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domingo, julho 28, 2024

Alto Minho, artigo de 25-07-2024

 Opinião dos nossos representantes

Três dos deputados eleitos pelo Alto Minho têm partilhado a sua opinião neste semanário. É de saudar a iniciativa aqui da “casa” e a adesão dos deputados, José Maria Costa, Emília Cerqueira e Eduardo Teixeira. 

No último número foi a vez de Eduardo Teixeira escrever abordando um assunto importante, o da sustentabilidade do sistema de pensões. Obviamente que não se estava à espera de ler nesse artigo a solução para o problema, mas fica o alerta para manter o assunto no ordem do dia. Por vezes, só mesmo quando estamos a cair no precipício é que percebemos a sua existência. Em França, por exemplo, o aumento da idade de acesso à pensão, que passou recentemente para os 64 anos, foi um dos temas abordado na última campanha das eleições legislativas. E por cá, quando foi a última vez que se ouviu um debate onde o tema da sustentabilidade do sistema de pensões foi abordado? Não é só afirmar que a idade de acesso às pensões deve ser menor, ou que o valor das pensões mínimas deve ser equiparado ao do ordenado mínimo. O que propõem para que esses objetivos possam ser atingidos sem afectar o direito às pensões das gerações futuras? Existirão questões ideológicas pelo meio? Certamente que sim, mas o debate deve ser feito para que os eleitores percebam as escolhas que têm de fazer. Eduardo Teixeira terminava o artigo desejando que no “debate do Estado da Nação” se começasse a consensualizar opiniões sobre este assunto. Não, não se começou. Aliás, nem nesse assunto nem em mais nenhum. O referido debate apenas serviu para a frivolidade do jogo político.  

Infelizmente, a maioria dos partidos perde muito tempo a debater assuntos menores e a produzir frases chave para as redes sociais ou para os canais televisivos de notícias, mas parecem esquecer os temas verdadeiramente importantes para a vida das pessoas. 


Histórias




A História das comunidades é feita de várias histórias, de vários protagonistas. Não são só os políticos ou os dirigentes sociais ou associativos que a produzem. Na passada Feira do Livro de Ponte de Lima foi apresentado um livro, “Balada do rio Trovela”, da autoria de Mário Leitão, nele, de uma forma romanceada, é relatada uma história dessas, das que faz a História. 

No livro ressalta a capacidade de organização, união, a lição de altruísmo dada pela comunidade limiana. Em traços muito breves, trata-se da história de uma jovem que, nos meados dos anos 70 do século passado, num tempo em que ainda só se falava na necessidade de criar um serviço nacional de saúde, universal, geral e gratuito, precisando ser submetida a uma intervenção cirúrgica ao coração, apenas possível em Espanha e com um custo enorme, conseguiu no espaço de semanas unir toda a comunidade na busca de uma solução que lhe salvasse a vida. A verdade é que em tempos onde não existiam auto-estradas, nem Internet, onde a comunicação ainda era feita apenas por carta ou telefone, onde a fronteira entre Portugal e Espanha era uma realidade, apesar disso tudo, foi possível unir vários meios humanos e sociais e levar a bom porto aquele desiderato. 

A História da vida da nossa comunidade é feita assim, de conjuntos de pequenas grandes histórias, de momentos onde a capacidade humana é testada e onde a as pessoas se mostram à altura, sem hesitações, sem medos das provações. 

Fica a sugestão para uma leitura de férias!


Por falar em férias


É chegado o tempo em que se pode fazer um pouco daquilo que durante o ano foi sendo adiado. Chegaram as férias e com elas chega também um tempo de pausa para este espaço. Voltar-nos-emos a encontrar em Setembro. Boas férias!

domingo, julho 21, 2024

Alto Minho, artigo de 18-07-2024

Memória

Foi com grande consternação que a notícia do incêndio na sede da Associação Desportiva e Cultural Aboim/Sabadim (ADECAS) foi recebida na região. Depois da euforia da subida à I Divisão AFVC do clube de Arcos de Valdevez, eis que um infortúnio, como descrito na primeira página do número anterior deste jornal, deixa o clube “sem equipamentos, sem o bar e sem a história”. 

