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domingo, março 22, 2026

Alto Minho, artigo de 19-03-2026

Mudanças

Sem grande surpresa, a estrutura do PSD de Ponte de Lima mudou de liderança. Pedro Salvador é o novo líder e, com ele, entra uma equipa que junta experiência e juventude. Numa eleição de lista única, os 84% de votos obtidos dizem muito, mas o que se destaca destas eleições é mesmo a mobilização conseguida. Já não se via há muito, numas eleições internas, uma participação, em muito, superior ao número de candidatos. Isso acontecer num momento em que o PSD de Ponte de Lima está, de facto, partido, desanimado e longe do brilho que o poder costuma atrair, traz de novo esperança. 

Esta nova equipa aparenta saber exatamente onde pisa e o terreno difícil que tem pela frente. Ao aceitarem este desafio, Pedro Salvador e os seus mostram que o que os move não são “cargos”, mas a vontade genuína de fazer o partido renascer. Sendo quase um momento da refundação, espera-se uma nova mobilização e, acima de tudo, um trabalho persistente, junto de cada uma das freguesias. Resta saber se o partido terá a maturidade para converter este ímpeto num verdadeiro sentimento de união. Sem isso, nenhuma tentativa de renascimento terá sucesso.

O caminho para a recuperação do protagonismo do PSD no concelho limiano terá começado, como canta Dillaz; 


“Se olhares pa' o caminho

Vais ver que não são só preciso pernas pa' andar

Também a motivação

Não oiças o que dizem, segue aquilo que sentes

Porque aquilo que sentes é mais do que te dão”


O Verde que se apaga das nossas estradas


Quem vive ou cresceu no Alto Minho guarda, certamente, memórias dos autocarros “do Cura”. Com 66 anos de história ao serviço da região, os seus autocarros de listas verdes fazem parte do nosso imaginário colectivo. Num tempo em que o automóvel não dominava as estradas, era neles que seguíamos para as areias da praia ou nas excursões a Fátima.

A notícia caiu com o peso da inevitabilidade, mas nem por isso com menos impacto, “AV Cura ficou sem licença e teve de ser a AVIC a assegurar transportes no Alto Minho”. O desaparecimento do "Cura" deixa o Alto Minho mais pobre de símbolos, marca o fim de um capítulo na história da mobilidade e da identidade da nossa região.


46 anos


Na passada semana, a vila de Arcozelo celebrou os 46 anos do seu clube de futebol, o ACR Arcozelo. Tendo sido fundado em 1980 com a designação “Arcozelo futebol Clube”, teve, durante décadas, a sua sede no largo da Freiria, na Além da Ponte. Já com outra designação, o clube resiste graças ao esforço e voluntariado de quem lhe dedica o seu tempo. Parabéns a todos os atletas e dirigentes que construíram o clube ao longo destes anos. 

domingo, dezembro 01, 2024

Alto Minho, artigo de 28-11-2024

Onde está?

A menos de um ano das eleições autárquicas, apesar das declarações do líder distrital do PS acerca da estratégia para o concelho de Ponte de Lima, a estrutura local continua em silêncio. Ainda que Vítor Paulo Pereira tenha dito que o PS teria listas próprias e que apresentaria um cabeça de lista independente ou um jovem, nada foi adiantado. A concelhia nem sequer assumiu publicamente que deixou de apoiar o movimento “Ponte de Lima, Minha Terra”. 

Para aqueles lados, parece que se segue o dito popular “o segredo é a alma do negócio”. Os órgãos locais tiveram eleições no dia 5 de Julho, já passaram 4 meses, alguém sabe quem foi eleito, quem lidera o PS limiano? Usando outro dito popular, “nem tanto ao mar, nem tanto à terra”.

É certo que um ano pode ser muito tempo, mas para um partido que, na prática, deixou de se apresentar a eleições há quase uma década, um ano para apresentar um projecto alternativo, com rostos credíveis, com capacidade de mobilização, parece ser muito pouco e o tempo, esse, não pára. 


Já os independentes do PLMT…

Zita Fernandes foi apresentada como cabeça de lista à Câmara Municipal de Ponte de Lima pelo movimento independente “Ponte de Lima, Minha Terra”. Torna-se, assim, depois de Joana Quintela Alves, do Movimento 51, em 2021, a segunda mulher a liderar uma candidatura à presidência da Câmara limiana. Talvez não seja, nestas eleições, a única.

No vídeo da apresentação falou, referindo-se ao tempo em que foi presidente da Junta da Freguesia de Brandara, eleita pelo CDS-PP, de sustentabilidade financeira, teve, ainda, na sessão de apresentação, a necessidade de garantir que o movimento independente que lidera “está rejuvenescido e não vai desaparecer”. 

