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domingo, junho 16, 2024

Alto Minho, artigo de 13-06-2024

Europeias


Não podemos olhar para as eleições europeias apenas pela bitola nacional, o “jogo” geopolítico é bastante complexo. A verdade é que é evidente que nada é como antes. Também politicamente vivemos tempos de mudança, a direita, nacionalista e protecionista, ganha espaço numa Europa que, nos últimos 80 anos, viveu tempos de convergência, eliminação de barreiras culturais, sociais e económicas. Numa Europa onde já algumas gerações cresceram sem fronteiras, com programas Erasmus e viagens lowcost, o segundo maior “grupo” de deputados europeus eleitos é precisamente de políticos da extrema direita e da extrema esquerda, anti processo europeu.
Talvez seja tempo dos partidos democratas do centro político deixarem os jogos partidários e passarem a olhar de outra forma para o que querem para o futuro.


Poucochinho 


Eis a palavra que volta à analise dos resultados a nível nacional. O PS vence as eleições europeias por menos de 1% que a AD, perde, ainda, deputados; o CHEGA, com o erro de casting do cabeça de lista, elege pela primeira vez deputados europeus, mas fica muito aquém do que esperava. Como disse António Costa, noutras eleições europeias, para estes dois partidos foi um resultado “poucochinho”. 


Mudanças


Lembro-me, até com alguma frequência, de uma conversa que tive com o padre Miranda, que foi pároco na vila de Arcozelo durante várias décadas. Falávamos sobre os sinais que nos indicavam que os tempos que até então vivêramos chegavam ao fim. Hoje isso aparenta ser ainda mais uma evidência. Para além da convulsão política que vivemos no “mundo ocidental”, a ordem internacional liberal, que se traduziu num longo período de paz e crescimento económico liderado pelas democracias ocidentais, está a chegar ao fim. Potências como a China e a Índia deixaram de ser economias emergentes e de ser vistas como complementares às ocidentais, passando a ser concorrentes diretas. Ao choque das economias associa-se o das regras ambientais e sociais, que não são as mesmas que as ocidentais.


Também existem boas mudança


Em 2014, estive dentro do grupo que, pela voz do então vereador do PSD, Manuel Barros, denunciou a existência de reuniões entre responsáveis do executivo municipal e promotores para a construção de uma linha de muito alta tensão que iria atravessar o concelho limiano sem que a isso se opusessem. Nos meses e anos seguintes, foram promovidas várias sessões de esclarecimento como em Refoios, na Gemieira, na freguesia da vila de Ponte de Lima, com a participação de centenas de limianos. O executivo de então nunca se associou a essas sessões de esclarecimento, onde a população tomou conhecimento das cargas eletromagnéticas elevadas que essas linhas acarretam para a população, para o ambiente. Mas há boas mudanças. As posições foram alterando, em 2020 foi emitido pelo executivo municipal um parecer negativo, atualmente, o executivo eleito em 2021 é mesmo uma das vozes mais activas na união dos municípios da região contra a linha de muito alta tensão. 

domingo, maio 05, 2024

Alto Minho, artigo de 02-05-2024


Já não havia memória

Durante anos, a Assembleia Municipal de Ponte de Lima alheou-se das comemorações do 25 de Abril de 1974. Apesar de alguns apelos, inclusive nas conferências de líderes, nunca foi possível realizar uma sessão da Assembleia nesse dia. Finalmente, sendo  presidente João Mimoso de Morais, na vigência da presidência da Câmara de Vasco Ferraz, o primeiro presidente nascido pós revolução, a Assembleia Municipal de Ponte de Lima realizou uma sessão evocativa, como escrevera Sophia de Mello Breyner Andresen, do “dia inicial inteiro e limpo”. 


Virados para fora


Para uns será uma boa notícia, para outros uma notícia que confirma que a nossa região está ainda no pelotão detrás. Segundo o mais recente boletim trimestral Norte Conjuntura, elaborado pela Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, o nosso distrito tem 2 concelhos entre os 20 concelhos mais exportadores do norte de Portugal. O concelho de Viana do Castelo aparece na nona posição e o de Vila Nova de Cerveira na décima quinta. 