Os equipamentos podem ser substituídos e o bar reconstruído, mas a documentação, a memória escrita, o seu arquivo, perdeu-se para sempre. Talvez este trágico evento contribua para que os dirigentes dos vários clubes e associações da nossa região  fiquem mais sensibilizados para a importância da preservação dos arquivos associativos. Felizmente, muitos são encarados com a importância que merecem, em muitos casos há mesmo o esforço de manter a documentação segura, tratada, no entanto nem sempre os meios e os métodos são os suficientes ou os adequados. É possível ir mais além para acautelar possíveis perdas, preservar e disponibilizar a informação das associações e clubes. 

Hoje existem, em todos os municípios do Alto Minho, Arquivos Municipais. Com mais ou menos investimento, são garante da preservação da memória coletiva dos seus concelhos. Talvez o que se passou no ADECAS desperte, onde ainda é inexistente, sinergias entre as associações e os Arquivos Municipais para que o tratamento, a preservação, a digitalização e disponibilização dos acervos, que são, no fundo, também a história das comunidades, se torne uma realidade. Talvez assim, mesmo acontecendo eventos trágicos como o ocorrido, se consiga preservar o legado histórico de tantos que, por toda a nossa região, vão despendendo gratuitamente do seu tempo e saber em prol dos outros.    


Comunicação


Não será estranho que toda, ou quase toda, a informação referente à CIM – Alto Minho, como projetos, concursos, alteração de intervenientes, posições…, seja conhecida publicamente pela voz do presidente da Câmara de Viana do Castelo? Assim, de repente, parece não existir uma notícia sobre uma reunião pública do executivo municipal de Viana do Castelo onde não saia uma informação sobre a atividade da CIM. Talvez seja tempo da comunicação da CIM sair primeiro através dos seus meios. Seria também uma forma de transparência para com os alto-minhotos.   


Feira do Livro


A 28.ª edição da Feira do Livro de Ponte de Lima abre portas hoje e segue até domingo, dia 21 de Julho. O local é o espaço panorâmico da EXPOLIMA, recinto escolhido nos últimos anos para receber a Feira do Livro, e as atividades programadas são muitas e com grande vocação para o envolvimento das crianças. De realçar que a a Feira é realizada em parceria com a última das livrarias limianas, A União. Num tempo em que as livrarias independentes são cada vez mais uma raridade, não poderia deixar de realçar a coragem de manter aberto e dinâmico aquele espaço. 

Mais que as atividades, o que me “chama” à feira são mesmos os livros, os novos que vão ser apresentados e, claro, os que vão estar à venda, normalmente a um preço mais em conta. 

domingo, julho 23, 2023

Alto Minho, artigo de 19-07-2023

 O maior encontro de jovens no mundo

Após um ano de preparação, de encontros, reuniões, trabalho e oração, a hora da partida chegou. As Jornadas Mundiais da Juventude de 2002, em Toronto, estavam prestes a começar. O primeiro passo foi um voo de cerca de 7 horas e meia. Chegados a Toronto, a primeira surpresa, o forte calor seco não tinha comparação com nada conhecido. À nossa espera autocarros que apenas conhecíamos dos filmes, aqueles amarelos das escolas, que nos levaram para centros de acolhimento. Por lá encontramos sorridentes famílias de várias paróquias pelas quais fomos divididos. Ainda não sabíamos, mas o nosso pequeno grupo foi dividido praticamente por um daqueles típicos bairros de subúrbios americanos das sitcoms da TV dos anos 80 e 90. Seria uma semana memorável.

As famílias estavam mesmo contentes por nos receber, tinham curiosidade em nos conhecer, em conhecer a nossa realidade. Para além de nos acolherem como membros das suas famílias, prepararam encontros comunitários, passeios, celebrações e momentos de descontração. A simpatia e generosidade com que fomos recebidos fez com que a experiência ainda hoje perdure na memórias de todos os participantes.

Será isso que, dentro de dias, a comunidade da diocese de Viana do Castelo irá proporcionar aos jovens vindos de 12 países diferentes e que viverão a pré-jornada (Jornada Mundial da Juventude) na nossa diocese.


