima, Vasco Ferraz, bem como as declarações que fez sobre a CIM Alto Minho. A afirmação dentro da Comunidade Intermunicipal continua na agenda de Ferraz. Fez bem sublinhar as suas linhas vermelhas para o apoio à alteração da liderança na CIM. Embora com a natural solidariedade entre concelhos, fez saber que esta deve ser recíproca. Obviamente que é uma forma de pressão, não acredito que o edil limiano dê a mão a quem, no fundo, o levou à demissão dos órgãos anteriores, mas é preciso que os outros responsáveis políticos olhem para o concelho limiano com o respeito devido ao segundo maior concelho do distrito. 

Já na entrevista que Vasco Ferraz deu aqui ao Alto Minho, refere dois novos projectos impactantes, a Casa do Conhecimento e a Escola das Artes de Ponte de Lima. Foi, no entanto, notória a falta de referência a um projecto que até já deveria estar em andamento, o da construção de um novo estádio municipal no actual campo municipal do Triunfo. Não só pelo trabalho que tem sido feito pela Associação Desportiva “Os Limianos”, quer na formação quer no desempenho desportivo da sua equipa principal, mas também pelas oportunidades que esse novo complexo desportivo poderá criar em termos de atractividade de promoção, o Mundial 2030 está aí, literalmente, à porta com jogos no Dragão e na Galiza. Espera-se que, embora tenha ficado de fora dos temas abordados na entrevista, o projecto apresentado no início de 2024 não morra e que rapidamente se torne uma realidade. 


Homens à altura das circunstâncias


No distrito, ao contrário de outras autárquicas, existem várias situações em que os eleitos nas assembleias de freguesias não se entendem para a constituição dos executivos. Para alguns, parece ser difícil perceber, depois das comemorações na noite eleitoral, que, apesar da sua vitória, o voto popular ditou que terão de partilhar o poder com outras forças políticas. Há quem perceba o funcionamento da democracia, mas outros há que se entrincheiram em vãs questões de ego ou de interesses comezinhos.  

Veja-se o caso da maior freguesia do concelho de Ponte de Lima, a vila de Arcozelo. O presidente da junta foi reeleito, mas, desta feita, sem maioria. A oposição quer trabalhar e, para o bem da freguesia e o bom funcionamento das instituições, propôs um executivo tripartido. Ao invés de aproveitar a oportunidade e de demonstrar estar à altura dos acontecimentos, o presidente eleito agiu como se mantivesse a maioria e não aceitou o repto. Resultado? Viu a sua proposta de executivo reprovada e, de forma intempestiva, sem dar justificações e sem adiantar quando esta retomaria, suspendeu a reunião. Quem perde com esta atitude imponderada é a freguesia e os seus fregueses. 

Esta até nem é uma situação inédita na freguesia de Arcozelo e até com a mesma distribuição de mandatos. Há mais de duas décadas, Manuel Soares, eleito sem maioria pelo PS, teve a grandeza democrática de constituir um executivo tripartido com Manuel Fernandes, eleito pelo PSD, e Manuel Moreira, eleito pelo PCP, ficando, ainda, o grupo independente com um eleito na assembleia. O mandato ficaria conhecido pelo “o dos três Maneis”. Nenhum deles ficou “ferido” politicamente e ainda hoje são lembrados por serem os mentores e dinamizadores da elevação a vila de Arcozelo. A diferença de ontem para hoje são os protagonistas, No passado, souberam estar à altura das circunstâncias, e os de hoje, estarão? Já agora, em Maio deste ano, quando Manuel Soares faleceu, a Junta de Freguesia, liderada pelo actual presidente reeleito, publicou um comunicado onde afirmava que este era “um exemplo e uma inspiração para todos”, será uma boa altura para o ter como exemplo e inspiração.


Elevador social


Recentemente, numa tomada de posse de um executivo municipal, discretamente uma senhora assistia visivelmente comovida. Sentia-se o orgulho nos seus olhos. O seu filho tomava posse como presidente da câmara onde ela há muitos anos exercia funções de limpeza. Ao contrário do que por vezes ouvimos vociferar por aí, a democracia não falhou.

domingo, novembro 02, 2025

Alto Minho, artigo de 23-10-2025

Autárquicas 2025

Como combinado na semana passada, hoje vamos “falar” das autárquicas. Gostou dos resultados? Sempre surgiram algumas surpresas. 