Já agora, nem a segunda cidade do distrito, Valença, nem o segundo maior concelho, Ponte de Lima, aparecem na referida listagem. 


Estranho


Não acharam estranho que nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril os únicos a referir Mário Soares tivessem sido Aguiar Branco e Marcelo Rebelo de Sousa? Do PS, nada! Será porque ele representa, como afirmou o presidente da Assembleia da República, “a personificação maior de um espírito de bom senso e sabedoria que hoje, em política, chamamos moderação”? Quando vivemos um ambiente político cada vez mais fragmentado, o PS de Pedro Nuno Santos parece mais preocupado com os jogos de popularidade imediata (e mediática) do que ser herdeiro de Soares na busca de consensos democráticos. 


50 anos


Fez ontem 50 anos que, em várias localidades do Alto Minho, se viveu uma das maiores manifestações expontâneas de que há memória. As várias fotografias do dia 1 de Maio de 1974 são prova da adesão do povo ao processo iniciado dias antes pelo Movimento das Forças Armadas. 

Existe um documentário da RTP, possível de ser visualizado na plataforma online da estação pública, que documenta esse dia na vila de Ponte de Lima. Começa por uma homenagem a Norton de Matos, onde é possível verificar a romagem de milhares de  limianos, e termina no largo junto aos actuais Paços do concelho, onde várias personalidades fazem intervenções. São tantos os rostos familiares! Que pena o documentário não ter som.

 

Europeias


Os dois principais partidos portugueses, o PSD e o PS, apresentaram as listas com os candidatos às eleições europeias. Nenhuma delas apresenta candidatos do Alto Minho perto de lugares elegíveis. O PSD apresenta a advogada limiana, Felismina Barros, em 17º lugar, por coincidência, o mesmo lugar que o também limiano Manuel Trigueiro ocupou nas europeias de 2009. Já o PS coloca no 19º lugar, a licenciada em Direito e membro do Gabinete de Apoio à Presidência da Câmara Municipal de Valença, Ana Cláudia Moreira.

domingo, abril 07, 2024

Alto Minho, artigo de 04-04-2024

Ad nauseam

Bem sei que teremos várias eleições. Foram as legislativas, teremos as europeias, e teremos as presidenciais, em 2026, mas as eleições autárquicas estão também à porta, realizam-se já em 2025.

Na verdade, falta quase um ano para que as listas estejam formadas e entregues e se saiba quem, na nossa comunidade, quer assumir responsabilidades autárquicas. Normalmente, nesta altura já se verificam movimentações, os partidos e movimentos já se mobilizam. Mas neste momento não se pressente nada ou quase nada. Por Ponte de Lima, por exemplo, nem se sabe se os que lideram a oposição, o movimento Ponte de Lima Minha Terra, se apresentarão a eleições. Já nem escrevo sobre os partidos tradicionais, como o PSD e o PS. Se no caso do primeiro, ainda se observa a solitária actividade do vereador, o segundo nem se sabe se de facto ainda existe no concelho.


Não sei se é, mas que parece…


Na passada semana, todos nós assistimos a uma série de categoria B. Se fosse apenas numa qualquer plataforma digital, não seria mau, o problema é que tem consequências na nossa vida e passou-se na Assembleia da Republica.

José Pedro Aguiar Branco, deputado eleito pelo nosso circulo eleitoral, foi indicado pelo PSD como candidato a Presidente da Assembleia da Republica. O líder parlamentar do PSD contactou e informou o PS, o Chega e a IL que esse seria o seu candidato e que os sociais-democratas iriam votar favoravelmente os vice-presidentes que esses partidos apresentassem. O líder do Chega apressou-se logo a anunciar um “acordo” e o seu voto favorável. O argumentário estava instalado. 