Agora que é oficialmente candidata, poderá, por exemplo, esclarecer qual será a posição do PLMT relativamente às freguesias de Arcozelo, Beiral do Lima e Refoios, actualmente lideradas pelo movimento. Com os socialistas fora do movimento, pode assegurar que os actuais executivos se recandidatam como independentes? Zita Fernandes tem aqui um grande desafio. Em Arcozelo, a freguesia mais populosa do concelho, o actual presidente da Junta foi (é?) presidente dos socialistas limianos, sendo coerente, será candidato sob a bandeira rosa, nesse caso, a candidata do PLMT terá de ter a capacidade de manter os apoiantes do projecto do PLMT para Arcozelo unidos contra um adversário que até agora era o seu rosto naquela freguesia. 

Nos idos de 80

Nas eleições autárquicas de 1979 e de 1982, apesar de noutros concelhos não se apresentarem juntos, em Ponte de Lima, o PSD e o CDS, colocando os egos de parte, apresentaram-se aos eleitores em coligação como AD. Com isso conseguiram eleger João Gomes de Abreu Lima presidente da Câmara. 

Aqueles foram os anos que permitiram, por exemplo, salvaguardar o património material e imaterial do concelho que mais tarde se transformaria na sua imagem de marca.  

Outros tempos!

domingo, novembro 10, 2024

Alto Minho, artigo de 07-11-2024

Entrevista

Depois da entrevista a Vítor Paulo Pereira, líder distrital do PS, que deu a conhecer as pretensões autárquicas do seu partido para o distrito, na passada semana foi a vez de Olegário Gonçalves, líder do PSD Alto Minho, falar a este jornal. Confesso que, por ser recandidato à liderança distrital, tinha expectativas elevadas.

Usou, por várias ocasiões, a palavra “união”, principalmente quando falava para as estruturas do partido. É compreensível que assim seja, até porque imagino a apreensão do líder do PSD Alto Minho, ainda em Setembro último, nas eleições para eleger o líder nacional do partido, perto de 60% dos militantes do distrito não exerceram o seu direito de voto. Mais ainda, na concelhia de Viana do Castelo, concelho sede do distrito, essa percentagem ultrapassou os 85%, e no segundo maior concelho em termos de eleitores, Ponte de Lima, tendo apenas 44 inscritos só 18 votaram. Olegário já percebeu o que terá de mudar no seu próximo mandato distrital. União não é o mesmo que unanimismo. É tempo de passar das palavras aos actos, falar e envolver todos aqueles que, pelo distrito, são mais valias do e para o partido. 

Relativamente às eleições autárquicas, prevê manter as Câmaras atualmente laranja, aposta fortemente na vitória no concelho de Caminha, sendo que em Vila Nova de Cerveira e Melgaço existe a expectativa de alcançar a vitória. Teve o momento “wishful thinking” relativamente a Valença, quando falou do retorno ao PSD dos dissidentes que numa lista independente também elegeram 2 vereadores. Não se assumindo (ainda) como cabeça de lista à Câmara Municipal de Arcos de Valdevez, afirma que o combate  eleitoral deve ser encarado com humildade e muito trabalho, até porque, para além da presidência da Câmara, existem 20 presidentes de Junta em final de mandato. Tentou, ainda, esvaziar um pouco a pressão na candidatura a Viana do Castelo. As expectativas para Paredes de Coura ficaram-se apenas pela participação e fixacção de eleitorado. Relativamente a Ponte de Lima, queiram, por favor, passar para o texto seguinte.


Gigante adormecido


“…se os tempos mudam e ele não varia de actuação, poderá arruinar-se” - Maquiavel, em “O Príncipe”.


Por Ponte de Lima, apesar de ver com bons olhos uma coligação com o CDS, esta, para Olegário Gonçalves, não acontecerá. A razão prende-se por actualmente existirem “feridas que não seriam fáceis de tratar”, não assume, no entanto, José Nuno Araújo como o candidato fechado.

É preciso manter a serenidade e não fechar nenhuma porta. Em Fevereiro do próximo ano, se tudo correr normalmente, haverá eleições internas no PSD de Ponte de Lima. Nessas eleições poderão estar em cima da mesa várias correntes de opinião sobre o caminho autárquico. Deixo três possíveis. Manter o que existe neste momento com uma candidatura própria; optar por uma candidatura que integre, por exemplo, os movimentos independentes, ou o que resta deles; ou, ainda, uma coligação com o CDS. Qual destas opções tem capacidade para acordar e capitalizar o gigante adormecido que é a máquina e o eleitorado laranja em Ponte de Lima? Eis a pergunta à qual os militantes terão de responder.   