Grandes vencedores no Distrito


Olegário Gonçalves, para além de ter sido eleito presidente da Câmara de Arcos de Valdevez, com 58.67% dos votos, enquanto presidente da distrital do PSD, viu os sociais-democratas conquistarem os concelhos de Melgaço e de Caminha. Com cinco municípios laranja e um centrista, a liderança da CIM Alto Minho muda de mãos. 

Albano Domingues pôs fim a 43 anos de liderança socialista no município de Melgaço. 

Liliana Silva, que durante anos lutou persistentemente pela mudança, conseguiu conquistar o concelho de Caminha.

Luís Nobre, por ter conseguido atrair os votos mais à esquerda do PS, manteve a liderança, por maioria absoluta, do executivo municipal de Viana do Castelo.

Augusto Marinho, quando muitos vaticinavam a sua derrota, lutou contra um dinossauro do PS barquense e aumentou a sua maioria. Conquistando mais um vereador, provou que os dinossauros já se extinguiram há muito.  


Grandes perdedores no Distrito


Vítor Pereira, líder da distrital do PS, para além de perder os concelhos de Caminha e Melgaço, vê a votação do PS diminuir substancialmente nos dois concelhos em que a estrutura apostou fortemente, Ponte da Barca e Arcos de Valdevez. 

Eduardo Teixeira, embora com a expectável subida de votação do partido de André Ventura, no concelho de Viana do Castelo, não conseguiu atingir o objectivo de retirar a maioria ao PS, nem de ficar em segundo lugar e, muito menos, de vencer. A nível distrital, não foi além do quinto lugar, com excepção de Viana do Castelo, o objectivo de eleger vereadores também ficou por alcançar.

Rui Lage deixou escapar a liderança socialista da câmara de Caminha. 

Vassalo Abreu, por seu lado, não percebeu que, como se pode ler na bíblia, em Eclesiastes 3 “tudo tem o seu tempo”.


Por Ponte de Lima


Por terras limianas, há apenas um vencedor, Vasco Ferraz. Consolidou a maioria absoluta na Câmara Municipal, conquistou mais um vereador, aumentou e assegurou a maioria dos mandatos na Assembleia Municipal e, entre independentes por si apoiados e listas próprias, domina a quase totalidade das Assembleias de Freguesia. Não poderia ter corrido melhor para o CDS limiano.

O PLMT perdeu votação, numa transferência que parece direta para o CDS. Perdeu um vereador e membros na Assembleia Municipal, conquistou a Assembleia de freguesia de Brandara, perdendo, no entanto, a maioria na Assembleia de freguesia de Refoios. Quando muitos vaticinavam o seu desaparecimento, Zita Fernandes, conseguiu, no entanto, manter o movimento como a segunda força política na Câmara Municipal. Sobreviverá a mais quatro anos? 

O PSD conseguiu vencer novamente em quatro Assembleias de Freguesia, perdeu Rebordões de Souto, mas conquistou Rebordões de Santa Maria. Márcio Magalhães conseguiu a reeleição na Assembleia de Freguesia de Arca e Ponte de Lima, por maioria absoluta. Já a freguesia da Seara, apesar da mudança de ciclo, manteve o predomínio maioritariamente laranja. Os resultados têm, no entanto, um travo amargo para os sociais-democratas. Com o fim do Movimento 51, o PSD absorveu naturalmente o seu eleitorado, mas, apesar do aumento de votação, não conquistou mais vereadores, não travou o crescimento generalizado do CDS e ainda ficou atrás, na Câmara Municipal, do fragilizado PLMT. Quanto tempo é que José Nuno Araújo aguentará até ceder o lugar de vereador a Filipe Lima?  

O PS, apesar do abandono das estruturas distritais, da “traição” do seu ex-líder (que liderou uma lista independente apoiada pelo CDS a uma freguesia), conseguiu passar a fasquia psicológica dos mil votos na votação para a Câmara Municipal e eleger dois membros para a Assembleia Municipal. Com um longo caminho para percorrer, poderá ter encontrado as bases para a caminhada. 

A IL atingiu o objectivo a que se propôs na apresentação da sua candidatura, elegeu um membro para a Assembleia Municipal. Veremos o que esse lugar poderá significar para o crescimento da IL em Ponte de Lima. 

O PCP-PEV continua no caminho do esvaziamento eleitoral. “In extremis” conseguiu manter um eleito na Assembleia Municipal. É inegável o contínuo e progressivo declínio eleitoral do PCP limiano.   