No dia seguinte, o nome de Aguiar Branco foi chumbado várias vezes. Ao longo do dia, fomos vendo o Chega a bracejar e a rasgar vestes em acusações e chantagens sobre o PSD que se entregara ao PS. O PS depois de acusar o PSD de que afinal o seu “não é não” era um “não é não a não ser que…”, acusava a direita de confusão e instabilidade.   

Depois de quase dois dias de impasse, Aguiar Branco lá foi eleito e os vice-presidentes propostos pelos referidos partidos também. 

O que se retira disto tudo é que hoje é perceptível um novo “partido” a que alguém apelidou de Shegalista. Um “partido” que não tem qualquer consideração pelas instituições ou pelo país, que parece perceber que estas atitudes tem consequências gravíssimas para a saúde da nossa democracia, mas, como na velha fábula do escorpião e da rã, “está na sua natureza” fazer tudo para que o centro direita não consiga estabilidade para governar. Nem que para isso “morra” a democracia. 


Serviço militar obrigatório


De repente, foi reintroduzido na ordem do dia o tema do Serviço Militar Obrigatório (SMO). Os políticos, com a guerra a voltar à Europa, acordaram para as necessidades militares do velho continente. Voltam-se a ouvir os velhos chavões da defesa dos valores, da dádiva à sociedade, da cidadania como justificação para a reintrodução da obrigatoriedade do SMO.

Mas só será possível desenvolver e despertar o interesse pela defesa dos valores de cidadania, da dádiva à comunidade e da defesa nacional ressuscitando o SMO? Não será isso apenas uma desculpa para conseguir “mão de obra” para uma estrutura militar que tem neste momento uma pirâmide interna de recursos humanos invertida?

O que é necessário é valorizar e criar uma verdadeira carreira militar que possa levar os jovens a equacionar essa carreira como um percurso profissional de futuro, que abra portas à formação académica e profissional e não só militar. O que não é possível é manter um exército de graduados sem praças, ou com praças sem possibilidade de carreira ao longo da vida. 

domingo, janeiro 07, 2024

Alto Minho, artigo de 04-01-2024


Finitude

Escrevo estas linhas no passado, no final do ano de 2023 para os leitores lerem já em 2024. Os finais de ano são sempre momentos para pensar e fazer um balanço. Pensamos nos que partem e deixam vazio o seu lugar físico, nos projetos que tínhamos, mas que vão ficando numa gaveta cada vez mais funda, nos propósitos que fizemos, mas que não passaram de intenções.

Este é, também, um tempo em que nos damos conta de como a vida vai avançando e de que aquilo que achávamos imutável, afinal, se vai moldando, vai escorregando para novas situações que nos desafiam. O segredo é sermos capazes de estar à altura desses novos desafios, de nos adaptar às novas realidades, de seguir em frente. 


Novas realidades


As eleições do próximo mês de Março vão trazer novas realidades e novos protagonistas. Não sei se os nossos representantes na Assembleia da República vão mudar, não sei se os partidos que neste momento têm o monopólio da representação do Alto Minho, o PSD e o PS, vão alterar os cabeças de lista candidatos a deputados ou se outro partido conseguirá eleger um deputado pelo nosso círculo eleitoral. De uma coisa tenho a certeza, se se perguntar ao comum dos alto-minhotos, a verdade é que quase nenhum conhece os seus atuais “representantes” e assim vai continuar. 

Vão-se lendo notícias das reuniões da praxe, que dizem servir para a escolha de perfis de candidatos, reuniões ditas alargadas e muito participadas, quando todos, pelo menos os que “andam” pela política partidária, sabem que a escolha dos candidatos é feita pelos líderes das estruturas, muitas vezes pelos de Lisboa, regendo-se por critérios de afirmação e interesses internos dos partidos.

Novas Realidades? Anos a falar de círculos uninominais, de círculos nacionais de compensação, no entanto a realidade, essa, continua a ser a mesma. Deputados escolhidos pelas nomenclaturas dos partidos, com pouca ou nenhuma ligação aos eleitores. A verdade é que os eleitores também não têm, nem estão para aí virados, ligação aos seus “representantes” até porque, quando votam, não é a pensar neles, mas, sim, num desejável primeiro ministro. 