O PSD de Ponte de Lima, em tempos constituído por muitos militantes participativos, com reuniões acesas e esclarecedoras do caminho que o partido queria para o concelho, há pelo menos meia década, desapareceu. Mas muitos sabem que esse músculo eleitoral estará, apenas, adormecido. A mobilização depende muito de quem lidera, de quem dá a cara, da capacidade de envolver os diferentes agentes e, acima de tudo, do projeto que apresentam. Qual é o projecto do PSD para Ponte de Lima? Na actual conjuntura, qual é a melhor forma de o tornar uma realidade? 

domingo, julho 28, 2024

Alto Minho, artigo de 25-07-2024

 Opinião dos nossos representantes

Três dos deputados eleitos pelo Alto Minho têm partilhado a sua opinião neste semanário. É de saudar a iniciativa aqui da “casa” e a adesão dos deputados, José Maria Costa, Emília Cerqueira e Eduardo Teixeira. 

No último número foi a vez de Eduardo Teixeira escrever abordando um assunto importante, o da sustentabilidade do sistema de pensões. Obviamente que não se estava à espera de ler nesse artigo a solução para o problema, mas fica o alerta para manter o assunto no ordem do dia. Por vezes, só mesmo quando estamos a cair no precipício é que percebemos a sua existência. Em França, por exemplo, o aumento da idade de acesso à pensão, que passou recentemente para os 64 anos, foi um dos temas abordado na última campanha das eleições legislativas. E por cá, quando foi a última vez que se ouviu um debate onde o tema da sustentabilidade do sistema de pensões foi abordado? Não é só afirmar que a idade de acesso às pensões deve ser menor, ou que o valor das pensões mínimas deve ser equiparado ao do ordenado mínimo. O que propõem para que esses objetivos possam ser atingidos sem afectar o direito às pensões das gerações futuras? Existirão questões ideológicas pelo meio? Certamente que sim, mas o debate deve ser feito para que os eleitores percebam as escolhas que têm de fazer. Eduardo Teixeira terminava o artigo desejando que no “debate do Estado da Nação” se começasse a consensualizar opiniões sobre este assunto. Não, não se começou. Aliás, nem nesse assunto nem em mais nenhum. O referido debate apenas serviu para a frivolidade do jogo político.  

Infelizmente, a maioria dos partidos perde muito tempo a debater assuntos menores e a produzir frases chave para as redes sociais ou para os canais televisivos de notícias, mas parecem esquecer os temas verdadeiramente importantes para a vida das pessoas. 


Histórias




A História das comunidades é feita de várias histórias, de vários protagonistas. Não são só os políticos ou os dirigentes sociais ou associativos que a produzem. Na passada Feira do Livro de Ponte de Lima foi apresentado um livro, “Balada do rio Trovela”, da autoria de Mário Leitão, nele, de uma forma romanceada, é relatada uma história dessas, das que faz a História. 

No livro ressalta a capacidade de organização, união, a lição de altruísmo dada pela comunidade limiana. Em traços muito breves, trata-se da história de uma jovem que, nos meados dos anos 70 do século passado, num tempo em que ainda só se falava na necessidade de criar um serviço nacional de saúde, universal, geral e gratuito, precisando ser submetida a uma intervenção cirúrgica ao coração, apenas possível em Espanha e com um custo enorme, conseguiu no espaço de semanas unir toda a comunidade na busca de uma solução que lhe salvasse a vida. A verdade é que em tempos onde não existiam auto-estradas, nem Internet, onde a comunicação ainda era feita apenas por carta ou telefone, onde a fronteira entre Portugal e Espanha era uma realidade, apesar disso tudo, foi possível unir vários meios humanos e sociais e levar a bom porto aquele desiderato. 

A História da vida da nossa comunidade é feita assim, de conjuntos de pequenas grandes histórias, de momentos onde a capacidade humana é testada e onde a as pessoas se mostram à altura, sem hesitações, sem medos das provações. 

Fica a sugestão para uma leitura de férias!


Por falar em férias


É chegado o tempo em que se pode fazer um pouco daquilo que durante o ano foi sendo adiado. Chegaram as férias e com elas chega também um tempo de pausa para este espaço. Voltar-nos-emos a encontrar em Setembro. Boas férias!

domingo, junho 30, 2024

Alto Minho, artigo de 27-06-2024

O problema dos transportes

O presidente da Câmara de Viana do Castelo já se queixava de que o problema dos transportes não estava apenas no seu concelho, que haviam outros até bem piores, não percebendo a razão de só o seu concelho estar sob a atenção pública. Pois bem, o seu desejo tornou-se realidade. O presidente da Câmara de Ponte de Lima foi, na passada semana, o centro das atenções na polémica entre as Câmaras Municipais e as empresas de transporte, devido ao valor das compensações por Obrigações de Serviço Público. Mas no meio de toda a polémica, Vasco Ferraz fez uma declaração, aqui ao Alto Minho, que é realmente acertada. Referiu ele que “os presidentes de câmara deveriam conversar. Juntarmos todas as competências novamente na CIM do Alto Minho em vez de termos 11 autoridades de transportes. Nos distritos com dimensão semelhante ao de Viana do Castelo, não há nenhum que esteja a praticar esta divisão de competências em tantas autoridades de transportes”.