A grande divisão do eleitorado em Ponte de Lima é entre o CDS e a oposição como um todo. Enquanto esta continua num género de “baralha e dá de novo”, dividindo os eleitores consoante os movimentos independentes e partidos que aparecem e desaparecem, o CDS, com pequenas oscilações, vai consolidando o eleitorado.     

domingo, outubro 12, 2025

Alto Minho, artigo de 09-10-2025

Expectativas autárquicas

No nosso distrito a noite eleitoral não será monótona. Se, em alguns concelhos, não se prevêem mudanças, noutros estas serão inevitáveis e, em alguns destes, os resultados são uma incógnita. 

É com curiosidade que se esperam os resultados no concelho de Viana do Castelo, no momento em que escrevo não se conseguem prever. Só este facto já representa, de alguma maneira, uma vitória para os partidos da oposição. Há muito que não partiam para as eleições com o “élan” da possibilidade de vitória. O PS de Nobre deverá, no entanto, vencer. Será, provavelmente, sem maioria, e enfrentará uma oposição reforçada, no entanto dividida entre o PSD e o CHEGA. Qual destes ficará em primeiro? Eis outra resposta que só se conhecerá no final da noite eleitoral de Viana do Castelo. 

O concelho de Caminha é daqueles onde poderá acontecer a mudança de cor do executivo. O PSD apostou tudo na vitória, até o líder nacional participou na campanha. Será que o concelho da foz do Minho volta a ser liderado por uma mulher?  

Por Ponte de Lima, não se esperam grandes mudanças. Tudo indica que o CDS irá reforçar a maioria absoluta que não lhe foge desde meados da década de 90 do século passado. Falta saber, no entanto, de que forma essa maioria absoluta influenciará a distribuição de vereadores. Conseguirá o CDS passar de quatro para cinco, vereadores espreitando o sexto? E quem passará a liderar a oposição, o PSD ou o movimento PLMT?  


Convicções?


Já escrevi sobre este tema e considero que, embora para alguns pareça ser insignificante, neste período eleitoral, deve ser realçado. Sem qualquer problema político, ético ou ideológico, há os que não hesitam em passar diretamente de eleitos de um partido/movimento a candidatos, por vezes ao mesmo órgão, por outro partido/movimento. Independentemente das responsabilidades e funções que tiveram no passado, passam a defender as cores do “novo” partido/movimento sem qualquer objeção e com a  mesma “convicção” com que anteriormente defendiam o de origem. Nem as máscaras, que alguns colocam de “independentes”, conseguem disfarçar a falta de verticalidade ideológica e política. Ainda para mais, quando hoje, com as redes sociais, alguns deixam um rastro de profundas críticas, feitas, em alguns casos, há poucas semanas, aos partidos que agora usam como “manta” para se candidatarem.

Mas a responsabilidade não é só desses protagonistas. Os partidos que os acolhem, como se esta atitude fosse natural, também são responsáveis. Os supostos benefícios eleitorais não deveriam sobrepor-se à verticalidade. Infelizmente, não é coisa de um só partido. Se o leitor observar os panfletos,   que colocam na sua caixa do correio, com as listas aos diferentes órgãos, rapidamente comprovará que é algo comum à quase totalidade. 

Mas as pessoas não podem mudar, evoluir no seu pensamento? Claro que sim, mas tem de existir um tempo de recolhimento, de, digamos, luto. Um tempo que permitirá perceber que o que move aquele protagonista não é apenas a procura de poder, de protagonismo, a busca do interesse particular. Um tempo que permitirá perceber que o que levou à mudança de pensamento foi a dolorosa (sim, estes não são processos fáceis) alteração das suas convicções.    

domingo, outubro 05, 2025

Alto Minho, artigo de 02-10-2025

É estranho

Todos os partidos e movimentos se esforçam para dar a conhecer os seus candidatos, as suas propostas, as suas ideias. Todos… menos o PS limiano. 

A actual liderança foi presenteada com uma casa completamente armadilhada. A anterior optou por deixar de apoiar o movimento Ponte de Lima Minha Terra, mas nada fez para preparar as candidaturas socialistas. O PS limiano foi destruído por ambições e falta de um projecto para o concelho. Sem projecto, sem estrutura, sem pessoas, os candidatos socialistas que se apresentam a estas eleições, no fundo, sacrificam-se para que o partido tenha uma representação no boletim de voto. A distrital socialista, no mínimo, deveria ajudar na promoção da candidatura, não só com o apoio financeiro, mas também logístico. Será o mínimo para quem teve a coragem de “agarrar” o partido no estado comatoso em que se encontra, a não ser que o PS já se tenha conformado com o seu desaparecimento em Ponte de Lima.