Entretanto a campanha eleitoral irá açambarcar o espaço público, e, qual primavera onde os bichinhos voltam a surgir nos jardins, eis que os políticos redescobrirão o cidadão, descendo ao espaço onde este vive. Com canetas, sacos, papelinhos e barulho de altifalantes, “acenam” cheios de promessas de proximidade e representação. A verdade é que a generalidade dos políticos vive numa redoma, fala entre eles e para eles, cria polémicas, intrigas e discussões que nada dizem à vida real das pessoas. Finalizada a campanha eleitoral, tudo voltará ao velho remanso dos deputados, que, afinal, “representam todo o País, e não os círculos por que são eleitos” (ver crónica de 11-10-2023).      


Pormenores


Por vezes é nas mais pequenas coisas que encontramos a maior das satisfações. O privilégio de almoçar com a família alargada, na casa que foi dos nossos avós, percorrer a pé os velhos caminhos ladeados por antigos carvalhos e castanheiros na companhia dos nossos filhos e dos filhos dos nossos primos. Contar as estórias que ouvimos da nossa avó sobre uma casa em ruínas e conseguir prender a curiosidade e alimentar a sua imaginação. Sentir a sua satisfação por verem e calcorrearem os mesmos sítios que os seus antepassados.

domingo, fevereiro 13, 2022

Alto Minho, artigo de 09-02-2022

Terramoto no cento direita tradicional


O CDS, sem representação parlamentar, sem acesso aos fundos públicos, com muita dificuldade conseguirá manter-se “vivo”. A representação autárquica poderá ser a sua “cidadela”, mas falta saber se estarão os autarcas, como o de Ponte de Lima, dispostos a passar pelo risco de serem o porta-estandarte de um partido que a qualquer momento poderá desaparecer. E no PSD? Bem, a situação no PSD é, ainda, diferente, mas não tão diferente quanto isso. 


Um exemplo 


Sempre se disse que o Partido Social Democrata era o partido mais português de Portugal, não que fosse superior aos outros, mas porque dele faziam parte militantes que representavam todas as partes da sociedade portuguesa. 

Nas reuniões do PSD, poderíamos encontrar e ouvir médicos, carteiros, funcionários públicos, professores, operários, pequenos comerciantes, empresários, advogados, pintores, funcionários do comercio… As reuniões eram pontos de encontro de onde saiam as bases do que o partido defendia para a sociedade, para a comunidade, fosse ela de uma freguesia, concelho, região ou do país. 

Quando iam a uma reunião os seus militantes podiam ouvir pessoas que eram membros das assembleias de freguesia ou municipais, vereadores, presidentes de câmara ou deputados, que eram, também, reconhecidos profissionalmente e socialmente, pessoas que não tinham como objectivo último “serem”, mas “estarem” naqueles lugares. 

Para quem não percebe a diferença, eu passo a explicar de forma simples e direta. Muitos têm como único objectivo político “serem” presidentes da junta, vereadores, deputados pelo estatuto que acreditam que esses cargos lhes trazem, mas outros, infelizmente, cada vez menos, querem estar como presidentes da junta, vereadores, deputados, porque, ao “estarem” nesses cargos, conseguem pôr em pratica a visão do que pretendem para a sua comunidade. 

Hoje, as reuniões partidárias estão cada vez mais vazias de pessoas e ideias, não atraem os militantes porque ser moldura de “vaidades”, perder tempo sem que nada se discuta em prol da comunidade, onde o tempo é passado em vacuidades de “guerras” de egos não é, digamos, atraente. 