Quando existir uma liderança que se assuma como tal, para além dos interesses particulares de cada concelho, esses passos de concentração de competências, não só nesta matéria, poderão ser dados. É difícil, ainda para mais porque a primeira “capa” dos lideres da CIM é a de autarcas e, por vezes, parece difícil ultrapassarem esse vinculo, mas, se noutros locais é possível, por aqui também será. É preciso vontade, pode ser que essas “guerras” ajudem a encontra-la. 


50 anos


Na última década do século passado, inscrevi-me numa juventude partidária, a Juventude Social Democrata. Por lá, aprendi a lutar pelo meu concelho, aprendi a debater, ouvir e argumentar sobre ideias e sobre como coloca-las em acção. 

Durante os 10 anos em que por lá militei, fui eleito para vários órgãos internos, da concelhia à distrital, até aos órgãos nacionais. Dei a cara pela organização nos média, conseguimos trabalhar em propostas que chegaram mesmo a ser noticiadas pela imprensa nacional. Normalmente, associam-se as juventudes partidárias a agências de emprego, uma organização de recrutamento para nomeações para gabinetes municipais, governamentais ou doutro semelhante. Nunca fui nomeado para nenhum cargo, nem encontrei emprego ou trabalho pelo exercício da minha cidadania através da JSD. O David Lago, e tantos outros que fizeram esse percurso comigo, também não. Também não esperamos qualquer contrapartida monetária por participarmos activamente. Se são todos assim? Não, não são. Como na vida, também nas juventudes partidárias há de tudo. Felizmente, encontrei muitas mais pessoas como eu, que tantos anos depois, longe da política, olham para trás com orgulho do que conseguiram realizar politicamente e pelas amizades que lá construíram. 

No passado fim de semana, a JSD reuniu-se em congresso onde foram assinalados os 50 anos da sua fundação. Parabéns à JSD! Faço votos para que continue a ser aquilo que maioritariamente por lá encontrei, uma verdadeira escola política.

domingo, junho 02, 2024

Alto Minho, artigo de 30-05-2024

Oportunidade perdida

O deputado José Maria Costa não tem razão no que escreveu na última edição deste   jornal na “Coluna da Assembleia da Republica”. Escreveu ele que “o Presidente da Assembleia da República (PAR) abriu um precedente grave na vida democrática e na pratica parlamentar” a propósito de não cortar a palavra ao deputado e líder do CHEGA quando este, no uso da palavra no plenário, se referiu ao povo turco com epítetos preconceituosos e estereotipados. 

Todos ainda se devem lembrar das “guerras” entre o anterior PAR, Augusto Santos Silva, e André Ventura, e todos sabem no que isso resultou. Aguiar Branco, o actual PAR, é da opinião de que não é incumbência da função que desempenha avaliar a "bondade do discurso político, ainda que eticamente desvalioso” nem “instituir uma cultura de cancelamento linguístico, freando opiniões e assumindo-se como “guardião” do aceitável e do politicamente correcto". Isto porque os deputados, como consagrado no ponto 1 do artigo 157.º da Constituição, têm o direito à palavra, a qual nem mesmo o presidente da Assembleia da República tem direito de censurar. Ou seja, não são os valores éticos ou políticos de alguém a balizar a liberdade de expressão no exercício da função de deputado, apenas a lei. Os outros deputados podem sempre dar conta da sua indignação replicando, contestando, debatendo. 

Ao contrário do que escreve José Maria Costa, o que Aguiar Branco demonstrou é que não faz o jogo de André Ventura que vive da vitimização. Institucionalmente e enquanto Presidente da Assembleia da Republica, Aguiar Branco cumpre a lei e não entra em jogos políticos. 

Assim ficou desperdiçada a primeira “Coluna da Assembleia da Republica” num não assunto. Será que o PS ainda não aprendeu que o paradigma mudou? Será que ainda não percebeu que dar “gás” às técnicas populistas da extrema direita não se reflete apenas no centro direita, no PSD, mas também no próprio PS, que até viu, nas últimas eleições, muitos dos seus anteriores lugares de deputados serem conquistados pelo CHEGA?


Nova realidade


Li no “Observador” um artigo de opinião com o título “Adeus, CDS”. A autora é Margarida Bentes Penedo, que é membro da Assembleia Municipal de Lisboa, eleita pelo referido partido. No texto abordava a situação actual do CDS nacional e as ocorrências que vieram recentemente a público, sobre possíveis eleições internas fraudulentas na estrutura centrista de Lisboa. A certa altura escreve a autora que “Já tínhamos percebido que o CDS não tem votos externos, agora duvidamos se tem ou não votos internos.”. Se deixarmos a bolha lisboeta, a percepção pública é que o PSD, com a AD, deu uma nova oportunidade de ressurgimento ao CDS. Com a Aliança Democrática, até conseguiu ter mais governantes que deputados. 