Será?


Nas páginas do Alto Minho, no início dos anos 2000, escrevi várias vezes sobre a biblioteca municipal de Ponte de Lima. Apontei a necessidade de um novo edifício na zona das escolas. Com a decisão de deslocalização da EB1, defendi a edificação, nesse local, de um edifício que projectasse e alargasse o âmbito da biblioteca municipal por forma a que este serviço se  transformasse num centro de informação. O então responsável pela cultura, Franclim Sousa, depois de um tempo em que defendeu outro caminho, foi ao encontro dessa ideia e, em 2008, deu nota da possibilidade da construção de um novo edifício aproveitando aquele espaço. Nesse mesmo ano, o Orçamento e Plano Municipal contemplou a elaboração do projecto e construção “da nova Biblioteca Municipal, que será um espaço com acentuada polivalência na prestação e disponibilização de serviços com a designação de Centro de informação e do Conhecimento”. Infelizmente, o vereador deixou a equipa nas eleições de 2009, o projecto ficou na “gaveta”. Várias vezes abordei o assunto nas reuniões da Assembleia Municipal, não consegui, no entanto, sensibilizar os responsáveis municipais. 

Já havia alguns rumores, mas agora foi tornado público que há realmente a intenção de avançar com um projecto ainda mais abrangente que o inicial. Vasco Ferraz pretende edificar no espaço da antiga EB1 a Casa do Conhecimento. Um Centro de Informação Local que junta a Biblioteca e o Arquivo municipais, bem como outras valências culturais do município. É uma decisão arrojada que promove a cultura de todo o concelho. Já agora, na nova edificação, salvaguardem o mural de cerâmica que os últimos alunos da EB1 deixaram para a posteridade. 


Talvez um pouco de nostalgia


Com as redes sociais invadidas pelas publicações das candidaturas, as recordações avolumam-se. Lembro-me do longínquo ano de 2009, quando, de forma pioneira na região, se fizeram vídeos de campanha para o Youtube, ou de como, em 2013, se promoveu um debate, nas redes sociais, entre os seguidores da página e o, então, candidato a presidente da Câmara, ou, ainda, como em 2017 já se produziam vídeos, curtos, para as redes sociais sobre vários temas e propostas, provocando a discussão de temas que estavam arredados da discussão política.

Não estou com saudades da política activa, partidária ou eletiva, afastei-me por minha opção, mas continuo a pensar que a participação política é um dever, a opinião, um direito, a participação na vida política em órgãos eleitos ou partidos, uma opção. Tudo tem um tempo.


domingo, setembro 28, 2025

Alto Minho, artigo de 25-09-2025

Exemplos

Já anteriormente escrevi sobre a forte presença das mulheres nas listas concorrentes a estas eleições autárquicas. O caso de Ponte de Lima é bastante interessante, são várias as mulheres que, nestas eleições, assumem um papel de liderança e participação. Hoje, realço outra característica, a participação de muita gente sem vida partidária, ou presença na política activa. Cidadãos que não têm passado nos órgãos autárquicos, mas que, este ano, dão a cara sem receio ou “vergonha”. É um bom sinal para a nossa vida colectiva. 


Escolhas


Nas eleições autárquicas existe a possibilidade de repartir o voto por várias forças políticas. Votamos para três orgãos diferentes. A personalização, que estas eleições, normalmente, assumem, leva a que os “vínculos” partidários desvaneçam. Veja-se o caso de Ponte de Lima, onde o PSD não perde uma eleição nacional desde 1975, mas nunca venceu uma eleição para a Câmara Municipal.

Não deixa de ser interessante analisar os resultados de autárquicas de outros anos, verificando-se várias freguesias onde a maioria do voto para a junta é num partido, para a assembleia municipal num movimento e para o executivo municipal, num partido diferente.


Alteração


O líder nacional do PS, José Luís Carneiro, propôs uma reforma geral do poder local que inclua, por exemplo, uma mudança na lei eleitoral. O PS quer retirar a oposição dos executivos municipais, passando os eleitores a votar em listas para a assembleia municipal, saindo desta o executivo camarário. 

É uma ideia interessante. O presidente da Câmara seria o primeiro da lista mais votada para a assembleia municipal, a exemplo do que já se passa nas assembleias de freguesia, onde o líder da lista mais votada é o presidente da junta; os vereadores sairiam da assembleia. Pressupõem-se que os presidentes de junta deixem de ter o habitual direito de voto nas assembleias municipais  por forma a manter a representatividade do voto popular. 