Longe vão os tempos de pessoas como Francisco Amaral, Roleira Marinho, Alberto Martins (Bertinho), António Oliveira Amaral, João Esteves, Francisco Torres, Américo Sequeira, António Sousa Lopes (Toneca), Germano Cantinho, José Matos Melo, Hilário Marques, Manuel Nuno Pereira, Carlos Alberto da Ponte, António Cabral Oliveira e tantos outros, como os “tigres de Ponte de Lima”, que não refiro por me estarem muito perto ou ainda com alguma atividade política ativa. Pessoas que foram/são referências, vindos de experiências profissionais, académicas e sociais diferentes, mas que se uniam na discussão de ideias para a sua comunidade. Estes, alguns deles, infelizmente, já falecidos, deveriam ser exemplo para os mais novos. Infelizmente, muitos nem sabem quem eles foram, quanto mais perceberem a sua forma de estar na política para que lhes sirvam de exemplo. 

Um dos principais problemas do PSD é ter-se tornado num partido que se perdeu na teia dos poderes internos (locais e nacionais), no caciquismo, que afastou a verdadeira militância. Os órgãos internos deveriam servir para muito mais para além de sustentáculo de vaidades. Agora é replicar esta situação pelo país. Sim, é preciso meditar e pensar bem qual o caminho a seguir, é preciso voltar às origens para que se possa voltar a considerar o PSD o partido mais português de Portugal. 




domingo, fevereiro 06, 2022

Alto Minho, artigo de 02-02-2022

Onda rosa

Não há como disfarçar, já ninguém falará da sucessão de António Costa, apesar da bipolarização, a onda rosa correu e varreu o país. O nosso distrito não foi excepção e o Partido Socialista venceu em todos os concelhos do Alto Minho. Todos, não. Em Ponte de Lima, apesar da fantástica subida do PS, o PSD manteve o primeiro lugar.

Nem com dois candidatos oriundos de Arcos de Valdevez o PSD conseguiu manter invicto o concelho arcuense. Os concelhos vizinhos de Ponte da Barca e Monção, com câmaras laranjas, também não conseguiram suster o avanço rosa, nem em Valença, onde o cabeça de lista do PSD foi presidente da Câmara, o PSD ganhou.

Em Viana do Castelo, o PSD até aumentou a votação face a 2019, mas os resultados nesse e nos outros concelhos não são novidade e até seriam os expectáveis pelo histórico de votação, o PS saiu vencedor em todos eles.

Ponte de Lima é, assim, um género de “aldeia dos Gauleses” laranjas. Fruto de uma candidata oriunda do concelho, Felismina Barros, que trouxe uma dinâmica diferente à campanha, conseguiu envolver e “chamar” à campanha os militantes, sem distinções ou revanchismo. Com esta atitude, o PSD, para além de segurar a ofensiva socialista, conseguiu voltar a resultados perto dos anteriores a 2019.


Resultados 


No final da noite, a verdade é que tudo, no nosso distrito, ficou como antes. Tal como previsto, foram eleitos 3 deputados pelo PS e 3 pelo PSD. No entanto, face à evolução da votação e ao histórico das últimas eleições alguns agentes deverão meditar e analisar  onde estão e para onde querem ir. O PSD deve ponderar bem se manter lideranças  e decisões alicerçadas em falsas maiorias internas, completamente desfasadas das realidades “civis”, fará sentido. 

Também o BE, que não renova os rostos há muito, deverá pensar seriamente no caminho que tem trilhado no distrito. Não é possível continuar com os mesmos rostos e sem representação em muitos concelhos chave. 

Na direcção distrital do CDS, a incapacidade de encontrar rostos fortes, que consigam ir além da bolha limiana, parece ser a principal razão para o seu mau resultado. Desde Abel Baptista, que conquistou eleitores fora de Ponte de Lima, o CDS parece não ter real projecção distrital que, agora associada à nacional, deverá fazer soar os alarmes centristas. Estaremos perto de um “rebranding” político na Câmara de Ponte de Lima?   