Sim, mas…


Os centros históricos, as aldeias da nossa região são apetecíveis locais para filmagens e organização de eventos culturais ou desportivos. São cenários de excelência que criam um ambiente único. No entanto, é necessário, para quem organiza e para quem autoriza tais eventos, ter em conta um simples, mas muito importante, pormenor. Mais do que espaços cénicos, os centros históricos são, ou deveriam ser, espaços de e com vida. Quando escrevo “vida”, refiro-me a pessoas que por lá vivem, ou seja, por lá habitam, fazendo o seu dia-a-dia, como deslocarem-se para os seus trabalhos, por lá descansam, fazem compras… 

No passado fim de semana, realizou-se no bairro histórico d`Além da Ponte, na vila de Arcozelo, em Ponte de Lima, uma feira medieval e não é que os organizadores pensaram nos moradores! Talvez porque organizada pela associação “Muda Tu” constituída, basicamente, por jovens voluntários que têm por missão ajudar a população mais vulnerável do concelho de Ponte de Lima, tiveram a gentileza e coragem de bater às portas dos moradores para explicar o que ia acontecer e o que tinham programado para tentar minimizar os “danos” pela ocupação do seu bairro. 

 

Feira do Livro


Chegou aquela altura do ano em que nos podemos perder nas bancas cheias de livros. A 27.ª Feira do Livro de Ponte de Lima realiza-se a partir de amanhã até ao próximo fim de semana, na Expolima.

domingo, dezembro 18, 2022

Alto Minho, artigo de 14-12-2022

Novos protagonistas - Iniciativa Liberal


Ponte de Lima tem sido um concelho muito conservador em relação às alterações partidárias que vão ocorrendo no país. O exemplo do Bloco de Esquerda é paradigmático, embora com alguma expressão eleitoral nas eleições nacionais, em Ponte de Lima nunca se conheceu uma estrutura. Mas eis que a nova configuração partidária  do centro direita nacional trouxe novidades políticas ao concelho limiano.

A Iniciativa Liberal já tem um núcleo em Ponte de Lima. Este partido, sem estrutura, em legislativas passou de nono para o quinto partido mais votado em Ponte de Lima, com estrutura poderá vir a ter expressão autárquica, captando votos nos partidos tradicionais. Quando o CDS não sabe o impacto local da sua luta pela sobrevivência nacional e o PSD procura um rumo, a Iniciativa Liberal aposta forte em Ponte de Lima. 

O leitor sabe qual é o partido no concelho ou mesmo na região cujo membro local é candidato à vice-presidência nacional do mesmo? Sim, é a IL. A vice-presidente do núcleo de Ponte de Lima, que já foi candidata à câmara de Loures, Filomena Francisco, é candidata a vice-presidência da Iniciativa Liberal. 

Imagino alguns dos nossos políticos locais, que só agora, ao lerem estas linhas, ficaram a saber disto, a menorizar esta situação. Se o fizerem, é mais um erro que cometem. A IL é a quarta maior força no Parlamento português, tem aumentado constantemente a sua votação com uma forte base eleitoral nos jovens. São esses que fazem parte da estrutura local, mas não só, também fazem parte pessoas com penetração social, uns que até já andaram em campos sociais-democratas, alguns no CDS e outros em movimentos cívicos. Ou seja, são pessoas saídas das grandes correntes políticas existentes no concelho. Unidas, não em torno de nomes sonantes, mas de ideias.

Será interessante acompanhar a evolução deste partido em Ponte de Lima, que poderá ser uma séria surpresa nas próximas eleições autárquicas.


Um amor incondicional à sua terra


Amândio de Sousa Vieira é reconhecido por todos pelo seu amor incondicional a Ponte de Lima. Retrata a sua terra como poucos, porém não fica por aí (o que já por si seria imenso). Tem conseguido fixar a memória coletiva e elevar a cultura limiana. Exemplo disso é a sua fundamental participação na construção da estátua de homenagem à rainha D. Teresa. Foi esse amor que o levou à distinção com a Medalha de Mérito Municipal Cultural.