Esta medida realmente reforçaria o poder político das assembleias, responsabilizando, ainda mais, os executivos municipais. 

Ultrapassando o facto de o PS ter estado oito anos seguidos no governo sem nunca ter a coragem de avançar com esta reforma, aparentemente, existe uma convergência de opiniões. Mas para que esta exista é necessário proceder a uma revisão Constitucional. Atendendo à actual conjuntura, estaremos preparados para o que isso significa? 

domingo, setembro 14, 2025

Alto Minho, artigo de 12-09-2025

Feiras Novas

Começaram as maior festas do concelho de Ponte de Lima e uma das maiores do país. Durante os próximos dias, milhares de pessoas “invadem” o centro histórico, onde cada uma delas encontrará “a” festa que procura. Durante a noite encontram da música tecno à “house music”, na Expolima; as rusgas, no São João; as bandas de música, no largo de Camões; a música gravada e o convívio, nas Pereiras e arredores; o pão com chouriço e os divertimentos, em toda a marginal e no areal. Durante o dia, as manifestações da cultura limiana estão sempre presentes, nos cortejos, nas exposições agrícolas (onde o garrano e o gado bovino se tornam reis), nos bombos e cabeçudos, nas concertinas que “patrulham” as ruas. A Procissão em Honra de Nossa Senhora das Dores, na segunda feira, marca o ponto alto das celebrações religiosas, integrando centenas de pessoas e percorrendo diversas ruas do centro histórico. Venham a Ponte de Lima, vai valer a pena!


A insustentável leveza das Autárquicas


Na crónica de 30 de Janeiro deste ano, a propósito das autárquicas, perguntei, ao caro leitor, “o que pensaria se um político, que, sendo militante de um partido, assumisse, sem se desfiliar, a candidatura por outro partido? E se, quatro anos depois, noutras eleições, assumisse uma candidatura independente? E se, para  compor o “ramalhete”, agora tentasse uma candidatura com o apoio de um terceiro partido?”. Lembra-se? Pois bem, reparem na maior freguesia do concelho de Ponte de Lima, a vila de Arcozelo. O actual presidente da Junta foi eleito pelo movimento Ponte de Lima Minha Terra, até há uns meses assumiu o cargo de presidente da concelhia do PS local, e, em Maio, nas eleições legislativas, integrou a lista socialista à Assembleia da República. Atualmente, assume uma candidatura independente, mas apoiada pelo CDS. 

Aceitarão os socialistas esta “traição”? E os centristas locais, no seu íntimo, o desaforo? Numa freguesia em que a matriz ideologia, historicamente, para os órgãos locais, é do centro, centro esquerda, onde o CDS não tem tido grande expressão, há quem diga que este apoio, à falta de lista própria, será a forma que encontraram para afastar o actual presidente do cargo.


Sem cinema


Ao que parece há a séria possibilidade de Viana do Castelo perder as únicas salas de cinema existentes no concelho, as do Estação Viana Shopping. A verdade é que a cidade de Viana do Castelo não consegue, por exemplo, atrair uma pessoa de Ponte de Lima, concelho vizinho que já não tem sala de cinema há anos, para as suas salas de cinema. Mais ao menos à mesma distancia física e temporal, em Braga, um limiano encontra mais variedade de filmes e de horários, sem ter que pagar estacionamento e com salas mais cómodas e amplas.

As reações que se vão lendo são em tudo iguais às de quando uma loja histórica do comércio local encerra. Todos têm memórias, todos lamentam, mas ninguém lá ia comprar nada. 

domingo, agosto 03, 2025

Alto Minho, artigo de 31-07-2025

Pragmático

A Iniciativa Liberal apresentou, como líder da lista à Câmara Municipal de Ponte de Lima, João Fernando Lima. Nas primeiras declarações à comunicação social, foi realista nos objetivos, os liberais limianos pretendem “entrar” na Assembleia Municipal para “levar as ideias liberais à Assembleia”. Esse objectivo poderá ser realizável, seria, até, importante para a democracia local, que assim fosse. Abrir o leque de representatividade na Assembleia Municipal poderia trazer uma nova vitalidade àquele órgão. 

Atendendo ao objectivo apresentado, só não se percebeu por que é que não apresentaram o cabeça de lista da IL a esse órgão.    