Nota de rodapé


Vivemos dias de profunda mudança, nem tanto pela vitória do PS, que é fruto do desaparecimento das extremas esquerdas que vivem desfasadas da realidade, do dia a dia das pessoas, mas, principalmente, pelo reforço de novas forças políticas da direita e extrema direita. Esta nova realidade, olhando para outros países que anteriormente passaram por ela, não será passageira, mas consolidada. Se será para melhor ou para pior, isso só mais tarde se saberá. Uma coisa é certa, perto dos 50 anos do 25 de Abril, o dito “sistema” vindo dos anos 70 parece dar de si, novas peças reformulam o xadrez do tabuleiro político. 

Aparentemente, as lutas e o cavar de trincheiras políticas será o futuro próximo.

domingo, janeiro 30, 2022

Alto Minho, artigo de 26-01-2022


As pessoas para além das políticas

Alguns leitores mais atentos destas linhas estranharam ter terminado a última crónica enaltecendo a forma como o cabeça de lista do Livre pelo nosso círculo eleitoral terminou o debate entre os cabeças de lista, declamando um poema. Não estranhem, não tenho qualquer problema em enaltecer atitudes de políticos com os quais não concordo politicamente. A política faz parte da nossa vida, mas não é a nossa vida, ou, pelo menos, não deveria ser. Gosto de olhar para as pessoas para além das políticas que defendem.  


Memórias


Alguém partilhou uma fotografia antiga que retrata um viaduto construído para a linha de comboios do Vale do Lima. A popularmente conhecida por “ponte seca” existiu durante todo o século XX, na freguesia limiana de Arcozelo. Era conhecida quase como um monumento àquilo que esteve para ser e nunca foi. A linha do Vale do Lima, apesar de praticamente construída, pelo menos de Viana do Castelo a Ponte de Lima, perdeu-se nas vicissitudes dos interesses mesquinhos da política local da altura. 

A “ponte seca” foi desmontada no final do século XX, tendo sido construído um imóvel no seu espaço. Do viaduto propriamente dito já não existe nada, apenas uma linha, sem carris, que termina numa ponte, essa ainda existente e que até deveria ser preservada para memória futura. Nem que seja para lembrar que a política, embora não seja “a” nossa vida, faz parte e influencia a vida de todos.


Por falar na “ponte seca”


Agora que nos aproximamos das eleições, com a evocação da “ponte seca” lembrei-me de como durante anos se pôde ler nela o apelo ao voto na APU (Aliança Povo unido). Ainda se lembra dessa “coligação” que tinha como símbolos umas argolas? A mim, o símbolo faxinava-me porque me remetia para uma marca de carros alemã. Em plena infância, questionava-me sobre o porquê do apelo ao voto, fosse isso o que fosse, numa marca de carros… Os tempos mudam e, entretanto, o PCP percebeu que era tempo de deixar para trás uma sigla, que até dava margem para brincadeiras, evoluindo para a CDU. Tudo se transforma, a coligação, a “ponte”, ficaram apenas em imagens e nas memórias.


Eleições


Não poderia deixar de escrever, neste artigo antes das eleições, uns apontamentos sobre esta campanha. Notou-se o esforço do CDS e da CDU, que, apesar de todos os indicadores, não baixaram os braços. Apesar disso, a votação, muito provavelmente, ditará a divisão dos 6 deputados eleitos pelo nosso círculo eleitoral entre o PSD e o PS. 

Quem acompanhou a campanha reconhecerá que, pelo menos publicamente, o PSD, talvez “embalado” pela onda de mudança, apostou numa campanha de proximidade e comunicação. Deslocou-se a vários pontos do território alto-minhoto onde apresentou várias propostas, várias por semana. Esta foi a estratégia social-democrata para tentar “ganhar” mais um deputado. Já o PS, talvez pelas saudades que o seu cabeça de lista afirma sentir da sua profissão de investigador cientifico, foi fazendo os serviços mínimos, sem mobilização, ouvindo-se muitos socialistas a descreve-la como uma “campanha amorfa”. A ver vamos, com a verdadeira prova dos nove no próximo domingo, quem irá recolher mais “frutos”.

domingo, janeiro 23, 2022

Alto Minho, artigo de 19-01-2022


Os invisíveis

Não se dá por eles, mas são um exercito de “invisíveis” que, dia a dia, vão fazendo um trabalho imprescindível à comunidade. Aliás, esse é, no fundo, o coroar do seu trabalho, passar despercebido. 