Seja como for, a AD, localmente, veio resolver um problema que poderia surgir aos centristas limianos nas eleições autárquicas. Se o CDS desaparecesse, como é que se apresentariam aos eleitores? Com este novo folgo, a “bandeira” ficou resolvida, os centristas voltam a focar-se em manter o poder que detêm em Ponte de Lima desde 1976. Mas pode não ser assim tão simples. Talvez sejam chamados a retribuir, à escala local, o que o PSD ofereceu ao CDS à escala nacional, a possibilidade de sobrevivência. Será necessário, para isso, mudar os protagonistas sociais-democratas? Muito provavelmente. Com o aproximar de novos desafios e protagonistas políticos, talvez replicar o que funcionou no início dos anos 80 faça sentido para os dois partidos que têm dominado eleitoralmente Ponte de Lima, o CDS, que domina nas eleições autárquicas, e o PSD, que domina nas eleições nacionais. Talvez seja a forma pragmática de manter o concelho limiano na esfera do centro-direita. 

domingo, maio 26, 2024

Alto Minho, artigo de 23-05-2024

Cada vez mais perto

Estamos cada vez mais perto das eleições autárquicas. Os partidos já deveriam estar no “terreno”, as equipas a ser formadas. Provavelmente, é o que já se vai passando em todos os concelhos do Alto Minho. 

O presidente da distrital do PS, Vitor Paulo Pereira, afirmou a este jornal que os socialistas estão a trabalhar para “escolher pessoas com provas dadas na política e na vida profissional”. Falou de vários concelhos, nomeadamente dos que os socialistas lideram. Nesses será mais simples, com a excepção de Paredes de Coura que ele próprio lidera, porém, como não se pode recandidatar, já anunciou o candidato a sucessor, a recandidatura dos actuais presidentes é a tónica. Mas, e os outros concelhos, como o de Ponte de Lima, por exemplo? No concelho limiano, o PS desapareceu autarquicamente, em 2017. Nas freguesias, na Assembleia Municipal, na Câmara Municipal não existem eleitos do PS, apenas eleitos do movimento independente “Ponte de Lima Minha Terra” que o PS apoiou. A “marca” desapareceu do mercado e o mercado parece tê-la esquecido. Inverter o caminho não parece fácil, ainda para mais quando a liderança socialista local não parece capaz de a fazer reaparecer. Quantos dos leitores sabem quem lidera o PS limiano? Quem se lembra de uma posição, de uma ideia socialista para o concelho de Ponte de Lima nos últimos 5 anos?


Conhecer o “terreno”


Quando as estruturas nacionais dos partidos, em iniciativas eleitorais, se deslocam ao terreno deveriam estudar a realidade local. Quando estas não o fazem, devem ser as estruturas locais a chamar a atenção para o que se passa. Se não o fizerem, correm o risco de transformar um momento que se esperava de mobilização, em desilusão e desmobilização. 


Polémica com um painel da exposição Viana Florida



O Bloco de Esquerda e a Câmara Municipal de Viana do Castelo envolveram-se numa polémica por causa de um painel que continha a imagem da visita que Américo Tomás, então presidente da República do Estado Novo, e a sua esposa Gertrudes Tomás fizeram, no ano de 1959, a Viana do Castelo. A acompanhar a imagem surgia a frase “Mesmo que se diga que, por detrás de um grande homem, há sempre uma grande mulher, na realidade, é a partir do poder feminino da reconciliação, do criar e gerir, que nasce um grande homem.”. O Bloco de Esquerda de Viana do Castelo tornou público um comunicado onde condenava “esta visão que a Câmara Municipal de Viana do Castelo tem da mulher, como também o facto de utilizar uma imagem que revisita uma altura em que as mulheres não tinham quaisquer direitos”. 

O painel foi retirado, mas poderá ser substituído. De certeza que existirão fotografias do executivo municipal de 1974. Nelas encontrarão a imagem de Genoveva Marques Proença de Oliveira Amaral e de Maria Augusta Pereira d`Eça d`Agorreta d`Alpuim, não por serem mulheres de algum membro da Câmara Municipal, mas porque exerciam o cargo de vereadoras no executivo. Seria uma forma de promover não só o tema da exposição, como a memória da participação das mulheres na causa pública no concelho vianense.

domingo, abril 07, 2024

Alto Minho, artigo de 04-04-2024

Ad nauseam

Bem sei que teremos várias eleições. Foram as legislativas, teremos as europeias, e teremos as presidenciais, em 2026, mas as eleições autárquicas estão também à porta, realizam-se já em 2025.