Passam 30 anos desde a publicação do seu livro “Ponte de Lima: Formas de ver”, o primeiro livro de fotografias publicado em Ponte de Lima. Uma edição de autor que em boa hora é reconhecida e homenageada pelo Município de Ponte de Lima com uma exposição na Biblioteca Municipal, onde estará patente até ao dia 26 de Fevereiro de 2023. 


Por falar em livros


Aproxima-se o Natal, porque não oferecer um “livro limiano”? Este ano não terá um espaço próprio no largo de Camões, dedicado à feira de artesanato, mas a feira do livro limiano decorre na Biblioteca Municipal e por lá poderá adquirir publicações municipais ou de autores limianos, com desconto. 

domingo, julho 24, 2022

Alto Minho, artigo de 20-07-2022

Plano Diretor Municipal

É “O” instrumento de gestão territorial por excelência. Devia ser feito em conjunto com os cidadãos e todas as forças vivas da comunidade. E pode sê-lo, para isso basta algum tempo e a participação na discussão pública. 

Não sei se o leitor se lembra, mas este foi um dos temas mais ouvidos por Ponte de Lima no ano passado. Durante os debates e campanha eleitoral nas autárquicas, falou-se da necessidade da urgente revisão do PDM. Pois bem, a abertura do período de discussão pública da alteração ao Regulamento do Plano Diretor Municipal de Ponte de Lima já é uma realidade. Os interessados poderão apresentar os seus contributos através de carta, endereçada ao Presidente da Câmara de Ponte de Lima, ou por email. Talvez a opção de usar também a página web do município para receber contributos não fosse de descartar. É tempo de envolver o maior números de pessoas, e quantos mais contributos, melhor. 

Caro leitor limiano, este período de consulta está aberto até meados de Agosto. Está na sua mão colaborar para que seja um verdadeiro instrumento para uma boa gestão territorial.


Música pela rua


Por Ponte de Lima o evento Percursos da Música voltou a espaços emblemáticos e praças do centro histórico limiano. Por esses espaços tem sido possível assistir a vários concertos de diferentes estilos de música. Há algo em comum, a qualidade. Até ao final deste mês, todos os dias, o leitor, ao passear por Ponte de Lima, poderá “esbarrar” com um dos concertos, verá que valerá a pena.


Os livros estão de volta


Não, os livros nunca nos deixaram, a feira do livro de Ponte de Lima é que está de volta este fim de semana. Começa no dia 21 e termina a 24 de julho. 

Este ano, embora seja organizada novamente na Expolima, será ao ar livre e terá vários momentos de interesse, desde apresentações de livros, até conversas temáticas e, claro, momentos dedicados aos mais novos. Mas o mais interessante serão, certamente, os livros que por lá encontraremos. Livros de autores locais, mas não só. Estou certo de que por lá encontraremos “aquele” livro que há tanto procurávamos e com a atractividade do preço de feira do livro. Passe na Expolima, vai ver que não dará o seu tempo por perdido. 






domingo, julho 04, 2021

Alto Minho, artigo de 30-06-2021


Vidas

Numa casa baixinha, na primeira curva da antiga estrada que passava na Além da Ponte rumo a Viana do Castelo, antes do cemitério das Regadas, do outro lado do nicho de S. Gonçalo, aí vivia o José. Pele queimada pelo sol, andava, quase sempre, de mangas cavas. Fazia do espaço, junto ao nicho, a sua oficina de escultura ao ar livre. A sua actividade era a da estatuária popular, era um santeiro. As pedras, na sua mão, transformavam-se ora num S. António, ora num S. José ou num S. João. Por vezes, apenas numa pedra com um vulto. 

Vivia sozinho e assim foi até, já em idade mais avançada, se perder de amores. Talvez estivesse farto de comer apenas uma refeição, por vezes uma sardinha sem ser das de lata, que acompanhava com um cigarro de marca kentucky. A verdade é que casou tarde e transformou-se. Alargou-se em corpo e na felicidade que não conseguia esconder.  

Lembrei-me dele ao passar naquele que foi o seu espaço, a sua casa, a sua oficina. Hoje, poucos se lembrarão que ali se criavam imagens esculpidas na pedra granítica da região. Poucos se lembrarão do pó da sua actividade, da sua loucura artística e também social. A casa está fechada, sem vida, o espaço da sua oficina é a entrada de um arruamento. Como alguém disse, a nossa memória é o espaço onde vivem aqueles que já partiram e na minha memória também vive o José. 