Normalmente, são senhoras que, seja com frio, calor, chuva ou sol fazem, todos os dias, o seu trabalho para que todos tenhamos um espaço público condigno. Da limpeza das ruas ao arranjo dos jardins, este “exercito”, silenciosamente, trabalha para o bem estar de todos.

Tantas vezes damos por garantido serviços que, por vezes, no nosso dia a dia, tratamos como menores, mas que, na verdade, sem eles a nossa vida seria bem diferente.


Preconceitos


É interessante verificar como a pandemia trouxe outro tipo de “pandemia”, a do extremar de posições. Facilmente se cai no preconceito, no facilitismo de rotular os outros. 

Voltamos a ouvir o preconceito religioso, sobranceiro, de caricaturar, por exemplo, os católicos como crentes ignorantes, seguidores de "padrecos histéricos”, nada dados à “cultura”. Argumentos que parecem ter vindo diretamente dos primeiros anos da República, repescados para a modernidade das redes sociais. 

Em Portugal, existem várias religiões, cristãos (católicos, protestantes, evangélicos...), muçulmanos (sunitas, ahmadis), judeus, hindus... Pensar que milhares de pessoas, por serem crentes, não são cultas, não gostam de ler, de música, de teatro, de cinema, de pintura, escultura, não capazes de pensar e admirar, limitar os crentes a um estereótipo preconceituoso é tão só... estúpido, mas por mais estúpido que seja, a verdade é que existe e é cada vez mais visível. 

O preconceito, a ignorância combatem-se com mais leitura, com mais estudo, resistindo a estereótipos e basismos, procurando a verdade e o conhecimento e menos os likes e visualizações da vacuidade das “redes”.   


Curiosidade do debate 


Os debates para as próximas eleições não se passam só nos 20 minutos das televisões, também passam pelos cabeças de lista que se apresentam a eleições no nosso circulo eleitoral. 

Se não ouviram o debate moderado pela jornalista desta casa, a Idalina Casal, vale bem a pena procurarem a página web da CEVAL, a entidade organizadora do debate. Não vou falar do debate em si, que foi longo e onde todos poderem expor a suas posições, mas da forma inédita como um dos candidatos usou o seu tempo para a mensagem final. O candidato do Livre terminou com um poema sobre o Alto Minho. Foi estranho e causou alguns sorrisos, mas, se pensarmos bem, estranho, estranho é a poesia não fazer parte do nosso quotidiano, mesmo o político. Como tudo seria diferente na nossa vida, se esta tivesse mais poesia.

quarta-feira, abril 13, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

De novo eleições

Os partidos preparam as já marcadas eleições legislativas. Ponte de Lima é o segundo maior concelho do distrito de Viana do Castelo pelo que é estranho verificar como alguns partidos preferem apostar em pequenos concelhos, com fraca densidade demográfica e, portanto, com pouco “peso” eleitoral em detrimento do nosso concelho. Ponte de Lima merece mais. Talvez seja tempo de inverter esta tendência, será necessário que os responsáveis distritais desses partidos olhem para Ponte de Lima com a responsabilidade de escolher verdadeiros representantes do distrito. 

Mudar de rumo 

Mudança! Muitos estremecem ao ouvir esta palavra. Outros pensam como D. Fabrício, um aristocrata siciliano que Giuseppe Di Lampedusa imortalizou em Il Gattopardo, quando afirma “é preciso mudar tudo para que tudo fique na mesma”. Finalmente, ainda existem aqueles que associam mudança a oportunidade para melhorar. 
Sou conservador por natureza, mas curioso por vocação. A mudança para mim significa busca, não aprecio mudar aquilo que não é preciso mudar, aquilo que corre bem, mas aceito com naturalidade a mudança quando esta significa oportunidade de subir no patamar da qualidade. O O Povo do Lima encontra-se numa posição em que é preciso fazer escolhas. Pela sua dimensão, histórica e social, precisa “dar um salto” e enfrentar mais uma mudança. Talvez seja a mais profunda que alguma vez enfrentou, será, certamente, uma janela de oportunidade para levar o O Povo do Lima a ser ainda melhor.