Na verdade, falta quase um ano para que as listas estejam formadas e entregues e se saiba quem, na nossa comunidade, quer assumir responsabilidades autárquicas. Normalmente, nesta altura já se verificam movimentações, os partidos e movimentos já se mobilizam. Mas neste momento não se pressente nada ou quase nada. Por Ponte de Lima, por exemplo, nem se sabe se os que lideram a oposição, o movimento Ponte de Lima Minha Terra, se apresentarão a eleições. Já nem escrevo sobre os partidos tradicionais, como o PSD e o PS. Se no caso do primeiro, ainda se observa a solitária actividade do vereador, o segundo nem se sabe se de facto ainda existe no concelho.


Não sei se é, mas que parece…


Na passada semana, todos nós assistimos a uma série de categoria B. Se fosse apenas numa qualquer plataforma digital, não seria mau, o problema é que tem consequências na nossa vida e passou-se na Assembleia da Republica.

José Pedro Aguiar Branco, deputado eleito pelo nosso circulo eleitoral, foi indicado pelo PSD como candidato a Presidente da Assembleia da Republica. O líder parlamentar do PSD contactou e informou o PS, o Chega e a IL que esse seria o seu candidato e que os sociais-democratas iriam votar favoravelmente os vice-presidentes que esses partidos apresentassem. O líder do Chega apressou-se logo a anunciar um “acordo” e o seu voto favorável. O argumentário estava instalado. 

No dia seguinte, o nome de Aguiar Branco foi chumbado várias vezes. Ao longo do dia, fomos vendo o Chega a bracejar e a rasgar vestes em acusações e chantagens sobre o PSD que se entregara ao PS. O PS depois de acusar o PSD de que afinal o seu “não é não” era um “não é não a não ser que…”, acusava a direita de confusão e instabilidade.   

Depois de quase dois dias de impasse, Aguiar Branco lá foi eleito e os vice-presidentes propostos pelos referidos partidos também. 

O que se retira disto tudo é que hoje é perceptível um novo “partido” a que alguém apelidou de Shegalista. Um “partido” que não tem qualquer consideração pelas instituições ou pelo país, que parece perceber que estas atitudes tem consequências gravíssimas para a saúde da nossa democracia, mas, como na velha fábula do escorpião e da rã, “está na sua natureza” fazer tudo para que o centro direita não consiga estabilidade para governar. Nem que para isso “morra” a democracia. 


Serviço militar obrigatório


De repente, foi reintroduzido na ordem do dia o tema do Serviço Militar Obrigatório (SMO). Os políticos, com a guerra a voltar à Europa, acordaram para as necessidades militares do velho continente. Voltam-se a ouvir os velhos chavões da defesa dos valores, da dádiva à sociedade, da cidadania como justificação para a reintrodução da obrigatoriedade do SMO.

Mas só será possível desenvolver e despertar o interesse pela defesa dos valores de cidadania, da dádiva à comunidade e da defesa nacional ressuscitando o SMO? Não será isso apenas uma desculpa para conseguir “mão de obra” para uma estrutura militar que tem neste momento uma pirâmide interna de recursos humanos invertida?

O que é necessário é valorizar e criar uma verdadeira carreira militar que possa levar os jovens a equacionar essa carreira como um percurso profissional de futuro, que abra portas à formação académica e profissional e não só militar. O que não é possível é manter um exército de graduados sem praças, ou com praças sem possibilidade de carreira ao longo da vida. 

domingo, março 17, 2024

Alto Minho, artigo de 14-03-2024

Ressurreição

Estas eleições foram uma páscoa política para Eduardo Teixeira. Eleito deputado, não venceu no concelho de Valença por 33 votos. O Chega, tal como no país, passou a terceira força política do distrito, em alguns casos ficou a poucos votos do segundo partido mais votado, e em nenhum dos concelhos teve menos de 15% dos votos. As eleições autárquicas estão aí, sendo que, como escrevi no início de Fevereiro, Eduardo Teixeira “é conhecido pela sua persistência, por não saber parar ou recuar”, prevê-se que, com este empurrão, o Chega entre também na luta autárquica com capacidade para eleger em vários concelhos. 

Depois de perder a influência interna no PSD, que o deixava de fora das próximas eleições, Teixeira, com o Chega, volta a recuperar o protagonismo político que tanto procura.


A escolha dos candidatos importa


O PSD pode ter perdido a hipótese de eleger o terceiro deputado em Valença. Nesse concelho venceu a AD pelos já referidos 33 votos, mas, com a excepção de Paredes de Coura e de Vila Nova de Cerveira, onde perdeu, foi o concelho do distrito onde a AD teve a menor percentagem de votos e onde recuperou, face às eleições de 2022, menos votos. Uma má formação de listas pode resultar em perdas com consequências nacionais. 


Ironia


O PS passou estes últimos anos a “encostar” o PSD ao Chega, numa posição que lhe valeu o resultado em 2022. Ironicamente, com tanto “insuflar” do Chega, muitos dos deputados que este ganha são transferência direta dos deputados que o PS perde.