Vai um mergulho no rio?


Agora que o tempo aquece, ressurge a vontade de um mergulho no nosso rio. Num breve passeio entre o Arnado e a capela de S. João, reparei numas placas colocadas nos extremos desses locais. Aproximei-me de uma e de outra. Pareciam um aviso, mas para aviso estavam, digamos, um pouco escondidas. Aproximei-me mais, sim, confirmei, eram  avisos da Administração da Região Hidrográfica do Norte. Aqueles são espaços de "banho desaconselhado", a água não está identificada como água balnear. 

Já aqui escrevi, em tempos, no expediente usado para a classificação daquele espaço, que um dia chegara a ser praia de bandeira azul, por forma a não aparecer todos os anos nas notícias como um dos piores exemplos nacionais de praias balneares. Sempre que este assunto ressurge mediaticamente, ouvimos algum responsável municipal afirmar que é feita a análise às aguas e que esta tem vindo a demonstrar que são de qualidade. Para as análises serem tomadas a sério deverão ter uma periodicidade quinzenal ou semanal de acordo com a variação sistemática da qualidade. Não duvidando dos bons resultados obtidos, porque chegou a época de "banhos", por que não torná-los públicos? 

Fica mais um desafio aos candidatos. Qual deles está disposto a agarrar o desafio de formalizar um pedido de classificação para a prática balnear  junto das Direcções Regionais do Ambiente e do Ordenamento do Território? Estariam dispostos a envolver o município num projecto de devolução do rio à comunidade?


Feira do Livro


A Feira do Livro de Ponte de Lima está aí à porta. Marque na sua agenda, terá lugar de 8 a 11 de Julho. É sempre uma boa altura para encontrar algumas novidades. Teria sido uma altura interessante para apresentar a reedição dos livros de Luís Sousa Dantas, por exemplo. Pessoalmente, gosto de procurar livros sobre Ponte de Lima ou de autores limianos.

A Feira do Livro volta a ocupar a sala panorâmica da EXPOLIMA. É pena, seria mais interessante voltarmos a ter uma Feira do Livro ao ar livre, poderia ter sido pensada para a Lapa, por exemplo. Aproveitava-se a sombra das seculares arvores e devolvia-se vida a um espaço recentemente intervencionado. 

sexta-feira, agosto 03, 2007

Alto Minho artigo de 03-08-2007

Faz dois anos que critiquei veementemente a Feira do Livro. Habituados a contar com a feira do livro a cada ano, lá para o mês de Julho, na Avenida dos Plátanos, com vários stands de livros e com animação de qualidade, passar-se para um evento de cariz bienal numa tenda a meio da dita avenida só poderia resultar numa desilusão. Uma falha grave para o público que já se havia cativado para estes eventos culturais. Se em 2005 critiquei, este ano não o faço. A Feira do Livro surgiu de cara lavada, num novo local, a EXPOLIMA, com animação e, mais importante, com livros que não são, longe disso, o refugo de uma qualquer editora menos conhecida.

Este ano, a Feira do Livro, que começou faz uma semana e acaba já neste domingo, é, em termos editoriais, das melhores. Com novidades e livros recentes a preços imbatíveis, consegue conjugar os “saldos” com os best-sellers da melhor forma. É verdade que a disposição poderia ser outra e que as novas tecnologias deveriam estar presentes, mas estes são pequenos pontos negativos que ficam subjugados aos positivos.

A atenção aos espectáculos que decorrem todas as noites aparentemente parece não ter sido das maiores. Na noite de sábado, por exemplo, pôde assistir-se a um espectáculo musical onde imperou a qualidade, mas, infelizmente, a plateia não era muita. Os gostos são discutíveis, claro. A altura de festas importantes como a da Senhora da Boa Morte, na freguesia da Correlhã, também não ajudou. Já a conjugação da animação com os grupos populares do concelho foi bastante boa e interessante e a projecção de filmes ao ar livre foi uma boa aposta. O balanço é francamente positivo.