Afinal


Alexandra Sofia Vieitas da Cunha vai liderar a lista do Chega à Câmara Municipal de Ponte de Lima. Para quem acompanha a política local e porque eram apontados outros nomes com maior relevância política, a escolha surpreende. Não que falte experiência política à candidata. Sofia Cunha já integrou várias listas candidatas à Assembleia da República. Em 2019 foi 3ª numa lista do Bloco de Esquerda, em 2024 ocupou o 4º lugar da lista do Chega e, em 2025, o 5º, novamente pelo Chega. 

Há quem lhe chame “incoerência”, outros, “busca de tacho”, na verdade, cada um é livre de mudar de ideias e de se aproximar de quem quiser. É a mesma liberdade que o eleitor tem de votar, ou não, em quem assim procede. 

Na sua apresentação, a candidata, propôs a criação de uma Polícia Municipal em Ponte de Lima, justificando a proposta com o “aumento de assaltos ao comércio local e a habitações”. Há, no entanto, um pequeno problema nessa proposta, a realidade. Por um lado, basta consultar as estatísticas e indicadores para perceber que não, não existe um aumento de assaltos. Para além do concelho limiano estar bem abaixo da média nacional nos crimes registados (https://estatisticas.justica.gov.pt/sites/siej/pt-pt/Paginas/Crimes_registados_autoridades_policiais.aspx), a criminalidade, com um número relativamente estável, comparativamente com há 10 ou 20 anos,  até diminuiu. Por outro lado, o concelho limiano já tem duas forças de segurança a operar no seu território, a PSP, que tem como área territorial de acção a freguesia sede de concelho, e a GNR com as restantes freguesias. Mais que criar uma Polícia Municipal, talvez fosse melhor lutar, por exemplo, pelo aumento de efetivos e meios das forças de segurança existentes.


Já por Viana do Castelo


No momento que escrevo, Eduardo Teixeira ainda não foi anunciado oficialmente como cabeça de lista pelo Chega à Câmara Municipal de Viana do Castelo. Não foi, mas, pela quantidade de vídeos, sobre o assunto, que vai partilhando nas redes sociais, não será muito difícil perceber que será o segredo mais mal guardado destas autárquicas. 

Num dos seus referidos vídeos falava em acabar com o bipartidarismo, arvorando-se como a alternativa que o irá fazer. Teixeira faz parte da vida autárquica de Viana do Castelo, pelo menos, desde 2001, sempre eleito pelo PSD. Foi membro da Assembleia Municipal, da Assembleia de Freguesia de Darque, vereador. Por duas vezes liderou a lista do PSD candidata à Câmara Municipal. Na primeira vez que o fez, nos idos de 2013, Teixeira afirmava que o "concelho de Viana do Castelo precisa de uma nova garra e de sair urgentemente do marasmo económico em que vive, sobretudo devido à inação da gestão camarária. É preciso acabar com 20 anos de gestão socialista”. Passados 12 anos, a mensagem é basicamente a mesma, apenas se percebe a nuance de substituir “socialismo” por “bipartidarismo”.

domingo, julho 27, 2025

Alto Minho, artigo de 24-07-2025

Porque não?

Há um movimento pendular diário enorme entre a freguesia de Darque e a cidade de Viana do Castelo. Sem alternativa, quem reside em Darque ou desespera na travessia da ponte em automóvel ou sujeita-se aos custos e à imposição de horários dos cada vez mais diminutos transportes públicos. É verdade que podem sempre partir à aventura e atravessar a ponte a pé, mas, com apenas um passeio onde não cruzam duas pessoas sem que alguma delas desça à via automóvel, será uma escolha arriscada.

É tempo de pensar na construção de uma ponte pedonal, ciclável, entre Darque e a zona ribeirinha da cidade. Esta decisão iria revolucionar a mobilidade urbana, tirar pressão à centenária ponte Eiffel, promover o uso de transporte alternativo como a bicicleta e, claro, melhorar, e muito, a qualidade de vida de tantos.


Mudança de mentalidades


Já tinha escrito sobre esta mudança de paradigma no concelho limiano, as mulheres, finalmente, assumem um papel de destaque nas eleições autárquicas.

Depois do movimento “Ponte de Lima Minha Terra”, eis que o Partido Comunista Português surpreende, apresentando também duas mulheres na liderança das listas aos órgãos municipais. Sandra Fernandes encabeça a lista à Câmara Municipal e Patrícia Moreira a lista à Assembleia Municipal. Se no movimento apenas a candidata à Câmara Municipal, Zita Fernandes, tem conhecida experiência política, as candidatas do PCP são sobejamente reconhecidas pela sua participação enquanto eleitas em órgãos autárquicos e em movimentos associativos/cívicos. 