Há um facto que se deve realçar no resultado deste partido político, a sua capacidade de atração eleitoral perpassa todo o território. Esta é um factor que o faz diferente, mesmo comparativamente com outros partidos como o Bloco, a IL, o PAN ou o Livre, que são partidos com expressão muito limitada aos centros urbanos, nomeadamente de Lisboa e Porto.


Final


É dos últimos partidos comunistas da Europa Ocidental da velha guarda. Ainda presente com alguma força e capacidade de influência, desde o governo da geringonça a CDU (PCP - PEV) vem perdendo a sua capacidade eleitoral, sendo que em distritos do Alentejo os eleitores que votavam nesta coligação passaram a votar no Chega. 

Nestas eleições, o PCP e a sua CDU passou a ter uma representação minimalista. Será que estaremos perto do seu fim? No nosso distrito, por exemplo, no concelho de Ponte de Lima, até o ADN contou com mais votos que a CDU.


Palavra-chave


Esperemos que a palavra-chave a sair destas eleições seja “compromisso”. Com um governo minoritário, haverá capacidade para os lideres e eleitos dos partidos encontrarem pontes e abandonarem a política de “bolhas”? A construção de pontes não é apenas uma obrigação do governo, mas também dos que devem ser uma oposição responsável. 


Novos tempos


Sim, caro leitor, no domingo passado, entrámos numa nova era. Olhem bem para Espanha, França e Itália, que passam ou já passaram por esta mudança. Que caminho seguiremos? 

domingo, fevereiro 04, 2024

Alto Minho, artigo de 01-02-2024

Trânsfuga

Uma das definições que o “Dicionário Infopédia da Língua Portuguesa”, da Porto Editora, apresenta para trânsfuga é “pessoa que abandona o seu partido”. Neste momento não tenho conhecimento se Eduardo Teixeira abandonou, formalmente, o PSD, o seu partido de “há mais de 30 anos”. O anúncio do presidente do CHEGA de que o vianense seria o cabeça da lista deste partido pelo círculo eleitoral de Viana do Castelo não deixa dúvidas, formalmente ou não, o PSD faz parte do passado para Teixeira, e, de acordo com o ponto 4 do artº 9 dos Estatutos do PSD, a sua inscrição no partido cessada.

Desde os tempos da JSD que Eduardo Teixeira é conhecido pela sua persistência, por não saber parar ou recuar. Reparem que não escrevi “desistir”, mas “parar” ou “recuar”. É que, por vezes, é preciso parar ou mesmo recuar, nem que seja para “lamber as feridas” de um qualquer revés, para voltar com mais ânimo e, porque não, ímpeto. 

No PSD, muitos vêem-no como alguém que não olha a meios para atingir os objetivos políticos a que se propõe. Foi conseguindo impor-se internamente no PSD Alto Minho e, durante mais de uma década, tornou-se uma figura incontornável na política regional. 

A sua primeira eleição como deputado, em 2011, trouxe-lhe uma visibilidade política e social que até então só tinha conseguido no concelho de Viana do Castelo e no seio da estrutura social-democrata. O deputado Eduardo Teixeira passou a ser conhecido desde a freguesia de Castelo de Neiva à de Cevide. A forma como exerceu o mandato de deputado foi diferente do que se estava habituado, a tónica foi a da proximidade e da atenção. Do mais anónimo cidadão, à instituição sediada no local mais recôndito do distrito, todos os que queriam tinham a atenção do deputado. Assim foi durante o mandato de 2011 a 2015. 

As sempre presentes “guerras” internas, escolhas erradas, que não fazem prisioneiros nem deixam espaços vazios, afastaram Eduardo Teixeira da lista de deputados de 2015. Mas nem isso o fez parar ou recuar. Continuou activo nos órgãos internos e na política autárquica no concelho de Viana do Castelo, onde marcou, nem sempre pelas melhores razões, a agenda mediática. A 6 de Outubro de 2019, voltou a ser eleito à Assembleia da República, mas o ímpeto do primeiro mandato já se tinha esvaecido e, azar dos azares, o mandato não chegou ao fim. Novas eleições em 2022, mas, apesar dos apoios que ainda tinha, foi incapaz de afastar os anticorpos que ganhou nas guerras internas, que muitas das vezes provocou, e foi, novamente, afastado da lista de deputados.

Aparentemente, a negociação durou meses, mas só há duas ou três semanas se tornou pública a possibilidade de Eduardo Teixeira liderar a lista do CHEGA. O impacto foi grande, da incredulidade inicial, à possibilidade real, foram surgindo posições públicas de antigos companheiros e estruturas sociais-democratas surpreendidas pela possibilidade de trânsfuga. Teixeira manteve publicamente o silêncio, forçando a estrutura do PSD vianense à posição extrema de lhe retirar a confiança política enquanto vereador. Uma retirada de confiança à qual reagiu com violência, acusando a concelhia “de coartar a liberdade dos cidadãos, garantindo que aquele órgão não pode retirar a confiança política aos militantes”. Poucas horas depois, André Ventura anunciava-o como cabeça de lista do CHEGA.