Colaborar e participar 

Desde a minha maioridade que tento ter uma participação mais activa na comunidade. Muita dessa participação tem passado pela política partidária, pelas associações e, claro, pelos jornais e rádios regionais. Já tive também o prazer de colaborar com uma revista nacional num artigo sobre Daniel Campelo e Ponte de Lima. Tenho uma participação activa nas ferramentas da chamada Web social, sendo fundador do mais antigo blogue de e sobre Ponte de Lima ainda no activo, para além de outros espaços colaborativos na minha área académica e profissional. 
A minha colaboração com O Povo do Lima, pelo menos por agora, face à sua suspensão temporária, termina aqui. Continuarei, como sempre, nos outros locais, pautando-me pelo princípio da participação activa na minha comunidade. Aderi a este projecto ciente das suas dificuldades, cheguei a assumir responsabilidades editoriais como editor de política, tendo a oportunidade de ouvir e publicar as ideias, visões e intervenções dos vários partidos e protagonistas políticos em Ponte de Lima. 
A todos os que me têm seguido e lido, noutros jornais e nos últimos anos aqui n´O Povo do Lima, agradeço profundamente o tempo que despenderam a fazê-lo. A todos muito obrigado e até já, aqui ou noutro lugar…

sábado, janeiro 15, 2011

Artigo n'O Povo do Lima

Presidenciais
Para os que ainda não repararam, e não é assim tão difícil, estamos em período de campanha eleitoral para eleger o próximo Presidente da República.
Embora com alguns percalços que o fizeram por vezes ficar de costas voltadas para o seu eleitorado natural (mas não deve o Presidente da República ser imparcial na sua actuação?), Cavaco Silva apresenta-se como o único candidato com condições para efectivamente exercer o cargo de Presidente da República. A dúvida reside se vencerá à primeira ou à segunda volta.
Mas esta é uma eleição com 6 candidatos que se dividem como que em divisões ou escalões. Temos a regional com Defensor Moura e José Manuel Coelho, a terceira divisão com o candidato Francisco Lopes, que serve para o partido comunista manter um espaço de intervenção, a segunda divisão com Fernando Nobre e Manuel Alegre, que tentam chegar à segunda volta, e, finalmente, a primeira divisão com Cavaco Silva.
Bem sei que a comunicação social local aqui do Alto Minho tem levado ao extremo a sua vocação regionalista, promovendo Defensor Moura com a publicação de artigos e reportagens opinativas sobre este candidato, mas tenho para mim que mesmo com este apoio todo, com o tipo de campanha que tem realizado e com os exemplos do seu passado político, Defensor conseguirá, talvez, um bom resultado… na sua rua, em Viana do Castelo.

Presidente por um dia
A Câmara Municipal de Ponte de Lima aprovou por unanimidade a criação do fórum "Presidente Por Um Dia". Uma iniciativa bastante interessante que apela à participação directa dos cidadãos e que se espera que tenha o sucesso que o Fórum Municipal não teve.
O problema destas “aberturas” é a vontade de participar dos cidadãos. Não é que esta seja fraca ou não exista, o problema é o receio que a participação, o dar a cara, o nome, pode suscitar. O cidadão, por mais vontade que tenha, poderá ter o receio de dar a sua opinião por medo de algum tipo de represália e isso é, infelizmente, ainda uma realidade na nossa comunidade, é algo que ainda está enraizado e que veio de um passado que ainda não está assim tão longínquo nem esquecido.
Saúda-se esta abertura da Câmara Municipal, espera-se que seja um sucesso de forma a aprofundar ainda mais a participação de todos para bem de todos.