No contacto que tive com elas, enquanto eleito, sempre consegui fazer pontes por forma a trazer avanços na “res publica” local. Apesar de origem ideológica bem diferente, nunca obtive delas respostas preconceituosas, ao contrário de outros seus camaradas.

Numa altura que se ultimam as listas, é bom que as mulheres tomem um lugar que, mais do que por imposição legal, é delas por direito próprio. 

 

Mudanças


Talvez quem viva no centro histórico tenha uma maior percepção das casas  que de um momento para o outro se esvaziam de vida. A casa à frente da nossa deixa de ter vida, porque a senhora de idade que aí vivia já não tem condições físicas e mentais para viver sozinha e foi encaminhada para uma instituição. A casa seguinte de um dia para o outro deixa de abrir as portadas, as flores, antes tratadas com esmero, começam a secar, é, então, que se sabe que a sua moradora foi, entretanto, internada. A solidão, associada à idade muito avançada, prolifera nos centros históricos da nossa região. 

A contradizer esta realidade aparecem as famílias de imigrantes, normalmente oriundos da América Latina, como Brasil, Colombia, Venezuela, que trazem o riso e a curiosidade das crianças, e novas vidas para as casas dos centros históricos. É um ciclo que se fecha, mas, mais importante, é outro que se abre e renova os centros das nossas vilas e cidades. 

domingo, junho 29, 2025

Alto Minho, artigo de 26-06-2025

Autárquicas 


Aproxima-se o dia de entrega das listas para as eleições autárquicas. A logística é enorme, os protagonistas, entre proponentes, membros efectivos e suplentes, são tantos que a constituição de listas, entre Assembleia Municipal, Câmara Municipal e Assembleias de Freguesia, é sempre um processo difícil e complicado. 

Em Ponte de Lima, até ao momento que escrevo, duas forças políticas da oposição já fizeram a apresentação dos seus cabeças de lista à Assembleia e Câmara Municipal, o PSD e o movimento “Ponte de Lima Minha Terra”. Os sociais democratas apostam na repetição do cabeça de lista à Câmara, José Nuno Araújo, e em Filipe Amorim, até agora presidente da Junta de Rebordões de Souto, para liderar a lista à Assembleia Municipal. Já o movimento aposta em duas mulheres, a antiga presidente da Junta de Brandara e  actual vereadora, Zita Fernandes, lidera a lista candidata à Câmara Municipal e Carolina Campelo, antiga candidata à Assembleia de Freguesia da união de freguesias de Vale de Neiva, a lista à Assembleia Municipal. Não deixa de ser interessante serem duas forças políticas que lutam pelo mesmo eleitorado.


Na realidade


Quem está no poder, como o CDS em Ponte de Lima, só espera que a oposição se desmembre e que aprofunde a luta pelo eleitorado dos descontentes. O poder, por norma, consegue manter fiel o seu eleitorado, por vezes, até consegue aumentar os que lhe confiam o seu voto. 

Para além dos já referidos candidatos da oposição, a Iniciativa Liberal, tal como o PS, já anunciou que teria lista própria à Câmara Municipal, também o PCP não deixará de apresentar listas à Câmara e Assembleia Municipal, onde tem um eleito. Falta saber se o CHEGA irá apresentar uma lista para “combate” eleitoral ou apenas para marcar presença. Seja como for, Vasco Ferraz, actual presidente da câmara e mais que provável recandidato, já terá colocado como objectivo a eleição do quinto vereador. Falta saber se alguma das forças da oposição se conseguirá sobrepor às outras e lutar contra esse objectivo. 


Não sei se repararam


Recentemente foi inaugurada, em Ponte de Lima, uma estátua do nosso primeiro rei e fundador do reino de Portugal, dom Afonso Henriques. Não, não vou escrever sobre essa estátua, realizada, e ainda bem, ao modo clássico. Talvez o leitor não tenha reparado mas, recentemente, foi também colocada uma estátua de um touro de lide no largo, actualmente designado da Alegria, no bairro da Além da Ponte, vila e freguesia de Arcozelo. 

Há poucos anos, tinham “plantado” uma estátua em pedra de um touro, num dos lados desse mesmo largo. A estátua passou a ser alvo da escalada de crianças, jovens e menos jovens, que, pendurados no lombo e cornos, tiravam uma fotografia para recordação. Esta actividade levou à frequente destruição dos cornos do touro de pedra. Talvez fartos das reparações, os responsáveis retiraram, e bem, a estátua. Na verdade, ninguém percebeu o motivo para a sua colocação, nem a justificação de que a vaca das cordas, durante um período, visitava a Além da Ponte, seria motivo de maior para lá se colocar uma estátua de um touro. 