Lembra-se, caro leitor, como Camilo Castelo Branco termina o romance “A queda de um anjo”? É com a seguinte frase “Fica sendo, portanto, esta coisa uma novela que não há de levar ao céu número de almas mais vantajoso que a novela do ano passado”. 

domingo, janeiro 28, 2024

Alto Minho, artigo de 25-01-2024

 A insustentável leveza dos partidos

Leram a entrevista que o presidente da concelhia do PSD de Viana do Castelo deu, há duas semanas, aqui, ao jornal Alto Minho? Dizia ele que o candidato proposto pela concelhia que lidera para integrar a lista de candidatos do PSD à Assembleia da República “reúne condições políticas, humanas e de curriculum profissional para desempenhar um cargo de excelência na Assembleia da República”, afirmando ainda que “se não for cabeça de lista, será o número dois pelo distrito.”. O candidato referido é Eduardo Paço Viana, Secretário de Estado da Inovação, Investimento e Competitividade, no efémero XX Governo Constitucional, com vasta experiência como gestor público e privado. Realmente curriculum não lhe falta e até foi proposto por uma concelhia que nas últimas eleições legislativas obteve mais 5549 votos que as concelhias de Valença, Arcos de Valdevez e Ponte da Barca juntas. Mas será isso importante para a constituição da lista de candidatos à Assembleia da República? 

A lista do PSD foi tornada pública na passada semana, será encabeçada por José Pedro Aguiar Branco que, enquanto ministro da defesa, tomou as decisões difíceis, mas certas, para salvar a indústria de construção naval de Viana do Castelo. Em segundo lugar, fica a candidata já repetente, a arcuense Emília Cerqueira, e Jorge Mendes, ex-presidente da Câmara de Valença, depois de ter liderado a lista social-democrata nas últimas eleições legislativas, é despromovido para o terceiro lugar. O quarto lugar será de Joana Mendes, que representa o CDS, partido que, nas últimas eleições legislativas, no distrito, foi apenas o quinto mais votado, obtendo 3,36% dos votos (em Ponte de Lima, que os mais distraídos apelidam como concelho centrista, o PSD obteve mais 6938 votos que o CDS, que apenas teve mais 768 votos que o CHEGA), e o quinto lugar é de Alfredo Oliveira, vereador na Câmara Municipal de Ponte da Barca. 

Perguntará o leitor “Então, e o candidato indicado por Viana do Castelo?”. Em Dezembro escrevi que a escolha da lista de candidatos a deputados, normalmente, rege-se “por critérios de afirmação e interesses internos dos partidos”, o lugar que lhe reservaram foi o de suplente.   


Partidas


Inscreveu-se no PPD completava o partido 4 meses, em Setembro de 1974. Foi, em conjunto com o seu marido, José de Matos Melo, uma das fundadoras, em Ponte de Lima, do que se tornaria no Partido Social Democrata. Manteve a militância durante toda a sua vida, participando em várias acções e campanhas do partido. A Palmira não é, no entanto, conhecida pela sua participação partidária, é conhecida pela sua simpatia, carinho e preocupação por todos, principalmente pelos mais novos da família.  

Ficarão para sempre marcados na minha memória, os dias de Páscoa em sua casa. Subir as escadas e sentir o cheiro a café, sentar-nos à mesa e, enquanto os adultos iam falando e o Compasso Pascal não chegava, nós, os mais novos, íamos comendo fatias de bolos caseiros e de Pão de Ló, roendo os rebuçados da Páscoa e tirando os pequenos “nacos” de queijo, ainda limiano, que nesse dia tinham um sabor especial. 

Palmira da Silva Soares, moradora que foi na rua Manuel Lima Bezerra, na Além da Ponte, partiu na passada semana, com 89 anos, para junto do seu José. 


Quem também partiu foi o José Augusto Caçador Alves. Um Homem das bandas de música, foi vários anos membro dos Corpos Sociais da Santa Casa da Misericórdia de Ponte de Lima, foi, também, uma referência no PSD limiano. Sempre que me encontrava, cumprimentava-me com uma piada. Tive a honra de o ter sempre como apoiante nas minhas andanças políticas e a sorte de saborear o seu incrível mel. Também o dia de Páscoa está presente na memória que tenho com o Sr. Caçador. Era na sua casa que a Cruz, por sua insistência, tinha de fazer uma pausa ao meio-dia. Era lá que eu passava o testemunho ao Jorge Ferreira que passava a presidir o Compasso Pascal no período da tarde. 


Duas vidas pelas quais dou graças a Deus por se terem cruzado com a minha.