Tendo tirado a de pedra, para quê substituí-la por outra em bronze? Já existe uma no largo da igreja matriz de Ponte de Lima, para quê outra do outro lado da ponte velha? Se queriam gastar dinheiro, então fizessem uma estátua com sentido, uma , por exemplo, a homenagear Manuel Lima Bezerra, um dos Maiores limianos, nascido no bairro da Além da Ponte.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                 

domingo, março 16, 2025

Alto Minho, artigo de 13-03-2025

Celebração digna!

O Município de Ponte de Lima está de parabéns pelas actividades comemorativas do Dia de Ponte de Lima e dos 900 anos da outorga do foral de Dona Teresa. Não só pelas que ocorreram no dia 4 de Março, como também pelas que se foram sucedendo durante o último ano e as que iremos vivenciar até Março de 2026. 

Não posso deixar de realçar que o slogan que referi na passada crónica deixou de ser usado, pelo menos nas alocuções na sessão oficial, pelos nossos representantes autárquicos. Aparentemente deixaram morrer um slogan historicamente errado, parabéns pela coragem! 

Infelizmente, ainda nem todos a tiveram, Nas suas redes sociais, o movimento PLMT insiste no “a vila mais antiga de Portugal”. Ponte de Lima, como escrevi anteriormente, não necessita de permanecer ancorada a uma mentira para se promover e se afirmar. 


E daqui a 100 anos?


Aguiar Branco, na Sessão Solene de dia 4 de Março, afirmou que devemos “encontrar na história os fundamentos para enfrentar os desafios do futuro”. Quando se comemorarem os 1000 anos do foral de Dona Teresa, que discursos terão os nossos netos e bisnetos? Será que ficarão presos a resenhas históricas ou dirão algo como “conseguimos fazer jus ao desafio que Dona Teresa nos fez quando nos outorgou um foral. Mil anos depois, somos uma referência de sustentabilidade, de preservação do património natural e edificado, de urbanismo e de inclusão, de produção tecnológica e de saber. Tal como no passado, também agora, atraímos os melhores para a nossa comunidade”? Sim, o passado é importante, mas não devemos viver apenas de glorias passadas. Precisamos de conceber um plano para o que queremos ser no futuro, e trabalhar para lá chegar.

 

Afinal?


Com a possibilidade de reprovação, pela oposição, da moção de confiança apresentada pelo governo (quando escrevo ainda se desconhece o desfecho) e com a ida do país novamente para eleições legislativas, o tema “autárquicas” volta a ser ensombrado, relegado para segundo plano. Não posso deixar de realçar, no entanto, as recentes notícias que dão conta de que a concelhia do PSD de Viana do Castelo aprovou o nome para encabeçar a sua lista candidata à Câmara Municipal. A escolha recaiu em Paulo Morais, nascido em Viana do Castelo, em 1963, docente universitário, com um MBA em Comércio Internacional e doutoramento em Engenharia e Gestão Industrial pela Universidade do Porto. Militante do PSD até 2013, fez parte do primeiro executivo municipal de Rui Rio, no Porto, tendo sido, ainda, candidato às presidenciais de 2016, obtendo 2,16% da votação, correspondendo a 100.008 votos. Já agora, porque normalmente não consta nas suas biografias, Paulo Morais, nas eleições autárquicas de 2009, foi cabeça de lista do PSD à Assembleia Municipal de Ponte de Lima. A sua passagem como membro da Assembleia Municipal de Ponte de Lima foi tão marcante como um navio que atravessa o oceano. 

Há, no entanto, alguma estupefação pela escolha do partido e por Paulo Morais ter aceitado. Na última década, Morais embarcou numa narrativa anti partidos, em que todos parecem ser corruptos ou potenciais corruptos ou corruptores. Com artigos, só referenciando alguns dos assuntos recentemente abordados, com títulos como “partidocracia fatal”, “tráfico de solos”, onde classificou a lei dos solos do actual governo como “ignóbil trafulhice”, considerou, ainda, o Orçamento de Estado de 2025 inconstitucional. 

A escolha está feita, faltará a homologação nacional, falta saber, agora, se conseguirá capitalizar o descontentamento e a vontade de mudança, que são cada vez maiores, ou se, pelo contrário, a sua candidatura resultará no efeito contrário.